sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bom fim-de-semana!

Iman
"What you don't have you don't need it now."
U2, "Beautiful Day"

Coisas de gaja

Whitney Port & Lauren Conrad 
Jantamos, deitamos conversa fora, partilhamos inseguranças, fazemos confissões, bebemos um fino, dizemos baboseiras, anunciamos sonhos, encorajamos projectos, elaboramos teses e vamos para casa com um sorriso e a certeza de que é uma preciosidade haver outra mulher no mundo com quem possamos falar sem que a mesquinha competição feminina assombre a amizade.

dos cabelos.

Lily Allen
Sempre tivemos uma relação de amor/ódio. Eu e o meu cabelo somos entidades diferentes, com díspares personalidades. Na maior parte das vezes, amo-o de paixão. Outras alturas há em que não o posso ver, dada a ingratidão com que reage aos meus constantes mimos. É comprido, espesso, revolto. Andar despenteada é a minha imagem de marca. Nunca fui fã de cabelos certinhos e perfeitamente alinhados, gosto do ar de quem acabou de acordar - isto não significa que aprecie o estilo da Lily na foto.
O meu cabelo não pode sentir humidade, que dou por ele todo levantado e frisado, de tão enorme susto. O meu cabelo tem dias fantásticos, em que me parece o melhor do mundo.
Odeio ir ao cabeleireiro, elas não sabem mexer na minha juba e saem-se sempre com comentários do género "Credo! Como é que penteia isto em casa? É preciso comer um bife!", enquanto com um pente minúsculo tentam desembaraçá-lo. Por norma, peço uma escova e dou conta do recado. Em menos de cinco minutos, tenho o trabalho feito. Depois é um drama quando começam com a história do "este cabelo está super desidratado" e do "tem que cortar as pontas". Pois, como se eu não soubesse que assim que tiveres uma tesoura nas mãos, me levas metade do cabelo, o que corresponde a três ou cinco anos. Três anos a apegar-me às minhas pontas não é pouco, minha gente! Uma pessoa cria laços (e nós) com cada fio. Além disso, ele é mesmo assim. Cortasse eu o cabelo pelas orelhas e ele continuaria assim. Porque é a sua natureza, é selvagem. E eu não me importo todos os dias com isso, até porque com um certo jeito e algum tempo, faço dele o que quero. Não é barato mantê-lo, não senhor. O ritual é simples: lavo-o duas a três vezes por semana com produtos profissionais que vou alternando para ele não se viciar - que vicia, a sério! Máscara uma vez por semana, amaciador leave-in sempre. Sérum nas pontas quando lhe vou dar com o secador e uma vez por mês, toalhas quentes com óleos. É por isto que me irrito quando as senhoras cabeleireiras insinuam que não tomo conta dele. Não percebem nada disto. É do meu lado afro que vem esta farta cabeleira, só posso ter orgulho nela.
E agora perguntam vocês: porque raio estás para aí a falar do cabelo? Mas alguém te perguntou alguma coisa?
E eu respondo: sonhei com ele, esta noite. Tinha-o num bob extra volumoso e só chorava. Foi um pesadelo medonho.

fiquei triste

ao descobrir que há computadores em que este blog aparece todo disforme, com as imagens desalinhadas. No meu, vejo tudo direitinho.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Até ao Natal e sempre que me aprouver...

...vou dar-vos gratuitamente sugestões para prendinhas de Natal. Por norma, nos aniversários ofereço presentes mais pessoais, maiores, mais a sério. Acho que o Natal, sendo uma quadra em que oferecemos algo a mil e uma pessoas, nos permite ser menos exagerados - mas não menos criativos. Assim, podemos pensar em oferecer apenas um miminho a cada pessoa, num gesto agradável e não necessariamente caro, que os tempos são de crise e ainda falta muito para os saldos. Podemos tentar fazê-los em casa. Este ano, vou comprar correntes, fechos, pedras, fitinhas, tecidos e tudo o que achar giro para criar algumas prendinhas de Natal, como colares, brincos ou pulseiras. Parece-me que só o facto de serem feitas por mim lhes confere mais valor. Ainda por cima serão peças únicas, criadas exclusivamente para quem as recebe. Um colar é sempre mais fácil de fazer para quem está a começar. Deixo-vos algumas ideias que podem servir de inspiração. É só colocar o tabuleiro com o material à frente e sentar no sofá, frente à tv. Sempre adorei fazer bijutaria, sempre usei muitas missangas e apetece-me voltar a brincar com isto. É um hobbie que junta o útil ao agradável e que me diverte imenso. No ano passado, a mana lamparina, por ser adolescente, teve imensas dificuldades em encontrar uma clutch apropriada para levar a um casamento - eram de bebé ou de adulto, não havia meio termo. Farta de procurar, decidi fazer-lhe uma, adequada ao gosto e à idade dela. Num destes dias, posto-a aqui... pode ser uma outra sugestão para presentes de Natal.

não se fala de outra coisa...

Lanvin hearts H&M
Diane Kruger usou uma parecida há tempos e como ela, muitas outras celebs. Esta é uma peça Lanvin para a H&M, um dos muitos mimos que estarão disponíveis apenas em lojas seleccionadas a partir do dia 23 de Novembro. O assunto tem sido motivo de conversa entre muitas meninas que, como eu, estão ansiosas para ter entre mãos um cheirinho de luxo. Os pontos altos são os LBDs. A Maria Guedes mostra no seu blog um pouco mais da colecção e foi do STYLISTA que roubei a foto.

Boa comida.

Tenho saudades de jantar aqui.

E por falar nestas coisas, quem não tem um moleskine?

Lá está. Toda a gente tem um. Porque é o máximo, Hemingway também tinha o seu e blá blá blá. Este artigo do i tirou-lhe algum encanto: vejam lá.

detesto...

Chloe Sevigny
...o halloween, vulgo Dia das Bruxas. Acho a maior das piroseiras, uma palhaçada que só mesmo neste país pegava. Sim, porque aqui, vá de imitar os EUA que eles é que são ricos e têm mansões de madeira. Toda a vida vi queques em Portugal, pastéis de nata, russos, mil folhas - agora é o cupcake que enfeita as prateleiras de cada corner - já é corner, não é balcão nem nada que o valha! - em cada shopping, ou os ex-centros comerciais. Já se fazem lá para os lados de New York há milénios, mas agora houve meia dúzia de tugas que se deram conta de que o corante é que é bom. E é, que eu adoro cupcakes. Também há a loucura do Carnaval, com essa mania de imitar os festejos lá do outro lado do Oceano, onde os índios semi nus dançam, xinguilando ao som do batuque. Por cá, estejam dez ou vinte graus negativos, com mais ou menos celulite, toca de dar ao rabo e mexer freneticamente os pezinhos, que isto do samba é só o número de movimentos por segundo. Qual Carnaval de Veneza? A Europa já deu o que tinha a dar, meu povo. Por isso, toca a chamar St. Valentine's Day ao Dia dos Namorados e a vestir qualquer merda parola para lá na aldeia saberem que a gente é féshôn. Porque a gente sabe o que é o halloween. E a gente diverte-se tanto com isto... E o Santa Claus está quase, quase a chegar. Diz que vem no camião da Coca-Cola. Coke, you know?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Foi um looooooooongo fim-de-semana.

