segunda-feira, 13 de julho de 2015
Calçava só isto.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
.
E o cuidado que temos que ter com aqueles com quem criamos memórias? Sabemos lá no que nos estamos a meter quando abrimos a porta. As memórias podem durar uma vida e tantas pessoas são passageiras.
São os pequenos raios de luz que guardamos em nós, e que nos fazem brilhar o olhar quando nos lembramos. Não controlamos nada disto, na verdade. Acontece.
E é tão bom que aconteça, que nos alimente durante dias, semanas. E que depois fique guardado em nós. E há-de chegar o dia em que passam a morar cá dentro, as pessoas. Elas quiseram, nos deixámos. E as memórias criar-se-ão todos os dias.
São os pequenos raios de luz que guardamos em nós, e que nos fazem brilhar o olhar quando nos lembramos. Não controlamos nada disto, na verdade. Acontece.
E é tão bom que aconteça, que nos alimente durante dias, semanas. E que depois fique guardado em nós. E há-de chegar o dia em que passam a morar cá dentro, as pessoas. Elas quiseram, nos deixámos. E as memórias criar-se-ão todos os dias.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
it feels right
Desde pequenina que não sei ser feliz. Só feliz. Simplesmente feliz. Choro sempre quando algo de bom me acontece, não apenas por comoção mas por sentir que talvez não merecesse tanto e por medo de perder aquela sensação, aquelas fracções de segundo de plenitude. Como uma tristeza antecipada por saber que vou inevitavelmente deixar de estar feliz. Sou assim, não sei se algum dia deixarei de ser. Vivo numa ansiedade constante, numa incessante tentativa de não acreditar nas convicções que fui deixando morar em mim: que não mereço, que não é para mim, que não sou digna. Há tanta gente melhor que eu, porque seria escolhida para receber as coisas que mais valorizo?
Não é falsa humildade nem falsa modéstia. Não se trata sequer de uma vitimização. Apesar de ser uma sonhadora incurável, já perdi tantas vezes que desaprendi a esperança. E já vi perder tantas vezes que só acredito quando tenho na mão. Vi sonhos desmoronarem-se por pequenos desleixos e por excesso de confiança, metas que não foram alcançadas porque no último metro aconteceu algo que roubou o segundo de vitória que já se via tão perto. Já assisti à queda de impérios, à morte de famílias, a reviravoltas assustadoras. Isto da vida é uma barafunda.
No meio de tanta ferida, tanta cicatriz e tanto medo, quando surge uma brisa suave e salgada, com aquele cheiro doce das dunas, obrigando-nos a parar e a sentar, não sabemos o que fazer. Contemplamos. E assim sossegamos. E já sabemos o que vai acontecer. Sabemos tudo, mas não podemos contar a ninguém. Porque quem sabe não somos nós, é o nosso espírito - ele sabe sempre mais do que nós, porque não é toldado pela racionalidade nem pelos sentidos ou pelo conhecimento adquirido através da experiência. O nosso espírito sabe, simplesmente. Intuitivamente.
Então mesmo que queiramos agir contra nós, abrimos os braços e atiramo-nos. Sem pensar muito no que virá depois. Porque o que virá depois não pode ser pior do que aquilo que deixámos para trás.
Traí-me. E eu sei porquê. Para quê.
Obrigada.
(E se a minha escrita for profética, como dizes, que o meu desejo fique aqui gravado nas entrelinhas...)
Não é falsa humildade nem falsa modéstia. Não se trata sequer de uma vitimização. Apesar de ser uma sonhadora incurável, já perdi tantas vezes que desaprendi a esperança. E já vi perder tantas vezes que só acredito quando tenho na mão. Vi sonhos desmoronarem-se por pequenos desleixos e por excesso de confiança, metas que não foram alcançadas porque no último metro aconteceu algo que roubou o segundo de vitória que já se via tão perto. Já assisti à queda de impérios, à morte de famílias, a reviravoltas assustadoras. Isto da vida é uma barafunda.
No meio de tanta ferida, tanta cicatriz e tanto medo, quando surge uma brisa suave e salgada, com aquele cheiro doce das dunas, obrigando-nos a parar e a sentar, não sabemos o que fazer. Contemplamos. E assim sossegamos. E já sabemos o que vai acontecer. Sabemos tudo, mas não podemos contar a ninguém. Porque quem sabe não somos nós, é o nosso espírito - ele sabe sempre mais do que nós, porque não é toldado pela racionalidade nem pelos sentidos ou pelo conhecimento adquirido através da experiência. O nosso espírito sabe, simplesmente. Intuitivamente.
Então mesmo que queiramos agir contra nós, abrimos os braços e atiramo-nos. Sem pensar muito no que virá depois. Porque o que virá depois não pode ser pior do que aquilo que deixámos para trás.
Traí-me. E eu sei porquê. Para quê.
Obrigada.
(E se a minha escrita for profética, como dizes, que o meu desejo fique aqui gravado nas entrelinhas...)
quarta-feira, 8 de julho de 2015
boazinha o caraças
Não sei o que fiz para se habituarem ao melhor de mim. Não sei onde demonstrei ser tão perfeita. Já deviam ter percebido que esperar muito de alguém é o melhor caminho para a desilusão.
Não suporto cobranças, expectativas, pressões. Basta uma das três para me virar do avesso.
Não suporto cobranças, expectativas, pressões. Basta uma das três para me virar do avesso.
terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
«Liberdade é poder de escolha. Escolhe o que te acalma o coração.»
Há dias em que gostaria de abrir mão do livre-arbítrio. Desta capacidade de decidir tudo, que me faz pensar tanto. Há dias em que queria apenas que Deus me levasse na corrente, que me desaguasse onde bem entendesse, que me fundisse com um oceano qualquer onde pudesse desaparecer para sempre. Sem ter que escolher nada. Nesses dias, sinto-me culpada pelos medos que tenho, pela fé que ainda é tão pequena, pelas inseguranças que tomam conta de mim. Afogo-me nelas.
Tenho o coração de uma criança. Frágil. Sou uma menina num corpo de mulher. Uma presença forte que esconde tantas fraquezas. Não sou como toda a gente, fácil de gostar, de amar, de querer. Sou um desafio para mim mesma, uma farsa constante, um medo de ser descoberta. Uma fachada. Personagem de mim.
Tornei-me em tudo o que quis ser - esforcei-me tanto para me construir, que me cansei. Agora já só quero despir-me e ser eu. Eu, debaixo do invólucro. Eu, invisível aos olhos. Eu.
Tenho o coração de uma criança. Frágil. Sou uma menina num corpo de mulher. Uma presença forte que esconde tantas fraquezas. Não sou como toda a gente, fácil de gostar, de amar, de querer. Sou um desafio para mim mesma, uma farsa constante, um medo de ser descoberta. Uma fachada. Personagem de mim.
