Não gosto de ter dias não.
Não gosto de meia estação.
Não gosto de mentiras.
Não gosto de pessoas que subestimam a inteligência dos outros.
Não gosto de estar de mau humor.
Não gosto de não saber o que vestir.
Não gosto de não querer sorrir.
Não gosto de não conseguir conter lágrimas.
Não gosto de sentir o coração apertado.
Não gosto de ter saudades amargas.
Não gosto de não saber para onde ir.
Não gosto de me sentir assim.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Tudo perfeito na sua imperfeição.
Tudo perfeito na sua imperfeição. Bonito, mas não em demasia. Mais másculo que boneco, como ela preferia. Sorriso lindo, daqueles que congelam o mundo à volta. Mãos perfeitas, voz grave, cabelo denso. Como se Deus tivesse materializado a wishlist dela. Vocês estão a ver o tipo: pernas grossas, ombros largos, um pescoço forte. Um homem. Um homem moreno, grande mas mimento. Inteligente e divertido. Livre, tão livre que surpreende. Um homem que a fazia sentir-se mulher. Dançou com ela na rua, num parque de estacionamento, sem música. Riam-se juntos. E pouco depois, ele puxava-a para si. Ela afastava-se, centímetros entre eles, ele puxava-a para si novamente. Ela demorou a dar-se, tantos medos. Ele não fez nada de especial, foi tudo tão inusitado e dizem que quando não esperamos, a Vida nos surpreende. Ela achou que aquela tinha sido uma boa surpresa que a Vida lhe trouxera. Acreditou piamente nisso. Já não queria nada, já não acreditava em nada, ele apareceu. Foi ele que apareceu. Sem saber porquê, deixou-se levar. Conversavam imenso, baboseiras ou temas sérios, despudorados. Pareciam ter tanto em comum e ele fazia-a sentir-se capaz de fazer tudo. Era uma menina, com ele. Ao contrário do que fazia sempre, despiu as roupas de mulher adulta e segura para se mostrar tal como era. Deu-se. Sem perder tempo com jogos. É que ao lado dele, era tudo leve e o resto não interessava. Encantou-se e eu até consigo precisar em que fracção de segundo, em que ínfimo espaço temporal tudo mudou. Foi ali. Estava sentada. Perna traçada. Tinham acabado de ver o pôr-do-sol mais marcante do Verão dela, sentados na areia, em frente ao mar. Ele não sabia, mas ela já estava envolvida quando a abraçou e a fez sentir-se protegida. Uma menina. O caminho de regresso à realidade, depois de se encontrarem, era sempre tão sereno. Tanta paz. Nunca lhe tinha acontecido. Era sempre absorvida por uma extrema excitação quando vivia um novo romance. Havia sempre um acelerar do coração. Não desta vez. Desta vez era enorme a paz que a envolvia. Era suave o sorriso. Era simples. E quando deu por ela, por causa de tudo o que estavam a ser e de como era tudo diferente, já tinha expectativas. Já queria mimá-lo. Já queria. Já sonhava. Sonhou ser a cúmplice, mostrar-lhe que com ela era tudo melhor. Ele tinha o estigma da ovelha negra, ela faria com que sentisse que pertencia ali, junto dela. Que podiam ser os dois estranhos e criar um mundo onde ela seria o sol que lhe iluminaria aquele lado lunar tão acentuado. Seriam cúmplices. Ela já sonhava.
E quando deu por ela, era tudo mentira.
Provavelmente, nunca saberá o que realmente aconteceu. Ele foi-se embora e ela até chorou. Sentiu falta dele. Do sorriso lindo, daqueles que congelam o mundo à volta. Das mãos perfeitas, da voz grave, do cabelo denso que acariciou enquanto o viu adormecer. Sentiu saudades das conversas, do abraço, do beijo. De lhe tocar. Do cheiro dele. De tudo o que tinha imaginado e que ainda não tinha concretizado. Como nestas coisas do coração sempre foi de oito ou oitenta, de tudo ou nada, de ter ou não ter, de sim ou sopas, não se contentou com migalhas. Não conseguiu ir contra a sua natureza. Não quis ser mais uma amiga daquelas que se procuram quando apetece. Ama-se tanto, ama-se mais do que a qualquer outra pessoa, ama-se profundamente. E respeita-se, coisa que caiu em desuso. Então pegou nos seus sentimentos e tirou-os de si - confessou-os. Disse-lhe tudo e veio-se embora também. Ele ficou com eles, já podia guardá-los ou deitá-los fora. Ela esvaziou-se. E passado pouco tempo, ele já era só uma memória. Já não era tão bonito. Já não era perfeito. Ela diz que a falta de carácter torna as pessoas menos bonitas. Que quando amamos, os olhos adoçam e por isso não temos amigos feios. Por seu turno, quando se revela um interior feio, também a aparência do outro se transforma perante o nosso olhar e a beleza física acaba por se esvair.
Não o odeia, mas ainda lhe custa acreditar no que lhe aconteceu e como tem de atribuir significados a tudo o que a rodeia, diz que talvez ele tenha aparecido simplesmente para lhe provar que estava errada: que quer ter alguém por perto tão livre como ela, para correr por aí sem aquela confortável sensação de que se alimenta quem se afirma como um solitário. Que os sonhos não morreram, talvez os tenha abafado antes por ser mais difícil correr o risco de tentar ser feliz do que acreditar que a felicidade não é para nós.
