quinta-feira, 31 de julho de 2014

deep

Kate Moss
O problema de se ser demasiado intensa é que rapidamente se torna cansativa a superficialidade dos outros. Quando somos exageradamente profundos e pensamos muito em tudo, sabe-nos a pouco o pouco que os outros têm para dar. Ainda que compreendamos as suas limitações, torna-se aborrecido gramar com a pequenez alheia. Mesmo com alguma compaixão. E o problema, cheira-me, deve ser da intensidade que nos caracteriza, já que a maioria das pessoas são assim: vivem pela rama. Quem é intenso, não tem paciência para a falta de tomates, para o mimimi, para o que os outros possam pensar. Quem é assim, é o que é, sem muitos dramas nem grandes fitas. Só que às vezes cansa não ser superficial, porque viver na ignorância, pensando no dia-a-dia e no carro que se quer comprar é muito mais simples. Sendo como sou, não há tantas companhias que facilmente me agradem. E às vezes é chato.

terça-feira, 29 de julho de 2014

a c o r d a r

Barbara Palvin
Há um dia em que acordamos e dizemos que já chega. Basta. Foi uma tia minha que mo disse e não se referia àqueles jogos femininos do estilo «Ai, agora não lhe vou dizer mais nada, não vou ligar nem enviar sms». Não se trata de uma decisão e não depende do nosso querer. Não é a nossa vontade que faz acontecer. É como uma incontrolável reacção do organismo: como um vómito que não conseguimos evitar, um soluço, um engasgo.
Gastamos tempo com uma pedra no sapato, em vez de a tirar de lá de uma vez por todas. Vamos moendo a pele, o pé, a perna inteira, até que as dores nos façam coxear. Tentamos, damos tudo de nós, porque sim, porque não pode ser de outra maneira e se eu desistir já, ainda me arrependo porque não dei tudo, não tentei tudo, não fui suficientemente persistente. E até sabemos, no fundo, que estamos a dobrar demasiado o nosso orgulho. Que estamos a ceder demais. Mas continuamos, porque não sabemos ser de outra forma. Apesar de tudo o que não gostámos, mantemo-nos ali, tão firmes como doces, tão amáveis quanto prestáveis, tão atenciosas como desprezadas. E de repente, esgotámos o plafond de tudo o que é bom com alguém. De um momento para o outro, não há mais para dar. Nada. Esvaziaste-me. Não há sequer um «olá» que apeteça dar. Não há mais que cansaço. Morri um bocadinho por dentro, mas já floresci. E hei-de limpar o meu jardim, hás-de ser só mais uma erva daninha que arranquei daqui. Fomos jardim, ficámos silvas. Fomos jardim. Secaste-o.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

24.07.2014

Há dez anos tinha 19. Parece que foi ontem. Tinha 19, menos um que a Mana Lamparina. Estava a repetir o primeiro ano de um curso que odiei e preparava-me para assumir a escrita como vocação. Estava a recuperar de um 18º ano muitíssimo complicado e tinha abandonado os caracóis.
Se hoje pudesse falar com o meu eu de há dez anos, dir-lhe-ia para não ter medo. Aconselharia aquela miúda a arriscar, a voar mais alto, a não recear a perda, que as pessoas que importam são aquelas que carregamos no peito e que nos guardam dentro de si. Dir-lhe-ia quão bonita era, por dentro e por fora. E que não há mal nenhum em brilhar de vez em quando, que não é preciso esconder a nossa luz para não incomodar os cinzentos que nos rodeiam. Pedir-lhe-ia que continuasse a ser uma pessoa humana, íntegra e coerente. Às vezes parece que não ganhamos nada com isso, mas nada paga um sono tranquilo. Se pudesse falar com a Menina Lamparina de há dez anos, dar-lhe-ia dois conselhos: para se apressar nos estudos e para continuar a divertir-se, que isto passa num ápice. Diria para não chorar tanto, para aprender a dizer que não e para não ceder em demasia à preocupação, que o altruísmo em excesso nos faz esquecer de nós e aumenta o oportunismo alheio. Ensinava-lhe que não podemos viver as vidas dos outros nem resolver todos os seus problemas, por mais que lhes queiramos bem.
Se queria voltar atrás? Não. Só não queria ter esta sensação de que estou aqui há mais tempo do que parece... e ainda não fiz nada.

