quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Do fundo da gaveta #6

E porque 2008 foi mesmo um ano em que escrevi muito, hoje seleccionei este texto para partilhar convosco.

"Para que serve um namoro?
A minha concepção de namoro é simples. O namoro não é um fim, mas um princípio. 
Namoramos porque gostamos do que o outro parece ser – ou que nós, apaixonados, queremos ver. 
Namoramos para, ao conhecer o objecto da nossa paixão, perceber se ele é ou não o homem que queremos ao nosso lado para o “felizes para sempre” com que todas sonhamos... sim, todas nós sonhamos com o dia em que encontramos o tal gajo montado no cavalo branco, blá blá blá. 
Namoramos para namorar, para mimar e ser mimadas, para dar e receber. É pelo companheirismo, pela amizade. É porque a outra pessoa faz sobressair em nós o que temos de melhor e passamos a transpirar toda a harmonia que nos preenche para o mundo de fora. É pelo cinema de mãos dadas, pelo passear e tudo estar lindo à nossa volta. Para termos a nossa música e para recebermos flores. Para sermos as mais lindas do mundo, adoradas como a criatura mais preciosa à face do planeta. 
Um namoro bom baseia-se em alicerces muito claros: na confiança, na transparência, na verdade, no altruísmo e no cuidado que temos com o outro. Cuidado para não magoar, não ferir, não humilhar, não ostracizar, não esquecer, não excluir. 
Quando tudo isto deixa de existir numa relação, esta perde todo o sentido que assegurava a sua existência. 

Para que serve um namoro se já conhecemos completamente a peça e se sabemos que, por mais arestas que ele lime, vai continuar a ser quem é, a ter os hábitos, atitudes, tiques e manias que nos irritam? Para que serve namorar com quem não nos dá a atenção de que sabemos ser merecedoras, não nos mima, não evita mentiras absurdas e insiste em magoar-nos quer com os silêncios, quer com as palavras? 

Pior… para que serve um namoro quando já não há sequer o respeito básico requerido por qualquer relação saudável? Quando o desinteresse já é de tal modo gigantesco que já nem se apercebem (ou fingem não perceber) que há mágoas entre os dois?

Eu estava a chorar compulsivamente por causa dele e só ouvi da sua boca: “Vais continuar a chorar? É que tenho mais que fazer do que estar aqui a perder o meu tempo a ouvir-te. Não me apetece discutir.”.
Foi há anos, mas nunca mais me esqueci da frieza das palavras, do desprezo no olhar e de como me senti humilhada. Tentava desesperadamente, através de lágrimas e balbuciando frases soltas, fazê-lo compreender como me ferira. Ele já não me via como merecedora das suas desculpas, da sua compreensão ou digna do seu precioso tempo. Não era importante o facto de me fazer chorar. Eu não era mais que caca. 

Como eu naquele momento, muitas mulheres se esquecem do seu valor perante atitudes similares. Só lhes falta gritar: “Porque me fazes isto? Por favor, ama-me!”. Os homens, esses, parecem esquecer-se da dignidade do ser humano, dos sentimentos de quem disseram amar. A verdade é que se esquecem de um simples facto: nós somos tão mulheres quanto as suas mães ou as suas irmãs."

4 comentários:

Eu Acredito disse...

Eu nem consideraria isso um Homem, porque um Homem não faz isso. É de muita falta de carácter, fazer isso a uma mulher.

Escrevi um texto à pouco tempo sobre a dificuldade das Mulheres e Homens dizerem não, acho que tem alguma coisa a ver com o que escreveste. Se pudesses passar por lá e dar a tua opinião eu agradecia ;)

Beijoo

Fica aqui o link do post

http://euacreditoproject.blogspot.pt/2012/11/nao.html

Flow disse...

Gostei mesmo muito. Acho que todas nós, à sua maneira, nos conseguimos rever no teu texto...

Gata disse...

Bom, ainda bem que te livraste dessa criatura! Há muitos homens por aí, ninguém tem de se contentar com o mau e, sobretudo, temos de nos respeitar a nós próprias!
Beijnhos, boa quinta!

A Gaja disse...

Eu acho que, inevitavelmente, ap´´os algum tempo de relaç~~ao, aquela paci^^encia e vontade de ouvir e cuidar do outro desaparece um pouco. N~~ao que se deixem de gostar, mas o comodismo da familiaridade assim o condiciona. Eu detesto, mas ´´e uma realidade.
Estou a adorar este blogue:)