segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"Dois olhos para ver muito, dois ouvidos para ouvir muito, uma boca para falar pouco."

Penélope and Monica Cruz
Não sei se será um exclusivo de terras pequenas. Decerto que as terras pequenas não são unicamente povoadas por gente pequena, da mesma forma que as terras grandes não são habitadas apenas por gente grande - e não, não me refiro a gigantes nem a liliputianos, que as viagens de Gulliver não são para aqui chamadas. Mas a queda para a coscuvilhice, a ardente paixão pela má língua e a dedicação pelo dedilhar a vida privada alheia é apanágio de mentes pouco elevadas.
Ninguém me tira da cabeça que só se inclina com devoção sobre a intimidade dos outros quem não tem mais com que se preocupar. Por outras palavras, aqueles cuja existência é dotada de tão vã banalidade que nem ao protagonista interessa.
Não vivem nem deixam viver.
Não sabem e fingem saber.
Simulam amabilidade e genuína solidariedade para com aqueles que maldizem, subestimando a inteligência de quem tentam enganar.
Por norma, a ignorância é atrevida e deve ser por isso que não se coíbem de julgar cada passo daqueles que criticam com veemência, sem que se consigam aperceber da triste figura que desempenham no palco da vida. É que os outros, aqueles que tentam contaminar com o veneno da sua língua, observam atentamente tais comportamentos e tendem a afastar-se - a não ser que sejam da mesma laia.
Espero que mordam a língua. Diz o povo que pela boca morre o peixe e eu espero que tenha razão. Que sejam enaltecidos os que se repugnam com o diz-que-disse dessa escória, que se glorifiquem os que rejeitam fazer parte desse lamaçal, que se destaquem os que se indignam com a maledicência, que abominam a crítica destrutiva e a falta de respeito pelo próximo.
Com que direito se aponta o dedo? Com que direito se emitem pareceres acerca de escolhas que em nada nos afectam? Com que direito se abre a boca para humilhar, rebaixar e desdenhar?
Acredito que as pessoas de bom carácter, íntegras e conhecedoras dos conceitos de honra e dignidade não se comportam desse modo baixo. Infelizmente não se vendem frascos de formação e educação. Infelizmente, não estamos nos EUA, onde podemos processar este e aquele por dá cá aquela palha. Há-de chegar o dia em que se responsabilizam aqueles que falam por falar...

5 comentários:

Lena disse...

Adorei este momento de lucidez. Não que não o sejas (lúcida) normalmente mas há dias em que a mente brilha de forma universal. Beijinhos desta tua fã*

Tamborim Zim disse...

E dps essas palavras desgarram-se, incham, ganham vida ppa, e podem mmo tornar-se prejudiciais. Qtas vezes isso já n sucedeu! Quero, este ano, ser tb mais económica com o ti ti ti. É mmo isso.

menina lamparina disse...

Tamborim, o pior é que por mais que economizemos no ti ti ti, há quem gaste todas as suas energias nessa actividade... :/

Beijinho e bom ano, querida*

Imperatriz Sissi disse...

"Pueblo chico, infierno grande" lá dizem os espanhóis. Como nunca alimentei mexericos (que a minha avozinha sempre avisou que são como granadas) nunca tinha imaginado a gravidade que podem atingir. Até passar por uma certa terra pequena e ter visto, com os próprios olhos, os extremos a que as pessoas, por ambição e cupidez aldeã, são capazes de chegar, as mentiras que são capazes de inventar. E quem lhes dá ouvidos..mais doentio é. Mantenho a regra que sempre usei - quem me vem contar intrigas está riscado, pois quem quiser ouvir de si, ouça dos outros. E conviver o menos possível com gentinha linguaruda e gananciosa.

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Oh menina, como me identifico com este texto..!
Olha, eu moro numa cidade grande e... Vamos a ver e espécimes desses também eu os conheço. Infelizmente.