Parabéns a mim.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

a n i v e r s á r i o

Apesar de estar atoladíssima em trabalho, queria só dizer-vos que falta muito pouco tempo para o dia 24 de Julho.


terça-feira, 15 de julho de 2014

sofro.

Estou com desejos de choco frito. Deve ser porque ando numa onda detox. É o cérebro a querer minar a minha determinação. Só pode.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

10 coisas aleatórias sobre o fim-de-semana:

Paz Vega
1 - Continuo a ser uma irresponsável e apanhei mais um escaldão. Não interessa quantas vezes tenha sofrido com insolações ou que manchas no rosto me irritem solenemente. Sou uma irresponsável.

2 - Descobri que não tenho apenas uma enorme resistência à mudança. O meu problema é mesmo largar as coisas antigas, ainda que queira muito abraçar as novas.

3 - Preciso de praia 7 dias por semana para me sentir sempre em paz.

4 - Ando sem inspiração para compras. É impressão minha ou não há nada de espectacular nas lojas?

5 - Emagreci e só reparei agora. Uepá!!

6 - Não resisto a uma oportunidade de mandar uma boca certeira. Mesmo que a pessoa não compreenda, fico feliz e aliviada por tê-lo feito.

7 - Estou idosa. Não consigo dormir até à uma da tarde, como antigamente. Mesmo que me force a adormecer depois de acordar cedíssimo, tenho imensos pesadelos e o momento em que acordo é trágico: sofro com dores de cabeça insuportáveis.

8 - Agora que tenho uma memória interna comme il faut, porque o meu novo telemóvel é um aparelho à séria, perco horas a editar fotos. Adoro apps dessas. Quais as melhores?

9 - Ando desesperada por férias e nem quero acreditar que estou de plantão no próximo fim-de-semana. Sim, sofro por antecipação.

10 - Estou orgulhosa da Mana Lamparina até mais não: terminou o 12º ano. E sinto-me velha. Já sentia porque a miúda anda a tirar a carta de condução, mas acabar o 12º é demasiado para mim.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Confesso,

Lindsay Lohan
às vezes tenho medo que isto seja tudo normal e a louca seja eu.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Alguém sabe?

Amanda Seyfried
Demorar quase trinta anos a descobrir que afinal vamos aprendendo sobre o nosso eu. Julgava que me conhecia muitíssimo bem, podia apostar que era capaz de me recitar de olhos fechados: defeitos, virtudes, manias, fragilidades. Dou por mim a ser surpreendida com novos detalhes, factos a que não tinha dado qualquer importância.

Sempre olhei de alto para pessoas indecisas, considerava-as dotadas de uma fraca personalidade. Nunca gostei dessa ideia de não saber o que se quer ou, por outras palavras, de não ter bem seguras nas mãos as rédeas do nosso percurso. Não compreendo quem não arrisca, quem não toma decisões, quem não sai da zona de conforto.

E descobri que sou tudo o que sempre critiquei. Que quando o risco é muito elevado, quando a probabilidade de não conseguir alcançar determinado objectivo é demasiado alta, me descarto. Por medo ou por preguiça, uso sempre as mesmas desculpas: «Se exige esforço e não vem ter comigo naturalmente, é porque não tem de ser»; «Na vida, tudo flui naturalmente»; «Se teria de fazer isso tudo, esquece. Não me vou dar ao trabalho, não há paciência». Sou assim em todas as situações que não implicam apenas a minha vontade, a minha postura, o meu querer. Talvez tenha medo de assumir que quero alguma coisa porque depois, se não a obtiver, se o desejo não se realizar, terei de assumir o falhanço. Perante mim e perante os que me ouviram afirmar o querer.

Como sabemos quando devemos ou não investir esforço em alguma coisa?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

da memória.

