sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bom fim-de-semana!

Natasha Poly
"O tempo é o melhor autor - encontra sempre um final perfeito!"
Charles Chaplin

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Temos vencedora!

Segundo o random.org, a vencedora do Passatempo Beadelicious & Lamparina é...

...a Isaa! Parabéns! Em breve receberás um e-mail nosso para que possas receber os teus miminhos em casa.

Obrigada a todas por terem participado e à querida Lúcia, a detentora das mãos de fada por detrás do Beadelicious, por estar sempre pronta a presentear os leitores do Lamparina com as suas peças lindas!

Dúvida existencial

Nina Dobrev
Estava a fazer compras e resolvi espreitar as capas das revistas da semana. Olhei para aquelas que carinhosamente apelido de "revistas de cabeleireiro" e reparei que muitas fazem capa com o que vai acontecer nos próximos episódios de novelas que já acabaram no Brasil. A minha pergunta é: ainda há quem leia aquilo? É que já há Internet, minha gente. Podem ir ver o final da vossa novela preferida online. Ou o episódio seguinte. Ou todos. Isto ainda vende?

É assim que percebemos que não falta muito para o Natal. Ela já aí anda.

Emily Blunt
Digam-me cá, a senhora do Ferrero Rocher não envelhece? Nem engorda com tanto chocolate? Este ano, ouvi-a dizer ao pobre Ambrósio que ele lhe lê sempre os pensamentos... não me parece ser muito difícil, ele passa a vida a levar-lhe pirâmides de bombons e ela reage sempre como se sofresse de alguma amnésia: "Braaavo, Ambrósio!". O Ambrósio parece um animal de circo, mas é. Faz sempre o mesmo truque e leva sempre a mesma recompensa. E se um dia lhe apetecer uma petinga de escabeche, como é? Será que o Ambrósio também lhe lê os pensamentos quando lhe apetece um copinho d'água? É que tanto doce deve dar uma secura tremenda, digo eu. Porra, pá. E não arranjavam um nome menos estranho para ele? E a senhora vive de quê, afinal? Sempre de capeline, sempre de limousine, com vestidos pirosos em tecidos espampanantes em amarelo... Fico irritada. Se fosse comigo, de cada vez que ela proferisse as palavras de ordem naquele tom dengoso - "Ambrósio, apetecia-me algo..." - eu espetava-lhe com a bandeja na cara, sem bombons, e mandava-a ir buscá-los! Desde miúda que a única coisa que a vejo fazer é chatear o motorista, tratando-o como se fosse mordomo. Falta de respeito pelo proletariado, pá.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Para quem queria saber mais sobre a máscara milagrosa...

Anja Rubik and Lily Donaldson
Este deve ser o assunto mais abordado neste blog. Desculpem, mas cada um tem a sua pancada e a minha prende-se directamente com o cabelo. Antes de fazer nascer o aglomerado de letrinhas que lêem neste momento, estive a dar uma vista de olhos (com a ajuda da lanterna mágica) aos textos que já escrevi sobre produtos capilares... e é sempre interessante verificar que rotinas se alteraram, que dramas se mantém, que ingenuidades se sucedem, que dicotomias continuam vivas, que paixões se instalaram, que manias nasceram.
Alguns dos comentários feitos neste post revelaram curiosidade acerca desta máscara. Na verdade, não tenho nada de novo para contar sobre ela, já que continua a surtir efeitos positivos. Continuo-lhe fiel - eu e a Mana Lamparina. Surpreendentemente, este produto revelou-se maravilhoso para as nossas distintas guedelhas. E não é nada caro: cerca de oito euros.

Tem uma consistência cremosa e bastante concentrada, pelo que não é necessário usar uma quantidade excessiva para obter bons resultados o que é óptimo porque uma embalagem de 500ml dura mais de um mês!. Assim, alguns minutos são suficientes para desembarace a cabeleira sem dificuldades e até sem escova. Depois de seco, com ou sem brushing, noto-o brilhante, com o volume controlado, hidratado sem que fique pesado e sem frisados. O cheiro é agradável e para uma hidratação mais profunda, basta aumentar o tempo de aplicação ou colocar uma boa quantidade nos comprimentos e nas pontas, enrolar a juba com película aderente durante meia hora e está feito.

