segunda-feira, 15 de junho de 2015

esperar

Katy Perry
Ter calma, deixar fluir, não permitir que a ansiedade nos precipite. Fácil de dizer. Nunca gostei de esperar, sou impaciente e o que quero, quero ontem. Às vezes esqueço-me de aproveitar a viagem porque tenho pressa de chegar. Estou sempre a pensar no que fazer a seguir. A história de viver o momento é difícil para mim e talvez isso se deva à curiosidade extrema acerca do porvir. Até nos filmes sou assim: não me chateiam os spoilers, gosto de saber o que vai acontecer mesmo antes de me sentar com as pipocas na mão. «-Mas assim não tem piada», ouço frequentemente, quando imploro por detalhes da trama. «-Não, eu prefiro. E enquanto estiver a ver o filme, não me vou lembrar do que me contaram e serei surpreendida na mesma», respondo.
É verdade. Sou assim. Em tudo. Custa-me a espera. Não sei esperar.
Em filas, tento distrair-me com o telemóvel, mas não disfarço os suspiros de tédio. Quero despachar-me o mais depressa possível. No banco, na zona de restauração de um shopping, na caixa da Zara, nos Correios, no balcão da discoteca. À porta de um consultório médico. Não gosto nada de esperar.
Por nada. Por ninguém.
Não gosto de esperar quando a minha amiga encontra alguém conhecido e faz conversa de circunstância e eu ali, doida para seguir caminho, com cara de resting bitch. Não gosto de esperar pelos resultados do Euromilhões. Não gosto sequer de pensar que vou ter que esperar para saber se ganhei alguma coisa ou não naquele concurso que poderia mudar a minha vida.
Por nada. Por ninguém.
Não gostava de esperar pelo presidente da Câmara Municipal, eu de máquina fotográfica a pesar-me na mão, meia hora, quarenta minutos. A fazer o quê? À espera. Não suportava as forçadas trocas de palavras para encher o tempo de vida que se gastava. Talvez seja isso: a espera soa-me sempre a perda de tempo e eu tenho noção de que um dia isto acaba, que não vou ter tempo para sempre, não posso desperdiçá-lo. Para quê esperar? É como se ficasse em suspensão. Não tem utilidade nenhuma. E nunca ouvi uma boa história começada por «Estava à espera na caixa do supermercado, quando...». Nunca.
Depois vem a vida, com o seu apurado sentido de humor, ensinar-nos a aproveitar o tempo de espera. E já me vou ouvindo dizer que enquanto espero por determinado acontecimento, posso dedicar-me a outras tarefas. E já vou percebendo que a viagem até ao Algarve pode ser tão divertida como o momento em que chego e me atiro vestida para a piscina. Que ler um livro sem espreitar as últimas páginas antes de o terminar pode ser agradável. Que não estragar as surpresas que me preparam pode ser simpático. Que enquanto o arroz não coze, posso ir pondo a mesa. Que abrir embrulhos com muito jeitinho antes do Natal não é cool.
Deixar acontecer, porque para tudo há um tempo debaixo do céu.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

most things don't work out the way people plan

São tantas coincidências, tantas as coincidências, se é que existem coincidências. São tantas coisinhas miúdas que apontam para o mesmo e dizem que é por ali, que é o certo. Não sei se é o medo de me desiludir que me retrai, se é esse pavor que me faz duvidar ou preferir não acreditar, mas às vezes, juro que às vezes tenho a certeza de que são coincidências a mais. Será que sou eu que reparo em tudo? Como é que sabemos o que é para nós ou não? Não sabemos, pois não? E como é que fazemos para transformar algo que não é para nós em algo que é para nós? Não fazemos, pois não? E como é que fazemos para tornar algo que é muito importante para nós em nada? Não tornamos, pois não? Dizem que o tempo cura tudo e eu aqui, de ferida aberta. Sempre que acho que esta porra cicatrizou, volta a sangrar. Não consigo sair dali, isto nem há marcha-atrás na caixa de velocidades da vida, como é que se faz?

Tomas um banho, lavas o corpo e esperas que a alma se deixe limpar também. Acalmas-te como puderes, esqueces-te como quiseres, nem que tenhas que ir beber qualquer coisa. Adormeces isso. E guardas. Guardas para ti, aí dentro, no fundo da última das gavetas. Há-de passar, porque hás-de esquecer.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

estilhaços do que fomos antes

Torna-se cansativo ser honesta e dizer, sempre que alguém pergunta se está tudo bem, "não, está tudo horrivelmente na mesma e eu vou aprimorando esta qualidade que é saber fingir. Qualquer dia ganho um Oscar". Escondemo-nos atrás do "tudo bem", como se por mentirmos tanto, conseguíssemos tornar real essa vontade tão simples de estar mesmo bem. É como a maquilhagem pesada nos olhos inchados pela noite de choro, que tenta mostrar ao mundo que não somos mais do que aquilo que se vê à superfície, como se não soubéssemos que «o essencial é invisível aos olhos». E o essencial, aquilo que é a nossa essência, o que está no fundo de nós, são estilhaços do que fomos antes.


SJP

quarta-feira, 10 de junho de 2015

19

Nunca mais me hei-de esquecer do dia em que os meus pais, sentados aos pés da minha cama, me acordaram com a notícia de que em breve deixaria de ser filha única. Nunca mais me hei-de esquecer da indignação que se apoderou de mim: para que raio precisavam de outra criança? Eu não era suficientemente boa filha? Não lhes bastava ter-me a mim?

Ao longo dos nove meses, fui-me habituando à ideia. Na escola, todos os trabalhos passaram a ter como objectivo o irmão ou a irmã que chegaria. Fiz-lhe uma almofadinha nas aulas de EVT, cosi-a à mão e tudo. Escrevi-lhe poemas, desenhei o bebé por todo o lado. Ainda estava dentro da barriga da nossa mãe e já falava com ela. Questionava-me sobre como seria, fisicamente. E que personalidade teria. Gostaria de mim? Nunca fui fácil de gostar, e se não gostasse? E se fosse menina, mais bonita que eu? Iriam comparar-nos. E se fosse mais inteligente que eu? Deixaria de ser a criança prodígio para ser a irmã dela?

Chegou o dia 10 de Junho, que sempre me dissera muito pelo amor que desde pequena nutria pelo autor da nossa epopeia. Estávamos em 1996 e eu lembro-me como se tivesse sido no ano passado. Não poderia ter estado noutro lado durante toda a manhã - sentada na sala de espera da maternidade, a ler os meus livrinhos da Turma da Mônica. À hora do almoço, fui com o pai almoçar. Almôndegas.

E quando te vi, depois das 14:25h, não tive medos. Soube que eras minha irmã. Tão pequenina, tão frágil, as mãos sempre a mexer. Já eras irrequieta, eu é que não percebi os sinais. Já eras cabeluda. E já eras linda. As comparações começaram nesse dia: "Ela nasceu muito mais bonita do que a irmã, tadinha, que nasceu verde". E mesmo sendo miúda, mesmo tendo sido filha única ao longo de uma década, não senti ciúmes. Ficava orgulhosa de cada elogio que te davam, porque eras a minha nova irmãzinha.

E depois tomei conta dela, não precisei de Nenucos, tinha-a e ao seu closet magnífico para brincar. E chegou a espera. Esperei por ela para que finalmente pudesse falar, mas mesmo quando isso aconteceu, não podíamos ter conversas a sério porque ela era demasiado pequena para perceber os meus dramas de adolescente. Esperei por ela para que brincasse comigo, mas quando quis brincar, eu já não queria saber de bonecas. Esperei por ela para que pudesse sair à noite comigo, mas a Escola Primária exige demasiada concentração por parte dos alunos.
Esperei até há pouco tempo.

De repente, olhei para o lado e tinha uma cúmplice. Continuamos a ser tão diferentes como fomos, quando nos compararam no dia em que nasceste. Continuas a ser a mais bonita, a mais cabeluda e serás sempre irrequieta. Tu, toda sorrisos. Eu, sempre arrogante. Tu, toda alegria. Eu, lágrima. Há dias disse ao pai e à mãe que tinham tido filhas como a lua e o sol (sendo que o lado lunar fica por minha conta). Continuo orgulhosa de ti, porque és a minha irmãzinha.
A espera terminou.
Conversamos tanto, sabes tudo sobre mim. Fazemos tudo juntas. E já me acompanhas nas noitadas. Somos a claque uma da outra. O sucesso de uma é a realização da outra.

