quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

evitar o que não nos acrescenta

Jessica Szohr
O último ano foi dedicado a um profundo trabalho interior. Fortaleci alicerces, voltei a mim. Foi uma viagem transformadora e tem tido consequências visíveis diariamente, em todos os sectores da minha existência. Uma das que mais me fascina é a facilidade com que passei a evitar pessoas tóxicas e situações que baixem a minha vibração. Proteger-me é uma prioridade, agora que tenho consciência de como era alvo de aproveitamento por parte de outros. 

É mesmo assim, há mesmo quem se alimente da nossa atenção, do nosso consolo, da nossa alegria, da nossa leveza, da nossa luz, para depois aparecer novamente apenas quando precisa de recarregar. Se foi doloroso descobri-los no meio dos que tinha como meus? Tremendamente. Se preferia viver na ignorância? Nunca. 

É maravilhoso tirar da nossa vida quem faz uso do que somos para proveito próprio. Há quem precise de nós porque somos bons ouvintes mas nunca pergunte como estamos. Há quem nos procure quando se sente só mas não se lembre de nós quando tem companhia. Há quem peça ajuda mas nunca esteja disponível para dar uma mão quando caímos. É libertador deixar de perder tempo com pessoas assim. Já não me custa nada.

Só me falta aprender a não me irritar com o facto de não aceitarem em paz o meu afastamento e de dedicarem demasiado tempo a tagarelar e a debitar estupidez relativamente a isso. Havemos de lá chegar.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

voltar a tentar

Kate Hudson
Há dias estive com uma daquelas mulheres adultas, seguras e inteligentes, sem perfil para vítima. A conversa não termina e há sempre qualquer coisa para partilhar, para contar, para pensar em voz alta. E também essas mulheres que não são cola, persistentes ou desesperadas sentem dores de amor. Essas, que abrem a porta para que ele possa sair quando quiser, também sofrem com a partida do outro. Também choram, mesmo que não corram atrás. Mesmo que não façam o jogo da coitadinha.

E no meio do tanto que falámos, ficou cá dentro uma questão. É que acho sempre intrigante que alguém abandone algo maravilhoso para voltar a um lugar onde o topo é mediano. O que leva alguém a deitar a perder um futuro promissor em troca de um passado gasto, velho e bafiento, um sítio de memórias? 

Não há argumento - a não ser o Amor - que me convença de que vale a pena voltar a tentar. Pode ser que funcione? Não vai acontecer. Pode ser que a paixão reacenda? Talvez, por breves instantes, mas num ápice o dia-a-dia a apagará. Temos uma história juntos e isso une-nos para sempre? Sem dúvida, mas à distância é menos nocivo e laços não são nós. As nossas famílias ficam mais felizes assim? E são as famílias que vão andar aos beijos com o outro? O outro precisa de mim? E tu? Do que precisas tu?

Não há como fazer renascer o que morreu. Não há como desfazer a bola de neve de ressentimentos que acabará por explodir ao mínimo disparar de gatilho. Não há como forçar harmonia. 

Será falta de inteligência, o ceder a qualquer tipo de pressão para viver uma vida que não nos realiza, preenche ou fascina?

Que fraqueza é essa que leva tantos a ter medo da felicidade para preferir o mofo de um canto escuro?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

e a realidade?

Às vezes cansa-me sentir que vivo numa Torre de Babel, como se todos falassem um idioma diferente do meu. Há pessoas perto de quem me sinto uma santa aborrecida, de tão louca a sua loucura. Outras, junto das quais pareço uma leviana, de devaneio em devaneio. 
Às vezes preciso de parar para me recentrar e lembrar, mais uma vez, de que estou no lugar certo. Está tudo bem. Preciso de parar para que não me afectem os olhares condescendentes de quem não entende, lá do fundo da sua pequenez, que a minha vida está maravilhosa fora da norma instituída e que sou feliz com tudo o que me rodeia e que sou. Para que não me firam as opiniões rasteiras de quem prioriza o verbo ter, nesta era em que a aparência é engolida como verdade absoluta e inquestionável e em que o conteúdo é tido como irrelevante.

Sou do amor, do que a retina não capta. Prefiro o doce ronronar da minha gatinha a elogios interesseiros. Sou estranha, não acredito no poder que me tentam impingir e questiono tudo e todos. Acima de tudo, sou fiel à minha essência e ouço-me. Respeito-me.

Então, quando me tentam avaliar através de algo que não seja parte do que sou, sinto-me indignada. Quando me tentam diminuir porque não mostro interesse pelo que toda a gente se interessa, irrito-me. Quando me tentam atribuir importância com base no que tenho, fere-me. Quando alguém tem a ousadia de me inquirir acerca das minhas escolhas, dói-me. 

Não julgo quem é feliz com vidinhas certinhas, constantes e planas. Não julgo quem não sonha alto, quem se acomoda com felicidades diferentes da minha. Porque haveriam de fazer isso comigo? Com que direito?

Não me relaciono com pessoas por interesse e desprezo quem se faz valer de uma hipotética hierarquia qualquer para comprar amizades. Fujo disso, não faz parte do meu mundo. Nunca precisei das ajudas de pseudo poderosos, rejeito-as e nunca prestarei reverência a gente para quem o ter é mais importante que ser ou dar. Não sou hipócrita, não me vergo, não bajulo. Não é arrogância, é coluna vertebral.

E hoje, it's all about smoke and mirrors. Todos fingem, imitam, copiam, constroem fachadas de plena ilusão, sem que haja qualquer densidade por trás delas. E todos acreditam no mérito apregoado, na mentira gritada, na felicidade criada. 

E a realidade?

Parece que quase todos se esqueceram dela. Como se de uma língua morta se tratasse, vai deixando de existir para dar lugar à falsa e superficial aparência.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

uma pitada de amor

Charlotte Casiraghi
"Tu não tens mau feitio, mana. Tu tiveste uma educação do caraças."

Ela tem razão. E é essa educação que me torna intolerante a tantos comportamentos.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

escrevi algures...

Keira Knightley

«Um metro e setenta de mulher com mais tomates que a maioria dos homens que conheço. Não me venham com tretas sexistas nem finjam aquele choquezinho púdico porque a Ana escreveu "tomates". Deus e os meus pais fizeram-me assim, tão franca como bruta, tão directa como doce, tão honesta como educada... e às vezes as boas maneiras são colocadas na prateleira porque não há outra forma de reivindicar o respeito mínimo que exigimos dos outros. Por norma, peço deles o que dou. 
Talvez o problema seja exactamente esse: dar muito. Demais. Ser muito. Demasiado. Ser tanto que me é difícil perceber a pequenez da norma. Nem toda a gente teve berço, nem toda a gente tomou o chá pela colher e nem toda a gente é dotada desta sensibilidade profunda com que fui abençoada.» 

E a verdade é que comecei 2018 orgulhosa da pessoa em que me transformei - aquela que sempre quis ser - e grata, porque é maravilhoso saber que no meio deste mar de gente louca, há alguns que percebem a essência desta maneira de ser que é tantas vezes injustamente apelidada de mau feitio.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Bom e barato, no LIDL!

