terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eh pah deixem-me!!!

Salma Hayek by Ellen von Unwerth
Já não chega eu estar tão impossível de aturar que me farto de mim mesma? Ainda tenho que levar com a tão característica sensibilidade masculina, equiparável a um paquiderme que suavemente se passeia por uma loja da Vista Alegre.
Do estilo:
Ele: - Vá, diz lá... o que é que te tirava desse estado de espírito? O que é que te fazia feliz?
Eu: - Compras.
Ele: - Então amanhã, vamos às compras.
Eu: - Não quero.
Ele: - Temos de ir comprar uma prenda para a minha melhor amiga.
...

Gémeas com dez anos de diferença.

Olsen Twins
Há dias assim. Em que me irrita tudo na minha vida. Do guarda-roupa ao planeta - passando pela casa onde vivo, pelo carro que conduzo, pela cidade que habitualmente adoro, pelo trabalho que geralmente amo, pelo país de que me costumo orgulhar, por toda a gente que me rodeia, pelos que estão longe e deviam estar perto, pela ausência de controlo na vida dos outros, pelo passado, pelo presente, pelo futuro, pelas atitudes que tenho de tomar.
Há dias assim. Mesmo que tudo ande sobre rodas, ainda que tudo flua em paz e independentemente de o céu estar mais azul, não consigo evitar o azedume no timbre, a acidez no olhar.
Fico mais fácil de melindrar, mas com as garras de fora, pronta a arranhar quem se aproximar.
Há dias assim. Tudo me magoa e me enerva, tudo em mim reage pelo lado mais negativo, tudo em mim é colérico e triste, tenho saudades, tenho pena, tenho raiva, fico triste.
E nestes dias, ela tem paciência comigo, ela faz-me festas no cabelo, mima-me e tranquiliza-me como mais ninguém sabe fazer. Só ela percebe que estou assim. Só ela me faz falar, só ela me ouve, só ela me acalma.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

zona de conforto

Lindsay Lohan
Eu sei lá, sei lá - já lá vão três borbulhas a afirmar o crescente estado de nervos em que vou ficando ao longo do dia. Vá, uma ligeira ansiedade. Nem sei bem porquê... talvez porque me seja fácil ser a maior no seio do meu grupo de amigos, que compreendem quando a ironia toma conta das minhas palavras, quando o sarcasmo se manifesta nas minhas apreciações, quando falo da boca para fora e quando o tom é sério. Com eles, posso falar da última vez em que as cuecas da Paris Hilton foram capa de revista cor-de-rosa e discutir "A República" de Platão sem passar por fútil ou pedante. Vou de um extremo ao outro da minha personalidade sem receios. Porque estou segura. Lá fora, sou avaliada pelo superficial e isso às vezes não me agrada muito... embora, sem falsas modéstias, tenda a achar-me o máximo.

Mas eu acredito que um dia, deixarão de existir(*).

Keira Knightley
"Sabe-se muito bem que é dificílimo erradicar preconceitos dos corações cujos solos nunca foram revolvidos ou fertilizados pela educação: preconceitos crescem ali firmes como erva daninha entre pedras."
Charlotte Bronte

(*) Com isto, não me refiro aos preconceitos referentes aos comportamentos fora da norma de um ser humano, mas sim a factores como a cor da pele ou a cultura, que o constroem por dentro.

Ora vamos lá então começar mais uma semana...

Vanessa Paradis by Ellen Von Unwerth
Depois de praia, filmes, programas de caca da Sic Mulher, amigos e muitas horas de sono, venha segunda-feira. E com ela, trabalho, tarefas, assuntos a resolver, atitudes a tomar e inesperados desafios a aceitar. É só uma semana. E os obstáculos existem para sorrirmos no fim de ultrapassados. Reparamos que talvez não fosse necessário tamanho nervosismo. Mesmo sabendo de tudo isto de antemão, porque raio continuo a sentir o estômago apertado quando antecipo situações menos confortáveis? 'Bora lá então. E boa semana para vocês também!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Bom fim-de-semana!

Charlize Theron
"Um bebé é a opinião de Deus de que o mundo deve continuar."
( Carl Sandburg ) 

Por isso é que ainda não contenho as lágrimas de revolta quando me lembro da coisa que depois de parir, matou o bebé. Choque. Dias antes, soube de uns pais que sofrem a morte do seu filho, que aos seis meses sucumbiu a uma doença. Este trabalho mexe comigo.

Sonho

Gisele Bündchen by Testino
muito. Nem sempre me lembro do que preencheu o tempo em que dormi. Já aqui falei de como adoro dormir, de como preciso de dormir. Os sonhos dizem-nos, por vezes, coisas úteis. Se temos medo ou se a tranquilidade nos acompanha os dias. Já aconteceu ter um ou outro sonho bizarro, sem razão de ser. Também já tive pesadelos e acordei a chorar. Já tive premonições que se concretizaram, sonhos profundamente reveladores. E quem me dera que o sonho que tive hoje fosse um desses casos. É que foi por ele que acordei serena. Um desejo meu tornou-se real porque o sonhei. E ao sonhar, vivi. Quando abri os olhos, a desilusão não foi imensa - tive a sensação de que deveria esperar. Que um dia, as lágrimas de felicidade e o alívio que senti, se materializarão. Quem sabe...