Neste ano, em que a minha irmã comemora 19 anos de vida, tem-se revelado uma mulherzinha. Às vezes dou por mim boquiaberta com tanta responsabilidade. Tão forte e tão doce, tão firme nas suas inseguranças.

Já to disse, Mimi... hoje escrevo: não me importaria de ser eternamente dor se fosse esse o preço a pagar pelo teu sorriso a vida inteira.

Parabéns, meu amor.

Dezanove?!!

terça-feira, 9 de junho de 2015

looser

Kendall Jenner
Tenho uma amiga que se sente perdedora muitas vezes. Não é por ser minha amiga que a acho tão gira. Ela é daquelas pessoas que quando entra num lugar, toda a gente se vira para a ver. Tem pinta e no conjunto é mesmo interessante. Como se isso não bastasse, tem uma classe natural que lhe dá graça, é educada, muito inteligente e criativa. Veste-se bem, sem ser pretensiosa, é alta mas não abdica dos saltos altos, tem um cabelão maravilhoso. Como eu, fechou a porta aos amores, que uma pessoa não tem tempo a perder e tem mais que fazer. No caso dela, a culpa foi de uma desilusão. No meu, de várias. Diz ela que perde constantemente. Que durante a vida inteira perdeu para mulheres que considera menos inteligentes, menos giras, menos educadas. Perde.

Disse-lhe que quem perdeu alguma coisa foram eles, cuja melhor realidade foi ela. Que as inseguranças masculinas fazem com que muitas vezes optem por abrir mão de uma felicidade difícil se puderem ter uma estabilidade razoável. Que ela precisou deles para crescer um bocadinho até estar perfeita para o tal, mas que eles precisaram dela para se sentirem o máximo pelo menos por uma vez na sua existência pobre.

Ela não acredita. E chora por se sentir inferior a todas as que a sucederam na vida deles, mesmo sabendo da inexistência de espaço para competições. E eu já não sei o que lhe dizer. Espero que a vida lhe mostre bem depressa que está a ver tudo através da lente errada. Que se valorize, que veja nela o ser humano maravilhoso que eu vejo.

E sim, que encontre alguém à altura dela. Não é por não acreditar nessas coisas do amor quando à minha vida diz respeito, que deixei de acreditar que para os outros existe. É real. Acontece. E é tão bonito.

E como quando escrevo, às vezes profetizo, fica aqui o post para que dentro de pouco tempo possamos apreciar a mudança.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

t a n t o

Tanto que pensar, tanto que fazer, tanto. Tanta coisa. E nada, na verdade. Como se o que importa não fizesse mossa ao resto do mundo. Como se fosse a única corajosa. A única capaz de assumir a fragilidade de gostar, de querer, de renunciar ao que é correcto.

Parece que seguir o que se ama se tornou na coisa errada. E a coisa errada parece-lhe a única coisa certa a fazer. Sabe Deus o que será feito dela.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

porque tem de ser.

Amanda Seyfried
Ele acreditava que ela estava sempre em altas. As fotografias partilhadas pelas redes sociais eram óbvias: festas, sorrisos, abraços, amigos, olhos brilhantes e copos na mão.
Ela fazia o filme todo. De certeza que já nem se lembrava do seu nome, porque raio havia ainda de lembrar-se dele?

Ele tentava mostrar ao mundo - e quem sabe se a informação não lhe chegaria - que estava bem, tranquilo, feliz com a sua opção pela solidão.
Ela não tentava mostrar nada, queria era esquecer que estar vivo pode doer.

Nem um nem outro sabiam que a imaginação é sempre fantasia. Que as conjecturas incluem os nossos medos. Que as suposições não constituem a realidade.

E naquele final de noite em que se deitou mais uma vez sozinho na sua casa vazia, espreitou-lhe as fotografias e quis estar com ela no meio da diversão. Ou trazê-la até ali, para que o adormecesse como antes. Não sabia, nunca saberá, que ela estava no sofá, enrolada numa mantinha, fugindo de si mesma mergulhando na estupidificante televisão.

E naquele início de noite em que soube que a noite que tinha sido a deles havia sido gasta entre amigos, ela não deixou de o imaginar com outra ao seu lado. Não sabia, nunca saberá, que entre um copo e outro, houve uma música que lhe despertou as saudades que sente dela mas que finge não sentir.

Não dizem nada, não sabem nada.

Os dois sozinhos, rodeados de gente, num caminho que se faz porque tem de ser.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Que pena.

Gigi Hadid
A malta vai crescendo e o círculo vai-se estreitando - nada de novo, portanto. O que dói é não rever num velho amigo a pessoa que foi. Deixar de ter saudades, sentir que não há proximidade nem nada ali que nos prenda. Desidentificamo-nos. Este termo existe? Mas é o que acontece: desidentificamo-nos. Como se numa bifurcação, cada um de nós escolhesse um lado diferente da estrada para seguir caminho. Às tantas, resta apenas a memória do que fomos, no silêncio que se faz por não haver nada que dizer. É estranho como deixamos de nos compreender, sem saber sequer em que pedaço de trilho percorrido se perdeu aquele engenho tão necessário para a manutenção das boas relações, a compreensão. É com ela que se apertam os parafusos do entrosamento e da empatia. Como não evitamos o franzir do sobrolho ao mais pequeno sinal de que algo absurdo vai sair da outra boca, vamo-nos fartando. Cansamo-nos. E depois de anos de condescendência, há um golpe desleal que faz o copo transbordar e desistimos. Deixamos de querer saber. Sem rancores, só desinteresse. Como se não fosse nada.
Acho que à medida que vamos crescendo, vai-se tornando mais clara a certeza de que não precisamos de muita gente para sobreviver. As prioridades reorganizam-se e a vida seguirá o seu rumo, com ou sem aquela companhia. E depois há aquela coisa de querermos avançar com cada vez menos peso às costas. Quem nos atrasa, não nos faz falta.
Apesar do crescente recurso ao pragmatismo, há sempre aquele olhar por cima do ombro antes do primeiro passo. Que pena. Foste tanto para mim. Que gratidão. E que pena que não tenha sido para sempre. Talvez um dia te deixe voltar a entrar, só para ver se já saíste dessa espiral de retrocesso.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Caitlyn Jenner

Quando vi a capa da Vanity Fair pensei: "A Lana Del Rey envelheceu para caraças!"

"Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte."

A frase é deste post que escrevi há alguns meses, mas serve como título também ao que vos quero contar. Em Dezembro passado, desisti da imprensa regional, que foi a minha vida desde 2009, para me entregar completamente a um sonho meu.
Ainda deambulava pelos corredores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e já pedia a Deus que me livrasse de trabalhar em jornais locais. Nada contra, só não me via ali. E porque sempre que afirmei nunca querer determinada coisa, ela me veio ter às mãos, neste caso não aconteceu de forma diferente. Vocês já sabem: comecei por brincadeira n'O Correio de Pombal, quando dei por ela estava feita uma workaholic e quando saí do já extinto jornal, decidi que nunca mais voltaria à imprensa, pelo menos naqueles termos. Para não fugir à regra, quando me vi, estava no Pombal Jornal. E gostei, claro. Sou muito grata por ter feito parte do início de um projecto que além de ser de amigos, queria fazer diferente. Mas entrei com a certeza da partida cá dentro. Sabia que não poderia continuar a fazer jornalismo regional durante muito mais tempo, sob a pena de não conseguir abandoná-lo.

Sinto que envelheci, no meu último ano de trabalho. Física e psicologicamente. Sinto que perdi a tolerância à pequenez, que em terra pequena toda a gente se acha grande e por mais que ame viver aqui, já não sou capaz de fazer fretes. Esgotei o plafond de paciência para as tricas do meio, para os mimimi e as politiquices. Decidi desligar-me, a bem da minha sanidade mental. E não tenho saudades. Fi-lo no momento certo, porque não poderia ser tão cruel comigo mesma que me limitasse num concretizar de tarefas sem encanto, sem grande espaço para criatividade e sem oportunidades para crescer e aprender mais. Nunca mais me hei-de esquecer de jantares associativos a que tive de ir, para fotografar menos gente do que aquela que costumo ter em aniversários meus. Tantos eventos que só tinham interesse para quem os organizava...

Olhando para trás, sei que serviu de muito e que não foi tempo perdido. Não construí uma fortuna, mas um currículo jeitosinho. E aprendi imenso. Principalmente sobre mim.

Desde Janeiro que estou feita eremita, focada apenas na mais bonita criação da minha vida. Sempre quis terminá-lo antes de comemorar as três décadas de existência e foi na última semana de Maio que dei por finalizado o meu primeiro romance. Está feito, imperfeito, mas completo. É meu. O meu livro. Ninguém imagina o que significou para mim poder parar para me dedicar a um projecto pessoal. Ninguém imagina as saudades que já sinto de o escrever. Das minhas personagens.

