quarta-feira, 8 de março de 2017

na direcção do queixo erguido

sempre que começo a desviar o olhar para baixo e a permitir-me doer por dentro com coisinhas miúdas, surge um alento inesperado, um sopro de brisa quente, para me lembrar que o foco é em frente, na direcção do queixo erguido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

quando o outro não sabe tudo o que vemos nele

Tenho um amigo, por quem já estive apaixonadíssima, que não sabe tudo o que é.
Não tem consciência de quão bonito é, não imagina como é interessante, não faz ideia de como o vejo.
É um gajo que tem a minha admiração - e olhem que isto é difícil - por ter uma capacidade de trabalho impressionante e mesmo tendo que lidar com imensas responsabilidades, não perde a juventude, o riso, a leveza.
É um puto adulto, não larga os ténis e tem uma voz com que me casaria. É inteligente e antenado, sabia usar o Spotify quando eu ainda não fazia ideia do que raio era aquilo. Gosta de viajar, consegue concretizar ideias, arrisca e é naturalmente simpático. Tem entusiasmo por coisas que me são indiferentes e mesmo assim, não tem pudores em manifestá-lo. Não tenta impressionar-me e isso é tão bom. É divertido, a idade não lhe adicionou o factor cromo. É um amor de pessoa, carinhoso e atencioso. É paternal, tem uma pinta descomunal e sabe fazer tudo. Como todos os homens hetero que conheço, tem dificuldades em expressar-se no que ao plano sentimental diz respeito, mas é transparente. Pelo menos para mim.
É tudo isto, mas tem um defeito enorme: minimiza-se, diminui-se pelo meio em que se insere. Acho que ele acredita na sua desvalorização, como se tivesse que se contentar com o que dizem que ele é e com a vida que criou. Então permite-se ser menos, vivendo um quotidiano que não o satisfaz. Relaciona-se com pessoas muito abaixo do nível dele. Prende-se ao que não o prende.
Nunca demos certo por isso mesmo: ele achou e decidiu que eu merecia melhor. O que ele não sabe é que teria sido o meu melhor. O tempo passou, a raiva também e ficámos amigos. Gosto mais dele agora, claro, que a paixão descontrola e turva a visão. E gostava que ele se visse como eu o vejo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

s o s s e g o

O ano passado tirou-me tanto. tirou tanto de mim.
Ainda não sei quem sou no meio desta confusão toda e não consigo arrumar a casa.
Como perdoas sem que te peçam perdão?
Como deixas de sentir aquela raiva imensa que te faz descontrolar em lágrimas?
Como manténs a sanidade sem que estejas a mentir?
Como começas a viver sem que tenhas de te distrair?
São tantas dores, são tantos cortes, estou toda em ferida.
Estou cansada.
Quero o meu Algarve.
Quero um mergulho no mar.
Quero aqueles abraços sentidos.
Quero a areia nos pés e o sal no cabelo.
Quero sossego.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que fariam?

Sempre que me envolvi em algum projecto profissional, fi-lo com toda a seriedade. Acredito que quem faz deve fazer bem feito, seja o que for, com os meios que tiver disponíveis. 
Já fui criticada por ser tão séria. Paciência. Não sei trabalhar de outra forma. Esteja a acompanhar um cliente numa sessão de Personal Shopping ou a escrever uma reportagem sobre a aplicação de fundos comunitários num município, prefiro pecar pelo excesso de zelo do que pela descontracção em demasia. 

Confio nas minhas capacidades e é exactamente por delas ter consciência que sou perfeccionista. Gosto do brio que pauta a minha conduta e orgulho-me dele. Espero continuar assim.

Desde o início da minha vida enquanto trabalhadora que soube separar bem as águas, deixar questões pessoais à margem para que simpatias, antipatias ou opiniões minhas não interferissem naquilo que produzo. A minha formação académica em Jornalismo contribuiu muito para que assim me comportasse, apesar de ser extremamente emotiva. 

Desse modo, nunca senti como complicada a tarefa de vestir as diferentes personagens em que me desdobro consoante o contexto em que me encontro. A Ana profissional é ponderada, ligeiramente fria, dura consigo mesma, exigente com os outros e distante, muito mais que a Ana fora dos horários de trabalho.

Pela primeira vez, sinto que talvez não esteja apta a aceitar um desafio profissional por questões pessoais. Melhor, sinto que tenho medo de arriscar demasiado e pôr em causa a qualidade do meu trabalho pela possibilidade de vir a permitir que assuntos do foro pessoal nele interfiram.

Será possível manter a distância quando já nos envolvemos emocionalmente com a pessoa com quem estaremos em contacto directo frequentemente? Será possível manter a frieza? Se a pessoa nos desperta ainda algum tipo de sentimento negativo, há como manter o profissionalismo? Quem me garante que a meio caminho do objectivo traçado, não me descontrolo e mando tudo à fava? Como posso ter a certeza de que a raiva não me vai fazer estragar tudo e manchar o meu currículo?

O caso é grave: eu sinto o coração disparar de raiva se pensar muito no que aconteceu, no que aquela pessoa me fez. Irrito-me se me lembrar que nem sequer tentou desculpar-se. Não suporto não sentir arrependimento do outro lado, apenas a ousadia de achar que pôde tratar-me como lhe apeteceu, magoar-me sem que eu merecesse e agora regressar sem dizer com todas as letras que sabe que teve o atrevimento de fazer merda e agir com toda a irresponsabilidade e leviandade possíveis, ferindo alguém cuja atenção teve a sorte de receber.

Acho que as minhas últimas linhas expressam bem quão difícil tudo isto me parece. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pois

"Pois" é um vocábulo que se assemelha a um buraco negro. Conhecido por todos, fala-se dele sem que se consiga defini-lo com exactidão. Complexo mas banalizado, o "pois" é a fuga perfeita para deixar morrer argumentações, conversas, discussões. Apesar da sua categorização gramatical existir, a maioria da população que faz uso da Língua Portuguesa como seu idioma oficial não está apto a classificá-lo morfologicamente, apesar de recorrer à palavra mais desinteressante do léxico nacional inúmeras vezes. A consequência? Dissertações como esta em 0,001% dos casos.

Foi isto que respondi quando me responderam com um "pois". 
Não gosto de "pois".

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

bored.

SO bored. Ninguém é interessante e toda a gente acha o máximo o que eu acho uma seca.

Não sou convencida, era mesmo óbvio.

Leighton Meester
Confesso que a certa altura julguei que era gay. Ele olhava, olhava, olhava tanto... mas vir falar comigo, 'tá quieto. 

Por motivos profissionais, estou constantemente a lidar com pessoas novas. Desta vez, além de muitas pessoas novas, havia uma em especial que era a minha cara. E isso não é frequente, que eu sou miúda para não achar piada a ninguém. Não era novo como eu, não era magro, não era demasiado giro. Era alto, tinha uma barriguinha eu não sou fã de corpos photoshopados e rugas de expressão. Não demorou até que o visse e o achasse digno da minha atenção. Comentei com a minha amiga que a pessoa me estava a fazer olhinhos e em cinco minutos já sabia o nome, quem era, o que fazia ali e que não tinha aliança. 

Ele olhava, eu olhava também. Sentia alguém a fitar-me e quando dava por ela, era ele. Às tantas, já sorria descaradamente e achei que era inevitável - ele teria de falar comigo. Nada. Horas depois, voltei para casa sem mais um episódio engraçado para contar à Mana Lamparina. 

Nos dias seguintes, o filme repetiu-se. O homem só não ficou com dores no pescoço porque Deus foi misericordioso e o quis poupar. Hoje sei porquê.