O nome é foleiro, as embalagens não são luxuosas nem apelativas, mas desde que uso esta máscara tenho o cabelo muito mais saudável (e desde que o pintei de castanho também) e simplifiquei bastante aquela rotina mencionada no início do texto. Agora não esperem milagres: ele fica nutrido e muito mais bonito, mas continua a ficar péssimo quando chove...
A marca não é conhecida, só a vi à venda na loja de produtos para cabeleireiros de que sou cliente e numa perfumaria aqui em Pombal (a Rocha). Disponibiliza vários produtos e diferentes gamas, que podem espreitar aqui. Aquela que me faz feliz (e o único produto Dynasty estes dois ipsílones deixam-me louca! que experimentei na vida) pertence à gama Mineral. É a roxa, que contém queratina e magnésio, perfeita para cabelos cheios de personalidade lixados como o meu.

Do fundo da gaveta #6

E porque 2008 foi mesmo um ano em que escrevi muito, hoje seleccionei este texto para partilhar convosco.

"Para que serve um namoro?
A minha concepção de namoro é simples. O namoro não é um fim, mas um princípio. 
Namoramos porque gostamos do que o outro parece ser – ou que nós, apaixonados, queremos ver. 
Namoramos para, ao conhecer o objecto da nossa paixão, perceber se ele é ou não o homem que queremos ao nosso lado para o “felizes para sempre” com que todas sonhamos... sim, todas nós sonhamos com o dia em que encontramos o tal gajo montado no cavalo branco, blá blá blá. 
Namoramos para namorar, para mimar e ser mimadas, para dar e receber. É pelo companheirismo, pela amizade. É porque a outra pessoa faz sobressair em nós o que temos de melhor e passamos a transpirar toda a harmonia que nos preenche para o mundo de fora. É pelo cinema de mãos dadas, pelo passear e tudo estar lindo à nossa volta. Para termos a nossa música e para recebermos flores. Para sermos as mais lindas do mundo, adoradas como a criatura mais preciosa à face do planeta. 
Um namoro bom baseia-se em alicerces muito claros: na confiança, na transparência, na verdade, no altruísmo e no cuidado que temos com o outro. Cuidado para não magoar, não ferir, não humilhar, não ostracizar, não esquecer, não excluir. 
Quando tudo isto deixa de existir numa relação, esta perde todo o sentido que assegurava a sua existência. 

Para que serve um namoro se já conhecemos completamente a peça e se sabemos que, por mais arestas que ele lime, vai continuar a ser quem é, a ter os hábitos, atitudes, tiques e manias que nos irritam? Para que serve namorar com quem não nos dá a atenção de que sabemos ser merecedoras, não nos mima, não evita mentiras absurdas e insiste em magoar-nos quer com os silêncios, quer com as palavras? 

Pior… para que serve um namoro quando já não há sequer o respeito básico requerido por qualquer relação saudável? Quando o desinteresse já é de tal modo gigantesco que já nem se apercebem (ou fingem não perceber) que há mágoas entre os dois?

Eu estava a chorar compulsivamente por causa dele e só ouvi da sua boca: “Vais continuar a chorar? É que tenho mais que fazer do que estar aqui a perder o meu tempo a ouvir-te. Não me apetece discutir.”.
Foi há anos, mas nunca mais me esqueci da frieza das palavras, do desprezo no olhar e de como me senti humilhada. Tentava desesperadamente, através de lágrimas e balbuciando frases soltas, fazê-lo compreender como me ferira. Ele já não me via como merecedora das suas desculpas, da sua compreensão ou digna do seu precioso tempo. Não era importante o facto de me fazer chorar. Eu não era mais que caca. 