A partir de hoje, voltarei aos poucos à civilização. Ao blog, também. É difícil socializar depois de tanto tempo comigo. Não apetece voltar à vida real.
A partir de hoje, estarei a decidir o que fazer. Aceitam-se propostas, claro. Sintam-se à vontade.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Venham daí esses mindinhos.

Ou mindos, porque nunca percebi porque é que o mais pequenino é automaticamente discriminado com o uso do diminutivo... Anyway, venham daí esses mindos que a Lady promete que esta ausência será bem justificada. No fim, vocês vão perceber e ficar felizes por mim. Mas têm que acreditar e torcer para dar tudo certo, vale?

Até já!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

perguntas sem resposta

Se tudo o que me magoa me inspira, isso significa que terei de viver em mágoa constante para produzir com qualidade?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

s e r

Gigi Hadid
Escrevi aqui pela última vez há quase um mês. Estávamos a seis de Janeiro. Hoje já vamos no segundo mês do ano e tanta coisa mudou.

Aceitarmos o todo que somos é um desafio diário. Sermos absolutos, sermos quem somos, sem medos e com segurança, é bonito mas dá trabalho. É preciso coragem - até nos mais pequenos gestos, quanto mais nas grandiosas atitudes.
O respeito por nós passa pela presente noção de que temos de estar bem. É uma convicção. E estar bem não é estar constantemente feliz nem arrebatado por uma alegria histérica a cada minuto. Bem é isso mesmo: bem. Para mim, estar bem implica não fazer fretes, não engolir sapos, não ter pontas soltas, sentir-me resolvida. Estar bem significa acordar animada com o que o meu dia me trará, mesmo com todas as contrariedades com que vou tendo de lidar. Mesmo com o medo de perder aqueles que amo para a fragilidade desta vida tantas vezes vã. Mesmo ansiosa, tenho que sentir dentro de mim a paz de saber que estou no sítio certo. Que faço o que amo, que disse tudo, que fiz o que sabia e podia. Resolvermo-nos não depende de um pedido de desculpas que não chegou, mas da postura que assumimos. É um erguer o queixo, um passo seguro, uma firmeza inabalável. Uma certeza no ser. Mais que saber, sentir. Mais que sonhar, saber que há-de vir. Saber que para tudo há um tempo e que o agora tem que ser bem aproveitado, bem vivido, bem amado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2015

Coco Rocha
Entrei no espírito de 2015 um pouco antes do ano começar. As mudanças são assim, fazem-nos perspectivar, sonhar, programar um pouco mais à frente. No início de Dezembro, já sentia que tinha começado uma nova fase e talvez por isso a noite do revelhão me tenha passado um pouco ao lado. Como sempre, passei-a na tranquilidade do lar, rodeada de amigos, no quentinho e com um exagero de comes e bebes. Como gosto de dizer, o entra e sai de minha casa faria corar qualquer dono de casa de meninas.

E à meia-noite, o espumante e as passas, o fogo de artifício e os desejos. Sempre os desejos. Sempre os mesmos, excepto um ou dois que vão mudando consoante o contexto. E a vontade de acreditar, ou melhor, a certeza de saber que vai dar tudo certo. Tem que dar. 
Mesmo que para isso deixe de ter tanto tempo para outras coisas que me dão tanto gozo... 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

É hoje.

Mais um Natal. Mais uma noite de consoada. Antes era assim. Espero que a magia volte quando tiver os meus filhos. Agora somos todos crescidos, não é a mesma coisa e continuo a sentir imensa dificuldade em contornar aquela nostalgia que se apodera de mim nesta época. Fico melancólica, tristonha, com as lágrimas a quererem nascer por tudo e por nada. Tenho saudades dos mortos e dos vivos, saudades do que ainda não vivi, saudades de quando era feliz e não sabia. E sinto-me sempre péssima por não conseguir mudar o mundo. Por não poder oferecer um Natal quentinho e saboroso como o meu a quem não tem nada nem ninguém. Por não poder evitar que haja quem passe esta noite ao frio, de alma gelada. É com todos esses que o meu coração está, no fundo. Porque me dói o ano inteiro, mas nesta noite, pelo menos nesta noite, era suposto que as pessoas não sofressem. Era suposto que não me sentisse mal por ser uma privilegiada. Era suposto. 
- Pai, pelo menos nesta noite os meninos que vivem em países de guerra podem dormir descansados? - perguntava, todas as consoadas, a cara molhada de tanto choro.
- Sim, Ana. Os presidentes dos países em guerra não permitem que nesta noite haja qualquer tipo de guerra.
- Como é que sabes, pai?
- Sei. Eles dizem sempre na televisão, é obrigatório para o mundo todo.
- Mesmo para os que não acreditam em Jesus?
- Mesmo para esses. É uma regra mundial.
- E os meninos que vivem nas ruas, pai? Estão ao frio? Não comem?
- Nesta noite, há voluntários que lhes servem uma ceia e que lhes dão um sítio para que possam dormir.
- E porque é que não fazem isso sempre, pai?
- Porque não têm dinheiro para isso.
- E os animais abandonados, pai? Passam o Natal sozinhos, na rua, à chuva?
- Não, também têm voluntários que os colocam em caixotinhos quentinhos com mantas.
E só assim comia descansada. Há coisas que nunca mudam. O pior é que quando crescemos, não há petas que nos sosseguem.
Gostava que o pai dos meus filhos concordasse comigo e não colocasse obstáculos à forma como gostaria de passar a noite de 24 de Dezembro: a servir ceias a pessoas sem família, sem saúde financeira, sem esperança. O dia 25 poderia ser tudo o que tradicionalmente já é, mas que a noite fosse de dádiva, porque não vejo forma mais Cristã de comemorar o aniversário de Jesus.
Feliz Natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Antes que a loucura das festas me afaste ainda mais da blogosfera...






...deixem-me desejar-vos um Natal repleto de mimos, saúde, calor, luz e amor. Que o mais importante sejam as presenças e não os presentes. E que Jesus receba os parabéns!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Facedetox

Brigitte Bardot
Estava no aconchego do meu sofá, a lareira aos meus pés e os gatos aninhados ao meu lado, quando decidi ir espreitar o que se passava no meu Facebook. Bastaram alguns segundos de scroll para confirmar o que já suspeitava: nada. Não se passava nada de novo: fotografias de gajas, gajas que postam fotografias forçosamente sensualonas para angariar likes e tentar aumentar a auto-estima, mais gajas, partilhas de frases da Chiado Editora, frases cheias de moral publicadas por quem não as compreende nem as cumpre, mais frases pseudo-intelectuais, piadolas, anedotas, vídeos de caracacá, vines, mais vídeos de porcaria, gracinhas, bebés, olhem que hoje corri cinco quilómetros, está a chover, faz sol, Verão volta que estás perdoado, bocas, indirectas, ressabiamento à fartazana... safam-se as notícias e a música.
Dei por mim irritada com tanta trampa e fiz o meu manifesto anti-face: "Só volto ao Facebook para desejar Feliz Natal ao mundo. Farta de egos famintos, piadas sem graça nenhuma e novidades que só entusiasmam quem as publica. Farta de gente, mas cheia de sede de pessoas. #antisocial".
Agora só no dia 23 é que me apanham a espreitar o feed. Até lá, estou no Instagram (a minha rede social preferida). O próximo passo será a limpeza. Vai tudo corrido à vassourada dali pra fora.




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carmen

É oficial: a miúda já está estável e em fase de recuperação. Foram longos os dias em que achei que ia morrer, porque nem abria os olhos e mal andava. Não comia, não bebia água, nada. Não foram poucas as vezes em que implorei ao meu pai para ser sincero comigo, mas ele sempre acreditou. Andou com ela no carro, só para ter a certeza de que ela tinha assistência médica 24 horas por dia. Levou muito soro, muitas vitaminas, tantas injecções de antibiótico. Depois de noites a acordar às 06:00h para lhe dar água por uma seringa, depois muita oração e muito mimo - até do Balthazar , que entretanto já a lambia e tomava conta dela também -, ela reagiu. Agora sim, pudemos dar-lhe um nome e assumir que é nossa. Foi miúda, pequenina, Josephina, Antonieta, Bethânia, Benedita, Joana, Firmina, Catarina... e agora é Carmen, para fazer a vontade à Mana e para seguir a ordem alfabética dos animais da casa. Podem ir espreitando a vida do mais novo elemento da família através da hashtag que criei para ela no Instagram, à semelhança do que já tinha feito com o Balthazar: #carmenrendalltomaz .

