quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dos saltos altos dela.

Barbara Palvin
Encontrei o blog por acaso, numa fase negra da minha vida, daquelas em que andamos com a cara encostada à lama do fundo do poço. Encontrei-a a ela também, a pessoa por detrás do blog. E se toda a blogosfera fosse má, valeria a pena por sua causa. Sabem aquelas pessoas de quem gostamos, a quem desejamos o melhor e a quem agradecemos profundamente por toda a paciência e generosidade? É ela. Não lhe escrevo longos e-mails há muito tempo, há tempo demais... mas o que interessa é que agora, ao que parece, tem uma novidade que agracia toda a gente. Basta que espreitem aqui.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O amor faz-se.

Megan Fox
O amor faz-se e não é de cama que estou a falar, que isto é um blog de respeito. O amor faz-se. Prova-se a ele mesmo nas atitudes que tomamos. Confirma-se pelas loucuras que fazemos. Mostra-se pela abnegação e revela-se no gesto. Materializa-se na renúncia. Amar não é algo estático. Não se sente e pronto. Não é uma palavra como «pedra», um simples substantivo dotado de significância exacta. É um verbo, implica acção. Ama-se continuadamente, como se respira. Ama-se sem ter necessidade de amar. Ama-se porque tem de ser. Como comer. Ama-se porque não se consegue bem-querer de outra forma. Ama-se sem escolha. Não escolhi amar. Se pudesse, se soubesse que consequências teria de suportar, escolhia nunca tê-lo sentido. Quando amamos de corpo e alma, somos acorrentados a alguém. Para sempre. Tenho para mim que amar é um destino, um fado. Um fardo que temos de suportar. Uma dor com que temos de aprender a atravessar os dias. Aprendemos a sorrir de coração apertado, a disfarçar as lágrimas com as gargalhadas. É tão quente, queima tanto, que aconchega. E sentimos que por mais que doa, a dor sabe bem. Não faz mal amar. Não faz mal que doa, é amor. Antes ser queimada por ele que corroída pelo ódio.
Pior que amar, é ser correspondido. São duas dores, dois destinos, dois fados. Dois seres obrigados a viver com a certeza de que existe ali algo que por mais que arda, não se consome. E depois é preciso coragem. É preciso dar as mãos e saltar. E cá entre nós, ainda não conheci ninguém que me surpreendesse por ser realmente corajoso.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Das dores que fazem bem

Toni Garrn 
É como se gostasse quando certas coisas me acontecem. Certas coisas fortes. Coisas que fariam sofrer qualquer mulher. Eu gosto, confesso. E não é masoquismo. É a certeza de que isso acontece para que me lembre de quem sou, do que quero, de onde venho e para onde vou. Quando me sinto fraca, então sou forte. E o mundo é dos fortes, certo? Então, sempre que algo me fere, me deixa gelada, com as mãos tão frias que mal as consigo mexer, com vómitos, os olhos húmidos, como se o sangue desaparecesse de dentro do meu corpo, lembro-me de mim. De como somos ilhas. Um de cada vez, solitários. Sós. E gosto dessa sensação. Gosto de saber que não dependo de ninguém e que ninguém depende de mim. Não há outro que possa viver a minha vida, sentir os meus sentimentos, vibrar com as minhas emoções. Não há quem imprima as minhas pegadas no caminho que é só meu. Gosto de me sentir senhora do meu nariz, sem fragilidades, sem vulnerabilidades. Só eu, com a minha personalidade bem vincada e o meu querer a guiar-me. Eu.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Bom fim-de-semana!

Julia Stegner
"A vida nem sempre é como queremos ou esperamos, mas às vezes o inesperado torna-se essencial."
Nayana Zambonin

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

London calling. Colin.

Evan Rachel Wood
Ao pensar em Londres, há quem pense nisto, naquilo ou simplesmente nos mais óbvios elementos. Eu não. Eu penso que posso querer ficar lá para sempre se vir "o" British Gentleman. Ele.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

achei giro.

O pior cego é aquele que não quer ver

Barbara Palvin
Quando todas as evidências apontam para um problema grave, quando tudo demonstra que há algo de errado, há quem prefira ignorar. Há famílias que convivem bem com o facto de fingirem que não notam a presença do elefante na sala. É-lhes mais fácil deixar que uma situação se arraste e se intensifique do que aceitar o confronto, o rebentar da bomba, encarar a explosão. Os danos causados pela descoberta daquilo que preferem não ver parecem piores do que o acumular dos segredos de que não querem saber. Quanto a mim, não gosto de camuflar realidades. Gosto de tudo claro, luminoso e nítido, sem desfoques. Gosto que não seja preciso ler nas entrelinhas. Gosto de transparências.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

...detesto.

Lily Cole
«Ah e tal, nunca mais te vi.»
«Oh, nunca te vejo, não me convidas para um café...»
«Olha, vê lá se te lembras de me ligar!»
«Fogo, estás viva? Nem uma mensagem!»
«Não tens saudades minhas, se tivesses, telefonavas.»

Ah e tal, se fosses à merdinha? Não tens o meu número, queres ver?

É que não há pachorra para esta gente que morre de saudades nossas, que sente a nossa falta, que não pode viver sem nós, mas que não mexe os dedinhos para enviar uma mensagem e ainda cobra atenção.

Não volto a sentir que estou em falta com alguém. Querem ouvir a minha voz? Façam por isso.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A propósito do 14 de Fevereiro...