Como eu naquele momento, muitas mulheres se esquecem do seu valor perante atitudes similares. Só lhes falta gritar: “Porque me fazes isto? Por favor, ama-me!”. Os homens, esses, parecem esquecer-se da dignidade do ser humano, dos sentimentos de quem disseram amar. A verdade é que se esquecem de um simples facto: nós somos tão mulheres quanto as suas mães ou as suas irmãs."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Rituais

Natasha Poly 
Depois de ler este post da Gata, lembrei-me da minha amiga D., que achou o meu ritual diário de limpeza facial tão exagerado como genial. É que para ela, o conceito de toalhita limitava-se às adoráveis Dodot... e queixava-se da maçada que era o momento em que chegava a casa cheia de sono e em que se sentia desmotivada e impaciente por perder imenso tempo a tentar tirar sombra, máscara de pestanas, base, blush, pó compacto e tudo o que tinha aplicado com tanto primor. Era tanto o trabalho para retirar tudo que desistira de se maquilhar como gostava.

De facto, remover a maquilhagem diariamente é uma tarefa obrigatória. Antes dos 25, a preguiça depois das noites agitadas vencia, mas agora é impensável deitar-me sem o rosto devidamente limpo e hidratado. É que se o fizer, a minha pele ressente-se de tal forma que na manhã seguinte está pavorosa, ao contrário do que acontecia no auge da minha juventude (#dramaqueen).
Apesar de vaidosa, sou prática e não me maquilharia se a limpeza representasse um martírio. Adoro os momentos em que cuido de mim, mas se o processo fosse demasiado chato, longo e difícil, teria a mesma atitude que a D.. No entanto, trouxe-a de volta ao mundo dos cosméticos quando lhe apresentei a rotina mais simples do mundo:

1 - Começo por remover a maquilhagem com uma toalhita desmaquilhante. Uso qualquer marca, não tenho preferência por nenhuma em particular. A única finalidade é facilitar-me a vida e uma vez que não são o meu único recurso para a limpeza da pele, não faço questão que sejam muito especiais. Geralmente, compro a marca mais barata que encontrar. São para usar e deitar fora, pelo que não se trata de uma compra em que pense muito. É mais ou menos como o papel higiénico, estão a ver?

2 - De seguida, limpo as pálpebras e as pestanas à séria, com o Take the day off da Clinique. A máscara de pestanas mais potente ou o eyeliner mais difícil de tirar não deixam rasto com este produto. É suave e não fico com aquela sensação de oleosidade chata com que os desmaquilhantes comuns tendem a impregnar-me o rosto.


3 - Finalmente, sigo para os três passos: lavar, tonificar e hidratar.

Simples. E vocês? Muitos rituais desse lado?

Balthazar

"Say hi to the world, Balthazar!"
Apareci no Centro de Recolha e Protecção Animal de Ansião depois de ter vivido umas aventuras na rua. Andava sozinho e perdido há cerca de uma semana quando decidiram pegar em mim e levar-me para lá. Tive a sorte de encontrar um senhor que não cumpriu aquela lei parva que dita que seres vivos como eu devem ser abatidos ao fim de sete dias naquele lugar. Ele não mata os animais como eu: jovens, saudáveis e prontos para ser a alegria de um lar. Parece um cliché, não é? Bom, todos os clichés têm um fundo de verdade, ou não seriam clichés. E a verdade é que lhe dei a volta. Ele adora animais, ou não teria escolhido Veterinária. Tratar de espécies que não se sabem queixar das dores que sentem não é para qualquer um! Contava eu que lhe dei a volta... é verdade. Nós, gatos, somos astutos. Fiz as gracinhas todas durante aquelas três semanas em que vivi no canil. De todas as vezes em que ele me deixou passear pelas instalações, ronronei até não poder mais, saltei para o colo dele sem que me chamasse, brinquei muito e mostrei-lhe como sou bem-comportado e mimado. Estive lá sem que ninguém me reclamasse. Posso ter sido abandonado ou simplesmente ter fugido de casa, mas ninguém me foi procurar. Foi por isso que apesar dos receios que a alergia da filha mais velha causavam, o senhor me trouxe para casa. Aqui está quentinho, não chove, tenho sempre comida, água e até me deram uma mantinha para eu dormir aconchegado. Mal cheguei, as meninas deram-me todo o mimo com que poderia sonhar. Mal a Mana Lamparina me pega ao colo, adormeço. E assim que a Menina Lamparina entra na cozinha pela manhã, faço questão de ronronar muito e de miar baixinho enquanto me deito de barriga para o ar com aqueles olhinhos de Gato das Botas. Descobri que ela sabe onde está a comida... e dão-me tanta que já engordei, numa só semana. Como a alergia dela não dá sinais de vida, acho que passei no teste e vou ficar aqui. Quero tanto ficar aqui! Gosto deles, tratam-me como se fosse importante. Acho que já sou. Devo ser.
Depois de ter sido salvo da rua, faço questão de mostrar toda a minha gratidão! Porto-me muito bem, uso sempre a casa de banho, brinco às escondidas com eles e só se zangam comigo quando tento caçar aquele coelho gigante que está na sala... no entanto, riem-se quando fico eriçado ao ver aquele cão enorme por perto... não entendo os humanos. Mas estes são fixes.