Tornei-me em tudo o que quis ser - esforcei-me tanto para me construir, que me cansei. Agora já só quero despir-me e ser eu. Eu, debaixo do invólucro. Eu, invisível aos olhos. Eu.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
o insustentável peso do que foi
Aprendi a aprender com o passado. Aprendi de tal forma que não consigo desaprender. Como se tudo o que foi começasse a pesar demasiado no meu hoje. Aprender com o que vivemos deveria preparar-nos para o futuro e não impedir-nos de viver o presente em pleno, certo?
Principalmente quando o presente é mesmo um presente.
Não sei como me ensinei tão bem a fechar-me nesta armadura rígida. Tranquei-me. E acho que perdi as chaves para me soltar.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Hoje começa o meu mês
terça-feira, 30 de junho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
começar a semana com ternura
O namorado da Mana é surfista. Ela dizia-me que não havia coisa mais fofa do que vê-lo com o poncho vestido, depois de horas no mar. E eu não percebia. Eis-me aqui, a dar a mão à palmatória: não há nada mais querido do que um homem de poncho. E com esta me vou. Obrigada, boa noite.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
dos traumas, dos dramas, dos medos.
Tudo o que somos inclui o que fomos, o que vivemos, o que sentimos, o que ouvimos, o que dissemos, o que fizemos, o que quisemos, o que chorámos, o que lemos, o que escrevemos, o que guardámos em nós.
Memórias, lembranças, o nosso trilho. Aprendemos tanto, tantas coisas bonitas. E aprendemos tanto, tantas coisas feias. E porque somos seres de hábitos, habituamo-nos também ao que não é bom. Aprendemos a criar defesas, a desconfiar, a manter distâncias de segurança. Aprendemos a ser vítimas.
A verdadeira sabedoria está em não condicionar o presente pelas dores que já foram. A verdadeira coragem está em não permitir que o medo nos faça fugir de tudo o que é bonito porque é mais fácil continuar a acreditar que os lugares feios foram desenhados para que lá vivamos.
Quão injusto seria não abrir portas, não destruir muralhas, não quebrar barreiras entre nós e os outros. Não somos todos iguais. As histórias são todas diferentes. Não somos o casamento complicado dos nossos pais, não somos os namoros que terminaram mal nem os amigos que nos traíram. Aprendemos com tudo isso, mas se nos amamos, se nos respeitamos, não podemos diminuir-nos e restringirmo-nos à repetição de padrões.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
i n v e j a
in·ve·ja |â| ou |ê| ou |âi|
substantivo feminino
1. Desgosto pelo bem alheio.
2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).
"inveja", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]
Não tenho em mim aquela semente verde da inveja. Não tenho. Não faz parte de mim. Não compreendo. Não aceito. Não sinto.
Detesto quando começam com a treta da "inveja branca". Inveja é inveja, é mau e acabou. Se se sente, há que suprimi-la. Podemos educar-nos. Como é que se pode dizer "ai que estou aqui roída de inveja branca"? Inveja branca o caraças, pá. Acredito nas energias que emanamos, por isso fico toda acagaçada com essas porcarias. Já sabemos que existe, que até uma pessoa com tudo para ser invejada pode querer o que o outro tem, mesmo que o que o outro tenha seja quase nada. A inveja é sempre fruto de um de cinco factores: fraca auto-estima, complexos de inferioridade atrozes, insatisfação crónica, falta de formação ou pura maldade.
Quando digo que não sinto inveja, não quer dizer que não queira para mim algo que outra pessoa tem. Bom, normalmente, quando quero algo que outra pessoa tenha, quero noutro formato, com características diferentes - desde o carro bonito até ao casamento ou à conta bancária. Até posso precisar de mais dinheiro para o estilo de vida que me parece confortável, mas vivo bem com o que tenho e sei que hei-de lá chegar. Posso querer muito casar, mas não quero aquela relação peganhenta. Posso querer muito um carro tão giro como o daquela gaja, mas não aquele modelo nem aquela cor. Contudo, por mais que alguém perto de mim alcance um determinado objectivo que também espero alcançar futuramente, não vou passar sequer um segundo da minha vida a remoer aquilo amargamente. Porque antes de mais nada, ficarei feliz pela pessoa. E ver que aconteceu noutra existência dá-me ânimo e motivação para acreditar que posso vir a receber o que desejo, porque afinal é possível. Simples.
Apesar de não ser dotada dessa característica desprezível que é ser invejosa, tenho um radar invejável para detectar manifestações desse que é um dos sete pecados mortais. Reparo no olhar de lado para aquele par de sapatos maravilhoso, que resulta num salto partido ao chegar a casa. Na ausência de contenção de raiva quando partilhamos uma boa notícia. Nas palavras que se soltam dos menos cínicos ou dissimulados, que os denunciam: "Só a mim é que não me acontece isso"; "Como é que tens tanta sorte?"; "Tens mais sorte que juízo"; "Porque é que a mim não me cai tudo do céu como a ti?"; "Mas porque é que eu também não tenho isso?"... podia ficar aqui horas a enumerar exemplos ou a relatar episódios.
Não compreendo. Não gosto. Não aceito. Basta isto para que me feche em copas e viva sossegada no meu canto, preferindo que todos acreditem na miserabilidade da minha vidinha vã. Não conto nada a ninguém, não abro brechas para que me atinjam com esses dardos de má onda. E só com o dinheiro na mão é que digo que ganhei a lotaria. A alguns, porque não há cá merdas.
terça-feira, 23 de junho de 2015
o amor é eterno
Não é maravilhoso que depois de uma morte, o amor que sentimos por alguém não morra? Não é maravilhosa esta capacidade que temos de continuar a gostar tanto mesmo depois do desaparecimento físico? Olhando com os olhos de uma criança, como se fosse a primeira vez que pensamos nisto, como se não fosse um dado adquirido ou uma verdade universal, é delicadamente bonito que mesmo sem corpo para abraçar, sem olhos para olhar, sem voz para ouvir, continue tão vivo o amor por alguém. Arrumamos o sentimento na gaveta das saudades, numa tentativa de racionalizar o amor que nos ficou, apesar da partida do outro. Quem morre deixa de ser matéria, mas permanece. Na memória, nas recordações, na lágrima de quem sente a falta, na gargalhada que não se contém ao lembrar um episódio engraçado.
