sexta-feira, 16 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Marilyn and Arthur Miller
"A humanidade é virtude da mulher; a generosidade é virtude do homem."
Adam Smith

quinta-feira, 15 de maio de 2014

só me falta ser homem

Kate Moss
Nós, mulheres, somos tão complexas que chego a ficar cansada disto. Não são raras as vezes em que acredito que teria sido muito mais feliz se tivesse tido o privilégio de nascer homem. Aposto que seria um gato e um gajo inteligente, charmoso e sensível q.b.. Tenho a certeza de que não seria tão complicado ser simples, porque a simplicidade parece ser inerente aos humanos que têm uma piloca entre as pernas (acho que nunca tinha escrito «piloca» e acho que este blog merece palavras novas de vez em quando). Se fosse homem, não pensava tanto. Nem analisaria todas as nuances e entrelinhas de tudo o que é feito ou dito. É que é cansativo, não pensem os embaixadores da descomplicação na Terra o contrário! É não pensar em querer, mas perante a hipótese de não ter, ficar angustiada. É não querer mas depois afinal ceder. É não gostar mas de repente perceber que se gosta muito. É toda uma instabilidade que a mim me faz fugir da vida. O mel cristaliza, o sorriso fica guardado até que me venham buscar, outra vez, com aquele calor que atrai e a que não consigo resistir.

terça-feira, 13 de maio de 2014

conversas nossas.

Lauren Conrad Whitney Port
- É giro como aquilo que vivemos é tão diferente de uma pessoa para outra, mesmo que o vivamos juntos. Como uma equação, que certas pessoas resolvem recorrendo a uma fórmula rápida e curta e outras, como eu, precisam de um quadro de ardósia inteiro para encher de palavras que explicam o que se faz com os algarismos e os sinais.

- Sim, cada pessoa tem as suas particularidades. Somos únicos, apesar de haver muitas coisas transversais, como as reacções a certos acontecimentos. No entanto, a maneira como os vivemos varia sempre.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Drew Barrymore
"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."
Florbela Espanca

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Isto é quase um manifesto.

Brigitte Bardot
Como se nunca me encaixasse em lado nenhum, mesmo que faça parte de alguma coisa. Sempre foi assim em todas as áreas da minha vida e talvez o problema esteja em mim. Deve estar em mim. Às vezes, tento enganar-me e justificar os outros, atribuindo as culpas ao meu tão afamado mau feitio, mas acabo por concluir sempre o mesmo: que não se trata de ressabiamento. A culpa é da injustiça. E eu não suporto injustiças, seja eu o alvo delas ou não. Nunca suportei. Espero nunca vir a tolerá-las.
Na minha família, sempre me senti assim também. Não no núcleo mais chegado, óbvio, mas no restante grupo de pessoas com quem tenho laços sanguíneos. Se para um dos lados da árvore genealógica que integro sempre fui a filha dos que optaram por viver na província e que horror, sair da linha!, para o outro, sempre fui uma privilegiada.
Por outras palavras, de um lado julgam-me menos urbana e mais dada às lides da ruralidade, como se por ter um pai veterinário que optou pela vida fora de Lisboa não só pela experiência profissional que tal decisão lhe proporcionaria como também pelas vantagens financeiras, acabasse por me transformar numa menina da Ribeira do Sado, daquelas que têm carrapatos atrás das orelhas. Como se vivesse no fim do mundo, isolada, qual nativa de uma tribo por descobrir, instalada nos confins de um sítio que não aparece no google maps. A verdade é que devido a esta escolha dos meus pais, tive acesso a uma cultura muito rica, característica de um Portugal esquecido e desprezado de que muito me orgulho e que amo profundamente. E não contenho alguma troça quando desse mesmo lado da família, surgem questões sobre a origem dos ovos, por exemplo – houve quem julgasse que eram fruto de um qualquer artifício fabril, dado que têm códigos numéricos na casca.
Do outro lado, sempre senti que era tida como alguém privilegiado. E se até concordo com a ideia na generalidade, porque o sou de facto, porque tenho um Deus que constrói o caminho que vou seguindo, que torna os meus sonhos em objectivos concretos e que me rodeia de pessoas especiais e de acontecimentos preciosos, não poderia ser mais discordante quando o termo é utilizado de um modo enviesado e revestido de um quê de preconceito. Recordo que preconceito engloba toda e qualquer ideia baseada em fundamentos desprovidos de seriedade ou imparcialidade. Se ser privilegiada significa nunca ter passado fome, concordo. Sou. Mas se ser privilegiada for sinónimo de ter tudo de mão beijada, aí começamos a afinar. Na verdade, nunca tive jeito para coitadinha e pode ser esse o motivo para que não me vejam inteira. Também não partilho todas as dificuldades com que me vou deparando, pelo que a minha existência pode parecer, a olho nu, um rol de alegrias e um oceano de descontracção.
Sempre balancei entre a menina que não faz mal a ninguém e a mulher forte, nunca fui uma daquelas pessoas que granjeiam compaixão. E como não me dou com ninguém por conveniência, não são poucos aqueles que ficam de fora da minha guest list. Não me interessa o que cada um tem, o que me pode proporcionar nem que vantagens me traria certo relacionamento. Cá dentro, as pessoas valem pelo que são. E pelo que são comigo, claro. Assim, desinteressadamente, vou criando laços e nós que às vezes se tornam mais fortes que os sanguíneos. A minha melhor amiga não é uma pessoa cheia de dinheiro, não tento aproximar-me do filho de uma personalidade influente nem conviver com pessoas que valorizam a ostentação. É o meu coração que acolhe os outros corações e nunca há espaço para ponderar a utilidade de cada um no meu caminho. E os outros, aqueles que trazem à superfície de mim o laivo de ressentimento que não consigo evitar ainda, hão-de compreender a grandeza de se viver são. E eu hei-de ser suficientemente madura para sorrir, com piedade.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma ajudinha, vá lá.

