terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Então fechei a porta, depois de esvaziar a minha casinha, aquela modesta no rés do primeiro andar a contar vindo do céu. Fechei a porta a sentir que a fechava. Vim embora lavada em lágrimas. 
Mudei. 
Estou na casa nova, que aos poucos se vai tornando na minha. Acordo feliz todos os dias e tão grata pela mudança, apesar das saudades do meu bairro que continuo a visitar sempre que me apetece. Tenho uma vista maravilhosa sobre o Tejo, o sol entra-me pelas grandes janelas e, tal como esperava, mudar de casa trouxe outras mudanças à minha vida. Porque é sempre assim - quando mudamos uma pequena peça, todas as outras encaixam de forma diferente, como num jogo de tetris. Acredito que a vida funciona desta maneira, que uma acção gera acontecimentos surpreendentes e que não tenham necessariamente nada que ver com ela. Uma pequena alteração num determinado sector produz efeitos noutros. Porque a energia mexe-se, as águas são agitadas e os fluxos tomam novas direcções. Então mudei de casa e começaram a acontecer coisas novas no trabalho. Os meus dias estão diferentes, a minha vibe é diferente. Ainda não assentei, que há gavetas por organizar e nem consegui tirar o meu tempo para meditar, mas já noto uma aragem nova.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Meu Moquifo

Vou mudar de casa.
Vou deixar estas paredes que foram o meu escudo nos últimos anos. Foi aqui que tive muitos medos, foi aqui também que os libertei. Chorei muito, diverti-me tanto. Foi neste lugar que nos apercebemos da força da tríade que somos. Foi aqui que me senti desamparada por todos os que já não moram em mim e que abri os olhos para entender que afinal já tinha comigo todos aqueles de quem precisava.

Olhando para trás, apercebo-me de que foi nesta casa que me tornei na mulher adulta e equilibrada que sou hoje. E é inevitável a gratidão. Foi enquanto vivi nesta casa que me tornei consultora de imagem, que aprendi a navegar na tempestade e que me atirei de cabeça à aventura. Foi enquanto vivi nesta casa de que agora me despeço que sonhei muito do que estou finalmente a concretizar. E foi enquanto vivi nesta casa que me permiti conhecer-me profundamente. 

Não que não fosse madura - nada disso. Não que não fosse responsável - nada disso. Mas foi neste período de tempo que me tornei nesta pessoa tão diferente daquela que fui. Era mais menina, mais ingénua, mais crédula. Menos serena, menos sensata, muito menos consciente.

E esta casinha, que carinhosamente apelidámos de Moquifo, fez-me sentir protegida, apesar da grandiosidade do mundo assustador lá fora. Chegar a casa era mesmo isso. Cheguei a casa todos os dias a gostar do sítio para onde vinha. Tomei conta dela o melhor que pude e custa tanto sair daqui.

Queria comprá-la, na verdade. Ainda não posso fazê-lo. Queria que fosse minha para poder torná-la no apartamento que merece ser. Saio com lágrimas, confesso. E quis tanto encontrar outra casa que parece ironia tanto choro na despedida. 

É que quando cheguei, decidi que seria provisório. Em breve iria encontrar uma casa melhor. Mas não apareceu e ela aconchegou-me. Foi-me abraçando, testemunhando os meus lutos e as lutas que travei. Ouviu os meus desabafos, prantos e orações. Viu recuperações impressionantes, de uma força indescritível. Foi cenário de muitos jantares bons e recebeu-me de braços abertos de cada vez que cheguei de uma noite comprida ou de um longo dia de trabalho. Todos os meus amigos e familiares se sentiram bem no Moquifo - a casa tem uma energia própria tão amorosa! A Carmen fez dele também a sua casa e eu fui-me aninhando. 
Passámos a ser as Princesas do Prédio, num prédio cheio de velhinhos que nos tratam pelo primeiro nome, que me ajudaram quando o carro avariou sem que pedisse nada, que me fazem sentir acompanhada mesmo quando estou sozinha em casa. E depois o conforto estendeu-se ao bairro e quando dei por mim este cantinho de Lisboa já era um pequeno Pombal na capital. E que bom. Foi tão bom que nem acredito que vou mudar.

E não contenho o choro porque todas as mudanças me transtornam - até quando o telemóvel se avaria e tenho de começar uma relação do zero com outro. Gosto de sair da minha zona de conforto, sei que é indispensável ao crescimento e tenho plena convicção de que todas as transformações nos abrem caminhos novos, melhores. Sei que tudo contribui directamente para o meu bem. Mas sou de saudades e já sinto saudades do meu Moquifo.

Se fosse gente, abraçava-o. Agradecia-lhe por me ter abrigado como pôde. E agora parto para outra casa, mais nova, com vista para o Tejo e não deixo de me sentir ridícula por não me sentir como imagino que a maioria das pessoas se sentiria, numa incontrolável excitação por saber que se muda para algo melhor.

Eu sei que vou gostar. Mas porra, o Moquifo foi uma boa casa. 
E vê-lo assim, a perder o que lhe imprimi de mim, a ficar vazio, faz-me chorar por saber que chegou ao fim aquela fase. Ficam as memórias. É tempo de avançar.

Quem sabe se um dia não o compro?

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

t o d o s

Sou mestiça. Apesar da palidez da minha pele e segundo o que tenho lido por aí, metade de mim é preto vai para a tua terra. Outra metade é branco sacana que bate em pretos.
Fere-me de cada vez que alguém aponta a diferença. Magoa-me de cada vez que ouço ou leio ignorância e preconceito. Não vejo pretos e brancos. Vejo pessoas.
Sou mestiça, uma fusão do melhor de dois mundos. E tu, que dizes que és branco, que olhas para o espelho com um certo orgulho no que julgas ser evidência de ser-se caucasiano, cheira-me que entre visigodos e mouros também não hás-de estar muito longe da minha suposta definição étnica.
E tu, que te apelidas de negro e que te vitimizas em vez de te elevares, que atiras sobre os outros o peso da responsabilidade de não te sentires digno, de te olhares como menor, bate no peito e honra a memória dos teus antepassados que não podiam mudar o mundo, porque o mundo ainda era mais duro para eles. Não deixes que te pisem mas sê maior.
É que se fôssemos todos evoluídos, todos amor, todos mais, já não haveria espaço para discussões que abrem feridas em vez de as tratar.
Somos todos gente. Somos todos pessoas. Somos todos humanos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Feliz Natal!

Não é novidade para ninguém que tenho uma relação estranha com esta altura do ano. Ainda assim, espero que o Natal seja cheio de memórias bonitas. Que seja doce. Que seja só paz. Que tenham perto aqueles que amam. Que possam abraçar quem é especial para os vossos corações. Que aproveitem as festas e que não vos pese nada na consciência. Que comam o que vos apetecer, que as dietas e os ginásios voltam em Janeiro. Que sorriam e partilhem amor. Quanto a mim, só quero sossego, mimo e aquela sensação de aconchego. E que o aniversariante me ouça quando Lhe der os parabéns!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Façam também!

 Zendaya
A Vida é sempre a perder. Sem dramas, é mesmo. Todos os dias perdemos 24 horas de vida e a areia na ampulheta vai passando de um lado para o outro. Todos os anos perdemos pessoas que amamos. Umas morrem, outras continuam a respirar mas deixam de fazer parte do nosso mundo. Algumas mudam de país e ficam afastadas de nós sem sequer imaginar a dor que a sua ausência em nós causa. Perdemos dias, horas, minutos. Perdemos, perdemo-nos. Deixamos de saber o que é feito de gente de quem até gostamos. Deixamos de saber onde está aquele objecto que tem tanto valor sentimental. Esquecemo-nos de acontecimentos - ficam também eles, perdidos. Perdemos o manjerico que seca, o animal que parte, a memória daquele céu fantástico ou do sorriso terno daquela criança a quem dissemos adeus, no carro ao lado.
A Vida é sempre a perder.
Não é novidade.
Mas e se dermos tanta relevância a tudo o que ganhamos? Todos os dias ganhamos 24 horas novinhas em folha, prontas a estrear e a preencher com novas iniciativas, surpresas, oportunidades e momentos marcantes. Todos os anos conhecemos pessoas novas, pessoas bonitas que podem representar novos capítulos lindos. Ganhamos dias, horas, minutos. Assim que acordamos e notamos que continuamos a respirar, sentimos o conforto dos nossos lençóis quentinhos, sabemos que temos um café e um pequeno-almoço saboroso à nossa espera, tudo isto debaixo de um tecto. Todos os dias, a possibilidade de fazer alguém sorrir, de criar algo novo, de tocar a vida de alguém e fazê-la sentir-se melhor. Sabemos que os gestos mais simples podem suscitar sentimentos tão bonitos.

