sexta-feira, 30 de março de 2012

Rumo ao Sul.

Isabeli Fontana
Vou com a Mana Lamparina. Vamos mudar de ares, ver outras caras, pensar noutras coisas. Sempre que nos afastamos do nosso mundo, ainda que por pouco tempo, podemos respirar fundo. E lá vamos nós. Quatrocentos quilómetros devem chegar para que custe voltar.
Até lá, o lamparina continua vivo. A Menina é que não vai andar por cá todos os dias. Mas quando voltar, espero voltar em força, pronta para ler os vossos textos, ver as imagens com que ilustram os vossos sentimentos, espreitar o que têm para contar, responder aos comentários que as minhas queridas leitoras (e os meus queridos leitores) deixam por cá. Pronta para mergulhar nas tarefas todas que tenho a cumprir e para enfrentar cada desafio com serenidade. Já chega de cansaço... até já! :*

Bom fim-de-semana!

Jennifer Love Hewitt
"Aquele que conhece os outros é sábio. Aquele que conhece a si próprio é iluminado."

Lao-Tsé

quinta-feira, 29 de março de 2012

A guru disse.


Obrigadaaaa!

Daphne Groeneveld
Eu pedi ajuda e as pessoas mais queridas do planeta ajudaram. Ainda não pintei a juba, mas está quase.
Ora...  segundo o poll, ganha o castanho escuro, com 13 votos (59 por cento, portanto), contra 9 para o quase louro (40 por cento). Segundo as minhas contas, falta um ponto percentual e não sei onde o poll o meteu. O problema deve ser da minha cabecinha pouco dada às matemáticas, está visto.
Na caixa de comentários, eu diria que o quase louro está claramente à frente nas vossas preferências: só uma menina me aconselha a pintar o cabelão de castanho escuro, enquanto nove me aconselham a escolher o tom mais claro.
Contas feitas, temos um total de 14 meninas a favor do look K-Dash e 18 a torcer pelo ar fofinho da Amanda.
Agora falta a minha opinião. Vou meditar.

Pérola do dia

Olsen Sisters
Não sei a que propósito veio o nome, mas estava a explicar-lhe alguma coisa sobre o António Fagundes.
- Mas que nome é esse afinal? - pergunta ela, intrigada.
- Qual, Mana?
- António Faguncho? Quem é esse?
- Faguncho? - inquiri uma vez mais, abafando as incontroláveis gargalhadas.
- Sim. Não é Faguncho?
E eu pensava que tinha uma dicção perfeita... mas ela diz que não. Que eu digo sempre Faguncho.

quarta-feira, 28 de março de 2012

de tudo o que é antes. - Quarto.

Scarlett Johansson
Do outro lado, tudo é um enigma. Não percebe nada, não vê nada. Não há jogo de cintura possível quando não sabe se cativa ou repele. Retrai-se. Esconde-se. Os receios aumentam e ela já só espera que a Vida faça o resto. Que o vento leve o seu perfume até ao protagonista dos sonhos que sonha acordada. Se antes era toda poder e confiança, agora é só uma menina assustada, tímida e insegura. A vulnerabilidade não é confortável. Aninha-se numa manta fofa e fica quieta. O silêncio cortado pela dúvida. Quer acreditar que não se revelou. Que não mostrou nada. Que não se expôs. Hoje não há cigarro, é um chá que a acompanha. O aroma acre e a chávena quente. Precisa de se sentir aconchegada, protegida. Que lhe leiam a alma é inaceitável. Que a desconstruam, é impensável. Que não a temam, que não se deixem intimidar por ela. Sente-se despida no meio de uma rua movimentada. Ela quer dormir. E sabe que vai sonhar com ele outra vez. Então tenta pensar noutra coisa qualquer, noutra coisa qualquer que é interrompida pela mesma dúvida. Inquieta, levanta-se, fita o céu e fica. Ali. Horas. E sem querer, recorda todos os instantes novamente, os olhos, o nariz, o sorriso, a máscara. O que estará por detrás dela? Algum dia saberá quem ele é? Que pessoa está ali?