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Private joke

Olha para ele a vir cá cheio de medo, só para confirmar que não é o protagonista dos meus posts...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Miss Maven


Acho que ainda não vos falei dela. Detesto tutoriais de maquilhagem e não perco tempo com isso, mas a Teni Panosian é tão querida que não me cansa. Gosto mesmo dela. E das maquilhagens dela. E é tão bonitinha.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte. Ou de como passei a ser chamada de corajosa.

Coco Rocha
Quando tive vontade de escrever sobre o assunto, preferi assegurar a privacidade da outra parte.
Quando podia finalmente fazê-lo, achei que já tinha passado demasiado tempo e não me apeteceu.
Quando reparei, o assunto era motivo de dúvida para tanta gente - não percebo bem porquê, a vida é minha e a relação também era - que me pareceu legítimo resguardar-me.

Agora que passou mais de um ano e depois de não ter respondido aos mails e comentários de leitoras com perguntas sobre o assunto, posso dizer que sim, que terminei um namoro que já era noivado. Felizmente não houve qualquer interferência externa. Foi simples como nos inícios, em que nos apaixonamos porque sim, mas ao contrário. Deixei de gostar.

Durante muito tempo, quis convencer-me de que era só uma fase, talvez fruto de uma pressão que não sentia relativamente ao futuro casamento. E também durante muito tempo sofri calada. Fui adiando a data. Perdi o instinto maternal. Quis mudá-lo, torná-lo no homem com quem me imaginava nessa jornada corajosa que é gerar uma família. Nós mulheres somos tão intuitivas... não sei porque neguei o que sentia (ou o que já não sentia). Sabia que não, mas queria querer. Queria mesmo querer. Parecia tão certo. Não imaginava a minha vida sem aquela pessoa. Foi um pilar, um companheirão, um porto de abrigo.

Quando assumi perante mim tudo o que se passava cá dentro, senti um alívio enorme e uma dor profunda. É que ao pôr fim a uma relação a dois, não terminamos só o agora. Não é no momento presente que se esgota o final. Matam-se os sonhos, os planos e os projectos. Assassina-se um futuro inteiro. E no que diz respeito ao passado, temos que o arrumar e seguir em frente sem aquela mão na nossa.

Na verdade, tive a sensação de que me tinha desviado da minha rota durante alguns anos e que voltava agora a tudo o que sou. Sabem aquela sensação de plenitude, em que nos sentimos preenchidas, entusiasmadas com a vida e cheias de páginas em branco por escrever? Tantos objectivos de que me tinha esquecido, tantos sonhos adormecidos, tanto.

Mas nem tudo foram rosas depois do ponto final: houve muita porcaria. Muita porcaria, mesmo. Trampa. Quis ficar amiga daquele que significou tanto para mim durante um determinado período de tempo - tanto que ponderei casar, certo? -, mas foi impossível. Não somos todos feitos da mesma massa. Não temos todos o mesmo carácter. Não somos todos bem formados.
Da maneira mais baixa e dissimulada possível, vi exposta a minha intimidade, devassada a minha privacidade. Fui alvo de faltas de respeito imperdoáveis, fruto de uma infantilidade que não consigo tolerar. Não poderia manter disso no meu mundo, que a minha paz é a minha prioridade.

Confesso que estranhei, porque não estou habituada a riscar pessoas da minha vida. Posso manter distâncias de segurança, mas nunca corto definitivamente. Apaguei o número do meu telemóvel e decidi que o melhor era mesmo esquecer que aquela pessoa existia: não havia amizade possível, que isso só se cria com respeito e esse vocábulo não faz, de todo, parte do seu léxico.

O único grande lamento foi perceber que não deveria ter esperado tanto tempo para pôr fim ao que já tinha morrido. O meu cuidado e a minha preocupação com ele tiveram como retribuição apenas um qualquer tipo de ressabiamento, fruto do orgulho ferido, sei lá. Ou talvez seja só falta de carácter, de princípios e de personalidade. Mesmo assim, eis-me aqui contando a história apenas ao de leve. Há coisas que não mudam.

Não é só aqui no blog que não entro em detalhes. Aprendi a não perder tempo a falar do que não é bom. Não sinto raiva nem ódio, não lhe desejo mal. Também não lhe desejo bem, porque não lhe desejo nada. Tenho alguma pena, ao verificar que não sobrou grande coisa... e pontualmente ainda me irrita a forma absurda com que trata, ainda hoje, aqueles que me rodeiam. Principalmente a Mana Lamparina.

Aprendi imenso. Aprendi que não vale a pena ignorar sinais. Aprendi que não podemos fugir do nosso coração: mesmo que não o escutemos, ele sussurra ao cérebro e vamos criando pequenas aversões. Por isso, nada de não ouvir a nossa voz interior. Nada de negar sentimentos. Nada de sabotar emoções ou disfarçar evidências.

Liberdade é ser o que somos, sentir o que sentimos, pensar o que pensamos. Se nos afastamos de nós, perdemos o Norte.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

voar

Hoje, ao quinto dia do décimo segundo mês do ano de 2014, começa uma nova fase na minha vida. Uma fase de transição. Hoje, a Sexta-feira sabe-me a medo e a fé. Felizmente, a fé é maior que o medo e a coragem faz-me enfrentá-lo de braços abertos. Estou a atirar-me para o vazio e a minha esperança é desfrutar do voo. Quero aterrar em segurança, como tem acontecido desde sempre. Quero sentir-me orgulhosa de mim e completar as três décadas com este objectivo concretizado.

Não há decisões fáceis: quando escolhemos uma opção, deixamos outras para trás. Decidi segura, estou firme na convicção de que este é o momento para dar o salto. Aos poucos, devagar, vou chegar àquele sítio que sempre quis para mim. Não fosse o facto de ter uns pais tão à frente e não sei se teria capacidade para fazer isto. Eles compreendem, respeitam e apoiam-me incondicionalmente: «Se não for agora, quando será?». É isso mesmo. É agora.

Não haveria forma mais adequada de terminar este ano tão marcado pelo auto-conhecimento. Num momento em que o mundo me parece o lugar mais estranho para estar, preciso de me verter, de me expelir, de estar mais perto de mim. De me sentir a ser eu, sem contenções nem contrariedades.

A partir de hoje, estarei a investir toda a dedicação e empenho no projecto mais importante da minha vida. Vai ser um processo intenso, de reencontro e de catarse. Tudo em mim pulsa para conseguir fazê-lo.

Assim Deus me ajude a não me desiludir comigo mesma. Tenho sido abençoada todos os dias, não pode ser diferente agora.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

É de mim...

Amanda Seyfried
...e da minha bff, ou o grande motor do Facebook são as indirectas? Acho sempre suspeito quando uma só pessoa tem imensos, inúmeros, tantos e constantes problemas com os outros... e a culpa nunca é delas. Cá para mim, tanto conflito à volta de um só indivíduo não significa que a restante população mundial esteja errada. Não?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Percalços, encontros, surpresas.

Sonhei que encontrava uma gatinha numa loja de animais. Por ser muitíssimo mal tratada, tentava a todo o custo salvá-la, mas o seu resgate custar-me-ia 600 euros... que eu não tinha.

Contei do sonho ao meu pai, falei dele à Mana e a alguns amigos, que durante todo o dia não me saía da cabeça a aflição de ver o bichinho ali, a pedir ajuda com os olhos mais doces que um gato pode ter antes de desatar a arranhar tudo o que existe.

Ao final do dia, fui a essa bela localidade que dizem ser a mais temperada do país, por ter como nome Louriçal. A missão era acompanhar a assinatura de um protocolo entre três entidades. Acabei por me armar em missionária...

À chegada, assim que estacionei a viatura, vi aquela criatura pequenina, reparei que nos olhava e que seguia a Mana Lamparina, mas a pressa com que os afazeres jornalísticos me impregnam os dias não deixou que lhe prestasse grande atenção.


Concluído o trabalho, regresso ao carro e ela continuava ali. «Miu». Já nos ríamos à gargalhada antes de ter dito o que ambas pensámos: «Vamos levá-la!». Receosas, fizemos a viagem em constante especulação sobre o que o pai iria achar deste acto solidário. Ela encostada à Mana, quieta durante toda a viagem.

