quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sobre os meus pais.

Este post teve como banda sonora esta música.

Já foram como eu, os dois. Hoje podem ver a bebé deles crescida e com tantos sonhos por concretizar como quando tinham vinte e poucos. Não os conheci tão jovens, não tive esse privilégio. Mas admiro a juventude que ainda emanam. Noto-o nas mentes abertas, mais que a minha. No modo como me educaram, sempre com a certeza de que tendo a rédea demasiado curta, desejaria soltar-me. Foi assim que eles me prenderam - nunca me cortaram as asas. Nunca se riram do ridículo dos meus planos. Sempre me encorajaram a pensar, a aprender pela experiência e nunca só pelo que se lê ou se ouve dizer. Ensinaram-me a questionar tudo, a não ir em estereótipos, a tocar sem medo no desconhecido. Tornaram-me num ser humano cheio de coisas boas e bonitas, de quem se podem orgulhar.
Mesmo com todos os meus defeitos, mesmo com tantas falhas e erros cometidos, com teimosias e birras, os braços deles continuam abertos para mim. Temos os nossos momentos, claro que sim. Todas as famílias vivem os seus próprios dramas. O que nos distingue é a certeza de ser um clã, de pertencer a um lugar. Com todos os disparates que a Vida nos vai levando a fazer, estamos sempre com uma rede de segurança lá em baixo. Posso ir em queda livre - eles vão mesmo estar lá para mim.
Por vezes, temo não gastar a existência que eles me proporcionaram bem gasta. Tenho medo de não arriscar mais, de não fazer mais, de partir sem deixar obra feita. Falta-me tudo: não escrevi um livro, não me lembro de plantar uma árvore e não tive um filho, ainda. Espero que não demore muito, porque aguardo esse momento há tanto tempo... e espero ser tão boa mãe como eles foram para mim. E dar-lhe a segurança que eles me dão. E aceitá-lo como eles me aceitam, sem julgamentos ou condenações. Espero dar-lhe tudo o que ele precisa, ser o alicerce emocional que não falha, ser o pilar de tudo o que ele será. E espero despachar-me para que ele(s) possa(m) usufruir dos avós maravilhosos durante muito tempo... mais e melhor que eu pude aproveitar os meus.
Depois de todas as histórias macabras que vou ouvindo, de relações difíceis entre pais e filhos, tinha que deixar bem explícito em algum lado que me sinto afortunada todos os dias, pela família fantástica com que Deus me presenteou. Eu tenho um pai que fica obcecado com as minhas palmilhas, uma mãe que dança sem inibições, mas amam-me como ninguém mais no planeta. Todos malucos, todos com as suas pancadas, mas todos meus. Sempre. Não troco isso por nada.
Sempre disse que ninguém, até conhecer os meus pais, me conhece plenamente. É mesmo verdade.

1 comentário:

Maria rendall disse...

Tudo isso filha minha minha, não passa de um amor incondicional que também a nós foi transmitido por nossos pais! Love you so much!