[ gama Gold by Cien ]
Não é novidade: desde que a DECO apontou como melhor creme anti-rugas o Cien Q10, entre os 15 testados, gerou-se um enorme buzz em torno dos cremes comercializados pela cadeia de supermercados. O produto esgotou um pouco por toda a parte por ter sido considerado muitíssimo eficaz e devido à sua excelente relação qualidade/preço, quando comparado com marcas com cartas dadas no mundo da cosmética. 

Conheço quem os use e experimentei o tal creme de dia sem ter sucumbido ao fascínio. Senti-me untada e a minha pele é extremamente sensível, pelo que nada me faria abrir mão da Clinique - nem os preços.

Como sabem todos os que me acompanham por aqui, o contorno ocular é a zona do rosto a que dedico mais atenção. Desde pequenina que tenho olhos papudinhos, traço que herdei da minha mãe e do meu avô. Até aí tudo bem, gosto dos meus olhos e não me imagino sem essa característica tão marcante. A questão é que basta uma crise de sinusite mais grave, uma noite mal dormida, um nadinha de cansaço ou uma lágrima de comoção para que o inchaço me dote de uma expressão muito mais pesada. Por tudo e por nada, dou por mim com um papo gigantesco debaixo dos olhos e isso começou a incomodar-me. 

Como vos expliquei ontem, nas stories do Instagram, sempre usei o All About Eyes, da Clinique, em versão Rich e aliado ao sérum. Já não era suficiente, então recorri a vários tipos de eye patches, a máscaras de gel que se guardam no congelador, enfim... fiz várias experiências até me resignar e ficar convencida de que a idade tinha finalmente trazido o olhar cansado para  minha vida. 

Uma vez que não havia soluções cosméticas que me fizessem sentir satisfeita, comecei a ponderar elevar a fasquia e passar para gamas de produtos específicos para a zona dos olhos mais indicadas para peles maduras e já me imaginava, dentro de poucos anos, a submeter-me a uma blefaroplastia. Confesso que fiquei triste - não bastava a dor ciática para me fazer sentir pouco jovem?

Por mero acaso, chegou-me às mãos este creme da Cien. Desconfiei e tive receio de experimentar, contudo, depois de ouvir alguns testemunhos na primeira pessoa, apliquei nas minhas pálpebras hiper sensíveis. Não houve reacções alérgicas e quatro dias depois, estava incrédula.

Já tinha ouvido falar da linha Gold da marca, bem como da linha Caviar, mas estava longe de imaginar que a sua eficácia fosse tão óbvia. Afinal não estou idosa, só precisava de uma bomba que realmente me desinchasse os papinhos! Por menos de cinco euros, um efeito tensor imediato.

Quis experimentar por mais tempo antes de partilhar aqui os resultados e posso garantir-vos que não quero outra coisa. Não vou deixar de usar este produto, não quero outro. Mesmo depois de uma noite inteira acordada, não sinto os olhos a descair até ao queixo!

Incluí-o na minha rotina diária e uso-o de manhã e à noite. O creme tem uma textura muito leve, em gel, e é muitíssimo fácil de dosear devido ao aplicador estreito. O ouro presente na fórmula dos elementos que constituem esta gama é o ouro coloidal, que não é tóxico nem reage com outros produtos que sejam aplicados na pele. Sem parabenos e com preços entre os 3,99€ e os 5,49€, parece-me que não há razões para recear experimentar. 

Tenho mesmo pena de não ter tirado uma fotografia antes para poder confrontar com o resultado. Não sou a única a notar a diferença: "Já não pareces tão cansada!".

[ primeiro post do ano ]

Surpreendentemente, o meu Natal foi um dos melhores que vivi. Foi tudo o que poderia ter desejado e mais um pedaço. Tão simples como cheio de amor, tão delicioso como quente. O essencial e o luxo reunidos numa data que costuma ser triste no meu coração. Foi doce e eu queria poder estar lá, ainda. 

Depois veio a noite de Ano Novo, com um jantar na melhor das companhias e uma festa a que poderia ter faltado. Entrei em 2018 com as emoções e os sentimentos que não quero, de forma alguma, arrastar pelos novos 365 dias que vão chegando. 

Cada um leva o seu tempo com recuperações e eu precisei de algum para me recompor. Estou de volta.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

...e não se esqueçam de dar os parabéns ao aniversariante!

Na verdade, é isso que realmente importa. Já escrevi tanto sobre o Natal... não me apetece repetir o que sinto, o que penso, o que me faz nascer este nó na garganta quando o dia 24 se aproxima. 

Hoje, quero apenas desejar-vos que passem esta noite tão especial em paz, no aconchegante calor de uma casa quentinha e aromatizada pelos doces da época, rodeados de amor, sorrisos e gratidão.

Feliz Natal!

Quero Janeiro.

Fiz a viagem depois de um dia tão intenso como cansativo. Estava em esforço desde o início da semana mas não esmoreci. Tentei assegurar-me de que tudo o que estava ao meu alcance era feito. Apesar do cansaço e das dores físicas que teimam em magoar-me nos últimos meses, vim alegre, feliz por regressar. A estrada foi palco para matar as saudades da minha tia que sempre foi avó, conversámos muito, falámos imenso, dissemos muitas coisas. Descarregar o carro, malas e sacos, tanto para levar. E entro em casa.

Na minha casa.

Naquela que devia ser a minha casa.

Não demorou até que quisesse despachar esta merda toda do Natal e voltar para a minha única casa, o lugar que sinto como o meu lar, o meu porto de abrigo.

Só quero Janeiro.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Um fim traz sempre um começo



Partilho convosco aquele que é o meu último texto para o meu espaço Rendalíssima no Pombal Jornal no mês de Dezembro. É simultaneamente o último do ano. Poderia fazer o óbvio e cumprir o que se espera de uma stylist, deixando aqui sugestões de looks para brilhar na também última noite do ano. Muitas imagens e pouco texto, para melhor captar a atenção do utilizador do site e tornar a leitura leve e fácil. Lamento, não me apeteceu.

Como fugir do engate II

Recordo que todas as tácticas que partilhar aqui foram previamente testadas por mim, por isso prometo dar-vos apenas técnicas infalíveis para que o atrevido da falinha mansa se ponha a correr em poucos segundos.

Segunda maneira eficaz de fugir do engate: 

Assim que perceberem que ele não desiste de fixar o olhar nos vossos olhos, finjam que são estrábicas*. Basta manter os olhos tortos durante algum tempo e suportar as dores de cabeça que se seguirão com heroísmo.

(*) Não há razão para me enviarem e-mails a perguntar porque raio o estrabismo seria um problema, quem foge não sou eu, são os fulanos a quem fiz isto, portanto quem tem um problema com isso não sou eu, são eles.

[Podem ver a primeira edição desta rubrica aqui ]


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

#neuradenatal

Beyoncé
É que sou sempre a mesma coisa! Todos os anos decido que em Novembro vou começar a tratar dos presentes de Natal e dou por mim na semana anterior num stress ridículo porque ainda não tenho nada!

Não sou a única, pois não?

o aconchego das coisas simples

Um copo de vinho, a sala quentinha, um documentário sobre a Kate Moss, o incenso a queimar. Há momentos em que não preciso de mais nada. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O que mudou com os 30?

Uma amiga comemorou o seu 30º aniversário e perguntou-me se tinha sentido mudanças desde que abandonei a segunda década de existência. Senti. Tantas que vale a pena enumerá-las:

Já não faço fretes.
Aprendi a dizer que não sem me desculpar.