Minha Vó não morre nunca. Se fechar os olhos, lembro-me de tudo: das mãos enrugadas, tão bonitas. Das sobrancelhas, sempre tão expressiva. Da voz. Do cheiro. Consigo voltar ao meu corpo de menina e vê-la pentear-se em frente ao espelho. Sento-me à mesa com ela, sinto o aroma do seu pequeno-almoço, que lhe roubava descaradamente. Se fizesse igual para mim, não me sabia tão bem. E quando estou triste, é do colo dela que sinto falta, onde encostava a minha cabeça e lhe contava sobre o que me inquietava. E quando estou feliz, é ela a primeira pessoa a quem queria contar o que de bom me aconteceu.
Minha Vó pedia-me para cantar para ela. E durante anos, era a única pessoa que recebia mimos meus sem pedir, que eu não era uma criança muito afectuosa. O abraço, o beijinho, a festinha, eram dela. E que saudades que eu tenho de lhe tocar. Não há momento marcante em que não sinta a falta da minha Vó aqui. Queria a companhia dela, queria ir à praia com ela, queria que soubesse que o maior feito da minha vida lhe presta homenagem, queria agradecer-lhe por me ter dado tanto, por ter sido tanto. Dizer-lhe que não seria eu sem a existência dela. Que foi importante, mesmo sendo tantas vezes incompreendida e subestimada. Que me orgulho da mulher forte que sempre foi. Que me inspira a sua força. Queria contar-lhe da mulher em que me tornei.
Minha Vó aparece-me nos sonhos, de vez em quando. E eu mato saudades, acordo feliz. Esta noite não tive esse privilégio e hoje acordei com um aperto enorme no peito. Falta pouco tempo para o dia de anos dela e o mundo não sabe. Não sabe de tanta humildade, de tanta dignidade, do cantar nos dias tristes, da lágrima difícil, ao contrário da minha. O mundo não sabe de como insistia nas lições chatas, só para ter a certeza de que eu tinha bom carácter. De como eras ciumenta - ai de mim que não interrompesse as minhas brincadeiras com as outras crianças para te vir dar um beijo, de cinco em cinco minutos. De como demoravas tanto para te vestir.
Minha Vó dançava e ria às gargalhadas, apesar de ter tantos motivos para querer morrer.
Minha Vó era analfabeta. Não sabia ler nem escrever. E sabia tanto. Foi tanto. Era tanto. É tanto.
Lembro-me do dia em que soube que o corpo não ia aguentar tanto tempo como eu desejava. Começou a não corresponder à lucidez de quem o vestia. Os passos mais curtos e lentos, as quedas constantes. Fiz como ainda faço: fingi que não era preocupante, agi com naturalidade apesar do medo de deixar de tê-la ao meu lado todos os dias. Nem podia imaginar como era viver sem tê-la comigo. E fui crescendo e percebendo melhor tudo o que viveu, passando a admirá-la cada vez mais.
E com a admiração, também a saudade aumenta.
Minha Vó não morre nunca. Se fechar os olhos, lembro-me de tudo: das mãos enrugadas, tão bonitas. Das sobrancelhas, sempre tão expressiva. Da voz. Do cheiro. Consigo voltar ao meu corpo de menina e vê-la pentear-se em frente ao espelho. Sento-me à mesa com ela, sinto o aroma do seu pequeno-almoço, que lhe roubava descaradamente. Se fizesse igual para mim, não me sabia tão bem. E quando estou triste, é do colo dela que sinto falta, onde encostava a minha cabeça e lhe contava sobre o que me inquietava. E quando estou feliz, é ela a primeira pessoa a quem queria contar o que de bom me aconteceu.
Minha Vó pedia-me para cantar para ela. E durante anos, era a única pessoa que recebia mimos meus sem pedir, que eu não era uma criança muito afectuosa. O abraço, o beijinho, a festinha, eram dela. E que saudades que eu tenho de lhe tocar. Não há momento marcante em que não sinta a falta da minha Vó aqui. Queria a companhia dela, queria ir à praia com ela, queria que soubesse que o maior feito da minha vida lhe presta homenagem, queria agradecer-lhe por me ter dado tanto, por ter sido tanto. Dizer-lhe que não seria eu sem a existência dela. Que foi importante, mesmo sendo tantas vezes incompreendida e subestimada. Que me orgulho da mulher forte que sempre foi. Que me inspira a sua força. Queria contar-lhe da mulher em que me tornei.
Minha Vó aparece-me nos sonhos, de vez em quando. E eu mato saudades, acordo feliz. Esta noite não tive esse privilégio e hoje acordei com um aperto enorme no peito. Falta pouco tempo para o dia de anos dela e o mundo não sabe. Não sabe de tanta humildade, de tanta dignidade, do cantar nos dias tristes, da lágrima difícil, ao contrário da minha. O mundo não sabe de como insistia nas lições chatas, só para ter a certeza de que eu tinha bom carácter. De como eras ciumenta - ai de mim que não interrompesse as minhas brincadeiras com as outras crianças para te vir dar um beijo, de cinco em cinco minutos. De como demoravas tanto para te vestir.
Minha Vó dançava e ria às gargalhadas, apesar de ter tantos motivos para querer morrer.
Minha Vó era analfabeta. Não sabia ler nem escrever. E sabia tanto. Foi tanto. Era tanto. É tanto.
Lembro-me do dia em que soube que o corpo não ia aguentar tanto tempo como eu desejava. Começou a não corresponder à lucidez de quem o vestia. Os passos mais curtos e lentos, as quedas constantes. Fiz como ainda faço: fingi que não era preocupante, agi com naturalidade apesar do medo de deixar de tê-la ao meu lado todos os dias. Nem podia imaginar como era viver sem tê-la comigo. E fui crescendo e percebendo melhor tudo o que viveu, passando a admirá-la cada vez mais.
E com a admiração, também a saudade aumenta.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
...e de repente, é Verão outra vez.
![]() |
| Laetitia Casta |
E é Verão, apesar de sentir Primavera em mim. Está um calor maravilhoso, mas quem se habitua ao frio sofre com as subidas de temperatura. Quem se acomoda à lágrima esquece como se sorri. Quem enfrenta mágoas de peito aberto, demora a aceitar bênçãos. Sou assim: espero o Inverno inteiro pelo momento em que sinto o Sol queimar-me a pele, mas quando ele finalmente chega, tenho receio da insolação. Tenho dificuldades em viver o presente, medo de não saber aproveitá-lo, entro em pânico ao pensar que vai acabar e que vou voltar ao gélido e cinzento Inverno.
É estranho. Quando se trata de algo negativo, sou tão fria, decidida e despachada, resolvo tudo a sangue frio, faço o que tem de ser feito com segurança e convicção, mesmo que me deixe partida. A descarga de stress só chega depois, na quietude do meu quarto. Por outro lado, quando alguma coisa boa me chega, toda eu sou mãos trémulas e ansiedade, choro e fragilidade.
