segunda-feira, 6 de maio de 2013

Luanda 2013

Cheguei. Os mais próximos sabem que as minhas expectativas não eram muito elevadas, apesar da curiosidade que sempre senti em conhecer aquela que também é a minha terra. Estar em Luanda e sentir-me em casa foi uma experiência maravilhosa e deixou cá dentro a certeza de que terei de voltar brevemente. Ainda estou em modo zombie, imensamente cansada, a sentir-me deslocada e fora do planeta. Talvez por isso ainda não consiga escrever um post decente sobre tudo o que me marcou em Angola. Deixo-vos com algumas imagens dos quinze dias mais africanos da minha vida:

A partida, com a minha Lisboa aos meus pés.

O Sol pôs-se enquanto sobrevoava África.

Luanda vista do ar.

A luminosidade lá é diferente... ao fundo, o Mussulo.

Estive no Ssulo, um resort muito fofo na Ilha do Mussulo.

Estava tão quentinho aqui...

Isto é um camião de água a abastecer o reservatório da minha tia.
Nem sempre há água canalizada.

As traseiras de um prédio no meio da cidade.

A envolvente da favela da foto anterior.
Há coisas péssimas...

...e coisas maravilhosas.

O meu quarto no resort ficava aqui.

Euzinha tropical.

Em Angola, acordava cedíssimo.
Esta foto foi tirada às seis da manhã, na ponta da Ilha de Luanda.

Uma pequena parte do mercado de Benfica, onde se compra
artesanato, roupas e afins.

Sim, eu conduzi em Luanda, com gente em sentido contrário,
malta a passar duplos contínuos e candongueiros assanhados.
Quem conduz aqui, conduz em qualquer parte do Mundo.

No meio de construções clandestinas, encontramos muitas casas
lindas. Ainda há muitos vestígios do tempo colonial - havia zonas
em que parecia estar em Lisboa, na Figueira ou em Coimbra.

A Menina na piscina de água salgada - shame on me, nunca
tinha experimentado uma!

As peixeiras que vendem de porta em porta
e que pediram para lhes tirar fotos para
arranjar marido em Portugal!

Muita Cuca se bebe! É mais leve que
a nossa cerveja, menos amarga também.

O meu sorriso mostra o quanto amei.

Um país de contrastes, com um povo demasiado sacrificado. Ainda me querem nascer lágrimas quando penso nisso: gente pobre que tenta desenrascar o dia-a-dia e que vive numa das mais caras cidades do Mundo. Tudo custa cem dólares, o luxo é luxuoso, mas o ordenado mínimo não chega aos duzentos euros. Não há estruturas básicas, apesar de Luanda ser uma cidade estaleiro, com uma marginal liiiinda e cheia de prédios estilo Miami.
Porque é que gostei? Porque me senti em casa, porque o sangue que corre cá dentro também é angolano e porque não conheci Angola de outra forma. Além disso, tive o privilégio de ser muitíssimo bem recebida pelas pessoas que reencontrei, pela família que conheci, pelos amigos que vivem lá.
Se seria capaz de viver em Luanda? Claro, mas a ganhar muito bem e com extras que não dispensaria: uma casa em Talatona e viagens frequentes a Portugal.
Quero voltar depressa e só lamento que em vez das sete horas de avião, não seja possível agarrar no carro e em pouco tempo pôr-me lá.
Bom, a ideia geral está dada. Vou contando coisas ao longo do tempo...

3 comentários:

Suri disse...

A maioria das pessoas que está em Luanda tem outra visão ;)

S disse...

Deve ser muito bonito!
Bj S

menina lamparina disse...

@Suri: de facto, a minha visão não pode ser a mesma de quem está lá. Primeiro, porque fui apenas em passeio. Segundo, porque estive numa situação altamente privilegiada, apesar do contacto que tive com aspectos menos positivos da vida em Luanda. Por fim, porque tenho profundos laços afectivos com o país, uma relação muito emocional com Angola.
Se há coisas más? Há. Mas também há outras maravilhosas e pesando tudo, a minha balança pende para o lado do óptimo. :)*

@S: É bonito como nos documentários que vemos, por vezes. Infelizmente, não é um país pensado para o turismo, que os preços são exorbitantes. Um dia, quem sabe... :)*