Já estava cansada de tantos olhares e temi pela minha saúde ocular, que o estrabismo sempre me assustou, pelo que decidi abordá-lo eu, ou a história não avançava (sou um bocadinho ansiosa, vá). Enchia-me de mim, o nariz bem empinado, a atitude de uma diva... e perdia a coragem sempre que me propunha a fazê-lo. Não conseguia cumprir o meu objectivo. Mesmo caminhando toda confiançuda na direcção dele, havia um momento em que ouvia a minha consciência dizer-me que aquilo era uma parvoíce e que se estivesse realmente interessado, o barriguita, como amorosamente foi apelidado pela minha amiga, não perderia a oportunidade de falar comigo. Recuava e passados segundos, lá estava eu a sentir-me observada. E sim, era mesmo sempre ele. Memorizei deixas para meter conversa e sempre que uma oportunidade surgia, era ver-me fugir a sete pés. Hoje sei porquê. 

Quando o trabalho terminou, vim-me embora com a certeza de que tinha escolhido a postura correcta. Não dou confiança a qualquer um e uma mulher como eu merece que um homem tenha atitude suficiente para não estar com rodeios. O contrário não faria o meu estilo.

"O mundo é tão pequeno, mana... se tiveres que te voltar a cruzar com ele, vai acontecer", disse a Mana, quando entrámos no restaurante, para de seguida arregalar os olhos e desatar a rir. Reconheceu-o pelas fotos que lhe mostrei. "É mesmo a tua cara", acrescentou. Ali estava ele, sentado, sozinho, num local bem longe daquele onde tínhamos passado os últimos dias. Não resisti. Sorri-lhe. Fui à mesa dele e depois de uma conversa profissionalona uma desculpa esfarrapada, dei-lhe um cartão de visita. Tão giro, pá. Voltei para a minha mesa, a rir que nem uma perdida. "Ele vem aí outra vez", disse-me a Mana. Tinha ido ao carro buscar um cartão seu para me dar.

No dia seguinte, após uma pesquisa simples, descobri que tem uma mulher e um filho. Foi por isso que Deus o poupou do torcicolo, porque ele estava a ser um homem bem comportado. E foi por isso que nunca fui capaz de dar o primeiro passo, perder a timidez e dar uma de gostosa, estava a ser poupada de uma figura de otária deprimente. Só vos digo: quero um marido assim.

São tantos os cromos que sendo casados e sabendo que eu sei do seu estado civil tentam meter conversa e fazem convites despropositados, que a atitude séria deste gajo ainda me deixou mais embevecida. A minha fé na humanidade aumentou um bocadinho.

E os cartões que trocámos? Bom, se algum dia for abandonado, sempre tem o meu número!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Gosto de pessoas que dizem o que pensam, que pensam o que dizem.

Conheço-o como se conhecem todas as pessoas com quem partilhamos as ruas da cidade onde vivemos. Sabemos quem é o outro durante longos anos, uma vida inteira, mas não conhecemos a sua alma, o que diz o seu espírito, o que lhe dita o gosto e que experiência o faz ser quem é no presente. Na verdade, sabemos-lhe o rosto e pouco mais. Era assim que o conhecia, com o acrescento de que sempre nutri a mesma simpatia por ele. 

Há semanas, do alto da sua idade maior que a minha, veio falar-me. Foi a nossa primeira conversa para lá dos bons dias, boas tardes e boas noites. Fez-me sentir pequenina, por vezes tímida e muito grata. Disse-me que me lia, confessou gostar de me ler. Acima de tudo, revelou estima pela menina que ainda sou, que me esqueço de que ao escrever, sou lida. E alertou-me para os perigos de tanto me expor, abrindo portas para quem só me lê por vã curiosidade, como as velhas que ficam à janela a controlar as entradas e saídas da vizinha. Avisou-me para a maldade desses leitores, que inferem ilações das minhas entrelinhas, deduzindo erradamente a meu respeito e aproveitando todo esse imaginário para me prejudicar. 

Gosto de pessoas que dizem o que pensam, que pensam o que dizem. Gosto de pessoas francas e que me conseguem ver para lá da personagem de mim. Mas a verdade é que se pensar nisso, nessa massa homogénea que retira das minhas palavras o que lhes convém por um qualquer interesse mesquinho, perderei a essência que me faz ser, que me faz escrever diariamente no meu livro cor-de-rosa, que me faz deixar fluir, sem pudores, o que me sai do coração para as pontas dos dedos.

Não sei moderar mais do que já modero. Não sei viver em contenção. Gostava de saber como se tem cuidado com o vento, como se prende uma onda, como se queima fogo. Não sei, talvez nunca venha a saber ser de outra maneira. Talvez um dia aprenda a ser cautelosa. Até lá, que os pequeninos que não me lêem com a pureza com que escrevo possam vir a aprender um pouco mais sobre os dias que gastam interessados em mim e não no que lhes deveria ser importante. É que ao procurarem nas minhas letras todo um ânimo para as suas horas mortas, estão a deixar passar oportunidades de existir no seu próprio mundo, para ficar simplesmente a observar o meu.

(às vezes lembro-me de como foi)

Caroline Wilson
Lutar contra o arrependimento de ter sido tanto para quem é tão poucochinho é das maiores dificuldades que sinto.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O DJ, o cronista e eu.

- Este gajo passa ganda som! - foi exactamente desta forma que as palavras saíram. Com a espontaneidade bruta e crua de quem está absorvido no presente. Aquela noite tinha sido maravilhosa porque as músicas eram perfeitas, umas atrás das outras. Ele adivinhava o que eu queria ouvir e isso é tão, tão raro. Sabem quando nem apetece interromper a música com conversas? Quando nem apetece abrir os olhos? Foi assim enquanto aquele DJ fez da cabine o seu atelier. Não me esqueci do nome dele e nunca mais o vi em lado nenhum. Desencontros.

Anos passaram até que descobrisse e começasse a seguir atentamente um determinado cronista de um jornal nacional, que veio juntar-se aos únicos dois cujos textos não perco, sendo um deles o meu querido MEC. Não leio mais crónicas porque ninguém me prende verdadeiramente, mas aquele fulano, cujo nome não me remetia para referência alguma, emanava uma vibe que me agradou desde o primeiro parágrafo. Lia-o sempre, gostava sempre do conteúdo, da forma e mais tarde, timidamente, comentei-o - algo que nunca gostei particularmente de fazer, nem em blogs. 

Passou-se imenso tempo até que concluísse que o tal DJ e o cronista eram a mesma pessoa. E foi inevitável o espanto e a consequente reflexão acerca de como é interessante que o produto daquela mente me atraia, mesmo sem a consciência de que quem está por detrás das músicas escolhidas ou dos caracteres debitados é o mesmo homem. O que aquela pessoa faz chegou até mim sempre de uma maneira bonita e essa coincidência pareceu-me tão curiosa que, incentivada por alguém com quem a partilhei, não resisti: cheia do meu atrevimento, pus o protagonista a par da sua história em mim. 

Decidi-o não só porque o elogio é subestimado, como também por saber como é agradável quando me fazem sentir que o que fiz foi bom, que foi entendido e que tocou. Infelizmente, é mais fácil criticar só porque sim ou desvalorizar qualquer forma de expressão que seja díspar da nossa. 
E porque a Vida tem especial prazer em surpreender-me, não demorou até que depois desse rasgo de ousadia, tivesse a sorte de me encontrar ao vivo com o DJ que é cronista, por mero acaso e com a certeza de que aquela pessoa é mesmo como a lia: alguém com quem passaria horas à conversa, porque me faz sentir curiosidade. E isso é tão, tão raro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

MODAAFRICA 2017

Contei-vos aqui que durante o mês de Janeiro - e que longo e agitado foi este mês! - estaria envolvida no MODAAFRICA. O evento foi mais que um sucesso, um orgulho para todos os que integraram a sua organização.