- Não costumas fazê-lo com tanta frequência como isso.
- Pois não, Mana. Ele não se vai chatear. Como é que eu poderia deixá-la ali ao frio?
- De qualquer modo, a ideia é arranjar-lhe um dono, certo?
- Claro.

Depois de um breve discurso de preparação, mostrámos aquela coisa fofa ao pai, que dizendo tratar-se de uma bebé com três ou quatro meses de idade, lhe enfiou imediatamente um comprimido pela goela abaixo. «Deve estar cheia de pulgas», dizia, enquanto a pesava: nem dois quilos. Além da constipação, a gatinha tem também um problema no olho esquerdo.

Sossegada e meiga, lá foi connosco para casa, onde nos deparámos com o real problema: o Balthazar, essa fera indomável e territorial. Parecia um tigre a rondar a presa, ameaçou-a, fez cenas de ciúmes, enfim... imensas fitas.

Vamos ver como corre... para já, o que interessa é que fique saudável. Não tem cara de Josephina?

Já conhecem o novo spot mais queridinho da web?



Começámos a semana e o mês com uma novidade que me animou: o mais recente projecto Clinique! Chama-se CLINIQUE Mag e é a primeira e única revista digital da marca no mundo.

Podem espreitá-la aqui.

Tem tudo o que pode interessar às fãs da marca como eu: artigos sobre os lançamentos mais recentes; informações sobre os inúmeros produtos - desde os cuidados da pele até à maquilhagem, passando pelos perfumes; passatempos; dicas... enfim, é o mundo Clinique numa só plataforma, com aquela imagem clean a que a associamos e construída a pensar no utilizador, já que é extremamente intuitiva.

Mais uma vez, a Clinique Portugal inova - e sempre a pensar em quem não vive sem ela.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cinco coisas estranhas que 29 anos podem trazer:

Mila Kunis

1. Quase nos 30, estamos na idade em que os nossos namorados são da idade dos namorados dos nossos pais... ou mais velhos.

2. Quase nos 30, estamos na idade em que temos que suportar, com o ar mais natural do mundo, que a pessoa com quem estamos já tenha estado com aquela amiga da nossa mãe. (E controlar o refluxo gástrico de cada vez que pensamos nisso.)

3. Quase nos 30, estamos na idade em que não queremos crescer e cujo objectivo da semana é sempre sobreviver até ao próximo fim-de-semana.

4. Quase nos 30, estamos na idade em que as compras prioritárias passam a ser os produtos para o contorno dos olhos.

5. Quase nos 30, estamos na idade em que ficar sossegada em casa, deitada no sofá, coberta com uma mantinha, em frente à televisão e com o gato aninhado ao nosso lado, parece ser um programa maravilhoso.

1.12.2014

Julia Roberts
E de repente, estamos no primeiro dia do mês de Dezembro. Temos um mês para escrever o último capítulo do livro e ainda ontem estávamos em Janeiro. Passou a correr, não foi?

Adoro contagens decrescentes:
- faltam 04 dias para Sexta-feira.
- faltam 23 dias para a noite de consoada.
- faltam 24 dias para o dia de Natal.
- faltam 30 dias para o fim de 2014.
- faltam 31 dias para o início de 2015.

Muitos planos?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E o gato que gosta da minha voz?

Lana Del Rey
O Balthazar é altamente gato. Passo a explicar: sempre lidei com persas-angorá, este é o primeiro street cat puro que tenho e é por esse motivo que me está constantemente a surpreender, fazendo coisas a que não estava habituada. O gato é bipolar. Tanto está durante horas a dormir enroladinho, coisa mais sossegada não existe... como desata a correr, a fazer parkour pela casa e ataca-nos, numa brincadeira solitária em que finge ser o predador e nós a presa pronta a ser devorada.
Num desses momentos de libertação de stress felino, descobri uma maneira de o acalmar. Não vou sequer alongar-me em explicações sobre como cheguei a esta conclusão, mas a verdade é que se eu cantar o Ave Maria de Schubert com uma voz muito aguda, ele fica estático a olhar para mim.
Sentado, imóvel.
E super calmo.
O melhor é que esta paz dura bastante tempo.

Mais sobre o Balthazar no Instagram, em #balthazarrendalltomaz . 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A propósito do post de ontem...

...reparei que talvez as princesas da Disney tenham tido mais influência sobre a maneira como vejo os ideais de beleza femininos. Lindas, de coração nobre, com vozes maravilhosas, delicadas... e sempre com cabelos compridos (excepto a croma da Branca de Neve, mas eu dessa nem gostava muito) e vestidos bonitos. Foi por causa da Pocahontas (para mim, a que tem o rosto mais bonito de todas) que quis ter o cabelo mais comprido.

E se elas fossem desenhadas com uma cintura como a que temos nós, humanas? Seriam assim.
E se elas fossem pessoas? Seriam como estes desenhos mostram.

A propósito do tema, espreitem este artigo do DailyMail...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Barbies e afins...

Sou fã da Barbie. Fui muito feliz junto das minhas 24 Barbies e do meu único Ken. Ainda me lembro das personalidades de cada boneca, do papel que desempenhavam naquela mini-sociedade monitorizada por mim. Lembro-me da louca colecção de sapatos que tinham, de como lhes confeccionei tantos vestidinhos a partir de collants velhos. De como fiquei feliz quando recebi o Corvette para elas, o jipe, a piscina... bom, eram mesmo os meus brinquedos preferidos.

Nunca tive Nancys nem outras do género. Não gostava delas. Não eram tão bonitas como as Barbies, que ainda por cima eram cheias de estilo. A minha irmã, por sua vez, nunca ligou muito a esse género de bonecada. Sempre preferiu Nenucos e consolas, que uma década de distância é tempo mais que suficiente para alterar tendências.

Nunca quis ser parecida com uma Barbie, embora ainda ambicione igualar o lifestyle dela. Sou feliz com o corpo que me serve de morada e mesmo enquanto menina, não sonhava ter os longos cabelos louros ou a cintura ridiculamente estreita das minhas bonecas. Elas eram bonecas, não modelos a seguir.

Agora que sou uma mulher adulta, continuo a gostar de Barbies. Já não brinco com elas nem lhes compro roupinhas, mas enquanto ícone da cultura pop e como figura mediática cheia de relevo, que surge vestida com criações dos designers mais aclamados do planeta, continuo atenta. Adoro ver exposições relacionadas com a boneca mais fashion do mundo e acho divertidíssima a sua história, a sua evolução e também as marcas que vai deixando um pouco por todo o lado [ quem não reparou nesta colecção da Moschino para o próximo Verão? ].

Tudo isto para dizer que finalmente assisto ao boom das bonecas pela beleza real, com medidas em consonância com as proporções humanas. Não creio que venham destronar a Barbie, mas acho maravilhoso que a minha filha venha a poder escolher entre uma boneca altamente estilizada e uma com aspecto de gente... porque há lugar para todas as belezas no mundo.


As diferenças entre a Lammily e a Barbie são imensas. Primeiro, o nome. A mais velha continua a ganhar. Lammily não é um nome espectacular. Em segundo... bom, basta ver o vídeo abaixo.


As campanhas pela beleza real têm sido uma constante. Se não me engano, a Dove terá sido uma das pioneiras nessa batalha. Nas últimas semanas, os acontecimentos que envolvem a Victoria's Secret ou a Calvin Klein têm dado pano para mangas e a discussão não parece parar por aqui, mas o que interessa é perceber que as crianças, com aquela pureza que lhes é inerente, parecem adorar uma boneca que se assemelhe às pessoas de quem gostam:


Esta conversa toda fez-me lembrar de uma experiência impressionante [ ainda que um pouco falaciosa, já que não oferece grande liberdade de expressão às crianças inquiridas ] que revela noções de racismo apreendidas pelas crianças:


Posto isto, limito-me a concluir que o âmago da questão não são as bonecas, como é óbvio. O problema está na formação das crianças. Em casa, na escola, em sociedade. Esta não é uma reflexão leve e simples. Os problemas que existem no campo dos preconceitos, da imagem que temos dos outros e da auto-imagem não são solucionados apenas pelo que consumimos, mas primordialmente por um avanço enorme na evolução da mentalidade de cada indivíduo que integra a sociedade massificada de que fazemos parte, conscientemente ou não.

Enquanto adultos mal formados puderem educar crianças, sendo através do exemplo transmissores de princípios deturpados, a Humanidade será constituída por seres desprovidos de valores, que julgam pela aparência e que se submetem às maiores atrocidades por ideais de beleza que não são humanamente possíveis de atingir.