E quando deu por ela, era tudo mentira.
Provavelmente, nunca saberá o que realmente aconteceu. Ele foi-se embora e ela até chorou. Sentiu falta dele. Do sorriso lindo, daqueles que congelam o mundo à volta. Das mãos perfeitas, da voz grave, do cabelo denso que acariciou enquanto o viu adormecer. Sentiu saudades das conversas, do abraço, do beijo. De lhe tocar. Do cheiro dele. De tudo o que tinha imaginado e que ainda não tinha concretizado. Como nestas coisas do coração sempre foi de oito ou oitenta, de tudo ou nada, de ter ou não ter, de sim ou sopas, não se contentou com migalhas. Não conseguiu ir contra a sua natureza. Não quis ser mais uma amiga daquelas que se procuram quando apetece. Ama-se tanto, ama-se mais do que a qualquer outra pessoa, ama-se profundamente. E respeita-se, coisa que caiu em desuso. Então pegou nos seus sentimentos e tirou-os de si - confessou-os. Disse-lhe tudo e veio-se embora também. Ele ficou com eles, já podia guardá-los ou deitá-los fora. Ela esvaziou-se. E passado pouco tempo, ele já era só uma memória. Já não era tão bonito. Já não era perfeito. Ela diz que a falta de carácter torna as pessoas menos bonitas. Que quando amamos, os olhos adoçam e por isso não temos amigos feios. Por seu turno, quando se revela um interior feio, também a aparência do outro se transforma perante o nosso olhar e a beleza física acaba por se esvair.
Não o odeia, mas ainda lhe custa acreditar no que lhe aconteceu e como tem de atribuir significados a tudo o que a rodeia, diz que talvez ele tenha aparecido simplesmente para lhe provar que estava errada: que quer ter alguém por perto tão livre como ela, para correr por aí sem aquela confortável sensação de que se alimenta quem se afirma como um solitário. Que os sonhos não morreram, talvez os tenha abafado antes por ser mais difícil correr o risco de tentar ser feliz do que acreditar que a felicidade não é para nós.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Ana Capaz
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| Beyoncé |
Para os que ainda não conhecem a plataforma, trata-se de um espaço que merece toda a nossa atenção e sobre o qual podem ler ali.
Nunca soube ser outra coisa senão eu.
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| Emma Stone |
Depois de umas férias em modo nómada, marcadas pela óbvia sensação de que não houve tempo para descanso, comecei a saga da procura de apartamento em Lisboa. De Pombal, a única cidade a que chamei de casa, para aquela que me viu nascer. Depois de muita correria e de muito desespero, a casinha apareceu e eu vim. Vim com a sensação de quem não tem nada a perder. Vim começar do zero. Atrás de mim, ficou um percurso rico em experiência, que me deu a tarimba necessária para me sentir preparada para fazer mais e melhor. Na bagagem, trouxe muito mais do que preciso para o dia-a-dia. Trouxe as saudades da minha casa, do meu quarto lindo, da minha cama, da cozinha espaçosa onde gosto de cozinhar. As imensas saudades do meu pai. As saudades da minha cadela a receber-me diariamente em histeria, como se ver-me fosse o ponto alto da sua vida. As saudades dos meus gatos, os dois aos meus pés. Trouxe os meus amigos que ainda estão ali, a tentar evitar a desertificação, enquanto dão vida ao concelho que vai do mar à serra. Claro que há telemóveis, claro que estou a uma hora e meia de tudo isto... mas não estou lá. E apesar de Lisboa ser a minha cidade preferida, gosto mesmo é de vir cá em lazer. Nunca quis morar aqui. Sempre soube que a minha vida profissional acabaria por ter de passar pela capital, mas desejo ainda que seja apenas uma fase e que possa vir a dividir-me entre esta e outra cidade. Uma como Pombal, onde a qualidade de vida é insuperável. Uma onde os meus filhos possam ir fazer uma consulta ao domicílio com o avô veterinário, onde possam andar de bicicleta pela rua até anoitecer, onde brincar signifique algo parecido com o que fiz na minha infância.
Para já, estou aqui. Sem nada, a começar do zero. Os compassos de tempo na minha vida sempre foram diferentes dos das outras vidas: enquanto todos pensam em casar e ter filhos, ando eu nesta loucura estranha de começar uma nova etapa, novo emprego e novo curso. Nunca soube ser igual aos outros. Nunca soube fazer como os outros. Nunca soube ser outra coisa senão eu.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
t r i n t a
Hoje é o meu último dia com 29 anos. Amanhã, aliás, a partir da meia-noite, passo a ter 30. E não me apetecia nada. Não quero. Não me identifico com esse número. Não tem sequer relação com o meu já antigo medo de envelhecer. É mais que isso. Não me sinto uma mulher de 30 anos. Idealizei imenso, sonhei demasiado. Esperava estar noutra fase da minha vida, ter tudo aquilo que ainda não tenho, sentir-me como não me sinto. Isto correu de maneira muito diferente do que tinha planeado. Talvez não devesse ter permitido que as expectativas fossem tão altas, mas tudo o que quero não é assim tanto. Não tenho e dói-me. E não me venham com aquela treta de que tenho que valorizar o que tenho em vez de pensar no que me faz falta, porque isso eu já sei e já faço.
