quarta-feira, 15 de outubro de 2014

rendi-me?

Sou muito esquisitinha com bebidas alcoólicas. Sou feliz com uma garrafa de espumante (Asti) na mão. Gosto de Martini Bianco e de Moscatel (Favaios), alinho em vinho verde e rosé... e poderia dizer que só falta falar nos mojitos e nas morangoskas. Acho que não gosto de mais nada, o que não significa que não beba tequila, claro está. Acho que tenho um paladar pouco adulto, porque não suporto o sabor amargo de bebidas que toda a gente consome com a maior das naturalidades. Nada de whisky. Nada de gin.

Até à semana passada.

Descobri que o meu problema com o gin era apenas a água tónica. Se o gin tónico for feito com Schweppes, fica intragável, mas se a água for Fever-Tree, tolero. Melhor ainda se em vez da água tónica, o gin se misturar com Ginger Ale.

Irritam-me as modas - o simples facto de se dizer que determinada coisa está na moda, soa-me a depreciativo e remove qualquer vestígio de interesse da minha parte - e esta do gin, dá-me cabo dos nervos. De um momento para o outro, todo o mortal se tornou expert em gins, sabem as marcas todas e se são aromáticos ou secos, se se misturam com folhas de louro ou com bagas de cocó de mosca... e ainda olham de lado se peço o meu Martini. Que mal tem o meu Martini?

Pronto, agora até arranjei uma maneira de gostar de gin, mas que fique claro que não tem nada a ver com a moda. A muoda. M-U-O-D-A.

Anderson Cooper

terça-feira, 14 de outubro de 2014

deeply superficial

Para fugir ao profundo que não se consegue resolver, nada melhor que a leveza da superficialidade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ingratidão

dói tanto ser amiga, dar tudo, ouvir, ser confidente, estar lá, abraçar, consolar, dar a mão e de um momento para o outro ser ignorada.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

um post totalmente random

Tenho uma amiga que é uma bombshell. Um mulherão. Daquelas em que é impossível não reparar quando entra num lugar. Ela sabe disso e até faz uso de tudo o que a torna vistosa: tem um cabelão negro, uns olhos lindos, uma boca grande, um rosto muito característico, forte e marcante. É alta, matulona, enfim, toda ela uma visão. E apesar de ser uma miúda, já se apercebeu da sua presença e do impacto que isso tem nos outros, pelo que em conversa, chegou a dizer-me que pessoas como ela não são constantemente abordadas pelo sexo oposto, ao contrário do que seria óbvio. As mulheres poderosas [ não consigo usar esta palavra sem me lembrar disto ] intimidam. Normalmente, despertam falta de confiança em quem gostaria de meter conversa, por receio de levar uma tampa, por medo de que ela seja areia demais para o seu camião ou simplesmente porque alcançam, perante o olhar alheio, um estatuto de superioridade que as torna inatingíveis. Segundo ela, é mais comum que uma mulher mais apagada, menos bonita e que nem tenha pinta nenhuma seja abordada mais frequentemente, porque há muito mais homens pouco confiantes que tentam a sua sorte com alguém que não cause receios.

Isto fez-me pensar, porque realmente - e isto vai soar muita mal, perdoem-me - vejo mais gajas pouco inteligentes, que não conseguem manter uma conversa minimamente interessante, muitas delas mal feitas, a maioria sem noções nenhumas do que é vestir-se decentemente ou de como se apresentar em público, quase todas sem saber estar, sem educação e completamente invisíveis, com sucesso no amor. Talvez também tenham os padrões menos elevados, claro. Quando a auto-estima está a níveis abaixo de -320, uma pessoa também não se faz esquisita e o que vem à rede é peixe, certo? Pois.
Surpreendentemente, constatei que as mulheres mais fascinantes que conheço são menos bem-sucedidas no amor. As mais educadas, mais bonitas, mais independentes, mais seguras, com mais classe e mais inteligentes são aquelas que demoram horrores até encontrar alguém digno de se tornar no objecto da sua paixão... São as que recebem menos convites para jantar. São as que atravessam anos sem precisar de viver um romance... porque também não estão para aturar qualquer badameco.

Quanto a mim, nem sei onde me posicionar. Acho que sou um case study. A minha vida dava um reality show. E a minha vida amorosa é de tal modo frenética e animada que dá ares de SATC meets Keeping Up With the Kardashians.

