segunda-feira, 29 de junho de 2015

começar a semana com ternura

O namorado da Mana é surfista. Ela dizia-me que não havia coisa mais fofa do que vê-lo com o poncho vestido, depois de horas no mar. E eu não percebia. Eis-me aqui, a dar a mão à palmatória: não há nada mais querido do que um homem de poncho. E com esta me vou. Obrigada, boa noite.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

dos traumas, dos dramas, dos medos.

Tudo o que somos inclui o que fomos, o que vivemos, o que sentimos, o que ouvimos, o que dissemos, o que fizemos, o que quisemos, o que chorámos, o que lemos, o que escrevemos, o que guardámos em nós.
Memórias, lembranças, o nosso trilho. Aprendemos tanto, tantas coisas bonitas. E aprendemos tanto, tantas coisas feias. E porque somos seres de hábitos, habituamo-nos também ao que não é bom. Aprendemos a criar defesas, a desconfiar, a manter distâncias de segurança. Aprendemos a ser vítimas.
A verdadeira sabedoria está em não condicionar o presente pelas dores que já foram. A verdadeira coragem está em não permitir que o medo nos faça fugir de tudo o que é bonito porque é mais fácil continuar a acreditar que os lugares feios foram desenhados para que lá vivamos.
Quão injusto seria não abrir portas, não destruir muralhas, não quebrar barreiras entre nós e os outros. Não somos todos iguais. As histórias são todas diferentes. Não somos o casamento complicado dos nossos pais, não somos os namoros que terminaram mal nem os amigos que nos traíram. Aprendemos com tudo isso, mas se nos amamos, se nos respeitamos, não podemos diminuir-nos e restringirmo-nos à repetição de padrões.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

i n v e j a

inveja | s. f.
3ª pess. sing. pres. ind. de invejar
2ª pess. sing. imp. de invejar

in·ve·ja |â| ou |ê| ou |âi| 
substantivo feminino
1. Desgosto pelo bem alheio.
2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).

"inveja", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]



Não tenho em mim aquela semente verde da inveja. Não tenho. Não faz parte de mim. Não compreendo. Não aceito. Não sinto.

Detesto quando começam com a treta da "inveja branca". Inveja é inveja, é mau e acabou. Se se sente, há que suprimi-la. Podemos educar-nos. Como é que se pode dizer "ai que estou aqui roída de inveja branca"? Inveja branca o caraças, pá. Acredito nas energias que emanamos, por isso fico toda acagaçada com essas porcarias. Já sabemos que existe, que até uma pessoa com tudo para ser invejada pode querer o que o outro tem, mesmo que o que o outro tenha seja quase nada. A inveja é sempre fruto de um de cinco factores: fraca auto-estima, complexos de inferioridade atrozes, insatisfação crónica, falta de formação ou pura maldade.

Quando digo que não sinto inveja, não quer dizer que não queira para mim algo que outra pessoa tem. Bom, normalmente, quando quero algo que outra pessoa tenha, quero noutro formato, com características diferentes - desde o carro bonito até ao casamento ou à conta bancária. Até posso precisar de mais dinheiro para o estilo de vida que me parece confortável, mas vivo bem com o que tenho e sei que hei-de lá chegar. Posso querer muito casar, mas não quero aquela relação peganhenta. Posso querer muito um carro tão giro como o daquela gaja, mas não aquele modelo nem aquela cor. Contudo, por mais que alguém perto de mim alcance um determinado objectivo que também espero alcançar futuramente, não vou passar sequer um segundo da minha vida a remoer aquilo amargamente. Porque antes de mais nada, ficarei feliz pela pessoa. E ver que aconteceu noutra existência dá-me ânimo e motivação para acreditar que posso vir a receber o que desejo, porque afinal é possível. Simples.

Apesar de não ser dotada dessa característica desprezível que é ser invejosa, tenho um radar invejável para detectar manifestações desse que é um dos sete pecados mortais. Reparo no olhar de lado para aquele par de sapatos maravilhoso, que resulta num salto partido ao chegar a casa. Na ausência de contenção de raiva quando partilhamos uma boa notícia. Nas palavras que se soltam dos menos cínicos ou dissimulados, que os denunciam: "Só a mim é que não me acontece isso"; "Como é que tens tanta sorte?"; "Tens mais sorte que juízo"; "Porque é que a mim não me cai tudo do céu como a ti?"; "Mas porque é que eu também não tenho isso?"... podia ficar aqui horas a enumerar exemplos ou a relatar episódios.

Não compreendo. Não gosto. Não aceito. Basta isto para que me feche em copas e viva sossegada no meu canto, preferindo que todos acreditem na miserabilidade da minha vidinha vã. Não conto nada a ninguém, não abro brechas para que me atinjam com esses dardos de má onda. E só com o dinheiro na mão é que digo que ganhei a lotaria. A alguns, porque não há cá merdas.

terça-feira, 23 de junho de 2015

o amor é eterno

Não é maravilhoso que depois de uma morte, o amor que sentimos por alguém não morra? Não é maravilhosa esta capacidade que temos de continuar a gostar tanto mesmo depois do desaparecimento físico? Olhando com os olhos de uma criança, como se fosse a primeira vez que pensamos nisto, como se não fosse um dado adquirido ou uma verdade universal, é delicadamente bonito que mesmo sem corpo para abraçar, sem olhos para olhar, sem voz para ouvir, continue tão vivo o amor por alguém. Arrumamos o sentimento na gaveta das saudades, numa tentativa de racionalizar o amor que nos ficou, apesar da partida do outro. Quem morre deixa de ser matéria, mas permanece. Na memória, nas recordações, na lágrima de quem sente a falta, na gargalhada que não se contém ao lembrar um episódio engraçado.

Minha Vó não morre nunca. Se fechar os olhos, lembro-me de tudo: das mãos enrugadas, tão bonitas. Das sobrancelhas, sempre tão expressiva. Da voz. Do cheiro. Consigo voltar ao meu corpo de menina e vê-la pentear-se em frente ao espelho. Sento-me à mesa com ela, sinto o aroma do seu pequeno-almoço, que lhe roubava descaradamente. Se fizesse igual para mim, não me sabia tão bem. E quando estou triste, é do colo dela que sinto falta, onde encostava a minha cabeça e lhe contava sobre o que me inquietava. E quando estou feliz, é ela a primeira pessoa a quem queria contar o que de bom me aconteceu.

Minha Vó pedia-me para cantar para ela. E durante anos, era a única pessoa que recebia mimos meus sem pedir, que eu não era uma criança muito afectuosa. O abraço, o beijinho, a festinha, eram dela. E que saudades que eu tenho de lhe tocar. Não há momento marcante em que não sinta a falta da minha Vó aqui. Queria a companhia dela, queria ir à praia com ela, queria que soubesse que o maior feito da minha vida lhe presta homenagem, queria agradecer-lhe por me ter dado tanto, por ter sido tanto. Dizer-lhe que não seria eu sem a existência dela. Que foi importante, mesmo sendo tantas vezes incompreendida e subestimada. Que me orgulho da mulher forte que sempre foi. Que me inspira a sua força. Queria contar-lhe da mulher em que me tornei.