Shakira
Tão longo como cansativo. O stress cansou-me mais que tudo o que fiz, confesso. No final, correu tudo bem, mas agora precisava de mimos. Queria sair da redacção e ir para uma boa massagem, depois um banho para tirar os óleos e cabeleireiro. Aproveitava para fazer a manicure e depois de um jantar que não fosse confeccionado por moi je, perdia-me no sofá. E estava bem assim. É que nem compras, vejam-me bem o estado lastimável em que me deixaram... quero paz, sossego e canapés, faxavor.

Para quando o regresso?

Elle Macpherson
Fui vê-lo, como é óbvio. E foi estranho. Estive tanto tempo à espera da vinda do Michael Bublé a Portugal e já acabou. Foi rápido e menos emocionante do que estava à espera. Adorei o concerto, saber todas as músicas de cor, dançar, gritar, pular é sempre o máximo. Mas ele está noivo e isso tira-lhe a maior parte da piada. Além disso, lamento que não haja qualquer espontaneidade no alinhamento - e não me refiro às músicas, mas sim à componente de stand up comedy que ele confere à sua personagem de palco, um verdadeiro entertainer. Fantástico, mas mais do mesmo, para quem, como eu, fã assumidíssima, já viu e reviu pelo menos duas mil vezes o DVD. Mudam as músicas, mas as piadas são mesmo sempre as mesmas. Contudo, não é nada desagradável estar dentro do filme, pelo contrário. Set bonito, boa montagem, boa produção, excelente banda, fantástico ambiente. Adorei. Faltaram músicas como "Sway", "L-O-V-E" ou versões do penúltimo álbum, do género "I'm your man" ou "Wonderful Tonight". Fui com a minha bff e com a minha mãe, que completou meio século de vida. Já estou à espera da segunda vez em Portugal... Sem noiva nem esposa, Michael.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bom fim-de-semana!

Julianne Moore by Michael Thompson
"Um cobarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos."
Mahatma Gandhi 

Não se metam com ela hoje!

Monica Bellucci
Tenho tentado combater o mau humor com que a semana atribulada que tive me poderia contaminar. A cada obstáculo, a cada dia. Estou cansada. Acho que se alguém me disser uma palavrinha que não me caia no goto, hoje leva uma boa dose de pancada. Este céu cinzento trouxe a chuva e com ela a minha cor de olhos mudou. Tenho o olhar baço e o coração escurecido. É bom que ninguém se lembre de me chatear. Vou ter que ir para a rua trabalhar, hoje. Com esta chuva e ainda sem as minhas galochas da Lanidor. E depois do trabalho, vou dar explicações. E depois tenho outro trabalho. E isto tudo com outras situações pendentes que me dão cabo dos nervos. Congelem-me. E descongelem-me só para ver o Michael Bublé.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ele há coisas que eu não compreendo.

Amy Winehouse
E cheira-me que nunca vou compreender. O que não faz parte da nossa natureza é de difícil digestão e tende a demorar mais tempo que o normal a ser absorvido. Porque não cabe ali, não tem lugar na nossa maneira de ver, sentir, pensar as coisas que existem. Todas as coisas que existem. É que a minha visão é mesmo diferente da tua, entendes? Provavelmente, receberás estas palavras com uma emoção que não será igual à que sinto quando as escrevo. Na verdade, é sempre assim. Eu vi hoje um melro pousar no limoeiro que tenho no jardim lá de casa e dediquei alguns minutos a admirá-lo. Talvez tu o ignorasses, ou nem te apercebesses de tão discreta presença. Talvez fosses buscar a máquina fotográfica ou uma fisga. É esta diversidade no olhar e no absorver a realidade que nos torna únicos. Termos a noção de tudo isto enriquece-nos, principalmente quando sabemos respeitar as inúmeras posturas que cada um adopta. Chama-se a isto tolerância, usualmente. Há coisas que não tolero.
Não tolero a inconsequência porque não a compreendo. Não consigo gastar hoje dez euros que me podem fazer falta amanhã. Não consigo tomar decisões - mesmo quando estou de cabeça quente, tenho a sensatez de respirar fundo e deixar para depois. Sou uma garota, eu sei. Não dou lições de vida a ninguém. Mas o bom senso nem sempre é fruto da avançada idade e isso mexe comigo, vira-me do avesso, traz-me bílis à boca. Desisti, há muito tempo, de dar conselhos que não me sejam pedidos. Não vale a pena atirar palavras contra paredes, elas fazem mesmo ricochete e ainda acabo por fazer figura de otária. Passo por chata, quando só estou a fazer uso de uma visão mais abrangente, a tentar alertar para resultados futuros de um nada de hoje. Quando dou um passo, ele pode mudar a minha vida. Quando tomo uma determinada atitude, ela poderá tornar-se num problema. E quantas vezes já não me aconteceu, por distracção, fazer algo que se transforma num obstáculo maior que as minhas acções? Não custa pensar, se puder ser. Somos seres individuais, devemos ter-nos como prioridade máxima, mas também somos seres sociais e podemos magoar os outros com o papel que, por comodismo ou orgulho, nos propomos representar. Se estiver nas nossas mãos fazê-lo, não compreendo porque não tentar.

A minha cadela tem dias melhores.

Chloe Sevigny
Uma gaja acorda de manhã, toma um duche para tirar o sono, veste-se, penteia-se, maquilha-se, perfuma-se e não sabe para o que vai. Não sabia que era para este dia que me arranjava.

Fecho de edição tirado a ferros.
Não sei como, mas cumpro aquilo a que me tinha proposto. Desenrasco-me. Faço o que tenho a fazer. Missão cumprida, quero ir para casa.

Exterior às seis.
Vou de boa vontade.
Alguns quilómetros.
Afinal é às sete e meia.
Volto para trás, mais uns quilómetros.
Volto ao local.
Sou mal recebida.
Uma mulher sem nível começa a gritar comigo (do nada) assim que sabe que sou jornalista.
Respondo com o tom de voz mais suave que o meu timbre grave me permite vociferar.
Respondo com o sorriso mais amarelo que o meu esmalte permite.
Respondo com as lágrimas nos olhos e a vontade de esquecer a boa educação que os meus pais me deram a acelerar os batimentos cardíacos.
Agradeço a simpatia.
Vejo que tenho plateia.