Elle Fanning
Nunca serei uma daquelas pessoas que quando chega a velha começa a dar a seca a toda a gente, relatando ao melhor estilo queirosiano todo e qualquer detalhe relativo ao que se deseja contar. Um episódio que na vida real não durou mais que meia hora transformado em palavras, uma memória falada, torna-se numa extensa dissertação. Impressionam-me essas mentes que guardam em si detalhes sem relevância; nomes, datas, cores, pormenores, diálogos, matrículas, modelos de carros. Não sou assim hoje, muito menos quando der por mim avó. Pelo menos não vou ser chata, porque para ter alguma coisa para contar, vou ter de inventar imenso... e a fantasia é sempre mais engraçada que o rame-rame do quotidiano. Ainda bem que escrevo tanto, assim os meus netos saberão o que andei a fazer por aí.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

Doutzen Kroes
É o sétimo mês do ano, é o que traz consigo o meu aniversário. Chegou num instante. É impressão minha ou isto está a passar a correr? Ainda ontem era Natal e revelhão, depois fui a Londres, de repente estamos aqui.

E escusam de me vir com aquela coisa do «ah e tal, Julho não é nenhum estafeta, por isso se queres coisas boas, levanta-te e faz acontecer» porque eu quero, preciso, que Julho me traga alguma coisa boa. São os meus últimos dias com 28 anos, vou entrar num novo ciclo de sete anos, estou cansada e é uma necessidade urgente sentir que a Vida me mostra que vale a pena estar cá.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

detesto...

Barbara Palvin
...gente copiona, sem personalidade, que não resiste a imitar alguém que admira - mesmo que essa admiração não tenha grande fundamento, porque o objecto que gera fascínio não é nenhuma estrela de cinema. Detesto quando a malta não percebe a diferença entre inspiração e imitação. A tentativa de replicar o que se admira revela falta de personalidade, baixa auto-estima e pouca criatividade. No me gusta.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ai que raiva!

Cara Delevingne
Preciso de ventilar. De dizer como odeio profundamente pessoas burras. Mas tão burras que não chega dizer que são ignorantes. Há pouca gente a conseguir provocar-me tamanho asco e eu preciso de explicar as razões para que isto seja assim. 
Imaginem um gajo feio. 
Agora imaginem um gajo feio e mal feito. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito e com os dentinhos todos afastados. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel. 
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel, de blazer e botas texanas.
Agora imaginem um gajo feio, mal feito, com os dentinhos todos afastados e com o couro cabeludo a afirmar-se por entre as micro madeixas mantidas em pé com a ajuda de gel, de blazer e botas texanas com a mania que é bom!
É isto: uma pessoa que além de não se poder gabar do aspecto exterior, não tem nada lá dentro, mas que se acha o máximo. Tipo chico-esperto meets macho latino sensualão. Só que não. 
E como se tudo isto não bastasse, a pessoa ainda tem graves dificuldades na conjugação de verbos na sua língua materna. E uma falta de vocabulário que me faz corar. Não sendo mais que um cagalhoto - adoro este termo, é refinado! - que decidiu tentar a sua sorte numa aldeia qualquer deste Portugal, ainda se atreve a acreditar que é mais astuto que os outros. Deve (do verbo dever) este planeta e mais algum, mas não perde a pose de pavão e os pseudo ares de empresário de sucesso (not!). E ainda tem a falta de humildade e o descaramento de querer prejudicar quem lhe deu a mão. Acho que se o vir hoje, lhe furo os olhos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sempre gostei deste excerto.

Katie Holmes
"Quando o primeiro contacto com algum objecto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de alguma forma se esse objecto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a primeira de todas as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objecto que se apresenta nada tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e consideramo-lo sem paixão."