Minha Vó aparece-me nos sonhos, de vez em quando. E eu mato saudades, acordo feliz. Esta noite não tive esse privilégio e hoje acordei com um aperto enorme no peito. Falta pouco tempo para o dia de anos dela e o mundo não sabe. Não sabe de tanta humildade, de tanta dignidade, do cantar nos dias tristes, da lágrima difícil, ao contrário da minha. O mundo não sabe de como insistia nas lições chatas, só para ter a certeza de que eu tinha bom carácter. De como eras ciumenta - ai de mim que não interrompesse as minhas brincadeiras com as outras crianças para te vir dar um beijo, de cinco em cinco minutos. De como demoravas tanto para te vestir.

Minha Vó dançava e ria às gargalhadas, apesar de ter tantos motivos para querer morrer.

Minha Vó era analfabeta. Não sabia ler nem escrever. E sabia tanto. Foi tanto. Era tanto. É tanto.

Lembro-me do dia em que soube que o corpo não ia aguentar tanto tempo como eu desejava. Começou a não corresponder à lucidez de quem o vestia. Os passos mais curtos e lentos, as quedas constantes. Fiz como ainda faço: fingi que não era preocupante, agi com naturalidade apesar do medo de deixar de tê-la ao meu lado todos os dias. Nem podia imaginar como era viver sem tê-la comigo. E fui crescendo e percebendo melhor tudo o que viveu, passando a admirá-la cada vez mais.
E com a admiração, também a saudade aumenta.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

...e de repente, é Verão outra vez.

Laetitia Casta
Depois de um semestre de eremita, custa-me ter que voltar à realidade. Aos poucos, vou retomando aquilo a que chamam vida, mas a minha foi tão dolorosamente bonita em clausura que quase me fere o contacto humano. Não sei explicar - ou talvez saiba, mas não queira que a honestidade seja lida como prepotência. 

E é Verão, apesar de sentir Primavera em mim. Está um calor maravilhoso, mas quem se habitua ao frio sofre com as subidas de temperatura. Quem se acomoda à lágrima esquece como se sorri. Quem enfrenta mágoas de peito aberto, demora a aceitar bênçãos. Sou assim: espero o Inverno inteiro pelo momento em que sinto o Sol queimar-me a pele, mas quando ele finalmente chega, tenho receio da insolação. Tenho dificuldades em viver o presente, medo de não saber aproveitá-lo, entro em pânico ao pensar que vai acabar e que vou voltar ao gélido e cinzento Inverno.

É estranho. Quando se trata de algo negativo, sou tão fria, decidida e despachada, resolvo tudo a sangue frio, faço o que tem de ser feito com segurança e convicção, mesmo que me deixe partida. A descarga de stress só chega depois, na quietude do meu quarto. Por outro lado, quando alguma coisa boa me chega, toda eu sou mãos trémulas e ansiedade, choro e fragilidade.

Quase trinta anos e ainda estou a aprender.  

quinta-feira, 18 de junho de 2015

produtos perfeitos para malta preguiçosa

Uma pessoa pode ser vaidosa mas ter uma certa preguiça de estar constantemente a retocar a cor das unhas e dos lábios, certo? That's me. Não suporto verniz a lascar nem lábios que me façam ir constantemente ver se a cor está no sítio. Decidi partilhar convosco as minhas descobertas mais importantes deste semestre.

Uma amiga falou-me de um batom para lá de espectacular: que além de ser fácil de aplicar, se aguentava intacto a noite inteira. E quando digo «a noite», não estou a referir-me a um jantar e um copo em qualquer lado. «A noite» é até às sete da manhã. Parecia tanga, mas não é. É tipo só a melhor coisa do mundo.


Sempre tive facilidade em fazer a cor durar nos lábios (base+contorno nude+preenchimento com lápis da cor do batom+primeira passagem+remoção do excesso com papel higiénico+pó solto+segunda passagem de cor), mas este supera tudo!


Experimentei um encarnado e um nude e não me apetece ir verificar os nomes, mas também não interessam para nada porque há mil tonalidades:


Simples: de um lado, o batom líquido, estilo gloss ou tinta para lábios. Do outro, o bálsamo hidratante. Extremamente confortável. O único defeito que lhe encontrei foi não sair com desmaquilhante, nem com toalhitas, nem no banho...


E depois há o verniz, no mesmo registo: de um lado, a cor; do outro, o top coat. Comprei um nude e um encarnado, só para ser original, e dura duas semanas intacto.


O pincel é largo, pelo que a aplicação é uniforme. Outra vantagem: seca rápido, não são precisas horas de espera de dedinhos estendidos!



Infallible Lips & Nails by L'Oréal Paris. Vale a pena, meus amores. Olhem que vale.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

algures entre o oito e o oitenta

E então tu aprendes a ser fria. Aprendes finalmente a não dar de ti. A não querer saber. Aprendes a não ter interesse, a não mostrar quem és. Ensaiaste a tua melhor poker face, tornaste-te na melhor jogadora possível. Aprendeste a lição: a vida é assim e o mundo é dos fortes. Estamos sozinhos no planeta, isto não está feito para meninos e já que ninguém toma conta de ti, tens de ser tu a zelar pelo teu bem-estar. Somos as ilhas de que Pessoa falava e não arquipélagos. Somos individuais, sós. Todos são susceptíveis de nos causar uma dor, principalmente os que tínhamos como pilares, até os que considerámos basilares. Sem ilusões, não há desilusões. Não tens tempo para merdas. Segues o teu caminho focada em ti, na tua vida, na tua carreira, nos teus projectos. Sozinha. Ergueste muralhas em torno da tua fragilidade e prometeste que a sujeição à vulnerabilidade nunca mais seria uma realidade para ti. Se por um lado, há um amargo de boca com esta decisão, pelo menos há a esperança de não voltar aos lugares escuros onde te deixaste chegar da última vez que confiaste em alguém. Das últimas vezes que confiaste em alguém.
Ainda por cima tu, que tens tantos problemas relacionados com confiança. É normal que prefiras quartos de motel frios ao sofá da casa dele. É normal que optes pelo secretismo em vez de dizer ao mundo que há alguém que mexe contigo. É normal que não penses em agradar ninguém e digas simplesmente o que te apetece, sem medo de deixar uma impressão negativa nos outros - talvez até prefiras ter um impacto negativo nos que se aproximam de ti. É normal que sejas bruta, que fujas, que nem queiras ver o que te está a acontecer. É normal que desvalorizes qualquer coisa bonita que te digam. É normal.

Mas depois há-de aparecer alguém que te fará questionar se a força está em jogar «como tem de ser» ou se, por outro lado, ser forte é não temer a entrega. E no labirinto que é a vida, já não sabes para onde ir.