Ainda assim, parece-me óptimo que se amplifique a escolha, que a diversidade de bonecas disponíveis no mercado espelha as especificidades de cada um de nós.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Este texto fez-me lembrar de uma música dos Abba.

Jennifer Aniston
Falar de dinheiro é sempre de mau tom. É uma questão de educação. É básico.
Contudo, se para mim é um dado adquirido que é indelicado falar sobre dinheiro, há quem não tenha essa sensibilidade. É simples: ao tocar nesse assunto, podem ferir-se susceptibilidades. O valor do dinheiro é tão relativo que o que para mim é pouco, para ti pode ser muito ou vice-versa. Além disso, entramos numa esfera demasiado pessoal e sinto-me invadida na minha privacidade quando se toca no assunto.
Deve ser por causa disso que detesto que me perguntem quanto ganho. Ninguém tem que saber o valor do meu ordenado, olha agora! Por norma, respondo que ganho menos do que gostaria e mais do que mereço ou até que ganho demasiado para o trabalho que me dá escrever.
É que quando se fala nisso, pode facilmente soar a gabarolice ou até a soberba, tal como pode revelar pobreza e suscitar pena.
Já conheci quem fosse discriminado por ter pouco e quem fosse discriminado por ter demasiado [mas este termo aplica-se ao dinheiro? Nunca se tem demasiado dinheiro!], mas tenho para mim que o meu avô continua certo, mesmo já não estando cá: quem é rei nunca perde a majestade.

Esta música dos Abba.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Prova de que nasci no tempo errado.

smart.

Para quem como eu usa saltos altos quase todos os dias e noites e só os tira dos pés para dormir, estas invenções são assim qualquer coisa para lá de espectacular...




Podem saber mais sobre estes últimos aqui e encontrar soluções várias ali.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

s i m p l i c i t y

Et voilà!

Há dois meses que o ouvia dizer que íamos finalmente remover o aparelho, mas faltava sempre fechar o espaço de meio milímetro entre dois dentes, inclinar aquele ali ligeiramente, só mais este retoque... e nunca mais me via livre daquilo. Depois das fixações coladas de canino a canino, na zona frontal, fui a outra consulta, completamente desprovida de esperanças: não ia deixar de parecer a Betty Feia só porque me apetecia imenso.


Passei um ano e meio de boca fechada nas fotografias. Esta aqui à esquerda é das poucas em que mostro os ferrinhos. Nas redes sociais, só publiquei uma foto sorridente enquanto usava aparelho, pela piada de estar com um amigo também ele vítima de um dentista (aqui). Não fui daquelas pessoas que postam selfies assim que colocam os arames, não me senti confortável, exagerei nos complexos e estava ansiosa por tirar aquilo desde o primeiro dia, mas sei que valeu a pena. 
Não custou nada. Durante o processo inteiro, só destaco dois momentos: a remoção de um dos sisos e o mês que passei com um expansor para alargar o maxilar superior. Aí sofri e tive que trabalhar apenas por e-mail, já que a minha dicção estava altamente afectada e acordava todos os dias com a língua em sangue. Passei fominha. Chorei imenso e pensei que não ia aguentar, mas o meu dentista foi persistente e não me deixou desistir. Esse foi o momento crucial para que terminássemos depressa e para que eu deixasse de ter fotografias assim:
 




Para contrariar a falta de esperança, na passada Sexta-feira fui recebida no consultório do meu dentista com as palavras «Vamos tirar isto hoje!». Terminado o processo de remoção dos brackets e da cola, pôs-me um espelho nas mãos. A minha reacção não foi nada do que imaginei. Pensei que iam existir lágrimas de comoção, um sorriso escancarado ou pelo menos, uma alegria impossível de conter. Nada disso. Só vi dentes, muitos dentes, dentes enormes. E assustei-me.
Aquilo de que gostei mesmo foi de sentir macio junto aos lábios, que isto de andar quase um ano e meio com andaimes na boca não é assim a coisa mais agradável do mundo. Já consigo assobiar, canto à vontade e terminaram as fotos séria ou a dar beijinhos. Já usei bâton sem ser nude, olhem lá. E dizer palavras começadas por B ou P tem outro gostinho. O meu sorriso voltou e sei que dentro de pouco tempo estarei a amá-lo. Apresento-vos a minha foto mais recente, à vossa esquerda. 


Durante todo o tempo enquanto ser sujeito à ortodontia, o comentário que mais vezes ouvi foi: «Para que é que precisas de aparelho?». A maior parte das pessoas (mesmo não sendo malta formada em Medicina Dentária) achou desnecessário e não compreendia porque é que alguém com os dentes direitos, como eu, precisava de passar por aquilo. Alguns diziam que o dentista tinha encontrado uma maneira de ganhar dinheiro, que me enganava, que era tudo treta. 
Não era, apesar de aparentemente, como podem ver aqui ao lado, estar tudo no sítio.

O meu dentista é o meu dentista desde 1989 e a verdade é que com o aparecimento dos dentes do siso, o meu maxilar transformou-se. A assimetria que surgiu poderia agravar-se e aos 40 anos seria uma mulher amarga e de cara torta. Além disso, como tenho alguns problemas respiratórios, esta solução melhoraria significativamente a minha qualidade de vida. 

Não vou estar a mostrar-vos as imagens assustadoras do estudo feito pelo mágico que conseguiu alargar e endireitar o meu maxilar, mas talvez a diferença seja notória nestas duas fotografias que odeio mas onde estou com a dentadura toda à mostra:


Agora quero é disto!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

MEC

Julia Roberts
Sonhei com o Miguel Esteves Cardoso. Éramos amigos. Estávamos numa animada conversa num café da zona onde moro. Acordei com a sensação de que o sonho tinha sido mais delírio que sonho. De facto existe uma amizade unilateral entre nós... mas daí a tê-lo nos meus sonhos vai uma grande distância. Não é nada habitual sonhar com quem admiro e não conheço pessoalmente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tenho graves problemas - II

Bom, de manhã engano-me com muita facilidade. Dei por mim com os olhos a arder imenso: em vez de tónico, pus acetona no algodão e passei-o na pele até sentir o aroma nada suave. Já não é a primeira vez que isto me acontece. Mas pior foi aplicar com toda a pujança aquele spray secante de verniz no cabelo, pensando que era laca.
Não sou só eu que bato mal lá em casa. Há dias fui tirar um café para mim. Agarrei na cápsula de caramelo e assim que a bica começa a ser tirada, estranho o cheiro. «Se calhar está estragada, a cápsula», pensei. Pego na chávena e levo-a junto ao nariz. Um cheiro horrendo. Chamo a Mana para verificar. «Cheira a álcool!». Em vez de água, daddy resolveu encher a DolceGusto com uma aguardente que lhe tinham dado num garrafão de água.

Emma Stone


Tenho graves problemas - I  

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

50 perguntas sem resposta certa

Encontrei este questionário ali e partilhei-o no facebook. Além de ter achado piada, pareceu-me um óptimo exercício de reflexão pessoal.

1. Quantos anos terias, se não soubesses quantos anos tens?
Menos do que tenho agora, certamente. Seria uma jovem cheia de maturidade e estaria a chegar aos 25 e não aos 30.

2. O que é pior: falhar ou não tentar?
Não tentar.

3. Se a vida é tão curta, porque fazemos tantas coisas de que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos?
Por acharmos, na nossa pequenez, que ainda teremos tempo para fazer tudo o que queremos fazer.

4. Quando está tudo dito e feito, será que se disse mais do que se fez?
Sim, infelizmente, sim.

5. Qual é a coisa que mais gostarias de fazer para mudar o Mundo?
Isto vai soar a Miss Universo, mas gostava mesmo de ter em mãos o poder de acabar com a fome e com o desperdício.

6. Se a felicidade fosse dinheiro, qual seria o trabalho que te deixaria rica?Ser escritora a tempo inteiro.

7. Estás a fazer o que acreditas ou estás a contentar-te com o que estás a fazer?
Estou a contentar-me com o que estou a fazer para me lançar em breve no desafio de fazer aquilo em que acredito.

8. Se a expectativa humana de vida fosse de 40 anos, viverias a tua vida de forma diferente?
Sim, teria ainda mais pressa, afinal só me faltariam 11 anos de vida.

9. Até que ponto controlaste realmente o curso da tua vida?
Sempre fui abençoada. É como se tivesse apenas de abrir as mãos para receber. Além disso, sou muito emotiva e pouco calculista, pelo que não faço sempre uso da racionalidade nos planos que vou fazendo. Estou agora a aprender a ser mais fria nas minhas decisões, para assumir com consciência o controle em certas áreas da minha vida.