René Descartes

quinta-feira, 12 de junho de 2014

timing

Parece dramático quando o digo, mas é apenas uma teoria baseada em factos reais: não sei se devia ter nascido. Eu e a minha mãe íamos morrendo no dia em que nasci. O parto foi complicadíssimo, eu tinha o cordão umbilical enrolado ao pescoço em três voltas, mal respirava e os meus batimentos cardíacos não eram constantes. Aliás, o electrocardiograma não apresentava linhas contínuas em altos e baixos, mas sim alguns pontos dispersos. Depois de algum esforço, lá sobrevivemos. E de certo modo, é isso que continuo a fazer. A sobreviver.
Mas quem deve cá estar, sente que aqui pertence. Eu nunca senti que fazia parte disto. Sempre me senti uma outsider, ainda que exista um núcleo reduzido de pessoas gostem verdadeiramente de mim e sintam a minha falta.
Quem deve cá estar, serve para alguma coisa. Sente-se útil, sabe que o seu potencial vai ser reconhecido e utilizado para alguma coisa boa.
Quem deve cá estar, não chega sempre no tempo errado à vida das pessoas que marcam. Não marca vidas para depois se ir embora.
Tenho um problema de timing que me acompanha desde que me lembro de mim. Como se fosse um estorvo, um inconveniente, uma pedra no sapato.

Dentro de algum tempo farei 29 anos. Acho que isso me está a bater. Tinha tantos sonhos, tantos planos e isto correu tudo de maneira diferente. Provavelmente, porque não devia ter nascido.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Mana Lamparina faz 18 anos neste preciso momento.

Ela faz dezoito anos. 
Lembro-me dos meus como se tivesse sido há menos de uma década. A memória tem destas coisas, perde-se no tempo e torna mais ou menos longínquas as coisas que já vivemos. Era uma menina com menos ar de menina que ela. Era menos bonita, também. E menos pequena. Em comum, os caracóis, que não usava com tanto gozo nem com tanta liberdade como ela. 
Nunca quis crescer. Algo me dizia que esta vida de adulta não era para mim. Não fui daquelas adolescentes com ganas de ser grande. Só queria ter os dezoito anos para poder finalmente tirar a carta. Sabia que adoraria conduzir. Já o fazia, em jeito de brincadeira e monitorizada pelo pai, mas queria tanto poder fazer longas viagens ao volante, numa independência cheia de prazer, que só por isso ansiava pelo dia 24 de Julho de 2003. 
Não sou muito diferente daquela miúda de que falo. Cresci, mudaram algumas perspectivas, a maneira de olhar para o que vamos atravessando altera-se, a maturidade traz alguma moderação e também contenção, talvez esteja mais tolerante... mas continuo a ser eu. Sou aquela, numa versão com embalagem melhorada e interior com alguns upgrades.

Ela faz dezoito anos.
Lembro-me do dia em que nasceu como se tivesse sido há menos de uma década. A memória tem destas coisas, perde-se no tempo e torna mais ou menos longínquas as coisas que já vivemos. Era muito pequenina, tinha o cabelo muito escuro e já era tanto naquela altura! A boquinha perfeita, as mãos irrequietas. Lembro-me da curiosidade imensa que senti acerca da personalidade que viria a revelar. Será que vai gostar de mim? Será que vamos ser amigas? Terá mau feitio?
Foi uma criança adorável, uma bebé que não dá trabalho, uma menina alegre e cheia de energia, toda ela em gargalhada contagiante.

Ainda estavas na barriga da mãe - saímos as duas do mesmo sítio, não é giro? - e eu já falava contigo. Já cantava para ti, já te abraçava e adormecia encostada a ti, à espera que desses um pontapé ou te mexesses. Esperei por ti durante muito tempo, depois de me habituar à ideia de deixar de ser filha única. Esperei nove meses para que nascesses e te pudesse ver. Esperei que começasses a andar, para podermos brincar na rua e passear de bicicleta, mas quando pudeste fazê-lo, eu já tinha mais que fazer. Esperei que aprendesses a brincar com as minhas coisas, mas quando quiseste companhia, eu já não queria saber de Barbies. Esperei que começasses a falar, para conversarmos, mas havia coisas que não te podia contar porque não perceberias. Esperei que tivesses tamanho para me poderes acompanhar numa saída à noite. Esperei que fosses maior para podermos trocar roupas. Esperei que crescesses durante a maior parte da tua vida, sempre apreciando cada momento teu. Eras do tamanho da minha mão e do meu antebraço, hoje és isto tudo. Finalmente encontrámos o ponto de equilíbrio. Já não espero por ti, vamos lado a lado. 