Não confronto ninguém - tento manter o profissionalismo.
Espero cá fora, duas horas, que a tal reunião termine.

Termina.
Algumas pessoas simpáticas colaboram comigo.
Começo a sentir-me vingada - ai que lindo artigo vou escrever!

São dez da noite e ainda não estou em casa.

Chego a casa.
Sinto-me o único ser pensante no planeta.
Sinto-me a única pessoa razoável e com bom sentido de organização de prioridades.

Preciso da minha melhor amiga a dizer-me que a minha sanidade mental está bem.
Ela diz-me.

Faço camas.
Faço o jantar.
Lavo louça.
Arrumo cozinha.

Recebo flores.
Um abraço.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Limpar as vistinhas?

Depois não digam que não sou amiguinha. Tomem lá.

Ainda tenho muitas saudades.

JLo by Testino
Sem ninguém saber. Sonho contigo tantas, tantas vezes. Acordo e choro, tu não estás lá. Ouço o teu ronronar - foste a única cadela que ouvi ronronar na vida - mas não te tenho enrolada sobre ti mesma ao meu colo. E ouço-te ganir, como se me chamasses. Depois, sempre que saio de casa, olho para o portão, à espera que estejas lá de pé, do alto das tuas patas de Bambi, com as orelhas levantadas e a olhar-me com a cabeça meio inclinada e os olhos grandes, esbugalhados, fixos em mim. E sinto-me assim meio parva por ainda chorar. Já passou algum tempo e eu ainda não deitei fora as tuas mantinhas, nem o teu bonequinho cor-de-laranja, nem a tua caminha almofadada. Ainda está tudo no mesmo sítio. E sempre que olho para essas tuas coisas e para esses teus lugares, há um cortezinho cá dentro. Mas não consigo mesmo tocar-lhes. Tenho saudades tuas.

Pérola do dia

Agyness Deyn
Quem tem uma cara feia não devia publicar fotografias suas no Facebook. É que ninguém vai gostar de as ver.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aviator jacket or camel coat?


Gosto. Muito. Este é um Burberry Prorsum. Ontem fomos buscar um dentro do género para a Mana Lamparina. Aqui a Menina acha que quer. Ou então um como este aqui em baixo, mais clássico e versátil, logo, menos cansativo. Dúvidas, minha gente...

I love my job #4

Whitney Port
É fantástico andar pela rua em dias solarengos como o de hoje, a ouvir as histórias mais simples do mundo contadas por quem as enfatiza a cada expressão. Todas as palavras extrapolam o real destaque do que acontece nos rotineiros dias de quem as diz. E eu ouço, aponto, tiro notas, questiono, pergunto e ainda indago, atenta a cada pormenor. No fim, não se publica nem metade, que o papel é caro e a liberdade de expressão não está no topo das prioridades de quem filtra informação. Mas no terreno, é divertido. Gosto do contacto com outras realidades, tão próximas de mim, mas tão distantes do meu mundo. Gosto dos olhares, do Português tão diferente que usamos, dos trejeitos que nos definem e nos explicam a quem vê de fora. Gosto da diferença, gosto da simplicidade e acho graça a quem, nos dias que atravessamos, não se envergonha de ser genuíno.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(Sim, eu sei que eles já acabaram e estão em fase de reconciliação, mas esta foto está bem assim.)

Marc Jacobs and his boyfriend
Tal como no último filme da série de culto de grande parte do mulherio, a Carrie foi a madrinha num casamento gay, também a minha mãe foi, no passado Sábado. Só não vestiu um smoking. Independentemente das opiniões e pareceres que todos têm a mania de dar quando se trata de apontar minorias, não podia deixar de dizer que desejo as maiores felicidades aos noivos. Marido e marido estão agora unidos perante a lei dos homens. E se isso é importante para eles e os faz felizes, não posso deixar de partilhar desse sentimento. Parabéns aos noivos!

Sem sal.

Natalie Portman
Há dias assim, sem sal, sem sabor. Não apetece nada. Estou aqui porque sim, tem de ser, é a vida. Não quero decisões nem nada que dê muito trabalho; o melhor que tenho a fazer é, provavelmente, sentar-me em frente à TV ou gastar tostões num shopping. Não chove nem faz sol, não está frio nem calor. Não estou alegre nem com vontade de deixar cair algumas lágrimas. São dias que perco, que não aproveito. Existo e não vivo. Como mas não saboreio. Quase ao mesmo nível do meu último domingo, o de ontem, que passei a dormir. O sedentarismo é um vício tão real como a capacidade para acordar de manhã bem cedo aos fins-de-semana para correr. Estamos assim, hoje. Nem doce, nem amargo. Falta sal, se calhar.

detesto...

Hayden Panettiere
...inseguranças.
As minhas e as dos outros. Por norma, não valem a pena e só servem para fazer desaparecer o brilho de quem se acha o máximo. As pessoas mais invejadas e mais magnéticas são confiantes. Mesmo que tenham uma narina mais acima que outra, mesmo que a simetria do sorriso não seja perfeita, mesmo que gostassem de ter uns quilos a mais ou a menos. Quando gostamos de nós, de dentro para fora, os outros sentem isso. Quando acreditamos que temos um je ne sais quoi, que há valor cá dentro, que as imperfeições nos tornam únicos, ergue-se o queixo. Quem se apresenta constantemente inseguro, perde o interesse, torna-se frágil, não atrai.
Que tal pensar num ponto forte de cada vez que surgir um sentimento de insegurança? "Ai que horror, que gorda que estou!" deve ser imediatamente seguido de "E os meus olhos são lindíssimos". Não quero ver ninguém mais triste que o céu, que está horrivelmente cinzento.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Aos bons funcionários públicos.

