terça-feira, 12 de março de 2013

o facebook e a depressão

Jessica Stam
Quando li notícias sobre aquele estudo que associa o facebook à depressão juvenil, achei que fazia todo o sentido, mas parece-me que não só os jovens são vulneráveis. Tenho uma amiga com quase 30 anos que tem conta no face e não consegue passar mais de cinco minutos mensais por ali. Diz que se irrita, que fica nervosa.
Apesar de não me rever neste exemplo, a verdade é que consigo compreendê-lo. No facebook, filtramos a realidade. Por norma, os utilizadores não colocam fotos do seu emprego boring, dos seus dias sem sal, das angústias que lhes roubam o sono. A vida é intensificada, na medida em que tudo é o máximo. De facto, entre malta mais jovem, isto pode tornar-se numa fonte de frustrações: a Catarina tem mais amigos e mais likes nas fotos que eu porque é mais popular, a Joana comprou umas Nike tão lindas e eu sem nada para exibir, ai que eu nunca saí da Península Ibérica e o Miguel já foi a Cuba, tem fotos em Paris e em New York, a Maria hoje comeu cupcakes e eu almocei favas com chouriço, o Manuel tem uma família feliz e eu estou no meio de um drama conjugal, a Madalena tem um iPhone 5 e o meu pai não me dá um telemóvel de jeito. Sim, é parvo. Mas pode afectar aquelas cabecinhas piquenas sem que disso se apercebam.

Cá para mim, é daquelas questões que seria resolvida com base na formação que se recebe em casa. Felizmente, nunca fui uma miúda chata, daquelas que exigem determinadas marcas de ténis ou de roupa, mas no único dia em que cheguei a casa lavada em lágrimas porque um menino tinha gozado comigo por não saber andar de bicicleta sem rodinhas sim, só aprendi a andar de bicicleta como gente grande aos doze anos, o meu pai ralhou comigo:
- Ele sabe andar de bicicleta, mas sabe tocar piano? Sabe falar francês? Sabe andar de patins em linha?

Trata-se de uma comparação de capacidades e não de posses, mas vai dar ao mesmo. O que resolve um e outro dilema é a percepção de que cada pessoa é exactamente isso: uma pessoa. E essa lição, de que provavelmente o meu pai nem se recorda de me ter dado, ficou-me gravada cá dentro. Essa certeza de que não temos de ser melhores nem piores que ninguém, porque somos todos diferentes, sabem?
Apesar de já ter saído um contra-estudo, acredito mesmo que o facebook só propicia a depressão nas pessoas que não tiverem em si bem vincado esse saber.

4 comentários:

Susana Correia Dos Santos disse...

A mim o facebook aborrece-me. São s+o conversas sem nexo nenhum e comentários desnecessários a exibições desnecessárias. Sim tenho um facebook e é mt útil para me manter informada sobre os workshops que um determinado grupo de gente vai lançando e para me recordar dos aniversários de gente menos importante.

Noa disse...

Acredito que seja mesmo uma coisa capaz de dar a volta à cabeça da criancinhas menos vigiadas.

Mayara Santana disse...

Oie linda amei seu blog!
fiz um blog a pouco tempo e apesar de muitas visitas ainda não tenho nenhum seguidor (a não ser eu e minha irmã) gostaria de fazer parceria com algum blog,
LINK http://www.blogadolescentequalquer.blogspot.com.br/ espero que goste!

Ana Catarina disse...

conheço muita gente assim!