Lembro-me daquela frase profética que uma amiga que se tornou irmã me deu, antes de decidir tornar-me nesta pessoa que mantém trancada a gaveta dos sentimentos: Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo. Talvez tenha sido esse o problema. Talvez nunca tenha percebido, eu que sou o arquétipo dos meios-termos, que também nessas coisas pode existir uma zona cinzenta, que não tem de ser o oito ou o oitenta.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

esperar

Katy Perry
Ter calma, deixar fluir, não permitir que a ansiedade nos precipite. Fácil de dizer. Nunca gostei de esperar, sou impaciente e o que quero, quero ontem. Às vezes esqueço-me de aproveitar a viagem porque tenho pressa de chegar. Estou sempre a pensar no que fazer a seguir. A história de viver o momento é difícil para mim e talvez isso se deva à curiosidade extrema acerca do porvir. Até nos filmes sou assim: não me chateiam os spoilers, gosto de saber o que vai acontecer mesmo antes de me sentar com as pipocas na mão. «-Mas assim não tem piada», ouço frequentemente, quando imploro por detalhes da trama. «-Não, eu prefiro. E enquanto estiver a ver o filme, não me vou lembrar do que me contaram e serei surpreendida na mesma», respondo.
É verdade. Sou assim. Em tudo. Custa-me a espera. Não sei esperar.
Em filas, tento distrair-me com o telemóvel, mas não disfarço os suspiros de tédio. Quero despachar-me o mais depressa possível. No banco, na zona de restauração de um shopping, na caixa da Zara, nos Correios, no balcão da discoteca. À porta de um consultório médico. Não gosto nada de esperar.
Por nada. Por ninguém.
Não gosto de esperar quando a minha amiga encontra alguém conhecido e faz conversa de circunstância e eu ali, doida para seguir caminho, com cara de resting bitch. Não gosto de esperar pelos resultados do Euromilhões. Não gosto sequer de pensar que vou ter que esperar para saber se ganhei alguma coisa ou não naquele concurso que poderia mudar a minha vida.
Por nada. Por ninguém.
Não gostava de esperar pelo presidente da Câmara Municipal, eu de máquina fotográfica a pesar-me na mão, meia hora, quarenta minutos. A fazer o quê? À espera. Não suportava as forçadas trocas de palavras para encher o tempo de vida que se gastava. Talvez seja isso: a espera soa-me sempre a perda de tempo e eu tenho noção de que um dia isto acaba, que não vou ter tempo para sempre, não posso desperdiçá-lo. Para quê esperar? É como se ficasse em suspensão. Não tem utilidade nenhuma. E nunca ouvi uma boa história começada por «Estava à espera na caixa do supermercado, quando...». Nunca.
Depois vem a vida, com o seu apurado sentido de humor, ensinar-nos a aproveitar o tempo de espera. E já me vou ouvindo dizer que enquanto espero por determinado acontecimento, posso dedicar-me a outras tarefas. E já vou percebendo que a viagem até ao Algarve pode ser tão divertida como o momento em que chego e me atiro vestida para a piscina. Que ler um livro sem espreitar as últimas páginas antes de o terminar pode ser agradável. Que não estragar as surpresas que me preparam pode ser simpático. Que enquanto o arroz não coze, posso ir pondo a mesa. Que abrir embrulhos com muito jeitinho antes do Natal não é cool.
Deixar acontecer, porque para tudo há um tempo debaixo do céu.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

most things don't work out the way people plan

São tantas coincidências, tantas as coincidências, se é que existem coincidências. São tantas coisinhas miúdas que apontam para o mesmo e dizem que é por ali, que é o certo. Não sei se é o medo de me desiludir que me retrai, se é esse pavor que me faz duvidar ou preferir não acreditar, mas às vezes, juro que às vezes tenho a certeza de que são coincidências a mais. Será que sou eu que reparo em tudo? Como é que sabemos o que é para nós ou não? Não sabemos, pois não? E como é que fazemos para transformar algo que não é para nós em algo que é para nós? Não fazemos, pois não? E como é que fazemos para tornar algo que é muito importante para nós em nada? Não tornamos, pois não? Dizem que o tempo cura tudo e eu aqui, de ferida aberta. Sempre que acho que esta porra cicatrizou, volta a sangrar. Não consigo sair dali, isto nem há marcha-atrás na caixa de velocidades da vida, como é que se faz?

Tomas um banho, lavas o corpo e esperas que a alma se deixe limpar também. Acalmas-te como puderes, esqueces-te como quiseres, nem que tenhas que ir beber qualquer coisa. Adormeces isso. E guardas. Guardas para ti, aí dentro, no fundo da última das gavetas. Há-de passar, porque hás-de esquecer.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

estilhaços do que fomos antes

Torna-se cansativo ser honesta e dizer, sempre que alguém pergunta se está tudo bem, "não, está tudo horrivelmente na mesma e eu vou aprimorando esta qualidade que é saber fingir. Qualquer dia ganho um Oscar". Escondemo-nos atrás do "tudo bem", como se por mentirmos tanto, conseguíssemos tornar real essa vontade tão simples de estar mesmo bem. É como a maquilhagem pesada nos olhos inchados pela noite de choro, que tenta mostrar ao mundo que não somos mais do que aquilo que se vê à superfície, como se não soubéssemos que «o essencial é invisível aos olhos». E o essencial, aquilo que é a nossa essência, o que está no fundo de nós, são estilhaços do que fomos antes.


SJP

quarta-feira, 10 de junho de 2015

19

Nunca mais me hei-de esquecer do dia em que os meus pais, sentados aos pés da minha cama, me acordaram com a notícia de que em breve deixaria de ser filha única. Nunca mais me hei-de esquecer da indignação que se apoderou de mim: para que raio precisavam de outra criança? Eu não era suficientemente boa filha? Não lhes bastava ter-me a mim?

Ao longo dos nove meses, fui-me habituando à ideia. Na escola, todos os trabalhos passaram a ter como objectivo o irmão ou a irmã que chegaria. Fiz-lhe uma almofadinha nas aulas de EVT, cosi-a à mão e tudo. Escrevi-lhe poemas, desenhei o bebé por todo o lado. Ainda estava dentro da barriga da nossa mãe e já falava com ela. Questionava-me sobre como seria, fisicamente. E que personalidade teria. Gostaria de mim? Nunca fui fácil de gostar, e se não gostasse? E se fosse menina, mais bonita que eu? Iriam comparar-nos. E se fosse mais inteligente que eu? Deixaria de ser a criança prodígio para ser a irmã dela?

Chegou o dia 10 de Junho, que sempre me dissera muito pelo amor que desde pequena nutria pelo autor da nossa epopeia. Estávamos em 1996 e eu lembro-me como se tivesse sido no ano passado. Não poderia ter estado noutro lado durante toda a manhã - sentada na sala de espera da maternidade, a ler os meus livrinhos da Turma da Mônica. À hora do almoço, fui com o pai almoçar. Almôndegas.

E quando te vi, depois das 14:25h, não tive medos. Soube que eras minha irmã. Tão pequenina, tão frágil, as mãos sempre a mexer. Já eras irrequieta, eu é que não percebi os sinais. Já eras cabeluda. E já eras linda. As comparações começaram nesse dia: "Ela nasceu muito mais bonita do que a irmã, tadinha, que nasceu verde". E mesmo sendo miúda, mesmo tendo sido filha única ao longo de uma década, não senti ciúmes. Ficava orgulhosa de cada elogio que te davam, porque eras a minha nova irmãzinha.

E depois tomei conta dela, não precisei de Nenucos, tinha-a e ao seu closet magnífico para brincar. E chegou a espera. Esperei por ela para que finalmente pudesse falar, mas mesmo quando isso aconteceu, não podíamos ter conversas a sério porque ela era demasiado pequena para perceber os meus dramas de adolescente. Esperei por ela para que brincasse comigo, mas quando quis brincar, eu já não queria saber de bonecas. Esperei por ela para que pudesse sair à noite comigo, mas a Escola Primária exige demasiada concentração por parte dos alunos.
Esperei até há pouco tempo.

