quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Encontrada a explicação.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não consigo postar imagens. Talvez seja melhor, porque para este post, era preciso uma assim pró ordinarote...

No próximo sábado vou a Coimbra para o Rasganço de uma das minhas melhores amigas. Foi também com ela que vivi durante os meus tempos de estudante-não-trabalhadora. Vai ser um instante pintalgado de nostalgia, foram muitos passos dados naquelas ruas, foram muitos risos, foram muitas lágrimas. Com o ipod a embrulhar-me os momentos, andava pela alta enquanto me deixava morder por dentro com todas aquelas angústias que já não sinto. Olhava para a direita e estava lá a frase que nunca vou esquecer, pura poesia urbana: “Gepetto, faz para mim essa mulher”. Seguia em frente, os passos tão enérgicos como a ausência de vontade de prosseguir. Não há manhãs mais bonitas que em Coimbra. Não há noites tão pesadas no sentir como ali. Tudo o que se aprende, tudo o que se passa a ver com olhos que não condenam, tudo o que nos baixa as muralhas, aproxima-nos de cada ruela estreita, de cada capa negra, de cada choro que sai das cordas das guitarras. São os fados, os gritos alcoólicos estrada fora, o toque da Cabra. O medo das pautas, a sede do convívio, o amor pela praxe e pela Academia. Não me venham com tretas - ninguém que não o tenha vivido consegue compreender. O Espírito Académico existe mesmo só naquela cidade. O resto são cópias, algumas mais semelhantes que outras. Voltar a Coimbra para rasgar o traje de quem caminhou ao meu lado nessa aventura é quase uma dor. E uma grande alegria, também. É o fecho de um momento, um dos mais intensos que alguma vez vivemos. Já não somos crianças, crescemos, já passou. Não voltaria atrás, ainda que pudesse; gosto muito desta nova fase. Gosto mais de mim agora. Gosto mais do que se passa cá dentro. Mas vou voltar ao local onde já me senti em casa e não é para ir ao shopping. É para cumprir um propósito, como que um destino. É a morte de um traje.

Agora riam-se de mim: com a minha amiga, muitas outras rasgarão. Todas com as camisas feitas em fanicos e de lingerie à mostra. E eu só me apercebi disso hoje. Sabem quem vai comigo (entre outras pessoas)? O meu namorado. Porque foi através dela que o conheci, curiosidade gira. É o segundo amigo dela com quem namoro. E o último, espero. Ora o problema é que não sei se acho muita graça à ideia de o ter o dia inteiro a olhar para outros corpos femininos. Soutiens à mostra e tal, e ele ali a ver. Ai o caraças… Humpf.

Tomem uma receita fixe.

…ontem cheguei a casa com vontade de cozinhar. Para o jantar, uma bela pasta em honra da mana lamparina. Depois fiz um bolo mármore, em forma de coração. É que as únicas formas que encontrei eram um pinheirinho de Natal ou a que usei… e calhou bem, porque quando o senhor meu namorado entrou com flores na mão e me deu os parabéns por mais um mês de namoro, o bolinho parecia ter sido feito de propósito para a ocasião!

Já agora, querem saber porque o faço? É que é mesmo, mesmo fácil e não é preciso bater claras em castelo, o que é óptimo. Toca a tirar notas:
Misturam-se 200g de açúcar com 175g de margarina, até formar uma pasta esbranquiçada e sem muitos grumos. Depois adicionam-se cinco ovos e vamos mexendo, adicionando aos poucos cerca de 200g de farinha peneirada. Junta-se uma colher de sopa de fermento e depois de tudo homogéneo, coloca-se metade da massa num outro recipiente. Uma parte é branca e a outra deve ficar castanha, ao ser misturada com 25g de cacau em pó. Ou mais. Ponham o que vos apetecer, porque tudo depende do chocolate que escolhem. Eu uso sempre o Suchard Express para o leite… Ficam com duas massas que vão colocando alternadamente numa forma previamente untada. 40 minutos de forno (médio) et voilá!

a idade já não permite desvarios destes

Na verdade, até me sentia um bocadinho cota. A vontade de sair tem sido pouca, quase nenhuma. Tenho sempre tanto que fazer, tanto projecto acumulado e tanta tarefa agendada, que o sentido de responsabilidade (leia-se o prazer de estar em casa alapada no sofá) supera sempre o entusiasmo de quem me desafia para uma saída à noite. O João Pestana chega sempre por volta das duas da manhã, por isso, evito ir fazer figura de zombie para locais onde a música está muitos decibéis acima do que os meus ouvidos de princesa aguentam sem zunir. Depois há o cheiro a tabaco, que se impregna nos meus trapinhos e na minha farta cabeleira. E a escuridão, que não ajuda à miopia. E o calor imenso, que derrete o make up mais perfeito e arruína o penteado. A humidade insufla o meu cabelo, tornando-o frisado e mega volumoso. A transpiração cola a franjinha glam à testa. Odeio. Depois há a parte do amontoado de gente, que não tem pudores em roçar-se a mim, empurrando-me, pisando o sapatunfo e quase levando a mala que tenho, por norma, ao ombro. Com todos estes inconvenientes, justifica-se a relutância que sinto em sair à noite, ultimamente.
Sábado havia festarola do jornal numa discoteca cá do burgo. Acordei consciente disso, estava a mentalizar-me e a fazer o esquema do meu dia: “depois de almoço vou fazer um trabalho, depois venho para casa e ponho-me bela, janto e sigo. Vou dizer a quem de direito que não há tasquinhas para ninguém”. Neste preciso momento, toca o telemóvel:
- Oi pai.
- Filha, o teu sogro ligou-me. Hoje vamos todos jantar às tasquinhas.
- Ah simm?
Fui burra, confesso. Fui palmilhar a feira de artesanato em cima de umas botas de salto alto. Claro que no final tive que recorrer a umas sabrinas e fui para a dita festarola do jornal com menos 10 cm de altura. Sabem o que foi mesmo, mesmo giro? É que fui a última a abandonar a pista. Eram cinco da manhã e eu ainda pulava sozinha, cheia de energia, ao som de hits dos 80’s. Às tantas, tinha o dj a passar som só para mim! Acho que precisava de descarregar… e soube mesmo, mesmo bem. Mas tão cedo não me apanham noutra, que a idade já não permite desvarios destes. Domingo foi dia de dormir e a segunda-feira foi dramática, no que à produtividade diz respeito. Mas vim de espírito leve.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bom fim-de-semana!