Barbara Palvin
Se não suportam uma pessoa e não podem simplesmente fugir dela ou fazê-la desaparecer do vosso quotidiano, o que fazem?
Imaginem que a pessoa vos irrita mesmo muito.
Mesmo, mesmo, mesmo muito. Mesmo muito. Muito. Muito mesmo. Tanto, que só o facto de ouvir aquela voz vos faz nascer uma borbulha na testa. Daquelas pessoas que nem conseguimos descrever. Cujos actos precisamos de contar a outros, conscientes de que tentar reproduzir momentos através de palavras ditas não é suficiente para traduzir tamanha bizarria, só para ter a certeza de que somos ainda dotados de sanidade mental. Uma pessoa intragável, em quem queriam nem pensar, mas que não vos sai da cabeça. Que vos faz levar as mãos à testa inúmeras vezes. E respirar de alívio quando não está por perto. Estão a ver a dimensão da aversão? Pois. É isto. Como se lida com isto?

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bom fim-de-semana!

Elizabeth Banks
"É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada."
William Shakespeare

quinta-feira, 1 de maio de 2014

keeping it simple

Josefine Nielsen
Manter as coisas simples é muito mais complicado do que parece. Manter as coisas simples é de uma complexidade atroz. É tão exigente que deixa de ser um processo simples. É como se para obter simplicidade, fosse necessário um procedimento repleto de dificuldades, nuances e particularidades que exigem atenção. Como para fazer um licor, a chegada até ao produto final demora - é preciso destilar uma e outra vez, depurar a mistura até que sobre apenas um líquido sem sujidades. É muito difícil manter tudo sereno, leve e agradável. Mas não é impossível.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Interditar o meu espólio

Kim Kardashian
Queria poder interditar o uso das minhas músicas a quem não as merece. Irrito-me quando pessoas de que não gosto usam as minhas músicas, publicamente ou não, principalmente quando as conheceram através de mim. Fico mesmo chateada.
É como se fizessem uso de parte do que sou sem pedir autorização. É como usar uma frase minha sem referir o autor. É como se não me respeitassem, nem à memória do que já foi.

terça-feira, 29 de abril de 2014

«A saudade define a certeza»