Trata-se de uma iniciativa da designer portuguesa Sofia Vilarinho, que pretende promover a moda sustentável e fomentar sinergias entre indústria e comércio de moda socialmente responsável, dando visibilidade a marcas e estilistas de origem africana.

Por outras palavras, imaginem uma fashion week com todos os apontamentos de estilo inerentes a um momento de celebração de moda, partilha de criatividade e demonstração do que pode acontecer se alma e trabalho manual se unirem num só, mas com uma aura cultural africana fortíssima.

Foi em Lisboa, no Instituto Superior Técnico, que se transformou num palco para personalidades distintas, onde os vários criadores permitiram vislumbrar todas as possibilidades da moda afro: por vezes sombria, muitas vezes em explosões de cor, repleta de influências europeias, de raízes quentes e de cortes arrojados.

Os meus desfiles favoritos? Adama Paris, do Senegal, cujas fotos podem espreitar ali, e Liz Ogumbo, a designer do Quénia que também é cantora e que me prendeu com o primeiro modelo e que podem ver acolá.


Há tanto para dizer sobre o que foram os dias 21 e 22 de Janeiro que me parecem escassas as palavras e pobres os elogios. Em todos os responsáveis do backstage, nos magníficos patrocinadores, nas pessoas com quem trabalhei directamente, notei um profissionalismo exemplar, uma simpatia adorável, uma atitude que só pode ter quem realmente gosta do que faz.

Um dos sponsors, que esteve ao lado do projecto pela segunda vez, criou um vídeo que revela muito do ambiente vivido no MODAAFRICA e que me parece ser um excelente resumo do evento.



Se não conseguirem visualizar acima, podem ver aqui, na página da Adega Mor, que marcou presença com os seus vinhos maravilhosos (claro que eu não resisto a um branco, nem em trabalho!).

Apesar de ser um evento de acesso gratuito por guest list, este ano o MODAAFRICA aliou-se a uma causa social e foram angariados fundos que revertem a favor do AAA-Atelier Alfaiates Africanos. O objectivo deste atelier é nobre e merece a vossa atenção.

Se ainda não o fizeram, podem seguir o MODAAFRICA no Facebook e no Instagram, onde são partilhados vídeos e conteúdos interessantes sobre o projecto, para ficarem a par de tudo o que foi este MODAAFRICA'17 e de tudo o que será a próxima edição.

Sinto-me grata pela oportunidade de participar de algo tão bonito. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ténis&casamentos


Uma amiga pediu-me opinião: "O que achas de usar ténis para ir a um casamento?". Esta é uma conversa que dá pano para mangas, gera controvérsia e não pode ser resumir-se a um simples nem penses nisso nem a um claro que sim.

Primeiro, há que ter em conta que um casamento é, por norma, uma ocasião que exige formalidade no traje, cumprimento de protocolos e noções de etiqueta que não podem ser ignoradas. Seria de mau tom, por exemplo, uma convidada usar um chapéu se a mãe da noiva não o fizer. É proibido vestir de branco, por ser um exclusivo da noiva. Do mesmo modo, é impensável escolher um look em preto total num momento como esse, em que a celebração pede alegria e não luto. 
Para não desrespeitar quem nos convida a fazer parte de um dia tão especial, é imperativo ter esta certeza de que a boa educação não tem nada de antiquado e de que a elegância não se encontra apenas nas roupas que se escolhem - mas que elas dizem bastante dos modos de cada um, é inegável.

Posto isto, antes de optar por usar calçado de cariz desportivo e tão descontraído como um par de ténis, é necessário perceber de que tipo de evento estamos a falar. Se se tratar de uma cerimónia muitíssimo formal, será certamente inadequado arriscar. Por seu turno, se a descontracção caracterizar a celebração, existe porque estamos neste século maravilhoso a possibilidade de conciliar o conforto de uns ténis ao outfit festivo, que deverá ser escolhido tendo em conta o horário em que se realiza o casamento, a época do ano, o biótipo de quem o veste, a sua personalidade e uma variedade imensa de condicionantes que resultam na necessidade óbvia de recorrer aos serviços de uma stylist. 

Se após todas estas considerações se concluir que de facto é possível levar esta vontade avante, há fórmulas para fazer funcionar um coordenado smart casual com apontamentos chic que se enquadrem na ocasião.

O primeiro passo é a escolha dos ténis, claro!

Quanto mais simples, melhor. Quanto mais clássicos, melhor. Quanto menos volumosos, melhor. 

Modelos em branco ou preto são quase sempre a melhor opção.

A ideia é que não pareça que calçou a primeira coisa que viu à frente porque torceu o pé com os saltos que tinha pensado levar. Além disso, não pode haver o mínimo vestígio de desleixo: os ténis devem estar imaculados para que possam ser usados numa ocasião tão especial. Além disso, não devem fazer lembrar ginásios, maratonas ou campos de basketball, daí ser preferível evitar as listras de lado (como nos Gazelle ou nos Superstar, da Adidas) e os canos altos.




Se estiver plenamente segura do seu estilo, os básicos com um twist também podem ser uma escolha acertada. A ideia é que seja um modelo clássico, à semelhança dos que se encontram na imagem anterior, mas fabricados num material distinto, numa cor diferente do preto ou branco, estampados ou com apliques.

Pense em ténis simples com apontamentos trendy - é disso que estamos a falar.




Os metalizados são uma opção interessante, já que aliam a sofisticação do brilho do ouro ou da prata às linhas simples e desportivas de um calçado confortável por excelência.


Para usar ténis com classe e de uma forma actual é necessário que todo o conjunto exale personalidade, atitude e cuidado. O objectivo é que os ténis sejam tidos como uma escolha consciente e não como um desenrasque de última hora.
Deixo abaixo exemplos de como transformar este conceito em algo usável:


com saia midi
Uma saia midi numa cor sólida pode funcionar com ténis, principalmente se conjugada com alguma peça com brilho. No exemplo acima, o top em lantejoulas dourado cumpre essa função e o blazer branco confere o acabamento polido, imaculado e formal q.b., equilibrando o look descontraído que os ténis aplicam.



 com um mix de texturas 
Neste look, a exuberância de um casaco com textura e cor ricas e o excesso de brilho do top e da saia são suavizados pela simplicidade dos ténis. Este modelo tem a particularidade de unir o tom de uma parte do outfit ao material de outra, criando uma harmonia inesperada.



com um sleep dress
Ao sobrepor um sobretudo de inspiração masculina, equilibra-se o excesso de feminilidade de um vestido deste género e garante-se a modernidade do look sem ceder à vulgaridade. O uso de uns ténis cheios de embellishments só é possível se forem seleccionadas peças simples como as que protagonizam a imagem acima. 



com um sleep dress comprido
Qualquer silhueta é valorizada se um vestido comprido for aliado a um casaco curto. Este modelo simples numa cor sólida é ideal para usar com ténis mais chamativos. O excesso de simplicidade de umas peças pode e deve ser compensado com a complexidade de outras.



 com um jumpsuit culotte

O jumpsuit deverá ter um corte impecável e pode ser a solução mais confortável sem que se abdique do aspecto composto que se pretende obter num casamento. O truque é adicionar acessórios que emanem aquela elegância tão simples como discreta. Assim os ténis serão mais um elemento do outfit e não o seu ponto fulcral.