Não quero saber do que pensam de mim. 
Descobri que não é problema meu.

Deixei de ter pressa.
Agora sei que a minha vontade não acelera a vida.

Gosto mais de mim e por isso preservo-me mais.
Não me exponho a situações, pessoas ou lugares que não me façam sentir bem.

Gosto mais do meu corpo.
Não me incomodam os defeitos que antes me deixavam insatisfeita.

Dou menos importância ao que não me faz feliz.
Dedico-me às coisas simples e que me fazem sorrir sem esforço.

Não perco tempo com aquilo que não me faz bem.
Estou cada vez melhor na arte de controlar os meus pensamentos e tento focar-me apenas em elementos positivos.

Passei a ser mais selectiva.
Em tudo: no que compro, nos trabalhos que aceito fazer, na forma como gasto o meu precioso tempo, nas pessoas com quem convivo e a quem me dou.

Faço retenção de líquidos à bruta.
O meu corpo parece uma esponja.

Gosto mais do meu sofá.
Cada vez mais. Uma noite de sofá, em casa, sabe muito melhor agora do que antigamente mas não estou idosa, continuo a adorar uma noitada à séria!.

Nego completamente o desconforto.
Nos sapatos, nas roupas, na vida.

Tenho mais dores de costas.
Preciso de massagens diárias.

A minha pele não reage da mesma maneira às agressões externas.
Depois de uma noitada, tenho que usar máscaras e fazer tratamentos como se não houvesse amanhã.

Estou ainda mais atenta à minha voz interior.
Agora sei que não vale a pena ignorar os meus instintos.

Tenho mais dores no corpo inteiro.
O reumatismo piorou, a ciática começa a dar de si e não consigo estar muitas horas de pé.

Sonho menos, tenho mais objectivos.
Tenho uma visão mais pragmática da vida e mesmo quando não sei exactamente o que quero, tenho plena noção do que não quero.

Deixo fluir.
Aprendi que o que tiver de acontecer, acontece, independentemente do meu querer, dos meus desejos, da minha opinião.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Que as pessoas sejam estúpidas, pronto, é lá com elas...

...mas que subestimem a inteligência alheia é de um atrevimento que me deixa cega de raiva.

Lady Lamp fica fit (sqn) - #7

Agora sim, está a ser difícil.

No último post desta saga, falei-vos do meu fiel amigo, o chá de cavalinha. Hoje, o que partilho não motiva ninguém. É um lanche com as stylists, um jantar com antigos colegas de curso, um almoço com amigos, outro com outros amigos, mais um com o outro grupo de amigas... ser uma pessoa tão dada ao convívio piora o nosso Dezembro - no que à agenda diz respeito e acima de tudo, no que à dieta diz respeito.

Por mais séria e determinada que seja quanto à alimentação e aos meus objectivos, a verdade é que não estou disposta a comer uma sopa e um queijo fresco quando vou ao meu italiano preferido. Não quero pedir uma salada quando o que me apetece é pedir sobremesa. Não vou optar por uma fruta quando está tudo de croissant em punho. E não, não vou obrigar toda a gente a encontrar-se comigo num spot a atirar para o saudável porque as pessoas querem é conversar durante horas enquanto se deliciam com tudo a que têm direito e bebem um bom vinho sem pensar nas calorias que lhes vão apertar as roupas. 

Assim sendo, sinto-me obrigada a declarar este mês como "a pausa", dado que só quando não estou em eventos tenho a possibilidade de manter a regra de que tanto gosto. Uma vez que até Janeiro tenho eventos agendados para quase todos os dias, vai ser difícil cumprir o meu plano à risca até ao início de 2018. 

Se estou frustrada? Nada. 

Não é um mês agitado que me vai impedir de alcançar o meu objectivo. Além disso, Janeiro vai ser o meu mês de detox. Mal posso esperar!

#ladylampficafit
#sqn

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Desbloqueadores de conversa com o engate na mira:

"- Vejo nos teus olhos que és alguém que quer mais da sua profissão. Queres ir mais longe. Eu também sou assim. Vamos dar-nos bem."

[ver anterior]

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

das minhas tristezas que Dezembro agudiza.

Claro que dói. Claro que custa. Mudou tudo, desde que era só uma menina. Já não está cá a minha Vó, os meus pais já não são casados, apesar de terem uma excelente relação e de continuarmos a ser família todos juntos, que eles são nossos pais para todo o sempre e nas datas importantes fazemos questão de estar juntos - em família. Nem toda a gente compreende mas somos assim e é assim que funciona para nós. Somos família. Mas claro que custa. Não há a casa antiga, há tantas ausências - uns morreram, outros não - e tudo mudou. A maioria dos casais já se divorciaram, o mundo está todo diferente, temos todos mais cicatrizes e eu aqui, a ver a mudança acontecer sem perceber ao certo o que se passa. Dói, claro que sim. Dói já não haver quem acredite no Pai Natal. Dói já não ser pequenina. Fui tão feliz sem saber.  

E quando o pai me ofereceu a árvore de Natal exactamente como queria, pequenina e frondosa, para trazer para Lisboa, doeu. Não foi só a comoção que fez a Mana chorar quando viu o presépio amoroso, dentro de uma bola de vidro, com que também nos presenteou. A lágrima foi culpa da tristeza de saber que temos outra casa, outro lugar. Que a nossa é mais nossa que a do pai ou que a da mãe. Que estamos a crescer e que tudo mudou. E não é tão perfeito assim. Não é tão bom assim. Não é. 

Nada é. 

Se fosse, não sentiria apertar a garganta antes da Consoada, ao ver aquela mesa tão bonita e farta, por me lembrar daqueles que vão passar a noite mais marcante do ano ao frio. Sem casa, sem um quarto quentinho como o meu, sem uma cama com lençóis de coralina, sem o fogo da lareira. Se fosse, não haveria pessoas a viver o Natal sentindo menos amor que os meus animais. Se fosse, não me doía. Não me custava. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ex

Beyoncé
Sabem aquele ex que é obcecado por nós e não admite que ele é que nos vê em todo o lado então passa a vida a dizer que fulana é a nossa versão mais nova, beltrana é a nossa versão mais velha e sicrana é a nossa versão campónia?
Não sabem?
Sorte a vossa.

Que insulto.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Como fugir do engate I

No seguimento dos posts "Desbloqueadores de conversa com o engate na mira", decidi criar outra rubrica: Como fugir do engate. 

O nome não poderia ser mais explícito - o objectivo é explicar-vos como me safo de situações constrangedoras, conversas da treta, engate barato e pessoas desinteressantes, criando momentos awkward sem abrir mão da criatividade e da diversão e acima de tudo sem me preocupar com o que vão pensar de mim. O que realmente importa é ver-me livre do cromo que decidiu tentar a sua sorte comigo ao mesmo tempo que crio uma história para partilhar à mesa entre muito riso. Todas as tácticas que partilhar aqui foram previamente testadas por mim, por isso prometo dar-vos apenas técnicas infalíveis para que o atrevido da falinha mansa se ponha a correr em poucos segundos.