Drew Barrymore
O mais marcante Dia dos Namorados que vivi foi o primeiro que passei com namorado. Óbvio. Perdoem-me todos os outros, mas o primeiro foi mágico e inesquecível. Eu, que sempre achei a data uma piroseira, adorei. Pela primeira vez, fazia sentido comemorá-la, já que não se resumia à recepção de inúmeras cartas e bilhetinhos anónimos na escola. Toda eu era felicidade. Cedi ao romantismo pegajoso, deixei-me levar pelo cliché e confesso, fui feliz. Tão feliz. Demasiado feliz. Insuportavelmente feliz. Choviam estrelinhas à minha volta, o coração não cabia dentro do peito, a cabeça estava nas nuvens e todo o meu corpo era electricidade. Tinha 15 ou 16 anos, ele 21 ou 22. Era O Amor da Minha Vida, aquele que tinha feito nascer em mim o sentimento mais arrebatador e apaixonante que uma adolescente pode experienciar. Foi um daqueles amores que vemos nos filmes, que são como os raios, fulminantes e certeiros: nunca caem duas vezes no mesmo sítio (até que caiam). Às vezes, só às vezes, há em mim uma certa pena por saber que nunca mais me vou sentir plenamente embebida nesse melaço viciante. Já não vou querer agradar, surpreender ou fazer de um homem o mais feliz do mundo. O meu maior sonho era casar. Mas casar com ele. Não era apenas na festa, no vestido ou na expressão dele à minha espera no altar que pensava. Era nas banalidades do quotidiano. Queria, depois de um dia de trabalho, abrir-lhe a porta de nossa casa, bonita e arranjada, dizer-lhe que fosse relaxar na banheira já preparada para o receber, enquanto terminava o jantar que tinha estado a fazer para os dois. Queria ser a esposa que o mimava, que o adormecia com massagens e festinhas no cabelo. Queria ser a mulher que fazia uns petiscos para que ele e os amigos vissem o jogo em nossa casa enquanto eu ia às compras com a minha irmã. Queria ser a mãe dos filhos dele, a nora dos pais dele, a cunhada da irmã dele. Queria tudo, a vida toda, ser a fonte de felicidade e o porto de abrigo, numa dádiva contínua, num amor à antiga, incondicional, foleiro e um pouco machista, convenhamos.
Já não encontro em mim essa ingenuidade que permite a pureza da entrega total, inteira e inconsequente. Os anos tornam-nos exigentes, dotam-nos de um cinismo incontornável e a experiência ensina-nos a fazer uso de escudos e de muralhas para nos protegermos. É como se não houvesse tanto altruísmo nem tanta coragem e inconsciência para que nos atiremos, livres, respondendo ao sedutor apelo do abismo. Amei-o mais que a mim mesma numa relação tão doce como louca e violenta, tão áspera como aconchegante. Há quem passe a vida inteira à procura de algo assim. Há quem desapareça do planeta sem ter vivido algo assim.
Jantámos o nosso bife preferido no restaurante onde mais gostávamos de ir. Eu a princesa, ele o homem dos meus sonhos, alto, lindo e másculo. O meu Mr. Big, estão a ver? Nesse dia 14 de Fevereiro de há mais de dez anos, achei-o mais bonito do que sempre achara. Estava mesmo lindo, todo homenzinho, muito aprumado, o cabelo impecavelmente cortado, o blazer e o mocassin. Conversávamos imenso, ríamos ainda mais. E os olhares eram tão intensos que quando me tocava na mão podia senti-lo acariciar-me a alma. É que o tempo passava a correr quando estávamos juntos. Nessa noite, levou-me a Coimbra para tomar café. Podia apostar que a caminho ouvimos Wonderful Tonight, pelo Eric Clapton. Lembro-me como se tivesse sido ontem: fomos às Galerias, em Santa Clara, lugar que ainda tenho como especial. Claro que celebrámos o Dia de S. Valentim com os habituais presentes: ofereci-lhe um livro que sabia que ele queria - O Homem Que Mordeu o Cão, com CD ou DVD, já não me recordo... Por sua vez, ele ofereceu-me uma almofada vermelha, com um coração, só para me assustar. Depois estendeu-me flores e um embrulho - uns brincos que adorei e que guardo com carinho. Sabem, o importante não foram os presentes que trocámos, mas o facto de termos pensado no que o outro gostaria de receber. E de repente, estou a escrever-vos com um sorriso tão nostálgico que devia ir dizer-lhe o quanto me fez feliz, o quanto ainda me sinto feliz com a ternura do que vivemos.

Bom fim-de-semana!

Beyoncé
"O amor é algo eterno; o aspecto pode mudar, mas não a essência."
Vincent Van Gogh 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E não era sexta-feira 13.

Lana Del Rey
O dia corria bem. Chovia a potes, o cabelo estava tão péssimo que mais valia apanhá-lo, o frio era tanto que atravessava as várias camadas de roupa que tentavam agasalhar o meu corpo carente de calor. Chovia de tal forma que decidi deixar o carro estacionado perto do meu local de trabalho, só para evitar andar a pé e à chuva toda uma absurda distância... é que esta cidade que me alberga é rica em estacionamentos pagos. E eu não gosto de pagar para deixar o carro na rua, que só por acaso, também é minha. Sou portuguesa, as ruas são espaços públicos, o carro é meu e eu deveria poder deixá-lo onde me apetecesse, desde que não obstruísse nenhuma via nem se tornasse num obstáculo para outros condutores ou peões. Mas não. Assim sendo, todos os dias é a mesma gaita - deixo o carro numa ponta da cidade para a atravessar a pé, só para não pôr moedinha no glutão do parquímetro. É que a rua onde trabalho fica numa zona de estacionamento proibido, inserida na mini zona histórica. A rua onde trabalho, apesar de ter sido submetida a um procedimento de regeneração urbana, continua feia que dói... mas a rua onde trabalho continua a ter espaço suficiente para que o meu carro não incomode ninguém e há que dizer: os senhores polícias não passam multas em dias de chuva, pelo que tenho aproveitado esta única vantagem que reconheci nestes dias horrorosos pouco solarengos. Estacionei a viatura de modo a que não perturbasse ninguém, deixei espaço livre para as entradas dos prédios ou lojas e fui trabalhar, coisa nobre. Passou cerca de uma hora até que o sol se decidisse a dar ares da sua graça. Daqui a nada, passa um senhor polícia, está-se mesmo a ver, pensei. Pouco tempo depois, lembrei-me de ir espreitar o carro. Bruxeee... pumbas! Multa. Fui logo pagá-la. Tau! Vinte euros. Sério? Antes não era nove e tal? Vinte euros? Vinte euros para o lixo? Podia ter sido uma mala da Primark, uma t-shirt da Zara, um colar da Parfois, mas não. Também não foi um jantarinho bom. Nem uma sabrina básica. Não. Foi deitar dinheiro para o lixo. Pois claro que fico chateada. E como se o dia estivesse a correr bem, ao chegar a casa projectei o meu rabo com toda a violência para cima do sofá. Por azar, os óculos estavam ali pousados. Parti-os. As duas hastes. Tenho que ir tirar o quebranto.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Stromae, o Maestro