Uma forma simples de mudar o prisma e de começar a ver através de uma lente positiva é contrariando o que seria natural - focar o menos bom. E se puxarmos pela memória para conseguir registar pelo menos doze bênçãos - uma por cada mês do ano? Talvez nos lembremos de muito mais que uma dúzia delas. Eu começo:

1 - Comecei a fazer voluntariado na Dress For Success Lisboa.
2 - Continuei a investir no meu crescimento pessoal e espiritual.
3 - Comemorei o final de curso da Mana.
4 - Conheci pessoas maravilhosas que já vivem num cantinho especial do meu coração.
5 - Lancei o meu site, de que tanto me orgulho!
6 - Tive clientes que confiaram em mim.
7 - Reencontrei-me com pessoas importantes na história da minha vida.
8 - Vivi umas férias maravilhosas.
9 - Pude passar tempo com pessoas que amo.
10 - A cirurgia da Mana correu bem.
11 - Voltei ao ginásio.
12 - Acompanhei de perto a gravidez de uma amiga e vi o bebé no dia em que nasceu.

Agora vocês!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

[ sobre honrar a nossa herança ]

Foi um presente de aniversário. Queria tê-lo feito há muito tempo mas só este ano aconteceu

É que sou a bisneta mais parecida com a bisa contrabandista, aquela que era convidada para ir a Paris assistir aos desfiles das grandes casas e comprar os modelos para reproduzir cá em Portugal. 

E sempre desenhei roupas - para mim, para a minha mãe, para a minha irmã, para as minhas amigas. Sempre soube como queria que ficasse o resultado final, que acabamentos, que cair do tecido; se em viés ou a direito. Tinha que pedir ajuda a quem soubesse confeccionar para materializar as minhas ideias. De vestidos de gala com soutiens incorporados a simples conjuntinhos de calção e top, sempre precisei de outras mãos para dar vida às minhas criações. Mãos que admiro cada vez mais.

E por ser a bisneta mais parecida com a bisa contrabandista, seria uma vergonha não aprender o ofício dela.

Fui aprender a costurar, a mexer na máquina, a colocar a linha na canela e a chulear. Aprendi a riscar o tecido com giz e com confiança, a cortar, a criar um molde. A empastar e a alinhavar mais depressa. A costurar. A unir meros pedaços de tecido através da linha que a agulha da máquina transporta num ritmo que controlo com o pé. Desce e sobe, sobe e desce e quando dou por ela, fiz uma peça de roupa. A primeira foi difícil, meio atabalhoada. No entanto, tranquilizaram-me: a prática é tudo e se ficar mal feito, podemos sempre descoser e começar tudo outra vez. É como na vida, portanto. 

Estou longe de ter nas mãos a arte da minha bisavó, do mesmo modo que estou a anos-luz da mestria da Ana e da Inês, as pacientes professoras que me ensinaram com dedicação cada pormenor que consegui reter. Estou longe dessa minúcia cirúrgica mas mais perto de mim - e que curioso o atelier ser tão próximo do lugar onde nasci.

Esta semana tive a minha última aula e não poderia estar mais feliz por ter aprendido tantas coisas novas naquele que foi o melhor espaço para me receber. Se vos apetecer aprender a criar peças novas, feitas com as vossas mãos, a Inês e a Ana do Atelier Oficina são as pessoas certas para vos introduzir a todo um novo léxico, cheio de conceitos que a maioria de nós desconhece. Para lá das profissionais de excelência que são, ambas são simpáticas, pacientes e muito amorosas. São elas que vos apresentam a máquina de costura com tal naturalidade que seria impossível não abandonar o medo dela. Tão cedo não se livram de mim!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

impressionou-me, que querem?

SJP
Aquela mulher não parava de falar na filha. Parecia o Hugo em relação à Ana, do Casados à Primeira Vista entendedores entenderão: qualquer conversa ia dar à cria, numa constante devoção em cada palavra. Amor, diriam alguns. Obsessão, digo eu. E se disso suspeitava após uma hora de constantes alusões à criança, confirmei o meu feeling quando a ouvi começar uma frase dizendo «desde que perdi a minha identidade».

Uma vez jornalista, para sempre jornalista, portanto não consegui conter a minha questão e perguntei de rompante o que tinha querido dizer com aquelas palavras. Respondeu que tinha perdido a sua identidade no momento em que fora mãe: «Na maternidade toda a gente me tratava por mamã e eu entendi que tinha deixado de ser eu para ser a mãe». 

Fez-se silêncio. 

Sou muito transparente nas minhas reacções e o meu rosto é imediato na expressão do que a mente está a criar. Atenção, não foi reprovação nem julgamento. Foi surpresa e pena. Não é preciso viver a experiência da maternidade para saber que o nosso eu não deve ser mais que ampliado. Deixar de ser eu, anular-me, assumir que quem sou agora em função de um elemento externo - um cargo no trabalho, uma relação, um filho - não é obviamente saudável.

É natural e desejável que nos permitamos evoluir, que nos transformemos e sejamos moldados pelos acontecimentos que vão surgindo, que nos marcam, nos ensinam, nos constroem e nos revelam. Mas que não sejamos apenas uma faceta do todo que podemos ser. Que não sejamos apenas a mãe de fulano, a mulher de sicrano ou a sócia de beltrano. Que tenhamos sempre zelo pela nossa chama, que cuidemos dela todos os dias. Além de ser primordial para a pessoa que somos, só assim poderemos iluminar também quem nos rodeia.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

E se pudesses alimentar uma criança a partir do teu smartphone?

Uma doação pode ter o valor de quarenta cêntimos e podemos escolher quem e como apoiar. 
Vale a pena ler aqui e podem encontrar a aplicação acolá

ShareTheMeal é uma iniciativa das Nações Unidas que combate a fome global. Por exemplo, com os tais 40 cêntimos podemos alimentar uma criança africana durante um dia  e com 12 euros garantimos comida para uma criança durante um mês.
Imaginem o que não podemos fazer se espalharmos a palavra!

A app recorre a métodos de segurança para fazer as suas transferências - podemos usar Paypal, Visa ou Mastercard.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

sentem a boa vibe?

2 Broke Girls 
E então dei pulos na sala, enquanto a minha irmã olhava estupefacta para mim. Gritinhos acompanhavam a coreografia a fazer lembrar um mosquito quando atingido por insecticida. E quando parei, com os olhos brilhantes, para dar a boa nova à Mana, ela ficou tão histérica como eu. 

O mais interessante foi constatar que estas reacções só surgem quando o assunto é a minha vida profissional. Não fico num excitex por mais nada. Sinto-me grata, realizada e feliz sempre que algo bom acontece mas não há mais nada que me coloque neste mood de criança que conseguiu uma hora para falar com o Pai Natal. As conquistas profissionais deixam-me completamente plena, num êxtase que pode durar dias!

E por falar em Natal, já sabem o que vão oferecer àquela pessoa que vos é tão querida? Não? Então fiquem com esta sugestão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

...e por falar em Dezembro...

...quero muito dar-vos a conhecer este projecto. Soube dele através de um amigo e deixa-me feliz a possibilidade de concretizar desejos tão simples. 