Alexa Chung
"Se te julgas muito pequeno para fazer a diferença, nunca estiveste na cama com um mosquito."
Betty Reese

(e o disfarce perfeito para isso)

Lily Cole
É que o Inverno já chegou à minha pele. Já não há cá tom dourado nem bronze Piz Buin. Não há aquela homogeneidade cor de mel que me faz sentir feliz por não ter que recorrer a artefactos que são meus aliados ao longo de todo o Inverno - neste país, aguento-me com três ou quatro mesinhos de Sol e o resto é conversa, portanto falar do Inverno é praticamente como falar do ano inteiro.
É giro, eu adoro maquilhar-me. Só não gosto de ter que o fazer porque sem make up pareço albina. E doente. A sofrer com anemia. Ou icterícia. Isto tudo para vos dizer que quem olha para mim não vê nada disto porque me camuflei muito bem camufladinha. Corrector, base, pós de perlimpimpim, sombra, máscara e eis que tenho uma carinha muito mais viva que quando me olhei pela primeira vez ao espelho, esta manhã.

Noite muito mal dormida.

Jennifer Love Hewitt
Muito mal, mesmo. Péssima. Acordei várias vezes com os meus próprios espirros, a garganta a arranhar horrores, um calor insuportável e acompanhado de arrepios. De manhã, a sensação de que tinha passado a noite em claro. Não posso ficar doente, tenho mais que fazer! Vou já enfiar umas aspirinas pela goela abaixo, que não posso dar-me ao luxo de amolecer. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

I love my job #3

Bar Refaeli
Porque em dias como hoje, em que se inauguram certames e tudo é festa, nem parece que estou a trabalhar. Começou hoje a XVII Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas de Pombal. Tirei milhentas fotografias - algumas bem giras, por sinal. Acho que estou a ficar jeitosinha com a máquina.
Falei com montes de artesãos, um deles insistiu em explicar-me os benefícios dos chás, obrigando-me a cheirar cada uma das plantinhas (por ele colhidas e secas). Depois de me prender durante meia hora no meio dos cestos, ou cestaria criativa e artística, como lhe preferiu chamar, começou a tecer-me inúmeros elogios. Foi um instante até dissertar sobre as minhas botas (já falei muitas vezes delas, eu sei. Mas toda a gente fica a olhar para elas, até os cotas!). Que dão uma postura fantástica. Que a madeira é super saudável. Que assim é que eu estou bem, não é como as outras mulheres que andam de saltos altos - "mal sabes tu", pensei. Que nós somos homo erectus e não homo erectus elevados. "Onde é que as comprou? É que eu também uso tamancos e também tenho tamancos em bota, muito parecidos com esses..." - O quê?! Bom, de excêntrico passou a maluquinho. Piorou quando perguntou "em que stand" as tinha eu encontrado. Lá lhe respondi que não tinha nos pés um produto artesanal.
Whatever... e como está um Sol fantástico, vou comer um gelado com a mana lamparina e ver se tiro a noite para namorar. Sim, porque o pobre homem tem-me encontrado sempre a cambalear de sono. Não aguento uma hora acordada no sofá. Primeiro, descalço as pantufas. Ponho as pernas por cima dele. Depois a cabeça na almofada. Tapo-me com a mantinha e finjo durante um minuto que estou atenta ao que passa na TV. Merece ser compensado, não merece? Pois.

E ficou mesmo!

Lilly Allen
Num brinco! Nem parece o mesmo carro. Eu juro que achava que os interiores eram cinza, mas ontem descobri que são pretos, pretinhos, negros, negrinhos. Tirei-lhe dez anos de cima... e dez quilos de pó, também. Agora não quero sair do carro. Cheira bem, sabem?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

I love my job #2

Beyoncé as B.B. Homemaker
Uma pessoa fica cansada. Foi um fecho de edição daqueles que não deixa saudade. Até o monitor decidiu pifar. Decidi calçar uns ténis e fazer algo de útil pela sociedade, lavando o meu bólide. Por dentro, que é muito mais difícil. Está um nojo, até o volante está peganhento. A alavanca das mudanças deixa-me coisinhas pretas nas mãos. Vou lavá-lo. Vai ficar num brinco. E eu desanuvio.

detesto...

Michelle Trachtenberg
...competição feminina.
Falo daqueles olhares que algumas mulheres insistem em lançar-me, quase que ameaçadores. Normalmente são ex de namorados meus, actuais de ex meus, namoradas de amigos meus ou simplesmente uma cambada de invejosas. Encaram-me e eu levo isso como um elogio. A iniciativa nunca é minha, nunca me ponho a olhar para uma gaja com aquele ar do estilo "'tou-te a micar, 'tás-ma ver, bitch?". Não faz o meu género. Nada polite. Nada classy. Ignoro e tendo a acreditar que se lhes fosse indiferente (ou se não se julgassem inferiores à menina lamparina), não teriam atitude semelhante. No fundo, talvez não odeie assim tanto que notem a minha presença. E que se incomodem com ela. Isso aumenta a minha auto-estima. Se não representasse uma ameaça, elas nem davam por mim. É um caso de amor/ódio, pronto.

Semanalmente, um ódio de estimação. Porque é divertido expelir um pouco de fel de quando em vez. Porque me inspirei num post da Ana na 3, no Facebook. Porque me apetece.
E como hoje foi o primeiro "detesto...", escolho um ódiozinho bem fofo. Sintam-se livres, caros leitores, para aqui partilhar ódios vossos.