Kate Moss
Sabia que só teria noção da falta que me tinha feito quando voltasse. Quando a cidade ficasse mais bonita por aquela presença fazer parte da paisagem. Quando o risco de nos cruzarmos sem querer existisse outra vez. Sabia que não teria muito para dizer, até porque não poderia dizer tudo. Sabia que os meus sentidos iam absorver tudo com sofreguidão, como se até então tivessem sido privados de qualquer fonte de vitalidade. Sabia que não quereria espaço entre o fim de mim e o início dessa outra entidade. Sabia tudo e não podia ter dito que sabia.
Quando escrevemos, as palavras cumprem-se. Talvez não se cumpram, talvez escrevamos ainda sem saber que estamos, no fundo, a profetizar. Escrevo o que ainda não sei, mas escrevo o que vai acontecer. Escreve-se sozinho, o texto. Escreve-se sozinha, a vida. E eu sigo o caminho, desconfiada do que vai acontecer mas deixando-me atordoar pelos medos e inseguranças a que a condição humana me submete.
Sei como vai correr. Sei que vai ser difícil, que me vou sentir vulnerável mais vezes do que gostaria, sei que me vou sentir frágil e exposta, mas também sei que isso não me vai impedir de fazer o que quero. E sei que os sentimentos, como as plantas, vão crescer, porque é Primavera. Com eles, desabrochará também o entrosamento, como as flores, porque é Primavera. Sei que vai ser tarde demais quando quiser travar isto tudo. Estaremos no auge do Verão. E sei que me vou sentir bem com tanto calor, porque as coisas acontecem quando devem acontecer e as estações do ano seguem-se umas atrás das outras, com ordem, porque tem de ser. Começamos sempre como estranhos, até que o companheirismo nos prende, a amizade nos liberta, as borboletas nos fazem sentir vivos, o riso vicia e o medo nos empurra para o vazio. Damos as mãos e seguimos, já sei como é.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Bom fim-de-semana!

SJP
"Cuidado para que não chames de inteligentes apenas aqueles que pensam como tu."
Ugo Ojetti

quarta-feira, 23 de abril de 2014

menina dos meus olhos

Olsen Twins
Uns dias sem ter por perto aquele aglomerado de pele, músculo e osso que cobre o ser que amo. Bastaram uns dias para que desse por mim ansiosa. Contava as horas para poder abraçá-la. Está tão grande, a minha eterna pequenina.

terça-feira, 22 de abril de 2014

A novidade do arrependimento

Leona Lewis
«Prefiro arrepender-me do que faço do que daquilo que não cheguei a fazer.» A frase é minha. Repito-a vezes sem conta e acredito nela de todo o coração. Tenho a sensação de que além daqueles arrependimentos que sentimos enquanto crianças, depois de ter riscado a parede inteira do corredor lá de casa e de ter ouvido do pai e da mãe, nunca tinha experienciado essa angústia da culpa. Vivi os últimos 28 anos sem saber como era a dor de não poder reparar o passado porque sempre justifiquei bem as minhas atitudes incompreendidas ou mal interpretadas. Sempre soube que se tinha feito ou dito algo, a verdade é que havia uma razão para isso. Um motivo. Fosse qual fosse, existia. Logo, não havia espaço para arrependimentos. Se fiz, foi porque naquele momento quis fazer. Se disse, foi porque naquele momento quis dizer. E não estou habituada a não ter razão. Sempre me senti o pólo maduro das minhas relações, independentemente das idades deles. É muito estranho não ser a sensata, a adulta. É muito difícil sentir que o outro puxa por mim. É preciso um esforço da minha parte para não me deixar cair na infantilidade, nem que seja para não me sentir novamente como me senti, pela primeira vez: arrependida. Pequena. Minúscula. Envergonhada. Cabisbaixa. Culpada. A sensação de ridículo foi piorando à medida que, em resposta à minha postura de menina tonta, ia recebendo palavras carinhosas, gestos bonitos, atitudes elevadas. E assim diminui o eu em mim e aumenta o outro dentro do peito. Mas isso ninguém tem de saber.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Bom fim-de-semana!

(Só porque eu estou sempre com saudades do finde.)

«emprenhar pelos ouvidos»