O mais importante é que se sintam confortáveis e confiantes relativamente ao que escolhem vestir. E o melhor truque para não errar? Olhar para o espelho e pensar: "Quando vir as fotos deste casamento, daqui a dez ou vinte anos, vou gostar ou achar ridículo?".

Dicas extra: 
- se tiver perna grossa, evite os ténis. Se não quiser mesmo abrir mão deles, opte por um modelo num tom semelhante ao da sua pele ou bastante decotados - quanto mais subidos, pior.
- as peças que não mostram os joelhos são sempre mais elegantes e por isso criam um resultado mais harmonioso quando conciliadas com ténis.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

meia palavra basta.

Descobres que é altura de abraçar a pessoa em que te tornaste. Sentes, ainda que te doa, que é hora de deixar definitivamente para trás tudo o que só ocupa espaço com negatividade. Não vale a pena insistir quando é mais simples - será sempre mais fácil - seres a culpada de todos os males do mundo. És tu, com essa tua personalidade vincada, que por seres tão transparente, por não abdicares daquilo em que acreditas, que és rotulada de vilã. Já devias ter-te habituado. 

Até podes ser a única que perdoa quando diz que perdoa - está resolvido e segues em frente, abres a porta e recebes em tua casa, com um manjar que preparaste com todo o amor e dedicação. 

Até podes ser a única que resolve os assuntos como gente crescida, apenas com quem de direito, e não corre a espalhar por qualquer um que te apareça à frente os detalhes de uma relação que não lhes diz respeito, por não ser deles. 

Até podes ser a única que tem em conta que do outro lado está sempre um ser humano, com sentimentos, ideias, emoções, verdades diferentes das tuas. 

Até podes ser a única que age com lealdade. 

Até podes ser a única que se preocupa, que está lá quando é preciso uma mão amiga, um desenrasque com uma boleia, um ouvido, um "tem calma, tudo se resolve". 

Até podes ser a única a ter graves motivos para se sentir magoada. 

Até podes ser a única a ter vontade de explicar coisas pequenas que para os outros são autênticos gigantes. 

Até podes ser a única a ter noção de que és crescida e não deves satisfações da tua vida privada a ninguém. 

Até podes ser a única a orar por eles, a desejar-lhes bem, a querer que tudo lhes corra de feição. Não interessa. Será sempre mais fácil apontar-te o dedo. Já te tinham dito que ia ser assim. Mas que isso não te irrite, não te fira, não te faça gastar lágrimas. É que já sabias que ias ter aflições por cá. Também sabes o que tens que fazer: tem bom ânimo. E para bom entendedor...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

tempo

Tinha pensado tirar a primeira semana do ano para manter o ritmo acelerado e fazer aquilo que tenho feito melhor ultimamente: trabalhar. Trabalhar muito.

Os meus planos caíram por terra. Primeiro uma dor de garganta, depois o corpo dorido e quando dei por mim, toda eu era febre. Olhos semicerrados e o adormecer em frente ao computador, tentando cumprir aquilo a que me propus.
A certa altura, desisti. Dei-me por vencida, que a gripe pede medicamentos e a pedrada com que fico não me permite sequer sair de casa, da sala, do sofá, do casulo que criei com mantas e almofadas.

Acho que o meu corpo arranjou esta gripe para que eu parasse. Talvez precisasse de descanso. E eu, que não gosto de me sentir imobilizada, usei esta semana para fazer algo que não fazia há muito tempo: pensar. Pensar no que vai dentro de mim, no que quero, nesse meu lado idealista e dado ao vaguear por entre as ideias, os sentimentos e as emoções. 

Redescobri dores que julgava ter aniquilado, senti saudades que não poderia imaginar ainda existirem cá dentro, percebi o que andei a fazer por entre tortuosos caminhos que não me levaram a lado nenhum. Percebi porque comecei certas viagens, porque me deixei levar e onde perdi o amor que digo que já não tenho para dar. Lembrei-me de tudo com clareza.

Só agora o poderia fazer, claro. Quando estamos no meio da tempestade, não podemos perder tempo com coisas complexas, porque o importante é protegermo-nos do frio, do vento e da chuva. Vamos andando, parando por debaixo do que nos cubra um pouco, tentando encontrar refúgios e abrigos. Agora que o Sol começa a dar sinais de vida e a entrar, com os seus fios de luz, nesta casa, posso finalmente perceber tudo o que não pude ver enquanto fugia da intempérie.

E afinal, foi bom tirar um tempo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A crueza não é só perda, mas também o ganho da clarividência.

Foi dor. Pranto, a alma a querer sair-me pelo gemido. Foi angústia. Gritos mudos, a raiva com que a impotência me entrou em casa. Passos pesados, ombros caídos, caminhos demasiado longos para o cansaço que senti. Quis parar, muitas vezes. Quis deitar-me no chão para sempre, até que o tempo me fundisse com a terra. Quis fugir em desespero. Quis romper a película que me separava da sanidade. Quis que me dessem descanso. Sempre que quis alguma coisa, a Vida, já com piedade de mim, deu-me ocupações.

Tomei conta de quem pude tomar conta. Abracei, limpei lágrimas, ouvi, limpei ranho e encostei rostos molhados ao meu peito de mãe sem nunca o ter sido. Dei a mão, deixei que adormecessem encostados ao meu corpo quente, cozinhei para eles, ouvi-os chorar, gritar, balbuciar o que o espírito dizia mas que as cordas vocais não traduziam. E no fim, de tanto me dar, esvaziei-me. Dei por mim naquele caminho longo, sendo mutilada a cada passo, mas já sem o meu aconchego cá dentro, sem brilho no olhar. 

E sempre que quis alguma coisa, a Vida, já com piedade de mim, deu-me ocupações.

Sempre soube que era forte, mas ninguém me tinha contado que podiam quebrar a nossa estrutura. Mesmo assim, continuei, um passo depois do outro. Cada vez mais perdas, cada vez mais dores, cada vez menos lágrimas.


Por entre a aridez do que fui observando, experienciando e sentindo, houve pequenos rasgos de amor. Como escrevi algures, flores delicadas que surgem por entre as pedras, resistindo às mais duras tempestades. Permanecem ali, embelezam apenas por existirem, por estarem, por serem. 
Por entre tudo o que perdi, por entre todos os que perdi, com ou sem morte física, houve um renovar da flora ao meu redor. A crueza não é só perda, mas também o ganho da clarividência. 


Despi as roupas antigas e sou outra. Ainda me estou a redescobrir, que ninguém volta da guerra igual. Sou outra pessoa e não me reconheço em tantas atitudes e comportamentos. Estou menos princesa, mais mulher, mais real. Já não me esforço. Já não me dou. Já não me rio tanto. Estou mais fria, não acredito em nada. Respondo à mágoa com silêncios. Não quero cumprir obrigações. Dou mais atenção ao meu querer. Amo mais os meus. Perdoo mais, quando foram pequenos detalhes a incomodar-me. 

E depois, depois abre-se um novo livro, mais páginas em branco para preencher com termos novos e enredos menos negros. Quero um ano novo com riso, que saudades que eu tenho de rir todos os dias. Quero um novo ano com cores alegres, aventuras com finais felizes e abraços que não sejam de consolo.

Para vocês, quero um novo ano como o desejam.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

23 de Dezembro de 2017

Desde Outubro que não vos escrevia. Desde Outubro que aconteceram muitas coisas, imensos acontecimentos por dia, muitos dias intensos.