Victoria Beckham

Perdoem-me os que, como o meu pai e a minha mãe, abdicam das suas vidas pessoais em prol do brio profissional. Que trabalham horas extraordinárias sem receber mais por isso. Que abdicam dos Natais e dos aniversários dos filhos para cumprir o seu dever. Perdoem-me aqueles que em Torres (Vedras? Ou Novas?) largaram tudo para ajudar no temporal, quando poderiam ter ficado em casa bem refasteladinhos a enjorcar perú e bacalhau. Perdoem-me todos os funcionários do Estado que não recebem louvores publicados em Diário da República.
É por causa de pessoas como eu que a vossa fama está pelas ruas da amargura. Por causa de pessoas que sempre falaram muito, mas nunca se deram ao trabalho de reclamar no livro amarelo. Nunca denunciei as milhares de situações dignas de registo e, possivelmente sanção, em que me vi metida por mera má vontade de funcionários "diferentes", vá. Daqueles que mancham a imagem do serviço público que vocês tentam manter com o vosso sacrifício diário.
Durante todo o meu percurso académico, fui mal atendida nas secretarias da Universidade e da Faculdade. Houve duas senhoras - apenas duas, no meio das centenas de funcionários que sentam a peida gorda naquelas cadeiras - que foram simpáticas, educadas e prestáveis. O resto da escumalha sempre foi intragável. No trato e na vontade de trabalhar. Uma vergonha. Cheguei a chorar por ver atrasados os meus processos e perdidos os meus dias nas filas dos serviços administrativos. "- Afinal ainda tem que ir à Sociedade Filantrópico-blá blá blá buscar uma vinheta. - Que vinheta? porque raio não me disseram isso antes? - Pois, não sei, mas sem vinheta, nada feito. (...) - Está aqui a vinheta. - Mas não é aqui que tem de entregar esses documentos, é na secretaria da Faculdade. - Mas lá disseram-me que era na Geral!" E nisto, iam-se dias entre filas e secretarias, entre busca papel e traz papel.
Hoje voltei à secretaria da Universidade. Depois de meia hora à procura de lugar - quem conhece a zona da alta compreende bem isto. "- Bom dia, vinha aqui buscar um impresso... - Não é aqui, é acolá." Pensei logo que estávamos a começar bem, mas qual não foi o meu espanto quando cheguei à sala dos serviços administrativos e me diz um senhor: "- Olhe que não há senhas!" Bom, expliquei-lhe calmamente que só precisava da porcaria de um papel e que à tarde tinha que trabalhar, que não tinha tempo, etc. O senhor não só me deixou entrar, como me encaminhou para outra funcionária que me tratou com o maior dos respeitos! Deram-me tudo o que era necessário para me pôr a andar dali para fora, ofereceu-se para me preencher o que era preciso, tirou-me fotocópias do Cartão Único... e ainda disse: "- Vê? Assim já vai despachadinha!".
Os meus olhos quase saltaram da cara, que tanta eficácia não é, de todo, normal.
Em conversa com a minha bff, que tantas vezes me acompanhou nestas jornadas de dor e que sabe quão pesada é a máquina dos papéis da Universidade, cheguei à conclusão que isto de ser crescida também ajuda. De certeza. Uma gaja já não chega lá com ar de pedinte, quer é resolver as cenas porque tem mais que fazer e pronto. "- Ah já trabalha? Por aqui, mileidi. Chá e scones?" God, fiquei parva. Ainda estou. Parva.

Bom fim-de-semana!

Courteney Cox


"Se a mulher se irrita com o homem ciumento, muitas vezes isso acontece porque ela não se decide sobre se tal ciúme é homenagem ao seu amor ou ofensa à sua virtude."
Sthendal

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sobre os meus pais.

Este post teve como banda sonora esta música.

Já foram como eu, os dois. Hoje podem ver a bebé deles crescida e com tantos sonhos por concretizar como quando tinham vinte e poucos. Não os conheci tão jovens, não tive esse privilégio. Mas admiro a juventude que ainda emanam. Noto-o nas mentes abertas, mais que a minha. No modo como me educaram, sempre com a certeza de que tendo a rédea demasiado curta, desejaria soltar-me. Foi assim que eles me prenderam - nunca me cortaram as asas. Nunca se riram do ridículo dos meus planos. Sempre me encorajaram a pensar, a aprender pela experiência e nunca só pelo que se lê ou se ouve dizer. Ensinaram-me a questionar tudo, a não ir em estereótipos, a tocar sem medo no desconhecido. Tornaram-me num ser humano cheio de coisas boas e bonitas, de quem se podem orgulhar.
Mesmo com todos os meus defeitos, mesmo com tantas falhas e erros cometidos, com teimosias e birras, os braços deles continuam abertos para mim. Temos os nossos momentos, claro que sim. Todas as famílias vivem os seus próprios dramas. O que nos distingue é a certeza de ser um clã, de pertencer a um lugar. Com todos os disparates que a Vida nos vai levando a fazer, estamos sempre com uma rede de segurança lá em baixo. Posso ir em queda livre - eles vão mesmo estar lá para mim.
Por vezes, temo não gastar a existência que eles me proporcionaram bem gasta. Tenho medo de não arriscar mais, de não fazer mais, de partir sem deixar obra feita. Falta-me tudo: não escrevi um livro, não me lembro de plantar uma árvore e não tive um filho, ainda. Espero que não demore muito, porque aguardo esse momento há tanto tempo... e espero ser tão boa mãe como eles foram para mim. E dar-lhe a segurança que eles me dão. E aceitá-lo como eles me aceitam, sem julgamentos ou condenações. Espero dar-lhe tudo o que ele precisa, ser o alicerce emocional que não falha, ser o pilar de tudo o que ele será. E espero despachar-me para que ele(s) possa(m) usufruir dos avós maravilhosos durante muito tempo... mais e melhor que eu pude aproveitar os meus.
Depois de todas as histórias macabras que vou ouvindo, de relações difíceis entre pais e filhos, tinha que deixar bem explícito em algum lado que me sinto afortunada todos os dias, pela família fantástica com que Deus me presenteou. Eu tenho um pai que fica obcecado com as minhas palmilhas, uma mãe que dança sem inibições, mas amam-me como ninguém mais no planeta. Todos malucos, todos com as suas pancadas, mas todos meus. Sempre. Não troco isso por nada.
Sempre disse que ninguém, até conhecer os meus pais, me conhece plenamente. É mesmo verdade.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Palmilhas e afins.

E então eu disse ao meu pai que andar o dia inteiro em cima de plataformas de madeira não é assim a coisinha mais confortável do mundo.
"- Tens que comprar umas palmilhas!" - respondeu ele, dissertando sobre a variedade que existe no mercado e explicando de que forma poderiam ajudar ao conforto dos meus pezinhos de princesa. Concordei com ele, dizendo-lhe que depois tratava de procurar as tais palmilhas acolchoadas, cheias de altos e baixos, tão comuns entre os adeptos de sapatos desportivos.
O tempo passou e levou com ele a memória desse conselho. Nunca mais me lembrei da tarefa, até entrar numa farmácia. Lá, deparei-me com um expositor cheio de apetrechos para os pés: ele eram almofadas para os joanetes, pensos para os calos, almofadinhas para o calcanhar, palmilhas várias, com e sem espuma, de pele e sintéticas, com preços também variados - de cinco a 20 euros. Comentei a imensidão deste sector de mercado (que nunca me aliciou) com o meu progenitor, que me atirou logo:
- E compraste?
- Quais? No meio de tanta tralha, tive medo de trazer uma coisa errada. Além disso, duvido que os meus pés caibam nos sapatos com tanto acolchoamento.
Uma hora depois, toca o telemóvel:
- Filha, onde estás?
- Na redacção, pai.
- Desce.
Cheguei ao carro e tinha ele a mão estendida.
- Oh, pai... obrigada! Não era preciso ires comprá-las!
- Vá, experimenta-as.
- Aqui? No meio da rua?
- No jornal.
- Pai, eu não me vou descalçar agora para pôr as palmilhas e...
- Porquê? Qual é o problema?