Candice Swanepoel
Devem lembrar-se dele do tema Alors on Danse, que shame on me ainda ouço de cada vez que entro em Albufeira, toda eu sorrisos e alegria (o gajo tem piada, confiram aqui!).
Se não fosse a Mana Lamparina não o conheceria tão bem, já que ela acabou por se interessar pelo jovem belga, que nasceu no meu ano. Chama-se Paul Van Haver e é um génio. Passo a explicar: o que ele faz é simples, não é erudito nem dotado de uma complexidade evidente para o transformar num artista de elites, mas reconheço ali densidade e todo o trabalho é muito bem pensado, o que me parece ter mérito.
Tudo isto que vos digo pode ser condensado numa explicação como a seguinte: Filho de pai ruandense e de mãe belga, teve contacto com o pai apenas por três vezes... e para perceber a influência de todos estes factores naquilo que faz, basta estar atento a vídeos como o Papaoutai. Outro que me choca pelo encadeamento perfeito é este, em que a música ficou claramente a ganhar com o vídeo. Fiquei ansiosa para vê-lo ao vivo depois da Mana me ter mostrado esta actuação, que só pode ser compreendida depois de vistos os vídeos das músicas interpretadas - até nisto ele é exemplar.
Até aqui, só coisas boas: um artista de corpo e alma, com um corpo tão alto como fininho, que só não passa a estrela mundial ao nível de um Mika no seu auge (escolha de exemplo totalmente random) por cantar em francês. Mas há melhor. Os mais atentos sabem quão especial é para mim a Cesária. Então não preciso de dizer mais nada, pois não? Adorei.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pessoas

Nicole Ritchie
Gosto de conhecer pessoas. Por dentro, não para aumentar o número de amigos no facebook, mas para expandir o meu mundo, conhecendo outros. 
Gosto de me surpreender com os maneirismos próprios de cada um, com o fio condutor dos seus pensamentos, de perceber o que os faz agir desta ou daquela maneira. Gosto do olhar, da voz, do timbre infantil quando há sorriso ou da gravidade no tom quando o assunto é sério. Gosto de observar o todo que faz de um ser único. Os tiques, a perna que não pára de mexer debaixo da mesa, os dedos que não largam a asa da chávena de chá. Coisas superficiais como o cabelo. Coisas profundas como a dor. Gosto de conhecer pessoas centradas, sérias, equilibradas. Pessoas à antiga, que levam as relações a sério. Pessoas à frente, com horizontes alargados. Pessoas. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dramas femininos.

Natasha Poly
Começo por lavar o rosto e passar o tónico. Depois o creme de olhos e o hidratante. De seguida, o primer. A seguir, a base. O corrector. A sombra mais clara. O eyeliner. A sombra mais escura. Uma intermédia. O lápis. Pó. Bronzer. Blush. Máscara de pestanas. E mais qualquer coisinha na sobrancelha ou algo para disfarçar uma ou outra imperfeição.
Finalizado o rosto, acabo de me vestir, calço-me e sigo caminho.
Quando regresso, sempre a mesma treta: desmaquilhante de olhos no disco de algodão, toalhitas, lavar o rosto, tonificar, hidratar, aplicar mais um ou outro creme e pensar que não valia a pena ter-me sujado tanto.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Parabéns, Pombal Jornal!

Brigitte Bardot
Ontem, dia 6 de Fevereiro, comemorámos o primeiro aniversário do Pombal Jornal. Na 25ª edição, decidimos revelar um pouco mais acerca dos que estão do outro lado da linha. Como diz a minha editora (a melhor do mundo, claro está), «há quem figure em todas ou quase todas as edições do jornal - uns por mérito próprio, outros porque arrogam para si a certeza de que são detentores desse mérito... mas no dia em que comemoramos o primeiro aniversário, quisemos dar o merecido protagonismo a alguns daqueles que têm ajudado a escrever a - ainda que curta - história deste jornal. Desafiámos três colaboradores (duas jornalistas e a paginadora) a deixar de lado o papel que assumem todos os dias e a serem agora contadores de uma história bem diferente: a sua, num dia-a-dia entre risos e angústias, caracteres, entrevistas, reportagens, elaboração de anúncios, histórias muito ou pouco interessantes, lutas contra o relógio quando o muito por fazer parece que não acaba... Se vale a pena? Vamos ver o que nos contam!».

Deixo-vos a versão alargada do texto que publiquei:

É um privilégio escrever-vos na primeira pessoa, tal como é uma honra trazer-vos para as páginas deste jornal aquilo que vivo. Como me dizem tantas vezes, a minha profissão é contar histórias. Mais que isso, a minha profissão é viver aprendendo, todos os dias. Aprendo com uma ida a uma festa de aldeia em que alguém tem paciência para me contar dos costumes centenários. Aprendo com os artigos de fundo em que me é permitida uma liberdade ímpar, com a generosidade do povo pombalense, daqueles que não querem aparecer mas que movem montanhas para proporcionar uma habitação digna ao vizinho que atravessa um momento difícil. Aprendo com a simplicidade tão comovente como humilde daqueles que se sentem gratos por ter um jornal que é mais de quem o lê do que de quem o faz. Aprendo com os emigrantes que aproveitam a vinda à terra para renovar a assinatura - sempre é uma maneira de matar saudades. E aprendo todos os dias com a elevação de quem não se deixa abater, por mais fortes que soprem os ventos, e segue ao leme deste barco sem perder tempo com o que não interessa.

