Não foi há muito tempo que me perguntaram duas vezes no mesmo dia quão difícil era ser jornalista num meio pequeno. Tem o seu quê de complicado, respondo sempre. Mas há dias em que complicado é um eufemismo.
Ser jornalista numa terra do tamanho de uma ervilha com habitantes que se acham do tamanho do Golias é mais que complicado. Ser jornalista na imprensa regional e neste concelho em particular torna-se um desafio diário porque nos dão mais importância do que aquela que na realidade temos. Acham-nos mais importantes do que realmente somos. Fazem jogos de bastidores para clamar por uma atenção que não tiveram. Tentam acusar-nos do que não tem nada a ver connosco.
Sempre tive uma tendência política, sempre apoiei uma determinada ideologia. É sabido. É público. É verdade. Nunca o escondi. Fui jotinha e gostei. Sou mais chegada à direita, e então? A social-democracia diz-me mais, so what? Esse facto nunca fez com que não me desse bem com pessoas de outras facções. Sou afilhada de uma comunista, tenho pais convictos - cada um para seu lado - mas que nunca se filiaram num partido e que votam sempre em consciência, tenho grandes amigos de esquerda e grandes amigos de direita. As diferenças ideológicas não chegam para que discrimine. Sou assim. Estranha.
Outra coisa estranha em mim é esta mania de separar a minha vida profissional da pessoal. Há quem viva para o trabalho, quem seja escravo da profissão. Feliz ou infelizmente, sou dessas que tem uma vida própria, com problemas (demasiados), preocupações, dramas, dores, alegrias (imensas), pessoas de quem cuidar, casa para arrumar, refeições para preparar, unhas para pintar. Sou assim, uma miúda ocupada que não deixa de viver por causa do emprego que adora. Chamo-lhe equilíbrio. Gosto disso.
Esta necessidade de separar as águas só pode ser compreendida por quem faça o mesmo. As pessoas como eu são dotadas de discernimento, sabem o que é ética e por isso mesmo, conseguem ter sempre em mente que lá por terem sido jotas, isso não pode interferir na produção noticiosa. Lá por gostar que o poder local seja laranja, isso não pode reflectir-se naquilo que escrevo. Nunca fui dada a bajulações, nunca precisei de o fazer, talvez por isso as pessoas se espantem com a falta de demonstração de subserviência da minha parte.
As pessoas como eu têm outra característica: lá porque são amigas do coração de alguém da oposição, não significa que lhes façam favores. Até porque não seria amiga de quem me pede favores... mas eu compreendo - julgamos os outros por aquilo que somos, não é?
Compreendo. Mas não tolero. Não suporto que questionem a minha conduta profissional por portas travessas. Não tenho pachorra para jogos de bastidores e tendo a ficar com ganas de dar razão a quem aponta o dedo, esquecendo os três que tem virados para si mesmo.
Além da estupefacção, de não conseguir imaginar o que leva alguém a vomitar a sua verborreia directamente aos ouvidos de uma pessoa que me é muitíssimo próxima - principalmente quando esse alguém me conhece e poderia esclarecer as suas dúvidas directamente comigo, atitude que seria bem mais nobre e respeitosa - fica a sensação de não saber ainda exactamente o que fazer. Estas coisas irritam-me, não pela fraqueza do ataque, mas pela falta de tomates, estão a ver? E quando me irritam, apetece-me fazer pior.
Vou ali pensar no assunto.
terça-feira, 25 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Quanto a essas tretas das leis do tabaco...
...e a todas as pessoas chatas, preocupadíssimas com a merda dos cigarros dos outros, só tenho a dizer que nunca vi nenhum pai de família entrar em casa, desatar aos pontapés às portas e aos murros às paredes e bater na mulher e nos filhos, porque fumou um maço inteiro.
sexta-feira, 21 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
Printemps.
Diz que os dias ficam maiores
Que as alergias ficam piores
Que até os passarinhos se deixam apaixonar
E que as flores começam a brotar.
