sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A minha alma gémea não tem de ser um homem.

Jen Garner & Jessica Biel
Estamos crescidas, meu amor. Houve um dia em que o nosso caminho juntas chegou a uma bifurcação e eu soube-o. Soube que ia sentir a tua falta todos os dias, dei graças pelos tarifários de telemóvel que nos iriam permitir deitar conversa fora à distância sem contas astronómicas. Sabia que iríamos estar a par dos passos uma da outra, que continuaríamos a contar com a mão do outro lado, para decidir aquelas coisas importantes em que o mundo dos adultos nos obriga a pensar. Sabia isto tudo e sabia que me ia doer. Ver-te desenrascada e ver-me desenrascada sem o porto de abrigo ali ao lado é um motivo de orgulho, claro que sim. Saber-te bem, feliz e rodeada de um novo contexto, inunda-me de tranquilidade. Quero-te sempre acompanhada, bem acompanhada. Segura e com os dias cheios. Mas é assim mesmo a vida - cada um constrói a sua. Não nos podemos perder nos pormenores, que os planos agora são outros e nem sempre nos abrangem às duas. Não estamos, como ouço dizer milhões de vezes, presas por cordões umbilicais. Somos duas pessoas independentes e vamos, aos poucos, aprendendo a lidar com esta distância que se impôs. Como adultas que já somos. Quero ver-te brilhar, quero ver-te subir ao topo do mundo. Estaremos no alto de duas montanhas diferentes, mas o meu coração vai estar sempre contigo. E se tropeçares ou caíres, vou estar aqui sempre de braços abertos, mala de primeiros socorros na mão. Temo também não estar presente como devia, não gosto de pensar que podes sentir os mesmos receios que eu. Assusta-me imaginar que podes julgar ter perdido importância para mim. Não há outra pessoa como tu na minha vida, não há lugar para outra como tu em mim. Tenho às vezes medo que te esqueças disso, tenho às vezes um medo horrível de te perder. Porque sem dar conta, a vida já levou outras pessoas para longe de mim. Sei que contigo vai ser diferente, peço a Deus que seja, todos os dias, todas as noites. Vamos fazer muitos programas sem a presença da outra, há planos feitos com outros, há novas cumplicidades, mas tu vais ser sempre tu. O meu desejo para 2011 é que me tire estes medos. Que nos dê mais tempo juntas - tempo a sério, de filosofar e segredar, de repetir as mesmas histórias e de ter a outra a ouvir com a mesma atenção e entusiasmo com que ouviu da primeira vez. Tenho muitas saudades tuas. Fazes falta. Não imaginas como. É que a minha alma gémea não tem de ser um homem.

3 comentários:

7 disse...

A sério és o meu orgulho!
Nunca pares de escrever!MESMOOO!!!
O mundo era bem melhor se tivesse mais pessoas como tu! <3

M.I. disse...

não tem mesmo!

menina lamparina disse...

:)

Mesmo que quisesse parar, não conseguia. O mundo também era bem melhor se tivesse mais pessoas como tu, Ju*

Beijinhos, M.I. :)