Vamos lá? Primeira maneira eficaz de fugir do engate:

Quando, depois de notarem que há dez minutos que não desvia o olhar e já está a ser incómodo, ele vier falar convosco, finjam que estão a falar linguagem gestual*.

(*) Não há razão para me enviarem e-mails a perguntar porque raio falar em linguagem gestual seria um problema, quem foge não sou eu, são os fulanos a quem fiz isto, portanto quem tem um problema com isso não sou eu, são eles.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

dos meus amores

Já tive a imensa sorte de poder viver um amor como nos filmes. Se retroceder uma vida inteira, consigo lembrar-me de como tudo era intenso - o maravilhoso e o péssimo. Lembro-me de como é ver alguém através dessa lente com que a paixão embeleza tudo, das borboletas no estômago, dos ciúmes doentios, do sofrimento a fazer-me gemer de dor, do rosto no chão gelado, das lágrimas incontroláveis. Lembro-me de querer agradar, de amar pura e simplesmente, de viver numa dádiva constante do que sou, do que quero ser, do que não imaginava ser. Lembro-me de não acreditar na probabilidade de que existisse uma pessoa, no meio de tantas no mundo, que me quisesse como eu a ela. De me sentir feliz. De me sentir morta por dentro quando a fragilidade do castelo de cartas o fazia desmoronar-se. Recordo com carinho os momentos pirosos e ridículos, tão ridículos como tudo o que é romântico consegue ser. Cantar no meu ouvido, rir sem motivo, acordar-me a meio da noite com surpresas à minha espera do lado de lá da janela do quarto. Vivi tudo isso. O maravilhoso e o péssimo.

Era amor. Como nos filmes. Só que a diferença entre esses e a vida real é que na segunda, nem tudo tem que fazer sentido. Por isso, em vez do Felizes para Sempre em união, cada um seguiu o seu caminho, separado da felicidade do outro.

Apaixonei-me muito poucas vezes. Talvez três. Não acontece muito ser completamente arrebatada porque não me impressiono facilmente. Aqueles por quem me apaixonei perdidamente foram potenciais amores. Só não foram amores porque as histórias não se prolongaram pelo tempo. Ficou guardado em mim o amor que haveria de ser, secretamente, sozinha com o frasquinho bem escondido cá dentro.

Um deles, sei que não vou esquecer. Conhecê-lo mudou o que sou. A nossa história afectou vidas à nossa volta (às vezes duvido de que tenha plena consciência desses factos). E talvez por isso o ame tanto, num amor que não é concretizável nem declarado, ainda que não goste da totalidade da pessoa que é - e eu podia jurar que quando amamos, até os defeitos são amados, porque incluem o todo de que se faz o objecto da nossa afeição.

Ele talvez pense que o espero, num engano qualquer, fruto de má interpretação das minhas atitudes ou de insuficientes explicações da minha parte. Não o espero. Desisti quando me desencantei. Apaixonei-me pelo seu potencial e não pelo homem real que tinha perante os meus olhos, já vos aconteceu?

Se lamento? Já lamentei. Se choro? Nem imaginam o que chorei. Se dói? Já gastei a dor. Sobrou um "gosto muito de ti", que é tudo o que posso dar e sentir e em que não cabe tudo o que lhe poderia dizer. Não sei até quando estará presente na minha vida, não posso imaginar até quando serei alguém na vida dele. Sei que o acho tão bonito que se Deus quisesse desenhar alguém só para mim, seria aquele homem. Não demasiado boneco nem com ares de modelo. Só homem. E com a voz mais bonita do mundo.

Talvez seja uma coisa de almas, não sei o que nos faz não cortar definitivamente, uma vez que não precisamos um do outro nem cabemos na vida um do outro. Mas conheço-o por dentro, sei que nunca irá mudar, que não há alternativa possível e aceito esse facto com naturalidade. Respeito a sua natureza livre, a sua incapacidade de ser leal ou de se comprometer. Nada disso me faz deixar de o ver, àquele pedacinho dele que quero acreditar que quase ninguém sabe que existe. E olho para ele e não vejo mais nada. Olho para ele e sei que tudo o que de utópico e de trágico vivemos, de tão profundo, pode ser razão para que não nos percamos de vista.

Gosto de pensar que somos amigos. Gosto muito dele. De olhar nos olhos, de lhe dar a mão, de o ouvir dissertar sobre as mais práticas questões mundanas e os mais abstractos e metafísicos devaneios. Se estiver num lugar e ele entrar no mesmo espaço, vou senti-lo presente antes de o ver. Não há um dia em que não me lembre dele. E não quero morar naquele abraço, ainda que seja tão bom sentir-me em casa sempre que o sinto.

Depois do nosso início, depois dele, depois da violência do que vimos acontecer, depois de tudo isso, mudei. Gelei. "Lá estás tu a chorar" - é que tenho pena das partes de mim que se foram também. Talvez crescer seja isto. Talvez a nossa essência nunca desapareça e eu volte a ser quem fui quando chegar esse tal momento, essa tal pessoa. Espero que não, na verdade. Gosto mais de mim fria e cínica. Sem floreados. Muito mais. E também gosto mais do meu olhar sobre ele agora. Mais cru.

Prefiro ser rainha de um reino pequeno a súbdita de um grande.

Minto. Quero ser rainha de um grande reino.

Mais pérolas

Começa a soar a tradição partilhar aqui, mensalmente, as melhores pérolas que vou encontrando por aí. No último post da saga, eram muito mais do que os que vos mostro hoje... mas os decibéis das minhas gargalhadas mantiveram-se, que quantidade não é sinónimo de qualidade. Vamos ao que interessa:

esponencialmente
Who cares se é X ou S? O som é sempomemo.

beneficiência
É a disciplina que estuda a eficácia da benevolência. Português de fusão, remember?

rocio
Ele não se queria roçar, então eu rocio na mesma para ele aprender.

a vulso
Esta forma de escrever reflecte uma total intenção, por parte do autor, de usar as letras em separado para melhor ilustrar o significado do termo. A vulso. A grande desvantagem de escrever a vulso deste modo é o facto de sair mais caro no que aos caracteres diz respeito.

condemínio
Quando em reunião, os moradores de um prédio decidem condenar um dos habitantes, é um condemínio.

indeminizados
Quando, depois da condenação, se prova que a acusação estava errada e quem foi injustamente condenado recebe uma mini quantidade de dinheiro, diz-se que foram indeminizados.

excurção
...para outro planeta, era o que devia fazer quem escreve assim.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Glamour

Existe palavra mais foleira? Confesso - uso imensos estrangeirismos desnecessários... mas o vocábulo glamour foi usado e abusado por tanta gente com garras de gel que me cai mal. 

A vida também é feita de encontros assim.

Quando chegou até nós 
O momento em que integrou a família 
Bons, bonitos, perfeitos. 

Foi Josephina mas passou a ser Carmen quando recuperou do seu estado de saúde frágil e foi oficialmente assumida como uma Rendall-Tomaz. 

2014 foi o ano em que a conheci, no primeiro dia do mês de Dezembro, um daqueles episódios que me fazem acreditar na magia da Vida. A história do nosso encontro, contei-a aqui.

É uma menina com uma vida intensa, acompanha-me nas viagens de carro entre a capital e a zona centro e dorme comigo todas as noites, por cima do cobertor, enroladinha, aos meus pés. 