Não consigo acreditar que chegou o dia em que completas dezoito anos. Há qualquer coisa em mim que dói, acho que é por ter a sensação de que o tempo passa depressa demais. E por outro lado, toda eu sou felicidade por ser abençoada com a tua presença na minha vida. 
Espero que gostes do teu décimo oitavo ano. Que leves as escolhas que tens de fazer com leveza e responsabilidade. Que tomes decisões sem medo, porque confias em ti e no caminho que já está delineado, cheio de coisas boas à tua espera. Que nunca percas a menina que vive aí dentro, que nunca deixes para trás esse discernimento que te conduz. Que a serenidade se torne numa constante e que nunca te sintas só. Nem que seja porque eu vou estar sempre aqui.

Parabéns, Mimi. 
Obrigada por seres a Mana Lamparina. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

ponto

Quando pensamos que já não faz sentido, que não vale a pena, quando não somos mais que seres vagos que agem mecanicamente, sem alma nem querer, quando está tudo cinzento e cheio de pó, tudo sem graça, quando não se ouvem risos nem se sente calor, quando está tudo murcho e calado, tudo triste, tudo vazio, há um ponto de luz que aparece só para lembrar que estamos vivos.

terça-feira, 3 de junho de 2014

A vida não é nada como nos filmes.

Cara Delevingne
Gosto de ver pessoas felizes. Gosto de saber da felicidade dos outros. Gosto de saber que estão bem, que a vida lhes sorri. Nasce-me um sorriso por cada presente que os outros recebem. É como se me consolasse saber que os outros têm vitórias para contar. Dá-me esperança. É um sinal de que é possível ter aquilo que me parece utópico.
Quando os meus desejos mais profundos e antigos se concretizam em vidas alheias, fico genuinamente feliz. Afinal existe a possibilidade de ter aquilo, de viver aquilo, mesmo que não me aconteça a mim, o sonho não é ridículo. Mesmo que nunca venha a experienciar em realidade o que ainda não saiu do plano das ambições, não faz mal querer.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Lindsay Ellingson
"O sinal mais seguro da sabedoria é a constante serenidade."
Montaigne

quarta-feira, 28 de maio de 2014

dos medos que nos prendem

Bar Refaeli
Não gosto de defesas, de barreiras, de obstáculos. Não gosto de sentir que há portas fechadas, trancas pesadas. É isso que nos prende, esse medo que nos fecha dentro de nós e nos afasta dos outros. Não gosto de muralhas, verdadeiros poços que nos escondem dos afectos que nos procuram. Não gosto da solidão que esses receios trazem. Não gosto de quem aduba os cactos em seu redor, só para prevenir que alguém se aproxime.
Ser livre é não ter pesos presos aos pés. É não ter amarras, é poder içar a âncora e seguir viagem, de peito feito, mãos no leme. Ser livre é partir muros, é não ter medo de dar nem de ser. Corremos riscos em todo o lado, em qualquer situação. Corremos riscos quando nos acomodamos à estabilidade da segurança e corremos riscos quando nos lançamos à violência das ondas. E no meio disto tudo, por tanto pensar e temer, corremos o risco de não viver.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Hoje estou assim.