Passo a explicar: a CASA partilha nesta página de Facebook cartas escritas com pedidos de pessoas sem um tecto para viver. Qualquer um de nós pode adoptar uma delas e proporcionar um Natal mais doce a alguém. 

Os remetentes são sem-abrigo, que expressam as suas necessidades mais prementes (botas, casacos, sacos-cama) ou genuínas aspirações (bilhetes para cinema, fatos de treino de clubes desportivos). Coisas que não deviam ser inatingíveis. Coisas que podem despoletar um sorriso nesta época.

Vale a pena espreitar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

[ o último mês do ano ]

Amanhã é Dezembro e escrevi algo que pode ser muito útil para todos aqueles que começam a acusar o stress da quadra festiva.

«Confesso que gostaria que vivesse este Dezembro de outra forma. Foi esse o mote para que desenvolvesse um questionário para si. O objectivo é antecipar-se a toda essa agitação negativa e preparar-se para uma nova fase da sua vida.»

Está lá, no site do Pombal Jornal, o Rendalíssima by Ana Rendall Tomaz - The Fashion Therapist desta quinzena.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

a dor delas

Bella Hadid
Já ouvi tanto choro. Já vi tantas lágrimas. Já senti tantas dores - a dor delas. 

Amarguras e angústias profundas, terríveis e penosas. 

São eles que as esmagam. Primeiro, a submissão - elas abrem mão da autonomia, passam a precisar deles e eles deixam de ser um luxo nas suas vidas para ser uma necessidade, como respirar. A dependência emocional aprisiona-as. Então vem a opressão - elas levam-nos em tal consideração que todas as suas opiniões importam. Tudo o que dizem sobre a pessoa que são é tido em conta; a sua personalidade, as suas escolhas, os seus trejeitos, o seu humor, o seu aspecto físico.

A partir daí, colocam a auto-estima nas mãos erradas. O amor-próprio é construído pela lente do outro. Destruído. E a percepção acerca de si vai-se alterando. Deturpando. De mulheres confiantes e independentes a seres destruídos, frágeis e desprovidos de força. Desprovidos de si. De ser.

E voltar é tão difícil. Vir à superfície custa tanto. Demora tanto.
Mas é possível - e não voltarão a ser as mesmas.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Nasceu.

Nasceu. Saiu de dentro da minha amiga para respirar sozinho cá fora. Ela tornou-se mãe. Ele passou a ser pai. Aquele bebé tão bonito fez-me chorar descontroladamente - a emoção das coisas importantes da vida desarma-me. A coragem de quem avança para uma responsabilidade tão imensa, também. A fragilidade daquele novo ser humaninho comove-me. A força da mãe, admiro-a. 

Aquele bebé nasceu num mundo louco mas ainda era barriga e já estava rodeado de amor, cheio de gente a querer mimá-lo. E que menino tão bonito. Os recém-nascidos não me costumam parecer belos, longe disso. Aquele é mesmo bonito. Inegável a quantidade de doçura por centímetro cúbico. E eu fico assim, uma tia babada, de coração cheio pelo privilégio de fazer parte deste fôlego de esperança que as novas vidas trazem.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

mercúrio retrógrado, dizem eles.

Lana Del Rey
Segunda-feira: andava eu a tratar de coisas interessantes como o envio das leituras dos contadores quando me apercebo de um cheiro intenso a gás no hall dos apartamentos do meu andar. Decido ligar para a assistência. Uma hora depois, tenho um técnico a tocar-me à campainha. Entendo que quer companhia na sua missão e largo o computador e o trabalho pendente durante o que se veio a tornar num longo período de uma hora e meia. Descobrimos que havia mesmo uma fuga de gás no prédio. O gás é imediatamente cortado. Fica tudo sem água quente para tomar banho em pleno Novembro. Volto para o computador e sou interrompida a cada vinte minutos por vizinhos que não se contentaram com o anúncio deixado à porta do edifício nem com as explicações do administrador do condomínio. Queriam ouvir a mesma história contada pela única de duas moradoras jovens (a outra é a minha irmã). É diferente saber dos acontecimentos na primeira pessoa e como fui eu que despoletei o drama, a minha campainha não parou.

Terça-feira: o carro teve de ir para a oficina. Um barulho estranho a cada curva apertada. À tarde, o meu saco com todo o material de costura rebenta em plena estação de metro e espalha-se tudo pelo chão. Ninguém tem o menor gesto de gentileza - houve até quem me chutasse a garrafa de água que rebolava por entre os pés apressados da multidão enquanto eu corria atrás dela. Na aula de costura, alinhavo uma peça com linha dupla e não era suposto tê-lo feito assim. Desfaço. Torno a alinhavar. Vou para a máquina costura e depois de coser durante largos minutos, reparo que não havia qualquer ponto feito. A linha era tão preta como o tecido e não vi que estava apenas a acariciar a máquina. Recomeço. Abandono o atelier no final da aula e tento apanhar um táxi para ir ter com pessoas boas para jantar. Começa a chover violentamente. Tento proteger-me debaixo de um toldo que me tapava meio crânio. A chuva não se decide a diminuir a sua intensidade, então sigo Almirante Reis afora até chegar ao Martim Moniz. Nesse caminho gigantesco, não houve um táxi que parasse. Já irritada, mudo de ideias e sigo rumo a casa. Chego ao prédio e continua a não haver gás. Os meus olhos já não podem rolar mais. Termino a noite a tentar tirar um café. A cápsula rebenta e há café pelo chão, pelo móvel, pelas gavetas. 

Canseira.
A maior das canseiras é obrigar-me a não ceder.
O meu bom humor não pode ser influenciado por estas contrariedades.
Não vai.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Aprender a parar

Leighton Meester
Quando fazemos alguma coisa por nós, por mais insignificante que possa parecer, elevamos o nosso nível de bem-estar.
Aprender algo novo, ter uma alimentação cuidada, ler um bom livro, fazer exercício físico, ir ao cinema ou conhecer um lugar diferente são detalhes simples que transformam o estado de espírito, que nos estimulam, divertem e realizam.
Reservar tempo para relaxar não é diferente. Se nos comprometermos a fazê-lo todas as semanas, o resultado é muitíssimo positivo: o humor melhora, obtemos prazer, reduzimos os níveis de stress e ansiedade, relativizamos os problemas que nos incomodam e aumentamos o amor-próprio.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

[ expiro ]

Às vezes é cansativo. É tanta coisa ao mesmo tempo, tanta gestão para fazer, tantos sentimentos para arrumar e tantos outros para adubar. No meio da confusão toda que vou atravessando, manter o foco e a vontade de seguir em frente. Não é sempre fácil, não me sinto sempre a chuva que faz florir - às vezes sou o sol que queima tudo. Só quero queimar tudo. Mas tudo tem o seu tempo e não posso ser sempre o que o impulso pede.

Então decido procurar em mim aquele amor todo, elevo a minha vibração, expiro e deito fora o que não é divino, inspiro tudo o que não é terreno, pequenino, minúsculo. E os meus olhos tentam evitar o que me faz tremer de indignação mas nem sempre os controlo. Então obrigo-me a focar aquele lugar onde quero chegar. Se for preciso, piso descalça a areia fria para me recentrar. Não posso dar-me ao luxo de me distrair nem de me entristecer. Não posso consumir energias no que não me edifica. Não tenho tempo a perder.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A Pomadinha do Tigre

Falei dela nas minhas stories, no Instagram, num daqueles dias em que tive que pedir à Mana para me fazer uma massagem no rosto para me aliviar o desconforto da sinusite e da rinite e de tudo o que de tenebroso acontece debaixo da minha cara.

Qual não foi o meu espanto quando 80% das pessoas que respondeu ao pequeno poll que fiz afirma não ter conhecimento sobre o produto maravilha! É esse o motivo para este post. Começo por dizer que podem comprá-la no Celeiro, ainda que sempre tenha comprado em ervanárias ou até na Tiger.