Kim Kardashian

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

p r e ç o

Nunca fui materialista, apesar de alguns dos meus interesses serem facilmente confundidos com um certo tipo de futilidade consumista. É o caso de tudo o que se prende com o que deveria estar no meu closet. Gosto de imaginar as horas que um Valentino dos meus sonhos demorou até que pudesse ser vestido - o desenho, o molde, o cortar as peças de tecido, os bordados, os ajustes. Gosto das solas vermelhas do Christian. E da atitude de um Riccardo Tisci numa casa como a Givenchy. Gosto do bom gosto, do belo e do que me faz sentir alguma coisa. Não compreendo porque se afasta a Moda da Arte, como se esta última dissesse apenas respeito a telas, esculturas e instalações. Quando pela primeira vez vi ao vivo um par de Louboutin, comovi-me. De tal forma que nem quis experimentá-los - seria um sacrilégio fazê-lo: «Experimento quando vier comprar». Toquei-lhes, agarrei-os, embevecida. Os acabamentos, o design perfeito, a assinatura do criador. Enfim, quem ama peças usáveis é fútil, quem paga 3 mil euros por uma carteira é inconsciente, mas quem gastar o mesmo valor numa tela para ficar pendurada na parede e se disser amante da cultura, já é dotado de profundidade e erudição.

Considerações à parte, dizia eu que nunca fui materialista. É. Sempre fui de ideais, de querer ser feliz, de perder a cabeça, de viver em liberdade. Para mim, liberdade era sinónimo de fazer uso do livre-arbítrio. Saber o que fazer com o poder de escolha, decidir com consciência - podia ir por ali, mas prefiro seguir por acolá. Poderia ir ganhar dinheiro, mas prefiro ficar com a minha paz interior. Poderia gastar tudo nestas botas, mas prefiro poupar e viajar. Poderia largar o meu amor e ir construir a minha carreira, mas prefiro não sofrer com as saudades. Enfim, sempre fui mais preocupada com a minha paz, com a estabilidade emocional e com o sorriso, que com o dinheiro em si.
Até este ano.
Foi neste 2014 que me apercebi, apesar da minha privilegiada situação financeira neste país insólito e soalheiro, que a liberdade não é nada disso. A liberdade é o saldo da conta bancária. Mais dinheiro corresponde indubitavelmente a mais liberdade. Sem dinheiro, não há comida, não há banho, não há roupa, nem livros nem canetas.
E se já sabia que tudo tinha um preço, não queria acreditar que todos tínhamos um preço. Como as coisas que compramos. Este ano descobri o meu preço. Afinal também posso ser um bem que se comercializa. Tenho um valor que não me é atribuído apenas pela formação académica.

Mesmo a maior parte das pessoas que são bem remuneradas não recebe um ordenado justo. Somos mal pagos e os vencimentos não correspondem a uma vida agradável, servem para uma vida de subsistência. E a verdade é que não vivemos livres, se estivermos sempre a pensar em quanto custa fazer o que se quer, seja um curso, uma necessária compra avultada ou uma viagem. Não somos livres se tivermos um acidente de carro e entrarmos em pânico com o estrago, ainda que ninguém se tenha ferido - é como se a saúde não fosse mais importante que a despesa com o arranjo.

Descobri o meu preço e assumi que também me posso vender. Está a custar despir um ou outro sonho, deixá-lo no armário durante algum tempo, mas «camarão que não corre, a onda leva». É tempo de aceitar que o mundo não é hippie, que o amor não enche o estômago e que a realidade é crua: o dinheiro é mesmo importante. Não compra um romance como os dos filmes, mas compra as garrafas de champagne para nos enfrascarmos em bom. Não compra a felicidade, mas permite-nos ir curar um desgosto para a Croácia. Não compra tudo, mas ajuda a suportar o mau que sem ele, se torna ainda pior.
Quase nos trinta, já não há desculpas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

E já escurece mais cedo, também.

Hoje descobri que faltam 85 dias para o ano terminar... Como? Desculpe? Ainda ontem foi aquele Natal em que pela primeira vez eu gostei das iguarias da quadra. Não foi há mais de uma semana que fizemos um revelhão à maneira lá em casa... e a viagem a Londres? A Primavera e os seus amores? As dores de Junho, o calor do mês do meu aniversário, Agosto com a mudança de casa e de repente, volto de férias e estamos a três meses de 2015? Mas quem é que pôs isto a andar no speed?
Não estou psicologicamente preparada para sentir que a vida é como areia a escapar-me por entre os dedos. Se isto continua a passar tão depressa, amanhã acordo com 90 anos!

