quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Só é inseguro quem se julga inferior.

Paris Hilton
Quem não consegue, por si só, apreciar-se. Não é vergonha nenhuma, nem passa por presunção saber notar o que nos torna únicos e, por isso mesmo, especiais. O desenho das sobrancelhas, o sorriso escancarado, as mãos bonitas. Não tem mal algum gostarmos de características nossas, ou constatarmos aquilo em que somos realmente bons. Saber desenhar, saber escrever, saber pintar, saber cantar, saber nadar. Não é demais gostarmos daquilo que fazemos bem, nem tentarmos melhorar as nossas capacidades. Tudo isso pode e deve servir para, aliado à humildade, nos sentirmos seres respeitáveis e completos; para olharmos de frente para os outros.
Contra mim falo - muitas foram as vezes em que me rebaixei perante quem julgava superior. Houve uma pessoa na minha vida que era perita em despir as minhas inseguranças, trazendo-as todas à tona, fazendo de mim a pessoa fraca que nunca fui. Nesse caso, vejo hoje que fui vítima de mim mesma. É de dentro de cada um que sai a auto-afirmação, a confiança e o poder de se fazer respeitar. Não me refiro a uma carapaça rígida e forçada, mas a uma postura que afasta toda e qualquer hipótese de abuso vinda de quem nos rodeia. É que quando temos plena consciência do ser humano maravilhoso que somos, repleto de especificidades e pormenores fantásticos, amamo-nos de tal modo que passamos a colocar-nos num lugar seguro, onde nos resguardamos de qualquer ferimento profundo. É aí que somos capazes de amar verdadeiramente, de ser um amigo leal e não uma pessoa carente de afectos. Ser saudável também passa por tudo isto - porque a angústia da insegurança só desaparece por nós mesmos. É uma aprendizagem. Deixar de ver o outro como quem olha de baixo. Ser apto para fazer uma caminhada lado a lado. Não dar azo ao desespero, ao medo de perder. Não clamar por atenção, não pedir reconhecimento, não sofrer com o que nos parece - porque só nos parece, que a visão está turva - inércia do outro. Simplificar, clarificar, relativizar. Não sofrer, não deixar que as palavras extrapolem o real sentimento. Buscar serenidade dentro de nós e deixar que ela emane e se espalhe à nossa volta, contagiando quem está por perto. Respirar.

2 comentários:

PinkWorld disse...

Oh Ana... Faço tuas as minhas palavras! Adorei o texto, e partilho da mesma opinião! Muito bom ;)

Beijinho*

menina lamparina disse...

Apesar de saber isto tudo, a verdade é que parece sempre mais simples depois de já ter passado, não é?

Beijinhos*