quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Desculpe?

Alice Eve
Não me interpretem mal, isto não tem ponta de arrogância ou altivez. Não se trata de querer rebaixar ninguém nem de me julgar superior quando sou atendida ou servida. Não tem nada a ver com isso. É uma questão de educação. De respeito, talvez. Parto do princípio de que quando o atendimento ao público faz parte das nossas funções, o profissionalismo não pode nem deve ser abafado pela coloquialidade. Por outras palavras, espero que sejam simpáticos e prestáveis comigo, mas sem grandes intimidades, porque se não conheço o funcionário de lado nenhum, não vou achar a menor das graças a grandes confianças.
Por exemplo, a senhora que colabora connosco cá em casa, a quem me recuso a chamar de empregada doméstica porque é como se fosse da família, pode e deve tratar-me por tu. Sou muito mais nova que ela e não gostaria que fosse de outra forma. Se conhecer a pessoa, tudo bem. Mas ir a um restaurante e ser tratada por tu por quem me atende e nunca vi na minha vida, é no mínimo absurdo.
É uma gaffe com que sou constantemente confrontada. Creio que a minha cara de garota não ajude, uma vez que há quem duvide dos meus 27 anos. Passo os dias nisto:
"Estás noiva? Mas és tão novinha! Que idade tens? Pensava que tinhas 19, no máximo!"
"Tabaco? Mostre-me o seu Bilhete de Identidade!"
"Mas tu já conduzes? Quantos anos tens? O quê?? Não te dava nem 18!"
Sinceramente, não percebo. Acho que não tenho ar de menina pequena, mas é coisa para dar jeito aos 40.
Anyway, não gosto que me tratem por tu quando vou a lojas, pastelarias, restaurantes, supermercados, etc. Acho de péssimo tom, de um atrevimento escandaloso e fico mesmo irritada. Não andámos juntos na escola, pelo que não vejo motivos para isso. Desde miúda que isto me incomoda e a minha reacção varia entre duas opções:
- ou começo a exagerar: "TrAZ-ME um café, por favor. DÁ-ME uma Frize, por favor. DIZ-ME, quanto é?"
- ou começo a exagerar: "OlhE, traGA-ME um café, por favor. DÊ-ME uma Frize, por favor. DiGA-ME, quanto é?"
A ideia é ver se topam que estão a ser inconvenientes, do género: estou a tratar-te por tu, não reparas? ou estou a tratar-te por você, quem mandou que te dirigisses a mim por tu? Esqueçam, não funciona. Nunca ninguém mudou de registo. Acho que não percebem a dica.

Senhores proprietários de estabelecimentos comerciais e afins que estejam a ler o lamparina, toca a pensar em formações de bons modos para esses funcionários, vá lá ver. Não é assim tão difícil, acreditem. Posso dizê-lo porque já tive contacto directo com o público em várias situações profissionais e nunca ousei tratar ninguém que atendesse por tu.
Funcionários leitores do lamparina, não se esqueçam deste meu desagrado porque pode haver mais gente chata como eu...

11 comentários:

Karina sem acento disse...

Ainda ontem tive esta conversa com a minha mãe. Penso exactamente como tu, se eu não conheço a pessoa de lado algum, porque raio há-de me tratar por tu?

Fiona disse...

Ai menina lamparina que colocaste por escrito aquilo que tantas vezes sinto em tantas lojas, pastelarias e por aí fora... Tal como tu, tenho um rosto que aparenta menos idade do que aquela que realmente tenho (yuuupii!!!! oh para mim aos saltinhos de alegria :D) e isso traduz nesse tipo de tratamento nos mais variados locais. Tal como tu, e mesmo sabendo que a pessoa a quem me dirijo possa ser mais nova que eu, tenho a tratá-la por você quando não tenho à vontade pois acho que existem determinadas coisas que não se devem perder. E excesso de à vontade e de intimidade neste tipo de contactos faz-me confusão. Se não conhecemos a pessoa de nenhum lado, porque vamos logo tratá-la por tu como se falássemos com ela todos os dias ou a convidássemos para nossa casa? Acho que não é assim que as coisas devem funcionar e tens aqui uma pessoa que pensa tal e qual como tu... ;)

Na Província disse...

Tem toda a razão, eu também acho má educação e mau profissional.
beijinhos

menina lamparina disse...

Oh! :D As minhas leitoras conseguem sempre surpreender-me! Pensava que era só o meu mau feitio a vir ao de cima nestas situações... eheheheh :)

Na Província, isto não é válido para o lamparina... a Menina não se importa nada de ser tratada por tu aqui! ;)*

Beijinhos*

lena disse...

Concordo plenamente.
Beijinhos grandes.

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Odeio! Acho terrível também. Falta de educação.

Beadelicious disse...

Também não gosto. Não sei deixa-me desconfortável. Do mesmo modo que em contexto profissional também não gosto de me dirigir a outras pessoas, mesmo que a diferença de idades nao seja abismal, tratando-as por tu. É uma questão de respeito.
Lamparina a subtileza, é um dom! Nem todos nasceram com ele! ;)

Tamborim Zim disse...

Pois é verdade. Tb tenho dessas coisas, se bem q cada vez menos me vão tratando por tu. Mas, por ex., nas lojas do Bairro Alto, q pretendem (e são muitas vezes) ser descontraídas e cool, por vezes os empregados tratam por tu. Fico logo meio ressabiada, mas fazem-no com uma simpatia geralmente cativante e dps n tenho coragem de dizer nada. Contaram-me q uma conehcida nossa, sempre q a tratavam pelo nome no trabalho, sem qqer título associado, ela fazia o mmo fosse c quem fosse: presidente, diretor, etc.. Achei justo, e c o tutuar acontece a mma coisa. Mas confesso q as vezes acabo por n revidar c tu.

Paula Sofia Luz disse...

És tão, mas tão sobrinha da tia. Chuac.

Guinhas disse...

Entendo te perfeitamente e não podia concordar mais.

Joana Santos disse...

Não podia concordar mais com este post. Tenho 29 anos e tenho cara de ser mais nova e quando isso me acontece detesto mesmo! Acho super deselegante e falta de respeito. Tambem é algo que nunca faço profissionalmente, é uma questão de educação :)