É quase uma solidão

Sarah Jessica Parker
A rede de conhecimentos aumenta e o círculo de amigos torna-se cada vez mais pequeno, cada vez mais reservado, cada vez mais fechado. Não interessa se o número de pessoas com quem falamos é maior, se temos mais conversas, sobre mais assuntos. Os amigos são mesmo só aqueles que sempre foram. E o acesso à intimidade é restrito. É quase uma solidão, ou a aceitação dela. Talvez tenha sido sempre assim e só agora me tenha apercebido. Sempre me dei com muitos, ainda que me desse a poucos.
Entretida nos afazeres quotidianos, a maioria nem se apercebe de como está só. Há sempre a televisão, quando nos contactos do telemóvel não há ninguém disponível para um desabafo, para um café, para um abraço. E então vive-se no plano do parecer, que parecer feliz aos olhos dos outros é melhor que ser sem que ninguém se aperceba disso.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dieta, sim... mas só depois das Tasquinhas.

Beth Ditto
Tinha planeado começar ontem, mas o trabalho não me deixou apanhar a ervanária aberta. Quero voltar a tomar seiva em substituição de apenas uma refeição - mais vale pôr a fasquia baixa e superá-la, que levar com a frustração e a culpa por não atingir os objectivos a que me proponho. Não é uma dieta; é um reajuste alimentar. Desde as férias que me ando a baldar um bocado. Baldar mesmo, em baldes de gelado. Depois das Tasquinhas, isto vai. Não me estou a ver a resistir a uns ovos moles ou a um mini pão-de-ló de Ovar. É que não estou mesmo.

Quem é realmente inteligente...

Alexa Chung
...não precisa de o exibir. É e pronto. Muitas vezes, pela consciência da sua superioridade intelectual, pode dar-se ao luxo de agir com maior descontracção quando os mais inseguros quanto ao seu Q.I. não disfarçam a pose pensada. É simples. Os que se sabem maiores não querem saber do que os outros pensam - para quê perder tempo com as opiniões pequeninas, quando aquela que é realmente válida... é a nossa?
É como aquilo que distingue um novo rico, que ostenta a meia dúzia de notinhas com que se apanha pela primeira vez na vida, de alguém com posses verdadeiramente impressionantes, que não se inibe de sujar as mãos. Quem é rei não perde a majestade. Nunca. Mesmo.

a pouco e pouco...

Doutzen Kroes by Testino


...o Sol vai espreitando e tirando o cheiro a mofo da alma maior que o corpo. O dever cansa-me. Não é o trabalho, que esse é o escape, o sorriso, a força. 
O dever. Aquilo que tem mesmo de ser feito. Isso desfaz-me. Custe o que custar, pesem o que pesarem os passos que me levam até onde tenho de ir, doa o peito cá dentro o que doer... é por mim e para mim e tem mesmo de ser.
O medo do fracasso, que sempre critiquei nos pouco audazes, agora entrelaça-me. 
Tanto que fazer, tanto por fazer.
Fica aqui decidido: vou publicar uma wishlist no lamparina, constituída por tudo o que quero fazer no próximo ano (sim, que se fosse para a vida, nunca mais daqui saía). Coisas do género "voltar a pintar as minhas telas", "voltar a fazer as minhas bijuterias", "escrever um livro", "aplicar a prateleira no quarto", "pôr no papel a minha ideia de voluntariado que ainda não existe no concelho"... boa? Estou a precisar de me animar com coisas giras para fazer. É que ultimamente, muitas me contrariam. Principalmente aquelas que ainda não fiz mas que até sexta-feira tenho que fazer.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Já precisamos de galochas e umbrellas.

Rihanna
Calcei as minhas botas pela primeira vez na segunda-feira e quando me vi ao espelho, houve um ataque de riso que me impediu de sair de casa naqueles preparos. Cheguei ao trabalho e eis que estava toda a gente já com sapatinho adaptado às condições climatéricas... excepto eu, que estava de sabrininha navy, ao melhor estilo silly season. Posto isto, decidi calçar as minhas botas na noite em que fui jantar com senhor meu namorado. Além de ser preciso uma boa dose de aulas de yoga para me adaptar ao estado de equilíbrio constante que as estruturas de madeira que tenho debaixo dos pés exigem, verifiquei com agrado que eles (os pés) não tinham alargado dois centímetros. Continuo com o pé do mesmo tamanho! É que com tanta havaiana, sandália e blá blá blá, ia mesmo jurar que a largura do meu pé tinha sido aumentada pelo excesso de conforto. Bom, posto isto, vem o resto... a chuva que decidiu dar ares da sua (des)graça, tornando o piso escorregadio e impossível de andar com alguma pose. A humidade com que este tempo banha a minha farta cabeleira, tornando-a numa juba indomável e frisada.
É tempo de apanhados giros, botas giras, t-shirts e cardigans leves, que o frio ainda não se fez sentir - só à noite. É tempo de arriscar nuns collants, de misturar e aproveitar a difícil tarefa de vestir algo apropriado à meia estação. Hoje experimentei botas camel de cano alto com jeans por dentro, t-shirt nude e colete de malha grossa, com nós tipo oito, azul escuro. Ficou cute com o cinto fino em animal print por cima. Acessórios dourados e pimbas - até parece que me é normal e agradável escolher roupa com este tempinho gostoso. E trabalhar assim?! E fazer exteriores nestas condições?!
Decidi que pela primeira vez na minha vida de adulta, vou comprar umas galochas. Estilo Hunter. Castanhas. Vi umas giras na Lanidor... podem espreitar aqui.

Bom fim-de-semana!