De repente, olhei para o lado e tinha uma cúmplice. Continuamos a ser tão diferentes como fomos, quando nos compararam no dia em que nasceste. Continuas a ser a mais bonita, a mais cabeluda e serás sempre irrequieta. Tu, toda sorrisos. Eu, sempre arrogante. Tu, toda alegria. Eu, lágrima. Há dias disse ao pai e à mãe que tinham tido filhas como a lua e o sol (sendo que o lado lunar fica por minha conta). Continuo orgulhosa de ti, porque és a minha irmãzinha.
A espera terminou.
Conversamos tanto, sabes tudo sobre mim. Fazemos tudo juntas. E já me acompanhas nas noitadas. Somos a claque uma da outra. O sucesso de uma é a realização da outra.

Neste ano, em que a minha irmã comemora 19 anos de vida, tem-se revelado uma mulherzinha. Às vezes dou por mim boquiaberta com tanta responsabilidade. Tão forte e tão doce, tão firme nas suas inseguranças.

Já to disse, Mimi... hoje escrevo: não me importaria de ser eternamente dor se fosse esse o preço a pagar pelo teu sorriso a vida inteira.

Parabéns, meu amor.

Dezanove?!!

terça-feira, 9 de junho de 2015

looser

Kendall Jenner
Tenho uma amiga que se sente perdedora muitas vezes. Não é por ser minha amiga que a acho tão gira. Ela é daquelas pessoas que quando entra num lugar, toda a gente se vira para a ver. Tem pinta e no conjunto é mesmo interessante. Como se isso não bastasse, tem uma classe natural que lhe dá graça, é educada, muito inteligente e criativa. Veste-se bem, sem ser pretensiosa, é alta mas não abdica dos saltos altos, tem um cabelão maravilhoso. Como eu, fechou a porta aos amores, que uma pessoa não tem tempo a perder e tem mais que fazer. No caso dela, a culpa foi de uma desilusão. No meu, de várias. Diz ela que perde constantemente. Que durante a vida inteira perdeu para mulheres que considera menos inteligentes, menos giras, menos educadas. Perde.

Disse-lhe que quem perdeu alguma coisa foram eles, cuja melhor realidade foi ela. Que as inseguranças masculinas fazem com que muitas vezes optem por abrir mão de uma felicidade difícil se puderem ter uma estabilidade razoável. Que ela precisou deles para crescer um bocadinho até estar perfeita para o tal, mas que eles precisaram dela para se sentirem o máximo pelo menos por uma vez na sua existência pobre.

Ela não acredita. E chora por se sentir inferior a todas as que a sucederam na vida deles, mesmo sabendo da inexistência de espaço para competições. E eu já não sei o que lhe dizer. Espero que a vida lhe mostre bem depressa que está a ver tudo através da lente errada. Que se valorize, que veja nela o ser humano maravilhoso que eu vejo.

E sim, que encontre alguém à altura dela. Não é por não acreditar nessas coisas do amor quando à minha vida diz respeito, que deixei de acreditar que para os outros existe. É real. Acontece. E é tão bonito.

E como quando escrevo, às vezes profetizo, fica aqui o post para que dentro de pouco tempo possamos apreciar a mudança.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

t a n t o

Tanto que pensar, tanto que fazer, tanto. Tanta coisa. E nada, na verdade. Como se o que importa não fizesse mossa ao resto do mundo. Como se fosse a única corajosa. A única capaz de assumir a fragilidade de gostar, de querer, de renunciar ao que é correcto.

Parece que seguir o que se ama se tornou na coisa errada. E a coisa errada parece-lhe a única coisa certa a fazer. Sabe Deus o que será feito dela.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

porque tem de ser.

Amanda Seyfried
Ele acreditava que ela estava sempre em altas. As fotografias partilhadas pelas redes sociais eram óbvias: festas, sorrisos, abraços, amigos, olhos brilhantes e copos na mão.
Ela fazia o filme todo. De certeza que já nem se lembrava do seu nome, porque raio havia ainda de lembrar-se dele?

Ele tentava mostrar ao mundo - e quem sabe se a informação não lhe chegaria - que estava bem, tranquilo, feliz com a sua opção pela solidão.
Ela não tentava mostrar nada, queria era esquecer que estar vivo pode doer.

Nem um nem outro sabiam que a imaginação é sempre fantasia. Que as conjecturas incluem os nossos medos. Que as suposições não constituem a realidade.

E naquele final de noite em que se deitou mais uma vez sozinho na sua casa vazia, espreitou-lhe as fotografias e quis estar com ela no meio da diversão. Ou trazê-la até ali, para que o adormecesse como antes. Não sabia, nunca saberá, que ela estava no sofá, enrolada numa mantinha, fugindo de si mesma mergulhando na estupidificante televisão.

E naquele início de noite em que soube que a noite que tinha sido a deles havia sido gasta entre amigos, ela não deixou de o imaginar com outra ao seu lado. Não sabia, nunca saberá, que entre um copo e outro, houve uma música que lhe despertou as saudades que sente dela mas que finge não sentir.

Não dizem nada, não sabem nada.

Os dois sozinhos, rodeados de gente, num caminho que se faz porque tem de ser.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Que pena.

Gigi Hadid
A malta vai crescendo e o círculo vai-se estreitando - nada de novo, portanto. O que dói é não rever num velho amigo a pessoa que foi. Deixar de ter saudades, sentir que não há proximidade nem nada ali que nos prenda. Desidentificamo-nos. Este termo existe? Mas é o que acontece: desidentificamo-nos. Como se numa bifurcação, cada um de nós escolhesse um lado diferente da estrada para seguir caminho. Às tantas, resta apenas a memória do que fomos, no silêncio que se faz por não haver nada que dizer. É estranho como deixamos de nos compreender, sem saber sequer em que pedaço de trilho percorrido se perdeu aquele engenho tão necessário para a manutenção das boas relações, a compreensão. É com ela que se apertam os parafusos do entrosamento e da empatia. Como não evitamos o franzir do sobrolho ao mais pequeno sinal de que algo absurdo vai sair da outra boca, vamo-nos fartando. Cansamo-nos. E depois de anos de condescendência, há um golpe desleal que faz o copo transbordar e desistimos. Deixamos de querer saber. Sem rancores, só desinteresse. Como se não fosse nada.
Acho que à medida que vamos crescendo, vai-se tornando mais clara a certeza de que não precisamos de muita gente para sobreviver. As prioridades reorganizam-se e a vida seguirá o seu rumo, com ou sem aquela companhia. E depois há aquela coisa de querermos avançar com cada vez menos peso às costas. Quem nos atrasa, não nos faz falta.
Apesar do crescente recurso ao pragmatismo, há sempre aquele olhar por cima do ombro antes do primeiro passo. Que pena. Foste tanto para mim. Que gratidão. E que pena que não tenha sido para sempre. Talvez um dia te deixe voltar a entrar, só para ver se já saíste dessa espiral de retrocesso.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Caitlyn Jenner

Quando vi a capa da Vanity Fair pensei: "A Lana Del Rey envelheceu para caraças!"

"Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte."