Apresento-vos o Balthazar, um gato com sete ou oito meses que parece uma vaca e que me faz sorrir todos os dias. 
Marca um milagre na minha vida, uma nova era: deixei de ser alérgica! Ainda nem acredito!!! Queria tanto voltar a ter um gato! Os médicos diziam-me que nem fazendo aqueles tratamentos com injecções me tornaria imune e de repente, dei por mim sem sintomas nenhuns de reacções alérgicas. Desde o episódio com o Botinhas que desconfiava... agora tenho a confirmação e não podia estar mais feliz!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O livro de Milan Kundera

Audrey Hepburn
Acredito que quando não gostamos de um livro, é porque não o lemos no momento certo. Li A insustentável leveza do ser com 21 ou 22 anos e não fiquei apaixonada. Foi um frete chegar ao final, não achei tanta graça como esperava e fiquei bastante desiludida com a tremenda seca que apanhei. Na semana passada decidi voltar a pegar-lhe e em três quartos de hora já tinha devorado as primeiras 60 páginas. Três dias depois estava lido. O livro prendeu-me, conquistou-me, li-o com uma fome que em nada se parece com o prazer com que não o li da primeira vez.
Não é inédito que percepcione uma obra de maneira diferente em diferentes momentos da minha vida. Foi assim com Fernão Capelo Gaivota e com O Principezinho. Lê-los em criança, na adolescência ou depois dos 20 altera completamente o que absorvemos de cada página. Talvez a maturidade nos alargue horizontes, talvez a experiência nos conceda mais elasticidade. Agora aconselho-o como um dos livros mais completos e intensos que li. Um romance com pinceladas de Filosofia e História, profundamente humano, muito próximo do divino.

"Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um esquisso. Mas nem mesmo «esquisso» é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro."

Boa semana, meus amores!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Muito mais que um verniz.

Chamam-se Diorific e são lindos. Os frasquinhos e as cores. É o relançamento de uma edição de coleccionador. Da esquerda para a direita: Diva, Marilyn, Diorling e Lady. Adivinhem qual é o meu? O vermelho, claro. Modéstia à parte, acho que vai muitíssimo bem com o meu novo look brunette, ao qual me estou a habituar com muito prazer.

Um fio de baba na Gabriela. (Não poderia escolher título melhor.)

Drew Barrymore
Vocês já sabem que eu não posso com a Gabriela. Não percebo puto do que eles dizem, a anormal da Maitê Proença entrava naquilo ainda bem que morreu, a bitch. Como é que vocês podem ver uma novela em que ela participe? Já se esqueceram da cuspidela, do gozo ridículo daquele vídeo em que Portugal era motivo de chacota? Na altura, toda a gente estava doida para a esganar, agora tem tudo memória curta?, o António Fagundes está feio, é só rabos e mamas, enfim. Não vou repetir-me. Queria era partilhar convosco que há dias passei por lá o olho e vi um casal a beijar-se. Até aqui, nada de especial... mas é que depois eles afastaram-se e tinham ali um fio de baba gigantesco. Tão grande e espesso que os jovens já estavam a um palmo um do outro e o fio continuava ali, firme e hirto, preso às duas bocas. Ganda nojo.