Cagante.

Emma Roberts

Tínhamos pensado em chamar José Carlos ao nosso filho, quando fôssemos grandes. José é o nome do pai dele. Carlos é o nome do meu pai.
Eu nunca fiz questão de dar o nome dos avós à futura cria, mas como ele queria que o pai dele fosse homenageado, então achei justo que o meu também fosse.
José Carlos. Ficaria o Zeca, inevitavelmente. Não me agradava muito a ideia. É como os Franciscos ficarem Chicos.
Bom, a ideia foi posta de lado quando reparámos que o puto poderia ser gozado à força toda assim que os outros miúdos reparassem que ele seria... o Zeca Gante. Ora leiam lá. Zeca Gante. Não. Não pode ser.

terça-feira, 27 de março de 2012

da Imundície.

Kate Bosworth
Há pessoas que não gostam de um banhinho de quando em vez. E eu até podia ser uma pessoa compreensiva, mas não sou. Temos pena. E não me venham com histórias, que a falta de tempo ou de dinheiro nunca serviram de desculpa para a porcalhice eu sei que o vocábulo não existe, mas gosto de o usar mesmo assim. Eu cá acho que ninguém parece bem sem um bom banho tomado. A higiene não é uma alternativa. É básico. E não conheço ninguém que seja tido como lindinho, interessante ou giro se tiver o cabelo seboso e as unhas cheias de caca. Não é preciso uma dose imensa de make up nem cabeleireiros com força para estar bem, nada disso... mas há um mínimo de apresentação que revela respeito - por nós e pelos outros. Dentes, mãos e cabelos. Têm que estar imaculados. Demasiado exigente? Don't think so. Dentes branquinhos, mãos limpas (não é requerida cor da moda na unha) com unhas sem vestígios de sujidade e cabelo que não remeta para uma almotolia. Simples. Como até sou amiguinha, deixo a dica dos shampoos secos. Eu própria já experimentei o da Syoss (ajuda quando sabemos que ao final do dia o cabelo não vai estar tão fantástico como de manhã nos parece). Já não há desculpas.

a lua e os cabelos...

Katy Perry

Estamos em quarto crescente, não é? Vou cortar a juba. Estou louca!!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Não percebo os critérios destes gajos.

Beyoncé
Lembram-se disto? Agora o spam também me cai intensivamente aqui. Mas porque é que escolhem posts antigos? Ai o caraças...

Ajudem lá a Menina.

O meu cabelo está um nojo. "Ai que giro, isso usa-se imenso!" "Ah que máximo, vai super bem com o teu ar de tia surfer!" "Ai eu cá adoro ver-te com esse degradé, o ombre (ou ombré?) hair continua em altas!" "Então andam as pessoas a pagar horrores pelas madeixas californianas e tu queixas-te delas??" Sim. O meu cabelo está um nojo. Das duas uma: ou pinto ou pinto. Quero sugestões. Estou dividida entre um castanho escuro e um caramelo ainda mais claro que da última vez:

Escurinho à la K-Dash...
...ou mais claro, como a Amandinha.
Temos direito a poll e tudo. Vou deixá-lo aqui durante um dia ou dois porque isto é urgente.

sexta-feira, 23 de março de 2012

da inversão do altruísmo.