Barbara Palvin
Nunca gostei de pessoas que emprenham pelos ouvidos. Revelam pouca inteligência, falta de discernimento e de personalidade, uma certa incapacidade de pensar por si só e uma grande facilidade em ser influenciado por mexericos, boatos, intrigas, ou seja, histórias sem fundamento real. Quem acredita no que lhe contam, sem ver nem ouvir directamente da fonte, por portas travessas e sem presenciar o momento que se tornou caso, só porque sim, de um modo leviano, não merece crédito da minha parte. É como se a profissão fosse intrínseca à minha maneira de ser e por isso não me esqueça de que nunca existe apenas uma versão dos factos.
Contudo, sei que depois de tanto ouvir a mesma coisa acerca da mesma pessoa, é como se aquilo se tornasse verdade. Passa-se comigo. Existe uma personagem minha que me transcende e poucos têm acesso à verdadeira Menina. Às vezes incomoda, outras vezes cansa. Há momentos em que me é útil, outros em que me protege e resguarda. Mas não é um retrato fiel daquilo que sou, de todo.
Sabendo de tudo isto, seria normal que eu mesma não emprenhasse pelos ouvidos, mas como água mole em pedra dura, espeto de pau, chego a ceder, ainda que por breves instantes, à pré-concepção que se criou acerca de quem não me deu um único motivo para desconfiar da sua honestidade. Nem sempre é fácil manter a armadura bem colocada em nosso redor, para não permitir que vícios alheios penetrem na nossa conduta.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sehr kompliziert

Eva Longoria
Já me chamaram Ana Raquel, Ana Reinaldo, Ana Rena, Ana Renda, Ana Rendell, Ana Randall, Ana Rendau, Ana Renson, Ana Wrendoull... A última foi Ana Rendallo. Como o Bordallo.
Ora, se o nome dá tantos problemas - a escrever, mesmo que soletre, como a pronunciar - sugiro que me chamem Ana Tomaz. É que Tomaz até é o meu último nome e o Rendall não é tipo Rita. E só aconteceu enganarem-se uma ou duas vezes (na escrita, Tomat ou Tomar, além da variante comum mas aceitável Tomás). Ou isso ou não levam a mal de cada vez que me desmanchar em gargalhadas na vossa cara. Está dito.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

puxar por ela

Twiggy
E naqueles devaneios femininos, em que a força da cólera nos arrasta para longe da sensatez, privando-nos da serenidade com que só a ponderação pode agraciar o espírito e instalando a fúria no centro do corpo, vem a imaginação brindar-nos com as mais hilariantes suposições. E se temos a grande sorte e o inevitável azar de lidar com alguém mais maduro que nós, depressa nos sentimos tontas. Um gesto romântico e inesperado traz a lágrima directamente do coração ao olhar que se perde na mensagem.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Bom fim-de-semana!

Kate Bosworth
"Ser feliz dá muito trabalho, por isso encaro a tristeza como férias."
Autor Desconhecido

quinta-feira, 10 de abril de 2014

«Segue o teu coração, mas leva o teu cérebro contigo»

Sienna Miller
Estar apaixonada é acordar e ser assolada por pensamentos em que o objecto da paixão é o protagonista? Ou é ao longo do dia, ter graves dificuldades de concentração porque aquela pessoa não nos sai da cabeça? É fazer figura de parva e sorrir, enquanto andamos sozinhas pela rua, só porque nos lembramos de alguma coisa que o outro disse ou fez? É não conter o riso por algo que na realidade não tem a menor das graças? É querer estar, ver, olhar, tocar, beijar, abraçar, ouvir, conversar, deitar tempo fora? Estar apaixonada implica não conseguir travar certas inseguranças? Ficar naquele estado de gaja paranóica só porque não percebemos o que se passa do outro lado, quando recebemos uma mensagem escrita de um modo menos amoroso? Estamos apaixonadas quando adormecemos a pensar nele? Quando sonhamos várias vezes com o outro? Estar apaixonada torna-nos mais pensativas, introspectivas e distraídas? A paixão faz com que gostemos de tudo no outro? Suscita interesse acerca de tudo no mundo do outro? 
Mas e se apesar de tudo isso, não existir medo de perder? E se rejeitarmos a dependência e a profundidade do sentir? E se continuarmos frias e distantes, mesmo que manifestemos carinho em determinadas atitudes? Estar apaixonada afinal não é assim uma coisa para lá de arrebatadora? Não devia dar cabo da racionalidade e roubar-nos de dentro do nosso corpo para nos atirar para o meio de um furacão de emoções? 
É possível estar apaixonada e continuar a ser um ser inteligente?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

pensamentos soltos

Amanda Seyfried
Se me cansar, não será do que está ao redor do que realmente importa. Será de ti.