Pronto, a coisa foi mais ou menos assim e eu fui mas é trabalhar. Nunca vou perceber este exagero de atenção que o meu pai dá a estas coisas. Acho o máximo, super querido... mas não percebo. É de ser mulher?

O Centésimo.

Do latim centēsĭmus.
Ordem de um elemento em um conjunto, que ocupe a posição equivalente ao número cem.
O que ocupa a posição cem, numa série; o que está posicionado logo após a posição do nonagésimo nono.

Este é o centésimo post do Lamparina. Merecia ser assinalado, certo?

Encontrada a explicação.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não consigo postar imagens. Talvez seja melhor, porque para este post, era preciso uma assim pró ordinarote...

No próximo sábado vou a Coimbra para o Rasganço de uma das minhas melhores amigas. Foi também com ela que vivi durante os meus tempos de estudante-não-trabalhadora. Vai ser um instante pintalgado de nostalgia, foram muitos passos dados naquelas ruas, foram muitos risos, foram muitas lágrimas. Com o ipod a embrulhar-me os momentos, andava pela alta enquanto me deixava morder por dentro com todas aquelas angústias que já não sinto. Olhava para a direita e estava lá a frase que nunca vou esquecer, pura poesia urbana: “Gepetto, faz para mim essa mulher”. Seguia em frente, os passos tão enérgicos como a ausência de vontade de prosseguir. Não há manhãs mais bonitas que em Coimbra. Não há noites tão pesadas no sentir como ali. Tudo o que se aprende, tudo o que se passa a ver com olhos que não condenam, tudo o que nos baixa as muralhas, aproxima-nos de cada ruela estreita, de cada capa negra, de cada choro que sai das cordas das guitarras. São os fados, os gritos alcoólicos estrada fora, o toque da Cabra. O medo das pautas, a sede do convívio, o amor pela praxe e pela Academia. Não me venham com tretas - ninguém que não o tenha vivido consegue compreender. O Espírito Académico existe mesmo só naquela cidade. O resto são cópias, algumas mais semelhantes que outras. Voltar a Coimbra para rasgar o traje de quem caminhou ao meu lado nessa aventura é quase uma dor. E uma grande alegria, também. É o fecho de um momento, um dos mais intensos que alguma vez vivemos. Já não somos crianças, crescemos, já passou. Não voltaria atrás, ainda que pudesse; gosto muito desta nova fase. Gosto mais de mim agora. Gosto mais do que se passa cá dentro. Mas vou voltar ao local onde já me senti em casa e não é para ir ao shopping. É para cumprir um propósito, como que um destino. É a morte de um traje.

Agora riam-se de mim: com a minha amiga, muitas outras rasgarão. Todas com as camisas feitas em fanicos e de lingerie à mostra. E eu só me apercebi disso hoje. Sabem quem vai comigo (entre outras pessoas)? O meu namorado. Porque foi através dela que o conheci, curiosidade gira. É o segundo amigo dela com quem namoro. E o último, espero. Ora o problema é que não sei se acho muita graça à ideia de o ter o dia inteiro a olhar para outros corpos femininos. Soutiens à mostra e tal, e ele ali a ver. Ai o caraças… Humpf.

Tomem uma receita fixe.

…ontem cheguei a casa com vontade de cozinhar. Para o jantar, uma bela pasta em honra da mana lamparina. Depois fiz um bolo mármore, em forma de coração. É que as únicas formas que encontrei eram um pinheirinho de Natal ou a que usei… e calhou bem, porque quando o senhor meu namorado entrou com flores na mão e me deu os parabéns por mais um mês de namoro, o bolinho parecia ter sido feito de propósito para a ocasião!

Já agora, querem saber porque o faço? É que é mesmo, mesmo fácil e não é preciso bater claras em castelo, o que é óptimo. Toca a tirar notas:
Misturam-se 200g de açúcar com 175g de margarina, até formar uma pasta esbranquiçada e sem muitos grumos. Depois adicionam-se cinco ovos e vamos mexendo, adicionando aos poucos cerca de 200g de farinha peneirada. Junta-se uma colher de sopa de fermento e depois de tudo homogéneo, coloca-se metade da massa num outro recipiente. Uma parte é branca e a outra deve ficar castanha, ao ser misturada com 25g de cacau em pó. Ou mais. Ponham o que vos apetecer, porque tudo depende do chocolate que escolhem. Eu uso sempre o Suchard Express para o leite… Ficam com duas massas que vão colocando alternadamente numa forma previamente untada. 40 minutos de forno (médio) et voilá!

a idade já não permite desvarios destes

Na verdade, até me sentia um bocadinho cota. A vontade de sair tem sido pouca, quase nenhuma. Tenho sempre tanto que fazer, tanto projecto acumulado e tanta tarefa agendada, que o sentido de responsabilidade (leia-se o prazer de estar em casa alapada no sofá) supera sempre o entusiasmo de quem me desafia para uma saída à noite. O João Pestana chega sempre por volta das duas da manhã, por isso, evito ir fazer figura de zombie para locais onde a música está muitos decibéis acima do que os meus ouvidos de princesa aguentam sem zunir. Depois há o cheiro a tabaco, que se impregna nos meus trapinhos e na minha farta cabeleira. E a escuridão, que não ajuda à miopia. E o calor imenso, que derrete o make up mais perfeito e arruína o penteado. A humidade insufla o meu cabelo, tornando-o frisado e mega volumoso. A transpiração cola a franjinha glam à testa. Odeio. Depois há a parte do amontoado de gente, que não tem pudores em roçar-se a mim, empurrando-me, pisando o sapatunfo e quase levando a mala que tenho, por norma, ao ombro. Com todos estes inconvenientes, justifica-se a relutância que sinto em sair à noite, ultimamente.
Sábado havia festarola do jornal numa discoteca cá do burgo. Acordei consciente disso, estava a mentalizar-me e a fazer o esquema do meu dia: “depois de almoço vou fazer um trabalho, depois venho para casa e ponho-me bela, janto e sigo. Vou dizer a quem de direito que não há tasquinhas para ninguém”. Neste preciso momento, toca o telemóvel:
- Oi pai.
- Filha, o teu sogro ligou-me. Hoje vamos todos jantar às tasquinhas.
- Ah simm?
Fui burra, confesso. Fui palmilhar a feira de artesanato em cima de umas botas de salto alto. Claro que no final tive que recorrer a umas sabrinas e fui para a dita festarola do jornal com menos 10 cm de altura. Sabem o que foi mesmo, mesmo giro? É que fui a última a abandonar a pista. Eram cinco da manhã e eu ainda pulava sozinha, cheia de energia, ao som de hits dos 80’s. Às tantas, tinha o dj a passar som só para mim! Acho que precisava de descarregar… e soube mesmo, mesmo bem. Mas tão cedo não me apanham noutra, que a idade já não permite desvarios destes. Domingo foi dia de dormir e a segunda-feira foi dramática, no que à produtividade diz respeito. Mas vim de espírito leve.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bom fim-de-semana!