Drew Barrymore
A sensação que tenho é que não tenho nada para dizer. Nada para escrever. Nada de novo. Porque estou assim. Uma seca. Uma seca do caraças. Seca com acento agudo na segunda letra.
Tenho uma tia que não é tia de sangue e que cumpre as funções de avó na minha vida, que está sempre a recordar-me de como a autonomia gera desleixo nos outros. Diz ela que quanto mais independentes somos, menos se preocupam connosco. Se somos pessoas capazes, ninguém vai sequer imaginar que podemos precisar de uma mão. Ou de um abraço inteiro. De uma ajudinha. O apoio não se prende com coisas que tenham preço. Às vezes é só sentir que há um porto seguro, um ninho, companhia no vazio. É ter uma rede de segurança, saber que quando o galho se partir, podemos cair em paz, nos braços de quem nos espera lá em baixo.
A minha tia que é mais avó tem razão. Ninguém quer saber dos fortes. Dos capazes. Dos que fazem, que se safam, desenrascados.
É mais fácil zelar pelos frágeis, fracos e pequeninos. Esses fazem com que nos sintamos úteis quando estendemos a mão, certo? Tornamo-nos importantes para aquela pessoa coitadinha. Oferecemos soluções para os seus ínfimos problemazinhos. Atendemos ao seu pedido. Vamos prontamente quando nos chamam, porque sentimos que precisam de nós. É a nossa imagem que aqueles olhinhos carentes de cachorrinho abandonado meets carneiro mal morto vêem quando se erguem.
Então no fundo, é tudo uma questão de egoísmo puro. Ajudamos quem nos dá algo em troca. Quem nos enche de vaidade. Quem nos faz sentir fundamentais.
E as outras pessoas, aquelas tidas como fortes pelos habitantes deste planeta, ficam para trás, meio esquecidas. Porque como são auto-suficientes, não dispõem dessa moeda de troca tão valiosa... Não alimentam o ego.

Bom fim-de-semana!

Khloe Kardashian

"A consciência é muito bem-educada. Deixa logo de falar com aqueles que não querem escutar o que tem para dizer..."
Samuel Butler

quinta-feira, 22 de março de 2012

...


Adoro estas partidas parvas.

Sofia Vergara
Ele vai ao wc e eu saco o telemóvel dele, às escondidas. Num ápice, mudo o meu nome na lista de contactos para Vodafone. Depois é só esperar que ele volte e ligar. Vê-lo a atender e não dizer nada. Enviar sms ridículas e ver a reacção, a expressão surpreendida e ir compactuando com o seu espanto. Alinhar na indignação. Fingir que não percebo nada do que se passa até me desmanchar e desatar a rir às gargalhadas.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Bad hair days

Gemma Ward
Tenho a certeza de que devia cortar o cabelo. Devia. Mas não consigo. Ando a adiar o encontro com a tesoura há imenso tempo. Está pesadão, tem pontas espigadas, não sei o que fazer com ele. O corte não é corte e as máscaras e as toalhas quentes não são suficientes. Nem o Orofluido me safa. Parece que só fica bonito com babyliss ou curling iron. E o pior é que enquanto não me encho de coragem, vou tentando contornar a situação.









Dou por mim a inventar: ele é tranças espinha de peixe...



que alterno com semi-apanhados com gancho...



ou com muitos ganchos.



Ele é uma mixórdia qualquer a fingir que é penteado,


ou um rabo-de-cavalo mal amanhado que simula o look effortless que tanto prezo.



Às vezes, tento fazer qualquer coisa mais fofa...



Mas se o dia for mau, esqueço o ar despenteado e as fofuras e pronto.



Na pior das hipóteses, posso tentar escondê-lo num coque. Não gosto.



Porque o que eu queria era que ele estivesse todos os dias assim:

Bah.

A culpa disto não é nossa.

Jessica Alba

Chateia-me que a maior parte das conversas entre a malta da minha idade sejam mais ou menos isto:


- Olá, tudo bem?
- Tudo na mesma... e contigo?
- Também.
- Ainda não arranjaste nada?
- Nada.
- Pois. Eu também não. 
- Já não sei quantos currículos enviei.
- Imagino. E respostas? Recebeste alguma?
- Nada.

Chateia-me porque tenho a nítida sensação de que estamos a pagar por erros que não cometemos.
Vocês sabem que eu não falo muito da crise por estes lados. Acho que não vale a pena. Que não tenho muito a acrescentar ao que se diz por aí. Principalmente, acho que a minha visão de tudo isto não seria muito bem aceite nem plenamente compreendida. Mas ando saturada desta conversa. Mesmo. Merecemos melhor que isto.