Blake Lively & Penny
"A suprema felicidade da vida é a convicção de ser amado pelo que se é; ou, mais corretamente, de ser amado apesar daquilo que se é."
  Victor Hugo

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Minha Blair

Assim como o tom dourado da pele beijada pelo Sol se vai esbatendo até à palidez, também a Vida se vai descolando de nós a cada dia que passa. Os dias têm estado cinzentos por aqui. Como eu. Como a sombra que sinto escurecer tudo cá dentro. Como os meus olhos, noto-os a não quererem emanar luz. Ainda ando meio perdida, meio desorientada. Hoje saí de casa e o meu carro não estava no lugar do costume. Pensei que mo tinham roubado, entrei em pânico. Tinha-o deixado junto ao trabalho, ontem à noite. Tenho mesmo que ter o triplo da atenção a tudo - até a conduzir. Ia tendo dois acidentes por distracção minha. E só me apetece chorar. Podem dizer-me que é só um cão, que antes ela que uma pessoa da família, que foi melhor assim, que ao menos não teve um sofrimento prolongado... não me interessa. Não me interessa nada. Era um saco de ossos desajeitado, mal acabado e com umas pernas finas e desproporcionadas. Não era linda senão para mim. Era a Minha Blair. O que me custa sempre na morte é a perda do contacto, do toque, deixar de ouvir, ver e sentir o outro. Neste caso, é também não voltar a vê-la apoiada apenas nas patas traseiras enquanto pede atenção, mimo, brincadeira, um petisco. Não vou voltar a chamá-la só para ver aqueles olhões apontarem na minha direcção. Não vou tê-la a pedir colo, quando se apercebe de que já terminei a refeição. Não vou vê-la a morder o peluche laranja dela. Não vou ficar embevecida enquanto se tapa com a sua mantinha de malha polar. Nem vou poder aconchegá-la ao meu colo, as duas no sofá com uma manta por cima e o sono a embalar-nos com a tv. Não vou vesti-la porque treme com frio, nem levá-la a passear com a sua trela cor-de-rosa. Não vou dar-lhe o banho de que ela tanto gostava, nem apreciar a sua decisão de secar-se frente a um termoventilador. Não vou rir às gargalhadas com as asneiras que insistia em fazer, nem com a maneira sorrateira com que ela se tentava esconder. E a sacanice com que disfarçava tudo o que sabia fazer de mal...

Cumpriste o teu propósito, melhor que muitos humanos. Foste feliz e fizeste alguém feliz na tua passagem por este mundo. Tantos animais passam por cá sem saber o que é ser amado... Quando não queria sair da cama nem de casa, quando não queria tirar o roupão nem enfrentar o negro da minha vida, encontrámo-nos. Que connosco foi isso mesmo - um encontro mútuo. Estavas farta da tua vida miserável, com apenas meses de idade. E eu também, mas com 24 anos no lombo. E aprendemos a gostar uma da outra sem nada de acessório, sem padrões de beleza, sem futilidades. Nada de superficial em nós, só a certeza do gostar. Gostar uma da outra, gostar da companhia, gostar da Vida. Nunca conheci um animal tão meigo como tu. A rafeira mais bonita do planeta, com nome de personagem do Upper East Side. Foste mais mimada que muitos outros da tua espécie com dono. Foste muito amada no teu intenso e curto ano de vida. Marcaste bem o teu papel lá por casa e agora que não estás lá, dói tanto, pequenina... Sinto-me mesmo mal por não ter estado ao teu lado na clínica; se no consultório com o meu pai ficavas trémula de medo, ali não deve ter sido melhor. Mas lá puderam dar-te oxigénio e fazer-te exames que em Pombal não seria possível. Sei que as lágrimas não te trazem de volta, não te vou ouvir ganir quando chego a casa, chamavas-me para receberes a tua dose de mimos diária. Fico tão grata por teres aparecido na minha vida... Fica a saudade, para sempre. E a gratidão.

Ainda não tenho os resultados da autópsia, ainda não sei o que a fez partir tão precocemente.
Obrigada a quem se preocupou sem ridicularizar. Obrigada mesmo por perceberem que me dói, ainda que não sintam da mesma forma. Obrigada por respeitarem aquilo que, para muitos, é um capricho ou um devaneio.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blair

Miss Blair at work
Não foi por olhar para a montra de uma loja de animas e ficar embevecida com a beleza dela. Nem foi por vê-la entre os vários irmãos, numa ninhada linda à volta da mãe. Foi por ser dócil, pelos olhos dela, pelo medo que a fazia tremer insistentemente. Foi por achar lamentável que um ser passe por este mundo sem ser amado. Sem ser mimado. Era uma rafeira igual a muitas outras, hoje é a minha Blair. Em vez dos pontapés, em vez de ser enxotada com vassouras, hoje tem colo, uma caminha só para ela, mantinhas, coleiras e roupinhas, que ela é só pele e osso e sofre com o frio como a Adda (a labrador) nunca sofreu. Tem personalidade vincada, é manhosa, fiteira, dissimulada. Faz o que lhe apetece, brinca imenso. Adora tomar banho e há tempos encontrámos um pudim feito pela minha mãe, roído até metade... É divertida, stressada, cheia de vida. Mas há quinze dias que não a vejo correr, nem equilibrar-se em cima das duas patas traseiras, andando atrás de mim. Não quer sair da cama. A febre não baixa. Não quer comer. Só às vezes. Não pula quando me vê... deixa-se estar deitada, os olhos de carneiro mal morto viram-se para mim e só a cauda dá sinais de vida. Anda xoxa. Já levou soro, já levou vitaminas, cálcio, glucose e montes de outras coisas. E não há maneira de arrebitar. Hoje foi com o meu pai para Coimbra, está a tirar uns raio x e vai fazer umas ecografias para ver se finalmente descobrimos que raio se passa com a minha pequenina. E eu estou no trabalho, em pulgas, queria era estar lá, ao pé dela até saber o que fazer. A Assembleia Municipal sobre a qual tenho que escrever parece-me uma brincadeira de criança. A vida não é nada daquilo. Preocupamo-nos tantas vezes com merdices e esta vida é um sopro. É uma poeira ao vento. É nada. E nós com ela. O pior erro do ser humano é levar-se demasiado a sério...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bom fim-de-semana!

Pixie Lott
"De cada vez que és honesto e te conduzes com honestidade, uma força de prosperidade impulsionar-te-á em direcção a um grande sucesso. De cada vez que mentes, mesmo uma pequena mentira inofensiva, existem fortes forças que te empurram em direcção ao fracasso."
( Joseph Sugarman )
 

Faz-me sentir assim um bocadinho princesinha.