Trata-se de um bálsamo elaborado à base de cânfora, mentol e outras plantas que serve para basicamente tudo: há quem use nas picadas de mosquito para aliviar comichões, quem use como repelente de insectos, quem aplique nas articulações para evitar dores, para dores de garganta, de pés, de cabeça... pessoalmente, recorro à pomadinha do Tigre quando as dores no rosto e nas têmporas ultrapassam o que sinto ser aceitável depois de me ter drogado fortemente com os Sinutabs da vida.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

E se tornássemos o mundo melhor apenas por fazer uma comprinha para nós?

Foi um fim-de-semana cheio. Entre o aniversário da mãe e os abraços de que não abdico sempre que subo até à zona centro, fez-se tal tempestade na noite de Domingo que só no dia seguinte tive coragem para me fazer à estrada rumo a Lisboa. E lá vim eu, numa manhã solarenga, estrada afora. Almoço rápido a meio caminho e pouco tempo depois estava na Dress. Confesso que ia receosa. Não me sentia inteira. Há dias assim, em que não vibramos alto. Ia preocupada com a possibilidade de não dar o meu melhor, de não conseguir transmitir - como sinto ser o meu dever sempre que trabalho enquanto consultora de imagem - a confiança. É sempre disso que falamos. Confiança para que aqueles pedaços de tecido tragam à superfície a certeza de que quem os veste tem poder - para fazer acontecer, para receber o que merece.

E subi as escadas enquanto pedia a Deus para me fazer útil nas vidas das pessoas que ia atender, para criar uma experiência agradável e que as encorajasse. Ainda não tinha terminado a subida quando vejo a pessoa que me recebeu neste lugar em que ainda me sinto uma aprendiz mas que me enche tanto o coração. E então senti que se sem me conhecer houve alguém que confiou em mim após uma breve conversa, porque iria agora duvidar das minhas próprias capacidades?

E foi tão bom. Fiquei a tarde toda ali, empenhada e concentrada, feliz com cada outfit terminado e com cada expressão de espanto - «fica-me tão bem!». Tão bonita a mudança de atitude despoletada pelo reflexo que se admira no espelho - «pareço uma actriz de telenovelas, uma figura pública!». Tão sincera a certeza de que o amanhã será melhor porque existe uma armadura para enfrentar os dias - «nunca me vi assim e mal posso esperar para vestir isto no meu primeiro dia de trabalho!». E agradecem-me no final - eu é que agradeço. A cada uma delas pelo testemunho e por me vincarem de sentido o talento que me foi dado. À Dress pela oportunidade de experienciar tudo isto em troca de tão pouco, quase nada e por me encher o coração.

Já com a boutique vazia e com a dor ciática a dar sinais de vida, arrumava o que não tinha sido levado de lágrimas nos olhos. Afinal não tinha ido ali para dar. Voltei para casa muito depois do que seria natural com a certeza de que naquele dia, a pessoa que mais recebera tinha sido eu.

Já suspeitava mas agora tenho a certeza de que a Dress faz mesmo a diferença na vida das pessoas que toca. A Dress tem como motor pessoas que se dedicam de forma louvável ao serviço que prestam. Mulheres que não estão ali para brincar às lojas e que ficam felizes com o sucesso de quem as procura. E é por tudo isto que vos convido a contribuir enquanto se divertem.
No próximo fim-de-semana podem conhecer o lugar onde tudo acontece enquanto compram verdadeiros achados (quem não adora uma pechincha?).

O Mercado de Outono acontece já na Sexta-feira e no Sábado e estarão à venda peças de vestuário, calçado e acessórios que foram doados em bom estado de conservação mas que são inadequados para o contexto profissional.

Os preços são simbólicos (entre 1€ e 15€) e revertem a favor da Dress para garantir que continuará a prestar o apoio especializado a mulheres com poucos recursos económicos.

Ao comprar uma peça de roupa estamos a contribuir para o sucesso de outra mulher!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

n o v e m b r o

SJP
Segunda-feira. A primeira de Novembro. Nem acredito que já estamos aqui. É nesta altura que começo a acusar a pressão - ainda não fiz isto, ainda não aconteceu aquilo, ainda não cumpri tudo a que me propus até ao final de 2018. 

Sinto-me sufocar com o aproximar do último dia de Dezembro e nem sei porque o permito. Se o meu ano começa em Setembro, porque é que o término de um calendário pelo qual não consigo reger a minha vida me afecta?

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

vou para onde os dias são compridos

Blake Lively
Vou parar. Amanhã deixo a minha Lisboa que me viu nascer. Regresso no Domingo, serão poucos dias. Espero que seja o que preciso para voltar ao centro de mim. Tenho andado a dar demasiado espaço aos receios, aos medos que acreditava já ter ultrapassado. Então vou respirar, respirar fundo, fugir. Ficar longe de tudo o que estando tão perto, às vezes parece inalcançável. Não vou estudar para o curso que ando a tirar, não vou tomar iniciativas relativamente ao meu projecto de Consultoria de Imagem, não vou responder a e-mails, escrever artigos nem posts para o blog. Vou viver. 

Tenho andado tão séria nos últimos tempos, preciso de me rir, de dançar, de beber um gin. Preciso de ficar quieta no sofá com o Balthazar de um lado e a Carmen do outro. Preciso de sentir que há vida para além da correria da cidade, das expectativas, dos riscos, do trânsito, dos dias sem tempo para nada. Vou para onde os dias são compridos porque há tempo. Muito tempo para fazer muitas coisas. Para abraçar muitas pessoas. Para parar.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

começar coisas novas

Hoje é um dia especial para mim. Enquanto não escrevo um post à altura do significado da experiência, podem saber mais nas stories do meu Instagram, aqui.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

o meu coração hoje está estranho

Costumo dizer que o Inverno em Lisboa é para meninos. Na verdade, é. Dizem que vai chover em determinado dia e não vejo nada. Dizem que vai ser uma semana de tempestades e noto uns chuviscos. O frio não é tão frio como isso. Se fosse, não abdicava tantas vezes dos meus casacos mais quentes. Esses ficaram reservados para Pombal. Lá o frio é a sério. Mesmo. De manhã, à hora do almoço, ao final do dia, à noite. Os dias são escuros porque chove incessantemente. E é engraçado que apesar de quão deprimida isso me tenha feito sentir durante anos a fio, sinta tantas saudades de Pombal assim que o tempo arrefece. Lá o Outono e o Inverno são mais rigorosos mas há lareira. O ninho é sempre mais aconchegante que o vôo livre e solto. É lá que quero estar, naquele sofá e naquela cama. Com o mimo, o quente.

O meu coração hoje está estranho. Uma amiga perdeu o pai. Ela tem a minha idade. É inevitável temer pelos meus, sempre que sou confrontada com o terror da partida. E quão vão é o estender da minha mão perante tamanha dor. Tão inútil como o esforço para manter por cá os que mais amo.

E senti saudades de um tempo em que era feliz sem saber - disse alguém que admiro que só tomamos consciência do tanto de felizes fomos à distância de alguns anos, que no momento é impossível que nos apercebamos da felicidade que inunda os dias. Senti saudades de me sentir daquela maneira, senti falta do conforto, de me sentir em casa num mundinho pequenino que não me intimidava. Nessa altura, ela ainda tinha pai e tudo parecia mesmo simples. E eu era feliz, sem saber. Era uma personagem carismática de uma série daquelas que retratam a vida nos subúrbios.

E vou divagando nestas pausas que faço daqueles deveres que assumi.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

socorro

Não sei se foi a lua cheia que mexeu comigo. Pode ter sido culpa das más notícias que recebi. Também é provável que a TPM me deixe assim ou que a constipação fortíssima dê cabo das minhas energias. Não consigo descortinar a causa desta energia baixinha que marca a semana que amanhã termina. Estou lenta, sem criatividade nenhuma, não tenho vontade de sair do meu sofá. Arrasto-me pelas ruas ao melhor estilo zombie. Passei os dias a lutar contra o sono e a querer fazer mais do que consegui. Espero que amanhã isto esteja melhor. Não tenho tempo para estar doente.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Vocês NÃO ESTÃO a perceber!!!

