terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Às vezes dava jeito ser normal.

Cindy Crawford
Ana sai de casa para ir resolver alguns assuntos de trabalho para os quais tinha reservado a tarde.
Ana entra no carro, dá à chave, vai cantarolando alegremente pelo caminho enquanto pensa no lindo dia de sol que está.
Ana é interrompida por uma chamada.
«- Fiquei sem gasóleo», diz o pai, solicitando a sua ajuda.
Ana pede ao pai que espere pacientemente enquanto volta a casa para ir buscar um recipiente.
Ana esquece o medo que tem de entrar sozinha na garagem por causa dos mamutes e encontra o recipiente próprio para transfusões de combustível.
Ana atira o dito para o banco de trás do carro e senta-se ao volante.
Ana dá à chave.
Ana dá à chave.
Ana dá à chave.
Ana entra em pânico porque o carro não pega.
«- Isto não pode estar a acontecer-me. Isto só me acontece a mim.»
Ana sorri timidamente ao aperceber-se de quão ridícula é a sua situação, já que ia salvar o pai, que tinha ficado sem gasóleo, e acabara de ficar também apeada, por falta de gasolina.

Ana sempre se achou um ás da condução e por isso decide aventurar-se pela íngreme estrada à frente de sua casa, com o carro desligado: «- Pode ser que pegue com o embalo...»
Ana repara que o carro do vizinho a impede de fazer a curva e descer a tal estrada.
Ana quase bate no carro do vizinho.
Ana entra em pânico novamente e trava.
Ana já não acha graça nenhuma à situação.
Ana toca freneticamente à campainha do vizinho que decide ignorá-la.

Depois de ligar ao namorado com ares de vítima no meio de uma catástrofe natural, decidiu empurrar o carro sozinha, subida acima. Claro que não conseguiu. Só lhe restou esperar pelo pobre namorado, que chegou no exacto momento em que finalmente se resolveu a situação: é que o condutor do autocarro, vendo que não podia continuar o seu percurso descansadinho, tentou ajudar Ana a empurrar o carro rua acima, sem resultados positivos. Ela voltou a bater impacientemente à porta do vizinho cujo estacionamento prejudicava a sua estratégia de desbloqueamento de tráfico, ele lá veio abrir de chinelos e canequinha de chá na mão, incrédulo com a visão de trânsito agudo que não faz sentido nesta calma localidade.

Sim, a coisa resolveu-se. Quando finalmente parei o carro no fundo da rua, chegou o namorado, que me levou ao posto de abastecimento mais próximo por duas vezes consecutivas. Sempre de bidão na mão, pois claro.

E perguntam vocês:
«- Mas Menina, isso da crise está a afectar-vos assim tanto?»
E eu respondo:
«- Não. Somos mesmo distraídos. E o meu adorável carro, que a Fiat não quis trocar por outro, não me diz se tem ou não gasolina. Ando sempre ao Deus dará, numa aventura constante.»

Conclusão: na minha vida, nada pode acontecer como nas vidas das pessoas normais.

5 comentários:

Imperatriz Sissi disse...

Se te serve de consolo, já me fizeste rir! Ser normal não tem piada. Beijinho.

marlene disse...

So tu...e ja agora, tal pai tal filha!

Sophia B. disse...

A tua relação com o teu carro é hilariante!!

lena disse...

Que situação! Na altura não tem graça mas depois até dá vontade de rir. Tenho algumas peripécias no estilo... E ser normal não tem graça, concordo com a Imperatriz Sissi.

Se eu pudesse escrevia um livro disse...

LOLOL, o que eu já me ri :$