Sem que me apercebesse, passou um ano. Foi um início difícil, um arranque trabalhoso, em que se destacou a vontade de um homem tão louco como corajoso. Foi ele que nos arrastou até aqui. E mesmo tendo sido apenas há um ano, aconteceram tantas coisas que me é impossível olhar para trás e não me comover.
Contra todos os que não fazendo melhor, não se coibiram de apontar o dedo, contra todos os rumores fomentados por quem não tinha certamente nada nem ninguém por quem zelar, firmámo-nos. E com um certo estilo, deixem-me que vos diga. Nada seria possível sem a ajuda dos nossos leitores e anunciantes, dos que confiaram em nós ainda antes de verem o produto final materializado.
Um ano, 25 edições, três sedes diferentes. Hoje somos uma equipa que se desenrasca com os meios que tem à mão para dar informação. Sem alarmismos nem dramas à la esquerda, sem lambe-botice à direita que está no poder, mas com isenção e seriedade. Não fazemos favores nem oferecemos propaganda e acima de tudo, lembramo-nos de quem são os nossos leitores.

Comecei apenas com o intuito de ajudar, mas não demorou muito até que vestisse a camisola e me orgulhasse do trabalho feito, em conjunto, a cada edição. Se por um lado a imprensa regional não é novidade para mim, que me estreei nestas andanças por volta de 2009, por outro, sou diferente da menina que começou por trabalhar à peça no já extinto O Correio de Pombal. A experiência traz segurança e a formação académica acaba por justificá-la. E se ali trabalhei com uma equipa maravilhosa, agora trabalho num lugar onde o meu patrão e a minha directora, que odeia que eu a chame de patroa, são pessoas que tenho como amigos. O ambiente é muito bom quando trabalhamos com pessoas de quem gostamos e não para um chulo qualquer.

O Pombal Jornal completa hoje um ano de existência e eu estou muito orgulhosa deste projecto. Nasceu de uma pessoa sozinha e hoje tem milhares de assinantes, mais de mil seguidores no facebook e inaugurou recentemente o seu site.
Parabéns, Pombal Jornal. E parabéns, patrõezinhos.

Bom fim-de-semana!

Adriana Lima
"Escrever é um ócio muito trabalhoso."
Johan Wolfgang Von Goethe

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Tenho tanto trabalho

que a única rede social em que vou dando sinais de vida, é no Insta. Ele são duas reportagens de fundo, 120 minutos de áudio para converter manualmente para texto, um trabalho para o Especial Dia dos Namorados, outro para o Especial Aniversário que o jornal comemora um ano de vida, dois artigos e mais qualquer coisa que agora não me ocorre. Se não der sinais de vida até Quinta-feira, é normal. Devo estar a dormir, sei lá... é coisa que não tenho feito nos últimos dias.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Como nos filmes.

Candice Swanepoel
É um amor daqueles que nos leva a flutuar acima das nuvens cinzentas só para visitar o Sol. Conheceram-se jovens, frescos e imaturos. Conheceram-se. Almas e corpos. Um amor como os que preenchem as páginas dos mais românticos romances. Doloroso, dramático e fértil em momentos apaixonados daqueles que marcam a história do cinema e arrebatam o espírito de quem os vive. Como nos filmes, os protagonistas sofrem demasiado, choram demasiado, cedem ao facilitismo da impossibilidade demasiado cedo. Foram muitos obstáculos, muitas tempestades, muitas dores. Muitas pessoas. Muitas vidas. E odiaram-se, afastaram-se, mas voltavam sempre. Voltavam sempre. Um para o outro. São um do outro. O que os une é muito mais do que os separa. O que os une é maior que qualquer anel de noivado, qualquer papel assinado, qualquer distância. Não foi preciso fazer um pacto de sangue para que soubessem: estão ligados para o resto da vida. Para lá da vida.

Bom fim-de-semana!

Lara Stone
"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença."
Érico Veríssimo

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O gato comeu.

Fanning Sisters
O Balthazar, pois claro. A Mana Lamparina não pode deixar livros, cadernos e afins no hall de entrada. Ele faz de propósito: rasga, amachuca, brinca, caça, destrói. E a miúda depois chega à escola com a desculpa mais esfarrapada que se pode usar: «Stôra, o meu gato comeu o teste assinado». Quem diz o teste assinado, diz a autorização do encarregado de educação para a visita de estudo, a ficha para entregar resolvida no dia seguinte ou o trabalho que estava por encadernar!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quem são vocês, Nuno e Valéria?

Jessica Alba
Desde que tenho o meu número de telemóvel 91. Desde esse momento, tudo mudou. Estão sempre a ligar-me: perguntam pelo Nuno e pela Valéria, que têm um talho algures. E mandam mensagens a dizer coisas interessantes como «Já lixaste o Joaquim do talho do mercado!». Ao fim destes anos todos - sou a detentora do número desde o primeiro ano da faculdade, pelo menos - já sei imenso sobre esses dois. Até que tiveram um Peugeot azul.

Farto-me rir com o conteúdo das conversas ou das mensagens, mas também me farto de dizer que não há nenhum Nuno deste lado, que não conheço nenhuma Valéria. Não sou eu quem procuram. Não é comigo que querem falar. Já o fiz saber vezes demais, sempre em vão. A coisa continua. A história prossegue. Temo que seja assim para sempre. E juro que tenho curiosidade: quem serão estas pessoas que tiveram o meu número, em tempos? Ou será que o nosso número é apenas parecido e confunde o povo? Quem são vocês, Nuno e Valéria?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

das tricas e tal.