Alexa Chung

É tipo a melhor cena do mundo. Descobri-os este Verão e acho que não chega ter duas cores em casa. Preciso de muitos. Preciso de tantos. Ainda bem que há dezenas deles.

Falo dos novos vernizes Andreia - quem nunca experimentou esta marca é um ovo podre porque são aqueles que desde os meus tempos de faculdade continuam a ser um produto de qualidade com um preço bastante apetecível. 

Ao contrário da maioria dos vernizes de outras marcas (e olhem que eu já experimentei MUITA coisa e de marcas icónicas!), não fica inutilizável depois de algumas aplicações. Sabem aquela sensação chata de querer mesmo usar uma cor mas verificar que o produto está completamente espesso? Pois. Com Andreia, nunca me aconteceu. 

A novidade é que agora podemos obter a durabilidade dos vernizes de gel gelinho, whatever - quem é que alguma vez soube a diferença entre verniz de gel e gelinho, anyway? sem lâmpadas nem nada de laboratórios científicos e alquimias que só as técnicas da coisa é que percebem. Basta pintar as unhas normalmente e além de secar bem rápido, quando se cansarem da cor, podem usar apenas um removedor de verniz normalérrimo.

OU SEJA - dura MUITO mais que os vernizes normais - eu diria que dura tanto como aqueles em que também sou viciada, da L'Oréal, sabem? A questão é que estes são mais baratos, cerca de dois ou três euros e não ficam todos espessos depois de três aplicações.

Truque dos truques e não digam que nunca vos ensinei nada: o top coat (tanto este by Andreia como o da L'Oréal) pode ser aplicado sobre um verniz comum e a durabilidade é assim para lá de ampliada!

Já conhecem? Também adoram?

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

amor-próprio


Um dos textos mais simples que escrevi para a minha Rendalíssima, no Pombal Jornal. Um dos mais poderosos, também. Porque apesar de passarmos a vida a ouvir que devemos fazê-lo, ninguém nos ensina a aumentar a auto-estima. Podem lê-lo e começar já a investir em vocês!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

o peso das palavras ditas

Claire Foy
escritas, proferidas, expressadas, exprimidas. 

Falo muito. Escrevo muito. Declaro muitas coisas, menos do que penso mas ainda assim, muitas. E faço-o naturalmente com uma leveza com que não são recebidas as palavras que solto. Aliás, diria até que me assusta a forma como guardam o que expresso. Fica retido em quem me ouviu ou leu uma ideia que nasceu deste coração denso e desta mente hiperactiva com a facilidade com que a tornei palavra. 

Não interessa se são parvoíces ou complexas dissertações filosóficas que inspirem positivamente quem as acolhe em si - a verdade é que nem o meio utilizado para os transmitir tem importância. A verdade é que lhes fica gravado. 

E passados meses, anos, lembram-se do que eu não consigo recordar. Sabem exactamente o que saiu de mim, com que tom e intenção, que efeitos teve no seu percurso e daqueles com quem espalharam o que afirmei. 

Toda esta percepção acerca da emissora que sou faz-me sentir tão grata (por todas as vezes em que é incontestável a utilidade da mensagem que transmiti) como responsável. Talvez não devesse falar e escrever levianamente. Talvez pudesse domar a minha incontrolável vontade de transformar pensamentos e sentimentos em verbo. Talvez pudesse. Mas deixaria de ser quem sou se tentasse controlar o que flui pela voz grave com que nasci ou pelos dedos compridos que não se cansam de escrever.

Não sei o que gera este acontecimento, o que faz com que as pessoas fixem as minhas palavras. Se assim é, que guardem as coisas bonitas que por vezes não me acanho de proclamar. As banalidades que são em simultâneo verdades que tenho como absolutas. As convicções que me forçam a não ter pena de mim. As certezas que me levam a agir de determinado modo. Os detalhes simples em que descubro grandes revelações. 

Não quero emanar mais que luz. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

voltei.

Corro de um lado para o outro. Preparar o pequeno-almoço, ir ao ginásio - será que ainda tenho tempo para dar umas braçadas na piscina? - para voltar para casa, arranjar-me, preparar o almoço e sair de casa outra vez. Pego no carro, estaciono o carro, vou para o metro, tento não cair nem tocar em ninguém, saio do metro a correr, uma reunião, duas, subo a rua toda, deixam-me pendurada noutra, desço outra vez. Sento-me um bocadinho numa esplanada, engulo qualquer coisa enquanto respondo às chamadas perdidas e volto para o metro. Cansada. Saio do metro, entro no carro, vou para casa, dou um up na maquilhagem, torno a sair. Jantar, conversa, um copo de vinho tinto e venho a cantar no carro como se estivesse no Coliseu. Entro em casa, descalço-me e livro-me da armadura com que enfrentei o dia. O sofá é meu e não há nada no mundo mais interessante que Netflix. E estou tão bem.

Quando me disseram que ia passar, não acreditei. 
Achei que tinha perdido o prazer nos dias, a alegria de me sentir viva. A paixão. 
Tinha a sensação de que não iria voltar a sentir-me apaixonada pela minha existência. 
Voltou.
Voltou a plenitude, a lágrima feliz, a esperança, a vontade de fazer acontecer.
Voltou a dança na cozinha enquanto cumpro as minhas tarefas de dona de casa. 
Voltou o canto ao volante.
Voltou o riso.
Voltei.

Pensei que tinha mudado para sempre.
Esqueci-me que tudo muda.
Para melhor também.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

[ c r i a t i v i d a d e ]

Kaia Gerber
O cansaço é coisa para me cansar um bocadinho. E sabem o que é que me deixa exausta? 

Gente sem personalidade que não perde uma oportunidade para imitar alguém que admira. 

Fico ali no limbo entre o «se não fizesse isto bem, ninguém me queria copiar» e o «caramba, arranja uma vida»!

Talvez fosse mais elevado da minha parte sentir-me apenas lisonjeada. 

Ainda não cheguei lá.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

das amizades que nunca chegaram a ser

as pessoas esquecem-se. esquecem-se de dar antes de cobrar. esquecem-se de que não há relações unilaterais que sobrevivam durante muito tempo. querem atenção sem sequer lhes ocorrer que seria bonito perguntar também ao outro como está o seu coração. como se sente. como está, por dentro. 
querem receber telefonemas mas não pegam no telefone para marcar um número apenas para dizer «tenho saudades tuas». queixam-se da ausência de alguém que não procuram. 

porque é que o egoísmo tem tanto espaço dentro das pessoas? porque é que acusamos o outro sem antes pensar no que fizemos - ou não fizemos - para obter determinadas reacções e respostas?

percebi recentemente que alguém que acreditei ser minha amiga não o é, na verdade. eu sou amiga dela mas o contrário não acontece. ela é fascinada por mim e por tudo o que faço, gosto, uso, compro, digo ou penso, mas não se interessa genuinamente pela pessoa que sou. não quer saber como me sinto, que dores me tiram o sono a partir das seis da manhã, que lágrimas não consigo conter, que ansiedade me aperta o peito ou que desejos tenho tentado concretizar pelas minhas mãos.

entristece-me, não minto. mas já esfriei tanto. já aprendi a não esperar dos outros o tanto que dou, porque o meu básico é extremamente elevado para a maioria. e está tudo bem. só depende de mim fazer o reconhecimento a tempo e não me dar. não me deixar ir. não me deixar magoar. não permitir que me suguem a luz que emano, que se aproveitem de mim, da minha bondade e dos meus talentos.

há algo na falta de preocupação com o bem-estar daqueles que dizemos amar ou meramente gostar, que rouba verdade ao sentimento - seja em que tipo de relação for. na família, nas amizades, nos romances, nas colaborações profissionais. se o lado humano não for exaltado em cada passo, através da empatia, não me interessa. não somos máquinas nem somos todos icebergues.

e quando existe a capacidade de ignorar o choro de alguém, o pedido de ajuda, o semblante carregado de alguém, assumo que não há ali reciprocidade. e se não há reciprocidade, não há amizade. 

nunca chegou a haver.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

o que é que tens a ver com isso?