Bom fim-de-semana!

Marilyn Monroe
“Don't spend time beating on a wall, hoping to transform it into a door.”
Coco Chanel




















E não se esqueçam: o passatempo termina hoje!!! 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Momento bah do dia.

Lily Cole
Foi com a minha bff D. que aprendi essa arte que é fazer-me passar por parva. Fingir que não se vê para depois apanhar em falso a pessoa que sem saber já estava debaixo de olho desde o início da vã tentativa de jogada. É uma necessidade, não que goste de fazer uso desta astúcia em todo e qualquer jogo social, mas às vezes é necessário antecipar movimentos para não ser atacada. Porque a defesa é o melhor ataque, certo? Pois. Mas faço-o tão bem, sou tão convincente e exímia neste fingimento, que não são raras as vezes em que subestimam a minha inteligência. Até aqueles que me conhecem desde sempre. E eu estou tão farta disso, pá! Toca a ter mais cuidado e mais pinta nas tretas que se fazem e dizem, está bem? Senão vou ter que ser bruta e mostrar-vos que quando vocês vêm, eu de lá já voltei. Para onde tu vais, eu já vim de lá. De onde eu venho, vocês para lá vão. De onde eu vim, vocês vão para lá agora. Pronto, não me lembro da expressão. A bff D. é que a sabe dizer. Vocês percebem a ideia: depois serei obrigada a desmascarar-vos, revelando perante o vosso aturdido olhar a minha estarrecedora sapiência.

Sobre a loucura de ontem:

Katy Perry
Pronto, já temos imagens agressivas de um povo descontente e de uma polícia violenta como as outras capitais europeias.
A única coisa que me ocorre é aquele provérbio velhinho que diz que "casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
Nada a acrescentar ao post da Tamborim.

Desculpe?

Alice Eve
Não me interpretem mal, isto não tem ponta de arrogância ou altivez. Não se trata de querer rebaixar ninguém nem de me julgar superior quando sou atendida ou servida. Não tem nada a ver com isso. É uma questão de educação. De respeito, talvez. Parto do princípio de que quando o atendimento ao público faz parte das nossas funções, o profissionalismo não pode nem deve ser abafado pela coloquialidade. Por outras palavras, espero que sejam simpáticos e prestáveis comigo, mas sem grandes intimidades, porque se não conheço o funcionário de lado nenhum, não vou achar a menor das graças a grandes confianças.
Por exemplo, a senhora que colabora connosco cá em casa, a quem me recuso a chamar de empregada doméstica porque é como se fosse da família, pode e deve tratar-me por tu. Sou muito mais nova que ela e não gostaria que fosse de outra forma. Se conhecer a pessoa, tudo bem. Mas ir a um restaurante e ser tratada por tu por quem me atende e nunca vi na minha vida, é no mínimo absurdo.
É uma gaffe com que sou constantemente confrontada. Creio que a minha cara de garota não ajude, uma vez que há quem duvide dos meus 27 anos. Passo os dias nisto:
"Estás noiva? Mas és tão novinha! Que idade tens? Pensava que tinhas 19, no máximo!"
"Tabaco? Mostre-me o seu Bilhete de Identidade!"
"Mas tu já conduzes? Quantos anos tens? O quê?? Não te dava nem 18!"
Sinceramente, não percebo. Acho que não tenho ar de menina pequena, mas é coisa para dar jeito aos 40.
Anyway, não gosto que me tratem por tu quando vou a lojas, pastelarias, restaurantes, supermercados, etc. Acho de péssimo tom, de um atrevimento escandaloso e fico mesmo irritada. Não andámos juntos na escola, pelo que não vejo motivos para isso. Desde miúda que isto me incomoda e a minha reacção varia entre duas opções:
- ou começo a exagerar: "TrAZ-ME um café, por favor. DÁ-ME uma Frize, por favor. DIZ-ME, quanto é?"
- ou começo a exagerar: "OlhE, traGA-ME um café, por favor. DÊ-ME uma Frize, por favor. DiGA-ME, quanto é?"
A ideia é ver se topam que estão a ser inconvenientes, do género: estou a tratar-te por tu, não reparas? ou estou a tratar-te por você, quem mandou que te dirigisses a mim por tu? Esqueçam, não funciona. Nunca ninguém mudou de registo. Acho que não percebem a dica.