Trinta anos de uma vida cheia. Uma vida que parece um electrocardiograma, cheia de altos e baixos. Uma vida cheia de amor. A vida que Deus me deu. Uma família maravilhosa, tantos amigos especiais. Experiências incríveis. Muitos caracteres escritos desde pequenina. Uma criança estranhamente amorosa e muito sossegada, uma adolescente patinho feio, um florir extrovertido e alegre. Um curso, depois outro. Trabalhar num jornal já extinto, estar envolvida na fundação de outro. O meu grande feito, o meu romance terminado. Já estive noiva, já deixei de estar. Tantos que foram, tantos que chegaram. Tantos que chegam para ficar. Tanto por fazer. Nada por dizer.
Em altura de balanço, já me fartei de chorar. Cheguei à conclusão de que a próxima década será aquela em que tudo muda. Estive a preparar-me durante as três anteriores para o que aí vem. Quero tudo.
Trinta anos de uma vida cheia. Uma vida que parece um electrocardiograma, cheia de altos e baixos. Uma vida cheia de amor. A vida que Deus me deu. Uma família maravilhosa, tantos amigos especiais. Experiências incríveis. Muitos caracteres escritos desde pequenina. Uma criança estranhamente amorosa e muito sossegada, uma adolescente patinho feio, um florir extrovertido e alegre. Um curso, depois outro. Trabalhar num jornal já extinto, estar envolvida na fundação de outro. O meu grande feito, o meu romance terminado. Já estive noiva, já deixei de estar. Tantos que foram, tantos que chegaram. Tantos que chegam para ficar. Tanto por fazer. Nada por dizer.
Em altura de balanço, já me fartei de chorar. Cheguei à conclusão de que a próxima década será aquela em que tudo muda. Estive a preparar-me durante as três anteriores para o que aí vem. Quero tudo.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
sem lugar
Na Igreja, pecadora. No mundo, uma santa.
Para os betinhos, louca. Entre os loucos, deslocada.
Demasiado profunda para os fúteis. Demasiado fútil para os intelectuais.
Muito formal para a média. Muito descontraída na formalidade.
Tão africana na Europa. Tão portuguesa em Angola.
Nem gorda, nem magra.
Nem baixa, nem alta.
Nem preta, nem branca.
Nem loura, nem morena.
Para os betinhos, louca. Entre os loucos, deslocada.
Demasiado profunda para os fúteis. Demasiado fútil para os intelectuais.
Muito formal para a média. Muito descontraída na formalidade.
Tão africana na Europa. Tão portuguesa em Angola.
Nem gorda, nem magra.
Nem baixa, nem alta.
Nem preta, nem branca.
Nem loura, nem morena.
terça-feira, 21 de julho de 2015
aquelas cartas que nunca chegarão aos destinatários
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| Cara Delevingne |
Chorei a tua partida de uma maneira tão solene, como uma viúva que recusa a morte do amor de uma vida, que olhando para trás nem percebo porque o fiz. A dor de perder o que nunca se chegou a possuir é cruel como matar os sonhos. E os que sonhei contigo eram tão humildes. Modestos. Simples. Pequenos. Redutores. Quis caber onde não havia espaço para mim. Diminuí-me, consciente da parvoíce que é tentar enfiar um pé 38 num sapato 35.
Não era tanto o sentimento, nem tão grande a afeição. Era a ilusão. A pele. Mais que tudo, era o errado. Nunca tinha errado tão bem.
E agora que já passou tanto tempo, mais de um ano, podes fazer o favor de não me incomodar?
segunda-feira, 20 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Gosto tanto.
Não costumo falar das minhas preferências quanto a correntes artísticas porque provavelmente, esse é dos poucos temas que não gosto de discutir. Melhor sentir que pensar. Melhor absorver que tentar expressar. Mas dos poucos artistas em que investiria, se pudesse, era John Hoyland. Gosto tanto.
Tanto, mas tanto, que gasto tempo a olhar. Só.
Tanto, mas tanto, que gasto tempo a olhar. Só.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Quero muito regressar a Londres antes do final deste ano.
E o sketch restaurant será uma paragem obrigatória. Não é lindo? Não é apenas um restaurante, são vários. Há bar, há galeria, tudo num só espaço onde até as casas de banho são brutais.
Não é maravilhosamente apelativo?
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| (a entrada) |
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| (as casas de banho) |
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Calçava só isto.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
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E o cuidado que temos que ter com aqueles com quem criamos memórias? Sabemos lá no que nos estamos a meter quando abrimos a porta. As memórias podem durar uma vida e tantas pessoas são passageiras.
São os pequenos raios de luz que guardamos em nós, e que nos fazem brilhar o olhar quando nos lembramos. Não controlamos nada disto, na verdade. Acontece.
E é tão bom que aconteça, que nos alimente durante dias, semanas. E que depois fique guardado em nós. E há-de chegar o dia em que passam a morar cá dentro, as pessoas. Elas quiseram, nos deixámos. E as memórias criar-se-ão todos os dias.