Eu cá prefiro o Verão, mas isto já não é mau.
das coisas que vou vendo
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| Kate Moss |
Depois de reconhecida a impossibilidade de levar avante uma união em que a palavra perdeu o sentido, desfazem-se os laços. Abre-se mão de um futuro com aquele parceiro, até aparecer outro que engane tão bem ou melhor que o primeiro. E para esse, a mulher será tão ou mais interessante que da última vez. E depois é ter fé para que o jogo não se repita, para que ela não encarne outra vez a bruxa malvada e para que ele não se torne no ex.
quarta-feira, 19 de março de 2014
19 de Março
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| Olsen Twins |
Chama-se Carlos e é uma enciclopédia feita gente. Sempre foi a minha rede de segurança, a pessoa que sendo humana e falível, me permite pensar em altos vôos porque se não me segurar antes de cair, pelo menos amortece a minha queda. Se decidi seguir este sonho parvo de escrever para ganhar a vida (oh inconsciência!), foi porque vi nele o exemplo de quem é feliz com a sua profissão. Ele é médico veterinário porque gosta e não porque dá dinheiro. «Encontra um trabalho que seja um passatempo», dizia ele. Assim fiz. Agora não se venha queixar. Este texto está aparentemente non sense, mas faz todo o sentido. Sabem porquê? Primeiro, porque estou em fecho de edição e os raciocínios já não se articulam com coerência. Segundo, porque pretende traduzir em caracteres o género de conversa do meu pai. Ele é assim. E gosta de cozinhar. E cozinha lindamente. Logo podíamos ir jantar a qualquer sítio diferente. Sabem como é, desde que o Homem descobriu o fogo, a confecção de alimentos tornou-se essencial. Mas ainda comemos coisas cruas. Como o sushi. Sabiam que a civilização nipónica...
Pai, não te zangues, isto é só porque te adoro. Feliz dia!
terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
da fraqueza que é ceder
Porque é assim, diz ela enquanto fita o vizinho a regar as flores do canteiro, queixo apoiado na mão direita e semblante de menina que finge ser crescida. As coisas são como são. As estrelas não caem do céu, a comida não se faz sozinha e os passos levam-nos sempre a algum lado, continua. A divagação parece absurda, tão absurda quanto o momento que vive. As flores devem ser regadas à noite, sabias? Olha o viúvo que vive alguns andares abaixo, numa modesta vivenda à frente da sua casa, e continua: Não gosto de mim quando estou apaixonada. Não gosto. Por isso é que não me quero apaixonar. A brisa quente trouxe-lhe a reminiscência do calor que o outro corpo emanava, junto ao seu, quando se sentia embalar pela doce sonolência de quem está bem onde está. Acariciava-lhe os pêlos do peito, absorvia o cheiro bom da sua pele e assim trazia em si um pouco dele. Não é só medo nem é frieza da minha parte. É a certeza de que não posso nem quero voltar àquele estado em que te expões à vulnerabilidade, em que te tornas frágil. No fundo, é uma entrega sem pára-quedas, em que a viagem deixa saudades, mas a queda marca-te com cicatrizes muito feias. Passa um gato que mia, ouvem-se passos e dobra a esquina um casal de mãos dadas que ri. Não é para mim, aquilo. Não é para mim essa doçura enjoativa. Não quero voltar a ser a mulher exemplar, que cumpre os papéis de mãe, amiga, esposa, cozinheira, massagista, irmã, companheira, confidente, consultora de imagem, assistente, namorada. Não posso voltar a ser aquela pessoa dedicada, altruísta e que dá amor sem pedir quase nada em troca. O mundo é dos fortes.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Bom fim-de-semana!
quinta-feira, 13 de março de 2014
Ai.
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| Gisele |
Podia não ser nada. Podia não ter sido nada. Passamos uns pelos outros grunhindo um 'bom dia' qualquer, sem saber quem está por dentro do corpo. Somos todos mundos, somos todos almas e somos todos surpresas. Uns mais que outros, claro. Umas boas, outras más. Algumas, mais raras, excepcionais. Mas todos únicos, cheios de nuances e particularidades, com qualidades e defeitos, com virtudes admiráveis e um lado obscuro por desvendar. E depois de nos conhecermos, nunca mais nos veremos da mesma maneira.
quarta-feira, 12 de março de 2014
como lâminas de vidro
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| Leighton Meester |
Quem me conhece sabe sempre se estou feliz ou embebida pela amargura da tristeza que só o irremediável traz. Se gosto de estar num sítio ou não. Se me estou a divertir ou a ser possuída pelo tédio. Se simpatizo com uma pessoa ou não. Se estou irritada ou não. Se estou nervosa. Se estou ansiosa. Como sou extremamente impaciente, é fácil que me vejam farta de alguma coisa - de esperar, de estar, de ouvir.
Sou transparente, tudo se nota em mim, ainda que tente disfarçar com o porte altivo e a postura blasé que também me caracterizam. Não tenho jeito para mentir, mas sou mestre na omissão. E então há alguém que me pergunta, no meio de uma noite que tinha tudo para esconder aquilo que não digo, porque estava tão misteriosa.