das decisões que tomamos

Nicole Richie
Há pessoas que nunca têm nada de bom para dizer aos outros. Que só se sentem bem se puderem dar aquela alfinetada. Como se o facto de verem alguém mais feliz, mais bonito ou de bem com a vida, prejudicasse o seu bem-estar. É o vulgo deitar abaixo. Não é preciso tirar um mestrado em Psicologia Avançada para deduzir que por norma, essas são pessoas inseguras ou com debilidades óbvias na auto-estima, que para se conseguirem sentir superiores, tendem a precisar de rebaixar os outros. Ou a tentar. Decidi afastar-me dessas pessoas. Afastar-me com o coração, que nem sempre podemos evitar o convívio. Não sou do género de amiga a quem ocorre dizer algo desagradável só porque sim. Gosto de ver quem me rodeia feliz, adoro dar elogios sinceros, quero que aqueles de quem eu gosto se sintam bem na sua pele e na sua vida. Respeito as suas escolhas e desejo o seu sucesso, independentemente da minha opinião, que dou sempre que é solicitada e com o cuidado de não ferir. Simples, afinal. Não compreendo posturas diferentes desta. Não consigo perceber a indelicadeza por si só. A mim soa-me a falta de chá pela colher, sempre que alguém decide abrir a boca para dizer algo inadequado sobre o aspecto, a vida ou determinada decisão tomada pelo outro. A sinceridade, para não se tornar em descaramento, deve ser suave. Como tal, deixou de haver espaço para pessoas tóxicas e desprovidas das noções básicas de cortesia e respeito. E aqueles que se atreverem a experimentar, poderão sempre contar com o meu lado mais directo.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Bom fim-de-semana!

Lindsey Wixson
"A fala é a civilização em si. A palavra, mesmo a mais contraditória palavra, preserva o contacto - é o silêncio que isola."
Thomas Mann

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Já viram?

É exactamente o que sentimos. É exactamente o que tento expressar através das palavras. É lindo.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

pensamento do dia

O jornalista é um estraga-palavras. Usa-as para contar factos de uma maneira formatada e fria, desprovida de sentimentos e com pouca alma.

segunda-feira, 31 de março de 2014

as coisas vulgares que há na vida não deixam saudade

Jennifer Lopez
Quando aconteceu, não sabia. Quando o beijou, não sabia. Não poderia saber. Ainda agora não sabe.
Sem expectativas, sem exigências, só coisas boas. Só o olhar para ele. Vivê-lo enquanto estiver por perto. Deixá-lo entrar, mas com reservas, que isto das relações humanas assusta. Já lho disse, não é nada do que esperava. Temos sempre uma ideia que fazemos acerca dos que conhecemos superficialmente e a que tinha a seu respeito estava longe de ser correcta. Também não é nada do que esperava receber neste momento da sua vida. Não a enche de elogios, não tenta impressioná-la, não a envolve em momentos românticos como aqueles que são vistos nos filmes, antes do beijo que sela a união dos corpos. E ela gosta disso. Gosta do riso, da voz e das pernas dele. E gosta das mãos, do olhar de puto reguila e do pescoço. Sim, do pescoço curto que ele tem. E da barriguinha. Gosta de deitar a cabeça no peito dele e de ser embalada pela respiração profunda com que se deixa adormecer. Gosta de acordar e vê-lo, dar-lhe beijinhos e voltar a adormecer agarrada àquele corpo quente. Gosta de o ver dormir, demasiado bonito na sua serenidade, a mão dela nos pêlos do peito dele. Quando se vem embora, trá-lo dentro de si, ao lado da gratidão por se terem cruzado. Ou por ter sido escolhida por ele. No entanto, por cada bocadinho de si que quer querê-lo, há outros dois que recuam. Só nunca lhe disse porquê. Não é só a incapacidade crónica de depositar confiança. Não é só essa fobia de se apaixonar. Não são só os medos mais primários e tudo o que há de complicado entre os dois. É porque ele desperta nela aquela doce necessidade de agradar e fazer feliz, só pela recompensa de ver um sorriso. O sorriso. Para lá da voz grave e do homem adulto que intimida, por ter um passado tão maior que o seu, é aquele sorriso, aquele ar de puto, aquele olhar que não consegue fixar durante muito tempo. E aquelas festinhas nas costas, aquele abraço apertado, aquele beijo lento. Tudo. O cheiro, a pele, o queixo, as sobrancelhas. Tudo bom.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 28 de março de 2014

