segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O conceito de aldeia global ou a proliferação do parolo.

Lana Del Rey
Claro que sou fã de redes sociais. Como verdadeira apaixonada pela comunicação, não poderia ficar indiferente às facilidades que lhes são inerentes. A rapidez na partilha tornou finalmente real o conceito de aldeia global e a sensação de conexão é viciante. Tenho um perfil de facebook bem organizado (amigos para um lado, contactos profissionais e conhecidos para outro), uma página na mesma rede, brinco no polyvore e no fashiolista, tenho o blog, três e-mails, twitter, myspace e até o Hi5 que ainda não tive coragem de matar... mas acho que a sensatez deve imperar e que há regras de bom senso e de boa educação também no mundo virtual. Devia ser instituído um manual de etiqueta para as redes sociais, claramente. Era tão bom. Hoje quero falar-vos especificamente do facebook, que era maravilhoso antes de toda a gente andar por lá. Concordam? É que há quem...

...não tenha regras no que à partilha de imagens, frases lamechas ou poemas comoventes de casa-de-banho diga respeito. Já para não falar das histórias "partilha e vai aparecer um euro no bolso roto desta criança pobre" ou "partilha e esta criança e toda a sua tribo vão passar a ter água para beber". Esta gente partilha tudo o que lhes aparece na página inicial. O inconveniente? Enchem a sua própria cronologia de spam e atulham também a nossa página inicial com coisas do género "fulano de tal e mais 4275 amigos partilharam uma foto da página Imagens Cheias de Sentimento e Frases Parolas a Metro".

...não se lembre que o facebook não é exclusivo dos seus amigos. É por isso que todos conhecemos quem não se coíba de comentar as nossas fotos revelando assuntos privados e levando a cabo verdadeiras dissertações sobre factos que pertencem apenas à esfera íntima. Colocamos uma foto da nossa infância e vemos, passados dez minutos, a mãe e uma tia à conversa sobre aquela vez em que fizemos cocó no lavatório, por exemplo. Não, isto não se passou comigo.

...queira projectar uma boa imagem a seu respeito. Uma imagem jovial. E então escrevem com k, x e siglas como kakakaka para o riso, por exemplo. Além de não ser cool, a malta jovem normal e fixe não só não escreve assim como não aprecia este registo. A César o que é de César: deixai para os adolescentes essas modas ridículas.

...não saiba que para além de escarrapachar perguntas como "Estás boa?" nos murais alheios e de falar em privado no chat, podem ainda ser enviadas mensagens. Eu, que estou sempre off no chat, vejo frequentemente a minha cronologia invadida por coisas que não me interessam: podem ser bebés engraçados com a língua de fora, animais fofinhos com frases cheias de moral, anedotas sem piada, manicures asquerosas, leões na savana com uma música dos Toto, enfim... tudo o que me poderiam ter mostrado em privado sem me fazer passar pelo momento em que me decido por colocar um gosto ou  por ocultar da cronologia.

...estando triste, não coloque apenas uma frase alusiva ao seu estado de espírito, que isso é coisa pouca. Toca mas é de entupir o face com carradas delas, powerpoints do youtube com legendas sentimentalonas, poemas de casa-de-banho de fazer chorar as pedras da calçada, etc. Também há a versão apaixonada da coisa: aqueles que se julgam discretos quando partilham frases tão vagas como "Quando menos esperamos, o amor encontra-nos" e mais uns terabytes de músicas, declarações de felicidade e manifestos de amor sob a forma de cupidos, corações e estrelinhas. Um mimo.

9 comentários:

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Ahaha há tempos também escrevi sobre o mulherio parolo que escreve em pleno facebook, declarações de amor aos amigos!
Acho um exagero, e aquelas frases feitas de que falas, uma piroseira.

Imperatriz Sissi disse...

Subscrevo, oh como subscrevo!

Noa disse...

Matei o meu Hi5 há pouco tempo, tinha mesmo que ser. :)

Karina sem acento disse...

Tal e qual! E aqueles que estão sempre a actualizar o facebook com as tarefas ao longo do dia? A sair de casa. A entrar no caso. Parado no trânsito. A chegar ao trabalho. Estou a escrever isto do meu computador do trabalho. Vou beber café. Dói-me a barriga. Estou de caganeira. Vou almoçar...

Bah! Não tenho paciência!

Beadelicious disse...

Ui o meu hi5 foi morto há muito tempo! Teve de ser, já não me identificava minimamente com a rede social em questão.
Quanto ao facebook, bem já tive uma fase ou outra em que me apeteceu fechar, mas não consigo. Para solucionar algumas questões como o feed de noticias a ser invadido constantemente por publicações que não queres ver, quando não é a cronologia, instituí uma pequena "censura". Basicamente praticamente nada surge na minha cronologia sem que eu tenha de "aprovar" primeiro. Ficam registadas as publicações em que estou marcada, e se eu quiser que sejam visíveis no meu perfil, então aprovo. É que isto de ter toda a família e mais alguma no face, às vezes não dá muito jeito...
No feed, também é possivel escolher algo tipo "ocultar as publicações deste contacto". A pessoa continua a ser tua amiga, mas deixas de ver as publicações de 5 em 5 min a aparecerem. Pode ter sido um pouco drástico, mas estas duas opções melhoraram bastante a minha relação com o face.. :P

lena disse...

OLá Menina Lamparina.
Conheci o seu blog através do blog Beadelicious e adorei por isso sou a sua nova seguidora. Concordo como seu texto plenamente. O FB deveria servir para partilha de coisas interessantes e manter contacto com os amigos e colegas.
beijinhos grandes.

Gata disse...

Bom... digamos que cada perfil é mesmo o espelho de quem o tem, a menos que disfarce bem ;)
Beijinhos, boa semana!
Madalena

Tamborim Zim disse...

kkkkkkk (perdoarás mas esta risadinha é muito marota e eu amo!) Pois, no fundo as coisas tornam-se terrivelmente cansativas. Depois, claro, há as partes boas, as descobertas e, muitas vezes, a companhia. Mas a parolada prolifera, como no mundo...

Manela disse...

Tal como a Jessi,subscrevo...na íntegra.
Beijinhos, Nocas!