Decidi que da próxima vez que me questionarem acerca dos filhos que ainda não tive, em vez de revirar os olhos e dar pacientemente a resposta formatada de sempre «ainda não encontrei um pai à altura e não tenho pressa blá blá blá», vou activar o modo tolerância zero para com a falta de educação inerente a uma intromissão como essa e responder apenas "o que é que tens a ver com isso?".

Se o interlocutor insistir na questão, vou começar a chorar de propósito enquanto digo que esse é um tema extremamente sensível para mim, só para ver se se toca.

É ridículo que neste século ainda sinta pressões absurdas por parte de quem nada tem a ver com a forma como decido viver a minha vida.

Esse é um plano tão pessoal, um projecto tão íntimo, que não entendo porque raio qualquer pessoa se sente no direito de fazer perguntas descaradas sobre ele.

Fazem-se juízos de valor sobre quem decide ser mãe - que nem tem dinheiro para sustentar a criança, que não tem estabilidade na carreira, que é demasiado nova, nem casou ainda e está a pôr a carroça à frente dos bois - e sobre quem não quer ser mãe - que estranho, como raio é que uma mulher não quer viver o apogeu da feminilidade, é falta de maturidade e de altruísmo
Como se não bastasse, também se julga quem ainda não deu à luz simplesmente porque ainda não se proporcionaram as condições que considera mínimas - olha que a idade avança e já não vais para nova. Como assim? Mas está tudo parvo?

Tenho para mim que se cada um cuidasse de si e de tomar as suas decisões com responsabilidade, este planeta seria muito mais agradável. Pelo menos não haveria por aí tanta gente com lacunas colossais na sua educação, já que os pais teriam estado ocupados a criar seres humanos decentes em vez de gastar tempo a pensar no que os outros fazem ou não com a sua genitália.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

a cidade cheirava a malmequeres

Tinha sido um dia complicado. Tinham sido uns dias complicados. Daqueles dias que nos pedem por favor para desaparecer. Dei por mim num karaoke a cantar Taras e Manias do Marco Paulo enquanto dizia graçolas pelo meio. Rimos, rimos tanto e quando voltámos para casa, não quis conduzir - eu conduzo sempre. Fiz o caminho todo de cabeça de fora, como quando era miúda, no banco de trás. Ri tanto. Tive medo de engolir um mosquito. Estava bem. Estava bem, apesar de tudo. Que as contrariedades são só isso - contrariedades. E a cidade cheirava a malmequeres. O caminho todo, fi-lo na companhia desse aroma adocicado dos malmequeres que colhia em pequena. E estava calor, um calor bom; o vento, tão fresco na sua passagem pelo meu rosto, lembrava-me disso mesmo: tudo passa. E aqueles dias também passaram.

Rendalérrima!

Coisas giras para ler, aqui!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Voltei, voltei! Voltei de lá - ainda ontem estava de férias e agora já estou cá.

São muitas as novidades e os updates que tenho em mente aqui para o blog! A vida não dá descanso e o Verão foi uma sucessão de correrias - da cirurgia da mana, no início de Julho, ao lançamento do meu novo site, são tantos os acontecimentos que decidi separá-los por posts.

No entanto, deixo-vos já o convite para conhecerem um novo conceito que é simultaneamente uma nova fase na minha vida profissional. Cliquem aqui e conheçam a primeira Fashion Therapist do país (moi je). 

Em jeito de comemoração, lancei um passatempo no meu instagram [@anarendalltomaz]. Podem ganhar uma consulta comigo (e usá-la ou oferecê-la a alguém), uns óculos de sol para lá de maravilhosos e ainda uns mimos que preparei com todo o carinho.

Podem saber mais sobre o assunto nos destaques do meu perfil no insta!

Até já!

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

e os cabelos, pessoas?

Isto do calor não é péssimo apenas para a tensão arterial baixinha, para a desidratação, para a dificuldade em calçar sapatos fechados ou para a pele. Também o cabelo sofre com o Verão e esse é já um assunto recorrente aqui pelo lampas. Sou obcecada pelo meu, não coloco a minha juba nas mãos de qualquer um e não experimento produtos como quem prova um rebuçado. Sou muito criteriosa nas minhas escolhas e é por isso que podem confiar em mim - se, tal como eu, são detentoras de um cabelão tão pesado como denso e querem mantê-lo saudável enquanto curtem o mar e o sol, apresento-vos os meus queridinhos deste ano:

O shampoo maravilha.

O spray milagroso que uso durante todo o ano.

A máscara da mesma linha.

Estes dois em SOS.
Além disto, faço questão de usar protecção solar nos cabelos durante a praia e a piscina para garantir que o corte não será gigantesco em Outubro! Neste momento, uso este:
Só para garantir, não dispenso uma máscara por semana com aquela touca térmica, sérum nas pontas e pouco secador!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

mind, body and soul.

Chrissy Teigen
Foi um processo. Foi tão duro como tinha que ser, não poderia ter acontecido de outra forma nem demorar menos tempo. Cada um de nós caminha ao seu próprio ritmo, num trilho exclusivo, sem atalhos nem vias rápidas. Comigo foi assim; comecei pela mente, cuidei dela com carinho e dediquei-lhe as horas necessárias para que se libertasse de tudo o que a inquietava. Livrei-me das roupas de Inverno e avancei para uma Primavera leve e amena, altura em que resolvi focar as minhas atenções também no corpo que me envolve. Liberto-o diariamente de tudo o que não lhe faz falta e pelo meio, decidi que a minha alma não poderia ficar de fora. Dedico-lhe 45 minutos por dia para que também ela se desapegue do que não a nutre.

Não foi simples, o meu caminho até aqui. Houve lágrimas, suor, dor, medo. Houve tudo isso e agora há esta plenitude. Esta certeza de que tudo está como tem que ser. Tudo está onde deve estar. E eu estou exactamente onde deveria estar. Nada poderia ter sido melhor ou pior. Está tudo bem e eu estou inteira no momento que vivo como não estive. E agora, aos 33, sinto a areia debaixo dos pés, o mar a tocá-los devagar, o sol a aquecer-me a pele e uma brisa agradável no rosto. As gaivotas fazem-me feliz, os sorrisos de quem está comigo também. E não preciso de mais nada.

Estou tão bem. Voltei a mim. E voltei com o brilho todo, que os sonhos não tinham morrido. Ao meu redor, só paz e a vontade de fazer acontecer. A Vida empurra-me, novamente. Leva-me no seu caudal e eu sigo adiante sem olhar para trás.

Tenho estado entretida com os dias, as pessoas, os abraços, os momentos. Tenho deixado que o Presente se impregne em mim e me absorva, então desapareci. Claro que vou voltar a escrever com regularidade, claro que o meu Instagram vai voltar à actividade que lhe é característica. Mas para já, vou viver fazendo algo que já não me permitia fazer há algum tempo - há demasiado tempo: satisfazendo a minha vontade. Privilegiando o meu querer, o meu sentir. Só.

E sorrio quando me apercebo da quantidade de coisas que já aconteceu desde o início de Julho - a Mana foi submetida a uma cirurgia, sofreu tanto com o pós-operatório e já está maravilhosa; comemorei o meu aniversário tal como queria, apenas com aqueles que amo perto de mim; recebi presentes incríveis que ainda me fazem sentir como uma miúda depois do Natal; diverti-me muito; reencontrei pessoas magníficas e aproveitei o tempo com elas; percebi que tenho à mão todos os meios necessários para atingir os meus objectivos; perdi uma pessoa e fui capaz de agradecer a Deus por tê-lo poupado de mais sofrimento; aceitei o passado e todas as contrariedades que assolam os meus dias; descobri quão perto estou de me tornar na mulher que sonhava ser em menina.