Sou transparente.
terça-feira, 11 de março de 2014
Confiar
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| Anja Rubik |
segunda-feira, 10 de março de 2014
dos Defeitos.
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| Brigitte Bardot |
Tenho tantos.
Quando me perguntam quais são os piores, nunca sei o que dizer. Talvez porque alguns possam ser qualidades, consoante o contexto. Talvez a timidez me cale. Talvez não goste de mostrar o meu lado lunar. Mas ainda que me safe da revelação, a pergunta fica a ecoar cá dentro e as respostas surgem quando não consigo dormir e as estrelas me prendem o olhar. Assim de repente, de um modo superficial, encontrei uma dúzia de características que me irritam em mim.
#1 - Vaidade
Sou vaidosa, não gosto de sair de casa sem o cabelo impecável e a manicura intacta. Mesmo que seja apenas para ir ao supermercado, preciso de um toque de maquilhagem. Na verdade, isto só é um defeito porque se reflecte em atrasos constantes.
#2 - Irascibilidade
Sou irascível, irrito-me com facilidade se exposta à burrice crónica, à labreguice desmedida ou à pretensão. São coisas para as quais não tenho pachorra, o que não significa que faça cenas. Limito-me ao brusco afastamento da situação ou da pessoa que me provoca náuseas e ponto final.
#3 - Romantismo
Muita romântica. Adoro o amor, já houve quem dissesse que essa era a minha droga. Fico feliz com flores, olhares e muita lamechice. É uma merda
#4 - Seriedade
Não me levo demasiado a sério, divirto-me imenso, mas às vezes sou demasiado séria, o que me torna um pouco intolerante à leviandade. Não consigo conceber uma existência sem a prática do bom carácter, dos princípios vincados, dos valores mais profundos e do discernimento apurado.
#5 - Complexidade
Tendo a complicar, ou seja: não chateio ninguém, mas penso demasiado em tudo. Meço todas as consequências dos meus actos para que, ao ser acusada de irresponsabilidade, possa justificá-la: fiz porque quis e não por não imaginar o que daí adviria. Não gosto de ser apanhada desprevenida.
#6 - Desconfiança
Não confio em ninguém a cem por cento. Não sou capaz. Preciso de provas constantes.
#7 - Assertividade
Sou de tal modo veemente que roço a agressividade. Não é por mal, só não sei manifestar ideias ou raciocínios sem convicção.
#8 - Preocupação
Não é comigo que me preocupo; é com os outros. Os que são importantes para mim. E estando de fora, tenho uma posição privilegiada, que me permite ver e saber o que é melhor para eles. Conclusão: acabo por ser chata, porque dou opiniões que nem sempre são agradáveis ao ouvido e quando não as aceitam, fico pior que estragada - não por não ter sido útil, mas pela sensação de impotência, já que não posso fazer nada para evitar que se magoem. O pior? Mais dia, menos dia, dão-me razão.
#9 - Aspiração
Sonhadora por natureza, não me chega o aqui e agora, por melhor que seja, por mais grata que me sinta por tudo o que tenho e vivo. Há sempre mais e melhor à minha espera.
#10 - Autoritarismo
Sou uma excelente líder, adoro mandar e acho que tenho sempre razão, porque na verdade, se não tiver certezas, não faço nem digo. Se estou a concretizar ou a afirmar alguma coisa, é porque sei. E se sei, está sabido, tenho razão. Se não souber, pergunto, não faço nem digo. Estamos entendidos?
#11 - Exigência
Não peço mais do que sou capaz de dar. O problema é que sou capaz de dar muito, mais do que a maioria das pessoas. Talvez por isso seja tão exigente.
#12 - Melindrabilidade
Quem não se sente, não é filho de boa gente. Não é qualquer um que tem a capacidade de me magoar, mas todos aqueles que deixei entrar no meu coração podem fazê-lo sem querer. Quando gosto, tenho altas expectativas quanto ao comportamento do outro e nem sempre sou rápida a compreender que somos todos diferentes no trato e na demonstração de afecto.
sexta-feira, 7 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
pouco
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| Marisa Miller |
Não ter sossego faz disto. É esta agitação constante, um ritmo frenético que não me é natural, taquicardia. Não ter tempo para o cansaço, ter sempre as mãos geladas e o cérebro a mil. É como se andasse sempre a correr e não pudesse parar para pensar nos passos que se atropelam. Não querer saber sabe bem.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
London calling.