Alexa Chung
"Se te julgas muito pequeno para fazer a diferença, nunca estiveste na cama com um mosquito."
Betty Reese

(e o disfarce perfeito para isso)

Lily Cole
É que o Inverno já chegou à minha pele. Já não há cá tom dourado nem bronze Piz Buin. Não há aquela homogeneidade cor de mel que me faz sentir feliz por não ter que recorrer a artefactos que são meus aliados ao longo de todo o Inverno - neste país, aguento-me com três ou quatro mesinhos de Sol e o resto é conversa, portanto falar do Inverno é praticamente como falar do ano inteiro.
É giro, eu adoro maquilhar-me. Só não gosto de ter que o fazer porque sem make up pareço albina. E doente. A sofrer com anemia. Ou icterícia. Isto tudo para vos dizer que quem olha para mim não vê nada disto porque me camuflei muito bem camufladinha. Corrector, base, pós de perlimpimpim, sombra, máscara e eis que tenho uma carinha muito mais viva que quando me olhei pela primeira vez ao espelho, esta manhã.

Noite muito mal dormida.

Jennifer Love Hewitt
Muito mal, mesmo. Péssima. Acordei várias vezes com os meus próprios espirros, a garganta a arranhar horrores, um calor insuportável e acompanhado de arrepios. De manhã, a sensação de que tinha passado a noite em claro. Não posso ficar doente, tenho mais que fazer! Vou já enfiar umas aspirinas pela goela abaixo, que não posso dar-me ao luxo de amolecer. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

I love my job #3

Bar Refaeli
Porque em dias como hoje, em que se inauguram certames e tudo é festa, nem parece que estou a trabalhar. Começou hoje a XVII Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas de Pombal. Tirei milhentas fotografias - algumas bem giras, por sinal. Acho que estou a ficar jeitosinha com a máquina.
Falei com montes de artesãos, um deles insistiu em explicar-me os benefícios dos chás, obrigando-me a cheirar cada uma das plantinhas (por ele colhidas e secas). Depois de me prender durante meia hora no meio dos cestos, ou cestaria criativa e artística, como lhe preferiu chamar, começou a tecer-me inúmeros elogios. Foi um instante até dissertar sobre as minhas botas (já falei muitas vezes delas, eu sei. Mas toda a gente fica a olhar para elas, até os cotas!). Que dão uma postura fantástica. Que a madeira é super saudável. Que assim é que eu estou bem, não é como as outras mulheres que andam de saltos altos - "mal sabes tu", pensei. Que nós somos homo erectus e não homo erectus elevados. "Onde é que as comprou? É que eu também uso tamancos e também tenho tamancos em bota, muito parecidos com esses..." - O quê?! Bom, de excêntrico passou a maluquinho. Piorou quando perguntou "em que stand" as tinha eu encontrado. Lá lhe respondi que não tinha nos pés um produto artesanal.
Whatever... e como está um Sol fantástico, vou comer um gelado com a mana lamparina e ver se tiro a noite para namorar. Sim, porque o pobre homem tem-me encontrado sempre a cambalear de sono. Não aguento uma hora acordada no sofá. Primeiro, descalço as pantufas. Ponho as pernas por cima dele. Depois a cabeça na almofada. Tapo-me com a mantinha e finjo durante um minuto que estou atenta ao que passa na TV. Merece ser compensado, não merece? Pois.

E ficou mesmo!

Lilly Allen
Num brinco! Nem parece o mesmo carro. Eu juro que achava que os interiores eram cinza, mas ontem descobri que são pretos, pretinhos, negros, negrinhos. Tirei-lhe dez anos de cima... e dez quilos de pó, também. Agora não quero sair do carro. Cheira bem, sabem?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

I love my job #2

Beyoncé as B.B. Homemaker
Uma pessoa fica cansada. Foi um fecho de edição daqueles que não deixa saudade. Até o monitor decidiu pifar. Decidi calçar uns ténis e fazer algo de útil pela sociedade, lavando o meu bólide. Por dentro, que é muito mais difícil. Está um nojo, até o volante está peganhento. A alavanca das mudanças deixa-me coisinhas pretas nas mãos. Vou lavá-lo. Vai ficar num brinco. E eu desanuvio.

detesto...

Michelle Trachtenberg
...competição feminina.
Falo daqueles olhares que algumas mulheres insistem em lançar-me, quase que ameaçadores. Normalmente são ex de namorados meus, actuais de ex meus, namoradas de amigos meus ou simplesmente uma cambada de invejosas. Encaram-me e eu levo isso como um elogio. A iniciativa nunca é minha, nunca me ponho a olhar para uma gaja com aquele ar do estilo "'tou-te a micar, 'tás-ma ver, bitch?". Não faz o meu género. Nada polite. Nada classy. Ignoro e tendo a acreditar que se lhes fosse indiferente (ou se não se julgassem inferiores à menina lamparina), não teriam atitude semelhante. No fundo, talvez não odeie assim tanto que notem a minha presença. E que se incomodem com ela. Isso aumenta a minha auto-estima. Se não representasse uma ameaça, elas nem davam por mim. É um caso de amor/ódio, pronto.

Semanalmente, um ódio de estimação. Porque é divertido expelir um pouco de fel de quando em vez. Porque me inspirei num post da Ana na 3, no Facebook. Porque me apetece.
E como hoje foi o primeiro "detesto...", escolho um ódiozinho bem fofo. Sintam-se livres, caros leitores, para aqui partilhar ódios vossos.

