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| Alice Eve |
Não me interpretem mal, isto não tem ponta de arrogância ou altivez. Não se trata de querer rebaixar ninguém nem de me julgar superior quando sou atendida ou servida. Não tem nada a ver com isso. É uma questão de educação. De respeito, talvez. Parto do princípio de que quando o atendimento ao público faz parte das nossas funções, o profissionalismo não pode nem deve ser abafado pela coloquialidade. Por outras palavras, espero que sejam simpáticos e prestáveis comigo, mas sem grandes intimidades, porque se não conheço o funcionário de lado nenhum, não vou achar a menor das graças a grandes confianças.
Por exemplo, a senhora que colabora connosco cá em casa, a quem me recuso a chamar de empregada doméstica porque é como se fosse da família, pode e deve tratar-me por tu. Sou muito mais nova que ela e não gostaria que fosse de outra forma. Se conhecer a pessoa, tudo bem. Mas ir a um restaurante e ser tratada por tu por quem me atende e nunca vi na minha vida, é no mínimo absurdo.
É uma gaffe com que sou constantemente confrontada. Creio que a minha cara de garota não ajude, uma vez que há quem duvide dos meus 27 anos. Passo os dias nisto:
"Estás noiva? Mas és tão novinha! Que idade tens? Pensava que tinhas 19, no máximo!"
"Tabaco? Mostre-me o seu Bilhete de Identidade!"
"Mas tu já conduzes? Quantos anos tens? O quê?? Não te dava nem 18!"
Sinceramente, não percebo. Acho que não tenho ar de menina pequena, mas é coisa para dar jeito aos 40.
Anyway, não gosto que me tratem por tu quando vou a lojas, pastelarias, restaurantes, supermercados, etc. Acho de péssimo tom, de um atrevimento escandaloso e fico mesmo irritada. Não andámos juntos na escola, pelo que não vejo motivos para isso. Desde miúda que isto me incomoda e a minha reacção varia entre duas opções:
- ou começo a exagerar: "TrAZ-ME um café, por favor. DÁ-ME uma Frize, por favor. DIZ-ME, quanto é?"
- ou começo a exagerar: "OlhE, traGA-ME um café, por favor. DÊ-ME uma Frize, por favor. DiGA-ME, quanto é?"
A ideia é ver se topam que estão a ser inconvenientes, do género: estou a tratar-te por tu, não reparas? ou estou a tratar-te por você, quem mandou que te dirigisses a mim por tu? Esqueçam, não funciona. Nunca ninguém mudou de registo. Acho que não percebem a dica.
Senhores proprietários de estabelecimentos comerciais e afins que estejam a ler o lamparina, toca a pensar em formações de bons modos para esses funcionários, vá lá ver. Não é assim tão difícil, acreditem. Posso dizê-lo porque já tive contacto directo com o público em várias situações profissionais e nunca ousei tratar ninguém que atendesse por tu.
Funcionários leitores do lamparina, não se esqueçam deste meu desagrado porque pode haver mais gente chata como eu...