Amanhã vou à praia,

mas independentemente disso, fica aqui um lamiré das tendências para os sapatunfos de Inverno. Voltam os kitten heels, o que é belo de se ver e difícil de se usar na calçada portuguesa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

dar fios de luz

Sienna Miller
Uma palavra certa, uma mão, um abraço. Dar o que tenho para roubar um sorriso no meio do nevoeiro denso. Tranquilizar, brincar, dar força. Ser forte, ser maior. Mesmo quando parece que o futuro pede para ser esboçado e não nos apetece desenhar. Mesmo quando não percebemos porque raio os sonhos antigos aparecem em nós, apesar do presente perfeito elogiado por quem me vê. Profetizam todos de igual modo e eu acredito. Sonhos antigos. Dentro dos olhos. O olhar está fixo e os lábios não se abrem. Mas lá do fundo emana o que o outro precisa. "Tudo o que faço é marcado pelo desejo de ser útil aos outros", dizia António Gedeão (ou Rómulo de Carvalho). Tudo o que faço é marcado pelo desejo de ser útil aos outros, diz a menina lamparina.

Olha quem vem aí!

Ainda não chegou a Portugal, mas há-de chegar. E isso também não interessa muito, porque a Risqué, a Andreia ou qualquer outra marca baratuxa há-de ter qualquer coisita parecida. Eu tenho um preto da Colorama, que comprei há anos e usei duas vezes. Acho que o verniz preto só fica realmente bonito se for usado com elegância, que não me gusta o estilo gótico, não sou a Kate Moss para o usar no registo punk londrino e assim sendo, limito-me a usá-lo com sobriedade. Fica chique. Sei lá. Com a unha bem limada, não muito comprida. E com um look muito clean, que mesmo de jeans soe a sofisticação. Assim que lasque, risque ou fique baço, é bom recorrer ao removedor de verniz imediatamente.

These boots are made for walking

Eu sei que ainda estamos em Agosto, que ainda vou à praia montanhas de vezes e que faz calor e que só queremos havaianas e sandalinhas e vestidinhos e bikinis e tudo... mas não resisti e já comprei umas botas. É verdade. Prolongarei a tendência das socas por esse Outono afora. São grosseiras, são mataconas, mas são o máximo. As minhas Xuz são as terceiras (da esquerda para a direita), num tom de cru giríssimo. Vão ficar über cool com calças de ganga, com vestidos femininos... Espreitem aqui mais sobre a marca.

...

...e as flores que ele mandou, ficaram lá por casa quando me vim embora. E no dia seguinte murcharam.

Lamechices? Talvez...

Beyoncé Knowles
E depois de um dia que passei submersa em stress, cansaço e sucessivos obstáculos que me tiraram do sério, ele vem e descansa-me. Relembra-me da razão para ter escrito um postal por dia enquanto estive fora (shame on me que estou tão nhónhó), traz de volta aos meus olhos o sorriso de alma. Como aquele que nasceu quando um senhor que nunca vira antes me entregou sete flores cor-de-rosa, num dos dias em que estive de férias. Depois de um dia que parecia não ter fim, cada percalço com ele era apenas um pequeno degrau que subíamos rumo ao ideal. E acabou por ser.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Santos da casa...

Marion Cotillard
...não fazem milagres.
Antes de acontecer, eu já sinto. Antes de se materializar, eu já vejo. Antes de ser, eu sabia.
Acontece-me vezes sem conta. Eu sei. Eu aviso. Ninguém quer saber. É mais fácil rotular-me de paranóica, desconfiada, traumatizada, que confiar e seguir o meu conselho. Será depois difícil encarar-me quando a Vida, essa grande amiga do meu coração, baralhar as cartas novamente para revelar que tudo o que eu havia anunciado era, afinal, verdadeiro. A minha intuição é forte. E manifesta-se principalmente a favor dos que mais amo. É para eles, é por eles que os meus olhos permanecem atentos, que os meus ouvidos se concentram em cada brisa, que todos os meus poros absorvem o primordial e que as minhas cordas vocais se cansam. Não alerto apenas para o que é mau, não agito as águas por implicância. É consciente da inexperiência inerente à minha idade que ergo a voz. E é sabendo que tenho razão, também. Eu sei. É por isso que falo. E como dói falar para quem não quer ouvir. E como dói tentar evitar um acidente e acabar por ver a pessoa cair. Sofro com isso, ainda que tente não me preocupar, já que respeitar a liberdade alheia é essencial para viver aqui. Corro, grito, nado contra a maré e eles avançam, parecem querer cair. Sinto-me mera espectadora, impotente, os braços caídos e o olhar parado. Pudesse eu interferir, ao invés de insistir em discursos desprezados, e tudo seria mais simples.
Até eu já desconfiei do meu sexto sentido, por isso, não os culpo. Conheço o fundo de cada alma só pelo primeiro olhar. Quando a impressão é negativa, tento contornar o impulso e provar, perante mim mesma, que estava enganada. E lá vem ela, a Vida, mostrar-me que devo seguir os meus instintos, ainda que não os compreenda. É mais forte que eu. Por outro lado, também já houve quem, interpretando erradamente as atitudes de alguém, deixasse de acreditar na sua boa índole. Acabámos por verificar que, tal como eu tinha afirmado, na tal pessoa não havia má intenção. Não sei explicar porquê, mas eu sei. E nunca houve uma única vez em que me enganasse. Na minha vida e nas de quem quero bem.
Perante tudo isto, porque não me ouvem os que profundamente me conhecem? Eu não falo apenas para perturbar a paz de quem me rodeia. O meu desejo não é inquietar ninguém. E é horrível falar para as portas, que não ouvindo, não entendem nem reagem.
E é tudo tão simples...