Eva Longoria
Por motivos vários, pelas agendas preenchidas e pelo exagero de solicitações, fomos obrigados a reservar a quarta-feira para nós. É nesse dia que nos mimamos com um jantar ou mesmo só um café a dois. Tempo nosso, para deitar conversa fora, para rir, para namorar. Esta quarta-feira, estraguei os planos. Soube no próprio dia que um trabalho me iria impedir de cumprir o combinado. Ele não ficou chateado, pelo contrário... encontrou o local no meio do nada onde se realizava a Assembleia de Freguesia que fui cobrir e sentou-se ao meu lado. Esteve comigo. Decidimos ir ao café a que costumamos ir onde não nos apetece encontrar mais ninguém. Jantei por lá e a tosta mista encheu-me o estômago e pesou-me nas pálpebras... Além de me aturar a morrer de sono, ainda me confessou ter gostado da noite.

Adiámos o jantar para quinta-feira. Soube que teria de ir assistir à Assembleia Municipal, coisa que costuma demorar horrores. Começava às três da tarde, por isso, nem pus em causa o nosso encontro. Não me vou alongar muito mais acerca das razões que me fizeram ficar por lá até a uma hora próxima das onze, mas já me estava a sentir incomodada por não ter como acelerar o processo. Tive que aguentar. E a febre ia e vinha, que a tal de constipação ainda não desapareceu. O sono, com ela, não me deixava em paz. E a fome... bem, a fome estava a dar comigo em doida, não havia águas nem leitinhos com chocolate que me safassem. Saí e lá estava ele, lindo, com as minhas flores cor-de-rosa e uma pizza encomendada, que já não eram horas para jantar em restaurante nenhum.

Portugal assim até parece um país a sério.

Já temos ebay. Aqui.

Já não estou inerte.

Julia Roberts
Sentia-se pouco entusiasmada. Sempre vivera com a paixão que pulsa e emana de cada poro. Sempre fora assim: o brilho nos olhos, o fervor na voz e o frenesim nos gestos. Alegre, o sorriso era já parte das suas feições. Momentos havia em que se irritava - todos estranhavam quando o índice de felicidade nela não apresentava valores máximos. "Não sou o bobo da corte", atirava. Mas também ela preferia estar assim, sentada no cume do monte dos sorrisos. Angustiava-a o medo de perder a luz e a força que a tornam num monumento à existência de Deus. Depois, a pouco e pouco, como os fios de luz solar que penetram os estores pela manhã, a casa dentro de si iluminava-se. Pequenas dádivas que a reconstruíam de dentro para fora. Pequenos pormenores com que brindava o olhar. Voltava a ver a beleza em cada pedra de calçada, em cada flor selvagem, em cada riso de criança e até no futuro por desenhar. De repente, como quem estala os dedos, dava por si sã outra vez.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Não estou triste nem zangada

CharlizeTheron
Nem aborrecida, nem assustada. Mas também não estou feliz e sorridente. Há impaciência, ai que raiva descontrolada das pessoas burras; há impaciência, ai que não consigo achar graça a nada; há impaciência, mas quando é que posso parar um bocado?!
Sei lá. Não sei porque estou assim. Só queria estar sossegada. No meu canto. Até voltar à normalidade. Até ter dormido tudo. Até ter passado esta constipação.
Sabem aqueles dias em que não acreditamos na nossa beleza? Nem no lado bom... deve ser o Inverno a chegar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não percebo

porque raio preciso da ventoinha e de ar condicionado durante o dia se depois chego à noite e até me sabe bem secar o cabelo com o secador bem quentinho e desejo ardentemente ter um termoventilador no máximo virado para mim. É Inverno à noite e a partir das onze da matina é Verão? Depois espirro!

porque estou tão ansiosa por poder dormir a manhã inteira de Sábado e enterrar o meu rabinho gostoso no sofá durante essa bela tarde, com o telecomando como melhor amigo.

Só um desabafo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sou mimada.

Diane Kruger
Muito mimada. Sempre fui. Nem por isso mal-educada ou dada a birras. Mas sou mimada por todos aqueles que me rodeiam. Pais, irmã, namorado e amigos. Família e colegas de trabalho. E depois fico assim... meio sem saber se mereço, meio grata por receber tanto.

Tanta moleza e tanto por fazer...

Blake Lively as Serena van der Woodsen
Acordei com a certeza de que era sábado. Ponderei ir deitar-me no sofá da sala a ver America's Next Top Model ou a Ellen ou a Oprah ou algo que puxasse tanto pelo meu cérebro como comer uma salada de atum. Despertei e apercebi-me do pior: ainda faltam três dias para esse momento. Sono, moleza, sinto-me a constipar gradualmente e só queria ficar na minha caminha confortável e cheia de almofadas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

a minha última descoberta

Pó Compacto Clinique Stay-Matte Sheer Pressed Powder
A-d-o-r-o. É um pó compacto que remove a oleosidade e o brilho, über cool no Verão, certo? Ajuda o meu make up a permanecer no sítio por muito mais tempo e fico com bom ar, ar de gente que acordou agora e está revigorada. Apesar de ficar com um acabamento mate, a pele não fica baça - fica saudável. Sempre fui muito reticente em relação a pós e poeiras para a cara, mas estou mesmo apanhada por este. Ah, e como é translúcido, pode ser utilizado por todos os tons de pele, desde que tenham tendência para a oleosidade.

