segunda-feira, 8 de julho de 2013

detesto...

Anja Rubik
...que me achem muito importante. Mais do que eu própria acho, sabem?

Bom, imaginem que há no vosso planeta uma garota com quem têm conhecidos em comum. Essa garota, além de vos olhar de lado (aquele olhar 43 de rivalidade feminina sem justa causa) com frequência, ainda tem a lata de não balbuciar sequer um educado e cortês «Boa noite» quando se senta à vossa mesa, no café que frequentam desde tenra idade. Como nunca foram formalmente apresentadas, vocês também não fazem questão de dar o primeiro passo para uma relação cordial, dado que o interesse do outro lado parece ser nulo. Depois de passarem a noite inteira sentindo-se ostensivamente observadas e de repararem que quem vos olha constantemente é sempre a tal garota, que depois cochicha com a amiga que tem ao seu lado, a vossa vontade de ser simpática já esmoreceu por completo, certo?
Pois.
Agora imaginem que a dita garota trabalha num restaurante fancy onde costumam ir com os vossos amigos do coração fazer jantares de aniversário e afins. E imaginem também que ao serem por ela atendidas, são tratadas de um modo algo rude, mas não fazem caso disso - ela pode estar a sentir-se desconfortável por estar a servir alguém com quem antipatiza (mesmo sabendo que nunca houve motivos para isso, já que nunca trocaram qualquer palavra até ao momento em que pedem um-bife-por-favor). Ainda assim, vocês podiam ser umas cabras de primeira e tratá-la como uma serviçal, em troca daquele comportamento feio naquela noite no bar, mas como são boas pessoas e não têm intenções de lixar ninguém, agem com toda a educação - Desculpe, com licença, obrigada, boa noite - mesmo não tendo ela dito o «Boa noite» quando devia, naquela noite no bar. Quando, numa tentativa de apressar o pessoal (que já é meia-noite e ainda estão no restaurante), se levantam para ir pedir a conta e se dirigem à garota com toda a educação, - Peço desculpa, podia dar-me a conta? - ela decide virar-vos costas. Pura e simplesmente. Sem palavras. Ali, o destino trouxe-vos outra oportunidade de se transformarem na maior cabra do restaurante, já que podiam ir ter directamente com a dona daquilo (que vocês até conhecem porque passam a vida a ir lá almoçar) e fazer queixa do péssimo atendimento, mas não. Como são boas pessoas e não têm intenções de lixar ninguém, agem com toda a educação, como seres superiores. Dirigem-se a outra funcionária e está o caso resolvido. Claro que neste momento foi feita uma declaração de guerra, pelo que nunca mais a olharão do mesmo modo e não pretendem deixar passar uma próxima oportunidade de agirem com a garota como a maior cabra do planeta.
Claro.
Mas depois ela supera-se quando proíbe o namorado (por ameaça, chantagem, coacção ou com a sonsice feminina que tão bem conhecemos) de vos cumprimentar. Namorado esse que começa a fingir que não vos vê, sempre que está acompanhado pela garota. E o rapaz, que até era um gajo fixe, começa a parecer-nos um bocado totó, porque deixa de ser educado com alguém que não só conhece há algum tempo (mais do que aquele que namora com a tal garota), como nunca lhe fez mal algum. Ainda por cima, vocês sempre foram porreiras com ele. O tipo até é amigo do vosso mais que tudo! Bom, aí a coisa começa a ganhar contornos estranhos e vocês abordam a situação usando a mesma artimanha feminina: "Meu namorado, a namorada do teu amigo terá algum problema comigo? Será que lhe fiz alguma coisa de errado sem querer? Ah, ela trata-me tão mal e eu nunca lhe fiz nada, nós não falámos nem uma única vez na vida..." - message sent.
Esquecem-se da estória, das que aqui se relataram e de muitas outras, até porque a vida tem coisas bem mais importantes que ódios de estimação vindos de pessoas com quem nunca falaram, até que ela decide seguir-vos no fashiolista. Oi? Nem no facebook somos amigas... E esquecem-se novamente, que a vida tem muito mais preocupações, problemas graves, dores, amigos, risos e acontecimentos marcantes que ódios de estimação vindos de pessoas com quem nunca falaram, até que o moço (o namorado da garota, amigo do mais que tudo, portanto) decide inquirir o mais que tudo sobre o modo altivo com que vocês olham para a garota. Oi?

Depois destas fitas todas era suposto olharem de baixo? Digam de vossa justiça, que estou a sentir-me confusa.

2 comentários:

Imperatriz Sissi disse...

Que rapariga tão esquisita. Eu não sei se me continha que já não tivesse perguntado a amigos comuns, ou se não aproveitava a deixa no restaurante para lhe perguntar na cara qual era o problema dela. E eu sou discreta, caladinha, subtil como sabes, mas há limites para a paciência.

menina lamparina disse...

Há, de facto, limites... mas eu devo andar numa fase zen. Há coisas que por não compreender, prefiro esquecer. E se não andasse tão chateada com outras coisas, bem mais importantes que tricas femininas, provavelmente não teria tido a necessidade de desabafar aqui sobre um assunto menor, tão irritante como este... Sabes bem como são estas coisas! ;)*