10. A tua preocupação está mais virada para as fazer as coisas correctamente ou  para fazer as coisas certas?
Fazer as coisas correctamente sempre foi prioritário.

11. Estás a almoçar com três pessoas que admiras e respeitas. Todos começam a criticar um teu amigo íntimo, sem saber que é teu amigo. A crítica é de mau gosto e injustificada. Que fazes?
Começo por dizer que acho de mau tom falar de quem não está presente e remato com a minha opinião pessoal sobre o alvo das críticas.

12. Se pudesses oferecer um só conselho a um recém-nascido, qual seria?
Não tenhas medo.

13. Eras capaz de quebrar a lei para salvares uma pessoa amada?
Claro.

14. Já viste insanidade depois de teres visto criatividade?
Sim.

15. Pensa em algo que tu sabes e que farias diferente da maioria das pessoas. Consegues?
Tantas coisas... sempre me senti uma outsider, na verdade.

16. Como é possível que as coisas que te fazem feliz, não façam felizes outras pessoas?
É essa a magia do ser humano: a singularidade de cada um.

17. Qual é a coisa que não fizeste e queres mesmo fazer? O que te prende?
São algumas coisas... umas não fiz porque não era o momento certo, outras por medo do ridículo, mas não as esqueci.

18. Estás apegado a algo que deverias libertar?
Sim.

19. Se tivesses de mudar para outro país, para onde irias e porquê?
Gosto tanto de Portugal que me custa pensar nisso, mas não me importava de viver nos Estados Unidos da América, em Inglaterra ou no Brasil. Nos EUA porque me sentiria fascinada ao acordar em New York ou em Los Angeles; em Londres porque me faz sentir em casa, é uma cidade acolhedora e com muito para ver, a apenas duas horas de distância; no Brasil pelo idioma, pela cultura que me é tão familiar, pelo bom tempo, pela música e pela praia.

20. Carregas no botão do elevador mais de uma vez. Achas que assim chegarás mais rápido ao teu destino?
Não. É uma esperança, só.

21. Preferes ser um génio preocupado ou uma pessoa feliz e alegre?
Nunca fui dada à leveza. Sou um génio angustiado com momentos de alegria.

22. Porque é que estás onde estás neste preciso momento?
Porque sou uma mulher de família, que tem tendência para colocar os outros em primeiro lugar na lista das suas prioridades.

23. És o tipo de amigo que queres como amigo?
Sim. Numa amizade espero compreensão, lealdade e cumplicidade, por isso seria uma boa amiga para mim. Ainda por cima sou óptima a guardar segredos.

24. O que é pior: um bom amigo se afasta ou um bom amigo que se afasta mas que mora perto de ti?
Um bom amigo que se afasta mas que mora perto de mim. É ainda mais difícil de compreender quando não há desculpas.

25. Qual é a coisa pela qual és mais grato na vida?
Por viver e não me limitar a existir.

26. Preferes perder todas as tuas memórias ou nunca conseguir fazer novas amizades?
Nunca conseguir fazer novas amizades. Perder a memória é perder o património do meu percurso aqui.

27. Será que é possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
Sim.

28. Alguma vez o teu maior medo se transformou em realidade?
Sim. Mais que uma vez. Tenho uma intuição muito forte.

29. Lembras-te daquela vez, há uns anos atrás quando estavas chateado? Será que é importante agora?
Agora, não tanto. Tudo o que passou, ainda que deixe marcas, perde a chama da importância. No momento, naquele contexto, era.

30. Qual é a tua memória de infância mais feliz? O que a torna especial?
Tive uma infância sui generis, carregada de momentos felizes mas muito séria pelo excesso de consciência que sempre me caracterizou. Não podia sentir-me plenamente feliz sabendo que havia crianças em situações dolorosas e precárias, nem sabendo que a humanidade caminhava para a auto-destruição com a utilização absurda de recursos, a poluição ou guerras. Tinha tantas preocupações dentro de mim que chegava a pedir à minha mãe para me deixar chorar um bocadinho... Com a idade, essas angústias foram sendo abafadas pelo dia-a-dia, e hoje, as memórias mais felizes são aquelas sem motivo nenhum: o meu pai a dar-me banho enquanto na televisão da sala se ouvia aquele hit dos anos 80; eu a ver a Rua Sésamo com a minha vó; eu a cantar para ela; eu a adormecer na cama dela; eu a ser aperaltada no Natal pela minha mãe; o momento em que recebi a minha gatinha Duquesa; eu a ir buscar a nossa cadela à Serra da Estrela, depois de um dia na neve... enfim, tantas.

31. Em que momentos nos últimos tempos te sentiste mais apaixonado e vivo?
Foi há mais de seis meses.

32. Se não for agora, então quando?
Exacto. Tem mesmo de ser agora.

33. Caso não tenhas conseguido ainda, quando o irás conseguir?
Assim que tiver tempo. Começo no mês que vem.

34. Alguma vez já estiveste com alguém, não disseste nada, e afastaste-te sentindo que tinhas tido a melhor conversa da tua vida?
Não.

35. Porque é que as religiões que promovem o amor, causam tantas guerras?
Porque a religião é feita por homens, que se esquecem da fé e do amor para ceder ao fundamentalismo e enaltecer os rituais e as leis ocas.

36. É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?
Na maioria das vezes, sim.

37. Se ganhasses um milhão de euros, sairias do teu trabalho actual?
Óbvio.

38. Preferes ter menos trabalho para fazer, ou mais trabalho de que gostes realmente?
Mais trabalho de que goste realmente. Não há nada como sentir a realização de estar a fazer algo de que gostamos muito. É isso que retira toda a obrigatoriedade do trabalho e o torna num passatempo a tempo inteiro.

39. Sentes-te como se tivesses vivido o dia de hoje umas cem vezes?
Não.

40. Quando foi a última vez que seguiste um caminho, apenas com o brilho suave de uma ideia em que acreditavas fortemente?
No fim do ano passado.

41. Se soubesses que todos os que conheces morreriam amanhã, quem irias visitar hoje?
Não sei. Provavelmente telefonaria a todos e ficaria onde estou, com a minha família mais próxima.

42. Estarias disposto a abdicar de 10 anos da tua vida para ser rico e famoso?
Se isso implicasse morrer aos 90 e não aos 100, a parte da riqueza dava jeito...

43. Qual a diferença entre estar vivo e realmente viver?
Estar vivo, estamos todos os que respiramos. Vivem realmente aqueles que sentem as cores dos dias, que viajam sentados à secretária, que sonham, fazem planos, arriscam.

44. Quando será a hora de parar de calcular riscos e recompensas e ir em frente para se conseguir o que se quer?
A partir de Dezembro.

45. Se aprendemos com os nossos erros, porque temos medo de um erro cometer?
Na maioria das vezes, porque não queremos perder tempo. Noutras vezes, porque tememos o fracasso público, o julgamento alheio.

46. O que farias de forma diferente, se não houvesse ninguém para te julgar?
Nunca me preocupei muito com o julgamento dos outros.

47. Qual foi a última vez que notaste o som da tua respiração?
Esta manhã. Estava altamente aflita com sinusite.

48. O que é que tu amas? Alguma das tuas acções ultimamente expressou de forma aberta esse amor?
Amo muitas coisas. Amo Deus e não o demonstro como deveria. Amo a minha irmã e demonstro todos os minutos. Amo os meus pais, as minhas pessoas, a minha vida, de que falo mal tantas vezes... amo escrever, pintar, amo os meus animais, tocar piano, amo o riso das crianças, o céu, o sol quente no rosto, o mar, as flores que vou vendo no meu caminho, as borboletas brancas que estão sempre a aparecer à minha volta, amo cantar, ouvir música e conduzir sem pressa. Amo e as minhas acções não o demonstram sempre.

49. Daqui a cinco anos, vais lembrar-te do que fizeste ontem? E o dia antes desse? E do dia anterior a este último?
Vou lembrar-me do jantar inesquecível que o meu pai fez... quanto a mim, lembrar-me-ei desta fase, não dos dias.