Lauren Conrad
Dizia ela que o melhor era não fazer planos, aceitar o que a vida nos traz e ir vivendo. Não projectar, não ter expectativas, não sonhar. Ora toda eu sou sonho e ideias e de facto, isso não me levou a lado nenhum. O meu percurso não tem nenhuma semelhança com o que tinha imaginado para mim. Fui fazendo escolhas por causa dos outros, assumindo responsabilidades por causa dos outros e o meu caminho parece por vezes fundir-se com o dos outros e não ter personalidade própria. Não perdi os sonhos, acho-me demasiado jovem para isso. Não perdi de vista aquela big picture que não sei como hei-de atingir e que não depende só da minha vontade.
Mas hoje estou assim. A olhar para trás, ainda que convicta de que valeu a pena cada opção tomada. Isto não se faz, eu sei, que o caminho é para a frente... mas há dias em que me pergunto como raio vim aqui parar. Queria ter terminado o curso e ir curtir uma independência que já tinha espreitado nos tempos de faculdade. Queria ter tido experiências profissionais estimulantes e próximas de tudo aquilo que me apaixona. Queria ter encontrado o amor da minha vida. Queria ter terminado o meu livro. Queria ter tido o primeiro filho antes dos trinta. Queria ter viajado mais. De repente, os meus dias tornaram-se mais cheios de tarefas, mais vazios de sentido. Desprovidos daquela magia toda que eu queria.
Valeu a pena, claro que sim. Sou grata por tudo, imensamente grata. Vale a pena pelo sorriso da menina dos meus olhos, vale pela sensação de que sou útil aos outros, vale pelo currículo sério e denso que já tenho, pela tarimba, pela experiência, pelo crescimento. Vale por aquilo em que me tornei enquanto ser humano. Mas precisava que a Vida não me fizesse esperar muito para me mostrar que não poderia ter sido de outra forma.

terça-feira, 20 de maio de 2014

das coisas que vou vendo.

Lindsay Ellingson
É sempre a mesma coisa: a discussão começa com a mulher magoada, chateada, irritada com ele. Se há alguma certeza neste mundo, é a de que ela está coberta de razão, cheia de legitimidade para se sentir ferida e agir em conformidade. Ele fez com que ela se sentisse mal e ela não merecia.
Então, depois de manifestar surpresa pela reacção dela, o que faz o homem? Tenta virar o jogo. Ele é que se sente ofendido pela interpretação que ela deu às suas inocentes palavras. Ele é que se sente ofendido pela interpretação que ela deu aos seus inocentes actos. E há casos em que conseguem o que parece impossível: um pedido de desculpas da parte dela.

Meninas, quando é que aprendem que não vale a pena fingir que não reparam nessa tendência tão masculina de virar o bico ao prego? Também não vale a pena ceder à anulação, passando por cima de algo que vos magoou. E mais importante que tudo, convém não esquecer que quem não valorizar as vossas lágrimas não merece o vosso sorriso.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Marilyn and Arthur Miller
"A humanidade é virtude da mulher; a generosidade é virtude do homem."
Adam Smith

quinta-feira, 15 de maio de 2014

só me falta ser homem

Kate Moss
Nós, mulheres, somos tão complexas que chego a ficar cansada disto. Não são raras as vezes em que acredito que teria sido muito mais feliz se tivesse tido o privilégio de nascer homem. Aposto que seria um gato e um gajo inteligente, charmoso e sensível q.b.. Tenho a certeza de que não seria tão complicado ser simples, porque a simplicidade parece ser inerente aos humanos que têm uma piloca entre as pernas (acho que nunca tinha escrito «piloca» e acho que este blog merece palavras novas de vez em quando). Se fosse homem, não pensava tanto. Nem analisaria todas as nuances e entrelinhas de tudo o que é feito ou dito. É que é cansativo, não pensem os embaixadores da descomplicação na Terra o contrário! É não pensar em querer, mas perante a hipótese de não ter, ficar angustiada. É não querer mas depois afinal ceder. É não gostar mas de repente perceber que se gosta muito. É toda uma instabilidade que a mim me faz fugir da vida. O mel cristaliza, o sorriso fica guardado até que me venham buscar, outra vez, com aquele calor que atrai e a que não consigo resistir.

terça-feira, 13 de maio de 2014

conversas nossas.

Lauren Conrad Whitney Port
- É giro como aquilo que vivemos é tão diferente de uma pessoa para outra, mesmo que o vivamos juntos. Como uma equação, que certas pessoas resolvem recorrendo a uma fórmula rápida e curta e outras, como eu, precisam de um quadro de ardósia inteiro para encher de palavras que explicam o que se faz com os algarismos e os sinais.