A frase é deste post que escrevi há alguns meses, mas serve como título também ao que vos quero contar. Em Dezembro passado, desisti da imprensa regional, que foi a minha vida desde 2009, para me entregar completamente a um sonho meu.
Ainda deambulava pelos corredores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e já pedia a Deus que me livrasse de trabalhar em jornais locais. Nada contra, só não me via ali. E porque sempre que afirmei nunca querer determinada coisa, ela me veio ter às mãos, neste caso não aconteceu de forma diferente. Vocês já sabem: comecei por brincadeira n'O Correio de Pombal, quando dei por ela estava feita uma workaholic e quando saí do já extinto jornal, decidi que nunca mais voltaria à imprensa, pelo menos naqueles termos. Para não fugir à regra, quando me vi, estava no Pombal Jornal. E gostei, claro. Sou muito grata por ter feito parte do início de um projecto que além de ser de amigos, queria fazer diferente. Mas entrei com a certeza da partida cá dentro. Sabia que não poderia continuar a fazer jornalismo regional durante muito mais tempo, sob a pena de não conseguir abandoná-lo.

Sinto que envelheci, no meu último ano de trabalho. Física e psicologicamente. Sinto que perdi a tolerância à pequenez, que em terra pequena toda a gente se acha grande e por mais que ame viver aqui, já não sou capaz de fazer fretes. Esgotei o plafond de paciência para as tricas do meio, para os mimimi e as politiquices. Decidi desligar-me, a bem da minha sanidade mental. E não tenho saudades. Fi-lo no momento certo, porque não poderia ser tão cruel comigo mesma que me limitasse num concretizar de tarefas sem encanto, sem grande espaço para criatividade e sem oportunidades para crescer e aprender mais. Nunca mais me hei-de esquecer de jantares associativos a que tive de ir, para fotografar menos gente do que aquela que costumo ter em aniversários meus. Tantos eventos que só tinham interesse para quem os organizava...

Olhando para trás, sei que serviu de muito e que não foi tempo perdido. Não construí uma fortuna, mas um currículo jeitosinho. E aprendi imenso. Principalmente sobre mim.

Desde Janeiro que estou feita eremita, focada apenas na mais bonita criação da minha vida. Sempre quis terminá-lo antes de comemorar as três décadas de existência e foi na última semana de Maio que dei por finalizado o meu primeiro romance. Está feito, imperfeito, mas completo. É meu. O meu livro. Ninguém imagina o que significou para mim poder parar para me dedicar a um projecto pessoal. Ninguém imagina as saudades que já sinto de o escrever. Das minhas personagens.

A partir de hoje, voltarei aos poucos à civilização. Ao blog, também. É difícil socializar depois de tanto tempo comigo. Não apetece voltar à vida real.
A partir de hoje, estarei a decidir o que fazer. Aceitam-se propostas, claro. Sintam-se à vontade.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Venham daí esses mindinhos.

Ou mindos, porque nunca percebi porque é que o mais pequenino é automaticamente discriminado com o uso do diminutivo... Anyway, venham daí esses mindos que a Lady promete que esta ausência será bem justificada. No fim, vocês vão perceber e ficar felizes por mim. Mas têm que acreditar e torcer para dar tudo certo, vale?

Até já!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

perguntas sem resposta

Se tudo o que me magoa me inspira, isso significa que terei de viver em mágoa constante para produzir com qualidade?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

s e r

Gigi Hadid
Escrevi aqui pela última vez há quase um mês. Estávamos a seis de Janeiro. Hoje já vamos no segundo mês do ano e tanta coisa mudou.

Aceitarmos o todo que somos é um desafio diário. Sermos absolutos, sermos quem somos, sem medos e com segurança, é bonito mas dá trabalho. É preciso coragem - até nos mais pequenos gestos, quanto mais nas grandiosas atitudes.
O respeito por nós passa pela presente noção de que temos de estar bem. É uma convicção. E estar bem não é estar constantemente feliz nem arrebatado por uma alegria histérica a cada minuto. Bem é isso mesmo: bem. Para mim, estar bem implica não fazer fretes, não engolir sapos, não ter pontas soltas, sentir-me resolvida. Estar bem significa acordar animada com o que o meu dia me trará, mesmo com todas as contrariedades com que vou tendo de lidar. Mesmo com o medo de perder aqueles que amo para a fragilidade desta vida tantas vezes vã. Mesmo ansiosa, tenho que sentir dentro de mim a paz de saber que estou no sítio certo. Que faço o que amo, que disse tudo, que fiz o que sabia e podia. Resolvermo-nos não depende de um pedido de desculpas que não chegou, mas da postura que assumimos. É um erguer o queixo, um passo seguro, uma firmeza inabalável. Uma certeza no ser. Mais que saber, sentir. Mais que sonhar, saber que há-de vir. Saber que para tudo há um tempo e que o agora tem que ser bem aproveitado, bem vivido, bem amado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2015

Coco Rocha
Entrei no espírito de 2015 um pouco antes do ano começar. As mudanças são assim, fazem-nos perspectivar, sonhar, programar um pouco mais à frente. No início de Dezembro, já sentia que tinha começado uma nova fase e talvez por isso a noite do revelhão me tenha passado um pouco ao lado. Como sempre, passei-a na tranquilidade do lar, rodeada de amigos, no quentinho e com um exagero de comes e bebes. Como gosto de dizer, o entra e sai de minha casa faria corar qualquer dono de casa de meninas.

E à meia-noite, o espumante e as passas, o fogo de artifício e os desejos. Sempre os desejos. Sempre os mesmos, excepto um ou dois que vão mudando consoante o contexto. E a vontade de acreditar, ou melhor, a certeza de saber que vai dar tudo certo. Tem que dar. 
Mesmo que para isso deixe de ter tanto tempo para outras coisas que me dão tanto gozo... 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

É hoje.

Mais um Natal. Mais uma noite de consoada. Antes era assim. Espero que a magia volte quando tiver os meus filhos. Agora somos todos crescidos, não é a mesma coisa e continuo a sentir imensa dificuldade em contornar aquela nostalgia que se apodera de mim nesta época. Fico melancólica, tristonha, com as lágrimas a quererem nascer por tudo e por nada. Tenho saudades dos mortos e dos vivos, saudades do que ainda não vivi, saudades de quando era feliz e não sabia. E sinto-me sempre péssima por não conseguir mudar o mundo. Por não poder oferecer um Natal quentinho e saboroso como o meu a quem não tem nada nem ninguém. Por não poder evitar que haja quem passe esta noite ao frio, de alma gelada. É com todos esses que o meu coração está, no fundo. Porque me dói o ano inteiro, mas nesta noite, pelo menos nesta noite, era suposto que as pessoas não sofressem. Era suposto que não me sentisse mal por ser uma privilegiada. Era suposto. 
- Pai, pelo menos nesta noite os meninos que vivem em países de guerra podem dormir descansados? - perguntava, todas as consoadas, a cara molhada de tanto choro.
- Sim, Ana. Os presidentes dos países em guerra não permitem que nesta noite haja qualquer tipo de guerra.
- Como é que sabes, pai?
- Sei. Eles dizem sempre na televisão, é obrigatório para o mundo todo.
- Mesmo para os que não acreditam em Jesus?
- Mesmo para esses. É uma regra mundial.
- E os meninos que vivem nas ruas, pai? Estão ao frio? Não comem?
- Nesta noite, há voluntários que lhes servem uma ceia e que lhes dão um sítio para que possam dormir.
- E porque é que não fazem isso sempre, pai?
- Porque não têm dinheiro para isso.
- E os animais abandonados, pai? Passam o Natal sozinhos, na rua, à chuva?
- Não, também têm voluntários que os colocam em caixotinhos quentinhos com mantas.
E só assim comia descansada. Há coisas que nunca mudam. O pior é que quando crescemos, não há petas que nos sosseguem.
Gostava que o pai dos meus filhos concordasse comigo e não colocasse obstáculos à forma como gostaria de passar a noite de 24 de Dezembro: a servir ceias a pessoas sem família, sem saúde financeira, sem esperança. O dia 25 poderia ser tudo o que tradicionalmente já é, mas que a noite fosse de dádiva, porque não vejo forma mais Cristã de comemorar o aniversário de Jesus.
Feliz Natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Antes que a loucura das festas me afaste ainda mais da blogosfera...