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| Olivia Palermo |
Vou amanhã e quando marquei a viagem, não poderia imaginar que precisaria tanto de me afastar da minha vida. De me reposicionar. De me reequilibrar. De me esquecer do que não vale a pena. Preciso de me centrar e vou para terras de Sua Majestade tentar fazê-lo. Vou passear. Vou andar, perder-me por ruas que não conheço, que aqui já está tudo visto. Ver rostos que nunca vi, que já não há cá nada de novo. Ver o céu de outro ponto do planeta, que daqui as estrelas estão sempre no mesmo sítio. Vou respirar.
E quando voltar, ainda que esteja tudo na mesma, como se nada se movimentasse por estes lados, pelo menos eu vou estar em mim. No sítio certo de mim.
Quem quiser acompanhar-me, pode sempre Instaseguir-me.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Dos saltos altos dela.
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| Barbara Palvin |
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O amor faz-se.
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| Megan Fox |
Pior que amar, é ser correspondido. São duas dores, dois destinos, dois fados. Dois seres obrigados a viver com a certeza de que existe ali algo que por mais que arda, não se consome. E depois é preciso coragem. É preciso dar as mãos e saltar. E cá entre nós, ainda não conheci ninguém que me surpreendesse por ser realmente corajoso.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Das dores que fazem bem
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| Toni Garrn |
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Bom fim-de-semana!
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
London calling. Colin.
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| Evan Rachel Wood |
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
O pior cego é aquele que não quer ver
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| Barbara Palvin |
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
...detesto.
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| Lily Cole |
«Oh, nunca te vejo, não me convidas para um café...»
«Olha, vê lá se te lembras de me ligar!»
«Fogo, estás viva? Nem uma mensagem!»
«Não tens saudades minhas, se tivesses, telefonavas.»
Ah e tal, se fosses à merdinha? Não tens o meu número, queres ver?
É que não há pachorra para esta gente que morre de saudades nossas, que sente a nossa falta, que não pode viver sem nós, mas que não mexe os dedinhos para enviar uma mensagem e ainda cobra atenção.
Não volto a sentir que estou em falta com alguém. Querem ouvir a minha voz? Façam por isso.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A propósito do 14 de Fevereiro...
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| Drew Barrymore |
Já não encontro em mim essa ingenuidade que permite a pureza da entrega total, inteira e inconsequente. Os anos tornam-nos exigentes, dotam-nos de um cinismo incontornável e a experiência ensina-nos a fazer uso de escudos e de muralhas para nos protegermos. É como se não houvesse tanto altruísmo nem tanta coragem e inconsciência para que nos atiremos, livres, respondendo ao sedutor apelo do abismo. Amei-o mais que a mim mesma numa relação tão doce como louca e violenta, tão áspera como aconchegante. Há quem passe a vida inteira à procura de algo assim. Há quem desapareça do planeta sem ter vivido algo assim.
Jantámos o nosso bife preferido no restaurante onde mais gostávamos de ir. Eu a princesa, ele o homem dos meus sonhos, alto, lindo e másculo. O meu Mr. Big, estão a ver? Nesse dia 14 de Fevereiro de há mais de dez anos, achei-o mais bonito do que sempre achara. Estava mesmo lindo, todo homenzinho, muito aprumado, o cabelo impecavelmente cortado, o blazer e o mocassin. Conversávamos imenso, ríamos ainda mais. E os olhares eram tão intensos que quando me tocava na mão podia senti-lo acariciar-me a alma. É que o tempo passava a correr quando estávamos juntos. Nessa noite, levou-me a Coimbra para tomar café. Podia apostar que a caminho ouvimos Wonderful Tonight, pelo Eric Clapton. Lembro-me como se tivesse sido ontem: fomos às Galerias, em Santa Clara, lugar que ainda tenho como especial. Claro que celebrámos o Dia de S. Valentim com os habituais presentes: ofereci-lhe um livro que sabia que ele queria - O Homem Que Mordeu o Cão, com CD ou DVD, já não me recordo... Por sua vez, ele ofereceu-me uma almofada vermelha, com um coração, só para me assustar. Depois estendeu-me flores e um embrulho - uns brincos que adorei e que guardo com carinho. Sabem, o importante não foram os presentes que trocámos, mas o facto de termos pensado no que o outro gostaria de receber. E de repente, estou a escrever-vos com um sorriso tão nostálgico que devia ir dizer-lhe o quanto me fez feliz, o quanto ainda me sinto feliz com a ternura do que vivemos.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
E não era sexta-feira 13.