- Sim, cada pessoa tem as suas particularidades. Somos únicos, apesar de haver muitas coisas transversais, como as reacções a certos acontecimentos. No entanto, a maneira como os vivemos varia sempre.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Drew Barrymore
"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."
Florbela Espanca

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Isto é quase um manifesto.

Brigitte Bardot
Como se nunca me encaixasse em lado nenhum, mesmo que faça parte de alguma coisa. Sempre foi assim em todas as áreas da minha vida e talvez o problema esteja em mim. Deve estar em mim. Às vezes, tento enganar-me e justificar os outros, atribuindo as culpas ao meu tão afamado mau feitio, mas acabo por concluir sempre o mesmo: que não se trata de ressabiamento. A culpa é da injustiça. E eu não suporto injustiças, seja eu o alvo delas ou não. Nunca suportei. Espero nunca vir a tolerá-las.
Na minha família, sempre me senti assim também. Não no núcleo mais chegado, óbvio, mas no restante grupo de pessoas com quem tenho laços sanguíneos. Se para um dos lados da árvore genealógica que integro sempre fui a filha dos que optaram por viver na província e que horror, sair da linha!, para o outro, sempre fui uma privilegiada.
Por outras palavras, de um lado julgam-me menos urbana e mais dada às lides da ruralidade, como se por ter um pai veterinário que optou pela vida fora de Lisboa não só pela experiência profissional que tal decisão lhe proporcionaria como também pelas vantagens financeiras, acabasse por me transformar numa menina da Ribeira do Sado, daquelas que têm carrapatos atrás das orelhas. Como se vivesse no fim do mundo, isolada, qual nativa de uma tribo por descobrir, instalada nos confins de um sítio que não aparece no google maps. A verdade é que devido a esta escolha dos meus pais, tive acesso a uma cultura muito rica, característica de um Portugal esquecido e desprezado de que muito me orgulho e que amo profundamente. E não contenho alguma troça quando desse mesmo lado da família, surgem questões sobre a origem dos ovos, por exemplo – houve quem julgasse que eram fruto de um qualquer artifício fabril, dado que têm códigos numéricos na casca.
Do outro lado, sempre senti que era tida como alguém privilegiado. E se até concordo com a ideia na generalidade, porque o sou de facto, porque tenho um Deus que constrói o caminho que vou seguindo, que torna os meus sonhos em objectivos concretos e que me rodeia de pessoas especiais e de acontecimentos preciosos, não poderia ser mais discordante quando o termo é utilizado de um modo enviesado e revestido de um quê de preconceito. Recordo que preconceito engloba toda e qualquer ideia baseada em fundamentos desprovidos de seriedade ou imparcialidade. Se ser privilegiada significa nunca ter passado fome, concordo. Sou. Mas se ser privilegiada for sinónimo de ter tudo de mão beijada, aí começamos a afinar. Na verdade, nunca tive jeito para coitadinha e pode ser esse o motivo para que não me vejam inteira. Também não partilho todas as dificuldades com que me vou deparando, pelo que a minha existência pode parecer, a olho nu, um rol de alegrias e um oceano de descontracção.
Sempre balancei entre a menina que não faz mal a ninguém e a mulher forte, nunca fui uma daquelas pessoas que granjeiam compaixão. E como não me dou com ninguém por conveniência, não são poucos aqueles que ficam de fora da minha guest list. Não me interessa o que cada um tem, o que me pode proporcionar nem que vantagens me traria certo relacionamento. Cá dentro, as pessoas valem pelo que são. E pelo que são comigo, claro. Assim, desinteressadamente, vou criando laços e nós que às vezes se tornam mais fortes que os sanguíneos. A minha melhor amiga não é uma pessoa cheia de dinheiro, não tento aproximar-me do filho de uma personalidade influente nem conviver com pessoas que valorizam a ostentação. É o meu coração que acolhe os outros corações e nunca há espaço para ponderar a utilidade de cada um no meu caminho. E os outros, aqueles que trazem à superfície de mim o laivo de ressentimento que não consigo evitar ainda, hão-de compreender a grandeza de se viver são. E eu hei-de ser suficientemente madura para sorrir, com piedade.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma ajudinha, vá lá.