50. As decisões estão a ser feitas agora. A pergunta é: és tu que estás a tomar as decisões ou estás a deixar que outros façam essas decisões por ti?
Estou a aprender a decidir.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Carta a uma amiga

Às vezes não temos nada de novo para dizer. Usamos as frases mais batidas como «tenho tantas saudades tuas» ou «gosto muito de ti» porque na verdade, quando há muito sentimento em jogo, o campo lexical da Língua Portuguesa se torna pobre para expressar tudo o que se sente.
Tanto se usam os vocábulos que acabam por se esvaziar de sentido - quem ainda não experimentou dizer «banana» mais de quinze vezes até que perca significado e pareça apenas um balbuciar de sílabas?
Acontece nos casamentos, quando após longos anos de rotina, os casais começam a dizer «Eu amo-te» como se diz «Tenho xixi». Acontece com aquele amigo que está emigrado há tantos anos que falar ao telefone com ele sem dizer um «Tenho saudades tuas» até fica mal. Acontece. Mas não acontece contigo. Quando te digo que sinto a tua falta, é isso mesmo que quero dizer: que sinto a tua falta. Cá entre nós, acho que não há outra cuja ausência sinta tanto, mesmo que esteja rodeada de pessoas. Nos momentos alegres, nas noites de danças extravagantes, nos risos à volta da mesa do bar de sempre, num restaurante que acabo de conhecer, no cansaço, numa ida à praia num dia frio, na amargura, durante um chocolate quente, entre finos, na angústia ou depois de um momento feliz. Quero-te sempre por perto. Não falamos todos os dias ao telemóvel, não nos vemos todos os dias, mas preciso de te sentir perto. E de sentir que é para sempre. Para sempre mesmo. 
Por tudo isto e por muito mais, como o orgulho que inevitavelmente sinto por ti, fico em êxtase com qualquer coisinha boa que te aconteça e que partilhes comigo. O teu sucesso, as tuas conquistas, as tuas alegrias fazem-me feliz. E tudo o que te incomoda, mói-me por dentro. Se pudesse, resolvia-te a vida. Não posso. Mas vou estar sempre a torcer por ti, a ouvir-te, a dar-te conselhos dúbios e a fazer-te rir até se notarem as veias da tua testa. 
És útil, és importante e sem ti, o meu mundo não tinha tantas cores. Espero que os teus dias menos felizes passem com essa leveza que te é tão natural, que o teu coração irradie luz branca para que tudo à tua volta seja contagiado pela tua serenidade.
Estou à tua espera.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Para aquela pessoa cujo nome foi sinónimo de «Meu Amor»

Hoje faz anos uma pessoa que significou o mundo para mim. A quem amei mais que a mim mesma, a quem fui devota e a quem me consagraria durante a vida inteira e até depois da morte. Foi ele que me tornou nesta pessoa cínica e desconfiada, é por ele que todos os outros não conhecem a minha inocência ingénua, doce e translúcida.
Hoje faz anos alguém com quem vivi os momentos mais transbordantes de felicidade e também os mais negros de tristeza. Nove anos de intermitência, nenhum coração aguenta.
Porque os caminhos do amor são sinuosos e porque não somos todos iguais (e com iguais quero dizer que não somos todos seres de carácter vincado, mente aberta, horizontes alargados, princípios definidos e não temos todos aquele cosmopolitismo que nos faz superiores à pequenez alheia que nos rodeia), o amor foi-se embora. Abandonou-nos. Pelo menos, a mim. Um dia, ele deixou de ser o homem que queria ver à minha espera no altar, de olhos e cabelo cor de seara de trigo.
Extinguiu-se essa chama mas há outra que se mantém viva - e será assim para todo o sempre. Se precisar, a mão dele estará lá. Se ele chamar, eu vou. Podemos não falar diariamente, respeitando a vida que cada um escolheu, podemos esconder do mundo essa amizade perpétua e até podemos irritar-nos se conversarmos mais de duas horas seguidas, mas é inalterável o lugar que ele tem em mim. E é inalterável o meu lugar nele. Mesmo que tenhamos visões muito diferentes de uma mesma realidade.
Hoje ele faz anos e não posso dizer-lhe tudo, não posso contar-lhe da pena que tenho, não posso evitar o desprezo que por vezes sinto nem a raiva que me invade quando me lembro de certos episódios, de certas palavras ditas e até de certos planos que não cumprimos por culpa sua. Não gosto de remexer no passado nem de deixar que me venha à memória tudo o que me doeu sem que merecesse, por incapacidade dele ou simplesmente porque nem todos sabemos ser e dar o melhor de nós. Mas posso dizer-lhe que os meus desejos para ele são todos bons. Que quero muito sabê-lo em paz, seguro, feliz. Quero que se sinta realizado. Que se sinta amado. Como eu.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

o que me apaixona

Toni Garrn
O que me conquista, o que me apaixona, são as pequenas coisas. Aquelas que se fazem só por carinho, como uma atenção banhada a cortesia. São os mimos. Não é o convite para jantar que é um grande feito. Não é a tentativa de me impressionar que me deixa embevecida ou lisonjeada. Não é a exibição do carro fantástico ou o preço elevado daquela garrafa que se pede num restaurante fancy. São os croissants quentinhos pela manhã, as flores que recebo sem estar à espera no trabalho ou a surpresa que foi feita com base em algo que já nem me lembrava de ter dito. É o dar-me a mão, não querer esconder que se gosta, pegar-me ao colo mesmo que esteja morta de medo de cair. É quando não se disfarça o olhar embevecido quando estou a falar sobre algo que me entusiasma. É ficar engasgado quando fui sexy sem querer. Dizer que gosta da cor do meu verniz, abraçar-me sem motivo e fazer-me sentir segura. Fazer-me sentir protegida. Fazer-me festinhas, mostrar interesse no que sou. Rir comigo. Mostrar que tem saudades. Dormir menos horas porque se estava tão bem perto de mim. Revelar-me segredos. É não se intimidar pela minha natural habilidade para a antipatia e contradizer-me, mesmo correndo o risco de me ver amuada durante quinze minutos. O que me apaixona é a segurança, a determinação e a maturidade. É dizer o que se quer sem receios, mostrar firmeza na atitude e no gesto. Gosto mesmo é de ser surpreendida.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

pormenores

Rihanna & Katy Perry
Quando a nossa bff, só por ouvir a nossa voz e sentir o nosso sorriso do outro lado do telemóvel, nos pergunta «O que é que tu tens para me contar? O que é que andaste a fazer?», sabemos que não há como fugir a anos e anos de convivência.
Basta um «Alô» com uma entoação diferente para que nos descubram. Quem realmente nos conhece, topa à distância se estamos bem, mal, assim-assim ou tanto faz.
Se estamos a disfarçar ou a ser sinceras. Se estamos num daqueles dias em que o trabalho nos sugou as energias todas, se houve uma novidade que nos faz sentir especiais, se estamos em pânico com determinada situação, as bffs descobrem.
Há qualquer coisa no timbre, na colocação de voz, na expressão facial que influencia a maneira como falamos - mesmo ao telemóvel - que nos denuncia.
Podemos enganar o mundo inteiro, simular alegria em momentos de pranto, seriedade quando só apetece distribuir sorrisos ou usar o cinismo para não manifestar raiva, mas a melhor amiga lê-nos nas entrelinhas.
Ela sabe sempre.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Subestimei-te.

Jennifer Lawrence
Tinha-me esquecido de que a idade não é sinónimo de maturidade e que há putos sérios, responsáveis e decididos, cheios de espírito de sacrifício e que preferem o trabalho ao emprego.
Subestimei-te.
Esqueci-me de que às vezes usamos essa máscara de arrogância para proteger, escondendo, o mel que outros desperdiçaram.
Subestimei-te.
O meu coração calejado duvida à partida da inocência de qualquer pessoa, como se todos os que se aproximam viessem para me magoar.
Subestimei-te.
És tão sério que não acreditei que fosses fazer-me sorrir.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Note To Self: deixar morta a esperança.

Não costumo perder tempo a tentar ensinar os outros. Nem sequer gosto de me cansar a tentar explicar coisas que para mim são básicas a pessoas que não me interessam particularmente. Desisti, há muito tempo, de cansar a minha beleza com uma vertente pedagógica que não me assiste. A minha bff, por exemplo, tem paciência de sobra para entrar em conversas longas, discussões compridas e argumentações exaustivas com pessoas que, a meu ver, não valem a pena. Ela não se deixa vencer pela teimosia de asno do seu interlocutor e vai até ao fim. Eu cá sou uma preguiçosona: só de pensar em desgastar as minhas cordas vocais com pessoas burras, fico muda.
Contudo, outro dia decidi que podia ser diferente. Quis abrir uma excepção. Perante determinada verborreia, saiu-me um complacente «Olha, não é bem assim», seguido de uma curta explicação sobre um tema que me é muitíssimo familiar e sobre o qual poderia falar com conhecimento de causa.
Arrependi-me na mesma fracção de segundo.
Irritei-me.
E foi isto.





Leighton Meester