segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

do Acordo Ortográfico.

Nicole Richie
Estávamos só na conversa e a Filipa querida do meu coração quis saber qual a minha opinião acerca do Acordo Ortográfico, já que sou de Letras. Depois de lhe responder, apercebi-me de que de todas as vezes em que comecei um post sobre o assunto aqui no lamparina, acabei por desistir. "Isto porquê?", perguntam vocês? Perguntem, vá. Estou à espera. Ahh. Bom, isto porque fico mesmo irritada. Tão irritada que o que escrevo sobre o Acordo acaba por sair sob o formato de pensamentos avulsos:

Sou completamente contra, apesar de saber que se toda a gente fosse como eu, ainda estaríamos a escrever pharmácia e coisas do género.
A questão é que do meu ponto de vista, este acordo não faz sentido porque não se trata da aceitação da evolução natural da nossa língua. É uma uniformização à força onde quem vai lucrar são apenas as editoras.
Na minha profissão terei de fazer uso dessa nova Língua Portuguesa, o que me levará a fazer algumas formações entretanto, mas garanto que vou super contrariada. Não quero escrever microndas nem dizer que de fato aquele fato é bonito.
Também acho que essa perversão perde todo o sentido quando comparada com o exemplo Inglês, que só por acaso é o idioma mais falado em todo o mundo e que aceita as suas variantes - há o Inglês Britânico, o original, e o Americano. Separados e sem confusões. No nosso caso, a língua mãe não está a ser respeitada e sai o Brasil favorecido. O que é estúpido - chamem-me xenófoba ou velha do Restelo - porque eles é que herdaram uma língua que é nossa.
Enfim, a minha opinião não serve para nada porque o acordo vai para a frente e pronto. Mas se puder escolher, escrevo como aprendi. Com baptismos (já repararam que a raiz etimológica da palavra vem de João Baptista? Porque é que lhe vão alterar a raiz?!), com espectáculos e espectadores (espetáculo parece o sítio onde se espeta...).

9 comentários:

Ritititz disse...

Querida, a tua opinião é legítima e respeito-a totalmente. Apenas queria dizer-te que "microondas" ficará "micro-ondas", e "facto" mantém-se igual, não perde o C.
Ainda há muitos mitos em torno do acordo e vale a pena ir às tais formações (a que também fui e que são bem chatas por sinal!), mas onde pelo menos ficamos melhor esclarecidas sobre o tema. O que não invalida de forma alguma que te mantenhas contra para todo o sempre, são opiniões! :) Um beijinho e não leves a mal a correção!

mariana costa veludo disse...

Concordo com cada palavrinha que escreveste. Com cada pensamento. Com cada irritação, com cada contra ! Contra o acordo ortográfico. Contra perder o nosso português. Vou evitar em tudo o que poder partilhar este desacordo. Sim, desacordo porque quem disse que os portugueses realmente concordaram ?! Desacordo porque não é evolução mas sim submissão ! Enfim.. deixa-me cá conter.

Pode ser. Pode ser que um dia ainda se volte atrás ou que a revolta seja tanta que ninguém obedeça a este acordo :/

beijinho

Carlos disse...

Não só não és xenófoba como não és velha do Restelo,embora os acordistas adorem chamar isso aos que não concordam com ele.
Muito pelo contrário, aquela pessoas que são manifestamente contra estão, primeiro, em maioria, segundo, correctas e terceiro, cientes do verdadeiro atentado que à Língua Portuguesa que representa esse acordo.Acordo que não foi acordado pela esmagadora maioria dos Portugueses, bem pelo contrário, foi acordado precisamente por uma meia-dúzia de figurinhas obscuras E que lucraram (lucram e lucrarão) com o dito.

PS: O acordo NÃO é irreversível! Existem dezenas de milhar(talvez centenas de milhar) que lutam activamente contra o acordo recolhendo assinaturas (físicas,em papel mesmo) para o revogar. Um verdadeiro acto de democracia a sério.E não pega se as pessoas não pegarem nele,houveram outros países onde funcionou mesmo assim,com as pessoas a virarem as costas a normas de escrita que lhes queriam impor e os governantes lá foram obrigados a voltar atrás (o Brasil foi um deles ao não respeitar por várias vezes um acordo ortográfico com Portugal!Porque deveríamos nós de fazer o contrário!?)