Amo-a descontroladamente, é a minha pequenina, mais bonita que todos os outros gatos cinzentos.
Com o seu marido, Balthazar

À semelhança do Balthazar, tem uma hashtag no Instagram [#balthazarrendalltomaz e #carmenrendalltomaz , respectivamente ]. Com ele, tem a mesma relação que associamos aos casais de velhinhos, rabugentos mas amorosos. Oscilam entre a ternura de não passar um sem o outro e as constantes lutas, que pioraram muito desde que ela veio viver para Lisboa.

Tão tímida quanto doce, tão desajeitada como meiga. 
A tirar selfies

 Este é o nosso aniversário e eu espero que ela saiba como me faz feliz, mesmo quando me acorda a meio da noite numa correria desenfreada pela casa, alternada com experiências em parkour e ginástica acrobática. 

Obrigada Deus, por trazeres tantas criaturas bonitas para a minha vida. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

...e por falar em Natal...

Katy Perry
...ter um filho não é como montar um presépio. Não é só sorrisos entre um casal apaixonado que vê finalmente materializado num novo ser o seu amor. Não é.

É por saber o que é que o meu instinto maternal está bem vivo e guardadinho numa caixa com furos para ir respirando, pronto a desempacotar quando me sentir pronta para atravessar a loucura que é esse acto tão transformador e que exige tanta responsabilidade como gerar alguém e trazê-lo a esta existência terrena.
(Repararam como tive que usar o verbo desempacotar para expressar a acção de tirar da caixa? Devia ser desencaixar.)

São as hormonas todas malucas, são os palpites dos outros sobre um assunto tão nosso - Como assim, não queres parto natural? Não amamentas? Pobre criança! Amamentas em público? Não tens pudor? Devias escolher apenas roupinhas orgânicas. Faz mal agarrar tanto ao colo. Que tipo de educação lhe vais dar? Não o queres baptizar?! Não estás nada preocupada com o teu corpo, se vais comer isso tudo. E o próximo, é para quando?
É o cansaço emocional, físico, psicológico. É o medo de mão dada com a felicidade. É o não querer deixar de ser casal apesar de ser pai e mãe e não ter tempo para namorar. É o corpo todo mudado. É a sogra que invade o espaço. É a casa a precisar de sossego. É uma mãe a nascer também.

Uma vida nova e tantas são mudadas.

Ainda não fui mãe e comecei a saber que quero sê-lo por volta dos 17 anos. Já tive pressa, confesso. Apesar do aumento da pressão nesse sentido por parte da minha mãe, de muitos conhecidos e de alguns amigos, hoje não tenho urgência alguma em dar esse passo. 


Continuo a desejar experienciar a maternidade e quero que isso aconteça num determinado momento que há-de vir. Quando chegar, saberei. Enquanto isso, vou sendo a tia dos filhos das minhas amigas, as mães que não quero chatear com perguntas inconvenientes e opiniões que ninguém pediu e que desencaminho para uns jantares só para poderem desanuviar e rir um bocadinho, lembrando que ainda são mulheres, seres individuais e com vida para lá da família e desse novo, doce e tão duro papel que desempenham.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sobre um amigo

Gigi Hadid
Tenho um amigo de quem gosto muito, talvez nem ele saiba o quanto, que sem que eu lhe conte nada me lê com uma clareza desconcertante.
Gosto dele porque sim e envaideço-me por me achar bonita e inteligente. Lisonjeia-me que alguém por quem nutra tanto respeito e que me saiba os pontos fracos de cor seja capaz de ver em mim também qualidades.
Sem querer ser convencida, também o conheço por dentro melhor que a maioria. Percebo-o só pelo semblante e pelo olhar. Falo de um homem a sério, humano e cheio de defeitos, mas tão rico em coisas bonitas na alma. Não é por ser alto, é por ser perspicaz. Não é por ser doutor, é por ser culto. Não é por ter uma presença marcante, é por ter tanta vida. Nunca será pelo que tem, mas pelo que é: tão divertido como sábio, tão leve no trato como profundo no pensar. Um miúdo num corpo de adulto, um puto com uma vida inteira para contar. E tem o dobro da minha experiência, pelo que aprendo sempre alguma coisa nova com ele. 
Tem um especial prazer em analisar os outros e é preciso que se sinta muito confortável para que comece a falar de si e a revelar a sua essência menos superficial.

Da última vez que estivemos juntos, fez-me abrir os olhos e relembrou-me de quem sou, mesmo não sabendo exactamente o que me doía cá dentro. Ou melhor, sabia, mas não dos protagonistas.
Ele vai ler este post e fazer o que faz sempre: nada. Não vai pôr um like, não vá alguém ver. Não me vai ligar, não vá eu achá-lo convencido. Quando nos virmos pessoalmente, fará alguma alusão ao texto e provavelmente faremos um brinde para continuar a rir e a dançar.
Encontramo-nos como nos conhecemos: por um acaso. E que felizes são esses acasos em que posso estar com ele. Que feliz sou por caber naquele abraço.

- escrito a 24/11/2016, no Facebook

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Dar uma de Marie Antoinette

Já abriu há algum tempo, mas ainda não tinha ido conhecer o espaço. Sou dessas que não vai a correr assim que abre um espaço da moda em Lisboa, até porque o excesso de buzz cria em mim repulsa. É essa a razão para que escolha visitar os lugares mais recentes um certo tempo depois da sua abertura ao público. 

A Ladurée já tinha chegado a Portugal em forma de balcão no JNcQUOI, com os seus icónicos macarons. Pouco depois, abriu no formato que mais sentido faz tendo em conta a identidade da marca - em modo salão de chá, mesmo ao lado da Fashion Clinic, na Avenida da Liberdade. 

O espaço é tudo o que imaginei, conta com uma aprazível esplanada e não se fica pela pastelaria fina. A Ladurée lisboeta tem uma ementa extensa e pode ser visitada para tomar um pequeno-almoço, fazer um brunch, almoçar ou lanchar, já que há saladas, sandes, omelettes e pratos como o vol au vent ou o croque-monsieur.




Fui com a mana e fomos muitíssimo bem recebidas. Porque queríamos experimentar os clássicos da marca, escolhemos um croissant Ladurée com manteiga e compotas, um ispahan, esse bolinho amoroso com bolacha de macaron, creme de pétalas de rosa, framboesas e lichias e acompanhámos com uma infusão Ladurée, elaborada a partir de chá preto da China, citrinos, flores, especiarias e baunilha. 

O serviço é despretensioso mas muito elegante e atencioso, os preços são os esperados (basta uma rápida pesquisa no Google para que tenham acesso a essas informações) e os sabores suaves e requintados. 

Ficou muito por provar e o difícil é conseguir conter o desejo que nasce assim que pomos os olhos nas vitrines cheias de bolinhos lindos, coloridos e a fazer lembrar o imaginário de Marie Antoinette. Senti-me uma criança numa loja de brinquedos e por isso, não me contive e dei mega facada no processo #ladylampficafit #sqn.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Provincianismo urbano

provinciano | adj. | s. m.
pro·vin·ci·a·no 
adjectivo
1. Que é da província.
2. Pertencente ou inerente a pessoa da província.
3. [Figurado]  Acanhado, ridículo, aldeão.
substantivo masculino
4. Habitante da província.