Olha agora o que me havia de ter acontecido...

Evangeline Lilly
-Ninguém que eu não conheça toca no meu pé! -baba, ranho e medo. Medo que pudesse doer mais. Medo de ter o pé partido, afinal, sem um pé operacional, não poderia conduzir. Sem conduzir, não poderia fazer exteriores. Foi no final do dia de praia, em que me despedia do Al-Gharb num "até Setembro". 
-Vamos mandar o último mergulho?
-'Bora!
A Di mergulha à minha frente. Eu sigo atrás e tenho que vir à tona o mais rápido possível - foi mesmo um mergulho flash. Gritei-lhe que tinha mesmo que voltar para a toalha, só não sabia como. Apoiada na mana lamparina, não conseguia sequer ter vergonha de quem me via chorar como uma criança. Ao mergulhar, batera com o pé direito numa rocha que, pela semelhança na cor, se confundia com a areia. A unha estava azul e o sangue misturava-se com a areia. Atirei-me para a toalha e em segundos, já havia gente a aconselhar, a dizer, a opinar. "É melhor chamar o nadador salvador", dizia-se. Quando o vi, as lágrimas pararam de cair e a boca abriu - sabem aqueles seguranças de discoteca, XXL? God...! - Piercings nos mamilos, uma Nossa (deles) Senhora gigante tatuada ao lado dos abdominais definidos, lábios brancos de protector solar. Um exagero. Depois das fitas, decidi ser eu mesma a levantar a pele que fosse necessária para limpar o corte enorme que tinha no dedo. Dói sempre menos se formos nós a mexer no que é nosso. E lá fui eu, passadiço afora, mãe de um lado e prima do outro, coxa e lavada em lágrimas, com dores incompreensivelmente agudas no dedo que, afinal, não está partido. O andar continua afectado, dois dias depois. A unha já não está azul - não percebo o fenómeno. O corte continua fresco. Hoje já consegui conduzir. De vez em quando, sinto picadas horríveis. Grande final de férias, hein?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Voltei, voltei!

Audrey Hepburn
Fui despedir-me dela, as suas férias acabavam quando começassem as minhas. "Ainda bem que chegaste!" - atirou. Uma gatinha pequenina, perdida ou abandonada, insistia em não abandonar o jardim de sua casa. Miava e ela tentava impingir-lhe um pires de leite. "Com três meses, já tem dentinhos para comer sólidos", avisei. Experimentámos fiambre. Devorou. Três fatias. Não quis pão, não quis água. Apesar da fome saciada, continuava sem poiso certo. Não hesitei em pegar no telemóvel e várias chamadas depois, encontrei uma dona para a gatinha. Passou uma noite em minha casa, teve que comer ração das cadelas e não chateou ninguém. Levei-a comigo para o sul. Agora chama-se Mimi e vive em Oeiras, com a minha tia. É linda e eu espero que seja muito feliz. Foi um excelente início de férias.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Estou de FÉRIAS!!!

Milla Jovovich
Não sei quando volto nem é assunto em que queira pensar para já. Posso dar notícias ou não. Não interessa. O que interessa é que depois de um dia em que só parei de trabalhar para almoçar, vou sair porta fora rumo ao Al-Gharb. Fui. (Volto quando o bronze e o cabelo russo assim o justificarem)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

a-dar-em-doi-da!

Jennifer Aniston
porque tenho trabalhos para fazer antes de ir de férias - que quero mesmo deixar prontinhos, feitinhos, escritinhos, arrumadinhos, perfeitinhos. Só que dependem da disponibilidade alheia. É um que está de férias, é outro que foi beber um fino e já vem, é aqueloutro que decide não atender telefonemas... E eu aqui, sentada, a dar em doida. É que seria tudo muito bonito se não tivesse surgido mais um trabalho de última hora, que vai roubar-me muito do tempo de amanhã. Assim sendo, já estou a querer arrancar cabelos. Nisto, daqui a pouco são seis da tarde e eu aqui a tentar fazer chamadas. Sem nada escrito. Sem material para escrever. Sem dados concretos. Sem nada. E com tanto para fazer fora daqui - o jantar, a mala para amanhã, lavar a juba, arrumar a cozinha, tomar café de despedida com os amigos. E deitar cedo, que amanhã há mais. Bah.

E já que estamos numa de cozinha...

Cate Blanchet
...vou partilhar a minha mais recente invenção, o meu mais novo orgulho. Adoro cozinhar, odeio seguir receitas. Gosto de experimentar, de misturar, de me surpreender, de arriscar. E nunca me arrependi. Pois que na passada segunda-feira fui às compras com fome e inventei logo um prato novo. Claro que o carrinho veio mais cheio, mas valeu mesmo a pena. Então é assim: temperam-se os bifes de peru com sal e pimenta preta grossa a gosto. Por cima, colocamos uma ou duas (consoante o tamanho do bife) fatias de queijo Gouda com ervas aromáticas. Depois, cortamos cubos de tomate, como se fosse para a salada, e pomos por cima. Enrola-se e embrulha-se em bacon. Fecha-se com fio de cozinha, tipo como quando preparamos um assado, e leva-se a fritar. Esmaguei uns alhos que juntei logo ao início e decidi pôr também orégãos em cima dos rolinhos. No fim, adicionei vinho branco e quando o álcool evapora, sabemos que estão prontos. Vale a pena experimentar, a sério. Muito, muito bom. E melhor ainda se servido com batatinhas salteadas.