São os pequenos raios de luz que guardamos em nós, e que nos fazem brilhar o olhar quando nos lembramos. Não controlamos nada disto, na verdade. Acontece.
E é tão bom que aconteça, que nos alimente durante dias, semanas. E que depois fique guardado em nós. E há-de chegar o dia em que passam a morar cá dentro, as pessoas. Elas quiseram, nos deixámos. E as memórias criar-se-ão todos os dias.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
it feels right
Desde pequenina que não sei ser feliz. Só feliz. Simplesmente feliz. Choro sempre quando algo de bom me acontece, não apenas por comoção mas por sentir que talvez não merecesse tanto e por medo de perder aquela sensação, aquelas fracções de segundo de plenitude. Como uma tristeza antecipada por saber que vou inevitavelmente deixar de estar feliz. Sou assim, não sei se algum dia deixarei de ser. Vivo numa ansiedade constante, numa incessante tentativa de não acreditar nas convicções que fui deixando morar em mim: que não mereço, que não é para mim, que não sou digna. Há tanta gente melhor que eu, porque seria escolhida para receber as coisas que mais valorizo?
Não é falsa humildade nem falsa modéstia. Não se trata sequer de uma vitimização. Apesar de ser uma sonhadora incurável, já perdi tantas vezes que desaprendi a esperança. E já vi perder tantas vezes que só acredito quando tenho na mão. Vi sonhos desmoronarem-se por pequenos desleixos e por excesso de confiança, metas que não foram alcançadas porque no último metro aconteceu algo que roubou o segundo de vitória que já se via tão perto. Já assisti à queda de impérios, à morte de famílias, a reviravoltas assustadoras. Isto da vida é uma barafunda.
No meio de tanta ferida, tanta cicatriz e tanto medo, quando surge uma brisa suave e salgada, com aquele cheiro doce das dunas, obrigando-nos a parar e a sentar, não sabemos o que fazer. Contemplamos. E assim sossegamos. E já sabemos o que vai acontecer. Sabemos tudo, mas não podemos contar a ninguém. Porque quem sabe não somos nós, é o nosso espírito - ele sabe sempre mais do que nós, porque não é toldado pela racionalidade nem pelos sentidos ou pelo conhecimento adquirido através da experiência. O nosso espírito sabe, simplesmente. Intuitivamente.
Então mesmo que queiramos agir contra nós, abrimos os braços e atiramo-nos. Sem pensar muito no que virá depois. Porque o que virá depois não pode ser pior do que aquilo que deixámos para trás.
Traí-me. E eu sei porquê. Para quê.
Obrigada.
(E se a minha escrita for profética, como dizes, que o meu desejo fique aqui gravado nas entrelinhas...)
Não é falsa humildade nem falsa modéstia. Não se trata sequer de uma vitimização. Apesar de ser uma sonhadora incurável, já perdi tantas vezes que desaprendi a esperança. E já vi perder tantas vezes que só acredito quando tenho na mão. Vi sonhos desmoronarem-se por pequenos desleixos e por excesso de confiança, metas que não foram alcançadas porque no último metro aconteceu algo que roubou o segundo de vitória que já se via tão perto. Já assisti à queda de impérios, à morte de famílias, a reviravoltas assustadoras. Isto da vida é uma barafunda.
No meio de tanta ferida, tanta cicatriz e tanto medo, quando surge uma brisa suave e salgada, com aquele cheiro doce das dunas, obrigando-nos a parar e a sentar, não sabemos o que fazer. Contemplamos. E assim sossegamos. E já sabemos o que vai acontecer. Sabemos tudo, mas não podemos contar a ninguém. Porque quem sabe não somos nós, é o nosso espírito - ele sabe sempre mais do que nós, porque não é toldado pela racionalidade nem pelos sentidos ou pelo conhecimento adquirido através da experiência. O nosso espírito sabe, simplesmente. Intuitivamente.
Então mesmo que queiramos agir contra nós, abrimos os braços e atiramo-nos. Sem pensar muito no que virá depois. Porque o que virá depois não pode ser pior do que aquilo que deixámos para trás.
Traí-me. E eu sei porquê. Para quê.
Obrigada.
(E se a minha escrita for profética, como dizes, que o meu desejo fique aqui gravado nas entrelinhas...)
quarta-feira, 8 de julho de 2015
boazinha o caraças
Não sei o que fiz para se habituarem ao melhor de mim. Não sei onde demonstrei ser tão perfeita. Já deviam ter percebido que esperar muito de alguém é o melhor caminho para a desilusão.
Não suporto cobranças, expectativas, pressões. Basta uma das três para me virar do avesso.
Não suporto cobranças, expectativas, pressões. Basta uma das três para me virar do avesso.
terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
«Liberdade é poder de escolha. Escolhe o que te acalma o coração.»
Há dias em que gostaria de abrir mão do livre-arbítrio. Desta capacidade de decidir tudo, que me faz pensar tanto. Há dias em que queria apenas que Deus me levasse na corrente, que me desaguasse onde bem entendesse, que me fundisse com um oceano qualquer onde pudesse desaparecer para sempre. Sem ter que escolher nada. Nesses dias, sinto-me culpada pelos medos que tenho, pela fé que ainda é tão pequena, pelas inseguranças que tomam conta de mim. Afogo-me nelas.