Que enjoo.

Adele
Entrar no Continente e dar de caras com toneladas de ovos da Páscoa é coisa que não me gusta.
Ovos nas prateleiras, no tecto, pendurados por todo o lado, expositores a abarrotar de embalagens brilhantes e garridas. Que horror, tanto ovo junto enjoa.
E o preço? No meu tempo, os ovos da Páscoa da Kinder não custavam isto tudo, pois não? Vi uns da Barbie ou da Kitty já não sei, eram cor-de-rosa e pronto que custavam para aí sete euros. SETE euros?? Isso são praí mil e quinhentos paus! Mas tá tudo parvo?

terça-feira, 20 de março de 2012

Sou só eu?

Gisele Bündchen
Faz-me imensa impressão mexer no umbigo.
Ver pessoas a mexer no umbigo.

Sobre o corpinho.

Muitas de vocês, que estão desse lado e que me acompanham, não se limitam a comentar aqui. Porque precisam de mais espaço ou de maior privacidade, enviam-me e-mails. Adoro recebê-los. Alguns trazem questões que às vezes gosto de partilhar aqui em forma de post, se vocês me autorizarem. Uma das mais recentes que recebi foi:


"Olá Menina* Sei que adoras a Clinique e costumas partilhar imensas coisas sobre os produtos que utilizas no rosto, mas gostava de saber também o que usas no corpo. Tenho a pele muito seca e já experimentei tudo e mais alguma coisa. Podes ajudar-me?"

É verdade, raramente falo sobre este assunto. E como também tenho a pele seca, parece-me bem partilhar a minha rotina de cuidados com o corpo, apesar de mínima. Confesso que sou um bocadinho preguiçosa e só no Verão é que me obrigo a aplicar hidratante todo o santo dia shame on me.


Primeiro passo: Uma vez por semana, no banho, faço uma esfoliação com luvas. Fácil.










Segundo passo: Tento aplicar o creme hidratante todos os dias, depois do banho. Uso este, da Stendhal, há cerca de três anos. É poderoso. Sou daquelas que ficam com a pele toda branca nas pernas se se descuidam um bocadinho... e com ele, isso não acontece.









Terceiro passo: Tenho horror a cotovelos brancos e secos, calcanhares ressequidos e joelhos desidratados. É por isso que nessas zonas aplico cremes gordos.





De vez em quando, que é como quem diz quando calha, gosto de me submeter a uma esfoliação bruta. Ou seja, um hammam no Algarve ou uma sessão de mini-spa numa perfumaria cá do burgo, com direito a sal para ajudar ao esfreganço e tudo.
E vocês? Têm muitos cuidados com o vosso corpinho?

Diz que começa hoje.

Nicole Richie
A Primavera. Tudo floresce e eu espero que os meus dias também. Tudo se torna mais bonito, mais leve, mais doce. Excepto se me lembrar das alergias. E das abelhas. E do pó por todo o lado. Pólen. Espirros e afins. E por outro lado, os tecidos e as cores suaves. Bom, pelo menos falta pouco para o Verão!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Eu odeio bolo de ananás...

...mas hoje apetece-me TANTO!

Burberry Prorsum

Cada vez gosto mais. Sei que já estamos numa de Spring/Summer, que já anda tudo farto de casacos, trench coats e parkas, mas tinha que vos falar disto porque em todas as colecções fico um bocadinho mais apaixonada. Para mim, Christopher Bailey está para a Burberry como Riccardo Tisci para a Givenchy. Em vibes distintas, pois claro.  




Já viram bem esta peça? Linho, pêlo e pele. Apesar de não usar peles, não consigo deixar de vibrar com a harmonia entre os materiais. Resulta tão bem, mas tão bem, que chega a doer. Sem grandes tretas, sem exageros nem aplicações barrocas, surge algo usável. E com muita pinta. Subtilmente forte, sem quebrar a elegância feminina que queremos nos nossos closets.


