terça-feira, 24 de agosto de 2010

Santos da casa...

Marion Cotillard
...não fazem milagres.
Antes de acontecer, eu já sinto. Antes de se materializar, eu já vejo. Antes de ser, eu sabia.
Acontece-me vezes sem conta. Eu sei. Eu aviso. Ninguém quer saber. É mais fácil rotular-me de paranóica, desconfiada, traumatizada, que confiar e seguir o meu conselho. Será depois difícil encarar-me quando a Vida, essa grande amiga do meu coração, baralhar as cartas novamente para revelar que tudo o que eu havia anunciado era, afinal, verdadeiro. A minha intuição é forte. E manifesta-se principalmente a favor dos que mais amo. É para eles, é por eles que os meus olhos permanecem atentos, que os meus ouvidos se concentram em cada brisa, que todos os meus poros absorvem o primordial e que as minhas cordas vocais se cansam. Não alerto apenas para o que é mau, não agito as águas por implicância. É consciente da inexperiência inerente à minha idade que ergo a voz. E é sabendo que tenho razão, também. Eu sei. É por isso que falo. E como dói falar para quem não quer ouvir. E como dói tentar evitar um acidente e acabar por ver a pessoa cair. Sofro com isso, ainda que tente não me preocupar, já que respeitar a liberdade alheia é essencial para viver aqui. Corro, grito, nado contra a maré e eles avançam, parecem querer cair. Sinto-me mera espectadora, impotente, os braços caídos e o olhar parado. Pudesse eu interferir, ao invés de insistir em discursos desprezados, e tudo seria mais simples.
Até eu já desconfiei do meu sexto sentido, por isso, não os culpo. Conheço o fundo de cada alma só pelo primeiro olhar. Quando a impressão é negativa, tento contornar o impulso e provar, perante mim mesma, que estava enganada. E lá vem ela, a Vida, mostrar-me que devo seguir os meus instintos, ainda que não os compreenda. É mais forte que eu. Por outro lado, também já houve quem, interpretando erradamente as atitudes de alguém, deixasse de acreditar na sua boa índole. Acabámos por verificar que, tal como eu tinha afirmado, na tal pessoa não havia má intenção. Não sei explicar porquê, mas eu sei. E nunca houve uma única vez em que me enganasse. Na minha vida e nas de quem quero bem.
Perante tudo isto, porque não me ouvem os que profundamente me conhecem? Eu não falo apenas para perturbar a paz de quem me rodeia. O meu desejo não é inquietar ninguém. E é horrível falar para as portas, que não ouvindo, não entendem nem reagem.
E é tudo tão simples...

2 comentários:

Bart disse...

Como te entendo... o meu primeiro olhar também tem tendências castradoras, mas raramente me engano nem que tenha de esperar anos para ter a prova como já aconteceu...
A vida ensinou-me a comentar só quando me questionam, mas tenho uma cara que fala e os amigos já vão confiando nas minhas avaliações.
Pena que não consiga adivinhar uns numerinhos e umas estrelinhas que eu cá sei!... :)

menina lamparina disse...

Também vou adoptar esse modus operandi e passar a comentar só quando me questionam. Quanto aos tais números, se os adivinhar, digo. Na semana seguinte adivinho para ti lol :D