E hoje escrevo de um lugar diferente, ainda com o cérebro em papa por causa desta vaga de calor mas com o coração cheio por estar onde estou e abismada com esta serenidade.

terça-feira, 17 de julho de 2018

e g o c e n t r i s m o

Daphne Groeneveld
Depois sentem-se sós, queixam-se do afastamento daqueles que se cansaram de quem não tirou, por um segundo, os olhos do seu próprio umbigo. 

Vocês conhecem o tipo: quando lhe falam da vossa dor, a pessoa já teve pior; quando lhe contam da vossa ansiedade, a pessoa desvaloriza; quando lhe tentam descrever o vosso problema, a pessoa ri-se. Só ela é que sofre, só ela é que atravessa dramas, só ela é que precisa de atenção. 
Não quer saber de ninguém, não pergunta como estás, não se interessa pela tua vida mas exige cuidado e carinho como se as relações saudáveis não fossem baseadas em reciprocidade. Dá sempre prioridade ao seu conforto, ainda que tenha de te colocar numa posição desconfortável para o atingir. O que lhe é favorável está sempre acima do resto - é por isso que te pede, com a maior das latas, que te deites sobre a poça de lama para ela passar.

A pessoa é egocêntrica ao ponto de não se aperceber de como pode magoar os outros com tamanha displicência. «Morreu alguém? E então? Tiveste um acidente de carro? E depois? O que interessa é que eu quero a tua atenção aqui e agora para o que me convém. Porque o resto é o resto e eu sou o centro do mundo. A melga que está na parede da minha sala é muitíssimo mais importante do que o facto de estares desempregado. A unha partida no meu mindinho é muitíssimo mais importante do que o facto de teres sido submetido a um transplante de pulmão. O meu shampôo ter acabado é muitíssimo mais importante do que o facto de estares com queda de cabelo. Ter que comprar uns óculos novos é muitíssimo mais importante do que o facto de teres ficado cega de um olho.»

Vocês conhecem o tipo. Eu também. E tenho cada vez menos tolerância a este género. Cada vez mais diminuto o espaço na minha vida para essa estirpe.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

só pode.

Acho que roubo vida às pessoas com quem me envolvo. Enquanto estamos juntos, são giros e cheios de juventude, vivaços e tal. Depois o caso acaba e vou à minha vida. Quando os volto a ver, estão velhos, acabados, cheios de rugas, sem cabelo ou graça. Não falo de entradas charmosas ou linhas de expressão que acentuam carisma. É de degradação que falamos aqui. Uns engordam ao ponto de se tornarem irreconhecíveis. Deve ser esse o segredo para me ir mantendo com esta cara de miúda. Roubo-lhes anos de vida. 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

é preciso mudar

Graças a Deus, o feedback dos meus clientes é sempre positivo. Anos depois de uma primeira experiência com qualquer um dos meus serviços de Consultoria de Imagem, a relação mantém-se e eu comovo-me sempre com as palavras das pessoas com quem tive o privilégio de trabalhar por confiarem em mim. 
Dizem que não esperavam tanta humanidade da minha parte, tanto conteúdo e facilidade em apreender noções simples para aplicar no seu quotidiano nem a sensação de mimo e luxo que envolve algo tão útil.
Há quem diga que lhes mudei a vida, quem me confesse que as coisas no casamento melhoraram, quem me afirme que no trabalho houve transformações na forma como os colegas e superiores os percepcionam.

That's what this is all about. Vestir não é só enfiar um top e umas calças. Não é só cobrir a pele porque assim se convencionou. É preciso pensar um pouco ou ter uma linha de montagem que simplifique a tarefa, de acordo com todas as necessidades do cliente - contexto social e profissional, idade, rotinas, aspirações, gostos, personalidade, tipo de corpo, paleta de cores e tantos outras condicionantes.

Não mascaro ninguém, imprimo no que vestem aquilo que são. Ensino-os a expressarem-se. Dou-lhes as ferramentas para que conquistem autonomia.

E tudo isto tem sido feito de modo discreto, nunca expus nenhum dos meus clientes nem os seus testemunhos. Nunca revelo os resultados práticos do meu trabalho. Em concreto, não mostro muito.
Isso tem de mudar e é por esse motivo que ao longo dos próximos tempos vou estar focada na estratégia de comunicação desta minha paixão.

Apesar de elogiada, a actividade que vou desenvolvendo nas plataformas digitais não foi devidamente planeada, o que é estranho tendo em conta que também trabalho em Social Media Management. A Consultoria de Imagem passou a ser uma fonte de rendimento quando iniciei uma fase pessoal muitíssimo dura e fui apenas preenchendo requisitos mínimos conforme me iam surgindo determinados pedidos.

Há dias, alguém me enviou uma mensagem simples: "Porque é que não fazes isto também?", partilhando comigo um perfil de Instagram de alguém que também se apresenta como stylist.
Bom, acredito na originalidade, na capacidade de ser genuína e única, portanto imitar ou copiar ideias já vistas não se coaduna com a minha maneira de estar na vida.

Mas fez-me pensar. É preciso mudar, evoluir e estar constantemente a sair da zona de conforto.
É isso que vou fazer, como sempre. Está na hora de dar o meu melhor.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

(não sei como vou fazer um trabalho tão bom quanto o dos meus pais)

É sabido que tendemos a esperar dos outros tudo o que somos - atitudes, gestos, posturas. Até pensamentos. Assumimos que os outros vão agir sempre ao mesmo nível que temos como unidade de medida do aceitável, bom e bonito. Deles exigimos pelo menos o nosso mínimo.
Esquecemos que os nossos valores mais baixos são, por vezes, elevadíssimos na óptica do outro. É por isso que nos chocamos, entristecemos, frustramos, desiludimos ou envergonhamos. 
Na maioria das vezes noto esta discrepância no que à educação diz respeito. As pessoas são tão pobrezinhas que qualquer dia fico com os olhos presos nas traseiras de tanto os revirar. Não se aguenta. É como se a etiqueta e o saber estar fossem démodé. Como se a delicadeza fosse para quem não é cool. Como se classe fosse apenas sinónimo de turma. Como se fixe fosse ser-se um brutamontes, sem respeito por ninguém porque liberdade é ser-se como se é, à bruta, sem filtros nem cuidado para não ferir quem nos rodeia.
Não sei como é que os meus pais conseguiram educar duas miúdas assim. Valeu a pena sentar-me à mesa com livros debaixo dos braços e ser ensinada a dizer obrigada, desculpe, com licença, por favor. Valeu a pena aquele sobrolho levantado para me pôr em sentido e o tempo passado a treinar o andar no corredor lá de casa. Valeu a pena ter aprendido a usar os talheres como deve ser e saber pôr uma mesa completa. É aquela coisa de ter bebido o chá pela colher sem sequer saber o que é sorver. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

mercado S A L T O A L T O

Começaram os saldos e o meu espírito consumista está nos píncaros. O Mercado Salto Alto chega em boa altura, portanto.

Começa já nesta sexta-feira e trata-se de uma iniciativa da Dress for Success Lisboa, de que vos falei recentemente aqui.

O objectivo é angariar fundos para que a ONG possa «continuar a criar e promover programas e iniciativas que permitam dar apoio às mulheres que, na busca de ferramentas que lhes permitam conquistar a sua independência financeira e crescimento profissional», a procuram.

Como? Bom, durante três dias, podemos perder-nos entre as peças em segunda mão (já vi por lá alguns tesouros maravilhosos, acreditem!) que estarão disponíveis com preços entre 1€ e 20€. Ao comprar, estamos a apoiar uma causa solidária.

Os artigos são variados: roupas, calçado e acessórios. Alguns altamente casual, outros muitíssimo festivos. De marcas fast fashion a outras, mais exclusivas, há de tudo um pouco e vale a pena procurar aquele achado fenomenal. 

Tudo o que é exposto é fruto de doações que não sendo apropriadas para contexto profissional, estão em perfeito estado de conservação.
No meio de tudo isto, ainda lá estarei eu para, através de um workshop, transmitir noções acerca de como criar um estilo próprio a quem quiser ouvir-me.