Beyoncé
Sim, eu sei que a minha vida é extremamente importante para pessoas cuja importância na minha vida corresponde a valores negativos. Só para verem, a quantidade de coisas que já inventaram a meu respeito passam por já ter prejudicado a vida profissional do meu pai com artigos que escrevi no extinto jornal onde trabalhei, inclusivamente. Lamento, não sou assim tão influente. Ainda não consigo destruir a carreira do meu progenitor shame on me.
As pessoas falam, inventam e dão asas à imaginação e eu vou passando. Confesso que até me divirto com esta coisa de terra pequena, assisto sorrindo à especulação «será que ela anda a trair o namorado?» enquanto saio à noite sozinha com o meu amigo gay. Não me interessa o que pensam nem o que dizem porque não tenho de me explicar e porque quem realmente importa sabe a verdade. O resto é cocó, right? Ponto assente.
Esta postura que mantenho a nível pessoal também passa para a minha vida profissional. Aprendi que não devemos abrir precedentes ou passaremos a vida inteira a responder aos bitaites que as pessoas que andam de mal com a sua vida pequenina, frustradas e derrotadas vão mandando para o ar. Mas mesmo que não lhes dê espaço no meu dia-a-dia, alguém faz print - há sempre quem ache amoroso vir trazer as notícias mais irrelevantes do planeta a pessoas ocupadas como eu. E então rio-me para caramba porque redescubro - para mim é sempre novidade - que há, no entanto, algumas pessoas realmente criativas - e convencidas - nas coisinhas que inventam. Há cabecinhas a magicar coisas impressionantes. Como quando acreditam que a sua palavra tem um peso inegável e divulgam alterações que assumem ter sido feitas com base no que disseram. O mais engraçado é que algumas das alterações mencionadas não foram feitas... e as que realmente se deram, foram fruto de decisões que não foram baseadas numa opinião que nunca foi ouvida, lida ou tida em conta porque é apenas e só irrelevante.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Separar o trigo do joio

Não tenho por hábito manifestar posições pessoais em público. Não gosto de comentar assuntos demasiado sérios fora da esfera íntima. Sabem como é, todos temos uma opinião (melhor ou pior fundamentada, mais ou menos pessoal) em relação a tudo. Todos achamos qualquer coisa. Muitos, na verdade, não acham nada e limitam-se a reunir pensamentos alheios para depois os debitar, simulando uma cultura que com a experiência dos anos acabamos por perceber que é forjada. Pensar é difícil, dá trabalho e custa muito menos reproduzir o que lemos ou ouvimos dizer por aí. Bom, dizia eu que não gosto de expor a minha opinião por mesas de café, redes sociais e blogosfera afora, sobre assuntos que considere realmente sérios. Foi o que se passou com a história dos jovens que perderam a vida no Meco. Como qualquer pessoa sã, também eu senti uma profunda compaixão pelos familiares e amigos que perderam alguém sem saber bem como nem porquê. Mas como qualquer pessoa sã, também acho um perfeito disparate que o caso esteja a receber o tratamento mediático que, principalmente enquanto jornalista, me irrita solenemente. Ontem à noite (Domingo) fiquei à espera de ver uma peça sobre o assunto, no telejornal da SIC. Quis ver, só porque sim. Anunciaram-na no início e esperei. E mais valia ter ido pintar as unhas. Fiquei chocada com o trabalho apresentado - altamente tendencioso, uma clara demonstração de que a Teoria Hipodérmica de Mauro Wolf ainda é aplicável aos dias de hoje: os Media lançam cá para fora a ideia de que a praxe é uma merda, a massa homogénea de telespectadores engole aquilo sem levantar ondas e de repente temos o país todo em modo anti-praxe. Às tantas, já o Ministro da Educação se aproveita politicamente da situação e decide reunir-se com as associações académicas. Como se a praxe fosse a culpada de qualquer tipo de comportamento desviante que tenha causado tamanha desgraça. Como se a praxe fossem esses comportamentos deploráveis adoptados por alguns. Como se a praxe fosse o bicho papão. Seria mais ou menos como se eu, que não sou Católica e não conheço bem o Catolicismo, ao ser bombardeada com as notícias sobre padres pedófilos, dissesse que toda a Igreja é má por causa deles.

Importa recordar que todos os casos trágicos que reavivam as dúvidas sobre a praxe acontecem fora das cidades com verdadeira e profunda tradição académica. Na verdade, talvez se devessem abolir as praxes em todas as instituições de ensino/cidades em que não se compreende a nobreza de um traje, a honra de traçar a capa negra ou o orgulho de se ser parte da História e da tradição. Se fossem proibidas essas práticas em meios que não podem compreender o sentir e o viver do espírito académico da mesma forma que um estudante de Coimbra, por exemplo(*), correr-se-iam menos riscos. Talvez desse modo se evitassem abusos, faltas de respeito e humilhações.

Quanto aos jovens que são o epicentro de toda esta temática no momento, e cujas famílias são o que realmente importa, resta-me dizer que lamento. Lamento muito. Não estive lá, pelo que não vou tecer comentários acerca do que se passou naquela noite nem apontar como culpado o único sobrevivente (sabe Deus o que lhe vai na alma). Não vou conjecturar nem entrar em dissertações sobre o que hipoteticamente terá acontecido. Não gosto de especulações e por respeito ao sofrimento e à dor, só posso remeter-me ao silêncio. Espero que tudo se esclareça o quanto antes e que o circo mediático não perturbe os verdadeiros lesados nem desvie o foco daquilo que é realmente importante.

(*) Uso como exemplo a realidade que conheci bem, embora ciente de que outras Universidades existem no país com o mesmo registo.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Bom fim-de-semana!