PS2: Por último gostaria de lhe dizer que mesmo com a atrocidade do acordo não se escreve "fato", mas eu percebo muito bem porque o diz no post: é porque todos sabemos,mesmo os que não querem admitir, que o acordo é basicamente o Português Brasileiro FORÇADO em Portugal (mesmo os brasileiros não tendo culpa nenhuma) e será apenas uma questão de tempo até que a norma Portuguesa seja completamente eclipsada pela Brasileira, à força de números.
Ah, e não tinha mal algum em escrever "pharmácia" ou "chimica", primeiro porque se liam da mesma maneira,segundo porque a única coisa que se fez foi retirar uma letra(e nenhuma no caso da chimica!) e terceiro porque perderam parte da sua raiz etimológica (a sua origem pronto).
Dá sensação que em vez de se educar as pessoas para saberem escrever bem é preferível adaptar as regras aos burros (tenho dito).

Excelente post o teu já agora :).

Margarida disse...

Concordo contigo e acho que tens toda a razão! Também me custa escrever certas palavras de outra forma, ainda não me habituei de todo!

Vera disse...

apenas um comentário: "facto" vai continuar a escrever-se "facto" :)

Vânia disse...

concordo tantooooo contigo, sou completamente contra o acordo ortográfico e vou continuar a escrever como aprendi, o problema é que até na publicidade já surgem pedidos em que temos de escrever ao abrigo do novo acordo, no outro dia aconteceu-me pela primeira vez e senti puro odio, mas enfim quando é trabalho não dá para evitar. beijinhos

Imperatriz Sissi disse...

Assino por baixo...bem sabes que só sob tortura me obrigam a escrever essa versão contrafeita, foleira e chinfrim da nossa bela língua.

Maria disse...

Olá Lamparina,

eu por acaso sou daquelas que não concordando fervorosamente com o acordo ortográfico, já estou a tentar adaptar-me. sei que ainda n domino todas as regras - aliás, só domino as mais básicas tipo omissão de uma letra - mas tenho feito um esforço para me adaptar.

o importante é cada um ter uma opinião e saber fundamentá-la pois há vantagens e desvantagens no acordo ortográfico. eu n gosto - e isto falo de modo abrangente e não apenas do acordo ortográfico - daquelas opiniões que são dadas sem se pensar no assunto, que se expressam só porque 'ouviram dizer'! Quando nos expressamos e sustentamos as nossas opiniões - como tu fizeste - o estar a favor ou contra, para mim, acaba por ser um detalhe.

bjinhos**

Sorteio (internacional) de sombra CHANEL e um kit de maquilhagem da PIXI - entre outros miminhos! Participem :)

http://makeupblah.blogspot.com/2011/11/sorteio-make-up-blah-internacional.html

menina lamparina disse...

Sabem o que concluí? Que tenho mesmo de ir fazer uma formação à séria.

Ritititz, claro que não levo a mal, a Menina gosta de aprender! :) Agradeço o esclarecimento e o alívio que me provocaste. De facto, vou ter de passar a ser uma expert nisto do Acordo, que a profissão assim o exige. Mas a vontade é pouca... :)*

Mariana, de facto sinto-o como uma perda, como escreveste. E também como uma submissão, porque ninguém quis saber da minha opinião. E a minha Pátria é a minha Língua Portuguesa. :*

Carlos, a falta de informação pode fazer com que essas manifestações anti-acordo não cheguem a todos os que com ele discordam.
Além disso, noto que a maioria não está como eu, que com um conhecimento superficial discordo com base numa opinião (ainda que muito emocional)... as pessoas "acham mal" mas nem sabem quando irá entrar em vigor e onde terão de o aplicar.
Subscrevo a última frase do PS2. Resume o que queria dizer com o meu post... Obrigada. :)*

Margarida, parece-me que essa será uma tarefa fácil para quem nasce debaixo do acordo... o meu avô ainda escrevia "mãi" em vez de "mãe" e faleceu em 2009! Acho que vou ser assim também, quando os meus netos tiverem a minha idade. :D :)*

Obrigada pela correcção, Vera. Tal como escrevi no post, ainda não fiz nenhuma formação para me inteirar completamente acerca das alterações a que terei de me habituar... Ainda bem que facto permanece facto, porque eu digo faCto e não fato. E fato? Passará a ser "paletó"? :D :)*

Lá está, Vânia... a única barreira que tenho à minha rebeldia é o trabalho, porque em Jornalismo não há como fugir ao acordo. Se conseguir viver de crónicas e livros, não preciso de ceder, mas isso é um cenário utópico... :)*

Ahahahah Imperatriz, essa raiva feita palavra foi brutal. É mesmo uma versão contrafeita da Língua Portuguesa. :)*

Como te compreendo, Maria. Também não tenho pachorra para opiniões repetidas, que é como quem diz citações não admitidas. Detesto que se emprenhe pelos ouvidos e se copiem opiniões, porque pensar é grátis. :)*

Obrigada pelos comentários! É tão bom discutir ideias com pessoas inteligentes sempre com respeito... Beijinhos :)*