...e não é que estava bom?

Gwyneth Paltrow
Habemus chef! Entrei, receosa, espreitei pela porta da cozinha e havia tudo a que um jantar com o mais-que-tudo tem direito, inclusive velinhas e flores. Sete. Cor-de-rosa. Lindas. Bem, mas o que interessa é o jantar! Ele serviu-me e o aspecto era surpreendentemente agradável. Não consegui resistir e ainda antes que ele começasse a comer, já eu tinha provado. E não é que estava bom? Ele cozinha!!! Massinha a acompanhar a carnixa tenrinha com um molho que era uma bomba calórica fantástica. Eu levei o vinho - um Gazela bem fresquinho, que o vinho verde sabe-me bem com tudo. Uma garrafa que se esvaziou à medida que nos acompanhava ao longo das horas que passámos a ouvir bossa nova no youtube. E a rir. E a conversar. E a namorar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

hihihihihi

Jennifer Lopez
só me apetece gritar ao mundo que estou quase de férias!!! Pronto, era só isto. Só mesmo isto. Vou-me embora, então. Tomar um cafezinho, que já deve estar menos calor. Cumprimentos, sim? Até amanhã.

Quarta-feira

Marisa Miller
é dia de fecho de edição aqui no jornal. Isso pode, por vezes, significar almoçar só por volta das três da tarde. São dias cheios, mas que dão um gozo enorme a quem, como eu, gosta do que faz. Até esta sensação de final do dia, de um dia em que não houve espaço para nada mais senão o trabalho, em que o cansaço já se apoderou dos meus músculos, o calor deu cabo de toda a minha energia e a minha cara está com o pior dos aspectos, me sabe bem. Porque há um sentimento de dever cumprido, de tarefa realizada. Correu tudo bem, fez-se mais um jornal. E agora vou para casa tomar um banho enorme, gelado, cheiroso. Vou pôr-me bela para o senhor meu namorado, que hoje vai cozinhar para mim. God, dali pode sair tudo - o pânico começa a instalar-se. O pior que pode acontecer é ter que ligar para a telepizza, portanto não vou pensar muito no assunto. Depois conto se o jantar estava bom ou intragável...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Foi um susto.

Lindsay Lohan
Remexi a mala à procura deles e nada. Não estavam em lado nenhum. Comecei logo a ponderar refazer cada momento do dia de ontem. Percorrer cada passo dado, ir a cada balcão de café onde tenha estado ou de loja em que tenha entrado, na esperança de encontrar alguém honesto que me tivesse guardado os aviator. São básicos, são simples e são História. É esta a graça da moda - fazer de peças, de artigos, de objectos, verdadeiros pedacinhos de História. Os RayBan fazem parte desse grupo de objectos de culto. E eu gosto mesmo muito dos meus. Antes de a minha mãe nascer, já se usavam. Tenho fotos antigas, ainda a preto e branco, de familiares com os aviator no rosto. Lenny Kravitz, meu ídolo da adolescência, fez deles a sua imagem de marca. Tal como o Michael Jackson e mais mil e uma celebridades. Um dia destes, faço um apanhado da história deste modelo de RayBan. A razão para a sua criação e o modo como se integraram no nosso quotidiano remete para um inevitável paralelismo com as calças de ganga.
Bom, a sensação de os ter deixado algures à mercê de qualquer oportunista, fez com que o meu sangue gelasse.
"-Mana, estão aqui!" *suspiro*

Os pés

no Verão ficam mais giros. Bronzeados, querem-se cuidados, dada a maior exposição. Ele é sandália, sandaloca, sandalinha e havaiana. Como o Verão é cor, e como este Andreia nº45 me fez lembrar o Tendresse (507) ou o Mistral (517) da Chanel, decidi experimentar. É que por mais que ache giras as cores tipo Jade ou Nouvelle Vague, nunca vou conseguir usá-las sem me sentir uma miúda de quatro anos sarapintada. Adoro ver unhas verde água, azuis escuras, verde esmeralda, laranja... mas não em mim. Este tem o toque colorful que se quer e não é über chamativo. Gostei muito - mas ainda me estou a habituar. Parece fluorescente... porém, quando se gastaram três euros, who cares?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

medo

Sienna Miller
Assusta-me sempre, mesmo quando não devia. O futuro não é só a luz que se vê no amanhã, é também o trilho escuro e desconhecido. Não são apenas os planos que idealizamos, mas também o incerto, o acaso, o imprevisto. Pode ser o susto, pode ser a surpresa.
Quando estamos bem - e isto foi acontecimento raro ao longo da minha existência - não queremos mudar. Não quero mudar. Estou bem assim. Gosto da vida que montei de repente. Gosto do mundo como o vejo agora, não estou preparada para uma transição brusca. Não quero perder este prazer de acordar pela manhã e ver o que vejo da janela do meu quarto. Esteja a chover ou a fazer este calor abafado e que mal me deixa respirar, são esses os passos que gosto de dar, um atrás do outro, cumprindo as etapas do meu dia. Da minha semana. Do meu mês. Nunca o tempo havia passado tão depressa na minha vida. Nunca o tempo tinha sido tão leve. Nunca me sentira com tanto receio de descer um degrau. A mera hipótese de ser forçada a fazê-lo aperta-me o coração - e eu que me achava incapaz de ser adulta, responsável e séria. Experimentei e gostei. Agora não quero sair daqui.

A sério?

