terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ele dá-me flores...

Sarah Jessica Parker
...sem saber que as que me tinha oferecido antes já estavam a murchar. Parece que espreita a jarra que tenho em cima da cómoda do meu quarto e corre até à florista mais próxima para substituir o ramo para onde olho todas as manhãs. Não é preciso haver um motivo, basta que nos encontremos depois de um dia de trabalho ou que queira, simplesmente, ir mais além das palavras para dizer o quanto gosta de mim. As primeiras que me deu, chegaram-me a casa pela mão de uma senhora. Eram oito da noite e tinham tocado à campainha. Sete flores – o meu número preferido. Todas cor-de-rosa – a minha cor predilecta. Dele, já recebi várias sete flores. De várias cores. Sempre a mesma flor, que é já a nossa. Pelo meio houve rosas, houve outras que colheu num jardim.
Não sei se ele sabe quão especial me faz sentir a cada mimo que me dá. São muitos os pequenos apontamentos que me iluminam o sorriso… o lanche que me trouxe à redacção, num dia interminável em que me resgatou do trabalho às oito da noite; os textos sobejamente bem escritos que me trazem a comoção ao olhar; o hábito que criou de adormecermos ao telemóvel todas as noites. São tantos os cuidados que tem comigo que não poderia compilá-los todos num texto. É que os olhares, os toques e os momentos não se registam fielmente através de letras, fotografias ou películas de filme. É sentindo-os, vivendo-os, que os passamos a querer guardar para sempre dentro de nós. Carimbam-se na alma e tatuam-se no coração, para disfarçar cicatrizes antigas e para adubar o futuro, que se quer fértil.
Não sei se ele sabe como sou grata por cada dia em que ele faz notar a sua presença, adoçando a minha existência.
Não sei se ele sabe como é ter recebido de mão beijada aquilo que sempre se desejou, mas que nunca se conseguiu construir. Fundimos mundos, criámos outro.

2 comentários:

João Gante disse...

Acho que a melhor coisa que posso dizer, aqui...é que conseguiste que a foto da Jessica Parker não tirasse sentimento nenhum ao texto.

Não, espera. Também posso dizer, por exemplo, que esses gestos não só são para ti, também só acontecem por tua causa. Passe a expressão, um artista não é nada sem inspiração e, nesse campo, eu pratico concorrência desleal.

menina lamparina disse...

:*