Victoria Beckham
"Não existe nenhum disfarce que possa esconder o amor durante muito tempo onde ele existe, ou simulá-lo onde ele não existe."
La Rochefoucauld

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Fez ontem um ano

Leona Lewis
que senti com tanta força como leveza aquela certeza que nos garante que tudo vai correr bem. Como se a partir daquele momento, daquele feito, se fechasse um ciclo e pudesse finalmente avançar para uma nova fase, com novos desafios e novas conquistas. Só o meu pai se lembrou de que fazia um ano. Nem eu reparei na data. Estava demasiado ocupada com algo que só pude começar por causa daquele dia. Dia 22 de Janeiro. E está um sol lindo desde ontem. E as flores oferecidas espontaneamente, colhidas de um arbusto qualquer, fizeram-me sentir mais especial ainda. E o tempo passa por nós, como as águas dos ribeiros pelas pedras mais firmes, porque não somos voláteis como os outros nem tão frágeis como julgávamos.

é.

A maioria.
Vá, só algumas pessoas.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

«Que vergonha.»

Drew Barrymore
Não havia em mim outra palavra que expressasse o profundo sentimento que me tolhia o gesto, ao ler a notícia. A vergonha foi tanta que não toquei no assunto até agora. E mesmo estando a falar disto, não consigo alongar-me.
O que é feito de Portugal? Até quando serão precisas atitudes drásticas como esta para que se abram os olhos dessa consciência cega que nos arrasta por um caminho escuro e tortuoso? Que é feito de nós?
A Maria João Pires sempre foi uma figura familiar cá em casa. A minha mãe, que sempre tocou piano, admira-a e acompanha o seu trabalho. Eu própria ouvia o som que os seus dedos produziam ao pressionar as teclas e ficava com alguma tristeza: nunca seria tão boa como ela, apesar de tocar desde os quatro anos. Talvez por isso esta notícia me tenha deixado com tanta vergonha. Perdê-la enquanto portuguesa, enquanto venham cá chicotear-me a ver se eu fujo os Cristianos Ronaldos são endeusados e ganham valores absurdos por andar a jogar à bola, deixa-me com muita vergonha. Tanta. Imensa.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

destas coisas que matam gente

Audrey Hepburn
Sabia lá o que era o amor. Sabe lá o que é amar. Quando amamos, não desistimos. Não forçamos o virar da página. Não desatamos a correr na direcção oposta da pessoa sem a qual dizemos não querer viver. Tentamos até ter cá dentro a certeza absoluta de que não vamos conseguir mudar nada. Eu, que só amei intensa e verdadeiramente uma vez na vida, não quero imaginar o que será acordar, anos depois de ter encolhido os ombros, cheio de se's. Questões que nunca serão respondidas. O doloroso arrependimento de não ter feito. E se eu tivesse corrido atrás? E se eu tivesse tentado uma vez mais? E se eu tivesse insistido? Há quem perca mais depois de aceitar a derrota do que quando ela efectivamente se dá. E há quem não saiba que o amor não se manifesta através da quantidade de presentes que se oferecem. Nem das vezes que dizemos amar. O amor revela-se através de actos, gestos, atitudes. O amor faz-se, não é?
E o que eu admiro pessoas obstinadas, decididas e perseverantes.

Bom fim-de-semana!

Lindsay Lohan
"A boy has swag, a man has style and a gentleman has class."
(Autor desconhecido)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

random

Brigitte Bardot
Sou muito intensa. Não dramatizo, sou dramática. Não tenho jeito para lidar com o lado negro do ser humano. Fico enojada com a obscuridade da depravação, mesmo que disfarce. Finjo que certas coisas são para mim aceitáveis para não inferiorizar os outros. Faço questão de honrar o passado. Tento ser humilde. Não me esqueço de que temos dois olhos para ouvir muito, dois ouvidos para ouvir muito e uma boca para falar pouco. Não me meto em intrigas. Sonho muito com o meu futuro. Tendo a querer ensinar o que não se ensina aos outros. Repugna-me a falta de carácter. Não tenho paciência para pessoas sem personalidade. Irrito-me com a imaturidade. Sou dura nas palavras. Não sei expressar-me sem veemência. Sou convicta. Sei quem sou. Não gosto de pessoas que só cumprimentam às vezes. Não gosto de arrependimentos. É raro arrepender-me de algo que fiz, a acontecer é porque deixei de fazer. Dou a mão à palmatória sem dificuldades. Gosto de pedir desculpas quando sinto que devo fazê-lo. Preciso que me peçam desculpas. Perdoo com muita facilidade. Não sou rancorosa. Não gosto de provar que sou inteligente. Aborreço-me depressa. Estou habituada a que não vejam em mim a pessoa profunda que sou. Nunca acredito numa só versão de uma história e acho que isso pode ser defeito de profissão. Sou facilmente melindrável. Só admiro pessoas que considere superiores e elevadas quanto à sua conduta e aos seus valores morais. Não lambo botas. Desprezo mentes pequenas. São-me indiferentes os comentários, as críticas e os juízos de valor vindos de pessoas que não me conhecem para lá da pele. Sou exigente. Sou perfeccionista. Gosto de animar os dias dos outros. Sinto-me genuinamente feliz por me sentir útil. Não suporto mentiras. Sou tolerante com aqueles que significam muito para mim. Quando sou demasiado magoada por alguém, torno-me fria e desisto da pessoa, seja ela quem for. Sou forte. Choro por tudo e rio por nada. Não gosto de estar triste. Justifico sempre as minhas atitudes menos compreensíveis a olho nu porque tenho um motivo para tudo o que faço. À medida que os anos avançam, os meus medos aumentam. Tenho dificuldades em aceitar que não temos todos os mesmos princípios. Acho estranho receber dinheiro em troca de algo que me dá gozo fazer. Gosto de oferecer presentes. Gostava de oferecer mais presentes. Não gosto de ter que me afirmar. Parece-me sempre que não tenho de provar nada a ninguém. Não gosto de ser avaliada. Não me impressiono com facilidade. Tenho coração de manteiga. Acredito que mereço o melhor. Sofro demais.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A idade traz muitas coisas.