Kris Jenner

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

cansaço

Quando penso que finalmente mudou, reparo que afinal está tudo na mesma. Quando achei que era tempo de ir, resolvi ficar. E sempre que me esqueci, no segundo seguinte voltei a lembrar... Por cada bênção, uma contrariedade. Por cada alto, uma descida lá abaixo. Por cada dia quente de sol, uma noite longa sem luar.


o u t u b r o

Como na maioria dos casos, tudo o que poderia ter sido era tanto e tão maior do que foi, que a saudade parece custar mais a morrer. Podia ter-te amado profundamente, numa entrega sincera como aquela que só vivemos quando nos apaixonamos pela primeira vez. Podia ter tomado conta de ti, ser o abraço que te espera ao final do dia, a companhia nas noites frias e o sorriso num Verão inteiro. Podia ter sido a tua maior loucura, o teu mais bravo acto de coragem e a mais doce canção que te embala. Sou a tua melhor realidade.



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

espelho do mundo

Saber que ficar às vezes representa um acto de coragem mais significativo do que ir. Que aguentar e esperar são verdadeiras torturas, mas que as consequências de um acto precipitado podem ser desastrosas. Distinguir ordenar de orientar. 
Saber estar, que viver não custa, o que custa é saber viver... e há ocasiões, idades e oportunidades para tudo. Admitir que maturidade não tem nada a ver com os anos de vida. Ter a certeza de que o modo como se faz é tão importante como o que se faz. Ter zelo pela privacidade e respeito por si. Saber que a mediocridade existe e que pode tornar-se num fenómeno, mas nem querer comentá-la para não lhe dar poder, que o tempo de antena oferece protagonismo. 
Ter a certeza de que os melhores momentos raramente são congelados nas fotografias que se partilham pelas redes sociais. Saber que nessas plataformas, todos são desprovidos de preconceitos, altruístas e sinceros; todos são frontais, educados e dotados de vincada personalidade e bom carácter... mas que lá fora, nas ruas, cospem no chão, comem de boca aberta, pisam quem caiu, ignoram as dores dos outros e fazem da ingratidão a saudação mais usada. Sem pudores, maltrata-se o Português, chateia-se a malta com pedidos para jogos sem a menor piada e faz-se a apologia da aparência, que isso do conteúdo é para quem não vê a Casa dos Segredos e, por isso mesmo, está fora da cena. Expõem-se os corpos em fotografias carregadas de filtros e em ângulos favorecedores à omissão dos defeitos que se possam disfarçar, “compartilham-se” frases feitas sem sequer tentar aplicar as máximas ao quotidiano oco. 
Projectam uma dimensão da vida que talvez nunca tenham experimentado – a feliz. Então qual é a vantagem, perguntam? Além de comprovar a teoria hipodérmica, tem o chat, de que faço uso profissionalmente e para ir mantendo contacto com aqueles que, por este ou aquele motivo, não estão perto. Cada vez mais fã do off.

Cara Delevingne

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Mudar. Transformar. Renovar.

Já há algum tempo que «Menina Lamparina» não satisfaz as minhas necessidades. Não tem muito a ver comigo e soava-me a um parolo infantil que me irritava. Falava disso com uma amiga quando me lembrei de que se cresci - e o blog comigo -, faria todo o sentido submetê-lo a um upgrade. Por piada, surgiu a Lady Lamp, que é sinónimo de cara lavada aqui no estaminé. Risos à parte, a ideia foi tirar-lhe uns certos laivos demasiado fofinhos e pronto, continua a existir o ponto de luz na blogosfera, mas com mais semelhanças com a autora (eu, portanto). Assim não há cá mudanças de endereço, criações de novos blogs nem nada disso. Continuamos todos aqui. Mas diferentes. Quero deixar-me de tretas, pôr os mimimis de lado e borrifar-me para os leitores-que-passam-aqui-por-cusquice-para-saber-o-que-se-passa-na-vida-dela. Quero não ter medo de escrever porque alguém pode ler. E sim, isso é possível, mesmo não estando protegida pelo anonimato. Quando somos maiores e vacinados, é assim e mai nada.

Quatro anos depois da sua inauguração, declaro oficialmente inaugurada a segunda fase do Lamparina. Vamos arrumando a casa aos poucos, que fazer tudo de uma só vez seria demasiado cansativo, ainda que mais surpreendente. Temos pena. Não temos pachorra.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Passatempo, mudanças e agradecimentos.

SJP
Começo hoje as minhas férias. Preciso de descansar corpo e mente, mas mudar de casa não vai ajudar muito na variante física do repouso. Contudo, não poderia ir sossegada para a minha merecida pausa sem:

1 - vos contar que podem habilitar-se a ganhar 200 euros em produtos Clinique!