o ponto de equilíbrio

Anja Rubik
Contavam-me sobre uma pessoa que se farta depressa dos namorados ou dos fulanos com quem tem casos. Como se fosse uma característica dela. Calei-me, não me apeteceu comentar, mas na verdade, quem se cansa com facilidade nem sempre é uma pessoa insaciável, insatisfeita ou pouco madura. Nem fria, nada disso. A falta de entusiasmo com uma relação vem com a rotina. É inevitável quando não há amor. Ou quando há um amor fraquinho. Ou quando não há paixão, daquelas paixões arrebatadoras e eternas, que provocam borboletas no estômago durante anos e anos e anos.
Pessoalmente, já me fartei do excesso de atenção e do excesso de desapego. Fartei-me sempre das pessoas, das relações e da convivência. Preciso de me sentir extraordinariamente querida pelo outro, mas não posso ser sufocada. Sou um bocado claustrofóbica, mas não gosto de sentir demasiado espaço entre o fim da minha pele e o início da dele. Quando as flores já não me fazem sorrir com a surpresa, está o caldo entornado. Gosto do inesperado e de muitos mimos, mas não lido bem com colas, tipo:
- Ah e tal, vou sair com as minhas amigas.
- Ah é? Boa! E vamos onde?
Nunca quis deixar de ser a Ana para passar a ser apenas parte integrante de um casal. Gosto de ter vida própria e adoro que a pessoa com quem estou também tenha uma. Paradoxalmente, preciso de sentir que por mais que não nos vejamos todos os dias, a pessoa queria mesmo era ver-me todos os dias. Que por mais que não possamos estar juntos, a pessoa telefona só para ouvir a minha voz e partilhar banalidades. Que depois de não fazermos um programinha juntos durante duas semanas, me convida para jantar.
Não sou eu que me canso depressa. Eles é que não encontram ponto de equilíbrio. Se calhar também é assim com a tal menina de quem me falavam...

Bom fim-de-semana!

Nicole Richie
"A diferença entre o veneno e o remédio é a dose."
(Anónimo)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Aqueles elogios que nos aquecem o coração.

Olsen Twins
A Mana Lamparina ouvia atentamente os meus desabafos cheios de pormenores sobre situações que me tiram do sério sem me pôr no riso, quando me disse que esta música tinha a letra que melhor se adequava à minha personalidade. É mesmo isso. Fico feliz quando as pessoas que têm peso na minha vida me reconhecem para lá das tretas, dos palpites, das maledicências, das mentiras e insinuações.

terça-feira, 25 de março de 2014

Non sense

Kate Moss
Percebemos que há algo de muito errado no planeta quando uma prostituta decide dizer-nos que fumar é prejudicial à saúde. 

Lata é pouco. Vamos então falar sobre DST?

Don't mess with my judgement.

Não foi há muito tempo que me perguntaram duas vezes no mesmo dia quão difícil era ser jornalista num meio pequeno. Tem o seu quê de complicado, respondo sempre. Mas há dias em que complicado é um eufemismo.
Ser jornalista numa terra do tamanho de uma ervilha com habitantes que se acham do tamanho do Golias é mais que complicado. Ser jornalista na imprensa regional  e neste concelho em particular torna-se um desafio diário porque nos dão mais importância do que aquela que na realidade temos. Acham-nos mais importantes do que realmente somos. Fazem jogos de bastidores para clamar por uma atenção que não tiveram. Tentam acusar-nos do que não tem nada a ver connosco.

Sempre tive uma tendência política, sempre apoiei uma determinada ideologia. É sabido. É público. É verdade. Nunca o escondi. Fui jotinha e gostei. Sou mais chegada à direita, e então? A social-democracia diz-me mais, so what? Esse facto nunca fez com que não me desse bem com pessoas de outras facções. Sou afilhada de uma comunista, tenho pais convictos - cada um para seu lado - mas que nunca se filiaram num partido e que votam sempre em consciência, tenho grandes amigos de esquerda e grandes amigos de direita. As diferenças ideológicas não chegam para que discrimine. Sou assim. Estranha.