...deixem-me desejar-vos um Natal repleto de mimos, saúde, calor, luz e amor. Que o mais importante sejam as presenças e não os presentes. E que Jesus receba os parabéns!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Facedetox

Brigitte Bardot
Estava no aconchego do meu sofá, a lareira aos meus pés e os gatos aninhados ao meu lado, quando decidi ir espreitar o que se passava no meu Facebook. Bastaram alguns segundos de scroll para confirmar o que já suspeitava: nada. Não se passava nada de novo: fotografias de gajas, gajas que postam fotografias forçosamente sensualonas para angariar likes e tentar aumentar a auto-estima, mais gajas, partilhas de frases da Chiado Editora, frases cheias de moral publicadas por quem não as compreende nem as cumpre, mais frases pseudo-intelectuais, piadolas, anedotas, vídeos de caracacá, vines, mais vídeos de porcaria, gracinhas, bebés, olhem que hoje corri cinco quilómetros, está a chover, faz sol, Verão volta que estás perdoado, bocas, indirectas, ressabiamento à fartazana... safam-se as notícias e a música.
Dei por mim irritada com tanta trampa e fiz o meu manifesto anti-face: "Só volto ao Facebook para desejar Feliz Natal ao mundo. Farta de egos famintos, piadas sem graça nenhuma e novidades que só entusiasmam quem as publica. Farta de gente, mas cheia de sede de pessoas. #antisocial".
Agora só no dia 23 é que me apanham a espreitar o feed. Até lá, estou no Instagram (a minha rede social preferida). O próximo passo será a limpeza. Vai tudo corrido à vassourada dali pra fora.




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carmen

É oficial: a miúda já está estável e em fase de recuperação. Foram longos os dias em que achei que ia morrer, porque nem abria os olhos e mal andava. Não comia, não bebia água, nada. Não foram poucas as vezes em que implorei ao meu pai para ser sincero comigo, mas ele sempre acreditou. Andou com ela no carro, só para ter a certeza de que ela tinha assistência médica 24 horas por dia. Levou muito soro, muitas vitaminas, tantas injecções de antibiótico. Depois de noites a acordar às 06:00h para lhe dar água por uma seringa, depois muita oração e muito mimo - até do Balthazar , que entretanto já a lambia e tomava conta dela também -, ela reagiu. Agora sim, pudemos dar-lhe um nome e assumir que é nossa. Foi miúda, pequenina, Josephina, Antonieta, Bethânia, Benedita, Joana, Firmina, Catarina... e agora é Carmen, para fazer a vontade à Mana e para seguir a ordem alfabética dos animais da casa. Podem ir espreitando a vida do mais novo elemento da família através da hashtag que criei para ela no Instagram, à semelhança do que já tinha feito com o Balthazar: #carmenrendalltomaz .

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Private joke

Olha para ele a vir cá cheio de medo, só para confirmar que não é o protagonista dos meus posts...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Miss Maven


Acho que ainda não vos falei dela. Detesto tutoriais de maquilhagem e não perco tempo com isso, mas a Teni Panosian é tão querida que não me cansa. Gosto mesmo dela. E das maquilhagens dela. E é tão bonitinha.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte. Ou de como passei a ser chamada de corajosa.

Coco Rocha
Quando tive vontade de escrever sobre o assunto, preferi assegurar a privacidade da outra parte.
Quando podia finalmente fazê-lo, achei que já tinha passado demasiado tempo e não me apeteceu.
Quando reparei, o assunto era motivo de dúvida para tanta gente - não percebo bem porquê, a vida é minha e a relação também era - que me pareceu legítimo resguardar-me.

Agora que passou mais de um ano e depois de não ter respondido aos mails e comentários de leitoras com perguntas sobre o assunto, posso dizer que sim, que terminei um namoro que já era noivado. Felizmente não houve qualquer interferência externa. Foi simples como nos inícios, em que nos apaixonamos porque sim, mas ao contrário. Deixei de gostar.

Durante muito tempo, quis convencer-me de que era só uma fase, talvez fruto de uma pressão que não sentia relativamente ao futuro casamento. E também durante muito tempo sofri calada. Fui adiando a data. Perdi o instinto maternal. Quis mudá-lo, torná-lo no homem com quem me imaginava nessa jornada corajosa que é gerar uma família. Nós mulheres somos tão intuitivas... não sei porque neguei o que sentia (ou o que já não sentia). Sabia que não, mas queria querer. Queria mesmo querer. Parecia tão certo. Não imaginava a minha vida sem aquela pessoa. Foi um pilar, um companheirão, um porto de abrigo.

Quando assumi perante mim tudo o que se passava cá dentro, senti um alívio enorme e uma dor profunda. É que ao pôr fim a uma relação a dois, não terminamos só o agora. Não é no momento presente que se esgota o final. Matam-se os sonhos, os planos e os projectos. Assassina-se um futuro inteiro. E no que diz respeito ao passado, temos que o arrumar e seguir em frente sem aquela mão na nossa.

Na verdade, tive a sensação de que me tinha desviado da minha rota durante alguns anos e que voltava agora a tudo o que sou. Sabem aquela sensação de plenitude, em que nos sentimos preenchidas, entusiasmadas com a vida e cheias de páginas em branco por escrever? Tantos objectivos de que me tinha esquecido, tantos sonhos adormecidos, tanto.

Mas nem tudo foram rosas depois do ponto final: houve muita porcaria. Muita porcaria, mesmo. Trampa. Quis ficar amiga daquele que significou tanto para mim durante um determinado período de tempo - tanto que ponderei casar, certo? -, mas foi impossível. Não somos todos feitos da mesma massa. Não temos todos o mesmo carácter. Não somos todos bem formados.
Da maneira mais baixa e dissimulada possível, vi exposta a minha intimidade, devassada a minha privacidade. Fui alvo de faltas de respeito imperdoáveis, fruto de uma infantilidade que não consigo tolerar. Não poderia manter disso no meu mundo, que a minha paz é a minha prioridade.

Confesso que estranhei, porque não estou habituada a riscar pessoas da minha vida. Posso manter distâncias de segurança, mas nunca corto definitivamente. Apaguei o número do meu telemóvel e decidi que o melhor era mesmo esquecer que aquela pessoa existia: não havia amizade possível, que isso só se cria com respeito e esse vocábulo não faz, de todo, parte do seu léxico.

O único grande lamento foi perceber que não deveria ter esperado tanto tempo para pôr fim ao que já tinha morrido. O meu cuidado e a minha preocupação com ele tiveram como retribuição apenas um qualquer tipo de ressabiamento, fruto do orgulho ferido, sei lá. Ou talvez seja só falta de carácter, de princípios e de personalidade. Mesmo assim, eis-me aqui contando a história apenas ao de leve. Há coisas que não mudam.