2 - vos adiantar que o lamparina vai sofrer transformações quando voltar ao activo!

3 - vos agradecer pelas mensagens e e-mails que, apesar da inércia que tem abundado por estes lados, continuam a chegar.

Até já!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

eu irrito-me a mim mesma quando sou optimista

Escrevi isto e agora não percebo. Não estou nada feliz com tanto calor, estamos no auge do Verão e eu não queria estar aqui.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

deep

Kate Moss
O problema de se ser demasiado intensa é que rapidamente se torna cansativa a superficialidade dos outros. Quando somos exageradamente profundos e pensamos muito em tudo, sabe-nos a pouco o pouco que os outros têm para dar. Ainda que compreendamos as suas limitações, torna-se aborrecido gramar com a pequenez alheia. Mesmo com alguma compaixão. E o problema, cheira-me, deve ser da intensidade que nos caracteriza, já que a maioria das pessoas são assim: vivem pela rama. Quem é intenso, não tem paciência para a falta de tomates, para o mimimi, para o que os outros possam pensar. Quem é assim, é o que é, sem muitos dramas nem grandes fitas. Só que às vezes cansa não ser superficial, porque viver na ignorância, pensando no dia-a-dia e no carro que se quer comprar é muito mais simples. Sendo como sou, não há tantas companhias que facilmente me agradem. E às vezes é chato.

terça-feira, 29 de julho de 2014

a c o r d a r

Barbara Palvin
Há um dia em que acordamos e dizemos que já chega. Basta. Foi uma tia minha que mo disse e não se referia àqueles jogos femininos do estilo «Ai, agora não lhe vou dizer mais nada, não vou ligar nem enviar sms». Não se trata de uma decisão e não depende do nosso querer. Não é a nossa vontade que faz acontecer. É como uma incontrolável reacção do organismo: como um vómito que não conseguimos evitar, um soluço, um engasgo.
Gastamos tempo com uma pedra no sapato, em vez de a tirar de lá de uma vez por todas. Vamos moendo a pele, o pé, a perna inteira, até que as dores nos façam coxear. Tentamos, damos tudo de nós, porque sim, porque não pode ser de outra maneira e se eu desistir já, ainda me arrependo porque não dei tudo, não tentei tudo, não fui suficientemente persistente. E até sabemos, no fundo, que estamos a dobrar demasiado o nosso orgulho. Que estamos a ceder demais. Mas continuamos, porque não sabemos ser de outra forma. Apesar de tudo o que não gostámos, mantemo-nos ali, tão firmes como doces, tão amáveis quanto prestáveis, tão atenciosas como desprezadas. E de repente, esgotámos o plafond de tudo o que é bom com alguém. De um momento para o outro, não há mais para dar. Nada. Esvaziaste-me. Não há sequer um «olá» que apeteça dar. Não há mais que cansaço. Morri um bocadinho por dentro, mas já floresci. E hei-de limpar o meu jardim, hás-de ser só mais uma erva daninha que arranquei daqui. Fomos jardim, ficámos silvas. Fomos jardim. Secaste-o.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

24.07.2014

Há dez anos tinha 19. Parece que foi ontem. Tinha 19, menos um que a Mana Lamparina. Estava a repetir o primeiro ano de um curso que odiei e preparava-me para assumir a escrita como vocação. Estava a recuperar de um 18º ano muitíssimo complicado e tinha abandonado os caracóis.
Se hoje pudesse falar com o meu eu de há dez anos, dir-lhe-ia para não ter medo. Aconselharia aquela miúda a arriscar, a voar mais alto, a não recear a perda, que as pessoas que importam são aquelas que carregamos no peito e que nos guardam dentro de si. Dir-lhe-ia quão bonita era, por dentro e por fora. E que não há mal nenhum em brilhar de vez em quando, que não é preciso esconder a nossa luz para não incomodar os cinzentos que nos rodeiam. Pedir-lhe-ia que continuasse a ser uma pessoa humana, íntegra e coerente. Às vezes parece que não ganhamos nada com isso, mas nada paga um sono tranquilo. Se pudesse falar com a Menina Lamparina de há dez anos, dar-lhe-ia dois conselhos: para se apressar nos estudos e para continuar a divertir-se, que isto passa num ápice. Diria para não chorar tanto, para aprender a dizer que não e para não ceder em demasia à preocupação, que o altruísmo em excesso nos faz esquecer de nós e aumenta o oportunismo alheio. Ensinava-lhe que não podemos viver as vidas dos outros nem resolver todos os seus problemas, por mais que lhes queiramos bem.
Se queria voltar atrás? Não. Só não queria ter esta sensação de que estou aqui há mais tempo do que parece... e ainda não fiz nada.