Quase trinta anos e ainda estou a aprender.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
produtos perfeitos para malta preguiçosa
Uma pessoa pode ser vaidosa mas ter uma certa preguiça de estar constantemente a retocar a cor das unhas e dos lábios, certo? That's me. Não suporto verniz a lascar nem lábios que me façam ir constantemente ver se a cor está no sítio. Decidi partilhar convosco as minhas descobertas mais importantes deste semestre.
Uma amiga falou-me de um batom para lá de espectacular: que além de ser fácil de aplicar, se aguentava intacto a noite inteira. E quando digo «a noite», não estou a referir-me a um jantar e um copo em qualquer lado. «A noite» é até às sete da manhã. Parecia tanga, mas não é. É tipo só a melhor coisa do mundo.
Sempre tive facilidade em fazer a cor durar nos lábios (base+contorno nude+preenchimento com lápis da cor do batom+primeira passagem+remoção do excesso com papel higiénico+pó solto+segunda passagem de cor), mas este supera tudo!
Experimentei um encarnado e um nude e não me apetece ir verificar os nomes, mas também não interessam para nada porque há mil tonalidades:
Simples: de um lado, o batom líquido, estilo gloss ou tinta para lábios. Do outro, o bálsamo hidratante. Extremamente confortável. O único defeito que lhe encontrei foi não sair com desmaquilhante, nem com toalhitas, nem no banho...
E depois há o verniz, no mesmo registo: de um lado, a cor; do outro, o top coat. Comprei um nude e um encarnado, só para ser original, e dura duas semanas intacto.
O pincel é largo, pelo que a aplicação é uniforme. Outra vantagem: seca rápido, não são precisas horas de espera de dedinhos estendidos!
Infallible Lips & Nails by L'Oréal Paris. Vale a pena, meus amores. Olhem que vale.
Uma amiga falou-me de um batom para lá de espectacular: que além de ser fácil de aplicar, se aguentava intacto a noite inteira. E quando digo «a noite», não estou a referir-me a um jantar e um copo em qualquer lado. «A noite» é até às sete da manhã. Parecia tanga, mas não é. É tipo só a melhor coisa do mundo.
Experimentei um encarnado e um nude e não me apetece ir verificar os nomes, mas também não interessam para nada porque há mil tonalidades:
Simples: de um lado, o batom líquido, estilo gloss ou tinta para lábios. Do outro, o bálsamo hidratante. Extremamente confortável. O único defeito que lhe encontrei foi não sair com desmaquilhante, nem com toalhitas, nem no banho...
E depois há o verniz, no mesmo registo: de um lado, a cor; do outro, o top coat. Comprei um nude e um encarnado, só para ser original, e dura duas semanas intacto.
O pincel é largo, pelo que a aplicação é uniforme. Outra vantagem: seca rápido, não são precisas horas de espera de dedinhos estendidos!
Infallible Lips & Nails by L'Oréal Paris. Vale a pena, meus amores. Olhem que vale.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
algures entre o oito e o oitenta
E então tu aprendes a ser fria. Aprendes finalmente a não dar de ti. A não querer saber. Aprendes a não ter interesse, a não mostrar quem és. Ensaiaste a tua melhor poker face, tornaste-te na melhor jogadora possível. Aprendeste a lição: a vida é assim e o mundo é dos fortes. Estamos sozinhos no planeta, isto não está feito para meninos e já que ninguém toma conta de ti, tens de ser tu a zelar pelo teu bem-estar. Somos as ilhas de que Pessoa falava e não arquipélagos. Somos individuais, sós. Todos são susceptíveis de nos causar uma dor, principalmente os que tínhamos como pilares, até os que considerámos basilares. Sem ilusões, não há desilusões. Não tens tempo para merdas. Segues o teu caminho focada em ti, na tua vida, na tua carreira, nos teus projectos. Sozinha. Ergueste muralhas em torno da tua fragilidade e prometeste que a sujeição à vulnerabilidade nunca mais seria uma realidade para ti. Se por um lado, há um amargo de boca com esta decisão, pelo menos há a esperança de não voltar aos lugares escuros onde te deixaste chegar da última vez que confiaste em alguém. Das últimas vezes que confiaste em alguém.
Ainda por cima tu, que tens tantos problemas relacionados com confiança. É normal que prefiras quartos de motel frios ao sofá da casa dele. É normal que optes pelo secretismo em vez de dizer ao mundo que há alguém que mexe contigo. É normal que não penses em agradar ninguém e digas simplesmente o que te apetece, sem medo de deixar uma impressão negativa nos outros - talvez até prefiras ter um impacto negativo nos que se aproximam de ti. É normal que sejas bruta, que fujas, que nem queiras ver o que te está a acontecer. É normal que desvalorizes qualquer coisa bonita que te digam. É normal.
Mas depois há-de aparecer alguém que te fará questionar se a força está em jogar «como tem de ser» ou se, por outro lado, ser forte é não temer a entrega. E no labirinto que é a vida, já não sabes para onde ir.
Lembro-me daquela frase profética que uma amiga que se tornou irmã me deu, antes de decidir tornar-me nesta pessoa que mantém trancada a gaveta dos sentimentos: Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo. Talvez tenha sido esse o problema. Talvez nunca tenha percebido, eu que sou o arquétipo dos meios-termos, que também nessas coisas pode existir uma zona cinzenta, que não tem de ser o oito ou o oitenta.
Ainda por cima tu, que tens tantos problemas relacionados com confiança. É normal que prefiras quartos de motel frios ao sofá da casa dele. É normal que optes pelo secretismo em vez de dizer ao mundo que há alguém que mexe contigo. É normal que não penses em agradar ninguém e digas simplesmente o que te apetece, sem medo de deixar uma impressão negativa nos outros - talvez até prefiras ter um impacto negativo nos que se aproximam de ti. É normal que sejas bruta, que fujas, que nem queiras ver o que te está a acontecer. É normal que desvalorizes qualquer coisa bonita que te digam. É normal.
Mas depois há-de aparecer alguém que te fará questionar se a força está em jogar «como tem de ser» ou se, por outro lado, ser forte é não temer a entrega. E no labirinto que é a vida, já não sabes para onde ir.
Lembro-me daquela frase profética que uma amiga que se tornou irmã me deu, antes de decidir tornar-me nesta pessoa que mantém trancada a gaveta dos sentimentos: Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo. Talvez tenha sido esse o problema. Talvez nunca tenha percebido, eu que sou o arquétipo dos meios-termos, que também nessas coisas pode existir uma zona cinzenta, que não tem de ser o oito ou o oitenta.
terça-feira, 16 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
esperar
![]() |
| Katy Perry |
É verdade. Sou assim. Em tudo. Custa-me a espera. Não sei esperar.
