sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Hoje vou matá-las.

Blake Lively & Leighton Meester
Num mundo tão pequeno mas tão cheio de gente medíocre, podemos considerar-nos sortudos se por acaso encontrarmos uma pessoa cuja alma compreenda a nossa, a aceite, a afague. A mediocridade não é de hoje - é um defeito da espécie. O problema é que na crise de valores que atravessamos, não há qualquer pudor em demonstrar a mesquinhez, a falta de carácter, a ausência de princípios.  É como se demonstrar ser-se baixo fosse uma afirmação de personalidade. "Sou uma pessoa de cócó, mas pelo menos sou diferente e único, não tenho medo de ser assim, digo o que me apetece e pronto. Por isso, ou me aceitam, ou então azar. Porque sou super especial e não preciso da aprovação de ninguém." - acreditem ou não, pessoas queridas que lêem o lamparina, há mesmo gente assim.
Ela é a minha melhor amiga porque ninguém se mete entre nós. Não descuramos a protecção do que nos une, nem deixamos de estar atentas ao que nos rodeia. Cuidamos, ainda que agora à distância, uma da outra. Acompanhamos, lado a lado, as vitórias, os sucessos, as lutas, os dramas e as dores. Não censuramos comportamentos, ainda que possamos chamar a atenção para o que acharmos não ser o mais correcto - de fazer, de dizer, de pensar. Se eu errar, sei que ela não me vai dizer "eu avisei" e virar costas. Ela vai estar lá, bem juntinho, para ajudar a apanhar os cacos do coração que mais uma vez, por negligência, deixei que se partisse. Se sorrir de felicidade, ela não me vai invejar nem tentar apagar o brilho da alegria que sinto. Vai sorrir também e sentir-se em paz por me ver bem.
Ela é a minha confidente. E eu confio. Sei que não vai agir como muitas supostas amigas que tenho tido o infortúnio de observar... que vendo o sofrimento e a gravidade de um problema alheio, não se coíbem de o espalhar por cada esquina onde encontrem alguém ávido de informação.
Ela é a única pessoa que me faz ter vontade de ir a algum sítio quando já não me apetece mexer-me do sofá. Se eu estiver cheia de sono e ela me desafiar para uma saída, eu tenho automaticamente vontade de a acompanhar. E com ela divirto-me sempre. Porque falamos só com os olhos, rimos das mesmas coisas e ela não se importa com os meus vaipes de cantora ou de "sinto-me sexy". E quando eu lhe digo que ela é o verdadeiro amor da minha vida, ela percebe. Se eu fosse um gajo, namorava com ela.
E tudo isto é recíproco. Quando deixámos de viver juntas, porque a vida nos faz crescer e atravessar fases diferentes, houve sempre em mim a segurança, a certeza e a convicção de que seríamos sempre parceiras. E estava certa.
Com ela, aprendi a ser mais moderada no julgar, mais serena na discussão. Sempre fui muito inflamada, muito intransigente, muito dura. E depois um coração mole. Ela ensinou-me a ser mais cínica, e assim poupar-me ao desgaste de uma personalidade sempre em chamas.
Não sei se sou metade do que deveria ser para ela - não sei mesmo. Hoje, passados tantos anos, somos duas mulheres. E o papel que ela tem na minha vida não diminuiu. E as saudades que eu sinto também não são diferentes das que sentia no início da nossa jornada em casas diferentes, em cidades diferentes. E hoje vou matá-las. Talvez as afogue numa imperial.

2 comentários:

Diana disse...

Claro que és mais do que metade...muito mais (isto é para o mistério lol) ;) vamos afogá-las em muitas imperiais e quem sabe em moscatel. Beijinhos

menina lamparina disse...

Tá feito. Combinadérrimo! Beijo, xuxuzoca :*