Barbara Palvin
Se não suportam uma pessoa e não podem simplesmente fugir dela ou fazê-la desaparecer do vosso quotidiano, o que fazem?
Imaginem que a pessoa vos irrita mesmo muito.
Mesmo, mesmo, mesmo muito. Mesmo muito. Muito. Muito mesmo. Tanto, que só o facto de ouvir aquela voz vos faz nascer uma borbulha na testa. Daquelas pessoas que nem conseguimos descrever. Cujos actos precisamos de contar a outros, conscientes de que tentar reproduzir momentos através de palavras ditas não é suficiente para traduzir tamanha bizarria, só para ter a certeza de que somos ainda dotados de sanidade mental. Uma pessoa intragável, em quem queriam nem pensar, mas que não vos sai da cabeça. Que vos faz levar as mãos à testa inúmeras vezes. E respirar de alívio quando não está por perto. Estão a ver a dimensão da aversão? Pois. É isto. Como se lida com isto?

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Elizabeth Banks
"É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada."
William Shakespeare

quinta-feira, 1 de maio de 2014

keeping it simple

Josefine Nielsen
Manter as coisas simples é muito mais complicado do que parece. Manter as coisas simples é de uma complexidade atroz. É tão exigente que deixa de ser um processo simples. É como se para obter simplicidade, fosse necessário um procedimento repleto de dificuldades, nuances e particularidades que exigem atenção. Como para fazer um licor, a chegada até ao produto final demora - é preciso destilar uma e outra vez, depurar a mistura até que sobre apenas um líquido sem sujidades. É muito difícil manter tudo sereno, leve e agradável. Mas não é impossível.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Interditar o meu espólio

Kim Kardashian
Queria poder interditar o uso das minhas músicas a quem não as merece. Irrito-me quando pessoas de que não gosto usam as minhas músicas, publicamente ou não, principalmente quando as conheceram através de mim. Fico mesmo chateada.
É como se fizessem uso de parte do que sou sem pedir autorização. É como usar uma frase minha sem referir o autor. É como se não me respeitassem, nem à memória do que já foi.

terça-feira, 29 de abril de 2014

«A saudade define a certeza»

Kate Moss
Sabia que só teria noção da falta que me tinha feito quando voltasse. Quando a cidade ficasse mais bonita por aquela presença fazer parte da paisagem. Quando o risco de nos cruzarmos sem querer existisse outra vez. Sabia que não teria muito para dizer, até porque não poderia dizer tudo. Sabia que os meus sentidos iam absorver tudo com sofreguidão, como se até então tivessem sido privados de qualquer fonte de vitalidade. Sabia que não quereria espaço entre o fim de mim e o início dessa outra entidade. Sabia tudo e não podia ter dito que sabia.
Quando escrevemos, as palavras cumprem-se. Talvez não se cumpram, talvez escrevamos ainda sem saber que estamos, no fundo, a profetizar. Escrevo o que ainda não sei, mas escrevo o que vai acontecer. Escreve-se sozinho, o texto. Escreve-se sozinha, a vida. E eu sigo o caminho, desconfiada do que vai acontecer mas deixando-me atordoar pelos medos e inseguranças a que a condição humana me submete.
Sei como vai correr. Sei que vai ser difícil, que me vou sentir vulnerável mais vezes do que gostaria, sei que me vou sentir frágil e exposta, mas também sei que isso não me vai impedir de fazer o que quero. E sei que os sentimentos, como as plantas, vão crescer, porque é Primavera. Com eles, desabrochará também o entrosamento, como as flores, porque é Primavera. Sei que vai ser tarde demais quando quiser travar isto tudo. Estaremos no auge do Verão. E sei que me vou sentir bem com tanto calor, porque as coisas acontecem quando devem acontecer e as estações do ano seguem-se umas atrás das outras, com ordem, porque tem de ser. Começamos sempre como estranhos, até que o companheirismo nos prende, a amizade nos liberta, as borboletas nos fazem sentir vivos, o riso vicia e o medo nos empurra para o vazio. Damos as mãos e seguimos, já sei como é.