Tenho o coração de uma criança. Frágil. Sou uma menina num corpo de mulher. Uma presença forte que esconde tantas fraquezas. Não sou como toda a gente, fácil de gostar, de amar, de querer. Sou um desafio para mim mesma, uma farsa constante, um medo de ser descoberta. Uma fachada. Personagem de mim.
Tornei-me em tudo o que quis ser - esforcei-me tanto para me construir, que me cansei. Agora já só quero despir-me e ser eu. Eu, debaixo do invólucro. Eu, invisível aos olhos. Eu.
Tenho o coração de uma criança. Frágil. Sou uma menina num corpo de mulher. Uma presença forte que esconde tantas fraquezas. Não sou como toda a gente, fácil de gostar, de amar, de querer. Sou um desafio para mim mesma, uma farsa constante, um medo de ser descoberta. Uma fachada. Personagem de mim.
Tornei-me em tudo o que quis ser - esforcei-me tanto para me construir, que me cansei. Agora já só quero despir-me e ser eu. Eu, debaixo do invólucro. Eu, invisível aos olhos. Eu.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
o insustentável peso do que foi
Aprendi a aprender com o passado. Aprendi de tal forma que não consigo desaprender. Como se tudo o que foi começasse a pesar demasiado no meu hoje. Aprender com o que vivemos deveria preparar-nos para o futuro e não impedir-nos de viver o presente em pleno, certo?
Principalmente quando o presente é mesmo um presente.
Não sei como me ensinei tão bem a fechar-me nesta armadura rígida. Tranquei-me. E acho que perdi as chaves para me soltar.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Hoje começa o meu mês
terça-feira, 30 de junho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
começar a semana com ternura
O namorado da Mana é surfista. Ela dizia-me que não havia coisa mais fofa do que vê-lo com o poncho vestido, depois de horas no mar. E eu não percebia. Eis-me aqui, a dar a mão à palmatória: não há nada mais querido do que um homem de poncho. E com esta me vou. Obrigada, boa noite.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
dos traumas, dos dramas, dos medos.
Tudo o que somos inclui o que fomos, o que vivemos, o que sentimos, o que ouvimos, o que dissemos, o que fizemos, o que quisemos, o que chorámos, o que lemos, o que escrevemos, o que guardámos em nós.
Memórias, lembranças, o nosso trilho. Aprendemos tanto, tantas coisas bonitas. E aprendemos tanto, tantas coisas feias. E porque somos seres de hábitos, habituamo-nos também ao que não é bom. Aprendemos a criar defesas, a desconfiar, a manter distâncias de segurança. Aprendemos a ser vítimas.
A verdadeira sabedoria está em não condicionar o presente pelas dores que já foram. A verdadeira coragem está em não permitir que o medo nos faça fugir de tudo o que é bonito porque é mais fácil continuar a acreditar que os lugares feios foram desenhados para que lá vivamos.
Quão injusto seria não abrir portas, não destruir muralhas, não quebrar barreiras entre nós e os outros. Não somos todos iguais. As histórias são todas diferentes. Não somos o casamento complicado dos nossos pais, não somos os namoros que terminaram mal nem os amigos que nos traíram. Aprendemos com tudo isso, mas se nos amamos, se nos respeitamos, não podemos diminuir-nos e restringirmo-nos à repetição de padrões.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
i n v e j a
in·ve·ja |â| ou |ê| ou |âi|
substantivo feminino
1. Desgosto pelo bem alheio.
2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).
"inveja", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]
Não tenho em mim aquela semente verde da inveja. Não tenho. Não faz parte de mim. Não compreendo. Não aceito. Não sinto.
Detesto quando começam com a treta da "inveja branca". Inveja é inveja, é mau e acabou. Se se sente, há que suprimi-la. Podemos educar-nos. Como é que se pode dizer "ai que estou aqui roída de inveja branca"? Inveja branca o caraças, pá. Acredito nas energias que emanamos, por isso fico toda acagaçada com essas porcarias. Já sabemos que existe, que até uma pessoa com tudo para ser invejada pode querer o que o outro tem, mesmo que o que o outro tenha seja quase nada. A inveja é sempre fruto de um de cinco factores: fraca auto-estima, complexos de inferioridade atrozes, insatisfação crónica, falta de formação ou pura maldade.
Quando digo que não sinto inveja, não quer dizer que não queira para mim algo que outra pessoa tem. Bom, normalmente, quando quero algo que outra pessoa tenha, quero noutro formato, com características diferentes - desde o carro bonito até ao casamento ou à conta bancária. Até posso precisar de mais dinheiro para o estilo de vida que me parece confortável, mas vivo bem com o que tenho e sei que hei-de lá chegar. Posso querer muito casar, mas não quero aquela relação peganhenta. Posso querer muito um carro tão giro como o daquela gaja, mas não aquele modelo nem aquela cor. Contudo, por mais que alguém perto de mim alcance um determinado objectivo que também espero alcançar futuramente, não vou passar sequer um segundo da minha vida a remoer aquilo amargamente. Porque antes de mais nada, ficarei feliz pela pessoa. E ver que aconteceu noutra existência dá-me ânimo e motivação para acreditar que posso vir a receber o que desejo, porque afinal é possível. Simples.
