segunda-feira, 12 de março de 2012

"O essencial é invisível aos olhos"

Nicole Richie
É a minha frase preferida que serve de título a este post. Está guardada nas páginas d'O Principezinho. Li-o ainda menina e gostei. Li-o com 15 ou 16 anos e amei. Sempre que lhe acaricio as páginas, aprendo mais qualquer coisa, recordo verdades importantes, sou surpreendida. O mesmo aconteceu com o Fernão Capelo Gaivota. São livros especiais. Pequenos e tão grandes. Como eu dizia no início, esta é a minha frase preferida. Porque é preciso ser mais que mediano para ver para lá da aparência. Para quebrar a muralha que cada um tem erguida à sua volta, arrancar a máscara, abrir a porta e ver sem os sentidos. Parece básico, fácil, linear. Não é.
Por norma, os outros que só vêem aquilo que mostro. E isso é chato. Contudo, é simultaneamente uma das minhas mais úteis armas.
Há dias em que é cansativo. Em que gostava que percebessem que sou mais que o cabelão, o verniz e o salto alto. Não sou só as coisas pequenas de que gosto, que me agradam, com que sonho, que desejo ou compro. Há vida para além de tudo aquilo com que vibro. Comovo-me ao tocar num par de Louboutin, mas também com uma Lua bonita. Quero umas palazzo azuis e uma flor no quarto. Compro maquilhagem e à noite leio O Avesso e o Direito. Preciso do mar sereno diante de mim e de uma tarde de shopping. Gostar do que é belo não implica um Q.I. mínimo, muito pelo contrário. Só com alguma profundidade conseguimos ter os sentimentos à flor da pele, prontos para apreciar as pequenas coisas, as mais pequenas coisas. Caras ou baratas, não é de dinheiro que se fala aqui. Valorizar a beleza exige sensibilidade. Tal como perder o olhar em contemplações. E é preciso que o espírito seja grande para que abranja toda a extensão de um indivíduo. Não somos só uma fatia, somos o bolo inteiro.
Sabem como é: uma gaja que não ande suja, rota e mal vestida é logo uma dondoca, gastadeira e oca. Tal como disse acima, às vezes dá jeito. Dá jeito que antipatizem comigo - é da maneira que quem não interessa não se aproxima. Dá jeito que pensem que eu tenho a mania da superioridade - é da maneira que não se apercebem das minhas inseguranças. Dá jeito que achem que eu tenho o nariz empinado, que sou uma arrogante - é da maneira que não reparam nos meus verdadeiros defeitos. Por detrás da máscara, ninguém sabe o que se passa. Que dores, que lágrimas, que prantos. Que aperto sufoca o coração, que ausência de paz me transtorna, que gemidos mudos se guardam no peito.
No entanto, às vezes gostava de ser só eu. Sem esses preconceitos que tornam turva a visão de quem me olha sem me ver...

8 comentários:

Carlos Soares disse...

excelente texto lamparina.

Pequena disse...

Muito bom lamparina... Tem dias que sinto que "me escreves"! Como costumo dizer: Conheces-me mas não sabes quem sou!

Ao Virar da Esquina disse...

Concordo ctg, talvez por também me sentir assim. Lembro-me de um professor me dizer que quando temos medo devemos pensar que provavelmente quem está á nossa frt ainda tem mais medo que nós. Quem diz medo, diz outra coisa qualquer. É um mecanismo social que todos temos, mas acima de tudo é um mecanismo muito usado por quem foi ou ainda é facilmente magoado.
Tenho consolo nesta frase que um dia me disseram e que penso que tb pode servir para ti...

Olhos profanos não veêm a tua beleza!

Beijinhos
Su

Mary disse...

Este blogue um dia ainda dá um livro ;-)

Le Blonde disse...

Adoro essa frase também e a pouco tempo tirei uma foto a um quadro que tinha essa frase e dei por mim a pensar no assunto. Um beijinho e gostei do post!

menina lamparina disse...

Obrigada, Carlos* Ainda bem que gostaste! :)*

Isso é tão giro, Pequena! :)*

Tanta verdade junta, Su. Aplica-se aqui na perfeição. E essa frase é maravilhosa! Obrigada*

Lol porquê, Mary? :D

Obrigada, Le Blonde*

Beijinhos*

Joa disse...

Bem verdade!! *** tem um bom dia!!

menina lamparina disse...

Beijinho, Joa*