terça-feira, 14 de maio de 2013

O chão está tão longe, tenho medo de saltar.

Gwen Stefani
Há dias em que parece estar tudo errado. Como se cá estivesse por culpa de uma inevitável sucessão de erros e me fosse arrastando, um dia depois do outro, sem saber bem o que fazer com o que tenho em mãos. E o que tenho nas mãos não é coisa pouca: é muito importante. É a minha vida. E apetece-me ir para um sítio onde ninguém saiba o meu nome. As fases de mudança são assim; de umas não damos conta, mas outras conseguimos cheirá-las de longe, como às tempestades. E quando a chuva chegar, vai lavar isto tudo, levar com ela a poeira que se acumulou no marasmo das horas. Quando olhar para trás, tenho medo de me arrepender da inércia, ainda que saiba que me deixei estar porque tinha de ser. Tem de ser, tantas vezes. E vou ficando para trás, na lista das minhas prioridades. Quando amamos com tanta abnegação não pode ser de outra forma, não é? E há uma vida neste mundo - só uma, só aquela - que conta para mim mais que a minha. E é por ela. É por ela que vou ficando, que vou tentando, que vou esperando. Por mais medo que tenha, não sei fazer as coisas de outra forma. E tenho esperado que as decisões não tenham que ser tomadas por mim. Não queria ter de dizer que sim, não queria ter de escolher. Queria que acontecesse e pronto. Ser levada no caudal, factos fluídos, como quase tudo na minha existência. O chão está tão longe, tenho medo de saltar.

6 comentários:

Pipoca dos Saltos Altos disse...

Conheço a sensação. Beijo

Pequena disse...

Não tenhas medo de saltar ;) A vida é para ser vivida!

Força nisso, querida. Bjinhooooo

Susana Correia Dos Santos disse...

As viagens têm essa rara capacidade de nos transformar, ou pura e semplesmente tornar mais nitido aquilo que sempre nos rodeou. Acho que estás com uma ressaca Africana ;-)

menina lamparina disse...

E não é nada agradável, Pipoca... :/

Eu sei que tens razão, Pequena. Sei mesmo. Obrigada. :)*

Susana, só uma inteligência emocional acima da média perceberia isso sem que eu tivesse feito qualquer associação entre o modo como me sinto e a viagem aqui no blog. Só a experiência de quem já sentiu o mesmo poderia revelar-te isso. Sei que tens razão. Impressionou-me tanto o teu comentário!! Por acaso não sabes quando passa?? :*

Ana Catarina disse...

também eu sinto isso, tantas vezes...

Susana Correia Dos Santos disse...

Querida Ana, mentia ao dizer que sei quando passa. Não faço a minima ideia e também me parece que não queres ler de mim tudo aquilo que é verdade e que tantos outros de dizem. Que é amadurecer, que o tempo se vai encarregar de te dar uma resposta, que não vale a pena tanta angustia. Tudo verdade, tudo inutil neste momento. Estás num periodo de transformações e acredita que esse medo de tomar decisões todos temos. Conselhos dequeles bons e que não se vendem? Daqueles pessoais?
- É sempre melhor tomar uma decisão (mesmo que mais tarde se revele má) do que decisão nenhuma, ou pior deixar que os outros a tomem por nós.
- Estás numa altura fantástica em que tiveste oportunidade de ter contacto com as tuas raizes e descobrir tantas coisas que sempre ai estiveram. Ok, aqui entre as duas, descobrimos coisas que nem sempre nos agradam. Mas sabes? Isso é o que faz cada ser único e especial. De inicio assunto, a meio pensas que és diferente, no fim resumes que és apenas tu e não há nada de errado nisso.
A melhor dica que te posso dar? Pára de te preocupar com o destino final e aprecia esta viagem dentro de ti. Raras são as circuntâncias em que pudemos olhar de fora para dentro. Goza cada momento desses com toda a intensidade possivel, com a loucura que trouxer, afinal de que importa querer saber o nosso destino, se quando lá chegamos estamos vazias?