A minha vida profissional não me deixou grande tempo para o lado pessoal, nos últimos meses. A colaboração com a Creative Academy trouxe um ritmo alucinante às minhas semanas, senti-me tão exausta como grata. Na verdade, os meus trabalhos tornaram-se no meu estilo de vida, na medida em que não sobrou espaço para os momentos com a família, com os amigos ou com os meus gatos. Não cozinhei tanto, não escrevi tanto, não li tanto. Não pude ir a muitos jantares, cancelei muitos cafés e fui poucas vezes ao cinema. Tive poucas tardes para não fazer nada, muitos serões de fim-de-semana agarrada ao computador a trabalhar para as minhas clientes de Consultoria de Imagem, muitas sessões de personal shopping após longos dias na academia, para chegar a casa sem forças para mais que um banho e cama. Quase não vi televisão nem passeei pelas ruas da cidade.

Houve pessoas com quem consegui ir estando ou conversando, aqui e ali, principalmente aquelas com quem partilho projectos profissionais que pretendo desenvolver já a partir do próximo ano.

Sinto que, no que ao nível pessoal diz respeito, estive em stand-by. Perdi momentos muito importantes em que desejei estar junto de pessoas de quem realmente gosto e a quem falhei, por causa do trabalho. Estive demasiado cansada para conseguir convidar a minha amiga que está magoada comigo para passarmos um bocado juntas. Perdi disponibilidade.

Por outro lado, ganhei muito. Como em qualquer experiência laboral, ganhei tarimba e a certeza de que sou mesmo versátil. Fiz tanto, que ganhei também, além de mais um item no currículo, mais orgulho na mulher que sou. Fiz o que pude, o que consegui e o que sabia. O que não sabia, aprendi. Ganhei pessoas, tantas, tão maravilhosas. Desde o primeiro dia e até que me queiram por perto. Aprendi lições importantes, relembrei como é bom ser quem sou.

Hoje é o meu último dia enquanto colaboradora da Creative Academy. Confesso que já deixei escapar uma ou outra lágrima, que vou sentir falta de cada um dos meus colegas. O que vivemos nesta empresa é de uma intensidade impressionante, pelo que é impossível evitar que cada um deles não me marcasse de um modo especial. Tive de tudo: uma confidente que quis proteger, uma companheira de equipa com quem partilhei risos e trabalho em parceria, uma para me mimar, um para me fazer rir, uma para me salvar o dia e abraçar-me quando precisei, uma para me aquecer o coração com um chá, outra para me dizer verdades que precisei de ouvir, uma com quem dividi stress e ansiedade...

Está a fazer-me confusão abrandar o ritmo, mas a minha alma pede-me que dê tempo ao que quero construir, que crie espaço para que entre tudo o que de bom há-de chegar. E eu vou.

A partir de hoje, estarei de férias, dedicando uma semana a tudo o que é realmente importante. Em Janeiro, desempenharei funções enquanto Social Media Manager da Moda África. A partir daí... bom, a partir daí ainda é segredo, mas conto assim que puder.

Embrenhada entre a Comunicação, o meu grande amor, e a paixão pela indústria da Moda, vou definindo o meu caminho com a frescura de uma miúda entusiasmada e a experiência destas três décadas de mundo e dos meus longos sete anos enquanto adulta trabalhadora.

Terei certamente tempo para escrever no meu lampas, que também ficou na prateleira.

Entretanto, deixo-vos, como sempre, os meus votos de Feliz Natal e o desejo de que no próximo ano estejamos mais presentes aqui. Eu deste lado e vocês, desse!

Não se esqueçam de dar prioridade ao que mais importa: o que está dentro do coração.

Até já!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

primeira segunda-feira de outubro

hoje dói-me tudo, hoje choro a despedida de algo que terminei em mim. matei em mim. rasgo de mim. em simultâneo, assusta-me a frieza com que me sinto lidar com o que mirrou cá dentro. a minha postura hoje faz-me lembrar o rosto do meu pai quando estamos num funeral de alguém querido. ele chora por dentro, o semblante fica carregado, mas não se desfaz num pranto inconsolável. já não me sentia pedra, fria e dura, há muito tempo. já não me sentia esta mulher irascível há muito tempo. já não permitia que os meus instintos mais básicos me comandassem há muito tempo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O que muda com os 30

SJP
Os trinta são os novos vinte e continuam a perguntar-me onde estudo... mas um ano depois de ter entrado nesta casa, já posso dar-vos um lamiré do que realmente muda:

papos nos olhos | Noites mal dormidas já deixam rasto no rosto. Os olhos inchados não enganam ninguém e nem o melhor dos cremes consegue apagar os vestígios da falta de sono. Sinto-me um peixinho destes de cada uma das vezes em que me armo em crédula e espero que o creme para o contorno ocular faça milagres (ajuda muito, btw).

pele sensível | Sair à noite e estar exposta a ambientes quentes e com fumo funciona para mim como andar de metro: a minha pele simplesmente não gosta. As impurezas aumentam os níveis de oleosidade e por isso, volta e meia sou obrigada a fazer máscaras de argila, caso não queira parecer o abdominal de um gajo da Casa dos Segredos. Além disso, tenho medo de pontos negros e afins.

dores nos pés | Não há cá noitadas inteiras dançando alegremente sobre 15 centímetros de saltos agulha. Não há dias de compras em cima de sandálias altíssimas. Não há pão p'a malucos. É uma chatice ter que pensar constantemente em aliar conforto à elegância, mas como consultora de imagem até me ficaria mal dizer que não gosto do desafio, certo?

retenção de líquidos e inchaço | Uma pessoa anda um bocadinho a pé, vai a ver e já não tem tornozelos. Um diazito sentada à secretária e eles insuflam, qual Kim Kardashian durante a primeira gravidez. São as tiras das sandálias que apertam, as sabrinas que vincam, não se aguenta.

gordura muda de sítio | Surpreendente. Antigamente o foco das gorduras eram as minhas ancas, o meu rabo e as pernas. Agora fica ali tudo condensado na barriguinha, podendo até criar pneu. Fico louca.

aceitação | Já sabemos quem somos, que características fazem de nós este ser admirável. Pessoalmente, já uso peças que mostram as pernas que não são como as da Naomi - e então? Já percebi que as maminhas menos grandes também são o máximo e abdico do uso de soutien de vez em quando, mesmo para sair de casa (dependendo do que escolhi para vestir, claro). Há vestidos que funcionam muitíssimo melhor sem quase nada por baixo, pareço sempre mais magra e o conforto é imensurável.

já não estás para merdas porque sabes o que não queres | Ele não é aquilo que nós queremos? Não há cá tretas, fiofós nem gaitinhas - baza! Não há desculpas para desleixos, indecisões ou tangas pseudo-traumáticas. Ou quer ou não quer. Ou é ou não é. Cá merdas...

tens cuidados contigo que não pensavas ter | Pelo sim, pelo não, apostamos nuns tratamentos para o cabelo que vem aí o Inverno. Bebem-se litros de chá de cavalinha para ajudar na treta da retenção de líquidos, marcam-se drenagens linfáticas e ainda uma sessão de osteopatia que não posso com as dores nas costas. 

divertes-te com coisas nada divertidas | Arrumar a casa, cozinhar um monte de coisas "só para depois não ter que pensar muito no que vou fazer para o jantar... assim os brócolos já estão cozidos!", ficar no sofá enrolada numa manta a ler posts como este.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

do arrependimento e de como dói

Sempre preferi arrepender-me do que faço para não ficar com arrependimentos quanto ao que não fiz. A verdade é que raramente me arrependo de algo, porque acredito que se decido fazer alguma coisa, isso deve-se à existência de um motivo. Há sempre uma razão que justifica e valida o meu comportamento ou a minha atitude. Desta vez foi diferente: nem o motivo me livrou do peso que só quem se arrepende pode sentir.