Apesar de não ser dotada dessa característica desprezível que é ser invejosa, tenho um radar invejável para detectar manifestações desse que é um dos sete pecados mortais. Reparo no olhar de lado para aquele par de sapatos maravilhoso, que resulta num salto partido ao chegar a casa. Na ausência de contenção de raiva quando partilhamos uma boa notícia. Nas palavras que se soltam dos menos cínicos ou dissimulados, que os denunciam: "Só a mim é que não me acontece isso"; "Como é que tens tanta sorte?"; "Tens mais sorte que juízo"; "Porque é que a mim não me cai tudo do céu como a ti?"; "Mas porque é que eu também não tenho isso?"... podia ficar aqui horas a enumerar exemplos ou a relatar episódios.
Não compreendo. Não gosto. Não aceito. Basta isto para que me feche em copas e viva sossegada no meu canto, preferindo que todos acreditem na miserabilidade da minha vidinha vã. Não conto nada a ninguém, não abro brechas para que me atinjam com esses dardos de má onda. E só com o dinheiro na mão é que digo que ganhei a lotaria. A alguns, porque não há cá merdas.
terça-feira, 23 de junho de 2015
o amor é eterno
Não é maravilhoso que depois de uma morte, o amor que sentimos por alguém não morra? Não é maravilhosa esta capacidade que temos de continuar a gostar tanto mesmo depois do desaparecimento físico? Olhando com os olhos de uma criança, como se fosse a primeira vez que pensamos nisto, como se não fosse um dado adquirido ou uma verdade universal, é delicadamente bonito que mesmo sem corpo para abraçar, sem olhos para olhar, sem voz para ouvir, continue tão vivo o amor por alguém. Arrumamos o sentimento na gaveta das saudades, numa tentativa de racionalizar o amor que nos ficou, apesar da partida do outro. Quem morre deixa de ser matéria, mas permanece. Na memória, nas recordações, na lágrima de quem sente a falta, na gargalhada que não se contém ao lembrar um episódio engraçado.
Minha Vó não morre nunca. Se fechar os olhos, lembro-me de tudo: das mãos enrugadas, tão bonitas. Das sobrancelhas, sempre tão expressiva. Da voz. Do cheiro. Consigo voltar ao meu corpo de menina e vê-la pentear-se em frente ao espelho. Sento-me à mesa com ela, sinto o aroma do seu pequeno-almoço, que lhe roubava descaradamente. Se fizesse igual para mim, não me sabia tão bem. E quando estou triste, é do colo dela que sinto falta, onde encostava a minha cabeça e lhe contava sobre o que me inquietava. E quando estou feliz, é ela a primeira pessoa a quem queria contar o que de bom me aconteceu.
Minha Vó pedia-me para cantar para ela. E durante anos, era a única pessoa que recebia mimos meus sem pedir, que eu não era uma criança muito afectuosa. O abraço, o beijinho, a festinha, eram dela. E que saudades que eu tenho de lhe tocar. Não há momento marcante em que não sinta a falta da minha Vó aqui. Queria a companhia dela, queria ir à praia com ela, queria que soubesse que o maior feito da minha vida lhe presta homenagem, queria agradecer-lhe por me ter dado tanto, por ter sido tanto. Dizer-lhe que não seria eu sem a existência dela. Que foi importante, mesmo sendo tantas vezes incompreendida e subestimada. Que me orgulho da mulher forte que sempre foi. Que me inspira a sua força. Queria contar-lhe da mulher em que me tornei.
Minha Vó aparece-me nos sonhos, de vez em quando. E eu mato saudades, acordo feliz. Esta noite não tive esse privilégio e hoje acordei com um aperto enorme no peito. Falta pouco tempo para o dia de anos dela e o mundo não sabe. Não sabe de tanta humildade, de tanta dignidade, do cantar nos dias tristes, da lágrima difícil, ao contrário da minha. O mundo não sabe de como insistia nas lições chatas, só para ter a certeza de que eu tinha bom carácter. De como eras ciumenta - ai de mim que não interrompesse as minhas brincadeiras com as outras crianças para te vir dar um beijo, de cinco em cinco minutos. De como demoravas tanto para te vestir.
Minha Vó dançava e ria às gargalhadas, apesar de ter tantos motivos para querer morrer.
Minha Vó era analfabeta. Não sabia ler nem escrever. E sabia tanto. Foi tanto. Era tanto. É tanto.
Lembro-me do dia em que soube que o corpo não ia aguentar tanto tempo como eu desejava. Começou a não corresponder à lucidez de quem o vestia. Os passos mais curtos e lentos, as quedas constantes. Fiz como ainda faço: fingi que não era preocupante, agi com naturalidade apesar do medo de deixar de tê-la ao meu lado todos os dias. Nem podia imaginar como era viver sem tê-la comigo. E fui crescendo e percebendo melhor tudo o que viveu, passando a admirá-la cada vez mais.
E com a admiração, também a saudade aumenta.