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| Lana Del Rey |
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Stromae, o Maestro
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| Candice Swanepoel |
Se não fosse a Mana Lamparina não o conheceria tão bem, já que ela acabou por se interessar pelo jovem belga, que nasceu no meu ano. Chama-se Paul Van Haver e é um génio. Passo a explicar: o que ele faz é simples, não é erudito nem dotado de uma complexidade evidente para o transformar num artista de elites, mas reconheço ali densidade e todo o trabalho é muito bem pensado, o que me parece ter mérito.
Tudo isto que vos digo pode ser condensado numa explicação como a seguinte: Filho de pai ruandense e de mãe belga, teve contacto com o pai apenas por três vezes... e para perceber a influência de todos estes factores naquilo que faz, basta estar atento a vídeos como o Papaoutai. Outro que me choca pelo encadeamento perfeito é este, em que a música ficou claramente a ganhar com o vídeo. Fiquei ansiosa para vê-lo ao vivo depois da Mana me ter mostrado esta actuação, que só pode ser compreendida depois de vistos os vídeos das músicas interpretadas - até nisto ele é exemplar.
Até aqui, só coisas boas: um artista de corpo e alma, com um corpo tão alto como fininho, que só não passa a estrela mundial ao nível de um Mika no seu auge (escolha de exemplo totalmente random) por cantar em francês. Mas há melhor. Os mais atentos sabem quão especial é para mim a Cesária. Então não preciso de dizer mais nada, pois não? Adorei.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Pessoas
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| Nicole Ritchie |
Gosto de me surpreender com os maneirismos próprios de cada um, com o fio condutor dos seus pensamentos, de perceber o que os faz agir desta ou daquela maneira. Gosto do olhar, da voz, do timbre infantil quando há sorriso ou da gravidade no tom quando o assunto é sério. Gosto de observar o todo que faz de um ser único. Os tiques, a perna que não pára de mexer debaixo da mesa, os dedos que não largam a asa da chávena de chá. Coisas superficiais como o cabelo. Coisas profundas como a dor. Gosto de conhecer pessoas centradas, sérias, equilibradas. Pessoas à antiga, que levam as relações a sério. Pessoas à frente, com horizontes alargados. Pessoas.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Dramas femininos.
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| Natasha Poly |
Finalizado o rosto, acabo de me vestir, calço-me e sigo caminho.
Quando regresso, sempre a mesma treta: desmaquilhante de olhos no disco de algodão, toalhitas, lavar o rosto, tonificar, hidratar, aplicar mais um ou outro creme e pensar que não valia a pena ter-me sujado tanto.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Parabéns, Pombal Jornal!
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| Brigitte Bardot |
Deixo-vos a versão alargada do texto que publiquei:
É
um privilégio escrever-vos na primeira pessoa, tal como é uma honra
trazer-vos para as páginas deste jornal aquilo que vivo. Como me
dizem tantas vezes, a minha profissão é contar histórias. Mais que
isso, a minha profissão é viver aprendendo, todos os dias. Aprendo
com uma ida a uma festa de aldeia em que alguém tem paciência para
me contar dos costumes centenários. Aprendo com os artigos de fundo
em que me é permitida uma liberdade ímpar, com a generosidade do
povo pombalense, daqueles que não querem aparecer mas que movem
montanhas para proporcionar uma habitação digna ao vizinho que
atravessa um momento difícil. Aprendo com a simplicidade tão
comovente como humilde daqueles que se sentem gratos por ter um
jornal que é mais de quem o lê do que de quem o faz. Aprendo com os
emigrantes que aproveitam a vinda à terra para renovar a assinatura
- sempre é uma maneira de matar saudades. E aprendo todos os dias
com a elevação de quem não se deixa abater, por mais fortes que
soprem os ventos, e segue ao leme deste barco sem perder tempo com o
que não interessa.
Sem
que me apercebesse, passou um ano. Foi um início difícil, um
arranque trabalhoso, em que se destacou a vontade de um homem tão
louco como corajoso. Foi ele que nos arrastou até aqui. E mesmo
tendo sido apenas há um ano, aconteceram tantas coisas que me é
impossível olhar para trás e não me comover.