Senhores proprietários de estabelecimentos comerciais e afins que estejam a ler o lamparina, toca a pensar em formações de bons modos para esses funcionários, vá lá ver. Não é assim tão difícil, acreditem. Posso dizê-lo porque já tive contacto directo com o público em várias situações profissionais e nunca ousei tratar ninguém que atendesse por tu.
Funcionários leitores do lamparina, não se esqueçam deste meu desagrado porque pode haver mais gente chata como eu...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

No dia em que ficar sem ele, ficarei também sem assunto para escrever aqui.

Victoria Justice
O meu carro é tão bom, mas tão maravilhoso, mas tão perfeito, mas tão surpreendente, mas tão cheio de personalidade... que como tem os pedais super polidos e comidos (já não são quadrados nem rectângulos, são triângulos quase perfeitos), cortou um sapato do papá num dos dias em que decidiu conduzi-lo.

Do fundo da gaveta #5

Há coisas que nunca mudam, certo? Em 2008, escrevi:

"Cansam-me os pseudo intelectuais que se dedicam a criticar vorazmente os que não vestem apenas camisolões antracite e sobretudo preto, não exibem óculos sobre o nariz e não saem de casa sem olhar para o espelho. 
Cansam-me os pseudo cultos que não controlam a sua, na verdade, ignorante voz e que se assumem como seres superiores, numa tentativa ridícula de tornar o seu aspecto desleixado numa expressão de desprendimento do material, fruto das suas preocupações maiores enquanto iluminados. 
Exactamente pelo facto de serem superiores, meus queridos, permitam-me que vos diga que é urgente que se preocupem também com as coisas ditas menores, ou fúteis, se preferirem. São elas que nos distinguem das outras espécies… (tal como o riso. Caso não tenham reparado ainda, não há um único animal que mostre os dentes em sinal de cordialidade a não ser o humano. Sempre a aprender, aqui com a Aninha!) 
As roupas e os acessórios não só acompanham como marcam a História da Humanidade. Se os babuínos se começarem a cobrir de peles, também farão História… e evoluirão como nós. Compreendem-me ou é preciso explicar como se fossem muito, muito estúpidos? 
Lá por eu desejar uma t-shirt da nova colecção de Marc Jacobs, não quer dizer que não tenha lido Platão ou Hemingway. E não é por perder tempo a maquilhar-me que deixo de saber o que andaram a fazer por aí Niemeyer ou Gaudi… 
Posto isto, critiquem-me por louvar o trabalho histórico de Christian Dior, por ser fã dos sapatos de Pablo Fuster e de Christian Louboutin, por lamentar a retirada de Valentino, por sonhar com um vestido Roberto Cavalli, por admirar a atitude de Coco Chanel… mas experimentem tirar um pouco do mofo que já faz parte da vossa baça vida e riam. Riam às gargalhadas com a pessoa do outro lado do espelho… sim, isso mesmo. Vocês próprios."

terça-feira, 13 de novembro de 2012

detesto...

Amy Adams
...aquelas pessoas que vão atravessando a vida e deixando amigos para trás. Por outras palavras, pessoas que fazem e desfazem amizades consoante a sua conveniência. Quando o amigo deixa de ser necessário ou útil, é descartado e substituído por outro que lhe dá o que precisa - pode ser atenção, aprovação, não interessa. Faz-me confusão que se usem os outros conforme vai dando jeito. Vendo bem as coisas, nunca lhes retribuem a amizade e acaba por ser uma relação em que um suga o outro, abastece-se e vai embora. Cortam tão radicalmente, magoam tanto quem deixam para trás e parecem nem reparar. Não compreendo como se pode tratar alguém como descartável, julgando que ninguém repara. E ainda têm a lata de exigir consideração. Acham normais os afastamentos e aceitáveis as sucessivas substituições. Como é possível?