Não é só aqui no blog que não entro em detalhes. Aprendi a não perder tempo a falar do que não é bom. Não sinto raiva nem ódio, não lhe desejo mal. Também não lhe desejo bem, porque não lhe desejo nada. Tenho alguma pena, ao verificar que não sobrou grande coisa... e pontualmente ainda me irrita a forma absurda com que trata, ainda hoje, aqueles que me rodeiam. Principalmente a Mana Lamparina.

Aprendi imenso. Aprendi que não vale a pena ignorar sinais. Aprendi que não podemos fugir do nosso coração: mesmo que não o escutemos, ele sussurra ao cérebro e vamos criando pequenas aversões. Por isso, nada de não ouvir a nossa voz interior. Nada de negar sentimentos. Nada de sabotar emoções ou disfarçar evidências.

Liberdade é ser o que somos, sentir o que sentimos, pensar o que pensamos. Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

voar

Hoje, ao quinto dia do décimo segundo mês do ano de 2014, começa uma nova fase na minha vida. Uma fase de transição. Hoje, a Sexta-feira sabe-me a medo e a fé. Felizmente, a fé é maior que o medo e a coragem faz-me enfrentá-lo de braços abertos. Estou a atirar-me para o vazio e a minha esperança é desfrutar do voo. Quero aterrar em segurança, como tem acontecido desde sempre. Quero sentir-me orgulhosa de mim e completar as três décadas com este objectivo concretizado.

Não há decisões fáceis: quando escolhemos uma opção, deixamos outras para trás. Decidi segura, estou firme na convicção de que este é o momento para dar o salto. Aos poucos, devagar, vou chegar àquele sítio que sempre quis para mim. Não fosse o facto de ter uns pais tão à frente e não sei se teria capacidade para fazer isto. Eles compreendem, respeitam e apoiam-me incondicionalmente: «Se não for agora, quando será?». É isso mesmo. É agora.

Não haveria forma mais adequada de terminar este ano tão marcado pelo auto-conhecimento. Num momento em que o mundo me parece o lugar mais estranho para estar, preciso de me verter, de me expelir, de estar mais perto de mim. De me sentir a ser eu, sem contenções nem contrariedades.

A partir de hoje, estarei a investir toda a dedicação e empenho no projecto mais importante da minha vida. Vai ser um processo intenso, de reencontro e de catarse. Tudo em mim pulsa para conseguir fazê-lo.

Assim Deus me ajude a não me desiludir comigo mesma. Tenho sido abençoada todos os dias, não pode ser diferente agora.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

É de mim...

Amanda Seyfried
...e da minha bff, ou o grande motor do Facebook são as indirectas? Acho sempre suspeito quando uma só pessoa tem imensos, inúmeros, tantos e constantes problemas com os outros... e a culpa nunca é delas. Cá para mim, tanto conflito à volta de um só indivíduo não significa que a restante população mundial esteja errada. Não?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Percalços, encontros, surpresas.

Sonhei que encontrava uma gatinha numa loja de animais. Por ser muitíssimo mal tratada, tentava a todo o custo salvá-la, mas o seu resgate custar-me-ia 600 euros... que eu não tinha.

Contei do sonho ao meu pai, falei dele à Mana e a alguns amigos, que durante todo o dia não me saía da cabeça a aflição de ver o bichinho ali, a pedir ajuda com os olhos mais doces que um gato pode ter antes de desatar a arranhar tudo o que existe.

Ao final do dia, fui a essa bela localidade que dizem ser a mais temperada do país, por ter como nome Louriçal. A missão era acompanhar a assinatura de um protocolo entre três entidades. Acabei por me armar em missionária...

À chegada, assim que estacionei a viatura, vi aquela criatura pequenina, reparei que nos olhava e que seguia a Mana Lamparina, mas a pressa com que os afazeres jornalísticos me impregnam os dias não deixou que lhe prestasse grande atenção.


Concluído o trabalho, regresso ao carro e ela continuava ali. «Miu». Já nos ríamos à gargalhada antes de ter dito o que ambas pensámos: «Vamos levá-la!». Receosas, fizemos a viagem em constante especulação sobre o que o pai iria achar deste acto solidário. Ela encostada à Mana, quieta durante toda a viagem.

- Não costumas fazê-lo com tanta frequência como isso.
- Pois não, Mana. Ele não se vai chatear. Como é que eu poderia deixá-la ali ao frio?
- De qualquer modo, a ideia é arranjar-lhe um dono, certo?
- Claro.

Depois de um breve discurso de preparação, mostrámos aquela coisa fofa ao pai, que dizendo tratar-se de uma bebé com três ou quatro meses de idade, lhe enfiou imediatamente um comprimido pela goela abaixo. «Deve estar cheia de pulgas», dizia, enquanto a pesava: nem dois quilos. Além da constipação, a gatinha tem também um problema no olho esquerdo.

Sossegada e meiga, lá foi connosco para casa, onde nos deparámos com o real problema: o Balthazar, essa fera indomável e territorial. Parecia um tigre a rondar a presa, ameaçou-a, fez cenas de ciúmes, enfim... imensas fitas.

Vamos ver como corre... para já, o que interessa é que fique saudável. Não tem cara de Josephina?

Já conhecem o novo spot mais queridinho da web?



Começámos a semana e o mês com uma novidade que me animou: o mais recente projecto Clinique! Chama-se CLINIQUE Mag e é a primeira e única revista digital da marca no mundo.

Podem espreitá-la aqui.

Tem tudo o que pode interessar às fãs da marca como eu: artigos sobre os lançamentos mais recentes; informações sobre os inúmeros produtos - desde os cuidados da pele até à maquilhagem, passando pelos perfumes; passatempos; dicas... enfim, é o mundo Clinique numa só plataforma, com aquela imagem clean a que a associamos e construída a pensar no utilizador, já que é extremamente intuitiva.

Mais uma vez, a Clinique Portugal inova - e sempre a pensar em quem não vive sem ela.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cinco coisas estranhas que 29 anos podem trazer:

Mila Kunis

1. Quase nos 30, estamos na idade em que os nossos namorados são da idade dos namorados dos nossos pais... ou mais velhos.

2. Quase nos 30, estamos na idade em que temos que suportar, com o ar mais natural do mundo, que a pessoa com quem estamos já tenha estado com aquela amiga da nossa mãe. (E controlar o refluxo gástrico de cada vez que pensamos nisso.)

3. Quase nos 30, estamos na idade em que não queremos crescer e cujo objectivo da semana é sempre sobreviver até ao próximo fim-de-semana.

4. Quase nos 30, estamos na idade em que as compras prioritárias passam a ser os produtos para o contorno dos olhos.

5. Quase nos 30, estamos na idade em que ficar sossegada em casa, deitada no sofá, coberta com uma mantinha, em frente à televisão e com o gato aninhado ao nosso lado, parece ser um programa maravilhoso.

1.12.2014

Julia Roberts
E de repente, estamos no primeiro dia do mês de Dezembro. Temos um mês para escrever o último capítulo do livro e ainda ontem estávamos em Janeiro. Passou a correr, não foi?