Marilyn Monroe
Ainda há gente dessa? Provincianos labregos, pobres de espírito na maioria das vezes. Nem o nome devem saber escrever sem um erro ortográfico, mas ainda assim, acham-se no direito - e por vezes, a arrogância é de tal modo grotesca que crêem cumprir uma missão - de escrever qualquer baboseira como se um assunto de Estado se tratasse? Aos meus olhos, mera sede de protagonismo... foi como escrevi algures: "julgam-se importantes lá na aldeia deles e depois acreditam que o resto do mundo quer saber da diarreia que lhes ferve no cérebro".
Ainda há gente dessa. Por norma, gente que não é pessoa, gente que gostaria muito de ser pessoa. Gente pequena, que por incapacidade de criar ideias, copia as alheias. Até aqui, tudo razoável - não fossem os seus exemplos seres iguais. Medianos. Medíocres.

Há dias...

Heidi Klum
...em que me sinto no sítio errado, porque o meu lugar é numa praia com o meu staff. Uma pessoa para me fazer massagens, outra para me trazer todas as boli berlis que eu quiser, outra para me dar aguinha e ainda outra só para me passar creminho nas costas. Hoje estou deslocada, longe da minha natural vocação para o ócio e o lazer. Esta segunda-feira sinto-me meio parada e parece que finjo, perante mim mesma, ser realmente alguém que trabalha. E falta tão pouco para as férias...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Bom fim-de-semana!

Grace Kelly
"Ser humilde com os superiores é uma obrigação, com os colegas uma cortesia, com os inferiores é uma nobreza."
Benjamin Franklin 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Brinquedo novo

A ideia foi concebida na perfeição. O estojo da Benefit que me foi oferecido por pessoas cheias de bom gosto no dia em que fiz anos é mesmo o máximo. Disse aqui que falaria dele e nada melhor que reservar a tarde de sexta-feira para isso. Porque é um dia em que se marcam jantares, cafés, saídas. Porque começa o fim-de-semana, em que temos mais tempo disponível para dedicar ao make up. Porque podemos fazer compras e aproveitar os saldos com a calma que a circunstância merece - e por compras não entendemos só trapos, pois não? Eis a minha sugestão de comprinha fútil...

Parece um diário e é difícil de acreditar que um kit tão pequeno seja constituído por tantos pormenores giros. Sabe bem ter produtos que para além de bons, são bonitos e divertidos. Até apetece usar mais! Desde que o tenho, não saio de casa sem aplicar pelo menos um ou dois dos elementos que o integram. Bom, mas vamos entrar no Confessions of a Concealaholic à séria. Mal abri o livro, o espelho com a inscrição "This diary belongs to" no cimo fez-me sorrir. Depois vi a erase paste e ia tendo um piripaque, porque andava mesmo doida para a experimentar. De 1 a 10, dou 7. Tem uma textura agradável e o efeito é bastante bom, mas depois de usar o corrector All About Eyes da Clinique, dificilmente me habituo a outro. A durabilidade conta muito e esse é o ponto fraco da erase paste. Se coloco de manhã, tenho que retocar à hora do almoço - mas esse é mesmo o conceito do estojo, já que é dirigido a pessoas como eu, viciadas em maquilhagem correctiva e iluminadora. A ideia é maquilhar levemente, usar os produtos certos no sítio certo e parecer fresca que nem uma alface, mesmo depois de uma directa (Quase o caso de hoje. Adormeci por volta das cinco e hoje tinha que trabalhar!!! No entanto, sem falsa modéstia, ao olhar para a minha cara, ninguém diria...). Gosto dos produtos bem organizados, arrumadinhos dentro da caixinha fofa e acho graça aos pincéis com os nomes dos produtos escritos, não vá a concealaholic enganar-se e aplicar o lemon aid com o pincel do boi-ing! E o mais fantástico e maravilhoso é que traz um guia para que saibamos o que usar, para quê, em que zona do rosto e como aplicar. As cores que aparentam ser bem pigmentadas na embalagem, quando aplicadas, fundem-se com o tom natural da pele e fazem mesmo aquilo que prometem: corrigem e disfarçam o que ofusca a beleza natural. Não há cá olheiras, manchas, pele cansada, olhos mortiços. De um momento para o outro, sem parecer produzida, estou com uma cara que não mete medo. É mesmo muito cool e pode encontrar-se na Sephora.



P.S.: Obrigada, pessoas cheias de bom gosto.

Hoje vou matá-las.