Minha Vó não morre nunca. Se fechar os olhos, lembro-me de tudo: das mãos enrugadas, tão bonitas. Das sobrancelhas, sempre tão expressiva. Da voz. Do cheiro. Consigo voltar ao meu corpo de menina e vê-la pentear-se em frente ao espelho. Sento-me à mesa com ela, sinto o aroma do seu pequeno-almoço, que lhe roubava descaradamente. Se fizesse igual para mim, não me sabia tão bem. E quando estou triste, é do colo dela que sinto falta, onde encostava a minha cabeça e lhe contava sobre o que me inquietava. E quando estou feliz, é ela a primeira pessoa a quem queria contar o que de bom me aconteceu.
Minha Vó pedia-me para cantar para ela. E durante anos, era a única pessoa que recebia mimos meus sem pedir, que eu não era uma criança muito afectuosa. O abraço, o beijinho, a festinha, eram dela. E que saudades que eu tenho de lhe tocar. Não há momento marcante em que não sinta a falta da minha Vó aqui. Queria a companhia dela, queria ir à praia com ela, queria que soubesse que o maior feito da minha vida lhe presta homenagem, queria agradecer-lhe por me ter dado tanto, por ter sido tanto. Dizer-lhe que não seria eu sem a existência dela. Que foi importante, mesmo sendo tantas vezes incompreendida e subestimada. Que me orgulho da mulher forte que sempre foi. Que me inspira a sua força. Queria contar-lhe da mulher em que me tornei.
Minha Vó aparece-me nos sonhos, de vez em quando. E eu mato saudades, acordo feliz. Esta noite não tive esse privilégio e hoje acordei com um aperto enorme no peito. Falta pouco tempo para o dia de anos dela e o mundo não sabe. Não sabe de tanta humildade, de tanta dignidade, do cantar nos dias tristes, da lágrima difícil, ao contrário da minha. O mundo não sabe de como insistia nas lições chatas, só para ter a certeza de que eu tinha bom carácter. De como eras ciumenta - ai de mim que não interrompesse as minhas brincadeiras com as outras crianças para te vir dar um beijo, de cinco em cinco minutos. De como demoravas tanto para te vestir.
Minha Vó dançava e ria às gargalhadas, apesar de ter tantos motivos para querer morrer.
Minha Vó era analfabeta. Não sabia ler nem escrever. E sabia tanto. Foi tanto. Era tanto. É tanto.
Lembro-me do dia em que soube que o corpo não ia aguentar tanto tempo como eu desejava. Começou a não corresponder à lucidez de quem o vestia. Os passos mais curtos e lentos, as quedas constantes. Fiz como ainda faço: fingi que não era preocupante, agi com naturalidade apesar do medo de deixar de tê-la ao meu lado todos os dias. Nem podia imaginar como era viver sem tê-la comigo. E fui crescendo e percebendo melhor tudo o que viveu, passando a admirá-la cada vez mais.
E com a admiração, também a saudade aumenta.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
...e de repente, é Verão outra vez.
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| Laetitia Casta |
E é Verão, apesar de sentir Primavera em mim. Está um calor maravilhoso, mas quem se habitua ao frio sofre com as subidas de temperatura. Quem se acomoda à lágrima esquece como se sorri. Quem enfrenta mágoas de peito aberto, demora a aceitar bênçãos. Sou assim: espero o Inverno inteiro pelo momento em que sinto o Sol queimar-me a pele, mas quando ele finalmente chega, tenho receio da insolação. Tenho dificuldades em viver o presente, medo de não saber aproveitá-lo, entro em pânico ao pensar que vai acabar e que vou voltar ao gélido e cinzento Inverno.
É estranho. Quando se trata de algo negativo, sou tão fria, decidida e despachada, resolvo tudo a sangue frio, faço o que tem de ser feito com segurança e convicção, mesmo que me deixe partida. A descarga de stress só chega depois, na quietude do meu quarto. Por outro lado, quando alguma coisa boa me chega, toda eu sou mãos trémulas e ansiedade, choro e fragilidade.
Quase trinta anos e ainda estou a aprender.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
produtos perfeitos para malta preguiçosa
Uma pessoa pode ser vaidosa mas ter uma certa preguiça de estar constantemente a retocar a cor das unhas e dos lábios, certo? That's me. Não suporto verniz a lascar nem lábios que me façam ir constantemente ver se a cor está no sítio. Decidi partilhar convosco as minhas descobertas mais importantes deste semestre.
Uma amiga falou-me de um batom para lá de espectacular: que além de ser fácil de aplicar, se aguentava intacto a noite inteira. E quando digo «a noite», não estou a referir-me a um jantar e um copo em qualquer lado. «A noite» é até às sete da manhã. Parecia tanga, mas não é. É tipo só a melhor coisa do mundo.
Sempre tive facilidade em fazer a cor durar nos lábios (base+contorno nude+preenchimento com lápis da cor do batom+primeira passagem+remoção do excesso com papel higiénico+pó solto+segunda passagem de cor), mas este supera tudo!
Experimentei um encarnado e um nude e não me apetece ir verificar os nomes, mas também não interessam para nada porque há mil tonalidades:
Simples: de um lado, o batom líquido, estilo gloss ou tinta para lábios. Do outro, o bálsamo hidratante. Extremamente confortável. O único defeito que lhe encontrei foi não sair com desmaquilhante, nem com toalhitas, nem no banho...