Em filas, tento distrair-me com o telemóvel, mas não disfarço os suspiros de tédio. Quero despachar-me o mais depressa possível. No banco, na zona de restauração de um shopping, na caixa da Zara, nos Correios, no balcão da discoteca. À porta de um consultório médico. Não gosto nada de esperar.
Por nada. Por ninguém.
Não gosto de esperar quando a minha amiga encontra alguém conhecido e faz conversa de circunstância e eu ali, doida para seguir caminho, com cara de resting bitch. Não gosto de esperar pelos resultados do Euromilhões. Não gosto sequer de pensar que vou ter que esperar para saber se ganhei alguma coisa ou não naquele concurso que poderia mudar a minha vida.
Por nada. Por ninguém.
Não gostava de esperar pelo presidente da Câmara Municipal, eu de máquina fotográfica a pesar-me na mão, meia hora, quarenta minutos. A fazer o quê? À espera. Não suportava as forçadas trocas de palavras para encher o tempo de vida que se gastava. Talvez seja isso: a espera soa-me sempre a perda de tempo e eu tenho noção de que um dia isto acaba, que não vou ter tempo para sempre, não posso desperdiçá-lo. Para quê esperar? É como se ficasse em suspensão. Não tem utilidade nenhuma. E nunca ouvi uma boa história começada por «Estava à espera na caixa do supermercado, quando...». Nunca.
Depois vem a vida, com o seu apurado sentido de humor, ensinar-nos a aproveitar o tempo de espera. E já me vou ouvindo dizer que enquanto espero por determinado acontecimento, posso dedicar-me a outras tarefas. E já vou percebendo que a viagem até ao Algarve pode ser tão divertida como o momento em que chego e me atiro vestida para a piscina. Que ler um livro sem espreitar as últimas páginas antes de o terminar pode ser agradável. Que não estragar as surpresas que me preparam pode ser simpático. Que enquanto o arroz não coze, posso ir pondo a mesa. Que abrir embrulhos com muito jeitinho antes do Natal não é cool.
Deixar acontecer, porque para tudo há um tempo debaixo do céu.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
most things don't work out the way people plan
São tantas coincidências, tantas as coincidências, se é que existem coincidências. São tantas coisinhas miúdas que apontam para o mesmo e dizem que é por ali, que é o certo. Não sei se é o medo de me desiludir que me retrai, se é esse pavor que me faz duvidar ou preferir não acreditar, mas às vezes, juro que às vezes tenho a certeza de que são coincidências a mais. Será que sou eu que reparo em tudo? Como é que sabemos o que é para nós ou não? Não sabemos, pois não? E como é que fazemos para transformar algo que não é para nós em algo que é para nós? Não fazemos, pois não? E como é que fazemos para tornar algo que é muito importante para nós em nada? Não tornamos, pois não? Dizem que o tempo cura tudo e eu aqui, de ferida aberta. Sempre que acho que esta porra cicatrizou, volta a sangrar. Não consigo sair dali, isto nem há marcha-atrás na caixa de velocidades da vida, como é que se faz?
Tomas um banho, lavas o corpo e esperas que a alma se deixe limpar também. Acalmas-te como puderes, esqueces-te como quiseres, nem que tenhas que ir beber qualquer coisa. Adormeces isso. E guardas. Guardas para ti, aí dentro, no fundo da última das gavetas. Há-de passar, porque hás-de esquecer.
Tomas um banho, lavas o corpo e esperas que a alma se deixe limpar também. Acalmas-te como puderes, esqueces-te como quiseres, nem que tenhas que ir beber qualquer coisa. Adormeces isso. E guardas. Guardas para ti, aí dentro, no fundo da última das gavetas. Há-de passar, porque hás-de esquecer.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
estilhaços do que fomos antes
Torna-se cansativo ser honesta e dizer, sempre que alguém pergunta se está tudo bem, "não, está tudo horrivelmente na mesma e eu vou aprimorando esta qualidade que é saber fingir. Qualquer dia ganho um Oscar". Escondemo-nos atrás do "tudo bem", como se por mentirmos tanto, conseguíssemos tornar real essa vontade tão simples de estar mesmo bem. É como a maquilhagem pesada nos olhos inchados pela noite de choro, que tenta mostrar ao mundo que não somos mais do que aquilo que se vê à superfície, como se não soubéssemos que «o essencial é invisível aos olhos». E o essencial, aquilo que é a nossa essência, o que está no fundo de nós, são estilhaços do que fomos antes.
![]() |
| SJP |
quarta-feira, 10 de junho de 2015
19
Nunca mais me hei-de esquecer do dia em que os meus pais, sentados aos pés da minha cama, me acordaram com a notícia de que em breve deixaria de ser filha única. Nunca mais me hei-de esquecer da indignação que se apoderou de mim: para que raio precisavam de outra criança? Eu não era suficientemente boa filha? Não lhes bastava ter-me a mim?
Ao longo dos nove meses, fui-me habituando à ideia. Na escola, todos os trabalhos passaram a ter como objectivo o irmão ou a irmã que chegaria. Fiz-lhe uma almofadinha nas aulas de EVT, cosi-a à mão e tudo. Escrevi-lhe poemas, desenhei o bebé por todo o lado. Ainda estava dentro da barriga da nossa mãe e já falava com ela. Questionava-me sobre como seria, fisicamente. E que personalidade teria. Gostaria de mim? Nunca fui fácil de gostar, e se não gostasse? E se fosse menina, mais bonita que eu? Iriam comparar-nos. E se fosse mais inteligente que eu? Deixaria de ser a criança prodígio para ser a irmã dela?
Chegou o dia 10 de Junho, que sempre me dissera muito pelo amor que desde pequena nutria pelo autor da nossa epopeia. Estávamos em 1996 e eu lembro-me como se tivesse sido no ano passado. Não poderia ter estado noutro lado durante toda a manhã - sentada na sala de espera da maternidade, a ler os meus livrinhos da Turma da Mônica. À hora do almoço, fui com o pai almoçar. Almôndegas.
E quando te vi, depois das 14:25h, não tive medos. Soube que eras minha irmã. Tão pequenina, tão frágil, as mãos sempre a mexer. Já eras irrequieta, eu é que não percebi os sinais. Já eras cabeluda. E já eras linda. As comparações começaram nesse dia: "Ela nasceu muito mais bonita do que a irmã, tadinha, que nasceu verde". E mesmo sendo miúda, mesmo tendo sido filha única ao longo de uma década, não senti ciúmes. Ficava orgulhosa de cada elogio que te davam, porque eras a minha nova irmãzinha.