A entrada é livre, por isso fiquem atentos ao evento no facebook para mais informações.

De 29 de Junho a 1 de Julho, na Calçada Moinho de Vento nº3, em Lisboa (junto ao Jardim do Torel).

terça-feira, 26 de junho de 2018

esta coisa de acharem que não faço nenhum...

Trabalho por conta própria. Trabalho directamente com os meus clientes e não tenho um patrão. Trabalho muito a partir de casa e sou eu que organizo a minha agenda e os meus horários e é exactamente por isso que algumas das pessoas com quem me relaciono presumem que não faço lá grande coisa.

Muitas acreditam que sou uma dondoca que não tem muito que fazer, que passa dias no sofá e sai apenas quando lhe apetece gastar algum tempo na manicure ou dinheiro na ZARA. Outros assumem que vivo de festa em festa, beberricando champagne enquanto conheço outras clientes que levo a passear pelas lojas da Avenida da Liberdade. 

Deve ser por isso que não respeitam as horas que marco para cafés, que reviram os olhos quando digo que tenho que me ir embora ou que duvidam da minha palavra quando afirmo não poder mesmo combinar encontros em determinada data. Como se eu não trabalhasse.

Além de trabalhar, tenho uma casa para tomar conta e todos os afazeres normais de um ser humano que não pertença à realeza. Neste preciso momento, estou a escrever este post depois de ter respondido a e-mails enquanto a máquina de roupa termina mais um alguidar que vou estender. Ontem estive colada ao computador madrugada afora para poder ir à praia esta tarde.

Às vezes cansa-me ser tratada como uma desocupada, mesmo sabendo que se fosse, ninguém teria absolutamente nada a ver com o assunto a não ser que me sustentasse.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

[ algo humano ]

Kate Moss
É como se tivesse perdido uma enorme parte de quem sou. Houve sopro que escapou daqui, algo humano morreu em mim.

Então já não tenho tanta poesia cá dentro para deixar fluir pelos dedos. Não tenho tanta expressão. A arte continua a morar em mim mas arrancaram-me a simplicidade profunda de saber escrevê-la.

Encurtou-se tudo, não há textos enormes ou páginas cheias de letras. Há rasgos, pensamentos, frases compactas.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

D R E S S F O R S U C C E S S

Gigi Hadid
Prefiro sentir. Pensar afasta-me do belo da vida, então sempre privilegiei o sentir. Há coisas que não sabemos mas o nosso espírito, sim. E ele não pensa, sente.

Então enquanto estava naquela sala de espera e recordava todas as vezes em que quis investir numa missão voluntária à séria mas não tive tanto dinheiro para gastar, percebi que não era preciso ir para longe para oferecer o meu tempo e os meus talentos a quem não tenha como pagar por eles.

Podemos ser úteis na nossa rua. Podemos ser úteis para a família que vive na porta ao lado, porque não são apenas os meninos em África que precisam de algo nosso. Aqui também há flores para regar.

Numa fase em que me sinto altamente pressionada para fazer dinheiro, não há lógica em prestar serviços de qualidade sem receber nada em troca, contudo, senti. Senti que devia. Que era obrigação minha pelo menos tentar.
A verdade é que no dia seguinte já estava agendada uma reunião. De repente, estava nas instalações da Dress For Success a aprender a fazer a primeira triagem de um donativo.

Se pensasse, não escrevia este texto. Se pensasse, faria apenas o que me compete. No entanto, sinto que tenho que partilhar, divulgar, falar disto. Talvez seja porque existe uma pessoa, uma apenas, que se sentirá inspirada a dar sem receber mais que um salário emocional. É que acho feio dizer o que se faz de bom. Diz a Bíblia que não deve saber a mão esquerda o que faz a direita. E eu acredito mesmo nessa verdade e foi ela que me fez esperar semanas até partilhar algo sobre o assunto.
Não há nada mais frívolo, vulgar e baixo do que dar e vangloriar-se disso. Mas não há problema algum em inspirar outros a ajudar, a ser mais, a dar mais.

É esse o meu objectivo: dizer que ser Cristão não é apenas dar dinheiro a uma Igreja e ir para uma sala todos os Domingos. 
Em tempos, uma pessoa maravilhosa que me ensinou tanto numa das minhas experiências enquanto voluntária disse-me isso mesmo - que queria ser os braços de Jesus aqui. Era por isso que fazia o tanto que faz e mudava, sem saber, vidas de pessoas. Duvido que saiba o quanto me inspirou ao partilhar comigo a sua experiência.

Enquanto consultora de imagem, lido com toneladas de futilidade. O mundo tem muitas pessoas ocas a povoá-lo e a superficialidade vigora de mãos dadas com a vaidade. Há muitos stylists, cada vez mais, e conheço poucos que se dediquem às mais profundas questões ligadas à profissão que escolheram.
É que imagem não é apenas invólucro. Imagem e cultura visual são manifestações de personalidade, correntes de pensamento, inclinações políticas, filosofias e acima de tudo, neste caso em particular, de amor próprio.

Uma mulher que procure a Dress For Success não precisa de máscaras nem de um outfit para a red carpet dos Globos de Ouro. Por norma, é alguém que está a recomeçar - e como eu gosto de recomeços! É alguém que superou um período difícil e tem a coragem de se reinventar. É aí que entra a consultoria de imagem. É aí que entra a Dress.
Na fase de entrevistas de emprego, e tendo em conta que uma primeira impressão demora cerca de sete segundos a ser construída (já que o interlocutor faz julgamentos inconscientes acerca da pessoa que está perante o seu olhar), sem qualquer palavra proferida são criadas ilações. Ideias preconcebidas que ditam a forma como somos percepcionados. Uma noção da idade, estrato social, nível académico, inteligência, simpatia e tantas outras características são assumidas por quem nos vê
.
Por esse motivo, uma pessoa que se apresente numa entrevista de emprego com uma camisa manchada de lixívia, leggings rasgados e sapatos sujos não terá tantas hipóteses de ser bem sucedida como aquela que se apresenta com um aspecto cuidado.

É aí que entra a Dress. Oferecendo roupas, calçado e acessórios e, através das consultoras de imagem, proporcionando um momento em que se vejam e se sintam no seu melhor. Revelar potencial e aumentar a auto-estima para incrementar a confiança que vem de dentro.

É isto que quero fazer, sem receber dinheiro em troca. Não me chegava levar a instituições da minha confiança o que sobrava dos Closet Cleanings que fazia aos meus clientes. Usar a consultoria de imagem para algo puramente altruísta parece-me justo.

A Dress For Success vai surgir mais vezes por aqui e pelo face da Lady Lamp porque conduz várias iniciativas interessantes e que merecem a nossa atenção. Podem saber mais sobre a ONG aqui.

A Dress for Success é uma instituição sem fins lucrativos que ajuda mulheres economicamente desfavorecidas a adquirir empregos, providenciando-lhes vestuário e orientação apropriados para que consigam alcançar o sucesso profissional. Este projecto existe desde 2011 e apoia mulheres em fase de transição de carreira ou que se encontrem sem trabalho e à procura de novas oportunidades.
As roupas fornecidas pela Dress for Success são doadas por parceiros empresariais ou privados, e adequadas para o uso em entrevistas de emprego.
O projecto ajuda as mulheres a ter não só uma melhor imagem, mas também mais motivação e auto-estima, para que com isso consigam entrar no mercado de trabalho e vingar.
Ao conseguir o emprego, a Dress for Success dá ainda às mulheres vestuário adicional para que possam estar sempre à altura dos desafios profissionais.
A filial de Lisboa junta-se à sede nova-iorquina e a outras 112 filiais espalhadas pelo mundo. A instituição pretende promover o desenvolvimento de mulheres de baixo rendimento económico e social, tal como incentivar a sua auto-suficiência, através do desenvolvimento da carreira e da permanência no emprego.
Qualquer pessoa pode ajudar esta instituição doando roupas que para si serviriam para uma entrevista de emprego ou para o seu quotidiano laboral.