Valeu-me apenas ter um Deus que me deu como Amiga alguém muito especial, que me chamou até à superfície da razão, que com franqueza pôs as cartas na mesa e que por me conhecer por dentro tão bem como eu me conheço, me fez ver. Fiquei à nora, porque um 6 também pode ser um 9 se for visto ao contrário. E ela ajudou-me a ver ao contrário. Consegui ver-me do lado de fora e senti as minhas falhas mais profundas. Doeu. Foi como se me abrissem a sangue frio.

E depois de ter perdido tanto este ano, senti o pavor de não querer perder também quem está vivo. Então lembrei-me das palavras da Mana: "Não precisas de ser essa pessoa para o mundo inteiro. Há quem não mereça essa versão."

Hoje sinto-me grata por ter quem considere não desistir de mim mesmo depois da manifestação da minha agressividade. E mais grata ainda por ter entendido que não posso ser sempre a dona da razão. Que ser tão intransigente e radical só por defesa, só por medo de me magoar, só porque fugir é mais fácil ou confortável, não me trouxe segurança. Que esta frieza não faz sentido sempre.
E aos poucos, tenho tentado perder o medo de ser a miúda doce para aqueles que amo. Tenho tentado disciplinar-me para ver sempre, sempre o lado deles. Tenho tentado confiar um bocadinho mais. Espero conseguir mantê-los aqui. Espero mesmo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

calo o gemido

Olho à volta e não sinto que faça parte disto. Deste rebanho. Parecem ovelhas, parecemos ovelhas, vamos todos na mesma direcção, apesar dos diferentes destinos. Vamos todos de pé, a carruagem cheia e os olhares tão vazios. Vão todos sozinhos, vamos todos sozinhos, apesar de estarmos no meio de uma multidão. Apesar de estarmos rodeados de gente sozinha. 
A maioria vai de smartphone nas mãos, que é mais fácil comunicar através de um écran do que sorrir para quem está ao nosso lado. Auscultadores enfiados nos ouvidos e assim ninguém mete conversa. Aquele ali pode estar sentado ao lado da mulher da vida dele, mas é no tinder que procura o match perfeito. 
Abrem-se as portas. Saem em manada. Saímos em manada. Seguimos pelo mesmo corredor atafulhado de gente, atafulhado de pessoas sozinhas que seguem num aglomerado populacional que nem permite ver a cor do chão. 
Saio do metro e tenho que parar nas escadas. Já vejo o céu daqui. Preciso de respirar. Não era aqui que queria estar. Não foi este o quadro que pintei para o meu futuro. A minha vida adulta não era desta cor nem tinha este aspecto. Será que tenho que passar por aqui para lá chegar ou estou a desviar-me completamente da rota? Ainda não são dez da manhã e em vez de estar no epicentro da confusão deveria estar a arrumar a mesa do pequeno-almoço que preparei de véspera para os miúdos. 
Tento esconder estas lágrimas por detrás dos óculos de sol, saco um cigarro que fumo rua acima. Eu não quero ser um deles. Calo o gemido, lembro-me da força que guardo dentro de mim e avanço. Os passos pesam-me. Respiro fundo e entro. Para quê?

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

F É R I A S


Este blog está oficialmente de férias! Lady Lamp volta em breve, com mais dissertações, disparates, muitas dicas de #anarendallstylist, prosa poética, opiniões, episódios aleatórios, dramas existenciais e o bronze em dia, claro! Até já!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

As pessoas não gostam de honestidade.

Beyoncé
As pessoas não gostam de honestidade, dizia um amigo. As pessoas não gostam da coerência de quem age em concordância com o que sente ou pensa. As pessoas preferem o cinismo. É-lhes mais confortável a hipocrisia. Quem diz o que pensa, quem manifesta desagrado, é louco. 

Não sou dessas que dizem o que lhes apetece sem ponta de educação e de respeito pelo outro - essa é a versão enviesada, foleira e barata da honestidade. Erradamente, consideram-se honestos aqueles que deitam cá para fora toda e qualquer parvoíce que lhes passa pela mente, sem filtros, sem cuidado para não ferir susceptibilidades alheias e sem noção dos limites e das fronteiras do espaço privado de cada um. Não é com essa conduta que me identifico nem é a ela que me refiro. 

Quando o assunto é honestidade, falo da natural frontalidade que sinto como obrigatória em qualquer relação. Seja no campo profissional ou no meu círculo de amigos, tento sempre falar, ou não fosse mulher de Comunicação. Acredito que é através do diálogo que se resolvem e esclarecem todo o tipo de atritos ou mal-entendidos, embora por vezes me esqueça de que para haver diálogo é preciso que existam, pelo menos, dois seres humanos que cumpram funções de emissor e de receptor, caso contrário, a mensagem não é veiculada, recebida, interpretada, discutida. 

Às vezes, não serve de nada dizer. E quando assim é, se antigamente me dava ao trabalho de escarafunchar até receber sinais de vida do outro lado, agora não tenho pachorra: vou-me embora. 
Demorei muitos anos até perceber que não posso entrar na cabeça ou no coração dos outros e fazê-los ver, percepcionar e sentir o que eu sinto como real. Que as realidades variam de pessoa para pessoa, que cada um terá a sua verdade e que não me compete resolver todo e qualquer problema. 
Demorei mais anos ainda até perceber que só sou responsável pelo que digo ou escrevo, não pela interpretação que fazem disso.
E demorei uma vida até perceber que a única coisa que devo e posso fazer é proteger-me. É por isso que quando a energia não flui naturalmente, quando o clima me incomoda e começa a afectar a minha boa vibe, me afasto. 

Reparo que a maioria das pessoas que conheço teme tomar qualquer atitude que desagrade os outros, mesmo que os outros não tenham cuidado com elas. A maioria das pessoas que conheço teme o confronto ou qualquer postura que não seja adorável, gentil ou que represente um sacrifício qualquer. Por outras palavras, não querem que caia mal se fizerem o que lhes der na real gana. Então continuam a expor-se a energias negativas, continuam a ter contacto próximo com pessoas que não lhes fazem bem e cuja presença as incomoda, continuam a depositar em si rancores e a albergar ressentimentos, em prol de uma tradição ou costume que criaram nos seus cérebros. E esta resistência à óbvia mudança não é positiva. Mas já lá vamos.

O que me fez pensar nisto foi a simples observação de vários momentos e situações que vivi nos últimos tempos. Reflexão feita e concluo que eu, que optei por dizer e me afastar quando não me senti amada como mereço, bem-vinda ou agradavelmente recebida, dei por mim feita vilã, como quem perturba a paz do planeta por se preservar e estimar. 

Feitas as contas, só eu tomo conta de mim, do mais íntimo do meu ser, da minha alma. Não quero atribuir a ninguém a responsabilidade de interferir de algum modo na minha paz. É esse o único motivo que leva a que me resguarde de tudo o que não contribua para o meu bem-estar. E faço-o sem mágoas, sem dramas, sem fitas, porque aprendi que nesta nossa passagem por cá, as pessoas vão, voltam, surgem e tornam a ir, como tiver de ser. Quando desrespeitamos esses ciclos, sorvem de nós e nós poluímos o ar dos outros. E se assim é, mais vale aceitar e deixar ir, aceitar e deixar vir. Daí ter escrito que a resistência às mudanças não é positiva.

Sei que há pessoas com quem temos ligações mais profundas e que se vão mantendo ao nosso lado, mas também admito que sejam poucas. Num mundo povoado por seres que ignoram conceitos básicos e simples como a lealdade, não poderia ser de outra forma. 

