sábado, 18 de fevereiro de 2012

Para o meu Amor.

Jude Law and Sienna Miller
Os meus namoros mais longos duraram, no máximo, um ano. Ao final de dez meses, invariavelmente, estava farta da relação ou da pessoa. Bastava começar a ver o caso mal parado que abandonava o barco. O medo da rejeição foi várias vezes a razão para que me quisesse proteger, colocando o ponto final antes que me mandassem embora. Noutras ocasiões, o que sentia mudava e preferi sempre manter-me fiel ao meu instável coração. Não se iludam: sofri muito. Foi por isso que sempre disse que das relações amorosas só gostava do início. As borboletas no estômago, as mãos suadas, o olhar de carneiro mal morto. Era viciada na excitação, na espera ansiosa, no romance. Já os finais, por sua vez, eram terrivelmente dolorosos. A sensação de perda. De fracasso. De ausência. Deixa de existir aquela mensagem de boa noite, a chamada só para dizer que se gosta. Sempre precisei de fazer o luto de uma paixão para poder viver outra. Brincava imenso. Flirtava, sentia-me o máximo e na verdade, acreditava que a minha vida iria ser sempre assim. E como isso me deixava infeliz... a visão de uma mulher bem-sucedida na sua profissão comemorando o seu sucesso num topo de um qualquer arranha-céus, sozinha, solitária, só, assustava-me. Não queria passar a minha vida numa constante habituação a um novo corpo, um novo volume para abraçar, um novo par de mãos para me tocar, uma nova voz, uma dicção diferente, uma outra personalidade pronta a ser descoberta. Sempre sonhei casar, ter filhos. Sei que se ao olhar para trás no final da minha estadia aqui no planeta, não vir uma casa vivida por uma família cheia de amor, não me sentirei realizada. Sou assim. Sempre fui. Desenhei o meu vestido de noiva aos dez anos. Sabem, quando tive o meu primeiro namoradinho na Escola Primária, escrevi no meu diário a data do início da nossa relação, para um dia poder dizê-la aos meus filhos. Sim, sou foleira. O amor e o romantismo são foleiros e ridículos e até Pessoa o escreveu. Mas sou assim. Nunca deixei de ser a miúda de que vos falo. Mas por tanto querer, sempre achei que não era merecedora. Que era impossível. Não sou nada de especial, porque haveria de conseguir conciliar uma carreira fantástica com esse sonho? Seria demasiada felicidade para uma só pessoa.
O João quebrou-me. Fomos amigos, muito amigos, antes de qualquer outra coisa. A inteligência impressionante, o raciocínio pouco comum, a cultura geral fantástica e o humor único tornam-no especial, no mínimo. E apaixonámo-nos. Muito bonito, se nesse momento não estivéssemos com outras pessoas. Dois anos depois de vivermos sem qualquer contacto, que o afastamento impôs-se, ele voltou a cruzar-se no meu caminho. Não. Na minha selva, que eu estava perdida no meio da desordem. Tinha descido ao vale da morte, mais fundo não existe. Tinha os meus sonhos em cacos, os meus desejos perdidos algures no lixo de outro alguém. Estava ferida, incapaz de aceitar qualquer bem que a Vida me oferecesse. E ela, irónica como sempre, ofereceu-me a felicidade numa bandeja de prata. Fez-me ver que tudo aquilo com que sonhei não estava onde tinha procurado.
O João tinha tudo para que eu não gostasse dele. Pertencíamos a mundos opostos. A convicção com que me demovia das certezas que não queria deixar ir embora foi suficientemente forte para que lhe desse a mão e o deixasse guiar-me. E ele levou-me para outro lugar. Iluminou tudo cá dentro, o que era seco e morto, renovou-se e floresceu. Ele fez-me voltar a acreditar nos meus sonhos megalómanos. Infiltrou-se na minha vida, deu-me tudo o que nunca tinha recebido. Tudo o que sempre quis. Tudo aquilo que já só era utópico.
Ele diz-me que estou bonita quando acabo de acordar. Ele diz-me que sou bonita despenteada e sem maquilhagem. Surpreende-me. Dá-me luta. Vê-me para lá dos olhos. E conseguiu conquistar a minha confiança, ser um pilar da minha vida. É o meu amigo, o meu companheiro, o meu cúmplice. Faz-me rir todos os dias, abraça-me quando a tristeza é mais profunda que a dor, limpa-me as lágrimas e acalma a minha alma. Trata-me como uma princesa. Comprou-me um anel de noivado. Pediu a minha mão em casamento ao meu pai. Pediu-me em casamento. E hoje, volvidos dois anos de namoro, parece que tudo começou ontem e parece que sempre nos conhecemos. Ele é mais que o homem da minha vida. É o homem na minha vida. E pela primeira vez, não me farto de nada. Quero-o cada vez mais perto, mais perto, tão perto. Não imagino a minha vida sem ele. Sem as nossas conversas, sem as nossas gargalhadas. Sem o meu amor por ele. Sem os sorrisos que ele me rouba. Sem o amor dele.
Obrigada, João. Fica aqui. Hoje eu sei que a felicidade nunca será demasiada, porque posso partilhá-la contigo. E quero ser a tua namorada para sempre.

