sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sabemos que não somos pessoas normais

Anna Dello Russo
quando sonhamos que estamos em amena cavaqueira com a Anna Dello Russo. Encontrámo-nos em Lisboa e ela gritou: "ANAAA!". Fiquei parva. Ela sabia o meu nome. Gastámos horas à conversa.
Depois acordei e estava no meu quarto e a minha vida era perfeitamente normal, sem pinga de glamour.

Bom fim-de-semana!

Heidi Mount
"A decisão mais acertada é sempre a mais difícil de tomar."
F.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A pedido de uma leitora fofinha

e por falar em Nutella, lembrei-me de uma promessa que fiz: escrever um post com dicas sobre o que vestir quando estamos acima do peso ideal. Sobre isto poderia até escrever um livro inteiro (quem sabe, um dia?) já que a minha experiência pessoal me atribuiu um doutoramento honoris causa no assunto. Para quem não se lembra ou não está a par do caso, deixo aqui o link para ficarem a par do meu old body (#curvalicious).

A C. pediu e eu vou tentar esquematizar as regras e os truques de que fiz uso ao longo de longos anos para valorizar o que tinha de melhor e disfarçar o que não gostava assim tanto e que não fazia questão nenhuma! de exibir. Para isso, recorri à querida Jessica Simpson, que me proporcionou imagens bastante elucidativas, perfeitos exemplos do que fazer e do que evitar.

A ideia não é enfiar um saco de batatas para esconder o corpo, muito pelo contrário! Temos que pensar em proporções e ter em conta as nossas formas, que cada corpo é um corpo, certo? Saber evidenciar os pontos fortes, como a zona mais estreita do tronco, as pernas torneadas ou o busto bonito, parte de uma apreciação individual. Contudo, diz-me a experiência que regra geral, quanto mais largas forem as roupas escolhidas, maior vai aparentar ser o corpo. Em contrapartida, nada de tecidos coleantes - só servirão para evidenciar todo e cada pneu, fazendo sobressair o volume que queremos dissimular.
A palavra-chave é harmonizar.

Os looks monocromáticos não são muito favorecedores para quem está com excesso de peso, porque tendem a esconder completamente as curvas, tornando a pessoa num só bloco, recto e volumoso. Vale a pena quebrar a silhueta com outra cor, recortes ou um cinto, por exemplo.
Not.
Hot.

Atenção aos braços! É preferível escolher sempre peças com manga (mesmo que apenas até ao cotovelo, claro) que não seja justa. Além de ser mais confortável, funciona melhor do ponto de vista estético.
Not.
Hot.

Cuidado com os decotes, principalmente se o peito é grande. Demasiado reveladores não ficam bonitos, mas uma camisola tapadíssima "enche". Convém ter o pescoço à mostra, mas não as mamocas, if you know what i mean.
Not.
Not.
Hot.

Se a barriguinha é proeminente, esqueçam os vestidos muito curtos, porque tornam o tronco também mais curto e fazem com que pareçamos mais baixas e anafadas. O comprimento ideal é pela altura do joelho.
As saias e os vestidos devem ser em evasé, para não acentuar demasiado a anca. O formato em A tem o condão de atenuar essa zona problemática evidenciando as pernas. As saias mais subidas são a melhor opção.
Not.
Hot.

Destacar os ombros, nas camisolas, camisas, tops e casacos, torna a silhueta mais equilibrada. É que ao salientar a largura dos ombros, parecemos ter a cintura mais fina.
Not.
Hot.

Nada de calças afuniladas ou justíssimas. As calças devem ser escuras (mesmo as de ganga), discretas (sem brilhos nem grandes adornos ou estampados para não chamar a atenção nem aumentar visualmente o volume das pernas) e ser suficientemente subidas para:
a) não mostrar a cuequinha ao sentar;
b) não marcar o corpo;
c) segurar a barriguinha.
Not.
NOT!
Hot.

Cuidado com as riscas e os estampados: as riscas horizontais ampliam, mas as verticais alongam; os estampados muito grandes ampliam, mas os mais miudinhos são aceitáveis.
Not.
Hot.

Também os sapatos devem ser tidos em conta: os saltos tornam-nos mais elegantes e esguias, os botins devem ser usados com collants ou calças no mesmo tom, as tiras no tornozelo ou enfeites no peito do pé tendem a encurtar a perna.
Not.
Not.
Hot.

Há dois grandes trunfos que não podemos esquecer:
a) Qualquer look mais básico pode ser enriquecido com um colar (como a imagem acima ilustra), um lenço, uma mala gira, um cinto, brincos ou pulseiras. A vantagem? Marcam a diferença, enriquecem o outfit e distraem as atenções.
b) No Inverno, parecemos sempre mais "enchouriçadas", mas se o casaco tiver um bom corte, estruturado, cintado e com os ombros bem definidos, minimiza esse efeito.
c) A roupa interior correcta pode fazer milagres. Um soutien que não marque as costas nem faça o horrendo efeito de dupla mama e coloque o peito no sítio certo ou uma spanx que deixa tudo bem acomodado são preciosos investimentos. Ou vocês acreditam mesmo que essas celebridades curvilicious acordam assim esticadinhas e sem pneus pela manhã?







Vêem ali a spanx escondidinha? Ah poizé!