É quase uma solidão

Sarah Jessica Parker
A rede de conhecimentos aumenta e o círculo de amigos torna-se cada vez mais pequeno, cada vez mais reservado, cada vez mais fechado. Não interessa se o número de pessoas com quem falamos é maior, se temos mais conversas, sobre mais assuntos. Os amigos são mesmo só aqueles que sempre foram. E o acesso à intimidade é restrito. É quase uma solidão, ou a aceitação dela. Talvez tenha sido sempre assim e só agora me tenha apercebido. Sempre me dei com muitos, ainda que me desse a poucos.
Entretida nos afazeres quotidianos, a maioria nem se apercebe de como está só. Há sempre a televisão, quando nos contactos do telemóvel não há ninguém disponível para um desabafo, para um café, para um abraço. E então vive-se no plano do parecer, que parecer feliz aos olhos dos outros é melhor que ser sem que ninguém se aperceba disso.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dieta, sim... mas só depois das Tasquinhas.

Beth Ditto
Tinha planeado começar ontem, mas o trabalho não me deixou apanhar a ervanária aberta. Quero voltar a tomar seiva em substituição de apenas uma refeição - mais vale pôr a fasquia baixa e superá-la, que levar com a frustração e a culpa por não atingir os objectivos a que me proponho. Não é uma dieta; é um reajuste alimentar. Desde as férias que me ando a baldar um bocado. Baldar mesmo, em baldes de gelado. Depois das Tasquinhas, isto vai. Não me estou a ver a resistir a uns ovos moles ou a um mini pão-de-ló de Ovar. É que não estou mesmo.

Quem é realmente inteligente...

Alexa Chung
...não precisa de o exibir. É e pronto. Muitas vezes, pela consciência da sua superioridade intelectual, pode dar-se ao luxo de agir com maior descontracção quando os mais inseguros quanto ao seu Q.I. não disfarçam a pose pensada. É simples. Os que se sabem maiores não querem saber do que os outros pensam - para quê perder tempo com as opiniões pequeninas, quando aquela que é realmente válida... é a nossa?
É como aquilo que distingue um novo rico, que ostenta a meia dúzia de notinhas com que se apanha pela primeira vez na vida, de alguém com posses verdadeiramente impressionantes, que não se inibe de sujar as mãos. Quem é rei não perde a majestade. Nunca. Mesmo.

a pouco e pouco...

Doutzen Kroes by Testino


...o Sol vai espreitando e tirando o cheiro a mofo da alma maior que o corpo. O dever cansa-me. Não é o trabalho, que esse é o escape, o sorriso, a força. 
O dever. Aquilo que tem mesmo de ser feito. Isso desfaz-me. Custe o que custar, pesem o que pesarem os passos que me levam até onde tenho de ir, doa o peito cá dentro o que doer... é por mim e para mim e tem mesmo de ser.
O medo do fracasso, que sempre critiquei nos pouco audazes, agora entrelaça-me. 
Tanto que fazer, tanto por fazer.
Fica aqui decidido: vou publicar uma wishlist no lamparina, constituída por tudo o que quero fazer no próximo ano (sim, que se fosse para a vida, nunca mais daqui saía). Coisas do género "voltar a pintar as minhas telas", "voltar a fazer as minhas bijuterias", "escrever um livro", "aplicar a prateleira no quarto", "pôr no papel a minha ideia de voluntariado que ainda não existe no concelho"... boa? Estou a precisar de me animar com coisas giras para fazer. É que ultimamente, muitas me contrariam. Principalmente aquelas que ainda não fiz mas que até sexta-feira tenho que fazer.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Já precisamos de galochas e umbrellas.

Rihanna
Calcei as minhas botas pela primeira vez na segunda-feira e quando me vi ao espelho, houve um ataque de riso que me impediu de sair de casa naqueles preparos. Cheguei ao trabalho e eis que estava toda a gente já com sapatinho adaptado às condições climatéricas... excepto eu, que estava de sabrininha navy, ao melhor estilo silly season. Posto isto, decidi calçar as minhas botas na noite em que fui jantar com senhor meu namorado. Além de ser preciso uma boa dose de aulas de yoga para me adaptar ao estado de equilíbrio constante que as estruturas de madeira que tenho debaixo dos pés exigem, verifiquei com agrado que eles (os pés) não tinham alargado dois centímetros. Continuo com o pé do mesmo tamanho! É que com tanta havaiana, sandália e blá blá blá, ia mesmo jurar que a largura do meu pé tinha sido aumentada pelo excesso de conforto. Bom, posto isto, vem o resto... a chuva que decidiu dar ares da sua (des)graça, tornando o piso escorregadio e impossível de andar com alguma pose. A humidade com que este tempo banha a minha farta cabeleira, tornando-a numa juba indomável e frisada.
É tempo de apanhados giros, botas giras, t-shirts e cardigans leves, que o frio ainda não se fez sentir - só à noite. É tempo de arriscar nuns collants, de misturar e aproveitar a difícil tarefa de vestir algo apropriado à meia estação. Hoje experimentei botas camel de cano alto com jeans por dentro, t-shirt nude e colete de malha grossa, com nós tipo oito, azul escuro. Ficou cute com o cinto fino em animal print por cima. Acessórios dourados e pimbas - até parece que me é normal e agradável escolher roupa com este tempinho gostoso. E trabalhar assim?! E fazer exteriores nestas condições?!
Decidi que pela primeira vez na minha vida de adulta, vou comprar umas galochas. Estilo Hunter. Castanhas. Vi umas giras na Lanidor... podem espreitar aqui.

Bom fim-de-semana!

Blake Lively & Penny
"A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado pelo que se é; ou, mais corretamente, de ser amado apesar daquilo que se é."
  Victor Hugo

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Minha Blair

Assim como o tom dourado da pele beijada pelo Sol se vai esbatendo até à palidez, também a Vida se vai descolando de nós a cada dia que passa. Os dias têm estado cinzentos por aqui. Como eu. Como a sombra que sinto escurecer tudo cá dentro. Como os meus olhos, noto-os a não quererem emanar luz. Ainda ando meio perdida, meio desorientada. Hoje saí de casa e o meu carro não estava no lugar do costume. Pensei que mo tinham roubado, entrei em pânico. Tinha-o deixado junto ao trabalho, ontem à noite. Tenho mesmo que ter o triplo da atenção a tudo - até a conduzir. Ia tendo dois acidentes por distracção minha. E só me apetece chorar. Podem dizer-me que é só um cão, que antes ela que uma pessoa da família, que foi melhor assim, que ao menos não teve um sofrimento prolongado... não me interessa. Não me interessa nada. Era um saco de ossos desajeitado, mal acabado e com umas pernas finas e desproporcionadas. Não era linda senão para mim. Era a Minha Blair. O que me custa sempre na morte é a perda do contacto, do toque, deixar de ouvir, ver e sentir o outro. Neste caso, é também não voltar a vê-la apoiada apenas nas patas traseiras enquanto pede atenção, mimo, brincadeira, um petisco. Não vou voltar a chamá-la só para ver aqueles olhões apontarem na minha direcção. Não vou tê-la a pedir colo, quando se apercebe de que já terminei a refeição. Não vou vê-la a morder o peluche laranja dela. Não vou ficar embevecida enquanto se tapa com a sua mantinha de malha polar. Nem vou poder aconchegá-la ao meu colo, as duas no sofá com uma manta por cima e o sono a embalar-nos com a tv. Não vou vesti-la porque treme com frio, nem levá-la a passear com a sua trela cor-de-rosa. Não vou dar-lhe o banho de que ela tanto gostava, nem apreciar a sua decisão de secar-se frente a um termoventilador. Não vou rir às gargalhadas com as asneiras que insistia em fazer, nem com a maneira sorrateira com que ela se tentava esconder. E a sacanice com que disfarçava tudo o que sabia fazer de mal...