E depois tomei conta dela, não precisei de Nenucos, tinha-a e ao seu closet magnífico para brincar. E chegou a espera. Esperei por ela para que finalmente pudesse falar, mas mesmo quando isso aconteceu, não podíamos ter conversas a sério porque ela era demasiado pequena para perceber os meus dramas de adolescente. Esperei por ela para que brincasse comigo, mas quando quis brincar, eu já não queria saber de bonecas. Esperei por ela para que pudesse sair à noite comigo, mas a Escola Primária exige demasiada concentração por parte dos alunos.
Esperei até há pouco tempo.
De repente, olhei para o lado e tinha uma cúmplice. Continuamos a ser tão diferentes como fomos, quando nos compararam no dia em que nasceste. Continuas a ser a mais bonita, a mais cabeluda e serás sempre irrequieta. Tu, toda sorrisos. Eu, sempre arrogante. Tu, toda alegria. Eu, lágrima. Há dias disse ao pai e à mãe que tinham tido filhas como a lua e o sol (sendo que o lado lunar fica por minha conta). Continuo orgulhosa de ti, porque és a minha irmãzinha.
A espera terminou.
Conversamos tanto, sabes tudo sobre mim. Fazemos tudo juntas. E já me acompanhas nas noitadas. Somos a claque uma da outra. O sucesso de uma é a realização da outra.
Neste ano, em que a minha irmã comemora 19 anos de vida, tem-se revelado uma mulherzinha. Às vezes dou por mim boquiaberta com tanta responsabilidade. Tão forte e tão doce, tão firme nas suas inseguranças.
Já to disse, Mimi... hoje escrevo: não me importaria de ser eternamente dor se fosse esse o preço a pagar pelo teu sorriso a vida inteira.
Parabéns, meu amor.
Ao longo dos nove meses, fui-me habituando à ideia. Na escola, todos os trabalhos passaram a ter como objectivo o irmão ou a irmã que chegaria. Fiz-lhe uma almofadinha nas aulas de EVT, cosi-a à mão e tudo. Escrevi-lhe poemas, desenhei o bebé por todo o lado. Ainda estava dentro da barriga da nossa mãe e já falava com ela. Questionava-me sobre como seria, fisicamente. E que personalidade teria. Gostaria de mim? Nunca fui fácil de gostar, e se não gostasse? E se fosse menina, mais bonita que eu? Iriam comparar-nos. E se fosse mais inteligente que eu? Deixaria de ser a criança prodígio para ser a irmã dela?
Chegou o dia 10 de Junho, que sempre me dissera muito pelo amor que desde pequena nutria pelo autor da nossa epopeia. Estávamos em 1996 e eu lembro-me como se tivesse sido no ano passado. Não poderia ter estado noutro lado durante toda a manhã - sentada na sala de espera da maternidade, a ler os meus livrinhos da Turma da Mônica. À hora do almoço, fui com o pai almoçar. Almôndegas.
E quando te vi, depois das 14:25h, não tive medos. Soube que eras minha irmã. Tão pequenina, tão frágil, as mãos sempre a mexer. Já eras irrequieta, eu é que não percebi os sinais. Já eras cabeluda. E já eras linda. As comparações começaram nesse dia: "Ela nasceu muito mais bonita do que a irmã, tadinha, que nasceu verde". E mesmo sendo miúda, mesmo tendo sido filha única ao longo de uma década, não senti ciúmes. Ficava orgulhosa de cada elogio que te davam, porque eras a minha nova irmãzinha.
E depois tomei conta dela, não precisei de Nenucos, tinha-a e ao seu closet magnífico para brincar. E chegou a espera. Esperei por ela para que finalmente pudesse falar, mas mesmo quando isso aconteceu, não podíamos ter conversas a sério porque ela era demasiado pequena para perceber os meus dramas de adolescente. Esperei por ela para que brincasse comigo, mas quando quis brincar, eu já não queria saber de bonecas. Esperei por ela para que pudesse sair à noite comigo, mas a Escola Primária exige demasiada concentração por parte dos alunos.
Esperei até há pouco tempo.
De repente, olhei para o lado e tinha uma cúmplice. Continuamos a ser tão diferentes como fomos, quando nos compararam no dia em que nasceste. Continuas a ser a mais bonita, a mais cabeluda e serás sempre irrequieta. Tu, toda sorrisos. Eu, sempre arrogante. Tu, toda alegria. Eu, lágrima. Há dias disse ao pai e à mãe que tinham tido filhas como a lua e o sol (sendo que o lado lunar fica por minha conta). Continuo orgulhosa de ti, porque és a minha irmãzinha.
A espera terminou.
Conversamos tanto, sabes tudo sobre mim. Fazemos tudo juntas. E já me acompanhas nas noitadas. Somos a claque uma da outra. O sucesso de uma é a realização da outra.
Neste ano, em que a minha irmã comemora 19 anos de vida, tem-se revelado uma mulherzinha. Às vezes dou por mim boquiaberta com tanta responsabilidade. Tão forte e tão doce, tão firme nas suas inseguranças.
Já to disse, Mimi... hoje escrevo: não me importaria de ser eternamente dor se fosse esse o preço a pagar pelo teu sorriso a vida inteira.
Parabéns, meu amor.
![]() |
| Dezanove?!! |
terça-feira, 9 de junho de 2015
looser
![]() |
| Kendall Jenner |
Disse-lhe que quem perdeu alguma coisa foram eles, cuja melhor realidade foi ela. Que as inseguranças masculinas fazem com que muitas vezes optem por abrir mão de uma felicidade difícil se puderem ter uma estabilidade razoável. Que ela precisou deles para crescer um bocadinho até estar perfeita para o tal, mas que eles precisaram dela para se sentirem o máximo pelo menos por uma vez na sua existência pobre.
Ela não acredita. E chora por se sentir inferior a todas as que a sucederam na vida deles, mesmo sabendo da inexistência de espaço para competições. E eu já não sei o que lhe dizer. Espero que a vida lhe mostre bem depressa que está a ver tudo através da lente errada. Que se valorize, que veja nela o ser humano maravilhoso que eu vejo.
E sim, que encontre alguém à altura dela. Não é por não acreditar nessas coisas do amor quando à minha vida diz respeito, que deixei de acreditar que para os outros existe. É real. Acontece. E é tão bonito.
E como quando escrevo, às vezes profetizo, fica aqui o post para que dentro de pouco tempo possamos apreciar a mudança.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
t a n t o
Tanto que pensar, tanto que fazer, tanto. Tanta coisa. E nada, na verdade. Como se o que importa não fizesse mossa ao resto do mundo. Como se fosse a única corajosa. A única capaz de assumir a fragilidade de gostar, de querer, de renunciar ao que é correcto.
Parece que seguir o que se ama se tornou na coisa errada. E a coisa errada parece-lhe a única coisa certa a fazer. Sabe Deus o que será feito dela.