Mas sabem uma coisa? O que está realmente na berra é o velho cliché "sentirmo-nos bem connosco". Com mais ou menos quilos, o ideal é usar tudo o que temos ao nosso alcance, tudo o que a indústria da moda disponibiliza, para sermos todos os dias a melhor versão de nós mesmas. Com mais ou menos curvas. Porque são as nossas imperfeições que nos tornam únicas. O importante é que nunca nos desleixemos com o mais importante: nós. Qualquer dica, truque ou regra perde a validade se aplicada a uma mulher que não cuida do seu cabelo, da sua pele, que não tem cuidado com a apresentação das suas mãos e anda com o verniz lascado durante uma semana inteira. Vão por mim! Sei do que falo... O dia corre menos bem se não me sentir bem comigo.

Não te ponhas a pau depois dizes que coiso.

Jennifer Aniston
Sou uma influenciável. Não posso ver uma imagem de um pãozinho com Nutella num blog e vou a correr para a cozinha fazer "só um bocadinho" de Nutella com pão. Credo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PÁRA TUDO!

Michelle Williams
Imaginem que descobrem um blog que diz exactamente aquilo que vos ocorre quando espreitam um ou outro blog daqueles giros, cheios de fotos e roupas, outfits e looks do dia. Falo daquela voz fininha, lá atrás, com um certo risinho jocoso, que dispara mal se depara com uma ou outra atrocidade postada, mas que ignoramos porque somos pessoas de bem e não vamos ferir aqueles egos com comentários parvos como vemos por aí... sabem? Pois. Descobri ontem um blog assim. Sem recorrer à ordinarice brejeira, goza à brava através desse acto tão simples que é atirar a verdade, nua e crua, sobre aquilo que se vê nesta blogosfera. Não é o gozo gratuito nem a maledicência barata, é a sincera apreciação sem filtros.
Bem, não imaginam o que eu já me ri. O nome fica na memória e o vício entranha-se tão depressa que já li todos os posts! Bimba without the Lola.

Assim de repente, já não posso ouvir...

Lily Donaldson
...falar da miúda que abraçou o polícia. Devemos mesmo estar a precisar de qualquer coisa de sobrenatural, que isto de deificar tudo e todos por dá cá aquela palha já cansa. Um faz greve de fome e é o D. Sebastião, a miúda abraça o polícia e já é o símbolo da revolução, o novo cravo. Chiça, pá. Tenham calma. As atitudes podem ser só positivas, louváveis, dignas de apreço e mais nada.

...a musiquinha da Gabriela nem nada que diga respeito à dita novela. Uma bardanice, só mamas e rabos e num horário ridículo. Ainda por cima, a única novela que eu gosto mesmo de ver começa por volta da meia-noite (Insensato Coração). Fique claro que não sou noveleira, mas gosto daquelas da Globo, com actores que já conheço desde piquiti, como o António Fagundes aaaaaaaaai Antoninho, Antoninho gostantoti!, a Glória Pires e outros que tal, passadas neste século e com uma história gira. Já não via uma novela há imenso tempo e tenho seguido esta com muito orgulho. Quanto à Juliana Paes versão wild e desgrenhada, se eu quisesse ver as mamocas dela, bastava-me ir ao Google. Aposto que lá sempre aparecia mais limpinha.

...piadas fáceis estilo "Coelho só assado" e afins. Nem todos podem ser o Ricardo Araújo Pereira. Esqueçam. Deixem-se disso. Continuem com as frases pseudo-filosóficas sobre a vida e com imagens amorosas de cães fofinhos e votos de bons dias em Português do Brasil.

...nada sobre o programa dos gordinhos a dançar. E o Futre a dançar? God. Ainda bem que há tv por cabo.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Queria dormir.

Agyness Deyn
E foi quando a tempestade amainou que tentou olhar à volta. Destapou o rosto e a cabeça, tentou levantar-se. Ainda não conseguia perceber que mudanças tinham acontecido, mas via que estava tudo mudado, tudo diferente. Ficou ela, com a cria que tentara proteger debaixo do braço. Levaram-lhe tudo o que tinha sido seu. Levaram-lhe a casa, os livros que escrevera, a esperança de que o seu pequeno mundo era inabalável, indestrutível, inalterável. E ainda não choveu para que a água levasse os destroços. Sente-se frágil e débil, mas viva. Olhou à volta, tentou erguer-se. Ainda não conseguia perceber tudo o que tinha sofrido, tudo o que tinha crescido, tudo o que tinha passado a ser. Queria dormir, dormir até que os dias passassem e fizessem desaparecer os danos.
Quando dormimos, sonhamos. Quando sonhamos, vivemos o que não vivenciamos fisicamente. Libertamo-nos do peso do cadáver adiado que nos priva da leveza da liberdade e de tudo o que nos prende ao chão e não nos deixa voar. Quando dormimos, não vivemos o ramerrame do quotidiano nem perdemos tempo com o que faz doer. Não há paz como aquela que o sono traz.
E então ela queria dormir, dormir até que os dias passassem e fizessem desaparecer os danos, as dores, as partes de si que morreram mas que continuam vivas quando entra no doce estado de dormência que procura todas as noites. Perdeu-se de si mesma e não sabe onde se encontrar. Não sabe o caminho, que a Vida tornou-se num irreconhecível labirinto em que cada canto esconde outra dor. Para onde foram as luzes que lhe iluminavam a escuridão que não tinha em si lugar? Para onde fugiram as mãos que a aqueciam quando não tinha frio? Para onde foi a pessoa que habitava naquele corpo forte? Deixaram-na ali, esquecida pelo tumulto do tempo que não quis saber dela.