traídas

Kate Winslet
Não confio em ninguém. Ou melhor, não há ninguém em quem confie plenamente. A 100 por cento. Não consigo, traumas antigos, marcas profundas, que o que nos aflige na infância pode tornar-se num medo irracional quando adultos. A vida é feita de consequências e nem tudo se transforma como gostaríamos. Não confio. Tenho tendência a admirar a patetice de quem o faz. Não compreendo, porque considero irracional e pertencente ao campo da fé, quem põe as mãos no fogo por alguém. Mesmo com as habituais balelas, mesmo que o outro não tenha cadastro, mesmo que tudo seja lindo quando existe essa confiança burra. "Se ele está comigo é porque gosta de mim, se não quisesse estar, dizia-me, para poder ficar com quem queira", dizem algumas pessoas que conheço em relação aos namorados. Levam a sério o livre-arbítrio, essa liberdade de escolha inata. Acreditam piamente que, no caso de surgir um novo interesse, o ser amado seria íntegro o suficiente para partilhar a verdade e seguir o seu caminho, tudo com base num respeito utópico. Não compreendo essa visão, nunca compreendi. E ainda que compreenda, não a assimilei. Não ponho em prática, parece-me naïf. Demasiado ingénuo para o meu cinismo. Daria a mão à palmatória se existisse um único caso em que essa confiança, esse laço elevado e evoluído, desse provas de compensar. Nunca dá. Não vale a pena. Mais cedo ou mais tarde, a medíocre natureza humana dá pistas de que num plano terreno, mais vale ter um olho no burro e outro no cigano. A facada vem quando baixamos a guarda. E há duas hipóteses, depois de avaliar a vastidão do sentimento que nos unia a quem nos desiludiu: continuar de mãos dadas, nunca esquecendo o sucedido, mas tentando superar... (e trazendo o assunto à baila em cada discussão durante muitos e muitos anos) ou desistir, porque as relações exigem muito trabalho.
Tenho para com as mulheres traídas uma solidariedade comovida, uma dor sentida e um abraço sincero. São poucas as que conheço que nunca passaram por esse pântano. É uma angústia imensa, uma avassaladora sensação de perda de controlo, é ficar sem chão e sem tecto. É um susto, um pânico. Depois uma raiva, um nojo.
Mas vale sempre a pena relembrar que o tempo passa. O que hoje é uma ferida aberta e sangrenta, dentro de um mês será uma cicatriz em cura. Tudo parece pior no momento, mas há sempre momentos depois desse. E sim, é mesmo verdade que o tempo ajuda. E eu, no que puder, também.

De volta, outra vez.

Marilyn Monroe
Dolce fare niente. Acordar, tomar um duche e vestir qualquer coisa por cima do biquíni. Havaianas nos pés e o cabelo selvagem e dourado pelo sol. Conduzir até decidir parar, escolher um daqueles restaurantes que ainda não recebeu a desagradável visita da ASAE. Sardinhas e chocos, uma grande salada. Os pés na areia e a companhia do mar para uma refeição por ele oferecida. Andar a pé, até querer. Comprar um chapéu porque sim, comer um gelado, regressar. Regressos bons, excelentes companhias. Passear, olhar, fechar os olhos e sentir o cheiro que só as dunas daquele lugar emanam. Dormir, conversar, dançar, rir, andar de braço dado. Férias não são férias sem esta paz, sem as roupas divertidas, coloridas, os tecidos leves e a pele morena. Voltei para entrar de novo naquela que é a minha normalidade, muito acima do normal, muito bonita. Tchin-tchin.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Estou de férias!

Scarlett Johansson
Outra vez! Desde sexta-feira passada. E a-d-o-r-o. Tenho todo o tempo do mundo para me dedicar ao Sol, à piscina, ao mar. E fazer nada no sofá também pode ser. Até já!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

São marionetas.

Tyra Banks
Não sabem, mas são controlados por mim. São os meus dedos, por detrás de um computador qualquer, que mexem com aqueles egos de gente pequena. Sou eu que os irrito, que os firo, que os amanso. É pelas minhas palavras que se sentem orgulhosos do seu bom trabalho ou envergonhados pela má conduta. São previsíveis. Quando escrevo, sei quais serão as reacções de quem me lê. Sei. E não ter medo e avançar, realiza-me. É esse o prazer da escrita fora de um diário. É esse o prazer de ser maior, antecipar respostas, contornando obstáculos e percorrendo atalhos. É divertido observar os comportamentos dos que se julgam maiores. Dos que se vêem como detentores de um intelecto superior. São os primeiros a apontar o dedo à superficialidade de quem não é bafejado pelo azedo sorriso da ignorância, mas vistos cá de cima, são o enxofre da sociedade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Espreitem isto aqui, que a menina tem razão.

Andei cheia de m'obire!!!

Sharon Stone
Trabalho praqui, trabalho prali e não tive tempo para nada. Nem para o lamparina, que é o vício mais saudável que tenho. Duvido - e duvido mesmo - que alguém não envolvido na área tenha a mínima noção do trabalho que implica uma edição de um jornal regional. É pequeno, não era suposto que 24 ou 28 páginas me levassem a um estado de demência total. E dormência também, pois claro! Como a boca fala do que o coração está cheio, não houve assunto mais interessante que os artigos que me faltavam escrever e os que já tinha escrito. Cheia de m'obire! Um stress desalmado, que se vai embora assim que termino tudo. Escrevi 22 mil caracteres, aproximadamente. Tendinites, por milagre, nem vestígios. Só depois do alívio que senti ao ver a edição fechada, do café tomado por entre riso e conversa leve, me dei conta de como gosto da sensação de dever cumprido. De me esgadanhar toda por um objectivo. Pois que a minha vida pessoal ficou em desvantagem, já que o sono não me deixou margem de manobra e, ao invés de conversas eloquentes, limitei-me a balbuciar coisas enquanto, em frente ao computador, tentava adiantar mais trabalho.
Hoje compenso a famelga com um jantarinho gostoso. Tenho saudades de cozinhar com a criatividade no máximo. E depois de um banho bom, nada melhor que uma refeição agradável e dormir. Dormir muito, esta noite.

Só é inseguro quem se julga inferior.