Blake Lively & Leighton Meester
Num mundo tão pequeno mas tão cheio de gente medíocre, podemos considerar-nos sortudos se por acaso encontrarmos uma pessoa cuja alma compreenda a nossa, a aceite, a afague. A mediocridade não é de hoje - é um defeito da espécie. O problema é que na crise de valores que atravessamos, não há qualquer pudor em demonstrar a mesquinhez, a falta de carácter, a ausência de princípios.  É como se demonstrar ser-se baixo fosse uma afirmação de personalidade. "Sou uma pessoa de cócó, mas pelo menos sou diferente e único, não tenho medo de ser assim, digo o que me apetece e pronto. Por isso, ou me aceitam, ou então azar. Porque sou super especial e não preciso da aprovação de ninguém." - acreditem ou não, pessoas queridas que lêem o lamparina, há mesmo gente assim.
Ela é a minha melhor amiga porque ninguém se mete entre nós. Não descuramos a protecção do que nos une, nem deixamos de estar atentas ao que nos rodeia. Cuidamos, ainda que agora à distância, uma da outra. Acompanhamos, lado a lado, as vitórias, os sucessos, as lutas, os dramas e as dores. Não censuramos comportamentos, ainda que possamos chamar a atenção para o que acharmos não ser o mais correcto - de fazer, de dizer, de pensar. Se eu errar, sei que ela não me vai dizer "eu avisei" e virar costas. Ela vai estar lá, bem juntinho, para ajudar a apanhar os cacos do coração que mais uma vez, por negligência, deixei que se partisse. Se sorrir de felicidade, ela não me vai invejar nem tentar apagar o brilho da alegria que sinto. Vai sorrir também e sentir-se em paz por me ver bem.
Ela é a minha confidente. E eu confio. Sei que não vai agir como muitas supostas amigas que tenho tido o infortúnio de observar... que vendo o sofrimento e a gravidade de um problema alheio, não se coíbem de o espalhar por cada esquina onde encontrem alguém ávido de informação.
Ela é a única pessoa que me faz ter vontade de ir a algum sítio quando já não me apetece mexer-me do sofá. Se eu estiver cheia de sono e ela me desafiar para uma saída, eu tenho automaticamente vontade de a acompanhar. E com ela divirto-me sempre. Porque falamos só com os olhos, rimos das mesmas coisas e ela não se importa com os meus vaipes de cantora ou de "sinto-me sexy". E quando eu lhe digo que ela é o verdadeiro amor da minha vida, ela percebe. Se eu fosse um gajo, namorava com ela.
E tudo isto é recíproco. Quando deixámos de viver juntas, porque a vida nos faz crescer e atravessar fases diferentes, houve sempre em mim a segurança, a certeza e a convicção de que seríamos sempre parceiras. E estava certa.
Com ela, aprendi a ser mais moderada no julgar, mais serena na discussão. Sempre fui muito inflamada, muito intransigente, muito dura. E depois um coração mole. Ela ensinou-me a ser mais cínica, e assim poupar-me ao desgaste de uma personalidade sempre em chamas.
Não sei se sou metade do que deveria ser para ela - não sei mesmo. Hoje, passados tantos anos, somos duas mulheres. E o papel que ela tem na minha vida não diminuiu. E as saudades que eu sinto também não são diferentes das que sentia no início da nossa jornada em casas diferentes, em cidades diferentes. E hoje vou matá-las. Talvez as afogue numa imperial.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

creme pelos ares

Uma pessoa tem todo o cuidado do mundo com o seu hidratante preferido, usa-o com coerência, aplica-o como deve de ser, porque se não fizer o efeito esperado a culpa é da má utilização, sente-se cansada mas não deixa de dar de papar à pele - ai meu Deus vamos ver se é este ano que não fico com o nariz estilo chão de peixaria, cheio de escamas ah ah ah.
Depois acorda mal acordada, com o sono mal dormido, está a pôr-se bela para mais um dia de labuta e parece que tem as mãos rotas - Superdefense por todo o lado. Cabelo, roupa, chão, paredes, vidro da janela, sapatos que estavam no chão. Ficou tudo bem hidratado e com protecção solar. Voou creme em câmara lenta, como nos filmes. Nas paredes, manchas amareladas (o produto deve ter reagido com a tinta, mas parece mesmo que cuspi um bocado de bifana contra a parede). Fui buscar um salazar, aquele utensílio de cozinha que serve para rapar a massa dos bolos nas taças, para tentar recuperar pelo menos algum do produto. Do que não estava em contacto com o chão, claro.

Não consigo parar de olhar para ele.

Perguntam-me que dia é e eu olho para ele. "Dia cinco."

Perguntam-me que horas são e eu distraio-me a olhar para ele.

O baço do dourado, a delicadeza dos brilhantes em contraste com a dureza da bracelete, o toque sporty do plástico transparente que emoldura o mostrador...

Lindo, pá!

"A culpa não é minha!"

Blake Lively by Testino
Ia gritando de braços no ar. "Não sou eu!!!" - queria mesmo que os condutores enraivecidos e os peões que na dúvida me acenavam (não fosse eu ser uma conhecida que os cumprimentava entusiasticamente) acreditassem em mim. Não era eu que buzinava - era a minha carrinha, sozinha. Ela sempre teve tiques de quem tem vida própria: pára no início de viagens longas e decide fazer-me vir de táxi do Alentejo para cima. Também gosta de fazer fitas: engasga-se e soluça e faz-me andar, com tanto solavanco, qual nigga deleitado com o novo beat do seu rapper preferido, de cabeça em bruscos movimentos para a frente e para trás. Já ultrapassei muito Mercedes e muito BMW com esse estilo, cheia de swing. Também gosta de bufar. É arraçada de gato. Volta e meia, manda uma sopradela daqueles buracos de onde sai o ar condicionado. O bafo é tão forte e repentino, que além de me despentear, me seca os olhos de tal forma que já tive que parar para pôr uma gotinha de soro. Também não gosta muito de ouvir música. Enfim... desta vez apeteceu-lhe gritar e vai disto, toca a disparar a buzina feita maluca. Uma doida, rua afora, um estrilho impagável, uma vergonha descomunal e as lágrimas de riso pelo meu rosto abaixo. Uns acenavam, com cara de asnos "-Não a estou a reconhecer, mas pela festa que me faz, devemos ser grandes amigos... ora deixa cá levantar a mão..."; outros buzinavam, lixadérrimos, em resposta; houve quem simplesmente ficasse com o olhar preso. Mas pior que isto foi estar na redacção, ela estacionada no seu lugar à sombra e alguém dizer-me: "Lamparina, o teu carro está a buzinar sozinho!!!" - era um arraial montado. Só visto! Ela no meio do parque de estacionamento, num pranto descontrolado, urrando dores e mágoas que só uma viatura com maturidade semelhante poderia compreender... e os vizinhos todos com a cabeça de fora, nas varandas e nas janelas, tentando perceber que condutor furioso insistia naquele protesto. Houve várias teorias:
  1. Ah, porque entrou água na buzina. Pode ter sido, sim senhor. Há dias deparei-me com umas cem vespas à saída de casa a rondar a carrinha. Queria vir trabalhar, mas com elas ali não conseguia mesmo abandonar o lar. Vai disto e dei-lhes uma valente mangueirada. A janela do tejadilho estava aberta...
  2. Hmmm, cá p'ra mim é do calor. E como o calor dilata os corpos, pode bem ser isso. Ela passa horas ao sol e provavelmente, a doida da buzina inchou dentro do volante. Puxei a tampa para mim e resultou. Coloquei dois papelinhos da Telepizza a separar a tampa do volante da buzina. Já só apitava quando passávamos em cima de buracos.
  3. Então, isso deve ser um fusível. Pois deve.
A solução da Telepizza foi eficaz, mas nada bonita. Então foi para o mecânico. Diz que também tinha um pneu a abanar. É possível. Já tenho saudades dela, desde sexta-feira que não lhe pego. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Porquê lamparina?