Quanto mais crescida, mais orgulhosa me sinto da minha vida privilegiada. Ter crescido na zona centro, no seio de uma família cosmopolita, foi crucial para que desenvolvesse uma visão ampla do mundo. Há uma dilacerante ignorância relativamente ao país fora das grandes cidades - Lisboa e Porto - que me incomoda muitíssimo e também me entristece. Sinto a capital povoada de provincianos citadinos, gente que por mais que vá para fora do país conhecer outros horizontes, não sabe mais do que a sua rua lhes mostra. Da praceta ao shopping, do shopping à praceta, o itinerário muda apenas quando chega o Verão e com ele, o Algarve, a Comporta e a Caparica.  

Nasci em Lisboa, é em Lisboa que vivo, mas não trocaria por nada a minha experiência, tão rica, tão cheia, tão vasta. Saber que Portugal não é apenas a segunda circular e o IC19 faz-me ter aversão ao rótulo "terrinha" que se aplica a tudo o que se localize fora da capital. Ter que ir à China para experimentar um spa numas termas mexe comigo, quando a excitação causada por tal descoberta revela um total desconhecimento acerca dos tantos tesouros de que dispomos dentro de fronteiras (este é apenas um dos exemplos possíveis).

Ter vivido numa cidade da zona centro proporcionou-me uma qualidade de vida que dificilmente existe em Lisboa. Sejamos realistas, quase ninguém aqui pode ir a pé para o trabalho, já que as distâncias são muito maiores. Barco, autocarro, comboio, metro ou alguns quilómetros de carro são a opção óbvia para um percurso diário que por vezes demora tanto como a minha viagem até Pombal. 

Quando trabalhei na imprensa regional, podia inclusivamente ir almoçar a casa todos os dias, já que demorava apenas dez minutos a percorrer essa distância. E nesse período calmo e bom da minha vida, dizia em tom de brincadeira que a grande vantagem de viver ali era o facto de ter a A1 à mão de semear - uma hora e meia para cima ou para baixo e estava no Porto ou em Lisboa; meia hora de estrada e estava em Coimbra ou em Leiria. O concelho é muito extenso e vai da serra ao mar, no entanto, em 20 minutos estou na praia, no meu Osso da Baleia. Em Lisboa, a praia mais próxima de minha casa fica na linha e entre o trânsito e o estacionamento, nunca demoro tão pouco tempo, pelo que opto por praias mais calmas e que fiquem um pouco mais longe. 

Outra vantagem prática de viver fora da confusão da cidade que os turistas adoram? Os preços - de tudo! 
Das casas - um T3 novinho, com vidros duplos nas janelas, aquecimento central, lareira, varanda e garagem fica à volta dos 300 euros. Em Lisboa, já pedem 700 por um quarto como assim?
Dos cafés - um lanche básico, ao estilo tosta mista, sumo de laranja natural e café pode custar três ou quatro euros. Aqui pago um mínimo de seis. 
Das discotecas - sair à noite é tão barato que é ridículo! 
Dos restaurantes - um excelente restaurante dificilmente cobra mais de 17 euros por pessoa, com entradas, prato principal, sobremesa, bebida e café. 

E se isto não convence, então passem um fim-de-semana na zona centro e digam-me se encontram lugar onde se coma melhor. Tudo é bom e os estabelecimentos só pecam por excesso, já que as quantidades servidas são de impossível ingestão por apenas um ser humano. 

Mais que tudo isto, o ar. Sempre sofri com problemas respiratórios mas Lisboa está a dar cabo de mim e brevemente terei de ponderar uma cirurgia. 
Mais que tudo isto, o mar, pesado, violento, suave na areia amarela onde enterro os pés para me recarregar.
Mais que tudo isto, a pureza de quem vive numa casinha rodeada de floresta e partilha o pouco que tenha - estas flores lindas, para alegrar a tua casa; um frango caseiro, que fica óptimo no forno; estes ovos e um bolo, ao pequeno-almoço vai saber bem! O calor das caras conhecidas, em contraste com aquele frio que a noite traz, gelado na pele. Andar pela rua e parar a cada cinco minutos para outro beijinho, que há tanto tempo que não te via. Vem comigo, tenho ali uma coisa para ti - e vamos a casa do outro, buscar aquele pote de mel cujo sabor não existe em mais nenhum. E como o pai, que é médico veterinário, até trouxe um queijo para casa, que a senhora que tem ovelhas precisou dos seus serviços e quis agradecer para lá do pagamento, por ter salvo grande parte da sua única fonte de rendimento, é com ele que o provamos. Tocam à campainha - é a vizinha, com um saco de nozes. Entre, vamos beber um chá.

Os defeitos? A pequenez tem tantos perigos como a vida na cidade, só que se tornam mais visíveis porque a escala é diferente e a amostra também. Egos grandes em terras pequenas e falta de noção de proporção ou do seu próprio tamanho também invadem alguns habitantes, mas tendo a acreditar que a falta de mundo que tanto aponto se trata de um problema inerente às mentalidades e não aos lugares. 
O fulano que não sai de Odivelas e me pergunta o que raio se faz em Alfama à noite é tão ignorante como a miúda da linha que quer saber se há escolas em Pombal. Os dois são tão provincianos como o pombalense que nunca visitou o Terreiro do Paço. Portugal é um país pequeno e muitas vezes tacanho, ainda que os web summits desta vida nos façam esquecer, por breves momentos, quem somos, na ilusão da pertença a uma Europa e a uma aldeia global que nos é vendida um pouco por toda a parte. A falta de mundo de tanto lisboeta nascido e criado na capital trouxe ainda mais certeza nessa convicção. 

Mas o que importa sermos tão hi-tech, tão cheios de restaurantes gourmet, tão inovadores, se não nos interessa a nossa cultura? Se nunca vimos a actuação de um rancho folclórico? Se não queremos saber do nosso povo? Se não sabemos que ainda existem senhoras que usam lenços pretos na cabeça? Se não sabemos o que é uma cabaça? Se nunca ouvimos cantar as Janeiras? Se não gostamos desta coisa tão nossa e só nossa que é ser português? 
Portuguesa. 
É o que sou. 
A propósito deste meu discurso, perguntaram-me se me sentia Lisboeta ou Pombalense. Respondi que sou Portuguesa, numa fusão incrível de Europa e África. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

OCD

Às vezes tenho a sensação de que sofro de algum transtorno obsessivo-compulsivo. Outras, acho que estou a exagerar. A verdade é que sou um bocadinho perfeccionista e gosto de que tudo o que seja para ser feito seja muito bem executado.

Passo a explicar: não suporto "limpezas por alto". Se me proponho a limpar uma divisão da casa, gosto de o fazer à séria. Por exemplo, na cozinha, só fico satisfeita se passar um spray antibacteriano nos puxadores dos armários, se lavar o escorredor de louça com uma escova de dentes ou se não houver uma gota de água no lava-louça. Não suporto ver o fogão com salpicos de sujidade nem comidinha da minha gata fora do seu comedouro.

Por sua vez, na casa-de-banho, não descanso enquanto as juntas dos azulejos não estiverem imaculadamente brancas, por isso uso uma escova de dentes para aplicar um produto que repele fungos e bolores e não suporto imaginar que a banheira não foi desinfectada após cada banho. Sempre que tiro o saco do lixo do respectivo caixote, limpo-o por dentro e por fora com um spray antibacteriano.