Parabéns a mim.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

a n i v e r s á r i o

Apesar de estar atoladíssima em trabalho, queria só dizer-vos que falta muito pouco tempo para o dia 24 de Julho.


terça-feira, 15 de julho de 2014

sofro.

Estou com desejos de choco frito. Deve ser porque ando numa onda detox. É o cérebro a querer minar a minha determinação. Só pode.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

10 coisas aleatórias sobre o fim-de-semana:

Paz Vega
1 - Continuo a ser uma irresponsável e apanhei mais um escaldão. Não interessa quantas vezes tenha sofrido com insolações ou que manchas no rosto me irritem solenemente. Sou uma irresponsável.

2 - Descobri que não tenho apenas uma enorme resistência à mudança. O meu problema é mesmo largar as coisas antigas, ainda que queira muito abraçar as novas.

3 - Preciso de praia 7 dias por semana para me sentir sempre em paz.

4 - Ando sem inspiração para compras. É impressão minha ou não há nada de espectacular nas lojas?

5 - Emagreci e só reparei agora. Uepá!!

6 - Não resisto a uma oportunidade de mandar uma boca certeira. Mesmo que a pessoa não compreenda, fico feliz e aliviada por tê-lo feito.

7 - Estou idosa. Não consigo dormir até à uma da tarde, como antigamente. Mesmo que me force a adormecer depois de acordar cedíssimo, tenho imensos pesadelos e o momento em que acordo é trágico: sofro com dores de cabeça insuportáveis.

8 - Agora que tenho uma memória interna comme il faut, porque o meu novo telemóvel é um aparelho à séria, perco horas a editar fotos. Adoro apps dessas. Quais as melhores?

9 - Ando desesperada por férias e nem quero acreditar que estou de plantão no próximo fim-de-semana. Sim, sofro por antecipação.

10 - Estou orgulhosa da Mana Lamparina até mais não: terminou o 12º ano. E sinto-me velha. Já sentia porque a miúda anda a tirar a carta de condução, mas acabar o 12º é demasiado para mim.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Confesso,

Lindsay Lohan
às vezes tenho medo que isto seja tudo normal e a louca seja eu.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Alguém sabe?

Amanda Seyfried
Demorar quase trinta anos a descobrir que afinal vamos aprendendo sobre o nosso eu. Julgava que me conhecia muitíssimo bem, podia apostar que era capaz de me recitar de olhos fechados: defeitos, virtudes, manias, fragilidades. Dou por mim a ser surpreendida com novos detalhes, factos a que não tinha dado qualquer importância.

Sempre olhei de alto para pessoas indecisas, considerava-as dotadas de uma fraca personalidade. Nunca gostei dessa ideia de não saber o que se quer ou, por outras palavras, de não ter bem seguras nas mãos as rédeas do nosso percurso. Não compreendo quem não arrisca, quem não toma decisões, quem não sai da zona de conforto.

E descobri que sou tudo o que sempre critiquei. Que quando o risco é muito elevado, quando a probabilidade de não conseguir alcançar determinado objectivo é demasiado alta, me descarto. Por medo ou por preguiça, uso sempre as mesmas desculpas: «Se exige esforço e não vem ter comigo naturalmente, é porque não tem de ser»; «Na vida, tudo flui naturalmente»; «Se teria de fazer isso tudo, esquece. Não me vou dar ao trabalho, não há paciência». Sou assim em todas as situações que não implicam apenas a minha vontade, a minha postura, o meu querer. Talvez tenha medo de assumir que quero alguma coisa porque depois, se não a obtiver, se o desejo não se realizar, terei de assumir o falhanço. Perante mim e perante os que me ouviram afirmar o querer.

Como sabemos quando devemos ou não investir esforço em alguma coisa?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

da memória.

Elle Fanning
Nunca serei uma daquelas pessoas que quando chega a velha começa a dar a seca a toda a gente, relatando ao melhor estilo queirosiano todo e qualquer detalhe relativo ao que se deseja contar. Um episódio que na vida real não durou mais que meia hora transformado em palavras, uma memória falada, torna-se numa extensa dissertação. Impressionam-me essas mentes que guardam em si detalhes sem relevância; nomes, datas, cores, pormenores, diálogos, matrículas, modelos de carros. Não sou assim hoje, muito menos quando der por mim avó. Pelo menos não vou ser chata, porque para ter alguma coisa para contar, vou ter de inventar imenso... e a fantasia é sempre mais engraçada que o rame-rame do quotidiano. Ainda bem que escrevo tanto, assim os meus netos saberão o que andei a fazer por aí.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

Doutzen Kroes
É o sétimo mês do ano, é o que traz consigo o meu aniversário. Chegou num instante. É impressão minha ou isto está a passar a correr? Ainda ontem era Natal e revelhão, depois fui a Londres, de repente estamos aqui.