Parece que seguir o que se ama se tornou na coisa errada. E a coisa errada parece-lhe a única coisa certa a fazer. Sabe Deus o que será feito dela.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
porque tem de ser.
![]() |
| Amanda Seyfried |
Ela fazia o filme todo. De certeza que já nem se lembrava do seu nome, porque raio havia ainda de lembrar-se dele?
Ele tentava mostrar ao mundo - e quem sabe se a informação não lhe chegaria - que estava bem, tranquilo, feliz com a sua opção pela solidão.
Ela não tentava mostrar nada, queria era esquecer que estar vivo pode doer.
Nem um nem outro sabiam que a imaginação é sempre fantasia. Que as conjecturas incluem os nossos medos. Que as suposições não constituem a realidade.
E naquele final de noite em que se deitou mais uma vez sozinho na sua casa vazia, espreitou-lhe as fotografias e quis estar com ela no meio da diversão. Ou trazê-la até ali, para que o adormecesse como antes. Não sabia, nunca saberá, que ela estava no sofá, enrolada numa mantinha, fugindo de si mesma mergulhando na estupidificante televisão.
E naquele início de noite em que soube que a noite que tinha sido a deles havia sido gasta entre amigos, ela não deixou de o imaginar com outra ao seu lado. Não sabia, nunca saberá, que entre um copo e outro, houve uma música que lhe despertou as saudades que sente dela mas que finge não sentir.
Não dizem nada, não sabem nada.
Os dois sozinhos, rodeados de gente, num caminho que se faz porque tem de ser.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Que pena.
![]() |
| Gigi Hadid |
Acho que à medida que vamos crescendo, vai-se tornando mais clara a certeza de que não precisamos de muita gente para sobreviver. As prioridades reorganizam-se e a vida seguirá o seu rumo, com ou sem aquela companhia. E depois há aquela coisa de querermos avançar com cada vez menos peso às costas. Quem nos atrasa, não nos faz falta.
Apesar do crescente recurso ao pragmatismo, há sempre aquele olhar por cima do ombro antes do primeiro passo. Que pena. Foste tanto para mim. Que gratidão. E que pena que não tenha sido para sempre. Talvez um dia te deixe voltar a entrar, só para ver se já saíste dessa espiral de retrocesso.
terça-feira, 2 de junho de 2015
"Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte."
A frase é deste post que escrevi há alguns meses, mas serve como título também ao que vos quero contar. Em Dezembro passado, desisti da imprensa regional, que foi a minha vida desde 2009, para me entregar completamente a um sonho meu.
Ainda deambulava pelos corredores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e já pedia a Deus que me livrasse de trabalhar em jornais locais. Nada contra, só não me via ali. E porque sempre que afirmei nunca querer determinada coisa, ela me veio ter às mãos, neste caso não aconteceu de forma diferente. Vocês já sabem: comecei por brincadeira n'O Correio de Pombal, quando dei por ela estava feita uma workaholic e quando saí do já extinto jornal, decidi que nunca mais voltaria à imprensa, pelo menos naqueles termos. Para não fugir à regra, quando me vi, estava no Pombal Jornal. E gostei, claro. Sou muito grata por ter feito parte do início de um projecto que além de ser de amigos, queria fazer diferente. Mas entrei com a certeza da partida cá dentro. Sabia que não poderia continuar a fazer jornalismo regional durante muito mais tempo, sob a pena de não conseguir abandoná-lo.
Sinto que envelheci, no meu último ano de trabalho. Física e psicologicamente. Sinto que perdi a tolerância à pequenez, que em terra pequena toda a gente se acha grande e por mais que ame viver aqui, já não sou capaz de fazer fretes. Esgotei o plafond de paciência para as tricas do meio, para os mimimi e as politiquices. Decidi desligar-me, a bem da minha sanidade mental. E não tenho saudades. Fi-lo no momento certo, porque não poderia ser tão cruel comigo mesma que me limitasse num concretizar de tarefas sem encanto, sem grande espaço para criatividade e sem oportunidades para crescer e aprender mais. Nunca mais me hei-de esquecer de jantares associativos a que tive de ir, para fotografar menos gente do que aquela que costumo ter em aniversários meus. Tantos eventos que só tinham interesse para quem os organizava...
Olhando para trás, sei que serviu de muito e que não foi tempo perdido. Não construí uma fortuna, mas um currículo jeitosinho. E aprendi imenso. Principalmente sobre mim.
Desde Janeiro que estou feita eremita, focada apenas na mais bonita criação da minha vida. Sempre quis terminá-lo antes de comemorar as três décadas de existência e foi na última semana de Maio que dei por finalizado o meu primeiro romance. Está feito, imperfeito, mas completo. É meu. O meu livro. Ninguém imagina o que significou para mim poder parar para me dedicar a um projecto pessoal. Ninguém imagina as saudades que já sinto de o escrever. Das minhas personagens.
A partir de hoje, voltarei aos poucos à civilização. Ao blog, também. É difícil socializar depois de tanto tempo comigo. Não apetece voltar à vida real.
A partir de hoje, estarei a decidir o que fazer. Aceitam-se propostas, claro. Sintam-se à vontade.
Ainda deambulava pelos corredores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e já pedia a Deus que me livrasse de trabalhar em jornais locais. Nada contra, só não me via ali. E porque sempre que afirmei nunca querer determinada coisa, ela me veio ter às mãos, neste caso não aconteceu de forma diferente. Vocês já sabem: comecei por brincadeira n'O Correio de Pombal, quando dei por ela estava feita uma workaholic e quando saí do já extinto jornal, decidi que nunca mais voltaria à imprensa, pelo menos naqueles termos. Para não fugir à regra, quando me vi, estava no Pombal Jornal. E gostei, claro. Sou muito grata por ter feito parte do início de um projecto que além de ser de amigos, queria fazer diferente. Mas entrei com a certeza da partida cá dentro. Sabia que não poderia continuar a fazer jornalismo regional durante muito mais tempo, sob a pena de não conseguir abandoná-lo.
Sinto que envelheci, no meu último ano de trabalho. Física e psicologicamente. Sinto que perdi a tolerância à pequenez, que em terra pequena toda a gente se acha grande e por mais que ame viver aqui, já não sou capaz de fazer fretes. Esgotei o plafond de paciência para as tricas do meio, para os mimimi e as politiquices. Decidi desligar-me, a bem da minha sanidade mental. E não tenho saudades. Fi-lo no momento certo, porque não poderia ser tão cruel comigo mesma que me limitasse num concretizar de tarefas sem encanto, sem grande espaço para criatividade e sem oportunidades para crescer e aprender mais. Nunca mais me hei-de esquecer de jantares associativos a que tive de ir, para fotografar menos gente do que aquela que costumo ter em aniversários meus. Tantos eventos que só tinham interesse para quem os organizava...