Outra coisa estranha em mim é esta mania de separar a minha vida profissional da pessoal. Há quem viva para o trabalho, quem seja escravo da profissão. Feliz ou infelizmente, sou dessas que tem uma vida própria, com problemas (demasiados), preocupações, dramas, dores, alegrias (imensas), pessoas de quem cuidar, casa para arrumar, refeições para preparar, unhas para pintar. Sou assim, uma miúda ocupada que não deixa de viver por causa do emprego que adora. Chamo-lhe equilíbrio. Gosto disso.
Esta necessidade de separar as águas só pode ser compreendida por quem faça o mesmo. As pessoas como eu são dotadas de discernimento, sabem o que é ética e por isso mesmo, conseguem ter sempre em mente que lá por terem sido jotas, isso não pode interferir na produção noticiosa. Lá por gostar que o poder local seja laranja, isso não pode reflectir-se naquilo que escrevo. Nunca fui dada a bajulações, nunca precisei de o fazer, talvez por isso as pessoas se espantem com a falta de demonstração de subserviência da minha parte.
As pessoas como eu têm outra característica: lá porque são amigas do coração de alguém da oposição, não significa que lhes façam favores. Até porque não seria amiga de quem me pede favores... mas eu compreendo - julgamos os outros por aquilo que somos, não é?

Compreendo. Mas não tolero. Não suporto que questionem a minha conduta profissional por portas travessas. Não tenho pachorra para jogos de bastidores e tendo a ficar com ganas de dar razão a quem aponta o dedo, esquecendo os três que tem virados para si mesmo.

Além da estupefacção, de não conseguir imaginar o que leva alguém a vomitar a sua verborreia directamente aos ouvidos de uma pessoa que me é muitíssimo próxima - principalmente quando esse alguém me conhece e poderia esclarecer as suas dúvidas directamente comigo, atitude que seria bem mais nobre e respeitosa - fica a sensação de não saber ainda exactamente o que fazer. Estas coisas irritam-me, não pela fraqueza do ataque, mas pela falta de tomates, estão a ver? E quando me irritam, apetece-me fazer pior.

Vou ali pensar no assunto.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Quanto a essas tretas das leis do tabaco...

...e a todas as pessoas chatas, preocupadíssimas com a merda dos cigarros dos outros, só tenho a dizer que nunca vi nenhum pai de família entrar em casa, desatar aos pontapés às portas e aos murros às paredes e bater na mulher e nos filhos, porque fumou um maço inteiro.

Boa semana, meus amores!


sexta-feira, 21 de março de 2014

Bom fim-de-semana!

Amanda Seyfried
"O amor é como a criança: deseja tudo o que vê."
William Shakespeare

quinta-feira, 20 de março de 2014

Printemps.






Diz que os dias ficam maiores
Que as alergias ficam piores
Que até os passarinhos se deixam apaixonar
E que as flores começam a brotar.

Eu cá prefiro o Verão, mas isto já não é mau.

das coisas que vou vendo

Kate Moss
Quando não é por dinheiro, foi uma traição - ou várias e a descoberta de uma delas - que levou o casamento ao fim. Divórcios há muitos, casais e pessoas também, mas há uma conduta que revejo em todas as situações do género. Somos todos humanos e há aspectos inerentes a esta condição de se ser. Independentemente do que o homem tenha feito (ou deixado de fazer) para tornar a esposa numa mulher insatisfeita com o seu matrimónio, a verdade é que elas se tornam nas megeras com uma facilidade impressionante. Conheci muito poucas capazes da proeza de contornar o estereótipo da ex malévola, uma vez que a maioria se deixa levar pela amargura e cede à resposta torta, à resmunguice constante e ao azedume de não se privar da inconveniência, apontando defeitos sem conta, como num bombardeamento sem regra em que o que conta é atingir o outro. Tudo no marido passa a ser mau, como se não conhecessem a pessoa com quem se casaram: é um irresponsável porque se atrasou dez minutos no banho no dia em que há almoço em casa dos sogros, é um porco porque não limpou as migalhas do sofá, um desarrumado porque atirou o casaco para uma cadeira da sala de jantar, um desleixado porque ainda não arranjou aquela prateleira caída, um forreta porque não compra um presente há séculos, um mal criado porque retorquiu quando o chamaram à atenção porque não baixou a tampa da retrete, um inconsequente porque gastou dinheiro dele, ganho por ele, com o trabalho dele, numa compra com que não concordaram, um preguiçoso porque quer descansar. O fosso abre-se e eles já só vêem nelas as chatas, sempre trombudas, que não se divertem como antes e que não valorizam tudo o que são ou fazem: elas queixam-se do excesso de tempo que dedicam ao trabalho, em vez de apreciar o espírito de sacrifício do pai de família, que às tantas já usa o emprego como desculpa e abdica de um serão caseiro só para não ter que ir para casa aturar o mau feitio dela. O triste é que na maior parte das vezes, a cratera entre os dois torna-se num abismo colossal, humanamente impossível de ultrapassar quando se chega ao ponto em que o que sobrou do romance foram cinzas.
Depois de reconhecida a impossibilidade de levar avante uma união em que a palavra perdeu o sentido, desfazem-se os laços. Abre-se mão de um futuro com aquele parceiro, até aparecer outro que engane tão bem ou melhor que o primeiro. E para esse, a mulher será tão ou mais interessante que da última vez. E depois é ter fé para que o jogo não se repita, para que ela não encarne outra vez a bruxa malvada e para que ele não se torne no ex.