E escusam de me vir com aquela coisa do «ah e tal, Julho não é nenhum estafeta, por isso se queres coisas boas, levanta-te e faz acontecer» porque eu quero, preciso, que Julho me traga alguma coisa boa. São os meus últimos dias com 28 anos, vou entrar num novo ciclo de sete anos, estou cansada e é uma necessidade urgente sentir que a Vida me mostra que vale a pena estar cá.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

detesto...

Barbara Palvin
...gente copiona, sem personalidade, que não resiste a imitar alguém que admira - mesmo que essa admiração não tenha grande fundamento, porque o objecto que gera fascínio não é nenhuma estrela de cinema. Detesto quando a malta não percebe a diferença entre inspiração e imitação. A tentativa de replicar o que se admira revela falta de personalidade, baixa auto-estima e pouca criatividade. No me gusta.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ai que raiva!

Cara Delevingne
Preciso de ventilar. De dizer como odeio profundamente pessoas burras. Mas tão burras que não chega dizer que são ignorantes. Há pouca gente a conseguir provocar-me tamanho asco e eu preciso de explicar as razões para que isto seja assim. 
Imaginem um gajo feio. 
Agora imaginem um gajo feio e mal feito. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito e com os dentinhos todos afastados. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel, de blazer e botas texanas.
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel, de blazer e botas texanas com a mania que é bom!
É isto: uma pessoa que além de não se poder gabar do aspecto exterior, não tem nada lá dentro, mas que se acha o máximo. Tipo chico-esperto meets macho latino sensualão. Só que não. 
E como se tudo isto não bastasse, a pessoa ainda tem graves dificuldades na conjugação de verbos na sua língua materna. E uma falta de vocabulário que me faz corar. Não sendo mais que um cagalhoto - adoro este termo, é refinado! - que decidiu tentar a sua sorte numa aldeia qualquer deste Portugal, ainda se atreve a acreditar que é mais astuto que os outros. Deve (do verbo dever) este planeta e mais algum, mas não perde a pose de pavão e os pseudo ares de empresário de sucesso (not!). E ainda tem a falta de humildade e o descaramento de querer prejudicar quem lhe deu a mão. Acho que se o vir hoje, lhe furo os olhos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sempre gostei deste excerto.

Katie Holmes
"Quando o primeiro contacto com algum objecto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de alguma forma se esse objecto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a primeira de todas as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objecto que se apresenta nada tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e consideramo-lo sem paixão."

René Descartes

quinta-feira, 12 de junho de 2014

timing

Parece dramático quando o digo, mas é apenas uma teoria baseada em factos reais: não sei se devia ter nascido. Eu e a minha mãe íamos morrendo no dia em que nasci. O parto foi complicadíssimo, eu tinha o cordão umbilical enrolado ao pescoço em três voltas, mal respirava e os meus batimentos cardíacos não eram constantes. Aliás, o electrocardiograma não apresentava linhas contínuas em altos e baixos, mas sim alguns pontos dispersos. Depois de algum esforço, lá sobrevivemos. E de certo modo, é isso que continuo a fazer. A sobreviver.
Mas quem deve cá estar, sente que aqui pertence. Eu nunca senti que fazia parte disto. Sempre me senti uma outsider, ainda que exista um núcleo reduzido de pessoas gostem verdadeiramente de mim e sintam a minha falta.
Quem deve cá estar, serve para alguma coisa. Sente-se útil, sabe que o seu potencial vai ser reconhecido e utilizado para alguma coisa boa.
Quem deve cá estar, não chega sempre no tempo errado à vida das pessoas que marcam. Não marca vidas para depois se ir embora.
Tenho um problema de timing que me acompanha desde que me lembro de mim. Como se fosse um estorvo, um inconveniente, uma pedra no sapato.

Dentro de algum tempo farei 29 anos. Acho que isso me está a bater. Tinha tantos sonhos, tantos planos e isto correu tudo de maneira diferente. Provavelmente, porque não devia ter nascido.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Mana Lamparina faz 18 anos neste preciso momento.