Certeza de que não abdico é a de que não abro mão dessa transparência, dessa fidelidade ao Eu, de que a franqueza sincera e a negação da hipocrisia são estandartes. 

Há muitos anos, alguém me ensinou a depositar nos outros o peso que deixam em nós. A história era mais ou menos esta: certa noite, uma mulher já farta de sentir o rebuliço do marido pela casa durante as madrugadas, perguntou-lhe o que lhe tirava o sono.

«- Todos os dias, o Manuel me liga a perguntar se já tenho o dinheiro para pagar o que lhe devo. À noite não consigo dormir porque sei que me vai ligar pela manhã com a mesma questão.

- Ah é? Ele faz isso e é isso que te rouba a paz?

- Sim, porque tenho trabalhado imenso mas ainda não reuni o montante necessário e já não sei o que lhe responder.

- Deixa estar. Eu resolvo.»

Expectante e muito ansioso para descobrir que solução havia sido encontrada, o marido viu a esposa pegar no telemóvel, marcar o número do Manuel e dizer:

«- Manuel? Daqui é a esposa do Joaquim. É só para avisar que ele não vai pagar a dívida amanhã. Nem depois. Nem para a semana. Pode parar de ligar.»

Desligou imediatamente a chamada e perante a expressão incrédula do marido, saiu apenas:

«- Pronto, está resolvido. Podes dormir tranquilo que agora quem não dorme é ele!»

Permitam-me a analogia, é mais ou menos isto que me faz acreditar que a expressão do desagrado não é inútil. É que quando revelamos ao outro que não gostámos de algo, o peso sai de nós e fica do lado de lá. Retiramos de nós o que nos aumentou a carga e depositamos na origem. Claro que não defendo a acusação e o julgamento gratuito, mas creio que de uma forma saudável, é este desanuviar que ajuda a manter a paz cá dentro. Porque essa não pode ser abalada por atitudes que não foram minhas. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

...e graças a Deus, ouvi apenas uma vez a piada do «Agora é que vai ser um 31!».

Candice Swanepoel
Seja em modo Surprise Party ou planeado por mim com direito a dress code, os meus aniversários são sempre sinónimo de casa cheia, gargalhadas, o cheirinho dos grelhados do pai, da cachupa da mãe, música, danças, o show da Mana, o momento em que me conseguem arrancar uma cantoria, sangria, semi-frio de morango e de maracujá, muita comoção e consequentes lágrimas minhas, abraços e mimos, conversas e imensas fotografias para mais tarde recordar. A noite nunca termina antes das sete da manhã e por vezes, o pequeno-almoço é lá em casa. Há quem fique para dormir e quem regresse para almoçar e jantar.

Este ano foi diferente. Depois de um dos semestres mais pesados e difíceis da minha existência, pedi a Deus que o meu dia fosse cheio de paz. Só isso. E foi tão bom. Não quis fazer uma festança, não quis a agitação nem a euforia, não quis mais que sossego. E foi tão bom. Jantei no meu restaurante preferido com pessoas que são uma constante no meu caminho, estive com outras que são uma surpresa boa. Nunca tinha feito praia no meu dia nem tinha tido três bolos de aniversário. Abraços, beijos, presentes lindos, a minha música, sorrisos, mãos nas minhas mãos, espumante cor-de-rosa, um exagero de pratos que adoro, a melhor praia, muito Sol, uma surpresa desconcertante, tanto mimo e ainda hoje, a gratidão. 

A consequência directa de tanta bênção é passar a semana a chá de cavalinha que é para não me armar em glutona.

«Quando eu era mais novo, havia uma coisa muito bonita que era a sedução.»

Megan Fox
Quando eu era mais nova, isso ainda existia. Ainda havia flores para oferecer e músicas para dedicar. Ainda havia mensagens bonitas e surpresas românticas, tudo sem receios de soar a foleiro.

- Vem à janela.
- Porquê? O que se passa?

E ele, lá fora, com uma cartolina com os dizeres «Amo-te Ana».

Parece ridículo, mas é tão bom abraçar a vulnerabilidade e a exposição com o objectivo único de fazer o outro feliz. E chamem-me machista, antiquada ou quadrada, mas é tão bom ver um homem não ter medo de cortejar e é tão bom ser mulher e ser tratada como tal, sem ter que fingir não ter sentimentos, sem simular frieza, que isto hoje em dia é tudo pão, pão, queijo, queijo, meio à bruta, sem rodeios nenhuns. Como se de máquinas nos tratássemos, tudo mecânico e sem mel, numa perversão do amor ou total ausência dele e de química, só física e atracção.
Gosto das nuances da sedução, das subtilezas das entrelinhas, dos olhares. Gosto das coisas à antiga. Da segurança no gesto e na atitude, da certeza do que se quer. Com classe.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Stenders

Durante a loucura dos Fashion Days no CascaiShopping, tive um contacto privilegiado com muitas marcas. Pude conhecê-las por dentro, ficar a saber um pouco mais sobre as suas histórias, perceber como funcionam para lá do que recebo e depreendo enquanto cliente. E houve uma que me apaixonou especialmente, talvez por nunca ter ouvido falar dela: a Stenders.

Não há em Portugal outra loja da marca nascida em 2001 com base na sabedoria ancestral oriunda da Letónia.

O espaço é pequeno, acolhedor e tão amoroso que se torna impossível não querer experimentar cada produto. Na minha primeira visita, fui muitíssimo bem recebida pela Joana, que cheia de pinta, carisma e simpatia, me aplicou um esfoliante na mão. O que aconteceu deixou-me boquiaberta: parecia que tinha feito um hammam localizado, tamanha a diferença de brilho e suavidade entre a esquerda e a direita.


Depois de uma introdução tão convincente como agradável, quis conhecer a restante oferta da Stenders, que inicialmente se dedicava apenas ao fabrico de sabonetes principalmente compostos por ingredientes naturais - extractos vegetais, óleos essenciais e ervas secas.


Actualmente, além da enorme variedade de sabonetes, a Stenders disponibiliza outros produtos cosméticos, oferecendo uma gama completa de produtos de rosto, corpo e cabelo, para uso diário e para proporcionar rituais de aromaterapia especiais.
O meu produto preferido foi um perfume. Já passaram imensos dias e ainda não o esqueci. É "o" perfume. Maravilhoso, totalmente a minha cara e durou horas e horas na minha pele. Ainda não fui buscá-lo, mas aproveito para avisar que faço anos no próximo dia 24. Glamorous Gold é descrito como sendo uma fragrância «com notas quentes e aveludadas, para adicionar riqueza, profundidade e um esplendor luxuriante e requintado». O preço também é muito agradável: 35,90€. 

A amplitude da oferta é tal que a secção voltada para a casa não foi esquecida. A  marca assume-se como «gardener of feelings» e tendo em conta a sua essência ligada à natureza, às plantas, é inegável que lhe assenta como uma luva. A todo o conhecimento tradicional que baseia a sua actividade, a Stenders não prescinde de uma equipa de especialistas experientes de laboratórios europeus de cosmética.  
Vale a pena visitar o CascaiShopping para conhecer este espaço mágico, para nos perdermos nos aromas, na delicadeza das embalagens e para nos deixarmos surpreender pela eficácia dos produtos. Saibam mais sobre a Stenders no facebook, aqui. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

segura num abraço

Audrey Hepburn
Aquela sensação de leveza e de adrenalina, não a sinto. Nunca mais a senti. E quando finalmente quis atirar-me novamente para esse doce abismo, o chão escapou-se-me. Foi por isso e pelas sucessivas dores que os outros me causaram - amigos em quem depositava confiança, principalmente - que me fui fechando em mim, porque eu não me firo. Não me traio, não me minto, não me desiludo. Eu não me morro. Então assim que sinto no ar a probabilidade do apego, fujo. Procuro motivos para me afastar, invento defeitos para continuar em paz. E esse estado de paz implica obrigatoriamente a ausência de romantismos e floreados. Construí muralhas tão altas, tão espessas as paredes que me rodeiam. Quando abro uma pequena fresta, à mínima ameaça à minha segurança, tranco tudo novamente. 