Victoria Beckham
Desde que me conheço que ouço queixas do estilo «a juventude está perdida», «não há respeito pelos mais velhos» ou «os miúdos hoje são todos mal-educados». Bom, a ser verdade, a culpa não é dos mais jovens, mas há que atribuí-la também a quem os educa, que por vezes tem atitudes e comportamentos altamente repreensíveis. Assim de repente, recordo-me de estar ainda em Coimbra, enquanto estudante universitária, tentando entrar para o autocarro enquanto era brutalmente atropelada pelas idosas em fúria, que por medo da minha falta de gentileza - não fosse eu sentar o meu rabo enorme em todos os lugares disponíveis no bus - se atiravam lá para dentro com a graciosidade de uma centena de rinocerontes apressados. Cotoveladas, encontrões, empurrões e pisadelas não faziam nascer daquelas boquinhas vocábulos como «desculpe» ou algo do género. E como se este exemplo não fosse suficiente, ainda acontecem episódios como os que vivi na semana passada.
1 - Ia eu sossegada, um passo atrás do outro, rua afora, quando uma voz feminina e esganiçada me desperta a atenção. Olho e reparo que uma senhora falava com uma cadelinha para todos os moradores e lojistas da zona ouvirem. Desvio o olhar e assim que o faço, ouço-a gritar:
- Ihhh nariz empinaaaado!
Continuo, em silêncio, o meu caminho, dividida entre o riso e a incredulidade, pensando que tal atitude era no mínimo estranha, tendo em conta que passo por ali todos os dias.
2 - Pouco tempo depois, voltava da minha pausa para lanchar, quando me deparo com duas idosas à porta de uma loja. Falavam alegremente, mas calaram-se assim que me aproximei. Observaram-me com atenção e assim que puderam, comigo a cerca de três metros de distância, desataram-se a rir. Clap clap clap. Muito maduras.
3 - Isto já seria suficientemente mau, mas quando fui ao Multibanco, passa uma senhora com cerca de 45 anos que decide grunhir:
- Ai que eu não tenho saldo!
Oi?
Tínhamos algum alinhamento de planetas estranho no céu das ruas por onde andei ou o envelhecimento causa malcriadez?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ponto da situação

Frida Gustavsson
- Estou em dieta rigorosa desde o segundo dia do ano. Eu, Lady Lamp, que nem gosto das comilanças natalícias, que não posso ver uma mesa demasiado cheia e fico logo enjoada, passei-me completamente durante as festas de Dezembro e dei cabo da linha. Quer dizer, nem sei se dei ou não, porque temi a balança. Prefiro fazer dieta à séria até ao final do mês e só depois saber como estamos. Só para evitar depressões.

- Por falar nisso, quase que poderia sucumbir à depressão se pensasse muito sobre as condições atmosféricas das últimas semanas. Sinto que já não via um dia de sol, sem chuva, há séculos. E além de odiar andar de guarda-chuva em punho, também não me apraz especialmente andar com o cabelo estúpido por causa da humidade. Acresce ainda esta dificuldade imensa que é escolher um outfit giro para sobreviver ao mau tempo. É que só me apetece usar saias e sapatinhos de salto alto e não podia... porque chovia tanto que acabava por optar por umas botas quentes e impermeáveis, uns jeans e pronto. Ah e o casaco tinha de ter capuz. Finalmente vieram dias bonitos...

- Detesto sentir vergonha alheia. Tinha tantos, mas tantos episódios giros para partilhar aqui sobre pessoas que me embaraçam especialmente... mas não posso, porque depressa descobririam e isso seria deveras embaraçoso. Para eles, claro.

- Decidi aventurar-me pelo mundo das viagens low cost e estou cheia de medo. Por causa das bagagens. O problema nem é o que vou levar, mas sim o que vou querer trazer. Pânico.

- Comecei a ver The Carrie Diaries, só por curiosidade. A Mana Lamparina adorou e eu também achei uma fofura. Só é pena que não seja fiel ao SATC, porque o facto de a Carrie adulta não fazer qualquer referência a uma irmã e a Carrie adolescente ter uma mana mais nova, por exemplo, baralha-me. Ou o nome do primeiro namorado, que numa é Seth e noutra Sebastian. Ou a história dos pais ser completamente diferente de uma série para a outra... Anyway, é uma série querida. E a Samantha mais nova está óptima.

Boa semana, meus amores!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cara de pita.

Selena Gomez
Recebi a carta em casa e lá fui eu, toda lampeira, à escola que já foi minha e que agora é a da Mana Lamparina. Tinha que ir buscar o meu processo, que imaginei ser composto por cerca de uma tonelada de papéis. Mais tarde, descobri que se tratava apenas de uma pastinha fininha. Disseram-me que isso se devia ao facto de não ter sido uma aluna problemática. Cool. Entrei na Secretaria e uma funcionária fez-me aquele olhar 42, que todos sabemos que significa «podes vir que sou eu que te vou atender». Rosnado o bom dia, decidi começar:
- Bom dia, eu recebi uma carta da escola...
- É por causa do processo?
- Sim.
- Qual foi a tua turma no ano passado?
(Aqui tive um pequeno bloqueio mental. Primeiro porque adoooro not! que me tratem logo por tu. E segundo, porque... Ora, se eu terminei o meu 12º ano quase a fazer 18 anos, isso significa que... bom, mas não podia ficar muito tempo calada, por isso continuei.)
- Já saí daqui há dez anos. Não faço ideia de que turma era. Talvez I ou H...
(Visivelmente atrapalhada, a funcionária desfaz-se em desculpas e muda radicalmente de atitude comigo, passando a ser só sorrisos.)
- Peço imensa desculpa, são tantas pessoas a passar por aqui, há pessoas que fazem só umas disciplinas...
- Não tem que pedir desculpas, eu é que agradeço!