Abram a imagem acima para verem com mais pormenor o tecido. O corte é maravilhoso, as riscas horizontais não assustam, a cintura está bem marcada com um toque de cor que corta a monotonia. A silhueta à Corto Maltese resulta quando aplicada ao feminino. Adoro.


E como os grafismos que nos remetem para o étnico estão em alta, claro que a marca não poderia tapar os olhos e assobiar para o lado. A peça-chave da Burberry genialmente reinventada. 


Para mim, as botas e os botins são o trunfo da Bruberry Prorsum. No entanto, tenho que admitir que estas sandálias têm tudo para se tornarem num objecto de desejo para o mulherio que não esteja tão farto de contas à volta do tornozelo como eu, que as vejo em todas as barraquinhas de praia há milénios. 

Contem-me dessas!

Beyoncé
E pronto, acabou o bem-bom do fim-de-semana! O meu foi passado num dolce fare niente maravilhoso.
Às vezes é preciso fugir, nem que seja para o esconderijo mais próximo, só para tentar reequilibrar os níveis cá dentro. Reorganizar. Pôr tudo no sítio. Comer uma francesinha. Andar a pé uma tarde inteira. Acordar e ter o mar como paisagem. Descomprimir. Não querer resolver nada. Não pensar em nada.
Voltei e estava tudo na mesma. Tudo igual. Só não sei se eu estou igual, lembrei-me que essa parte depende de mim. Então estou a preparar-me para erguer o queixo e começar outra vez, um passo depois do outro.
E hoje, além de ser segunda-feira, também é Dia do Pai. Como vão mimar o vosso?

sexta-feira, 16 de março de 2012

How to speak like a fashionista. - vol. II

Rachel Zoe
Lembram-se deste post? Tenho uma coisinha a acrescentar: é que o verde-água agora é mint. E o cor-de-laranja este ano é tangerine tango. Quem é amiga, quem é?

A história da carteira. A que entrega cartas.

Victoria Beckham
Há duas pessoas que trazem o correio cá a casa: um senhor e uma senhora. Ele é carteiro. E ela? Carteira? Seja.
Então não é que a carteira God, isto soa-me mesmo mal decidiu advertir a senhora que trabalha cá em casa (a Dona Irene, que me acorda com aquele jeitinho que só ela sabe) relativamente à Adda?
- Ai que eu tenho medo de cães, que já fui mordida, que a deviam ter presa, que deviam mudar a caixa do correio para outro sítio...
Olha-me ca ganda lata! A ideia de ter um cão solto no jardim, dentro dos limites que vedam a minha propriedade, também passa por aí: meter medo a quem não é da casa. Quero lá saber que ela tenha medo, olha-méeesta! E se ela se preocupasse em fazer o seu trabalhinho, distribuir as cartinhas todas sem se enganar nas moradas, em vez de meter o nariz na vida alheia?
Vou explicar-vos: eu levo a mal quando se metem na minha vida e na da minha cadela. Mais ou menos como quando uma mãe se irrita com quem manda vir com a sua cria. Eu é que posso ralhar com ela.
Só para terem uma ideia, há algum tempo fui levar o lixo how glam is that? e levei a Adda comigo. Ela é uma labrador preta, sossegada e animada comme il faut. Anda sempre juntinho das minhas pernas. Não a gabo por ser minha, ela é mesmo bem-educadinha e afável. Tica-tica, lá fomos as duas. Uns quinze metros até ao spot e voltar para trás. Não chega a ser um passeio. Com o bom tempo, há imensas pessoas que decidem fazer caminhadas aqui pela minha zona e claro que a Adda decidiu ir dizer "olá" a um grupo (dizer "olá" significa rondá-los à espera de atenção) e assim que ela se dirigiu às pessoas, comecei a chamá-la. Ela voltou imediatamente para pertinho de mim. Sei que nem toda a gente acha graça a animais embora não o compreenda e como ela é grande, preta e tem uns dentes assustadoramente grandes e brancos, há quem se intimide... por isso nunca a deixo interagir com estranhos nem incomodar quem passa por nós. Detesto ver cães soltos nas praias, por exemplo. Já perceberam que há aqui bom senso, certo? Bom, a questão é que ainda a Addinha não tinha tido tempo de perceber que tinha feito mal em aproximar-se do grupo, quando uma fulana começa a gritar que "os cães deviam ter um açaime, onde é que já se viu?". Enchi-me de raiva e gritei-lhe que "há imensa gente que devia andar de mordaça e trela"... Acho que ainda posso ter sacado de um "estúpida" depois de a ouvir dizer "ainda por cima, é o cão do veterinário!". Ainda hoje ela olha para mim com cara de má, quando nos cruzamos numa pastelaria que frequento. E eu retribuo com um sorrisinho parvo. Secretamente, mando-a à merda.

