quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ontem não escrevi.

Jessica Stam
Foi um longo dia. Já anunciado, é certo, mas ainda assim doloroso. Já não me afecta directamente, é verdade, mas se a comum injustiça me dói, mais ainda me fere aquela que atinge aqueles que me são queridos. O desrespeito arrogante, a infundada altivez e a total ausência de discernimento andam de mãos dadas com a negligência. E este explosivo conjunto de tão nefastas características consegue paulatinamente destruir quem lhes dá uso. A pouco e pouco, a Justiça dá ares da sua graça e manifestando-se, revela que o karma não é uma treta oriental que ameaça como os cães que ladram.
A pessoa querida deste meu coração de que vos falo é uma mulher de sorriso amplo e olhos vivos, pragmática, profissional, credível pelos seus passos seguros. É um exemplo. Foi o meu farol durante o tempo em que com ela trabalhei. Deu-me, sem saber se eu o merecia, o seu saber. Deu-me a sua paciência, as suas dicas, a sua perspicácia, o seu faro, que eu ainda não tinha apurado. Em pouco mais de 365 dias, ensinou-me mais que em anos de academia, livros e professores doutorados, cheios de mofo de biblioteca. Foi mais que minha superior hierárquica, nunca me deu ordens. Foi minha companheira, conselheira, amiga. Depois do trabalho, fica a amizade, que guardo em mim até que a Vida queira. Sei que os seus caminhos não poderão ser menos que prósperos, que quem sai pela porta grande, de cabeça erguida e consciência tranquila, humilde mas convicta, não merece menos que isso. Sei que o barco que agora deixa, com uma coragem impressionante, não terá um futuro auspicioso, que sem ela, sem o seu método, os seus contactos, a sua simpatia, o seu magnetismo e acima de tudo, sem a sua dedicação, não há como rumar a bom porto. Sei que cada um de nós terá aquilo que merece. Sei que ela merece mais.

3 comentários:

teardrop disse...

Certamente a pessoa sobre quem escreveste não vai ler este post, mas demonstra que gostas imenso dessa pessoa e que a admiras. Espero que corra tudo bem!
Beijinhos

Lia disse...

Saem aqueles que não se deixam corromper, aqueles que se mantém firmes nas suas convicções, nos seus princípios, nos seus valores. Saem os grandes, porque os pequeninos adaptam-se a qualquer ambiente, mesmo que este esteja impregnado de mesquinhez. Não, não abandonámos o barco, simplesmente, recusamo-nos a andar à deriva e, pior, ser comandados por qualquer marinheiro. Um dia ainda nos iremos rir de tudo isto! Um dia teremos tudo aquilo que merecemos, mas mantendo-nos fiéis a nós próprias... sempre! A ti, força! :-)

menina lamparina disse...

Espero que ela o leia.

E Lia, tens mesmo razão. Os pequeninos adaptam-se à mesquinhez.

Beijinho*