Adoro contagens decrescentes:
- faltam 04 dias para Sexta-feira.
- faltam 23 dias para a noite de consoada.
- faltam 24 dias para o dia de Natal.
- faltam 30 dias para o fim de 2014.
- faltam 31 dias para o início de 2015.

Muitos planos?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E o gato que gosta da minha voz?

Lana Del Rey
O Balthazar é altamente gato. Passo a explicar: sempre lidei com persas-angorá, este é o primeiro street cat puro que tenho e é por esse motivo que me está constantemente a surpreender, fazendo coisas a que não estava habituada. O gato é bipolar. Tanto está durante horas a dormir enroladinho, coisa mais sossegada não existe... como desata a correr, a fazer parkour pela casa e ataca-nos, numa brincadeira solitária em que finge ser o predador e nós a presa pronta a ser devorada.
Num desses momentos de libertação de stress felino, descobri uma maneira de o acalmar. Não vou sequer alongar-me em explicações sobre como cheguei a esta conclusão, mas a verdade é que se eu cantar o Ave Maria de Schubert com uma voz muito aguda, ele fica estático a olhar para mim.
Sentado, imóvel.
E super calmo.
O melhor é que esta paz dura bastante tempo.

Mais sobre o Balthazar no Instagram, em #balthazarrendalltomaz . 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A propósito do post de ontem...

...reparei que talvez as princesas da Disney tenham tido mais influência sobre a maneira como vejo os ideais de beleza femininos. Lindas, de coração nobre, com vozes maravilhosas, delicadas... e sempre com cabelos compridos (excepto a croma da Branca de Neve, mas eu dessa nem gostava muito) e vestidos bonitos. Foi por causa da Pocahontas (para mim, a que tem o rosto mais bonito de todas) que quis ter o cabelo mais comprido.

E se elas fossem desenhadas com uma cintura como a que temos nós, humanas? Seriam assim.
E se elas fossem pessoas? Seriam como estes desenhos mostram.

A propósito do tema, espreitem este artigo do DailyMail...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Barbies e afins...

Sou fã da Barbie. Fui muito feliz junto das minhas 24 Barbies e do meu único Ken. Ainda me lembro das personalidades de cada boneca, do papel que desempenhavam naquela mini-sociedade monitorizada por mim. Lembro-me da louca colecção de sapatos que tinham, de como lhes confeccionei tantos vestidinhos a partir de collants velhos. De como fiquei feliz quando recebi o Corvette para elas, o jipe, a piscina... bom, eram mesmo os meus brinquedos preferidos.

Nunca tive Nancys nem outras do género. Não gostava delas. Não eram tão bonitas como as Barbies, que ainda por cima eram cheias de estilo. A minha irmã, por sua vez, nunca ligou muito a esse género de bonecada. Sempre preferiu Nenucos e consolas, que uma década de distância é tempo mais que suficiente para alterar tendências.

Nunca quis ser parecida com uma Barbie, embora ainda ambicione igualar o lifestyle dela. Sou feliz com o corpo que me serve de morada e mesmo enquanto menina, não sonhava ter os longos cabelos louros ou a cintura ridiculamente estreita das minhas bonecas. Elas eram bonecas, não modelos a seguir.

Agora que sou uma mulher adulta, continuo a gostar de Barbies. Já não brinco com elas nem lhes compro roupinhas, mas enquanto ícone da cultura pop e como figura mediática cheia de relevo, que surge vestida com criações dos designers mais aclamados do planeta, continuo atenta. Adoro ver exposições relacionadas com a boneca mais fashion do mundo e acho divertidíssima a sua história, a sua evolução e também as marcas que vai deixando um pouco por todo o lado [ quem não reparou nesta colecção da Moschino para o próximo Verão? ].

Tudo isto para dizer que finalmente assisto ao boom das bonecas pela beleza real, com medidas em consonância com as proporções humanas. Não creio que venham destronar a Barbie, mas acho maravilhoso que a minha filha venha a poder escolher entre uma boneca altamente estilizada e uma com aspecto de gente... porque há lugar para todas as belezas no mundo.


As diferenças entre a Lammily e a Barbie são imensas. Primeiro, o nome. A mais velha continua a ganhar. Lammily não é um nome espectacular. Em segundo... bom, basta ver o vídeo abaixo.


As campanhas pela beleza real têm sido uma constante. Se não me engano, a Dove terá sido uma das pioneiras nessa batalha. Nas últimas semanas, os acontecimentos que envolvem a Victoria's Secret ou a Calvin Klein têm dado pano para mangas e a discussão não parece parar por aqui, mas o que interessa é perceber que as crianças, com aquela pureza que lhes é inerente, parecem adorar uma boneca que se assemelhe às pessoas de quem gostam:


Esta conversa toda fez-me lembrar de uma experiência impressionante [ ainda que um pouco falaciosa, já que não oferece grande liberdade de expressão às crianças inquiridas ] que revela noções de racismo apreendidas pelas crianças:


Posto isto, limito-me a concluir que o âmago da questão não são as bonecas, como é óbvio. O problema está na formação das crianças. Em casa, na escola, em sociedade. Esta não é uma reflexão leve e simples. Os problemas que existem no campo dos preconceitos, da imagem que temos dos outros e da auto-imagem não são solucionados apenas pelo que consumimos, mas primordialmente por um avanço enorme na evolução da mentalidade de cada indivíduo que integra a sociedade massificada de que fazemos parte, conscientemente ou não.

Enquanto adultos mal formados puderem educar crianças, sendo através do exemplo transmissores de princípios deturpados, a Humanidade será constituída por seres desprovidos de valores, que julgam pela aparência e que se submetem às maiores atrocidades por ideais de beleza que não são humanamente possíveis de atingir.

Ainda assim, parece-me óptimo que se amplifique a escolha, que a diversidade de bonecas disponíveis no mercado espelha as especificidades de cada um de nós.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Este texto fez-me lembrar de uma música dos Abba.

Jennifer Aniston
Falar de dinheiro é sempre de mau tom. É uma questão de educação. É básico.
Contudo, se para mim é um dado adquirido que é indelicado falar sobre dinheiro, há quem não tenha essa sensibilidade. É simples: ao tocar nesse assunto, podem ferir-se susceptibilidades. O valor do dinheiro é tão relativo que o que para mim é pouco, para ti pode ser muito ou vice-versa. Além disso, entramos numa esfera demasiado pessoal e sinto-me invadida na minha privacidade quando se toca no assunto.
Deve ser por causa disso que detesto que me perguntem quanto ganho. Ninguém tem que saber o valor do meu ordenado, olha agora! Por norma, respondo que ganho menos do que gostaria e mais do que mereço ou até que ganho demasiado para o trabalho que me dá escrever.
É que quando se fala nisso, pode facilmente soar a gabarolice ou até a soberba, tal como pode revelar pobreza e suscitar pena.
Já conheci quem fosse discriminado por ter pouco e quem fosse discriminado por ter demasiado [mas este termo aplica-se ao dinheiro? Nunca se tem demasiado dinheiro!], mas tenho para mim que o meu avô continua certo, mesmo já não estando cá: quem é rei nunca perde a majestade.

Esta música dos Abba.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Prova de que nasci no tempo errado.

smart.

Para quem como eu usa saltos altos quase todos os dias e noites e só os tira dos pés para dormir, estas invenções são assim qualquer coisa para lá de espectacular...




Podem saber mais sobre estes últimos aqui e encontrar soluções várias ali.