Bom fim-de-semana!

Eva Mendes
"Sou inquieta e áspera e desesperançada. Estou cansada. Meu cansaço surge porque sou uma pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo. Meu esforço: trazer agora o futuro para já."
Clarice Lispector

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu nem gosto de ténis...

Cliquem na imagem para ler... Sorry!

...mas fiquei obcecada com estes. Fazem-me lembrar uns Isabel Marant mais clean, uns Nike mais elegantes. Quem se lembra das Keds com salto em cunha que as betinhas usavam há uns dez anos atrás? Eu adorava as minhas!
Estas são mesmo fofinhas, baratérrimas e assim que coloquei a foto no face, o namorado mais fofo do mundo foi a correr para a H&M mais próxima para as trazer para mim, fazendo-me uma surpresa maravilhosa e... não havia. Claro. Como sempre. Nunca há nada. Fomos à net e... um pormenor: a H&M não tem loja online em Portugal. How cool is that? Bah... Lá vou eu ter que ir ao centro do mundo (my beloved Lisbon, a cidade onde nasci) para as encontrar. Ou então peço a alguma alma caridosa que mas traga (bff, isto é para ti).

(*) Lembram-se destes? São as converse de que falo na imagem.

Eu quero é dar-vos música(s).

Rihanna
Já não vos dou música há imenso tempo. Mais precisamente, desde o dia 17 de Fevereiro. Na altura falei-vos de uma das mais velhinhas pessoas da minha família. Desta vez, quero falar-vos de uma música que não suporto ouvir, por causa do mais novo membro da minha família. Adivinham quem? Exacto. A Mana Lamparina, pois claro. Ela não liga nenhuma à Rihanna, mas numa fase em que a fúria nos consumiu de igual modo, em que a sanidade era tão frágil quanto difícil de manter, esta música marcou-a. E marcou-me a mim também. Não posso ouvi-la. Mal começa, mudo de estação, de canal ou saio do local onde estiver. Traz-me um mix de raiva e impotência que me magoam sempre que recordo aqueles dias longos e angustiantes. Sempre que me lembro de como não fui capaz de protegê-la ainda mais. Sempre que revivo aquela sensação de leão enjaulado, cheio de fome, louco por liberdade, sedento de caça. Ouvir novamente cada acorde funciona para mim como o som da campainha para o cão de Pavlov. É automático: a mesma dor preenche cada pedacinho do meu corpo. O mesmo medo. Sentir-me sem chão e sem tecto. Revejo as lágrimas nos olhos que não sendo meus, quis secar. Queria roubar-lhe toda a dor, preferia ser eu a sofrer sozinha, percebem? Quando amamos assim, querendo proteger o outro da vida, do mundo, de todo o mal, dói ainda mais a consciência de que não pode ser. Esta música lembra-me da minha incapacidade para mudar o mundo. Lembra-me de que não posso enfiar verdades nas cabeças dos outros. Não posso fazer com que não errem ou evitar que dêem cabo de tudo o que está à sua volta. Esta música lembra-me da pior das verdades: eu não consigo controlar tudo. E porque as músicas não são sempre felizes e belas, hoje quis partilhar estas memórias convosco.