Ela faz dezoito anos. 
Lembro-me dos meus como se tivesse sido há menos de uma década. A memória tem destas coisas, perde-se no tempo e torna mais ou menos longínquas as coisas que já vivemos. Era uma menina com menos ar de menina que ela. Era menos bonita, também. E menos pequena. Em comum, os caracóis, que não usava com tanto gozo nem com tanta liberdade como ela. 
Nunca quis crescer. Algo me dizia que esta vida de adulta não era para mim. Não fui daquelas adolescentes com ganas de ser grande. Só queria ter os dezoito anos para poder finalmente tirar a carta. Sabia que adoraria conduzir. Já o fazia, em jeito de brincadeira e monitorizada pelo pai, mas queria tanto poder fazer longas viagens ao volante, numa independência cheia de prazer, que só por isso ansiava pelo dia 24 de Julho de 2003. 
Não sou muito diferente daquela miúda de que falo. Cresci, mudaram algumas perspectivas, a maneira de olhar para o que vamos atravessando altera-se, a maturidade traz alguma moderação e também contenção, talvez esteja mais tolerante... mas continuo a ser eu. Sou aquela, numa versão com embalagem melhorada e interior com alguns upgrades.

Ela faz dezoito anos.
Lembro-me do dia em que nasceu como se tivesse sido há menos de uma década. A memória tem destas coisas, perde-se no tempo e torna mais ou menos longínquas as coisas que já vivemos. Era muito pequenina, tinha o cabelo muito escuro e já era tanto naquela altura! A boquinha perfeita, as mãos irrequietas. Lembro-me da curiosidade imensa que senti acerca da personalidade que viria a revelar. Será que vai gostar de mim? Será que vamos ser amigas? Terá mau feitio?
Foi uma criança adorável, uma bebé que não dá trabalho, uma menina alegre e cheia de energia, toda ela em gargalhada contagiante.

Ainda estavas na barriga da mãe - saímos as duas do mesmo sítio, não é giro? - e eu já falava contigo. Já cantava para ti, já te abraçava e adormecia encostada a ti, à espera que desses um pontapé ou te mexesses. Esperei por ti durante muito tempo, depois de me habituar à ideia de deixar de ser filha única. Esperei nove meses para que nascesses e te pudesse ver. Esperei que começasses a andar, para podermos brincar na rua e passear de bicicleta, mas quando pudeste fazê-lo, eu já tinha mais que fazer. Esperei que aprendesses a brincar com as minhas coisas, mas quando quiseste companhia, eu já não queria saber de Barbies. Esperei que começasses a falar, para conversarmos, mas havia coisas que não te podia contar porque não perceberias. Esperei que tivesses tamanho para me poderes acompanhar numa saída à noite. Esperei que fosses maior para podermos trocar roupas. Esperei que crescesses durante a maior parte da tua vida, sempre apreciando cada momento teu. Eras do tamanho da minha mão e do meu antebraço, hoje és isto tudo. Finalmente encontrámos o ponto de equilíbrio. Já não espero por ti, vamos lado a lado. 

Não consigo acreditar que chegou o dia em que completas dezoito anos. Há qualquer coisa em mim que dói, acho que é por ter a sensação de que o tempo passa depressa demais. E por outro lado, toda eu sou felicidade por ser abençoada com a tua presença na minha vida. 
Espero que gostes do teu décimo oitavo ano. Que leves as escolhas que tens de fazer com leveza e responsabilidade. Que tomes decisões sem medo, porque confias em ti e no caminho que já está delineado, cheio de coisas boas à tua espera. Que nunca percas a menina que vive aí dentro, que nunca deixes para trás esse discernimento que te conduz. Que a serenidade se torne numa constante e que nunca te sintas só. Nem que seja porque eu vou estar sempre aqui.

Parabéns, Mimi. 
Obrigada por seres a Mana Lamparina. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

ponto

Quando pensamos que já não faz sentido, que não vale a pena, quando não somos mais que seres vagos que agem mecanicamente, sem alma nem querer, quando está tudo cinzento e cheio de pó, tudo sem graça, quando não se ouvem risos nem se sente calor, quando está tudo murcho e calado, tudo triste, tudo vazio, há um ponto de luz que aparece só para lembrar que estamos vivos.

terça-feira, 3 de junho de 2014

A vida não é nada como nos filmes.