Não consigo passar uma semana sem trocar lençóis e tenho que me controlar imenso para não passar a maior parte do tempo a limpar ou a arrumar, quando estou em casa.

Irrita-me o desleixo, a falta de brio e adoro sentir cheirinho a limpo na casa. Não me sinto tranquila com as almofadas do sofá desalinhadas nem com objectos fora do lugar.

E aquela sensação, depois de limpo e aspirado o quarto, de me deitar numa cama acabada de fazer com lençóis ainda a cheirar a amaciador, de banho tomado? É a paz no seu estado mais puro.

Conseguem dizer o nome sem cantar como no spot publicitário?

Eu não. Tenho que cantar showroomprivepontopêtê! Conhecem o showroomprive.pt? Se sim, continuem a ler. Se não, vão lá espreitar que eu espero... mas voltem.

É que o Natal está a chegar (falta aproximadamente um mês!) e eu quero ajudar-vos a comprar presentes especiais. Para isso, só têm de estar atentos ao facebook do blog e ao meu instagram, onde vou explicar como podem ficar com um dos 10 códigos promocionais exclusivos de 20% de desconto que tenho para oferecer.

Não precisam de se preocupar com a ideia de receber as vossas encomendas depois da data pretendida, já que o site faz entregas em 72 horas e ainda indica, em alguns casos, que garante que os artigos escolhidos chegam a casa antes do Natal!

Vale a pena explorar o site, que além de intuitivo e muitíssimo bem organizado, conta com marcas bem conhecidas e uma variedade enorme de produtos! Há o creme para a tia, os produtos de cabelo para a irmã, o relógio para o pai e as jóias para a mãe - é só procurar. Já me perdi de amores por um colar Swarovski por Gaultier e acho que esta pulseira seria perfeita para uma amiga. Acho que é desta que vou comprar uns Nike bolachudos e aproveitar para aumentar a minha colecção de wonderbras.

Bom, no meio de tantas compras apetecíveis, claro que podemos sempre aproveitar e escolher uns outfits giros para brilhar nos jantares de Natal que vão começar a aparecer um pouco por todas as semanas. É tão bom fazer compras sem sair do sofá! 

Querem saber como ficar com um dos códigos? Fiquem atentos ao facebook do blog durante o dia de hoje! 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Amor e Saint Laurent

Amor é quando a tua irmã encontra um lenço de seda YSL vintage no teu quarto e fica tão entusiasmada com a descoberta que o tornas seu, porque não há ninguém a quem ficasse melhor.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Natal by Philips

Na semana passada, a Philips convidou-me para conhecer as suas novidades para o Natal.

Estive no showroom da marca e quem acompanhou as instastories teve uma noção de como decorreu o evento.

De candeeiros que podemos controlar através de uma app até luzes de presença para crianças, vimos de tudo um pouco... 

Confesso que me apaixonei por um ferro de engomar e que gostei imenso de uma liquidificadora perfeita, que achei graça ao facto de haver máquinas de barbear da Star Wars e de existirem aparelhos para simplificar as rotinas matinais mais masculinas como cortar, aparar ou até contornar pêlos de qualquer comprimento sem correr o risco de ter de recorrer aos pedacinhos de papel higiénico espalhados pelo rosto.

Contudo, nada me seduz como os produtos de cuidado pessoal feminino. 


O novo modelador multiusos da Philips traz o melhor de dois mundos numa só embalagem: placas alisadoras de 80mm e um modelador de ondas e caracóis de 25mm. Além disso, inclui um guia de estilos para inspirar a criação de penteados e ainda alguns acessórios para o efeito. Em 60 segundos, está pronto a utilizar e garante uma distribuição uniforme do calor (bem como menos danos para o cabelo) através do seu revestimento cerâmico protector. 


Outro produto hiper feminino que me entusiasmou e que foi muito comentado a propósito da instastory que protagonizou, foi a depiladora Philips Satinelle Prestige. O aparelho promete eficácia ao ser utilizado na pele húmida ou seca e não se limita aos pêlos, já que conta com vários acessórios de cuidado corporal: uma cabeça de esfoliação, outra de massagem... e o melhor de todos, um disco de precisão rotativo três em um, indicado para quem quer pés suaves "dos dedos aos calcanhares".  

Há tanto para descobrir no mundo Philips que poderia ficar horas a escrever sobre os seus produtos, pelo que aconselho a visita ao site para ajudar na escolha de presentes para os outros ou para nós!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Lady Lamp fica fit (sqn) - #6

Tal como prometido, hoje falo-vos acerca do chá de cavalinha. Ele aparece nas stories do Instagram, nos posts que vou escrevendo por aqui ou na página de Facebook e a verdade é que despertou muita curiosidade desse lado.

Sou fã dos seus efeitos rápidos e um dos factores que me levou a querer experimentá-lo foi a sua elevada acção diurética. Faço imensa retenção de líquidos e noto uma imediata redução de volume nas zonas mais afectadas (tornozelos e joelhos). A maioria das pessoas usa o chá verde para o mesmo efeito, mas o meu organismo prefere o chá de cavalinha. Para melhor perceberem, posso contar-vos que bebo uma média de litro e meio por dia durante uma ou duas semanas e as diferenças são óbvias a partir do primeiro dia. Sinto-me sempre mais leve, sem inchaço e a parte menos agradável é que estou constantemente no quarto de banho. 

Compro-o em ervanárias ou em espaços como o Celeiro e já vi à venda nas zonas saudáveis dos supermercados. É simples: fervo um litro de água, coloco duas colheres de sopa de cavalinha e deixo ferver por alguns minutos. O sabor não é horrível mas prefiro-o frio, pelo que depois de coar deixo arrefecer um pouco e coloco-o num jarro no frigorífico, que tento terminar num só dia, porque vou bebendo o chá em vez de beber simplesmente água.

Além de ser um fantástico diurético, o chá de cavalinha tem uma elevada acção anti-inflamatória e desintoxicante, ou seja, não só reduz a retenção de líquidos, como favorece a circulação sanguínea e ainda elimina toxinas. Uma vez que ajuda a acelerar o metabolismo, é um óptimo aliado em processos de perda de peso.

Por ter uma função adstringente, é muitas vezes utilizado em tratamentos de acne, pelo que melhora a pele e age directamente na boa saúde de unhas e cabelo, o que me parece ser um excelente extra. 

Como tudo na vida, deve ser usado com moderação, por isso, muita calma nessa hora! Quem lida com problemas digestivos deve informar-se devidamente, já que a planta contém silicatos. Alerta também para quem sofre de hipotensão arterial (podem ler mais sobre as contra-indicações da cavalinha aqui).

Nunca faço mais de duas semanas seguidas de toma, porque sou normalmente uma pessoa hipotensa e só consumo esta infusão em alturas de menor movimento, sem grandes eventos ou deslocações.

Espero ter sido suficientemente esclarecedora!

#ladylampficafit
#sqn

terça-feira, 7 de novembro de 2017

move on

Às vezes temos que aceitar o que a Vida nos mostra à força. O nosso lugar é onde a energia flui leve e livre, sem entraves nem obstáculos, sem esforço, naturalmente.
Desapegar também é aceitar que a nossa casa muda de lugar, que as nossas pessoas mudam, que o nosso cenário é outro. Aceitar a mudança como a única constante da vida, aceitar os novos horizontes sem olhar para trás.

