segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O momento mais vergonhoso da minha vida.

Jennifer Aniston
Este post da Ervilha Coscuvilha foi a deixa para que me recordasse de um passado muuuuuito longínquo. Eu era uma miúda, tinha para aí dezasseis anos. O meu namorado, na altura, com a lata que tão bem o caracterizava, anuncia-me que vai ao cinema com a ex. Naturalérrimo. Coisa banal. Eu só tinha que achar normal e sorrir. Pois que a Menina Lamparina nunca foi estúpida e nunca gostou que a fizessem de parva. Vai disto e toca a planear ir espiá-lo. Sim, que eu cá não me deixo ficar. Se por um lado, fiquei bem caladinha, moita carrasco, por outro, não ia ficar de braços cruzados e com o peito a arder de ciúme e desconfiança. E então, toca de optar por algo perfeitamente viável: calcei uns ténis 43, vesti umas calças de ganga do meu pai, tapei os sinais com uma base bem mais clara que o meu tom de pele, adicionei uma sweat gigante e escondi o cabelo dentro de um boné. A ideia era parecer um dread. Esqueçam - parecia um arrumador de carros. Até a capa do 3310 mudei, não fosse o Diabo tecê-las. Um andar diferente, que ser yo exige todo um esforço e lá vou eu. Ia cheia de medo de ter que ir ao wc... e de comprar o bilhete. Por detrás dos óculos e da pala do boné, lá rosnei que queria um.
"- E em que lugar prefere? Tem na fila X ou na Y..:"
"- Tanto faz."
Ultrapassado o maior obstáculo, entrei na sala. Já o filme tinha começado. "About a Boy", com o Hugh Grant. Não vi nada, não prestei atenção nenhuma. Fiquei duas filas atrás deles. Não falaram nem durante o intervalo. E eu fiquei muito mais descansada. Talvez o pior tenha sido verificar que à minha volta estavam imensos amigos meus. E eu ali, caladinha, a fingir que era outra pessoa. A não olhar para ninguém. A esconder as mãos, a esconder o rosto.
Esta terá sido um dos momentos mais ridículos da minha vida. Não só pelos preparos carnavalescos em que saí à rua, mas por deixar que o medo de chatear o menino me tenha calado. Impressionante como nos permitimos esquecer quem somos, o que queremos e para onde vamos só por causa de um parvalhão qualquer...

5 comentários:

Olhó Mau Feitio disse...

Só uma história assim para me fazer rir.

mariana costa veludo disse...

Agora fica a recordação para te rires ;) *

Ervilha Coscuvilha disse...

Opa, muito bom! Tu és sempre assim tão original, ou era da idade? Bem, que história boa.. É a adolescência e pronto!
Ahh, e muito obrigada pela publicidade ;) ihihi

Imperatriz Sissi disse...

Ehehe...que história! Tiro-te o meu chapéu. Se por um lado, eu partia logo a louça perante uma coisa dessas, nunca teria coragem de me disfarçar para espiar o sacana!

menina lamparina disse...

Pelo menos serviu para alguma coisa boa, Olhó Mau Feitio!! :D

Só mesmo isso, mariana! :D Uma pessoa às vezes faz coisas mesmo ridículas... lol Antes fazer e rir que não arriscar e ficar a pensar como teria sido se tivesse tido coragem! Ahahahahah :*

Nestas coisas de espiar gente, encontrar podres e descobrir coisas que não se querem descobertas, costumo ser espertinha. Há quem diga que já nasci jornalista... ou detective! :D Agora já não me mascaro, mas tenho sempre histórias de perseguições e alta espionagem. Tudo para ajudar as amigas... lol :)*

Imperatriz, não me orgulho minimamente do que fiz. Acho que se me valorizasse mais, não me teria sujeitado a este papel. Mas naquela altura era mais imatura e provavelmente mais insegura... hoje não o faria de certeza!! :D :*

Beijinhos*