quarta-feira, 16 de maio de 2018

gostar do todo que sou

Sou a Ana. Ao lado, uma foto minha tirada em 2011. Meses antes, tinha terminado um processo de reeducação alimentar que levou a uma perda de peso significativa. Mais de vinte quilos abandonaram o meu corpo ao longo de um semestre. Com eles, foi-se também a auto-estima, ao contrário do que seria previsível. 
Já partilhei aqui posts sobre o tema, não é novidade para ninguém que me siga, leia ou conheça que vivo em dieta, já que reprogramei o modo como penso a comida desde que tive o privilégio de ser acompanhada por uma nutricionista maravilhosa, com competências multidisciplinares e uma imensa paciência para mim, que tendo a enjoar tudo e mais alguma coisa. 
A rubrica lady lamp fica fit (sqn) foca exactamente este assunto, demonstrando que viver saudável e com sabor é possível e partindo da premissa que defende que super alimentos são aqueles que não sendo gordos, são cheios de nutrientes. Não é preciso atolar o estômago de quinoa, berrar por alimentos gluten free e adoçar o café com stevia para comer bem.
Não sou de modas, gosto de comida real e é isso que trago para as minhas refeições. Tudo isto deveria contribuir para que me sentisse bem na minha pele. A verdade é que não. Continuo a sentir-me enorme.

À esquerda, uma foto minha bem actual, tirada numa tarde de sábado tão descontraída como divertida. Entre as duas fotos há muita vida. Um noivado desfeito, uma mudança de carreira, um romance escrito, uma pós-graduação terminada, quatro mudanças de casa, muitos lutos, tantas dores. A certa altura, engordei. No ano mais difícil da minha existência, descuidei-me, não queria saber de nada - absolutamente nada. Só da minha dor. Sempre que pensava que estava a sarar, acontecia outra tragédia. O tempo passou e voltei a ter cuidado com as minhas escolhas. Quando me vi nesta fotografia, tive a sensação de que talvez não estivesse assim tão gorda - as bochechas são as mesmas, não há pneus, continuo a sentir as minhas costelas e tenho ossos bem visíveis. No entanto, quando me vejo ao espelho não me sinto bem. Na verdade, não me sinto bem desde que perdi aqueles vinte quilos. É que apesar de não me achar feia, não há muitos dias em que me ache realmente gira. Parece-me que deixei de gostar de mim como mereço. Não importa que me digam quão bonita sou, quão magra estou, não vejo nada disso.

Nunca quis ser skinny, até porque sou uma mulher com 1,70m e a minha estrutura óssea não é esguia. Sou uma ampulheta e gosto das minhas proporções. Tento contrariar cada crítica com um elogio, porque sei que se fosse tão cruel com outra pessoa como sou comigo, estaria sozinha no mundo. Então tento relembrar que as minhas mãos são bonitas, que o meu cabelo é forte, que o meu pescoço é alto e que os meus pés ficam lindos em qualquer par de sapatos. 

Mas quão irónico é que alguém que trabalha directamente com a auto-estima dos seus clientes se sinta assim a seu respeito? Quão estranho é que alguém tido como confiante por todos seja um poço de fragilidade no que toca ao amor pela sua imagem?

Passo os dias a encorajar outras pessoas, a fazê-las ver quão especiais são devido às particularidades que as tornam únicas e dou por mim com tanta dificuldade em aceitar o invólucro que faz parte do todo que sou. 

Foi esse o mote para que ontem me comprometesse um pouco mais com o meu corpo; além de todo o cuidado com a alimentação, decidi investir na actividade física, algo que será um sacrifício tremendo para mim. Na pior das hipóteses, fico com acesso livre ao spa do ginásio durante um ano. Na melhor das perspectivas, aprendo a gostar mais de mim, a ter mais carinho por este corpo que é o meu e a orgulhar-me dele.

1 comentário:

Anónimo disse...

Post mt corajoso e honesto! Parabéns Ana xx