sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Memória de dores idas

Jessica Alba
Sentir o medo, sentir o frio, sentir a chuva cair em mim. Ter a tempestade toda no peito e os maremotos vertidos pelo olhar. Como almofada este degrau de pedra, como cobertor um vendaval. O abandono rasga a pele, fere o sensorial e é adubo para aquele gemido com que corto a noite quieta.
Como um cão perdido num monte que só e visto pela lua, assim era eu, que também só ela testemunhou a minha tragédia.
Podia ter sido menor o dano, não poderia ser maior a dor.

5 comentários:

Ao Virar da Esquina disse...

Estas palavras marcam. Explicam o que muita gente sente e não consegue explicar.

Belo dom da palavra este que tu tens.

Beijinhos

menina lamparina disse...

A escrita é uma catarse. Às vezes preciso de verter a lembrança de momentos profundamente dolorosos para atenuar tudo aquilo que ainda me fazem sentir.

Obrigada pelo "dom da palavra" :)

Beijinho*

Tamborim Zim disse...

:) Abrir as janelas e deixar o sol entrar, como dizia o avô Maia. (Os Maias, o meu livro preferido.)

Maria disse...

Gorgeous. maravilhoso mesmo!! poderoso na descrição, parece que sabia exatamente o que estavas a sentir :-) bjo**

menina lamparina disse...

Essa expressão marcou-me, Tamborim Zim. Grande coincidência! :D

Maria, é horrível que existam momentos assim...

Beijinhos :)*