Contra
todos os que não fazendo melhor, não se coibiram de apontar o dedo,
contra todos os rumores fomentados por quem não tinha certamente
nada nem ninguém por quem zelar, firmámo-nos. E com um certo
estilo, deixem-me que vos diga. Nada seria possível sem a ajuda dos
nossos leitores e anunciantes, dos que confiaram em nós ainda antes
de verem o produto final materializado.
Um
ano, 25 edições, três sedes diferentes. Hoje somos uma equipa que
se desenrasca com os meios que tem à mão para dar informação. Sem
alarmismos nem dramas à la esquerda, sem lambe-botice à direita que
está no poder, mas com isenção e seriedade. Não fazemos favores
nem oferecemos propaganda e acima de tudo, lembramo-nos de quem são
os nossos leitores.
Comecei
apenas com o intuito de ajudar, mas não demorou muito até que
vestisse a camisola e me orgulhasse do trabalho feito, em conjunto, a
cada edição. Se por um lado a imprensa regional não é novidade
para mim, que me estreei nestas andanças por volta de 2009, por
outro, sou diferente da menina que começou por trabalhar à peça no
já extinto O Correio de Pombal. A experiência traz segurança e a
formação académica acaba por justificá-la. E se ali trabalhei com
uma equipa maravilhosa, agora trabalho num lugar onde o meu patrão e
a minha directora, que odeia que eu a chame de patroa, são pessoas
que tenho como amigos. O ambiente é muito bom quando trabalhamos com
pessoas de quem gostamos e não para um chulo qualquer.
O Pombal Jornal completa hoje um ano de existência e eu estou muito orgulhosa deste projecto. Nasceu de uma pessoa sozinha e hoje tem milhares de assinantes, mais de mil seguidores no facebook e inaugurou recentemente o seu site.
Parabéns,
Pombal Jornal. E parabéns, patrõezinhos.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Tenho tanto trabalho
que a única rede social em que vou dando sinais de vida, é no Insta. Ele são duas reportagens de fundo, 120 minutos de áudio para converter manualmente para texto, um trabalho para o Especial Dia dos Namorados, outro para o Especial Aniversário que o jornal comemora um ano de vida, dois artigos e mais qualquer coisa que agora não me ocorre. Se não der sinais de vida até Quinta-feira, é normal. Devo estar a dormir, sei lá... é coisa que não tenho feito nos últimos dias.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Como nos filmes.
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| Candice Swanepoel |
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
O gato comeu.
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| Fanning Sisters |
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Quem são vocês, Nuno e Valéria?
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| Jessica Alba |
Farto-me rir com o conteúdo das conversas ou das mensagens, mas também me farto de dizer que não há nenhum Nuno deste lado, que não conheço nenhuma Valéria. Não sou eu quem procuram. Não é comigo que querem falar. Já o fiz saber vezes demais, sempre em vão. A coisa continua. A história prossegue. Temo que seja assim para sempre. E juro que tenho curiosidade: quem serão estas pessoas que tiveram o meu número, em tempos? Ou será que o nosso número é apenas parecido e confunde o povo? Quem são vocês, Nuno e Valéria?
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
das tricas e tal.
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| Beyoncé |
As pessoas falam, inventam e dão asas à imaginação e eu vou passando. Confesso que até me divirto com esta coisa de terra pequena, assisto sorrindo à especulação «será que ela anda a trair o namorado?» enquanto saio à noite sozinha com o meu amigo gay. Não me interessa o que pensam nem o que dizem porque não tenho de me explicar e porque quem realmente importa sabe a verdade. O resto é cocó, right? Ponto assente.
Esta postura que mantenho a nível pessoal também passa para a minha vida profissional. Aprendi que não devemos abrir precedentes ou passaremos a vida inteira a responder aos bitaites que as pessoas que andam de mal com a sua vida pequenina, frustradas e derrotadas vão mandando para o ar. Mas mesmo que não lhes dê espaço no meu dia-a-dia, alguém faz print - há sempre quem ache amoroso vir trazer as notícias mais irrelevantes do planeta a pessoas ocupadas como eu. E então rio-me para caramba porque redescubro - para mim é sempre novidade - que há, no entanto, algumas pessoas realmente criativas - e convencidas - nas coisinhas que inventam. Há cabecinhas a magicar coisas impressionantes. Como quando acreditam que a sua palavra tem um peso inegável e divulgam alterações que assumem ter sido feitas com base no que disseram. O mais engraçado é que algumas das alterações mencionadas não foram feitas... e as que realmente se deram, foram fruto de decisões que não foram baseadas numa opinião que nunca foi ouvida, lida ou tida em conta porque é apenas e só irrelevante.
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