Custa abandonar o conforto do que nos é familiar. Custa sair daquelas ruas bonitas que nos sabem a casa, tirar aquele casaco quentinho para mergulhar no mar gelado, deixar as coisas no lugar delas e ser o objecto que se desloca.
Dói na alma a saudade do que já não é, do que foi certeza e deixou de ser, dos sorrisos que eram nossos e que deixamos de ver.
Dói já não ser a mesma, não caber no espaço pequenino onde era tão fácil entrar.
Para trás fica o passado. Passou. Já não é.
É preciso largá-lo para seguir.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

São pérolas, again.

Passou mais um mês. E sai disto:

vanglorizarem
É um bom exemplo de Português de fusão, tipo sushi. Um novo conceito baseado no simples princípio de fundir dois vocábulos (neste caso, vangloriar e valorizar) num só, concebendo uma palavra nova, que a criatividade deve ser vanglorizada por quem a tem. Quem não gostar é um purista.

como ei de ficar chateada
Digo mais: como não ei de ficar chateada quando vejo disto? É de uma violência para os meus olhos que ai de mim se não ei de ficar cega com a tareia que eles levam!

paresse impossível
Mesmo.

conselho de Pombal
E o que é isto, perguntam vocês? Eu respondo: Pombal, como já devem ter notado, é uma cidade especial. Quem a visita, não sai de lá sem uma orientação qualquer para a vida. É assim. 

à muitos anos
Este género de erro ortográfico já nem consigo comentar. Nem são engraçados. Não tem piada. É só um nojo. UM-NO-JO.

princepe
Porque a gente queremos ser bem então a gente escrevemos como falamos e a gente pronunciamos príncepe, então escrevemos assim também. Mas esquecemos o acento porque a bolinha do i é mais querida, porque ninguém diz princepe, toda a gente diz príncepe.

difícel
Complecado.

ter-mos
Ter-mos. Ser-mos. Beber-mos. Abraçar-mos. Agarrar-mos. Aos quê? Ninguém sabe.

celoloses
Celoloses são aquelas coisas que há nas pernas e que faz a sololite.

corricolo
Que saudades desta brincadeira que tinha com o meu avô quando era pequenina. Ia a correr e saltava para o colo dele. 

dia á dia
Porque a gente dizemos dia á dia, a gente escrevemos como falamos e a gente pronunciamos dia á dia, então escrevemos assim também, mesmo que não exista essa palavrinha do meio.

shooping time
Xupingue. Seguindo a lógica do anterior, é mesmo assim que ela se refere ao shopping.

ela usuou estes looks 
Deve ser Português de fusão, também.

ela não ficou na melhor posse nesta foto
Na melhor posse de quê? Das suas faculdades motoras?

pentacostais
São igrejas com cinco costas. O António, o Jorge Nuno Pinto da, a Gal, o Carlos e a Nova, de Aveiro.

pesquiza
É coisa que esta gente não faz, que bastava ir ao Google para prevenir este chorrilho de estupidez.

excusado
É um ex cujo rabo está gasto.

deparvada
Olha o Português de fusão a bombar outra vez! Isto é tendência! Depravada+parva. Uma depravada parva é uma deparvada. 

sinismo
Ciência que estuda os sinos.

para que fique registado no meu moral de facebook
As palavras homófonas são engraçadas, é só o que vos digo. 

e agente segue assim
Algo que os agentes fazem com frequência é seguir assim.

espero que não perdou-e
Eu espe-ro que Deus não perdou-e quem maltrata a nossa Língua Portuguesa sem pudor.

previlegiado
São todos aqueles que tiveram o previlégio de contar com uma boa professora primária. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Este país é para burros e incompetentes.

- Boa tarde.
- Boa tarde, posso ajudar?
- Sim, eu queria saber que produtos de cuidado de rosto disponibilizam para peles maduras. 

Olha para mim com um ar intrigado, porque naquela cabecinha pensadora só podemos querer informações acerca de produtos para uso próprio. Sem querer cansar o seu neurónio, respondi à pergunta que a expressão facial revelava:

- Não é para mim, não. É para uma pessoa acima dos 50 anos de idade. 

Respirando de alívio, a funcionária d'O Boticário diz:

- Ah bom! Estava a ver... 

Continuo séria, à espera que a coisa se desenrolasse. Ela olha à volta e começa por explicar:

- Então, temos um creme mais trinta, que é para ser usado a partir dos trinta...

Começo a estranhar o facto de estar sempre a olhar para a embalagem mas decido ficar calada e ouvir:

- Como diz aqui na caixa, é para os primeiros sinais. Porque é nos trinta que começam a aparecer sinais.

Já não ouvi mais nada. Comecei a imaginar-me negra ao fim de 60 ou 70 anos de vida, com tanto sinal novo a aparecer-me na pele. É que os meus sinais são os mesmos desde que me lembro e não notei um aumento de pintas escuras no meu corpo desde que comemorei o meu 30º aniversário. 

Este país é para burros e incompetentes. 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Lady Lamp fica fit (sqn) - #5

Estou no 25º dia deste #ladylampficafit #sqn e se por um lado, sinto que não estou a fazer uma dieta restritiva, por outro, tenho sentido desejo por alimentos de que não sou fã.


Passo a explicar: sempre fui miúda de petisco; respeito um croquete, vou a um rissol, não nego uma alheira frita e quem me tira uma chamuça, tira-me tudo. Venham as farinheiras em abundância no meio de um Cozido à Portuguesa, um feijão de óleo de palma ou um bom bife com ovo a cavalo e batatas fritas. Delicio-me com um jantar indiano, perco-me por uma lasagna e dou a vida por uma Feijoada à Transmontana. Não nego um feijão preto a acompanhar a picanha nem me controlo perante um bom queijo do Rabaçal... mas doces não me fazem delirar.

Excepto nos últimos dias. Ando louca por um duchesse. Louca. E tenho sido uma mulher forte e determinada. Ontem fui tomar um café a uma pastelaria perto de casa e dei por mim obcecada por um duchesse que queria acompanhar com um Sumol de maracujá. 

Fiquei-me pelo café, tal como partilhei no meu insta, depois de pensar no que já alcancei e no meu próximo encontro com a balança, amanhã. Controlei os impulsos da Magali que habita em mim e resisti.


No entanto, fui pesquisar sobre o assunto e descobri que um duchesse contém 174 calorias, o que não me pareceu assim um abuso para lá de louco, já que um croissant de chocolate equivale a uma ingestão de 237kcal.
Conclusão: se o valor dado pela balança me surpreender mais do que da última vez, comemoro com o dito bolo!

#ladylampficafit 
#sqn

Preciso

de uma carteira neutra, daquelas que usamos todos os dias, de preferência preta // 


de calças confortáveis // 


de camisolas quentinhas e macias //


de cardigans com ares de roupão e com apontamentos de faux fur //


de mantas para enrolar à volta do pescoço // 


de luvas giras // 


e já agora, de uma carteira, já que a minha está com um aspecto terrível //

É que depois da minha primeira constipação, resolvi aceitar o facto de que o Outono veio para ficar.