Cumpriste o teu propósito, melhor que muitos humanos. Foste feliz e fizeste alguém feliz na tua passagem por este mundo. Tantos animais passam por cá sem saber o que é ser amado... Quando não queria sair da cama nem de casa, quando não queria tirar o roupão nem enfrentar o negro da minha vida, encontrámo-nos. Que connosco foi isso mesmo - um encontro mútuo. Estavas farta da tua vida miserável, com apenas meses de idade. E eu também, mas com 24 anos no lombo. E aprendemos a gostar uma da outra sem nada de acessório, sem padrões de beleza, sem futilidades. Nada de superficial em nós, só a certeza do gostar. Gostar uma da outra, gostar da companhia, gostar da Vida. Nunca conheci um animal tão meigo como tu. A rafeira mais bonita do planeta, com nome de personagem do Upper East Side. Foste mais mimada que muitos outros da tua espécie com dono. Foste muito amada no teu intenso e curto ano de vida. Marcaste bem o teu papel lá por casa e agora que não estás lá, dói tanto, pequenina... Sinto-me mesmo mal por não ter estado ao teu lado na clínica; se no consultório com o meu pai ficavas trémula de medo, ali não deve ter sido melhor. Mas lá puderam dar-te oxigénio e fazer-te exames que em Pombal não seria possível. Sei que as lágrimas não te trazem de volta, não te vou ouvir ganir quando chego a casa, chamavas-me para receberes a tua dose de mimos diária. Fico tão grata por teres aparecido na minha vida... Fica a saudade, para sempre. E a gratidão.

Ainda não tenho os resultados da autópsia, ainda não sei o que a fez partir tão precocemente.
Obrigada a quem se preocupou sem ridicularizar. Obrigada mesmo por perceberem que me dói, ainda que não sintam da mesma forma. Obrigada por respeitarem aquilo que, para muitos, é um capricho ou um devaneio.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blair

Miss Blair at work
Não foi por olhar para a montra de uma loja de animas e ficar embevecida com a beleza dela. Nem foi por vê-la entre os vários irmãos, numa ninhada linda à volta da mãe. Foi por ser dócil, pelos olhos dela, pelo medo que a fazia tremer insistentemente. Foi por achar lamentável que um ser passe por este mundo sem ser amado. Sem ser mimado. Era uma rafeira igual a muitas outras, hoje é a minha Blair. Em vez dos pontapés, em vez de ser enxotada com vassouras, hoje tem colo, uma caminha só para ela, mantinhas, coleiras e roupinhas, que ela é só pele e osso e sofre com o frio como a Adda (a labrador) nunca sofreu. Tem personalidade vincada, é manhosa, fiteira, dissimulada. Faz o que lhe apetece, brinca imenso. Adora tomar banho e há tempos encontrámos um pudim feito pela minha mãe, roído até metade... É divertida, stressada, cheia de vida. Mas há quinze dias que não a vejo correr, nem equilibrar-se em cima das duas patas traseiras, andando atrás de mim. Não quer sair da cama. A febre não baixa. Não quer comer. Só às vezes. Não pula quando me vê... deixa-se estar deitada, os olhos de carneiro mal morto viram-se para mim e só a cauda dá sinais de vida. Anda xoxa. Já levou soro, já levou vitaminas, cálcio, glucose e montes de outras coisas. E não há maneira de arrebitar. Hoje foi com o meu pai para Coimbra, está a tirar uns raio x e vai fazer umas ecografias para ver se finalmente descobrimos que raio se passa com a minha pequenina. E eu estou no trabalho, em pulgas, queria era estar lá, ao pé dela até saber o que fazer. A Assembleia Municipal sobre a qual tenho que escrever parece-me uma brincadeira de criança. A vida não é nada daquilo. Preocupamo-nos tantas vezes com merdices e esta vida é um sopro. É uma poeira ao vento. É nada. E nós com ela. O pior erro do ser humano é levar-se demasiado a sério...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bom fim-de-semana!

Pixie Lott
"De cada vez que és honesto e te conduzes com honestidade, uma força de prosperidade impulsionar-te-á em direcção a um grande sucesso. De cada vez que mentes, mesmo uma pequena mentira inofensiva, existem fortes forças que te empurram em direcção ao fracasso."
( Joseph Sugarman )
 

Faz-me sentir assim um bocadinho princesinha.

Eva Longoria
Por motivos vários, pelas agendas preenchidas e pelo exagero de solicitações, fomos obrigados a reservar a quarta-feira para nós. É nesse dia que nos mimamos com um jantar ou mesmo só um café a dois. Tempo nosso, para deitar conversa fora, para rir, para namorar. Esta quarta-feira, estraguei os planos. Soube no próprio dia que um trabalho me iria impedir de cumprir o combinado. Ele não ficou chateado, pelo contrário... encontrou o local no meio do nada onde se realizava a Assembleia de Freguesia que fui cobrir e sentou-se ao meu lado. Esteve comigo. Decidimos ir ao café a que costumamos ir onde não nos apetece encontrar mais ninguém. Jantei por lá e a tosta mista encheu-me o estômago e pesou-me nas pálpebras... Além de me aturar a morrer de sono, ainda me confessou ter gostado da noite.

Adiámos o jantar para quinta-feira. Soube que teria de ir assistir à Assembleia Municipal, coisa que costuma demorar horrores. Começava às três da tarde, por isso, nem pus em causa o nosso encontro. Não me vou alongar muito mais acerca das razões que me fizeram ficar por lá até a uma hora próxima das onze, mas já me estava a sentir incomodada por não ter como acelerar o processo. Tive que aguentar. E a febre ia e vinha, que a tal de constipação ainda não desapareceu. O sono, com ela, não me deixava em paz. E a fome... bem, a fome estava a dar comigo em doida, não havia águas nem leitinhos com chocolate que me safassem. Saí e lá estava ele, lindo, com as minhas flores cor-de-rosa e uma pizza encomendada, que já não eram horas para jantar em restaurante nenhum.