quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sou só eu?

Romee Strijd
Por mais que tenha os trabalhos prontinhos para entregar, os livros lidos, os resumos escritos, a matéria estudada e sabida, antes de um exame não controlo o meu estado de nervos. Sucumbo ao stress com uma facilidade assustadora. Vejo e revejo tudo o que produzi, sem ver nada. Passo novamente os olhos pelos sumários das aulas. Tenho imensa fome, que tento enganar com litros de água. Apetece-me tudo o que não tenho em casa. Mordo os lábios até me magoar. O meu cabelo fica louco. Durmo pessimamente, quase acordada. Os sonhos são sempre ridículos: no último que tive na véspera de um exame, a sala de aula era ainda uma sala do Ciclo, de uma escola onde já não ponho os pés há mais de dez anos. Da turma, faziam parte ainda antigos colegas dos tempos da Primária. Tinha chegado atrasada e mal entro, reparo que todos têm nas mãos A República, de Platão. Eu tinha deixado a obra em casa. Já em lágrimas, corro para casa, a casa onde vivi também há mais de dez anos. Procuro o livro por todo o lado e não o encontro. A Noémia* ajuda-me a procurá-lo e nada. De ombros caídos, volto à sala de aula só para dizer à professora que não iria ter hipóteses de fazer o exame. "Posso pelo menos entregar os meus trabalhos? Estão tão bons...". Acordo. Está tudo bem. Corro para o computador só para ver os tais trabalhos mais uma vez. Estão óptimos.
Vocês também stressam assim?

*A Noémia é uma senhora que em tempos colaborou connosco lá em casa. Não era uma mulher a dias nem uma empregada. Foi ama da Mana Lamparina e eu chamava-lhe "Segunda Mãe".

3 comentários:

Marlene Ribeiro disse...

a mim acontece-me exatamente o mesmo! e costumo ter algumas crises de ansiedade, em que o coração começa a acelarar, etc etc. é horrivel :S entro mesmo em parafuso.

Mary disse...

Sei que não é muito animador, mas... ainda hoje tenho sonhos (pesadelos) com frequências e exames!

menina lamparina disse...

Marlene Ribeiro, fico feliz por saber que não sou a única...

...mas assustada por saber que a Mary, que já não tem exames nem frequências, ainda sofre com esta variante de stress pós-traumático.

Scary!!!

:)
Beijinhos*