quarta-feira, 19 de março de 2014

19 de Março

Olsen Twins
Não devia ser Dia do Pai. Deveria ser Dia do Bom Pai. Assim, só os pais como o meu poderiam receber os mimos das filhas mimadas e dos filhos que têm no progenitor o seu herói. O meu pai é o melhor do planeta, mas mesmo, desses que fala pouco e mostra muito, mas que se topa a léguas quando se comove com as demonstrações de afecto das filhas. Acho que tanto eu como a Mana Lamparina vamos ser para sempre daddy's girls, dessas que mesmo aos 40 anos sabem que se precisarem, podem ligar ao papá - ele salva.
Chama-se Carlos e é uma enciclopédia feita gente. Sempre foi a minha rede de segurança, a pessoa que sendo humana e falível, me permite pensar em altos vôos porque se não me segurar antes de cair, pelo menos amortece a minha queda. Se decidi seguir este sonho parvo de escrever para ganhar a vida (oh inconsciência!), foi porque vi nele o exemplo de quem é feliz com a sua profissão. Ele é médico veterinário porque gosta e não porque dá dinheiro. «Encontra um trabalho que seja um passatempo», dizia ele. Assim fiz. Agora não se venha queixar. Este texto está aparentemente non sense, mas faz todo o sentido. Sabem porquê? Primeiro, porque estou em fecho de edição e os raciocínios já não se articulam com coerência. Segundo, porque pretende traduzir em caracteres o género de conversa do meu pai. Ele é assim. E gosta de cozinhar. E cozinha lindamente. Logo podíamos ir jantar a qualquer sítio diferente. Sabem como é, desde que o Homem descobriu o fogo, a confecção de alimentos tornou-se essencial. Mas ainda comemos coisas cruas. Como o sushi. Sabiam que a civilização nipónica...

Pai, não te zangues, isto é só porque te adoro. Feliz dia!

segunda-feira, 17 de março de 2014

da fraqueza que é ceder

Porque é assim, diz ela enquanto fita o vizinho a regar as flores do canteiro, queixo apoiado na mão direita e semblante de menina que finge ser crescida. As coisas são como são. As estrelas não caem do céu, a comida não se faz sozinha e os passos levam-nos sempre a algum lado, continua. A divagação parece absurda, tão absurda quanto o momento que vive. As flores devem ser regadas à noite, sabias? Olha o viúvo que vive alguns andares abaixo, numa modesta vivenda à frente da sua casa, e continua: Não gosto de mim quando estou apaixonada. Não gosto. Por isso é que não me quero apaixonar. A brisa quente trouxe-lhe a reminiscência do calor que o outro corpo emanava, junto ao seu, quando se sentia embalar pela doce sonolência de quem está bem onde está. Acariciava-lhe os pêlos do peito, absorvia o cheiro bom da sua pele e assim trazia em si um pouco dele. Não é só medo nem é frieza da minha parte. É a certeza de que não posso nem quero voltar àquele estado em que te expões à vulnerabilidade, em que te tornas frágil. No fundo, é uma entrega sem pára-quedas, em que a viagem deixa saudades, mas a queda marca-te com cicatrizes muito feias. Passa um gato que mia, ouvem-se passos e dobra a esquina um casal de mãos dadas que ri. Não é para mim, aquilo. Não é para mim essa doçura enjoativa. Não quero voltar a ser a mulher exemplar, que cumpre os papéis de mãe, amiga, esposa, cozinheira, massagista, irmã, companheira, confidente, consultora de imagem, assistente, namorada. Não posso voltar a ser aquela pessoa dedicada, altruísta e que dá amor sem pedir quase nada em troca. O mundo é dos fortes.