Paris Hilton
Quem não consegue, por si só, apreciar-se. Não é vergonha nenhuma, nem passa por presunção saber notar o que nos torna únicos e, por isso mesmo, especiais. O desenho das sobrancelhas, o sorriso escancarado, as mãos bonitas. Não tem mal algum gostarmos de características nossas, ou constatarmos aquilo em que somos realmente bons. Saber desenhar, saber escrever, saber pintar, saber cantar, saber nadar. Não é demais gostarmos daquilo que fazemos bem, nem tentarmos melhorar as nossas capacidades. Tudo isso pode e deve servir para, aliado à humildade, nos sentirmos seres respeitáveis e completos; para olharmos de frente para os outros.
Contra mim falo - muitas foram as vezes em que me rebaixei perante quem julgava superior. Houve uma pessoa na minha vida que era perita em despir as minhas inseguranças, trazendo-as todas à tona, fazendo de mim a pessoa fraca que nunca fui. Nesse caso, vejo hoje que fui vítima de mim mesma. É de dentro de cada um que sai a auto-afirmação, a confiança e o poder de se fazer respeitar. Não me refiro a uma carapaça rígida e forçada, mas a uma postura que afasta toda e qualquer hipótese de abuso vinda de quem nos rodeia. É que quando temos plena consciência do ser humano maravilhoso que somos, repleto de especificidades e pormenores fantásticos, amamo-nos de tal modo que passamos a colocar-nos num lugar seguro, onde nos resguardamos de qualquer ferimento profundo. É aí que somos capazes de amar verdadeiramente, de ser um amigo leal e não uma pessoa carente de afectos. Ser saudável também passa por tudo isto - porque a angústia da insegurança só desaparece por nós mesmos. É uma aprendizagem. Deixar de ver o outro como quem olha de baixo. Ser apto para fazer uma caminhada lado a lado. Não dar azo ao desespero, ao medo de perder. Não clamar por atenção, não pedir reconhecimento, não sofrer com o que nos parece - porque só nos parece, que a visão está turva - inércia do outro. Simplificar, clarificar, relativizar. Não sofrer, não deixar que as palavras extrapolem o real sentimento. Buscar serenidade dentro de nós e deixar que ela emane e se espalhe à nossa volta, contagiando quem está por perto. Respirar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bom fim-de-semana!

Nicole Richie
"Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher".
Coco Chanel

ahhh se vocês soubessem...

Adriana Lima
...como me parecia distante o hoje, naquela altura... Tudo o que cantei, tudo o que chorei, tudo o que ri, ajudou a edificar o meu ser. As pessoas que conheci, tantas, tantas de quem nem o nome recordo. Atribuíamos inúmeras alcunhas: o giro da Associação, o giro do Twisted, o André Ladex, o lindo, a coxa marreca, o Xoló, a Tatxi, o doutor de Direito, o Vrrumm Vrrumm... Não se usa o nome do B.I. (agora seria C.U., mas atendendo à vulgaridade das iniciais, prefiro manter o bilhete de identidade, mesmo) quando queremos fofocar à vontade, sem correr o risco de haver na mesa ao lado alguém que conheça um protagonista de uma história parva que queremos manter secreta. Foram rios de espuma em Queimas e Latadas, absinto ou gelatinas de vodka. Foram amigos que se misturaram no sangue e que hoje vivem debaixo da pele. Foram aventuras, roubar um colchão e subir uma avenida inteira com ele às costas, dar conversa aos taxistas mais simpáticos e enganá-los: "Sim, fui eu que deixei este casaco aqui ontem! Ainda ontem andei neste taxi. É da Mango e é um M. Só pode ser meu!". Oferecer-lhes cebolas que encontrámos no chão e receber em troca um sorriso. Chegar a casa sozinha e ser filmada pela amiga enquanto rebolamos no chão. Aconchegar a amiga que dorme no quarto-de-banho. Fazer a cama no hall de entrada e dormir lá com a melhor amiga enquanto esperamos por alguém. Encarnar novos personagens. Fingir que sou estudante de Erasmus em Portugal. Descobrir que a pessoa que estou a enganar vive na mesma cidade que eu. Descobrir que temos amigos em comum. Continuar a mentir. Tê-las sempre lá. Quando me sinto a pessoa mais sozinha e infeliz do mundo. Quando tenho fome de bitoque às quatro da manhã. Quando a minha autoconfiança estava nos píncaros e só queria era um bom make up, saltos altos e boa música. Passou num sopro. Passou num instante. Dei por nós já crescidas - o centro do ser é o mesmo. O íntimo permanece imutável. O contexto, como um cenário, alterou-se completamente.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ela vai.

Deixa aqui tudo o que a prende ao planeta. Deixa aqui um passado pesado, uma vida com tudo a que teve direito. Deixa aqui os sonhos que se permitiu sonhar quando tinha a minha idade. Deixa aqui família, amigos e tudo aquilo que incluímos no nosso conceito de vida. Existimos não só pelo que somos, mas também por aqueles que nos constroem o ser - os nossos. Os nossos são o porto de abrigo e o palco das mais felizes celebrações. São o nosso contexto, no que respeita à sociabilidade. Ela vai. E vai sem eles. Vai sem parte de si mesma, vai sem o sangue do seu sangue e vai com o passo firme de quem se lança no vazio. Portugal tem destas coisas. Nem sempre é hospitaleiro para os seus. Essa característica fica para os spots publicitários lá fora, que os de lá de fora é que interessa chamar. Nós, os portugueses, perdemos facilmente a utilidade. E ela vai. Consciente disso. Com esse travo amargo na boca. Deixa aqui parte de si, aquilo que foi já não é. Já não é a mulher de fulano tal, gente importante da terra pequena. Já não é a dondoca que esbanja dinheiro em compras nas lojas bem. Agora é ela, crua, lutadora, longe de tudo o que criava uma imagem sua. Ela. Vai.

um dia destes...

Jessica Szohr
Então ela derreteu os marshmallows brancos numa caçarola de cerâmica com o chocolate negro e a manteiga sem sal. Depois adicionou água e deixou que tudo se fundisse numa pasta cremosa, tipo Nutella. Foi bater as natas até subirem e ficarem em chantilly. Envolveu tudo e diz que é mousse de chocolate para quem tem pressa e precisa de uma sobremesa em dez minutos. Serviu em tacinhas pequenas e enfeitou com raspas de chocolate branco. Tenho que experimentar.