Na verdade, por mais que estas situações sejam rotineiras, não compreendo bem porque me acham sempre tão novinha. Okay, eu não tenho cara de pessoa com quase trinta anos, mas também não tenho ar (leia-se postura, outfit, make up, atitude e por aí fora) de miúda de 19 anos. Já devia estar habituada a isto, mas fico sempre surpresa quando me perguntam se com esta idade já tenho a carta de condução, o que é que quero estudar ou quando me pedem um documento para entrar num casino, por exemplo. Acho que é um bocado forçado. Mas espero que aos 40 continuemos assim, claro. É bom sinal.

Bom fim-de-semana!

SJP
"Laugh, love and live it up because this is the oldest you've been and the youngest you'll ever be again."
(Autor desconhecido)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não vale a pena pensar nisso.

Lindsey Wixson
Havia um lugar, na cidade, que guardava em si um momento. Como se toda a intensidade que o caracterizou tivesse ficado ali, estagnada. Como se por magia, aquele pedaço de espaço terreno pudesse conter tudo o que já se tinha passado dentro dos corações até que nos olhássemos, ali. E encerrasse nele também tudo o que não aconteceu, todos os desejos que não se concretizaram, depois daqueles instantes.
Agora aquele lugar deixou de existir. Deitaram-no abaixo. Já não há nenhuma cabine vermelha. Nem a calçada é a mesma. E eu pensei que tal como o pedaço de espaço terreno desapareceu, também tu e essa história teriam desaparecido de dentro de mim. Achei que sim, mas não pude afirmá-lo com toda a certeza. A memória trama-nos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

E eu que podia jurar que ganhava imenso.

Helena Christensen
Sou jornalista. No banco, tratam-me por «doutora», acrescentaram-me o Dra. ao nome em todo o lado (no cartão, na correspondência e onde lhes apeteça), fizeram-me sentir obrigada a ter um cartão de crédito e puseram-me a pensar em Soluções de Poupança para a Reforma. Mas não sou médica. Então não me deram nenhum iPad para me convencerem a garantir que o meu dinheirinho cairia naquele banco todos os meses. E o panfleto que apresenta a minha conta diz «Não tenho um grande ordenado, mas tenho uma conta a pensar em mim». Olha, obrigadinha.

Quem feio ama...

Kate Moss
Uma das grandes lições que 2013 me deixou, além das que assinalei no final deste post, foi que não vale a pena insistir. Que o amor tem de fluir naturalmente, já sabia. Que sem espontaneidade perde fluidez, também. Nada de novo em observar que morre e que pode ser morto. Mas o que não podia imaginar era que ele anuncia a sua partida. Ele avisa-nos. O nosso coração sussurra-nos, alerta-nos para o lento esvaziar do copo que o guarda, mas nem sempre queremos ouvi-lo. Fechamos os olhos para não ver as evidências que depois o corpo começa a manifestar. E às vezes o cérebro só reconhece o que já é certeza depois do fim. Quando já terminou tudo. Quando se acabou, esgotou, findou. Nem uma gota no copo. Aprendi que devo ouvir com atenção esses sussurros, antes que o coração comece a transmitir a sua mensagem pelo organismo inteiro, comandando cada célula do meu corpo para me mostrar que devo partir.
Há dias falava com um amigo sobre como esta descoberta me afectou e me fez perceber onde não perder tempo e fiquei surpreendida por também ele prestar atenção a determinados sinais. Por exemplo, ambos sabemos que se o cheiro da pessoa com quem estivermos não nos agradar, não vale a pena estar com ela. Na verdade, estas pequenas rejeições, que por vezes se tentam contornar por parecerem caprichosas ou fúteis, são formas que o que nos envolve o ser encontra para nos dizer que o caminho não é por ali. E quem diz o cheiro, diz qualquer pequena característica que vejamos como defeito - os pontos negros, um ou outro pêlo, as olheiras, um dente demasiado pequeno ou desalinhado, não interessa. O essencial é perceber que as pequenas imperfeições de quem se ama não causam repulsa. Não quero com isto dizer, como é óbvio, que só se ama verdadeiramente alguém quando se amam também os seus quistos sebáceos, longe de mim. Mas quando amamos, o corpo não pode querer afastar-se por causa desses pormenores. Porque são apenas isso, pormenores. E o objecto do amor não se torna menos atraente por causa disso. É como diz o povo: «Quem feio ama, bonito lhe parece».

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pensar nos saldos para 2014, deixando o ano passado... no passado.

Drew Barrymore
Estava a dar uma vista de olhos no WhoWhatWear e encontrei este artigo, que vinha ao encontro do que estava a pensar na altura. É que sou muito prática em época de saldos e tenho sempre à mão o Moleskine que encerra, entre outras coisas, as listas que vou fazendo para agrupar necessidades que vou sentindo ou desejos consumistas, do estilo «preciso de um casaco rosa». Deste modo, não corro o risco de me passar completamente e trazer para casa mais entulho e evito que o meu closet se torne num aglomerado de artigos nonsense, vulgo compras por impulso. Já todos sabemos que as promoções devem ser aproveitadas para adquirir peças de qualidade, básicos intemporais e algumas tendências passageiras em que não queremos investir grandes quantias. Também já sabemos que os saldos do início do ano são óptimos para aproveitar de os olhos postos na próxima season, pelo que achei piada à ideia de cortar da lista, à partida, itens que já deram o que tinham a dar ao longo de 2013, como as statement sweatshirts, as western ankle booties, os wedge sneakers, os crop tops, os statement earrings ou até deixar de atar as camisolas à cintura para as trazer até aos ombros. E assim de repente, isto parecia mais uma edição do How To Speak Like a Fashionista.

Alguém me explica...

Fan Bingbing
O que é que leva alguém a enviar fotos de nudez explícita (em Janeiro) a alguém com quem esteve apenas durante cinco minutos (em Setembro)? Sou tão conservadora, não sou? É que cinco minutos não é tempo suficiente para uma conversa assim tão íntima, right? Ou estou enganada?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Bom fim-de-semana!

Candice Swanepoel
"Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado na minha mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos."
René Descartes