Cara Delevingne
Gosto de ver pessoas felizes. Gosto de saber da felicidade dos outros. Gosto de saber que estão bem, que a vida lhes sorri. Nasce-me um sorriso por cada presente que os outros recebem. É como se me consolasse saber que os outros têm vitórias para contar. Dá-me esperança. É um sinal de que é possível ter aquilo que me parece utópico.
Quando os meus desejos mais profundos e antigos se concretizam em vidas alheias, fico genuinamente feliz. Afinal existe a possibilidade de ter aquilo, de viver aquilo, mesmo que não me aconteça a mim, o sonho não é ridículo. Mesmo que nunca venha a experienciar em realidade o que ainda não saiu do plano das ambições, não faz mal querer.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Lindsay Ellingson
"O sinal mais seguro da sabedoria é a constante serenidade."
Montaigne

quarta-feira, 28 de maio de 2014

dos medos que nos prendem

Bar Refaeli
Não gosto de defesas, de barreiras, de obstáculos. Não gosto de sentir que há portas fechadas, trancas pesadas. É isso que nos prende, esse medo que nos fecha dentro de nós e nos afasta dos outros. Não gosto de muralhas, verdadeiros poços que nos escondem dos afectos que nos procuram. Não gosto da solidão que esses receios trazem. Não gosto de quem aduba os cactos em seu redor, só para prevenir que alguém se aproxime.
Ser livre é não ter pesos presos aos pés. É não ter amarras, é poder içar a âncora e seguir viagem, de peito feito, mãos no leme. Ser livre é partir muros, é não ter medo de dar nem de ser. Corremos riscos em todo o lado, em qualquer situação. Corremos riscos quando nos acomodamos à estabilidade da segurança e corremos riscos quando nos lançamos à violência das ondas. E no meio disto tudo, por tanto pensar e temer, corremos o risco de não viver.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Hoje estou assim.

Lauren Conrad
Dizia ela que o melhor era não fazer planos, aceitar o que a vida nos traz e ir vivendo. Não projectar, não ter expectativas, não sonhar. Ora toda eu sou sonho e ideias e de facto, isso não me levou a lado nenhum. O meu percurso não tem nenhuma semelhança com o que tinha imaginado para mim. Fui fazendo escolhas por causa dos outros, assumindo responsabilidades por causa dos outros e o meu caminho parece por vezes fundir-se com o dos outros e não ter personalidade própria. Não perdi os sonhos, acho-me demasiado jovem para isso. Não perdi de vista aquela big picture que não sei como hei-de atingir e que não depende só da minha vontade.
Mas hoje estou assim. A olhar para trás, ainda que convicta de que valeu a pena cada opção tomada. Isto não se faz, eu sei, que o caminho é para a frente... mas há dias em que me pergunto como raio vim aqui parar. Queria ter terminado o curso e ir curtir uma independência que já tinha espreitado nos tempos de faculdade. Queria ter tido experiências profissionais estimulantes e próximas de tudo aquilo que me apaixona. Queria ter encontrado o amor da minha vida. Queria ter terminado o meu livro. Queria ter tido o primeiro filho antes dos trinta. Queria ter viajado mais. De repente, os meus dias tornaram-se mais cheios de tarefas, mais vazios de sentido. Desprovidos daquela magia toda que eu queria.
Valeu a pena, claro que sim. Sou grata por tudo, imensamente grata. Vale a pena pelo sorriso da menina dos meus olhos, vale pela sensação de que sou útil aos outros, vale pelo currículo sério e denso que já tenho, pela tarimba, pela experiência, pelo crescimento. Vale por aquilo em que me tornei enquanto ser humano. Mas precisava que a Vida não me fizesse esperar muito para me mostrar que não poderia ter sido de outra forma.

terça-feira, 20 de maio de 2014

das coisas que vou vendo.

Lindsay Ellingson
É sempre a mesma coisa: a discussão começa com a mulher magoada, chateada, irritada com ele. Se há alguma certeza neste mundo, é a de que ela está coberta de razão, cheia de legitimidade para se sentir ferida e agir em conformidade. Ele fez com que ela se sentisse mal e ela não merecia.
Então, depois de manifestar surpresa pela reacção dela, o que faz o homem? Tenta virar o jogo. Ele é que se sente ofendido pela interpretação que ela deu às suas inocentes palavras. Ele é que se sente ofendido pela interpretação que ela deu aos seus inocentes actos. E há casos em que conseguem o que parece impossível: um pedido de desculpas da parte dela.

Meninas, quando é que aprendem que não vale a pena fingir que não reparam nessa tendência tão masculina de virar o bico ao prego? Também não vale a pena ceder à anulação, passando por cima de algo que vos magoou. E mais importante que tudo, convém não esquecer que quem não valorizar as vossas lágrimas não merece o vosso sorriso.