E depois há o verniz, no mesmo registo: de um lado, a cor; do outro, o top coat. Comprei um nude e um encarnado, só para ser original, e dura duas semanas intacto.
O pincel é largo, pelo que a aplicação é uniforme. Outra vantagem: seca rápido, não são precisas horas de espera de dedinhos estendidos!
Infallible Lips & Nails by L'Oréal Paris. Vale a pena, meus amores. Olhem que vale.
Uma amiga falou-me de um batom para lá de espectacular: que além de ser fácil de aplicar, se aguentava intacto a noite inteira. E quando digo «a noite», não estou a referir-me a um jantar e um copo em qualquer lado. «A noite» é até às sete da manhã. Parecia tanga, mas não é. É tipo só a melhor coisa do mundo.
Experimentei um encarnado e um nude e não me apetece ir verificar os nomes, mas também não interessam para nada porque há mil tonalidades:
Simples: de um lado, o batom líquido, estilo gloss ou tinta para lábios. Do outro, o bálsamo hidratante. Extremamente confortável. O único defeito que lhe encontrei foi não sair com desmaquilhante, nem com toalhitas, nem no banho...
E depois há o verniz, no mesmo registo: de um lado, a cor; do outro, o top coat. Comprei um nude e um encarnado, só para ser original, e dura duas semanas intacto.
O pincel é largo, pelo que a aplicação é uniforme. Outra vantagem: seca rápido, não são precisas horas de espera de dedinhos estendidos!
Infallible Lips & Nails by L'Oréal Paris. Vale a pena, meus amores. Olhem que vale.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
algures entre o oito e o oitenta
E então tu aprendes a ser fria. Aprendes finalmente a não dar de ti. A não querer saber. Aprendes a não ter interesse, a não mostrar quem és. Ensaiaste a tua melhor poker face, tornaste-te na melhor jogadora possível. Aprendeste a lição: a vida é assim e o mundo é dos fortes. Estamos sozinhos no planeta, isto não está feito para meninos e já que ninguém toma conta de ti, tens de ser tu a zelar pelo teu bem-estar. Somos as ilhas de que Pessoa falava e não arquipélagos. Somos individuais, sós. Todos são susceptíveis de nos causar uma dor, principalmente os que tínhamos como pilares, até os que considerámos basilares. Sem ilusões, não há desilusões. Não tens tempo para merdas. Segues o teu caminho focada em ti, na tua vida, na tua carreira, nos teus projectos. Sozinha. Ergueste muralhas em torno da tua fragilidade e prometeste que a sujeição à vulnerabilidade nunca mais seria uma realidade para ti. Se por um lado, há um amargo de boca com esta decisão, pelo menos há a esperança de não voltar aos lugares escuros onde te deixaste chegar da última vez que confiaste em alguém. Das últimas vezes que confiaste em alguém.
Ainda por cima tu, que tens tantos problemas relacionados com confiança. É normal que prefiras quartos de motel frios ao sofá da casa dele. É normal que optes pelo secretismo em vez de dizer ao mundo que há alguém que mexe contigo. É normal que não penses em agradar ninguém e digas simplesmente o que te apetece, sem medo de deixar uma impressão negativa nos outros - talvez até prefiras ter um impacto negativo nos que se aproximam de ti. É normal que sejas bruta, que fujas, que nem queiras ver o que te está a acontecer. É normal que desvalorizes qualquer coisa bonita que te digam. É normal.
Mas depois há-de aparecer alguém que te fará questionar se a força está em jogar «como tem de ser» ou se, por outro lado, ser forte é não temer a entrega. E no labirinto que é a vida, já não sabes para onde ir.
Lembro-me daquela frase profética que uma amiga que se tornou irmã me deu, antes de decidir tornar-me nesta pessoa que mantém trancada a gaveta dos sentimentos: Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo. Talvez tenha sido esse o problema. Talvez nunca tenha percebido, eu que sou o arquétipo dos meios-termos, que também nessas coisas pode existir uma zona cinzenta, que não tem de ser o oito ou o oitenta.
Ainda por cima tu, que tens tantos problemas relacionados com confiança. É normal que prefiras quartos de motel frios ao sofá da casa dele. É normal que optes pelo secretismo em vez de dizer ao mundo que há alguém que mexe contigo. É normal que não penses em agradar ninguém e digas simplesmente o que te apetece, sem medo de deixar uma impressão negativa nos outros - talvez até prefiras ter um impacto negativo nos que se aproximam de ti. É normal que sejas bruta, que fujas, que nem queiras ver o que te está a acontecer. É normal que desvalorizes qualquer coisa bonita que te digam. É normal.
Mas depois há-de aparecer alguém que te fará questionar se a força está em jogar «como tem de ser» ou se, por outro lado, ser forte é não temer a entrega. E no labirinto que é a vida, já não sabes para onde ir.
Lembro-me daquela frase profética que uma amiga que se tornou irmã me deu, antes de decidir tornar-me nesta pessoa que mantém trancada a gaveta dos sentimentos: Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo. Talvez tenha sido esse o problema. Talvez nunca tenha percebido, eu que sou o arquétipo dos meios-termos, que também nessas coisas pode existir uma zona cinzenta, que não tem de ser o oito ou o oitenta.
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