quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Et voilà!

Há dois meses que o ouvia dizer que íamos finalmente remover o aparelho, mas faltava sempre fechar o espaço de meio milímetro entre dois dentes, inclinar aquele ali ligeiramente, só mais este retoque... e nunca mais me via livre daquilo. Depois das fixações coladas de canino a canino, na zona frontal, fui a outra consulta, completamente desprovida de esperanças: não ia deixar de parecer a Betty Feia só porque me apetecia imenso.


Passei um ano e meio de boca fechada nas fotografias. Esta aqui à esquerda é das poucas em que mostro os ferrinhos. Nas redes sociais, só publiquei uma foto sorridente enquanto usava aparelho, pela piada de estar com um amigo também ele vítima de um dentista (aqui). Não fui daquelas pessoas que postam selfies assim que colocam os arames, não me senti confortável, exagerei nos complexos e estava ansiosa por tirar aquilo desde o primeiro dia, mas sei que valeu a pena. 
Não custou nada. Durante o processo inteiro, só destaco dois momentos: a remoção de um dos sisos e o mês que passei com um expansor para alargar o maxilar superior. Aí sofri e tive que trabalhar apenas por e-mail, já que a minha dicção estava altamente afectada e acordava todos os dias com a língua em sangue. Passei fominha. Chorei imenso e pensei que não ia aguentar, mas o meu dentista foi persistente e não me deixou desistir. Esse foi o momento crucial para que terminássemos depressa e para que eu deixasse de ter fotografias assim:
 




Para contrariar a falta de esperança, na passada Sexta-feira fui recebida no consultório do meu dentista com as palavras «Vamos tirar isto hoje!». Terminado o processo de remoção dos brackets e da cola, pôs-me um espelho nas mãos. A minha reacção não foi nada do que imaginei. Pensei que iam existir lágrimas de comoção, um sorriso escancarado ou pelo menos, uma alegria impossível de conter. Nada disso. Só vi dentes, muitos dentes, dentes enormes. E assustei-me.
Aquilo de que gostei mesmo foi de sentir macio junto aos lábios, que isto de andar quase um ano e meio com andaimes na boca não é assim a coisa mais agradável do mundo. Já consigo assobiar, canto à vontade e terminaram as fotos séria ou a dar beijinhos. Já usei bâton sem ser nude, olhem lá. E dizer palavras começadas por B ou P tem outro gostinho. O meu sorriso voltou e sei que dentro de pouco tempo estarei a amá-lo. Apresento-vos a minha foto mais recente, à vossa esquerda. 


Durante todo o tempo enquanto ser sujeito à ortodontia, o comentário que mais vezes ouvi foi: «Para que é que precisas de aparelho?». A maior parte das pessoas (mesmo não sendo malta formada em Medicina Dentária) achou desnecessário e não compreendia porque é que alguém com os dentes direitos, como eu, precisava de passar por aquilo. Alguns diziam que o dentista tinha encontrado uma maneira de ganhar dinheiro, que me enganava, que era tudo treta. 
Não era, apesar de aparentemente, como podem ver aqui ao lado, estar tudo no sítio.

O meu dentista é o meu dentista desde 1989 e a verdade é que com o aparecimento dos dentes do siso, o meu maxilar transformou-se. A assimetria que surgiu poderia agravar-se e aos 40 anos seria uma mulher amarga e de cara torta. Além disso, como tenho alguns problemas respiratórios, esta solução melhoraria significativamente a minha qualidade de vida. 

Não vou estar a mostrar-vos as imagens assustadoras do estudo feito pelo mágico que conseguiu alargar e endireitar o meu maxilar, mas talvez a diferença seja notória nestas duas fotografias que odeio mas onde estou com a dentadura toda à mostra:


Agora quero é disto!

2 comentários:

Bunyssa* disse...

Estás muito bonita e o resultado é
óptimo!:)
Quando tirei o meu também achei que tinha dentes gigantes e fazia-me imensa impressão a rir. Usei durante 3 anos!

Filipa disse...

Sempre óptima!

Filipa