Estão à espera de quê?

Ainda nem chegámos às 100 participações! Aproveitem! Aqui...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O conceito de aldeia global ou a proliferação do parolo.

Lana Del Rey
Claro que sou fã de redes sociais. Como verdadeira apaixonada pela comunicação, não poderia ficar indiferente às facilidades que lhes são inerentes. A rapidez na partilha tornou finalmente real o conceito de aldeia global e a sensação de conexão é viciante. Tenho um perfil de facebook bem organizado (amigos para um lado, contactos profissionais e conhecidos para outro), uma página na mesma rede, brinco no polyvore e no fashiolista, tenho o blog, três e-mails, twitter, myspace e até o Hi5 que ainda não tive coragem de matar... mas acho que a sensatez deve imperar e que há regras de bom senso e de boa educação também no mundo virtual. Devia ser instituído um manual de etiqueta para as redes sociais, claramente. Era tão bom. Hoje quero falar-vos especificamente do facebook, que era maravilhoso antes de toda a gente andar por lá. Concordam? É que há quem...

...não tenha regras no que à partilha de imagens, frases lamechas ou poemas comoventes de casa-de-banho diga respeito. Já para não falar das histórias "partilha e vai aparecer um euro no bolso roto desta criança pobre" ou "partilha e esta criança e toda a sua tribo vão passar a ter água para beber". Esta gente partilha tudo o que lhes aparece na página inicial. O inconveniente? Enchem a sua própria cronologia de spam e atulham também a nossa página inicial com coisas do género "fulano de tal e mais 4275 amigos partilharam uma foto da página Imagens Cheias de Sentimento e Frases Parolas a Metro".

...não se lembre que o facebook não é exclusivo dos seus amigos. É por isso que todos conhecemos quem não se coíba de comentar as nossas fotos revelando assuntos privados e levando a cabo verdadeiras dissertações sobre factos que pertencem apenas à esfera íntima. Colocamos uma foto da nossa infância e vemos, passados dez minutos, a mãe e uma tia à conversa sobre aquela vez em que fizemos cocó no lavatório, por exemplo. Não, isto não se passou comigo.

...queira projectar uma boa imagem a seu respeito. Uma imagem jovial. E então escrevem com k, x e siglas como kakakaka para o riso, por exemplo. Além de não ser cool, a malta jovem normal e fixe não só não escreve assim como não aprecia este registo. A César o que é de César: deixai para os adolescentes essas modas ridículas.

...não saiba que para além de escarrapachar perguntas como "Estás boa?" nos murais alheios e de falar em privado no chat, podem ainda ser enviadas mensagens. Eu, que estou sempre off no chat, vejo frequentemente a minha cronologia invadida por coisas que não me interessam: podem ser bebés engraçados com a língua de fora, animais fofinhos com frases cheias de moral, anedotas sem piada, manicures asquerosas, leões na savana com uma música dos Toto, enfim... tudo o que me poderiam ter mostrado em privado sem me fazer passar pelo momento em que me decido por colocar um gosto ou  por ocultar da cronologia.

...estando triste, não coloque apenas uma frase alusiva ao seu estado de espírito, que isso é coisa pouca. Toca mas é de entupir o face com carradas delas, powerpoints do youtube com legendas sentimentalonas, poemas de casa-de-banho de fazer chorar as pedras da calçada, etc. Também há a versão apaixonada da coisa: aqueles que se julgam discretos quando partilham frases tão vagas como "Quando menos esperamos, o amor encontra-nos" e mais uns terabytes de músicas, declarações de felicidade e manifestos de amor sob a forma de cupidos, corações e estrelinhas. Um mimo.

Obrigada, Isabel!

Alicia Keys
Fiquei com o coração quentinho com este post escrito pela Isabel, do Kabukis&Margaridas. É como lhe disse: o melhor presente da blogosfera são os leitores por detrás das letras e dos comentários, que de uma forma ou de outra nos tocam, nos enriquecem, nos mostram um bocadinho de luz todos os dias.

Boa semana, meus amores!