Quinta-feira

Bar Refaeli
Pois que o meu nariz, além de empinado e abatatado, resolveu fazer das suas e deixar-se levar pela rinite e pela sinusite e colocar a minha alma num estado de irritite que só eu sei como é deprimente. Foi uma alegria ver-me com olhos de carneiro mal morto, com a cabeça a latejar e uma sonolência aguda a controlar-me os (poucos) movimentos. Nada fácil. Trabalhar assim não é nada fácil. Fico impaciente, tão lenta - quase parada. Ao final do dia, mal me recordo do que fiz, porque tenho a sensação de que estive a dormir. Evito tomar medicamentos, já que regra geral me aumentam a sonolência que já se manifesta sem químicos adicionais. Ainda assim, fez-se o que havia para fazer e depois de uma edição fechada, já arranquei com os preparativos para a próxima. Só de pensar que depois de amanhã é sábado e vou dormir até que o meu corpinho maravilhoso deseje, entro em histeria! É que tem sido uma semana pautada por vários pequenos problemazinhos, mimimis que não nos atormentam, mas que por serem desnecessários, nos incomodam. É por isso que não tenho escrito tanto. É por isso que anseio pelo fim-de-semana magnífico que aí vem! Por falar nisso... já disse que vou novamente de férias?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Muda o meu Mood

Cheguei ao trabalho e recebo-o da mão de uma colega.
- O que é isto?
- Disseram para te entregar.
- Quem?
- Não sei...

Eu soube. Ainda ontem lhe disse que tinha que comprar um moleskine novo. Que o meu está horroroso. Que já não tem folhas em branco. Os meus dias não têm sido fáceis, mas com ele ao lado, custa menos. Muito menos. E não foi só pela Mood cor-de-rosa (claro!) que ele me deixou de surpresa no trabalho. É pelo apoio, pela mão, pelo companheiro que tem sabido ser.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Segunda-feira

Kate Moss
Sinto-me pouco activa, pouco acordada, pouco enérgica. Não gosto de começar a semana a sentir-me parada, inerte. Principalmente de um fim-de-semana em que andei feita saltimbanco por esse Portugal fora: sexta fui ao cinema em Leiria, no dia seguinte fui jantar a Aveiro e domingo fui almoçar à Nazaré para ir jantar mais a sul... Não parei! E foi óptimo ter sido levada a tanta movimentação. O pior é mesmo estar toda congestionada - esta pressão nos ouvidos incomoda-me tanto... e o trabalho não avança, há tanto para fazer, meu Deus! Só queria estar deitadinha no sofá, quieta, com a Sic Mulher ligada e o resto dos dias por minha conta. E desde sábado que andamos nisto...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bom fim-de-semana!

Lily Cole
"Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las."

 Pitágoras

não acredito.

o Carlos Cruz? Really? O mesmo com quem falei na Feira Medieval de Silves, que me olhou de lágrimas nos olhos e me agradeceu o facto de ter ido falar com ele? O Carlos Cruz que tem uma mulher lindíssima? Que tem aquele suporte todo, a filha novinha? O Carlos Cruz do 1,2,3, da Bota Botilde, das Noites Marcianas? Sim, sim - era eu a marcianodependente, que escrevia todas as semanas aquelas cartas que ele lia às sextas. Eu e a minha melhor amiga víamos o programa, cada uma em sua casa, com o telemóvel colado à orelha. O Carlos Cruz? Tenho um apertozinho no peito. Fico triste.

Milagres

é o nome de uma povoação ali para os lados de Leiria. Este é o Garnier pure active anti-spot roll-on. (Ganda nome, né?) No início desta semana falei das borbulhas que me invadiram o rosto, nas quais tentei não mexer... e hoje parece-me o dia perfeito para vos contar como resolvi o problema. Nunca tive tendência para ter acne, a minha pele sempre se portou bem. Claro que em alturas como a Queima das Fitas ou a Latada, as toneladas de poeira no ar e o álcool no fígado faziam das suas... claro que, de quando em vez, a cada momento menos confortável do mês feminino, também me aparece uma pinta no meio da testa. Em situações de nervosismo ou ansiedade, como tive na segunda-feira, é o descalabro! Quarta-feira contei três na testa, uma delas proeminente, uma em cima do lábio superior e outra na bochecha... como os produtos que já tinha aplicado não me resolveram o problema e não queria perder tempo, decidi testar este produto. Confesso que não sou fã da Garnier, apesar de bonitinha, não me inspira confiança... deve ser por causa do Fructis, que apesar do cheirinho bom, irritou-me brutalmente o couro cabeludo, tinha eu 14 anos. A partir daí, nunca mais comprei nada da marca. Desconfiada da promessa de que uma hora depois da aplicação estaria tudo clean, comprei-o. É o máximo. Aplico-o de meia em meia hora e o fresquinho ajudou muito a amainar a inflamação. Depois da vermelhidão, foi-se o relevo embora e hoje tenho mini-crostas espectaculares para disfarçar com uma boa maquilhagem correctiva! Estou surpreendida.

Agora, um minuto sério.

Olivia Palermo
E quando começam a pensar agir directamente na fonte? Quando se lembrarão de, pelo menos, tentar controlar aqueles miúdos que se prostituem sem serem coagidos a fazê-lo? Irrita-me que o país, com o seu lado portugalinho que não é a Grande Nação onde me orgulho de ter nascido, só se preocupe com o julgamento em praça pública e ninguém pense em ir ao âmago da questão. Isto não acaba com a condenação destes gajos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nada melhora a auto-estima de uma mulher

Cameron Diaz
como um novo par de jeans. Pessoalmente, não há peça de roupa que goste mais. Pela versatilidade, claro, mas também  pela comodidade. Sou viciada em calças de ganga e só este ano me está a apetecer enveredar por materiais nunca antes explorados - é que há uns modelos ao melhor estilo pantalone na Mango e na Zara pelos quais o meu armário já anda a chorar! Ahh mas não é tão bom quando encontramos umas calçuxas perfeitas, que escondam o que tem que ser emagrecido e enalteçam o que deve ser mantido bem lá em cima...? Que assentem bem, tenham uma cor gira, fiquem bem com havaianas ou com um sapatunfo de salto enoooorme? Sinto-me o máximo com elas. Faz tão bem ir às compras!

Já ouviram falar?


A minha é cor-de-rosa, claro. Acho-a gira, apesar do meu lamparino me ter dito "Ah, credo, é tão sporty...". Ainda não senti nada. Estava à espera de uma arritmia, de uma falta de ar. Nada. Nadica. O meu balance é regulado pelo extracto de chá e café verde e mais nada. Mais informações sobre a pulseirinha mágica aqui.

já não estou nervosa nem chateada

Jessica Alba