18 comentários:

Ervilha Coscuvilha disse...

Ohhh, gostei tanto! O amor é mesmo assim! Estás a viver um sonho que muita gente desejava estar a viver! Aproveita ao máximo ;)

Maria disse...

ohhhh, ainda bem que te sentes assim :) desejo, do fundo do coração, que a vossa felicidade seja eterna :)

bjo**

mari disse...

que boooooom ... :))
que seja sempre esse o sentimento**

Vanessa R. disse...

Oh, como é bom sentirmo-nos assim.
Felicidades :)

menina lamparina disse...

Aproveito e estimo, Ervilha Coscuvilha! Sei bem que é uma dádiva "DAQUELAS"... :)*

Awnnn obrigada, Maria* Também espero que sim, que seja sempre assim. :D :*

Deus te leia, mari! :D Queria mesmo contrariar as estatísticas e ter uma relação como a dos meus avós, que durou uma vida. :)*

Mesmo, Vanessa R.! Obrigadaaa :*

Beijinhos*

Se eu pudesse escrevia um livro disse...

Quando é amor mesmo, jamais te cansas da pessoa ou da relação!! Felicidades *

Ana Formigo disse...

O vosso amor é lindo, adorei este post, a sério.

Tamborim Zim disse...

Q bonito Lamparina! Brindo a esse amor, e à sua imensa felicidade! Beijinhos enormes:)

menina lamparina disse...

Awnnn Se eu pudesse escrevia um livro* Acho que tens razão! Obrigada :)*

Aninhaaa! :D És mesmo querida* Gosto de saber que gostaste! :)*

Obrigada pelo brinde, Tamborim! :D Beijinho*

Pequena disse...

Uma bela declaração de amor ;)
Que continues ao lado do teu João por muitos e muitos anos e que o vosso amor cresça e solidifique todos os dia!
Felicidades!

Fiona disse...

Oh lamparina, que texto tão lindo!!! :) Que amor tão lindo!!!

Mary disse...

Amor puro e duro, é o que é. So, SO happy for you :-)

Beadelicious disse...

Gostei tanto de ler este post!!
Bonita declaração! Bonito amor! =)**

menina lamparina disse...

Ohh obrigada, Pequena! :D :)*

:D Ainda bem que gostaste, Fiona! :) O amor é mesmo ridículo e lindo eheheheh :*

Brigadaaaaaaaa Mary*

Que bom, Beadelicious! :)*

Beijinhos*

Imperatriz Sissi disse...

Recordo-me de conversarmos sobre alguns dos instantes que descreves. Fico muito feliz por este lindo romance (sim, o amor quer-se intenso, xaropento... mas também equilibrado e saudável como o vosso).

menina lamparina disse...

Ohhh Imperatriz* Obrigada pelas tuas palavras... fiquei com saudades de conversar contigo! Temos que combinar um café! :)*

isa disse...

normalmente não tenho paciência para ler textos randes no monitor :/
este rendeu-me :)
espero que continue sempre assim ou ainda melhor!
tudo de bom para os dois :)
estou a gostar de conhecer este cantinho!

menina lamparina disse...

Que bom, isa* Sinto-me vaidosa com isso, ainda bem que o conseguiste ler!
Obrigada pelas tuas palavras, desejo-te o dobro de tudo isso! :)*
Obrigada por estares por cá, fica! :D Beijinho*