Scarlett Johansson
Foi um período em que atravessou, com passo lento e pesado, um caminho escuro. O mais escuro que já vira. Desceu até ao mais profundo da dor e ainda escavou. Era o mais fundo a que já se tinha arriscado ir, nos trilhos amargos. “Se te estás a enterrar, continua a escavar. Pode ser que ainda encontres um tesouro”, dizia-se. Não tinha rumo. Não sabia o que fazer. Só procurava, por entre as tarefas rotineiras, abraçar as suas obsessões, esconder os medos que a faziam feia, que se lhe inchavam os olhos pela noite dentro. Chorou rios salgados, oceanos de mágoa. Chorou o seu ano doloroso, dorido, as dores e as angústias de todo o mundo. Não conseguia vir à superfície. Anestesiada, sufocada, cansada. Como nunca havia estado. Na face, só o medo do que previa. Tinha as certezas todas e sabia-as certas; ainda que débil, o seu discernimento manteve-se acordado. A sua fragilidade nunca encobriu essa luz. Essa luz que faz dela o que é: forte, mesmo na fraqueza. Lambe as feridas e segue de cabeça erguida. Foram tantos os momentos que não queria viver mas que não conseguiu evitar, que seria normal considerar arrepiar caminho. Na verdade, esperou que a luz a trouxesse de volta para cima, que a elevasse acima dos outros, que é esse o seu lugar. E foi num rasgo de inspiração que se sentiu consumida pelo brilho que já trazia dentro de si. Voltou. De repente e aos poucos. Quando deu por ela, era o próprio Sol. Do seu mundo. Lam-pa-ri-na.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A minha é a do meio.

Tombow Zoom 717
É mesmo perfeita para andar colada ao moleskine. É pequeníssima, finíssima, giríssima.

Ele dá-me flores...

Sarah Jessica Parker
...sem saber que as que me tinha oferecido antes já estavam a murchar. Parece que espreita a jarra que tenho em cima da cómoda do meu quarto e corre até à florista mais próxima para substituir o ramo para onde olho todas as manhãs. Não é preciso haver um motivo, basta que nos encontremos depois de um dia de trabalho ou que queira, simplesmente, ir mais além das palavras para dizer o quanto gosta de mim. As primeiras que me deu, chegaram-me a casa pela mão de uma senhora. Eram oito da noite e tinham tocado à campainha. Sete flores – o meu número preferido. Todas cor-de-rosa – a minha cor predilecta. Dele, já recebi várias sete flores. De várias cores. Sempre a mesma flor, que é já a nossa. Pelo meio houve rosas, houve outras que colheu num jardim.
Não sei se ele sabe quão especial me faz sentir a cada mimo que me dá. São muitos os pequenos apontamentos que me iluminam o sorriso… o lanche que me trouxe à redacção, num dia interminável em que me resgatou do trabalho às oito da noite; os textos sobejamente bem escritos que me trazem a comoção ao olhar; o hábito que criou de adormecermos ao telemóvel todas as noites. São tantos os cuidados que tem comigo que não poderia compilá-los todos num texto. É que os olhares, os toques e os momentos não se registam fielmente através de letras, fotografias ou películas de filme. É sentindo-os, vivendo-os, que os passamos a querer guardar para sempre dentro de nós. Carimbam-se na alma e tatuam-se no coração, para disfarçar cicatrizes antigas e para adubar o futuro, que se quer fértil.
Não sei se ele sabe como sou grata por cada dia em que ele faz notar a sua presença, adoçando a minha existência.
Não sei se ele sabe como é ter recebido de mão beijada aquilo que sempre se desejou, mas que nunca se conseguiu construir. Fundimos mundos, criámos outro.

E que tal abrir o apetite?

