quarta-feira, 28 de março de 2018

sonho tanto contigo.

hoje sonhei contigo. a tua avó tinha morrido e eu não sabia se me querias ali ou não. estava lá na mesma, porque parece que é assim que as coisas funcionam: estás cá na mesma, mesmo que não queiras. e eu aí na mesma, mesmo que não queiras. acordei angustiada, noutra altura ter-te-ia telefonado imediatamente, queria lá saber o que estavas a fazer, se estavas a trabalhar, quem tinhas ao teu lado. já não é assim, então guardam-se estas coisas, não se partilham, não me alivias dizendo que está tudo bem. só sabemos quem fomos, não sabemos mais nada. e hoje sei que não o fiz sozinha, nem tu. estas coisas acontecem, é a vida, é assim que se cresce e avança neste caminho em que nos puseram. nestes caminhos, que cada um tem o seu e são todos isolados uns dos outros, nós é que nos enganamos quando sentimos alguém muito próximo, muito perto, muito chegado. depois, quando achamos que nunca nos vamos afastar, o caminho de cada um segue uma direcção diferente e crescemos para lados opostos. tão opostos que já nem nos vemos, não ouvimos nada do que o outro diz, está tão longe, parece que vive noutro mundo. vive mesmo. não é no nosso. mas há pedaços de ti que ficaram para sempre a morar em mim e pedaços de mim que ficarão para sempre com morada em ti. são trocas que vamos fazendo até não haver mais nada para trocar. dizem que quando deixamos de contribuir para o crescimento de alguém, a Vida separa os corações. dizem também que é um processo tão natural que devemos aceitá-lo com naturalidade para não doer. não podemos ficar agarrados ao passado, não é? e é isso que somos. passado. 
mas não deixo de sonhar contigo, de sentir medo que alguma coisa de mal te aconteça e não te possa dar a mão e dizer que faço o que for preciso para que te sintas melhor. a amizade é mesmo mais nobre que o amor. e mesmo que não tenha a tua, a verdade é que tens a minha aqui, intacta.