«Eu não posso ser penalizado pelo que outras pessoas te tenham feito» - verdade. E até lamento que não seja capaz de mostrar o quanto já gosto, o quanto quero. É-me mais fácil simular desapego, fingir desprendimento, numa indiferença forjada que esconde a doçura que nem quero assumir que existe.  

«Não podes ficar assim de cada vez que as coisas não acontecem como queres» - verdade. E até me podem cair lágrimas ao ouvir uma frase que um amigo que perdi me disse tantas vezes, mas do outro lado do telemóvel, só se sentirá frio. 

Não aprendo depressa, não sou simples e descomplicada, mas quem sabe se um dia não me dão a volta? Quem sabe se um dia não me volto a sentir segura num abraço e a querer ficar? Quem sabe se não consigo deixar de ter medo?  

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Fashion Days

Estive dez dias submersa num desafio intenso e muito mais enriquecedor do que poderia imaginar. Uma experiência que teve tanto de cansativa como de bonita, principalmente pelas pessoas - são sempre elas que contam. As que integraram a minha equipa, as que passaram a fazer parte da minha vida porque ganharam um lugar no meu coração, as que partilharam comigo fragilidades e que no final de uma consulta se abraçaram a mim de lágrimas nos olhos. 
Não vou esquecer a Sílvia, que não se sentia bonita há anos... nem a Manuela, que saiu da sua zona de conforto e depois de meia hora comigo, não resistiu - foi chamar-me para que a acompanhasse por mais lojas e permitiu-se vestir a pele da mulher que há tanto tempo queria ser. E marcou-me também a Soraia, uma menina de 19 anos que começou por se apresentar como «uma bolinha» e terminou a sessão de Personal Shopping consciente de que o problema nunca são as nossas curvas, mas sim os cortes e os tecidos que escolhemos para cobri-las.




Praticar Consultoria de Imagem sem futilidades mas actuando de dentro para fora, mexendo com a auto-estima, a confiança no que somos e abrindo portas para novas fases, mais felizes e repletas de oportunidades, é sem dúvida muito especial.







Os Fashion Days são perfeitos para que os clientes dos shoppings em que a acção decorre se sintam mimados, já que tornamos uma simples ida às compras num aconselhamento personalizado, exclusivo e requintado. Além de experienciar gratuitamente um Personal Shopping, houve muitos mimos: de Happy Hours a champagne ou mordomos com charriots para transportar os sacos, tudo foi pensado para que naquele momento os clientes se sentissem a viver o puro luxo.

A quantidade de pessoas que nunca tinha experimentado os serviços de uma Consultora de Imagem era enorme e a verdade é que depois de uma sessão de compras com acompanhamento profissional, dificilmente abdicarão da nossa presença.

Foi um prazer enorme ter sido escolhida pela Karacter Agency para integrar este projecto da Promofans e do grupo Sonae, no CascaiShopping.


[Deixo ainda um agradecimento especial à Wells por me permitir experimentar cremes para pernas cansadas (só tenho 30 e já me viciei em produtos para idosos!).]

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Adda.

Obrigada por mais de uma década de companhia leal, de mimo, de protecção, de carinho, de doçura. 
Passou num instante. 
Ainda ontem estávamos a receber-te pequenina num cestinho de verga. Chegaste numa Páscoa e a Mimi ainda usava totós no cabelo. De repente, já não estás cá, minha Addinha. Adícola. Adda. Linda nesse porte de cadela com classe, bruta todos os dias, alegre como uma cachorrinha. Presente à lareira, nos passeios gélidos do Inverno, nas festas lá de casa, a tua pata na minha perna quando me vias chorar.
No dia em que tirei esta foto, fomos à praia para comemorar o facto de estares melhor. Divertimo-nos tanto, não foi? E nos últimos tempos, a tua sorte foi teres tido o melhor veterinário do mundo e é por seres parte da nossa família que choramos com saudade. Nunca estive tanto tempo sem ir a casa e agora tenho medo de chegar sem ser recebida por ti, como sempre. Em criança tinha a certeza de que no Céu também caberiam os animais. Espero que seja verdade. 
Até já.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

CLASH | democratização do luxo

A perfumaria sempre fez parte da minha vida. Desde que me lembro de mim que uso perfumes e a minha mãe teve até uma pequena perfumaria de luxo durante a minha infância e adolescência. Do Oilily ao Tribu, da Benetton, há um cheiro para cada idade, cada fase da minha existência: o Light Blue, by D&G, o Tommy Girl, o clássico Burberry, o Ultraviolet by Paco Rabanne... foram tantos que acho que só quando descobri o Chance de Chanel na Faculdade, estagnei. É a minha assinatura, que alterno apenas com o Elie Saab, que amo de paixão. Gosto de aromas sexy e femininos: amadeirados, adocicados mas não enjoativos e sempre com musk na sua base. Opto sempre pelas versões Parfum em detrimento das Eau de Toilette (podem ler mais sobre as diferenças entre um e outro aqui) e gosto da saber que as outras pessoas associam determinado cheiro à minha pessoa - a memória olfactiva é muito, muito forte! 

E se sempre fugi dos perfumes que não integram um determinado segmento de marcas, por duvidar da sua qualidade, durabilidade na pele e pormenores do género, hoje venho partilhar convosco a melhor surpresa que tive nos últimos tempos. Aposto que já conhecem: Clash.

 








A marca britânica chegou a Portugal em 2014. A primeira loja a nível mundial abriu no Amoreiras Shopping Center e hoje contamos também com espaços Clash no Vasco da Gama ou no NorteShopping. Ao que parece, o nosso país é para lá de espectacular para testar novos conceitos, daí termos o privilégio de experienciar a democratização da alta perfumaria. 




Não se trata de uma marca branca, mas sim de uma marca com mais de 40 fragrâncias exclusivas, desenvolvidas por grandes perfumistas, conhecidos por criarem 15 dos 30 perfumes mais vendidos em todo o mundo (D&G, Tommy, Dior, Nina Ricci, Gucci, Givenchy...). A Clash Fragrances reuniu os melhores perfumistas do planeta para desenvolver as suas fragrâncias - Daniela Andrier, criadora do Prada Candy; Guillaume Flavigny, que desenvolveu o Balmain; e Sonia Constant, criadora do Burberry Burberry Sport for Men, são alguns dos nomes que assinam as criações Clash.



A organização das lojas é muito simples e os perfumes estão divididos por colecções: Riot, Urban Chic, In Love e #Girl, para mulher; Riot, Suit & Tie e Sporty, para homem. 



Mas nem só de perfumes vive a Clash: sabonetes, velas aromáticas, várias opções relacionadas com o olfacto e sempre com a exclusividade e a democratização do luxo como pano de fundo. 

E se a sofisticação é óbvia a partir do momento em que entro na loja, garanto-vos que os preços me deixaram rendida. Se não acreditam, digo-vos eu que os perfumes variam entre os 25 euros (frasco de 50ml) e os 40 (frasco de 100 ml). 


Já toda a gente se rendeu à Clash. E vocês, vão hesitar?