The Simpsons 
Mana Lamparina: - As andorinhas comem o dobro do peso delas em insectos, por dia.
Menina Lamparina: - Que nojoooo! Estamos à mesa!
Pai: - É verdade, mas não sei se comem ou se capturam. Elas alimentam os filhos.
Mana Lamparina: - Já viste o que era se eu comesse 120kg de carne por dia?
Menina Lamparina: - Que horror! Ahahahahah
Pai: - Era comeres-me a mim inteiro.
Mana Lamparina: - Ou a uma vaca!
Pai: - Tu chamaste-me vaca?!
Mana Lamparina: (entre risos descontrolados e já vermelha) – Não, pai…
Pai: - Tu insinuaste que eu peso tanto como uma vaca?

Assim se passam os almoços lá por casa.

I love my job #1

Kate Hudson
Festas da aldeia. Leiloavam-se galos, bolos, assados e tudo o que mais houvesse para leiloar. Gritos, barulho, gente, muita gente. Um ambiente popular tipicamente português, uma religiosidade festiva, apesar de venerar entidades já mortas. Dirijo-me a um rapaz jovem que num cubículo aviava as rifas das velhinhas:

- Boa tarde, sabe-me dizer onde posso encontrar alguém da comissão de festas?
- Para que era?
- Eu sou jornalista e queria falar com o autor do livro que foi lançado…
- Sou eu mesmo! – o sorriso veio ao de cima e os olhos já não fitavam os papelinhos enrolados nem a enorme lista dos tristes prémios.

A conversa decorreu com a normalidade que esperava, dado o contexto. É sempre estranha, aos meus olhos, a dedicação a uma terra que não retribui – não porque não queira, mas porque não consegue. É sempre estranho, aos meus olhos, o bairrismo e o amor que se manifesta por cada lugar perdido. Surpreendem-me sempre, porque não compreendo, talvez por nunca me ter sentido filha de uma terriola, mas sim filha de uma nação. O dito autor explicava que sempre tinha sentido o desejo de escrever um livro sobre a sua aldeia, muito pequena, lá para os lados de nenhures. De projectar em cada página, a história e o povo que a desenhou no tempo. E que o seu sonho era chamar a atenção para a tal localidade.

- E então, onde está à venda o livro?
- Na Junta de Freguesia e nos estabelecimentos daqui.
- … - foi aqui que pousei a esferográfica sobre o caderno e tentei não mostrar jocosidade na minha sugestão:
- Desculpe intrometer-me, mas não disse que queria dar a sua terra a conhecer ao mundo?
- Sim, sempre foi esse o meu objectivo. Este livro funciona como bilhete postal!
- Então e vai pô-lo à venda só aqui na terra, onde já toda a gente conhece… a terra?
- …
- Não era mais lógico pô-lo à venda fora da aldeia, da freguesia, para que quem nunca tenha ouvido falar deste lugar, ouça pelo menos falar no nome?
- Olhe que grande ideia!!! Olhe que vou pensar nisso…

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ontem sonhei que o meu namorado era gay.

Ele sentado na esplanada do hotel RocaMar, em Albufeira, que se separa do oceano apenas por um precipício de rochas. O seu noivo à frente. Eu escolhia as flores para a decoração do casamento, toda sorrisos e felicidade. Tudo muito normal, acasos, circunstâncias vicissitudes, se hoje não tivesse sonhado que ele me traía com uma colega minha. Era uma jornalista com quem até nem costumo privar muitas vezes, os nossos encontros sempre foram fugazes, eles não se conhecem. Não, não há motivos para prever tal relação. Agora expliquem-me lá que sonhos são estes, se faz favor.

estou cheia de fome...

Demi Moore by Testino




















Mesmo. Estou aqui com o estômago colado às costas, já não vejo letras, só me passam pela cabeça um bom bife à marrare do xurrex ou uma pizza enorme do mr.pizza ou uma pratada daquelas do wok to walk ou um BigMac ou uma lasanha do Jardim de Itália ou um bife três pimentas do Securas ou... Bah.
Quero ir almoçar...

a meia-luz

Leighton Meester



















Consigo passar mais de doze horas a dormir. Adoro adormecer, sou feliz no sono e o acordar é sempre associado a um espírito de sacrifício que não faz parte de mim. Ser envolvida pela doce sonolência, no sofá da sala ou por entre o exagero de almofadas que povoam a minha cama, é o maior dos prazeres que tenho na vida. Acordar porque tenho que acordar, ter hora marcada para acordar, incomoda-me, pronto. É uma abolição da parte natural da coisa. Odeio despertadores. Adorava poder dormir todas as horas que me apetecesse, todos os dias da semana. Seria uma pessoa mais feliz, mais tranquila, mais zen. Falo com a certeza de quem já experimentou - fico mesmo uma pessoa mais agradável com uma catrefada de horas de preguiça no lombo. Depois é ver-me não saber o que fazer com esta cara, que não há erase paste(*) que lhe valha!

(*) um destes dias falo-vos de um kit que me ofereceram da benefit... é o máximo!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mudar de quarto

às vezes custa. Custa mudar a mobília, cada peça presente em períodos de uma existência tem um significado, um valor, um afecto. Custa deixar a cama em que sempre se dormiu, trocar a almofada, ter outro armário. Deixar ir embora aquela poltrona antiga onde líamos qualquer coisa ao final do dia. Seja como for, depois de tudo renovado, sabe bem. É uma lufada de ar fresco, um respirar fundo, sorrir e seguir em frente. Assim, o livepink mudou de quarto. A autora é a mesma, a pessoa por detrás das letras também e este será a "Parte II" de um grande pedaço de si. Os próximos 25 anos serão passados aqui - no lamparina, que se encontra, claro, em constante construção.