Olhando para trás, sei que serviu de muito e que não foi tempo perdido. Não construí uma fortuna, mas um currículo jeitosinho. E aprendi imenso. Principalmente sobre mim.
Desde Janeiro que estou feita eremita, focada apenas na mais bonita criação da minha vida. Sempre quis terminá-lo antes de comemorar as três décadas de existência e foi na última semana de Maio que dei por finalizado o meu primeiro romance. Está feito, imperfeito, mas completo. É meu. O meu livro. Ninguém imagina o que significou para mim poder parar para me dedicar a um projecto pessoal. Ninguém imagina as saudades que já sinto de o escrever. Das minhas personagens.
A partir de hoje, voltarei aos poucos à civilização. Ao blog, também. É difícil socializar depois de tanto tempo comigo. Não apetece voltar à vida real.
A partir de hoje, estarei a decidir o que fazer. Aceitam-se propostas, claro. Sintam-se à vontade.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Venham daí esses mindinhos.
Ou mindos, porque nunca percebi porque é que o mais pequenino é automaticamente discriminado com o uso do diminutivo... Anyway, venham daí esses mindos que a Lady promete que esta ausência será bem justificada. No fim, vocês vão perceber e ficar felizes por mim. Mas têm que acreditar e torcer para dar tudo certo, vale?
Até já!
Até já!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
perguntas sem resposta
Se tudo o que me magoa me inspira, isso significa que terei de viver em mágoa constante para produzir com qualidade?
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
s e r
![]() |
| Gigi Hadid |
Aceitarmos o todo que somos é um desafio diário. Sermos absolutos, sermos quem somos, sem medos e com segurança, é bonito mas dá trabalho. É preciso coragem - até nos mais pequenos gestos, quanto mais nas grandiosas atitudes.
O respeito por nós passa pela presente noção de que temos de estar bem. É uma convicção. E estar bem não é estar constantemente feliz nem arrebatado por uma alegria histérica a cada minuto. Bem é isso mesmo: bem. Para mim, estar bem implica não fazer fretes, não engolir sapos, não ter pontas soltas, sentir-me resolvida. Estar bem significa acordar animada com o que o meu dia me trará, mesmo com todas as contrariedades com que vou tendo de lidar. Mesmo com o medo de perder aqueles que amo para a fragilidade desta vida tantas vezes vã. Mesmo ansiosa, tenho que sentir dentro de mim a paz de saber que estou no sítio certo. Que faço o que amo, que disse tudo, que fiz o que sabia e podia. Resolvermo-nos não depende de um pedido de desculpas que não chegou, mas da postura que assumimos. É um erguer o queixo, um passo seguro, uma firmeza inabalável. Uma certeza no ser. Mais que saber, sentir. Mais que sonhar, saber que há-de vir. Saber que para tudo há um tempo e que o agora tem que ser bem aproveitado, bem vivido, bem amado.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
2015
![]() |
| Coco Rocha |
E à meia-noite, o espumante e as passas, o fogo de artifício e os desejos. Sempre os desejos. Sempre os mesmos, excepto um ou dois que vão mudando consoante o contexto. E a vontade de acreditar, ou melhor, a certeza de saber que vai dar tudo certo. Tem que dar.
Mesmo que para isso deixe de ter tanto tempo para outras coisas que me dão tanto gozo...
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
É hoje.
Mais um Natal. Mais uma noite de consoada. Antes era assim. Espero que a magia volte quando tiver os meus filhos. Agora somos todos crescidos, não é a mesma coisa e continuo a sentir imensa dificuldade em contornar aquela nostalgia que se apodera de mim nesta época. Fico melancólica, tristonha, com as lágrimas a quererem nascer por tudo e por nada. Tenho saudades dos mortos e dos vivos, saudades do que ainda não vivi, saudades de quando era feliz e não sabia. E sinto-me sempre péssima por não conseguir mudar o mundo. Por não poder oferecer um Natal quentinho e saboroso como o meu a quem não tem nada nem ninguém. Por não poder evitar que haja quem passe esta noite ao frio, de alma gelada. É com todos esses que o meu coração está, no fundo. Porque me dói o ano inteiro, mas nesta noite, pelo menos nesta noite, era suposto que as pessoas não sofressem. Era suposto que não me sentisse mal por ser uma privilegiada. Era suposto.
- Pai, pelo menos nesta noite os meninos que vivem em países de guerra podem dormir descansados? - perguntava, todas as consoadas, a cara molhada de tanto choro.- Sim, Ana. Os presidentes dos países em guerra não permitem que nesta noite haja qualquer tipo de guerra.
- Como é que sabes, pai?
- Sei. Eles dizem sempre na televisão, é obrigatório para o mundo todo.
- Mesmo para os que não acreditam em Jesus?
- Mesmo para esses. É uma regra mundial.
- E os meninos que vivem nas ruas, pai? Estão ao frio? Não comem?
- Nesta noite, há voluntários que lhes servem uma ceia e que lhes dão um sítio para que possam dormir.
- E porque é que não fazem isso sempre, pai?
- Porque não têm dinheiro para isso.
- E os animais abandonados, pai? Passam o Natal sozinhos, na rua, à chuva?
- Não, também têm voluntários que os colocam em caixotinhos quentinhos com mantas.
E só assim comia descansada. Há coisas que nunca mudam. O pior é que quando crescemos, não há petas que nos sosseguem.
Gostava que o pai dos meus filhos concordasse comigo e não colocasse obstáculos à forma como gostaria de passar a noite de 24 de Dezembro: a servir ceias a pessoas sem família, sem saúde financeira, sem esperança. O dia 25 poderia ser tudo o que tradicionalmente já é, mas que a noite fosse de dádiva, porque não vejo forma mais Cristã de comemorar o aniversário de Jesus.
Feliz Natal.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Antes que a loucura das festas me afaste ainda mais da blogosfera...
...deixem-me desejar-vos um Natal repleto de mimos, saúde, calor, luz e amor. Que o mais importante sejam as presenças e não os presentes. E que Jesus receba os parabéns!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Facedetox
![]() |
| Brigitte Bardot |
Dei por mim irritada com tanta trampa e fiz o meu manifesto anti-face: "Só volto ao Facebook para desejar Feliz Natal ao mundo. Farta de egos famintos, piadas sem graça nenhuma e novidades que só entusiasmam quem as publica. Farta de gente, mas cheia de sede de pessoas. #antisocial".
Agora só no dia 23 é que me apanham a espreitar o feed. Até lá, estou no Instagram (a minha rede social preferida). O próximo passo será a limpeza. Vai tudo corrido à vassourada dali pra fora.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































